Cristina Semblano, in Público on-line
Na era da Internet, o voto electrónico deve poder constituir uma opção para estes cidadãos dispersos em vastos territórios.
Aproximam-se as eleições presidenciais e com elas, mais uma vez, deparamo-nos com esta confrangedora realidade: o direito de voto dos emigrantes existe, mas não existem as condições de exercício desse direito, pelo que, na prática, estamos perante um direito formal, vazio, oco de sentido, um direito sem direitos.
Pergunto: para quê manter esse direito se ele não corresponde a nada? Para dar boa impressão? É que este país de emigração por excelência, que tanto tardou a reconhecer aos seus cidadãos emigrantes, o direito de participarem na eleição do primeiro magistrado da Nação, semeou o caminho que leva à consagração desse direito de obstáculos tirando-lhe, assim, todo o alcance.
O facto é que, passados mais de quarenta anos após a restauração da democracia em Portugal (e quase vinte anos após o reconhecimento do direito de voto dos emigrantes nas presidenciais) e, ainda mais, depois da passagem da direita radical no poder, o direito de voto dos emigrantes nestas eleições - às quais limitamos o presente artigo – ou antes, o exercício daquele direito, tornou-se cada mais impraticável.
Com efeito, sendo presencial, o voto exige a deslocação aos postos consulares que, de governo em governo, de reforma em reforma (ler de cortes orçamentais em cortes orçamentais), se têm reduzido a um ritmo sustentado, obrigando os emigrantes a percorrer distâncias cada vez mais importantes para poder votar.
A título de exemplo, no Consulado Geral de Portugal em Paris, funcionarão, nos próximos dias 23 e 24 de Janeiro e 13 e 14 de Fevereiro (se houver segunda volta) cinco mesas de voto onde, para além dos nossos concidadãos residentes em Paris e na região parisiense, poderão exercer o direito de voto os portugueses das regiões de Lille, Rouen, Reims e Nantes, antigas cidades consulares onde agora funcionam meras presenças consulares.
Essas cidades ficam distantes de Paris de, respectivamente, 225, 135, 144 e 384 quilómetros, por estrada, e um percurso de ida e volta em comboio de alta velocidade (TGV) consome 4h30 tratando-se de Nantes (7h10 de carro), 2 horas, tratando-se de Lille (4h30 de carro) e 1h30 tratando-se de Reims (3h de carro). Quanto à cidade de Rouen, que não dispõe de acesso em comboio de alta velocidade, o percurso (ida e volta) oscila entre 2h20 e 3h00 (3h30 de carro). E estes cálculos apenas contemplam os que vivem nas cidades intramuros - o que não é o caso da esmagadora maioria - e os trajectos do centro ao centro das cidades e, não, os do centro ao consulado e inversamente.
Não sei qual o grau de espírito cívico necessário a um cidadão e, por conseguinte, a um cidadão- emigrante, para que ele aceite fazer tamanhos percursos para participar na escolha do Presidente da República. E isto tanto mais quanto estes percursos tiveram de ser multiplicados por dois para aqueles que se recensearam após a supressão das estruturas consulares naquelas cidades, atendendo a que o recenseamento tem de ser para os emigrantes – que perderam a sua capacidade eleitoral, aquando da mudança de residência para o estrangeiro - um acto voluntário e presencial.
Mas, admitindo que um invulgar espírito de sacrifício dos emigrantes conjugado com um invulgar conceito de cidadania permitissem ultrapassar estas barreiras, uma outra se lhes atravessaria pelo caminho: o custo a suportar para ir votar. Com efeito, é necessário pagar as deslocações, o que representa para os emigrantes residentes em Lille, Rouen, Nantes e Reims intramuros, um custo de respectivamente 80 a 100 euros, 30 a 50 euros, 100 a 154 euros e 52 a 90 euros. Assim sendo, para um casal de emigrantes que venha votar de Lille a Paris em TGV o custo é de 160 a 200 euros (sem contar com o recenseamento que acarreta, além do mais, a perda de dias de trabalho).
O exemplo que demos e os contornos a que o circunscrevemos estão longe de esgotar o percurso de combatente e o preço a pagar pelo direito de voto. Na própria França, onde existe a maior comunidade portuguesa da Europa, há casos mais difíceis, e situações similares verificam-se em países como a Alemanha, o Reino Unido, a Suíça. E o que dizer do Brasil, onde podem ser precisas viagens de duas horas de avião para aceder ao Consulado?
Os partidos políticos (como os candidatos presidenciais) não se podem limitar a convocar os emigrantes nos actos eleitorais e a apelar ao espírito de cidadania: fazê-lo é prosseguir uma estratégia puramente oportunista já que, sem alteração da lei eleitoral, estaremos sempre confrontados com a magreza assustadora dos cadernos eleitorais face às populações reais emigradas, e a taxas de abstenção assustadoras.
Urge, pois, alterar a lei, por forma a que ela contemple a real possibilidade de desdobramento das mesas de voto por um lado e, por outro, a introdução de novas modalidades de voto e de recenseamento. Na era da Internet, o voto electrónico deve poder constituir uma opção para estes cidadãos dispersos em vastos territórios, onde as instalações do Estado português são cada vez mais raras. Da mesma forma, o recenseamento automático (para os que partem), ou por via electrónica ou postal (para os que, já emigrados, foram injustamente privados da sua capacidade eleitoral) devem ser a regra.
De outra forma, continuamos a estar perante um simulacro de democracia. Com efeito, nenhuma democracia digna desse nome pode exigir dos que emigram – e na grande maioria dos casos dos que foram constrangidos a emigrar devido às políticas de desemprego, empobrecimento e exclusão cometidas no país (o que é o caso da vaga de emigração da década de sessenta, mas também da actual que a chega a superar, em alguns anos) – um preço tão elevado para participar na escolha do Presidente da República.
Ora, essa escolha é fundamental para os emigrantes. Com efeito, um Presidente que defenda a igualdade de tratamento dos cidadãos, consagrada na Constituição da República, não pode tolerar a discriminação crescente de que têm vindo a ser vítimas os que emigram. Tal discriminação, patente no facto de o desinvestimento verificado nas áreas da emigração ter coincidido com o maior êxodo de população portuguesa desde a década de sessenta, é indigna de qualquer democracia e, a fortiori, a do Portugal migrante.
Economista, professora de Economia portuguesa na Universidade de Paris IV - Sorbonne, autarca na região de Paris
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19.1.16
Belém elege causas do direito ao trabalho e pobreza infantil Candidata quer mobilizar a sociedade em torno destas causas.
in Correio da Manhã
A candidata presidencial Maria de Belém Roseira disse esta sexta-feira, em Santo Tirso, que quer mobilizar a sociedade na luta contra a pobreza infantil e pelo direito ao trabalho, defendendo ainda a importância da contratação coletiva. Num jantar com cerca de 350 apoiantes e simpatizantes, a antiga presidente do PS direcionou o seu discurso à causa do direito ao trabalho, referindo que este tem sido "enfraquecido em nome da produtividade", mas sem que o emprego tenha crescido. O que cresceu, na sua opinião, foi a precariedade, transformada em recibos verdes ou em contratos a prazo, para além daquilo que é razoável e é admissível e com um grande abaixamento dos salários". "Temos uma coisa em Portugal, que é algo que passou a acontecer nos países submetidos a programas de ajustamento, que é uma nova realidade, que é a realidade dos trabalhadores pobres. As pessoas trabalham, têm ocupação mas não ganham o suficiente para viver a vida com dignidade", referiu. Por isso mesmo, frisou, "é que é preciso mobilizar a sociedade". "Sabemos que devemos flexibilizar as condições de trabalho para facilitar a vida de todos, para ajudar as empresas a aumentarem os seus níveis de produtividade, mas a flexibilização das condições de trabalho não tem nada a ver com o enfraquecimento do direito laboral, do vínculo laboral, nem tem nada a ver com o perder-se a noção que, numa relação de trabalho, há um que pode mais e há outro que pode menos e é dever do Estado corrigir essa assimetria para que haja justiça", salientou.
A candidata presidencial Maria de Belém Roseira disse esta sexta-feira, em Santo Tirso, que quer mobilizar a sociedade na luta contra a pobreza infantil e pelo direito ao trabalho, defendendo ainda a importância da contratação coletiva. Num jantar com cerca de 350 apoiantes e simpatizantes, a antiga presidente do PS direcionou o seu discurso à causa do direito ao trabalho, referindo que este tem sido "enfraquecido em nome da produtividade", mas sem que o emprego tenha crescido. O que cresceu, na sua opinião, foi a precariedade, transformada em recibos verdes ou em contratos a prazo, para além daquilo que é razoável e é admissível e com um grande abaixamento dos salários". "Temos uma coisa em Portugal, que é algo que passou a acontecer nos países submetidos a programas de ajustamento, que é uma nova realidade, que é a realidade dos trabalhadores pobres. As pessoas trabalham, têm ocupação mas não ganham o suficiente para viver a vida com dignidade", referiu. Por isso mesmo, frisou, "é que é preciso mobilizar a sociedade". "Sabemos que devemos flexibilizar as condições de trabalho para facilitar a vida de todos, para ajudar as empresas a aumentarem os seus níveis de produtividade, mas a flexibilização das condições de trabalho não tem nada a ver com o enfraquecimento do direito laboral, do vínculo laboral, nem tem nada a ver com o perder-se a noção que, numa relação de trabalho, há um que pode mais e há outro que pode menos e é dever do Estado corrigir essa assimetria para que haja justiça", salientou.
18.1.16
Edgar quer uma “Europa outra”, laica, da coesão social e da paz
Maria Lopes (texto) e Nuno Ferreira Santos (fotos), in Público on-line
Candidato apoiado pelo PCP encheu o Pavilhão do Rio, na antiga FIL, em Lisboa. Jerónimo de Sousa falou das políticas do Governo que não foram tão longe quanto o PCP propôs, mas “são já um passo”, e atacou a “encenação” de Marcelo.
No maior comício desde o início da campanha, Edgar Silva defendeu este domingo a edificação de “uma Europa outra”, a das “ideias, das culturas multiformes; a Europa laica e da laicidade do Estado, da secularização, da tolerância, da pluralidade, da busca das mais amplas liberdades, da coesão social, da solidariedade e aberta aos valores da paz”.
O candidato presidencial respondia aos que “tentam fazer crer” que o seu projecto, por ser apoiado pelo PCP, “tem qualquer reserva contra a Europa” ou pretende um Portugal isolado, fora de organizações como a UE ou a NATO. Edgar Silva disse que o novo Chefe de Estado deve fazer cumprir a Constituição nos compromissos internacionais, mas orientar a sua acção nos fóruns internacionais para “a promoção de uma política baseada na cooperação entre os Estados e que promova o desarmamento”.
Perante cerca de 6000 pessoas, segundo dados da organização - boa parte delas trazidas por algumas dezenas de autocarros -, Edgar Silva fez um discurso de improviso de meia hora em que revisitou as ideias que tem defendido ao longo da campanha. Falou dos eixos fundamentais da sua candidatura, defendeu a necessidade de haver em Belém um Presidente com “um coração de carne e não com um coração de pedra, amante da liberdade e defensor da democracia” e apontou baterias a Marcelo Rebelo de Sousa.
O candidato afirmou ser preciso que na Presidência se passe a falar a língua portuguesa, numa alusão ao controlo europeu sobre as políticas nacionais, ao “vergar da espinha perante os interesses estrangeiros, como se a sra. Merkel pudesse decidir tudo”. O candidato defendeu também ser preciso combater a pobreza pelas atacando as causas em vez de apenas “lançar lágrimas de crocodilo” perante as injustiças sociais, e acabar com a “canga” e com o “saque” em que se transformou o serviço da dívida. “O que faz falta em Belém é um Presidente da República que assuma plenamente os interesses de Portugal e dos portugueses, em defesa de um país soberano, que seja incapaz de se vergar a interesses estranhos e que afirme o direito à auto-determinação de Portugal”, salientou Edgar Silva. “Nós não estamos condenados a ter uma vida azeda como nos querem impor.”
Demorou-se mais de cinco minutos a fazer um apelo dramático ao voto agora que se entra na derradeira semana de campanha e que as sondagens apontam para uma decisão à primeira volta. “Está ao nosso alcance derrotar a direita e Marcelo Rebelo de Sousa”, gritou Edgar Silva enquanto se levantava um coro de assobios e apupos. “Não basta apupar, é preciso mobilizar para que essa derrota [de Marcelo Rebelo de Sousa e da direita] seja efectiva a 24 de Janeiro”, avisou o candidato de origem madeirense. Dizendo acreditar que “muito é possível fazer nesta última semana”, reforçou o pedido a uma “generosidade ainda maior: é preciso uma tarefa militante, de ousadia e atrevimento, de mobilização na família, no café, na fábrica, no trabalho”. “Que ninguém deixe por mão alheia aquilo que só cada um pode decidir! Que ninguém falte à chamada!”, apelou.
Jerónimo contra a “encenação” de Marcelo
Antes, foi Jerónimo de Sousa quem arrancou aplausos ao elogiar o perfil de “humanista” e “homem justo e exemplar” de Edgar, e assobios e apupos de cada vez que falava em Marcelo, a quem acusou de fazer “encenação” ao mostrar-se “de direita, do centro e até de esquerda, conforme a assistência a quem se dirige”, e de continuar o legado de Cavaco Silva ao “defender um pacto de regime para eternizar a direita no poder”. “Não vale a pena fingir: Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato do PSD e CDS. É nele que apostam para tirar a desforra da derrota que tiveram em Outubro e continuar a sua agenda de afundamento do país.”
Jerónimo de Sousa também se demorou a falar sobre algumas medidas do Governo PS para, no fundo, tentar dar uma explicação ao seu eleitorado por apoiar um Executivo que tem reposto rendimentos e direitos mas não ao nível do que o PCP prometeu na campanha. O secretário-geral comunista lembrou que no dia das eleições legislativas foi ele que disse que o PS só não formava Governo se não quisesse, vincou que apesar de o PCP “trabalhar com o PS”, o programa de Governo é socialista e “difere em muitas matérias da política patriótica e de esquerda do PCP”.
“Algumas medidas tomadas não foram tão longe como o PCP propôs; mas conseguiram-se recuperações embora parciais e isso é já um passo”, admitiu Jerónimo de Sousa, que prometeu que o partido continuará a “respeitar a palavra dada” porque o seu “primeiro e principal compromisso de honra é com os trabalhadores e o povo” – uma indirecta a pensar no acordo político que subscreveu com o PS. Criticou ainda a “intriga” e o “comentário trafulha” usado pela oposição para minar a relação entre PCP e PS.
Manuela Cunha, dos Verdes, subira também ao palco para criticar a “arte de surfar em duas ondas” de Marcelo e a complacência de Cavaco Silva com o anterior Governo, e para elogiar a reversão de medidas da direita pelo Governo do PS com a ajuda do PCP e do PEV, como as 35 horas na função pública.
Candidato apoiado pelo PCP encheu o Pavilhão do Rio, na antiga FIL, em Lisboa. Jerónimo de Sousa falou das políticas do Governo que não foram tão longe quanto o PCP propôs, mas “são já um passo”, e atacou a “encenação” de Marcelo.
No maior comício desde o início da campanha, Edgar Silva defendeu este domingo a edificação de “uma Europa outra”, a das “ideias, das culturas multiformes; a Europa laica e da laicidade do Estado, da secularização, da tolerância, da pluralidade, da busca das mais amplas liberdades, da coesão social, da solidariedade e aberta aos valores da paz”.
O candidato presidencial respondia aos que “tentam fazer crer” que o seu projecto, por ser apoiado pelo PCP, “tem qualquer reserva contra a Europa” ou pretende um Portugal isolado, fora de organizações como a UE ou a NATO. Edgar Silva disse que o novo Chefe de Estado deve fazer cumprir a Constituição nos compromissos internacionais, mas orientar a sua acção nos fóruns internacionais para “a promoção de uma política baseada na cooperação entre os Estados e que promova o desarmamento”.
Perante cerca de 6000 pessoas, segundo dados da organização - boa parte delas trazidas por algumas dezenas de autocarros -, Edgar Silva fez um discurso de improviso de meia hora em que revisitou as ideias que tem defendido ao longo da campanha. Falou dos eixos fundamentais da sua candidatura, defendeu a necessidade de haver em Belém um Presidente com “um coração de carne e não com um coração de pedra, amante da liberdade e defensor da democracia” e apontou baterias a Marcelo Rebelo de Sousa.
O candidato afirmou ser preciso que na Presidência se passe a falar a língua portuguesa, numa alusão ao controlo europeu sobre as políticas nacionais, ao “vergar da espinha perante os interesses estrangeiros, como se a sra. Merkel pudesse decidir tudo”. O candidato defendeu também ser preciso combater a pobreza pelas atacando as causas em vez de apenas “lançar lágrimas de crocodilo” perante as injustiças sociais, e acabar com a “canga” e com o “saque” em que se transformou o serviço da dívida. “O que faz falta em Belém é um Presidente da República que assuma plenamente os interesses de Portugal e dos portugueses, em defesa de um país soberano, que seja incapaz de se vergar a interesses estranhos e que afirme o direito à auto-determinação de Portugal”, salientou Edgar Silva. “Nós não estamos condenados a ter uma vida azeda como nos querem impor.”
Demorou-se mais de cinco minutos a fazer um apelo dramático ao voto agora que se entra na derradeira semana de campanha e que as sondagens apontam para uma decisão à primeira volta. “Está ao nosso alcance derrotar a direita e Marcelo Rebelo de Sousa”, gritou Edgar Silva enquanto se levantava um coro de assobios e apupos. “Não basta apupar, é preciso mobilizar para que essa derrota [de Marcelo Rebelo de Sousa e da direita] seja efectiva a 24 de Janeiro”, avisou o candidato de origem madeirense. Dizendo acreditar que “muito é possível fazer nesta última semana”, reforçou o pedido a uma “generosidade ainda maior: é preciso uma tarefa militante, de ousadia e atrevimento, de mobilização na família, no café, na fábrica, no trabalho”. “Que ninguém deixe por mão alheia aquilo que só cada um pode decidir! Que ninguém falte à chamada!”, apelou.
Jerónimo contra a “encenação” de Marcelo
Antes, foi Jerónimo de Sousa quem arrancou aplausos ao elogiar o perfil de “humanista” e “homem justo e exemplar” de Edgar, e assobios e apupos de cada vez que falava em Marcelo, a quem acusou de fazer “encenação” ao mostrar-se “de direita, do centro e até de esquerda, conforme a assistência a quem se dirige”, e de continuar o legado de Cavaco Silva ao “defender um pacto de regime para eternizar a direita no poder”. “Não vale a pena fingir: Marcelo Rebelo de Sousa é o candidato do PSD e CDS. É nele que apostam para tirar a desforra da derrota que tiveram em Outubro e continuar a sua agenda de afundamento do país.”
Jerónimo de Sousa também se demorou a falar sobre algumas medidas do Governo PS para, no fundo, tentar dar uma explicação ao seu eleitorado por apoiar um Executivo que tem reposto rendimentos e direitos mas não ao nível do que o PCP prometeu na campanha. O secretário-geral comunista lembrou que no dia das eleições legislativas foi ele que disse que o PS só não formava Governo se não quisesse, vincou que apesar de o PCP “trabalhar com o PS”, o programa de Governo é socialista e “difere em muitas matérias da política patriótica e de esquerda do PCP”.
“Algumas medidas tomadas não foram tão longe como o PCP propôs; mas conseguiram-se recuperações embora parciais e isso é já um passo”, admitiu Jerónimo de Sousa, que prometeu que o partido continuará a “respeitar a palavra dada” porque o seu “primeiro e principal compromisso de honra é com os trabalhadores e o povo” – uma indirecta a pensar no acordo político que subscreveu com o PS. Criticou ainda a “intriga” e o “comentário trafulha” usado pela oposição para minar a relação entre PCP e PS.
Manuela Cunha, dos Verdes, subira também ao palco para criticar a “arte de surfar em duas ondas” de Marcelo e a complacência de Cavaco Silva com o anterior Governo, e para elogiar a reversão de medidas da direita pelo Governo do PS com a ajuda do PCP e do PEV, como as 35 horas na função pública.
1.12.15
Henrique Neto culpa troika e deputados de incapacidade para combater pobreza
Francisco Soares Graça, in Público on-line
O candidato presidencial fala de um “desfasamento das políticas com a realidade social” relacionado com austeridade imposta por Bruxelas e insubordinação dos deputados ao eleitorado.
Henrique Neto defende que “a luta contra a pobreza devia constar do programa de qualquer governo ou nas prioridades de qualquer Presidente da República” mas na realidade, desde que a troika interveio em Portugal, “o combate à pobreza deixou de ser um argumento da política”.
O candidato presidencial visitou neste sábado a sede da Rede Europeia Anti-Pobreza, na cidade do Porto, uma organização de âmbito europeu sem fins lucrativos. O empresário de 79 anos deixou muitas críticas às “políticas apenas sustentadas em medidas de austeridade e sem preocupações sociais” e argumentou que Bruxelas não deve considerar a pobreza como um problema nacional: “Numa economia globalizada é evidente que isso não é verdade”, até porque a Europa “já contabiliza 123 milhões de pobres”.
Henrique Neto deixou também uma análise negativa ao actual sistema político português, ao afirmar existir um “desfasamento das políticas com a realidade social”. O antigo deputado socialista diz que “os eleitos não são uma emanação da sociedade, mas sim da escolha feita pelos directórios partidários”. Visto que “as pessoas votam em listas fechadas, não conhecem a maior parte dos nomes propostos”.
Portanto, “os deputados sabem que não dependem do eleitorado e não pugnam pela satisfação das necessidades das pessoas”, conclui o candidato a Presidente da República. Notícia editada por Leonete Botelho.
O candidato presidencial fala de um “desfasamento das políticas com a realidade social” relacionado com austeridade imposta por Bruxelas e insubordinação dos deputados ao eleitorado.
Henrique Neto defende que “a luta contra a pobreza devia constar do programa de qualquer governo ou nas prioridades de qualquer Presidente da República” mas na realidade, desde que a troika interveio em Portugal, “o combate à pobreza deixou de ser um argumento da política”.
O candidato presidencial visitou neste sábado a sede da Rede Europeia Anti-Pobreza, na cidade do Porto, uma organização de âmbito europeu sem fins lucrativos. O empresário de 79 anos deixou muitas críticas às “políticas apenas sustentadas em medidas de austeridade e sem preocupações sociais” e argumentou que Bruxelas não deve considerar a pobreza como um problema nacional: “Numa economia globalizada é evidente que isso não é verdade”, até porque a Europa “já contabiliza 123 milhões de pobres”.
Henrique Neto deixou também uma análise negativa ao actual sistema político português, ao afirmar existir um “desfasamento das políticas com a realidade social”. O antigo deputado socialista diz que “os eleitos não são uma emanação da sociedade, mas sim da escolha feita pelos directórios partidários”. Visto que “as pessoas votam em listas fechadas, não conhecem a maior parte dos nomes propostos”.
Portanto, “os deputados sabem que não dependem do eleitorado e não pugnam pela satisfação das necessidades das pessoas”, conclui o candidato a Presidente da República. Notícia editada por Leonete Botelho.
23.11.15
Henrique Neto culpa troika e deputados de incapacidade para combater pobreza
Francisco Soares Graça, in Público on-line
O candidato presidencial fala de um “desfasamento das políticas com a realidade social” relacionado com austeridade imposta por Bruxelas e insubordinação dos deputados ao eleitorado.
Henrique Neto defende que “a luta contra a pobreza devia constar do programa de qualquer governo ou nas prioridades de qualquer Presidente da República” mas na realidade, desde que a troika interveio em Portugal, “o combate à pobreza deixou de ser um argumento da política”.
O candidato presidencial visitou neste sábado a sede da Rede Europeia Anti-Pobreza, na cidade do Porto, uma organização de âmbito europeu sem fins lucrativos. O empresário de 79 anos deixou muitas críticas às “políticas apenas sustentadas em medidas de austeridade e sem preocupações sociais” e argumentou que Bruxelas não deve considerar a pobreza como um problema nacional: “Numa economia globalizada é evidente que isso não é verdade”, até porque a Europa “já contabiliza 123 milhões de pobres”.
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Portanto, “os deputados sabem que não dependem do eleitorado e não pugnam pela satisfação das necessidades das pessoas”, conclui o candidato a Presidente da República. Notícia editada por Leonete Botelho.
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Henrique Neto deixou também uma análise negativa ao actual sistema político português, ao afirmar existir um “desfasamento das políticas com a realidade social”. O antigo deputado socialista diz que “os eleitos não são uma emanação da sociedade, mas sim da escolha feita pelos directórios partidários”. Visto que “as pessoas votam em listas fechadas, não conhecem a maior parte dos nomes propostos”.
Portanto, “os deputados sabem que não dependem do eleitorado e não pugnam pela satisfação das necessidades das pessoas”, conclui o candidato a Presidente da República. Notícia editada por Leonete Botelho.
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