Luísa Oliveira, in Visão
Na Birmânia só há um hospital para tratar doentes com cancro. E como muitos vivem em pobreza extrema, não têm dinheiro para levar os filhos aos tratamentos. O Projeto Amélia ajuda-os. A partir de dia 31, várias figuras públicas estarão no aeroporto de Lisboa a angariar fundos para que mais crianças cheguem a um médico, a tempo de não morrerem. Veja o vídeo do apelo do ator Joaquim de Almeida
Cinquenta e cinco mil euros. Foi a quantia que o Projeto Amélia - agora, internacionalmente conhecido como Please Take Me There - angariou no ano passado. Com esse dinheiro arrecadado em Portugal, conseguiram ajudar 400 crianças e adultos no Myanmar, na Birmânia, durante dois meses. E ainda criaram um fundo de emergência com capacidade para auxiliar duas famílias por dia.
Fernando Pinho, o criador do Projeto Amélia na Birmânia
Fernando Pinho, o criador do Projeto Amélia na Birmânia
Mas infelizmente não chega. Neste momento, há 500 crianças com cancro que não conseguem chegar ao hospital mais perto para serem tratadas. Sem ajuda, 90% não recebem cuidados de saúde e acabam por morrer.
Por isso, arranca no dia 31 de março, às cinco da tarde, a segunda edição da campanha 24 horas, que junta, durante nove dias, dezenas de figuras públicas e outros tantos anónimos no aeroporto de Lisboa, com o único objetivo de angariar fundos para estes doentes, sem acesso aos cuidados de saúde.
Na Birmânia, um país com 50 milhões de habitantes, só existe um hospital com capacidade para tratar crianças com cancro. E para lá chegar, algumas precisam de fazer viagens de 24 horas, por caminhos perigosos, e que incluem vários meios de transporte. "A maioria das famílias vive em pobreza extrema e não tem rendimentos para pagar estas viagens que chegam a custar mais do que o rendimento mensal do agregado", nota Fernando Pinho, o fundador desta ONG sediada em Cambridge, no Reino Unido, com o aval da World Child Cancer e do governo da Birmânia.
Em muitos dos casos, as famílias têm de vender as suas casas e até o gado - o seu sustento diário, que corresponde a menos de 40 cêntimos.
Os atores Sónia Balacó, Pedro Barroso e Luís Eusébio serão os primeiros a passar a noite no Aeroporto. Mas este ano, a lista das figuras que também lá estarão nos próximos dias passa por nomes como Filipa Areosa, Beatriz Barosa, Deolinda Kinzimba, Liliana Santos, Luísa Ortigoso, Mariana Pacheco, Melânia Gomes, Nuno Guerreiro, Soraia Tavares, Alda Gomes, Isabel Guerreiro, Quimbé, Brienne Keller, José Fidalgo, Gonçalo de Oliveira, Gonzalo Ramos, Irma Ribeiro, Jorge Coutinho, Miguel Gizzas, Sofia Escobar e Sofia Nicholson. O ator Joaquim de Almeida gravou um apelo, em português e inglês. Depois de ver vídeo de Joaquim de Almeida (no cime desta página), ou este que se segue , não vai ficar indiferente.
As formas de ajudar são muitas: Doar €48 para transportar para o hospital uma criança que recebe dois ciclos de tratamento em diferentes meses, ou €24 para para receber apenas um ciclo de tratamento. Pode ainda transferir €16.50 por mês para que uma criança com cancro seja tratada durante um ano (em média, são necessários €200 por ano para pagar as 8 viagens que têm fazer até ao único hospital). Mas se quiser, da próxima vez que fizer anos, doe o seu aniversário a esta causa - em vez de lhe darem presentes, redirecione esse dinheiro para ajudar as crianças doentes da Birmânia. Aposto que elas agradecem.
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30.3.17
1.2.17
Nações Unidas e a Amnistia internacional suspeitam de crimes contra a humanidade
in TSF
Desde outubro que a situação da minoria Rohingya na Birmânia se tem agravado. 66 mil pessoas foram obrigadas a fugir. Aung San Suu Kyi é acusada de passividade perante as ações dos militares.
A situação começou a agravar-se no dia 9 de outubro quando nove agentes morreram durante ataques contra postos da polícia no estado de Rakhine, no oeste da Birmânia.
A jornalista Margarida Serra conversou com Laura Haigh
É aí que residem os Rohingya, uma minoria étnica e religiosa que as autoridades classificam como não cidadãos. A TSF conversou com Laura Haigh, da Amnistia Internacional, que estava na Birmânia quando a última vaga de violência contra os Rohingya começou e fala dos excessos praticados.
Desde outubro que a situação da minoria Rohingya na Birmânia se tem agravado. 66 mil pessoas foram obrigadas a fugir. Aung San Suu Kyi é acusada de passividade perante as ações dos militares.
A situação começou a agravar-se no dia 9 de outubro quando nove agentes morreram durante ataques contra postos da polícia no estado de Rakhine, no oeste da Birmânia.
A jornalista Margarida Serra conversou com Laura Haigh
É aí que residem os Rohingya, uma minoria étnica e religiosa que as autoridades classificam como não cidadãos. A TSF conversou com Laura Haigh, da Amnistia Internacional, que estava na Birmânia quando a última vaga de violência contra os Rohingya começou e fala dos excessos praticados.
29.10.15
Birmânia: “Provas sólidas” de genocídio contra minoria rohingya
in o Observador
A perseguição sistemática da minoria muçulmana rohingya na Birmânia oferece "provas sólidas" para a qualificar como um ato de genocídio, conclui um estudo jurídico apresentado hoje em Banguecoque.
A perseguição sistemática da minoria muçulmana rohingya na Birmânia oferece “provas sólidas” para a qualificar como um ato de genocídio, conclui um estudo jurídico apresentado hoje em Banguecoque, em que se pede à ONU que estabeleça uma comissão de inquérito.
O documento, elaborado pela Faculdade de Direito da Universidade de Yale, nos EUA, refere que as autoridades birmanesas cometeram violações contra os rohingya com a intenção de eliminar “parte ou totalmente” esta minoria.
A Birmânia não reconhece a cidadania dos rohingya — considerados pelas Nações Unidas como a minoria étnica mais perseguida em todo o mundo — que viram a sua condição agravar-se em 2012 na sequência de surtos de violência sectária com a maioria budista do estado de Rakhine, no oeste do país, que resultaram em dezenas de mortos.
Desde então, as autoridades limitaram a sua liberdade de movimentos, forçando milhares a viver confinados nas suas aldeias ou amontados em campos de refugiados, e aprovaram leis que restringem o número de filhos e os casamentos inter-religiosos.
“Vivem em condições que parecem pensadas para causar a sua destruição”, indica o estudo, baseado em três anos de investigação da organização Fortyfy Rights, em entrevistas a testemunhas e em documentos internos do governo birmanês e da ONU.
“Os atos cometidos contra os rohingya, individuais ou coletivos, reúnem os critérios enumerados pela convenção contra o genocídio”, refere o estudo, o primeiro que aplica esta convenção da ONU ao caso dos muçulmanos rohingya.
Entre outros, a investigação denuncia atos do exército, polícias e forças de segurança que provocaram a morte ou danos físicos e mentais aos rohingya, deterioração das suas condições de vida para causar destruição física e impuseram medidas para prevenir a sua reprodução.
O estudo conclui que diante da discriminação de que são alvo os rohingya, o governo birmanês e outros atores em Rakhine, à margem das suas motivações, agiram com “intenção” de cometer genocídio.
Os autores do relatório e a Fortyfy Rights instam, por isso, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU a estabelecer uma comissão de investigação relativamente aos crimes cometidos contra os rohingya, incluindo o de genocídio, ao abrigo da lei internacional.
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A perseguição sistemática da minoria muçulmana rohingya na Birmânia oferece "provas sólidas" para a qualificar como um ato de genocídio, conclui um estudo jurídico apresentado hoje em Banguecoque.
A perseguição sistemática da minoria muçulmana rohingya na Birmânia oferece “provas sólidas” para a qualificar como um ato de genocídio, conclui um estudo jurídico apresentado hoje em Banguecoque, em que se pede à ONU que estabeleça uma comissão de inquérito.
O documento, elaborado pela Faculdade de Direito da Universidade de Yale, nos EUA, refere que as autoridades birmanesas cometeram violações contra os rohingya com a intenção de eliminar “parte ou totalmente” esta minoria.
A Birmânia não reconhece a cidadania dos rohingya — considerados pelas Nações Unidas como a minoria étnica mais perseguida em todo o mundo — que viram a sua condição agravar-se em 2012 na sequência de surtos de violência sectária com a maioria budista do estado de Rakhine, no oeste do país, que resultaram em dezenas de mortos.
Desde então, as autoridades limitaram a sua liberdade de movimentos, forçando milhares a viver confinados nas suas aldeias ou amontados em campos de refugiados, e aprovaram leis que restringem o número de filhos e os casamentos inter-religiosos.
“Vivem em condições que parecem pensadas para causar a sua destruição”, indica o estudo, baseado em três anos de investigação da organização Fortyfy Rights, em entrevistas a testemunhas e em documentos internos do governo birmanês e da ONU.
“Os atos cometidos contra os rohingya, individuais ou coletivos, reúnem os critérios enumerados pela convenção contra o genocídio”, refere o estudo, o primeiro que aplica esta convenção da ONU ao caso dos muçulmanos rohingya.
Entre outros, a investigação denuncia atos do exército, polícias e forças de segurança que provocaram a morte ou danos físicos e mentais aos rohingya, deterioração das suas condições de vida para causar destruição física e impuseram medidas para prevenir a sua reprodução.
O estudo conclui que diante da discriminação de que são alvo os rohingya, o governo birmanês e outros atores em Rakhine, à margem das suas motivações, agiram com “intenção” de cometer genocídio.
Os autores do relatório e a Fortyfy Rights instam, por isso, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU a estabelecer uma comissão de investigação relativamente aos crimes cometidos contra os rohingya, incluindo o de genocídio, ao abrigo da lei internacional.
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