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18.10.18

Rede Anti-Pobreza alerta: 1,1 milhões de portugueses trabalham, mas são pobres A existência de 2,4 milhões de portugueses, cerca de 23% da população, em risco de pobreza “é preocupante” e “não deixa tranquila” a Rede Europeia Anti-Pobreza, disse o seu presidente, no Dia Internacional da Erradicação da Pobreza. “A situação de muitos portugueses preocupa-nos muito e não nos deixa ficar tranquilos neste desafio para que todos os portugueses possam sair dessa dependência ou até de carência, por isso a luta pela igualdade e pela aproximação de rendimentos é fundamental para diminuir as assimetrias”, afirmou Agostinho Jardim Moreira. Os esforços do Governo para aumentar os benefícios sociais, o salário mínimo nacional ou o abono de família, exemplificou, “são bons, mas são insuficientes”, defendeu. O responsável lembrou que, associada aos 23% de portugueses em risco de pobreza, está a taxa de 25% de crianças pobres, em risco de “exclusão ou de insucesso escolar”. “Se não vamos combater as causas, com a taxa de natalidade baixa que temos, vamos ter um país muito fragilizado a curto e médio prazo”, alertou. O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza falava à margem do 10º Fórum Nacional “Trabalho digno: um alicerce para a paz social - combate à pobreza e exclusão social, que decorreu ontem na Foz do Arelho, concelho de Caldas da Rainha e distrito de Leiria, e é organizado por aquela entidade. Segundo a rede europeia, 10,8% dos trabalhadores vive em situação de pobreza e, numa altura em que a taxa de desemprego tem vindo a diminuir, “não basta haver trabalho, é necessário muito mais e a dignificação do trabalho é fundamental”, para elevar o nível de vida dos cidadãos. O responsável sublinhou que “não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana, é preciso ter um rendimento adequado, que possibilite satisfazer as necessidades familiares”. Por outro lado, salientou que há muita gente que tem dificuldade em aceder a empregos mais bem pagos porque lhes falta as qualificações necessárias. Nesse sentido, defendeu que falar da necessidade de um trabalho digno implica também uma política de formação em educação, sobretudo pensada nos mais novos, “para que eles não fiquem fora do emprego qualificado”. “Senão, não conseguimos sair desta situação”, avisou. “Não basta ter emprego, é preciso qualificar as pessoas para elas poderem ter acesso a empregos mais bem remunerados e terem mais rendimentos”, defendeu Jardim Moreira. De acordo com o presidente da EAPN Portugal, a pobreza em Portugal é estrutural e, por isso, requer “uma intervenção transversal de vários ministérios”. Salientou que uma das maiores preocupações são as mães solteiras, um problema para o qual também é necessária uma aposta na educação, na formação e na integração familiar. “É preciso insistir na formação dos mais jovens para a integração familiar porque fora da família nem se realizam, ficam marginais, não conseguem ter condições de trabalho porque lhes falta toda esta solidariedade familiar que é fundamental para o desenvolvimento das pessoas que a constituem”, explicou. Portugal apresentava em 2017 uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, acima da média da União Europeia (UE 22,5%) mas 2,7 pontos abaixo da de 2008, divulgou o Eurostat. Analisando os componentes do indicador, no ano passado estavam 18,3% de pessoas em risco de pobreza monetária (após as transferências sociais) em Portugal, acima da média europeia (16,9%). No que respeita a situação de privação material severa, Portugal estava, em 2017, em linha com a UE nos 6,9% e abaixo da média (8% face aos 9,3% da UE) na componente referente a pessoas até aos 59 anos que vivem em domicílios com baixa intensidade laboral. Rede Europeia Anti-Pobreza considera preocupante a situação em Portugal e afirma que a pobreza em Portugal é estrutural

in Correio dos Açores

Rede Europeia Anti-Pobreza considera preocupante a situação em Portugal e afirma que a pobreza em Portugal é estrutural

Rede Anfi-Pobreza alerta: 1,1 milhões de portugueses trabalham, mas são pobres Rede Europeia Anti-Pobreza considera preocupante a situação em Portugal e afirma que a pobreza em Portugal é estrutural A existência de 2,4 milhões de portugueses, cerca de 23% da população, em risco de pobreza "é preocupante" e "não deixa tranquila" a Rede Europeia Anti-Pobreza, disse o seu presidente, no Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.
"A situação de muitos portugueses preocupa-nos muito e não nos deixa ficar tranquilos neste desafio para que todos os portugueses possam sair dessa dependência ou até de carência, por isso a luta pela igualdade e pela aproximação de rendimentos é fundamental para diminuir as assimetrias", afirmou Agostinho Jardim Moreira.

Os esforços do Governo para aumentar os benefícios sociais, o salário mínimo nacional ou o abono de família, exemplificou, "são bons, mas são insuficientes", defendeu.

O responsável lembrou que, associada aos 23% de portugueses em risco de pobreza, está a taxa de 25% de crianças pobres, em risco de "exclusão ou de insucesso escolar".

"Se não vamos combater as causas, com a taxa de natalidade baixa que temos, vamos ter um pais muito fragilizado a curto e médio prazo", alertou.

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza falava à margem do 10° Fórum Nacional "Trabalho digno: um alicerce para a paz social - combate à pobreza e exclusão social, que decorreu ontem na Foz do Arelho, concelho de Caldas da Rainha e distrito de Leiria, e é organizado por aquela entidade.

Segundo a rede europeia, 10,8% dos trabalhadores vive em situação de pobreza e, numa altura em que a taxa de desemprego tem vindo a diminuir, "não basta haver trabalho, é necessário muito mais e a dignificação do trabalho é fundamental", para elevar o nível de vida dos cidadãos.

O responsável sublinhou que "não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana, é preciso ter um rendimento adequado, que possibilite satisfazer as necessidades familiares".
Por outro lado, salientou que há muita gente que tem dificuldade em aceder a empregos mais bem pagos porque lhes falta as qualificações necessárias.
Nesse sentido, defendeu que falar da necessidade de um trabalho digno implica também uma política de formação em educação, sobretudo pensada nos mais novos, "para que eles não fiquem fora do emprego qualificado". "Senão, não conseguimos sair desta situação", avisou.

"Não basta ter emprego, é preciso qualificar as pessoas para elas poderem ter acesso a empregos mais bem remunerados e terem mais rendimentos", defendeu Jardim Moreira.
De acordo com o presidente da EAPN Portugal, a pobreza em Portugal é estrutural e. por isso, requer "uma intervenção transersal de vários ministérios". Salientou que uma das maiores preocupações são as mães solteiras, um problema para o qual também é necessária uma aposta na educação, na formação e na integração familiar.

"É preciso insistir na formação dos mais jovens para a integração familiar porque fora da família nem se realizam, ficam marginais, não conseguem ter condições de trabalho porque lhes falta toda esta solidariedade familiar que é fundamental para o desenvolvimento das pessoas que a constituem", explicou.

Portugal apresentava em 2017 uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, acima da média da União Europeia (UE 22,5%) mas 2,7 pontos abaixo da de 2008, divulgou o Eurostat.
Analisando os componentes do indicador, no ano passado estavam 18,3% de pessoas em risco de pobreza monetária (após as transferências sociais) em Portugal, acima da média europeia (16,9%).
No que respeita a situação de privação material severa, Portugal estava, em 2017, em linha com a UE nos 6,9% e abaixo da média (8% face aos 9,3% da UE) na componente referente a pessoas até aos 59 anos que vivem em domicílios com baixa intensidade laboral.

Há 1,1 milhões de portugueses que trabalham, mas são pobres

in impalanoticias

Mais de 1,1 milhões de portugueses têm trabalho, mas são pobres, pois um emprego não basta e é preciso apostar na educação e em melhores qualificações, diz a Rede Europeia Anti-Pobreza.

A Rede Europeia Anti-Pobreza alertou hoje para mais de 1,1 milhões de portugueses que têm trabalho, mas são pobres, apontando que um emprego não basta e que é preciso uma aposta na educação e em melhores qualificações. Por ocasião do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, que se assinala hoje, o presidente da EAPN Portugal adiantou que um trabalho digno é o tema que a ONG escolheu para chamar a atenção para a data.

«Em Portugal, temos 10,8% de trabalhadores que são pobres. Era necessário chamar a atenção para a realidade de que não basta ter emprego para sair da pobreza», apontou o padre Jardim Moreira. O responsável sublinhou que «não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana». «É preciso ter um rendimento adequado, que possibilite satisfazer as necessidades familiares.» Por outro lado, salienta que há muita gente que tem dificuldade em aceder a empregos mais bem pagos porque lhes falta as qualificações necessárias. Nesse sentido, defende que falar da necessidade de trabalho digno implica também uma política de formação em educação, sobretudo pensada nos mais novos, «para que eles não fiquem fora do emprego qualificado». «Se não, não conseguimos sair desta situação», avisa.

«Continuamos com 18,3% de pobres» em Portugal e «23,3% os excluídos»

O responsável pela EAPN Portugal apontou as melhorias verificadas nos últimos dois anos com impacto «no nível de vida de muitos pobres», desde logo pelo aumento dos rendimentos disponíveis ou pelo aumento do valor das reformas. «Mas a verdade é que ainda continuamos com 18,3% de pobres de rendimentos e chegam aos 23,3% os excluídos», destacou, considerando que «apesar da melhoria, de modo global, os números não são ainda satisfatórios».
Jardim Moreira defende que é preciso emprego com capacidade de respostas para as necessidades da pessoa ou da família e que, para isso, é preciso que as pessoas tenham mais e melhores qualificações. «Não basta ter emprego. É preciso qualificar as pessoas para elas poderem ter acesso a empregos mais bem remunerados e terem mais rendimentos», defende o padre. De acordo com o presidente da EAPN Portugal, a pobreza em Portugal é estrutural e, por isso, requer «uma intervenção transversal de vários ministérios».

Salienta ainda que uma das maiores preocupações são as mães solteiras, problema para o qual também é necessária uma aposta na educação, na formação e na integração familiar. «É preciso insistir na formação dos mais jovens para a integração familiar porque fora da família não se realizam. Ficam marginais, não conseguem ter condições de trabalho porque lhes falta toda esta solidariedade familiar, fundamental para o desenvolvimento das pessoas que a constituem», explica.

Sublinha também que a solução pela educação também tem a ver com o facto de o abandono escolar ainda ser muito elevado e o aproveitamento escolar fraco, havendo «muita gente que passa pela escola e chega ao fim quase sem qualquer qualificação». Quanto ao facto de não haver uma estratégia nacional de combate à pobreza desde 2015, Jardim Moreira frisa que isso foi não só um retrocesso em relação ao trabalho que estava a ser feito, como o «ignorar e o fechar os olhos à realidade nacional». «Foi um erro de justiça para com as pessoas mais vulneráveis», remata.

Mães solteiras são uma das principais preocupações
Durante o dia de hoje, a EAPN Portugal vai estar na Foz do Arelho, para o seu X Encontro Nacional, que conta com a presença do ministro do Trabalho, da Solidariedade e de Segurança Social, José Vieira da Silva, e onde vai decorrer o seminário Trabalho Digno: um alicerce para a paz social.


Rede Europeia Anti-Pobreza considera preocupante situação em Portugal

in Sapo24

Rede Anti-Pobreza alerta para 1,1 milhão de portugueses que trabalham, mas são pobres
A existência de 2,4 milhões de portugueses, cerca de 23% da população, em risco de pobreza “é preocupante” e “não deixa tranquila” a Rede Europeia Anti-Pobreza, disse hoje o seu presidente, no Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.

“A situação de muitos portugueses preocupa-nos muito e não nos deixa ficar tranquilos neste desafio para que todos os portugueses possam sair dessa dependência ou até de carência, por isso a luta pela igualdade e pela aproximação de rendimentos é fundamental para diminuir as assimetrias”, afirmou Agostinho Jardim Moreira.

Os esforços do Governo para aumentar os benefícios sociais, o salário mínimo nacional ou o abono de família, exemplificou, “são bons, mas são insuficientes”, defendeu.

O responsável lembrou que, associada aos 23% de portugueses em risco de pobreza, está a taxa de 25% de crianças pobres, em risco de “exclusão ou de insucesso escolar”.

“Se não vamos combater as causas, com a taxa de natalidade baixa que temos, vamos ter um país muito fragilizado a curto e médio prazo”, alertou.

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza falava à margem do 10º Fórum Nacional “Trabalho digno: um alicerce para a paz social - combate à pobreza e exclusão social, que decorre hoje na Foz do Arelho, concelho de Caldas da Rainha e distrito de Leiria, e é organizado por aquela entidade.
Segundo a rede europeia, 10,8% dos trabalhadores vive em situação de pobreza e, numa altura em que a taxa de desemprego tem vindo a diminuir, “não basta haver trabalho, é necessário muito mais e a dignificação do trabalho é fundamental”, para elevar o nível de vida dos cidadãos.
Portugal apresentava em 2017 uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, acima da média da União Europeia (UE 22,5%) mas 2,7 pontos abaixo da de 2008, divulgou o Eurostat.

Analisando os componentes do indicador, no ano passado estavam 18,3% de pessoas em risco de pobreza monetária (após as transferências sociais) em Portugal, acima da média europeia (16,9%).

No que respeita a situação de privação material severa, Portugal estava, em 2017, em linha com a UE nos 6,9% e abaixo da média (8% face aos 9,3% da UE) na componente referente a pessoas até aos 59 anos que vivem em domicílios com baixa intensidade laboral.

17.10.18

Mais de um milhão de portugueses trabalham, mas são pobres

in Revista Sábado

Esta quarta-feira assinala-se o Dia Internacional de Erradicação da Pobreza.

A Rede Europeia Anti-Pobreza alertou esta quarta-feira para mais de 1,1 milhões de portugueses que têm trabalho, mas são pobres, apontando que um emprego não basta e que é preciso uma aposta na educação e em melhores qualificações.

Em entrevista à agência Lusa, por ocasião do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, que se assinala hoje, o presidente da EAPN Portugal adiantou que um trabalho digno é o tema que a ONG escolheu para chamar a atenção para a data.

"Em Portugal, temos 10,8% de trabalhadores que são pobres, achámos que era necessário chamar a atenção para esta realidade, de que não basta ter um emprego para sair da pobreza", apontou o padre Jardim Moreira.

Uma em quatro crianças em risco de pobreza na União Europeia
O responsável sublinhou que "não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana, é preciso ter um rendimento adequado, que possibilite satisfazer as necessidades familiares".

Por outro lado, salientou que há muita gente que tem dificuldade em aceder a empregos mais bem pagos porque lhes falta as qualificações necessárias.

Nesse sentido, defendeu que falar da necessidade de um trabalho digno implica também uma política de formação em educação, sobretudo pensada nos mais novos, "para que eles não fiquem fora do emprego qualificado".

"Senão, não conseguimos sair desta situação", avisou.

O responsável pela EAPN Portugal apontou as melhorias verificadas nos últimos dois anos com impacto "no nível de vida de muitos pobres", desde logo pelo aumento dos rendimentos disponíveis ou pelo aumento do valor das reformas.

"Mas a verdade é que ainda continuamos com 18,3% de pobres de rendimentos e chegam aos 23,3% os excluídos", destacou, considerando que "apesar da melhoria, de modo global, os números não são ainda satisfatórios".

Jardim Moreira defendeu que é preciso emprego com capacidade de respostas para as necessidades da pessoa ou da família e que, para isso, é preciso que as pessoas tenham mais e melhores qualificações.

"Não basta ter emprego, é preciso qualificar as pessoas para elas poderem ter acesso a empregos mais bem remunerados e terem mais rendimentos", defendeu o padre Jardim Moreira.

De acordo com o presidente da EAPN Portugal, a pobreza em Portugal é estrutural e, por isso, requer "uma intervenção transversal de vários ministérios".

Salientou que uma das maiores preocupações são as mães solteiras, um problema para o qual também é necessária uma aposta na educação, na formação e na integração familiar.

"É preciso insistir na formação dos mais jovens para a integração familiar porque fora da família nem se realizam, ficam marginais, não conseguem ter condições de trabalho porque lhes falta toda esta solidariedade familiar que é fundamental para o desenvolvimento das pessoas que a constituem", explicou.

Sublinhou também que a solução pela educação também tem a ver com o facto de o abandono escolar ainda ser muito elevado e o aproveitamento escolar fraco, havendo "muita gente que passa pela escola e chega ao fim quase sem qualquer qualificação".

Quanto ao facto de não haver uma estratégia nacional de combate à pobreza desde 2015, Jardim Moreira frisou que isso foi não só um retrocesso em relação ao trabalho que estava a ser feito, como o "ignorar e fechar os olhos à realidade nacional".

"Foi um erro de justiça para com as pessoas mais vulneráveis", rematou.

Durante o dia de hoje, a EAPN Portugal vai estar na Foz do Arelho, para o seu X Encontro Nacional, que conta com a presença do ministro do Trabalho, da Solidariedade e de Segurança Social, José Vieira da Silva, e onde vai decorrer o seminário "Trabalho Digno: um alicerce para a paz social".

Rede Anti-Pobreza alerta: 1,1 milhões de portugueses trabalham, mas são pobres

in o Observador

A Rede Europeia Anti-Pobreza aponta que, em Portugal, um emprego não basta e que é preciso uma aposta na educação e em melhores qualificações.

A Rede Europeia Anti-Pobreza alertou esta quarta-feira para mais de 1,1 milhões de portugueses que têm trabalho, mas são pobres, apontando que um emprego não basta e que é preciso uma aposta na educação e em melhores qualificações.

Em entrevista à agência Lusa, por ocasião do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, que se assinala esta quarta-feira, o presidente da EAPN Portugal adiantou que um trabalho digno é o tema que a ONG escolheu para chamar a atenção para a data.

Em Portugal, temos 10,8% de trabalhadores que são pobres, achámos que era necessário chamar a atenção para esta realidade, de que não basta ter um emprego para sair da pobreza”, apontou o padre Jardim Moreira.

O responsável sublinhou que “não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana, é preciso ter um rendimento adequado, que possibilite satisfazer as necessidades familiares”.
Por outro lado, salientou que há muita gente que tem dificuldade em aceder a empregos mais bem pagos porque lhes falta as qualificações necessárias.

Nesse sentido, defendeu que falar da necessidade de um trabalho digno implica também uma política de formação em educação, sobretudo pensada nos mais novos, “para que eles não fiquem fora do emprego qualificado”. “Senão, não conseguimos sair desta situação”, avisou.

O responsável pela EAPN Portugal apontou as melhorias verificadas nos últimos dois anos com impacto “no nível de vida de muitos pobres”, desde logo pelo aumento dos rendimentos disponíveis ou pelo aumento do valor das reformas.
“Mas a verdade é que ainda continuamos com 18,3% de pobres de rendimentos e chegam aos 23,3% os excluídos”, destacou, considerando que “apesar da melhoria, de modo global, os números não são ainda satisfatórios”.

Jardim Moreira defendeu que é preciso emprego com capacidade de respostas para as necessidades da pessoa ou da família e que, para isso, é preciso que as pessoas tenham mais e melhores qualificações.

“Não basta ter emprego, é preciso qualificar as pessoas para elas poderem ter acesso a empregos mais bem remunerados e terem mais rendimentos”, defendeu o padre Jardim Moreira.

De acordo com o presidente da EAPN Portugal, a pobreza em Portugal é estrutural e, por isso, requer “uma intervenção transversal de vários ministérios”.

Salientou que uma das maiores preocupações são as mães solteiras, um problema para o qual também é necessária uma aposta na educação, na formação e na integração familiar.

“É preciso insistir na formação dos mais jovens para a integração familiar porque fora da família nem se realizam, ficam marginais, não conseguem ter condições de trabalho porque lhes falta toda esta solidariedade familiar que é fundamental para o desenvolvimento das pessoas que a constituem”, explicou.

Sublinhou também que a solução pela educação também tem que ver com o facto de o abandono escolar ainda ser muito elevado e o aproveitamento escolar fraco, havendo “muita gente que passa pela escola e chega ao fim quase sem qualquer qualificação”.

Quanto ao facto de não haver uma estratégia nacional de combate à pobreza desde 2015, Jardim Moreira frisou que isso foi não só um retrocesso em relação ao trabalho que estava a ser feito, como o “ignorar e fechar os olhos à realidade nacional”. “Foi um erro de justiça para com as pessoas mais vulneráveis”, rematou.

Durante o dia de esta quarta-feira, a EAPN Portugal vai estar na Foz do Arelho, para o seu X Encontro Nacional, que conta com a presença do ministro do Trabalho, da Solidariedade e de Segurança Social, José Vieira da Silva, e onde vai decorrer o seminário “Trabalho Digno: um alicerce para a paz social”.

Mais de um milhão de trabalhadores portugueses são pobres

in RR

A Rede Europeia Anti-Pobreza alerta para o facto de que ter um emprego não chega.

Mais de 1,1 milhões de portugueses que têm trabalho, são pobres, ou seja, cerca de 10% da população nacional. O alerta é da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), que diz que ter um emprego não chega. Isto é, o rendimento proveniente do trabalho não é suficiente para satisfazer as necessidades familiares.

À Renascença, o padre Jardim Moreira, lembra que faltam empregos dignos. “Os empregos de muita gente são precários e, portanto, o vencimento não é suficiente para resolver e enfrentar as necessidades do agregado familiar”.
“Entre os pobres temos 10,7% que são trabalhadores. Quer dizer que ter emprego não é suficiente para tirar uma pessoa da pobreza”, sublinha.

No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, esta organização aponta como prioridade uma maior aposta na educação e na melhoria das qualificações.

Taxa de risco de pobreza acima da média da UE
Portugal apresentava em 2017 uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, acima da média da União Europeia (UE 22,5%) mas 2,7 pontos abaixo da de 2008, divulgou esta quarta-feira o Eurostat.

Analisando os componentes do indicador, no ano passado estavam 18,3% de pessoas em risco de pobreza monetária (após as transferências sociais) em Portugal, acima da média europeia (16,9%). No que respeita a situação de privação material severa, Portugal estava, em 2017, em linha com a UE nos 6,9%.

Face a 2008, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social aumentou em dez Estados-membros entre 2008 e 2017, com a principal subida na Grécia (6,7 pontos percentuais, para os 34,8%), em Itália (3,4 pontos, para os 28,9%), Espanha (2,8 pontos, para os 26,6%) e Holanda (2,1 pontos, para os 17,0%).

Os recuos mais significativos no mesmo período foram registados na Polónia (-11 pontos, para os 19,5%) Roménia (-8,5 pontos, para os 35,7%), Letónia (-6,0 pontos, para os 28,2%) e Bulgária (-5,9 pontos, para os 38,9%).

23.10.17

17 de Outubro – Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza

in Rostos on-line

A Participação como condição para a Inclusão Social

A pobreza e a exclusão social em Portugal e na Europa permanece um desafio de carácter estrutural na sociedade europeia e exige uma visão global e integral, em detrimento de medidas pontuais, parcelares ou sectoriais. Estas medidas sendo importantes devem ser enquadradas e complementadas por uma estratégia nacional de combate à pobreza e exclusão social, como, de resto, vimos defendendo há muito tempo.
Mensagem da EAPN Portugal

Por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza , a EAPN Portugal renova o seu apelo para a necessidade de um modelo social, baseado numa escala de valores de carácter humanista, em que, acima de tudo, não se mercantilize a existência das pessoas.

A pobreza e a exclusão social em Portugal e na Europa permanece um desafio de carácter estrutural na sociedade europeia e exige uma visão global e integral, em detrimento de medidas pontuais, parcelares ou sectoriais. Estas medidas sendo importantes devem ser enquadradas e complementadas por uma estratégia nacional de combate à pobreza e exclusão social, como, de resto, vimos defendendo há muito tempo.

Apesar de nos últimos anos ter havido uma reposição de alguns direitos sociais, e uma consequente melhoria das condições de vida de uma parte dos portugueses, ainda permanece demasiado elevada a taxa de risco de pobreza em Portugal , o que significa que ainda estamos longe de atingir as causas da pobreza. Uma estratégia de erradicação da pobreza e exclusão social requer, para além de políticas sociais mais generosas, políticas económicas e fiscais mais justas e redistributivas.

Implica também uma atuação ao nível do sistema educativo, fundamental para romper com a transmissão intergeracional da pobreza, para que este seja inclusivo, para além de universal e gratuito. Um sistema educativo capaz de se adaptar à nova realidade social e tecnológica da nossa sociedade, e atendendo e respeitando a diversidade, transmitindo valores éticos de respeito, convivência, solidariedade, justiça e espiritualidade.

Contudo, para que se verifique uma alteração substancial nos números da pobreza, para além da responsabilidade do Governo e das políticas públicas nacionais e europeias, será necessário um compromisso por parte da sociedade civil, em especial das organizações da economia social, no sentido de focarem a sua intervenção nas causas da pobreza e não só nas suas consequências, substituindo uma lógica puramente assistencialista de provisão de serviços que apenas atenuam o impacto da pobreza, por uma ação focalizada na definição e implementação de políticas tendo por base a direta participação das pessoas destinatárias dessas mesmas políticas.

Para a EAPN Portugal, a participação das pessoas em situação de pobreza e exclusão social é não só um objetivo, mas também a sua metodologia de trabalho. Os Conselhos Locais de Cidadãos existentes nos dezoito distritos do país são espaços privilegiados para o desenvolvimento de “massa crítica” sobre as estratégias de enfrentamento dos problemas que os afetam, encontrando-se mais focados nas pessoas, enquanto parte da solução e menos enquanto parte do problema.

A experiência dos Conselhos de Cidadãos permite-nos concluir que a participação é uma condição para a inclusão social e que é possível exercer uma cidadania ativa, ouvindo e dando voz aqueles que por razões de diversa natureza se encontram à margem da sociedade.

Sabemos, porém, que esta forma de abordar os problemas da pobreza e da exclusão social não é muito comum na nossa sociedade, onde ainda persistem muitas resistências a um envolvimento dos cidadãos mais pobres, nomeadamente na área social, com uma tendência muito generalizada para adopção de modelos de intervenção muito verticais e unidirecionais. Estamos conscientes de que a nossa intervenção é ainda uma “gota no oceano” e que necessitamos de alargar, em diferentes contextos, e com diferentes públicos, experiências participativas baseadas no conhecimento daqueles que quotidianamente experienciam estas situações.

Acreditamos, que este é o caminho que devemos trilhar na construção de uma sociedade mais justa e mais igualitária, em que todos os cidadãos, sem exceção, tenham consciência do seu lugar na sociedade e possam exercer a sua cidadania plena, sem constrangimentos.

A participação é a base de uma cultura que se pretende democrática. É um direito, uma responsabilidade, e deve ser um compromisso de todos os cidadãos. Sendo um desafio permanente, e que não se mede por um único momento, é o melhor caminho para (re)construir uma verdadeira Democracia e combater todos os populismos que a ameaçam e contaminam. Porque em Democracia a Dignidade e a Liberdade não são opções, são condições básicas para a sua concretização efetiva.

EAPN, 17 de Outubro de 2017
EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza

1. A 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski, o fundador do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou as pessoas a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Paris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano.

2. O recente Destaque do INE indica que 19.0% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2015, valor ligeiramente inferior ao ano anterior (19.5% em 2014).

3.11.16

A pobreza será uma fatalidade?

Texto Eduardo Santos, in Fátima Missionária

Portugal está entre os nove países com taxa de pobreza mais alta. Quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%), de acordo com dados divulgados recentemente pelo Eurostat


A propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que ocorreu no passado dia 17, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) - o Eurostat, divulgou os dados comparativos da pobreza no espaço europeu. Em síntese este documento indica que 119 milhões de cidadãos europeus ainda vivem em risco de pobreza ou de exclusão social. Em 2014 eram 122 milhões, correspondentes a 24,4% da população do velho Continente.

Verifica-se que a Roménia é o país onde maior número de pessoas está em risco de pobreza (25,4%), seguindo-se a Letónia (22,5%), a Lituânia (22,2%), a Espanha (22,1%), a Bulgária (22%), a Estónia (21,6%), a Grécia (21,4%), a Itália (19,9%) e, por fim, Portugal (19,5%).
 
No nosso país quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%). Recordamos que a média da UE é de 17,3%. Apesar da ligeira melhoria em 2015, Portugal continua acima da média europeia.

A percentagem da população em risco de pobreza mostra o peso das famílias que em cada país vive com rendimentos abaixo do que está definido como sendo o limiar de pobreza (422 euros mensais, em Portugal). Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população portuguesa afectada situa-se nos 26,6% — um pouco acima dos 23,7% da média observada para a UE. O Eurostat nota, a propósito desta média europeia, que depois de vários anos a subir, ela iguala a média de 23,7% registada em 2008.
 
Em Portugal, o risco de pobreza ou exclusão social afecta mais as mulheres (27,3%) que os homens (25,9%); e as crianças e jovens até aos 18 anos (29,6%) mais do que os maiores de 65 anos (21,7%). Abrange 60,5% dos desempregados, mas também 14,8% dos adultos portugueses que trabalham. Os agregados familiares com crianças estão mais expostos a este risco do que aqueles que apenas têm adultos: 27,1% para 26,1%.
Na globalidade 2,76 milhões de portugueses vivem em risco de pobreza depois das prestações sociais, em severa privação material ou quando pertencentes a agregados familiares com intensidade de trabalho muito baixa. Mesmo assim, a percentagem referente a 2015 é mais baixa do que os 27,5% no ano anterior.
 
A realidade portuguesa é alarmante e Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, reconhece isso mesmo ao dizer que Portugal tem «demasiada pobreza», situação que é «urgente» mudar, sendo a «maior prioridade» o combate à pobreza infantil. Numa mensagem, o ministro afirma que «a pobreza muitas vezes quer dizer guerra», «refugiados», «idosos abandonados» e «crianças sem apoio» e «quase sempre quer dizer desemprego» e «tantas vezes quer dizer desigualdade».

«Erradicar a pobreza tem de ser a ambição maior da nossa sociedade, tem de ser a ambição maior das nossas gerações», disse Vieira da Silva, numa mensagem divulgada no «youtube» e no «twitter» oficial do governo e do ministério, para assinalar o Dia Internacional Para a Erradicação da Pobreza.

Ou seja, a radiografia da pobreza em Portugal está feita com objectividade, agora o que é necessário é atacar o problema com seriedade e diminuir o seu impacto na sociedade, já que muito dificilmente será possível erradica-la, como todos desejaríamos.

28.10.16

Pobreza, Participação e Desafios foi tema de conferência

in Diário As Beiras

Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza assinalado com conferência

A Biblioteca Municipal de Cantanhede foi palco de uma conferência subordinada ao tema “Pobreza, Participação e Desafios”. A sessão foi dinamizada pela Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN – Portugal), o município de Cantanhede, Rede Social de Cantanhede e o CLDS + Cantanhede 3G – Intervir, Integrar e Incluir e que surge na sequência dos Fóruns para a Capacitação, também organizados pelo CLDS +. No âmbito do Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, esta sessão teve como objetivo a sensibilização dos participantes para serem protagonistas ativos na definição de trajetórias de vida inclusivas. “Não faça de conta que isto não lhe diz respeito! Diga Não à Pobreza” foi o mote do programa que começou com uma palestra de Alcides Monteiro, docente da Universidade da Beira Interior, a que se seguiu o lançamento de uma nova campanha da EAPN-Portugal.

Paula Duarte, vice-coordenadora do núcleo distrital desta entidade, referiu a propósito que “os desafios são muitos, mas temos de continuar a acreditar que é possível caminhar para um futuro melhor, mais justo e solidário, com o compromisso de todos e com a certeza de que se trata de uma luta indispensável. A erradicação da pobreza não é uma utopia, mas sim um objetivo urgente para o qual tem de existir vontade política e coragem para cumprir”. Novo projeto apresentado A ocasião serviu também para apresentar “O Desafio da Participação”, iniciativa que vai ser dinamizada através de uma parceria em que intervêm o CLDS Cantanhede 3G, pelo Conselho Local de Ação Social e a EAPN-Portugal, tendo como público-alvo as pessoas e famílias em situação de desemprego e/ou com baixos rendimentos, assim como os idosos em situação de vulnerabilidade social e económica. Segundo os promotores, “o projeto visa desenvolver a capacidade de participação, que é a chave da cidadania, pois aumenta o poder de atuação de cada indivíduo na sua própria vida, trabalhando igualmente a sua participação na sociedade enquanto cidadão”.

“A importância deste fórum, como ponto de encontro entre cidadãos, instituições – elogiando a presença de muitas IPSS´s que são, indiscutivelmente, parceiros estratégicos muito fortes e determinantes neste combate contra a pobreza e a exclusão social – e cidadãos em situação de pobreza e/ou exclusão social”, afirmou Pedro Cardoso, vereador do Pelouro da Solidariedade e Ação Social e presidente do CLAS de Cantanhede. Para o autarca, “dando visibilidade a esta problemática, conseguimos sensibilizar todos para a luta contra a pobreza e a exclusão social, com o objetivo de apelar para a urgência de travar este flagelo a todos os níveis, que ainda atinge tantas pessoas e famílias, uma grave negação dos direitos humanos fundamentais e de cidadania que não pode deixar ninguém indiferente”.

22.10.15

Albufeira: «Fitness 2 Help» angariou centenas de bens para famílias carenciadas do concelho

In Diário Online

A iniciativa solidária «Fitness 2 Help» promoveu uma manhã de fitness, afetos e solidariedade, no passado sábado, data de comemoração do Dia Mundial de Erradicação da Pobreza, angariando centenas de bens para famílias carenciadas do concelho de Albufeira.

O pavilhão da Escola Básica e Secundária de Albufeira acolheu cerca de duas centenas de pessoas, que demonstraram o seu espírito solidário, juntando-se para praticar atividades desportivas e assinalar a efeméride.

A iniciativa, promovida pela Misericórdia de Albufeira e pelo núcleo distrital de Faro da EAPN - Rede Europeia Anti-Pobreza, ofereceu um programa gratuito de aulas das mais diversas modalidades de fitness, como ioga, piloxing, localizada, circuit training e zumba.

O evento incluiu ainda uma zona de relaxamento, com massagens gratuitas aos participantes, e momentos de animação, e os participantes puderam recolher informação sobre o trabalho da Misericórdia de Albufeira e da EAPN no combate à pobreza e à exclusão social.

A manhã encerrou com uma atividade muito especial: ao som da música “Dá-me um Abraço”, técnicos e utentes da SCMA, caracterizados de mimos, em representação da igualdade e da importância das emoções na ajuda a próximo, surpreenderam os participantes, oferecendo sentidos abraços aos presentes, que simbolizaram a união contra a indiferença.

A participação no evento funcionou sob a forma de donativo, tendo sido possível angariar mais de 400 artigos de bens de higiene pessoal. Os donativos serão posteriormente distribuídos às famílias carenciadas de Albufeira apoiadas pela SCMA.

20.10.15

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

por Frederico Ribeiro, in Local.pt

O sonho de uma Europa Social que constitui o projeto inicial da União Europeia encontra-se seriamente em risco. Este e muitos outros acontecimentos recentes levam-nos a questionar até que ponto se caminha para a erradicação da pobreza e da exclusão social. Ou se, pelo contrário, caminhamos para o seu agravamento, sobretudo, para o aumento da disparidade na distribuição do rendimento entre países e pessoas.

Neste 17 de outubro, data assinalada pela ONU desde 1987, a EAPN Portugal, apela, neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, para a urgência de travar este flagelo a nível europeu e mundial. A crise humanitária que vivemos, na sequência de guerras e conflitos, tendo como consequência mais visível uma enorme vaga de refugiados, e a incerteza na tomada de decisão por parte dos líderes europeus face a este fenómeno, as consequentes manifestações xenófobas a que vamos assistindo um pouco por toda a Europa, questionando a indispensável solidariedade no seio da União Europeia, levam-nos a temer um futuro de forte instabilidade e desesperança.

Consideramos que a pobreza não é um problema de escassez de recursos. Se evitarmos a ganância e o desperdício e partilharmos o que temos de forma equitativa e sustentável, através de uma distribuição mais justa, é possível erradicar a pobreza! Não se trata de utopia, trata-se de encarar o problema de uma outra forma, focando a atenção na estabilidade económica e social ao nível global, numa lógica de desenvolvimento sustentável.

Isto mesmo voltou a ser reafirmado pelas Nações Unidas: A luta contra a Pobreza permanece um dos principais Objectivos do Milénio e no desenvolvimento da Agenda Pós-2015 declara-se a necessidade de acabar com a Pobreza em todas as suas formas e em todos os países, até 2030.

Se olharmos apenas para os números, sabendo que é preciso ir muito para além deles, ficaremos assustados com as crianças que, em Portugal, se encontram em risco de pobreza e ou exclusão social; e ficamos igualmente assustados com os números da emigração e com os números do desemprego jovem. Estamos a falar das novas gerações, daquelas que irão escrever o futuro de Portugal. E estas novas gerações não têm uma herança muito promissora, não vislumbram oportunidades no nosso país e não se encontram confiantes para encarar os múltiplos desafios que se avizinham.

E quando nos voltamos para a população idosa do nosso país, voltamos a temer o pior. O índice de envelhecimento da população é elevadíssimo e com projeções de longo prazo muito pouco animadoras. Quanto aos adultos em idade ativa, observamos que se mantém elevadas taxas de desemprego jovem e desemprego de longa duração e, acima de tudo, verificamos que o número de trabalhadores pobres é surpreendentemente alto e não está necessariamente relacionado com o fenómeno da crise – sempre assim foi. Em Portugal, a mão-de-obra é mal paga e o emprego precário predomina levando ao aumento das desigualdades, afetando em primeira instância as mulheres.

Este é o retrato breve do país real! E no dia em que se assinala a erradicação da pobreza urge um alerta! Neste dia e em todos os outros, levantamos incansavelmente a voz! Porque é esta a nossa missão: fazermos tudo para conduzir à mudança!

“Mas só há verdadeira mudança quando esta acontece no coração e na mente de cada um. Só Deus nos conduz à liberdade plena”, sublinha, o presidente da EAPN Portugal, Padre Jardim Moreira.

Insistimos: É crucial que Portugal defina uma estratégia nacional para a erradicação da Pobreza. Contamos com todos os portugueses e, especialmente, com aqueles que experienciam a pobreza todos os dias e que chamamos a nós para que se façam ouvir. Não para impressionar mas para despertar a consciência coletiva, particularmente a política que não pode, de forma nenhuma, alegar desconhecimento para a falta de ação.

Neste dia, reforçamos a urgência de definir e implementar uma estratégia nacional para erradicar a pobreza e a exclusão social.

Nós mantemos a determinação! Que a vontade política se torne instrumento eficaz e eficiente. Em nome de um país; em nome dos europeus que ainda sonham e dos que gostariam de voltar a sonhar.