Mostrar mensagens com a etiqueta Esforço financeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Esforço financeiro. Mostrar todas as mensagens

14.9.21

Esforço financeiro dos portugueses é o sétimo maior na OCDE

Ana Batalha Oliveira, in Expresso

Portugal é um dos dez países em que os cidadãos sentem as finanças mais apertadas, dentro da OCDE. Ainda assim, num estudo da plataforma Compare The Market, Portugal está em melhor posição que Espanha

Portugal é o sétimo país onde o esforço financeiro dos cidadãos é maior, comparado aos restantes países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), aponta um estudo do portal Compare The Market.

"Desde uma pessoa assegurar que tem dinheiro suficiente para pagar as contas, cobrir o custo de vida e até garantir que tem um emprego, o dinheiro pode ser um dos maiores fatores de stress. Mas que países têm o pior cenário?", introduz a Compare the Market, uma plataforma que se dedica a comparar o valor associado a seguros, viagens, energia, e outras opções do dia-a-dia.

Para colocar Portugal em sétimo lugar, foram considerados cinco fatores, pelos quais foi comparado com os restantes 34 países. Por cá, o salário médio considerado foram os 981 dólares (829 euros), uma taxa de desemprego de 7,2%, um preço médio por metro quadrado de 2.549 dólares, rendas em torno dos 1.019 dólares e um custo de vida de cerca de 2.223 dólares.

Costa Rica, Colômbia e Grécia foram eleitos os três países mais pressionados financeiramente. Com um maior aperto que Portugal aparecem ainda o Chile, a Turquia e finalmente a vizinha Espanha, que ficou no sexto lugar.

No extremo oposto ficou a Austrália, o país onde o esforço financeiro é mais pequeno dentro da OCDE, seguida da Dinamarca e finalmente da Alemanha. A Austrália, a mais bem classificada, conseguiu uma pontuação de 3,75, que compara aos 6,70 da Costa Rica e aos 5,77 de Portugal.



19.10.20

Deco alerta para "muito preocupante" taxa de esforço financeiro de 80% das famílias

 in JN

A taxa de esforço média das famílias sobre endividadas apoiadas pela Deco desde início da pandemia situava-se no final de setembro nos 80%, valor que a associação considera "muito preocupante" quando muitas beneficiam ainda de moratórias de crédito.

"Esta taxa de esforço é contabilizada sem os créditos que estão a ser objeto de moratória, pública ou privada, portanto imagine-se quando tiverem de os pagar", salientou a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira (GPF) da Deco, Natália Nunes, em declarações à agência Lusa.

Numa altura em que começam a terminar algumas das moratórias concedidas no âmbito da pandemia de covid-19, nomeadamente as da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC), a responsável da Deco alerta que, "este mês, já há famílias que vão ter mais dificuldades em pagar as prestações" dos créditos contraídos.

"As moratórias têm sido uns balões do oxigénio para as famílias, porque lhes permitem adiar o pagamento de prestações de crédito, mas há algumas que terminaram em 30 setembro e já temos vários pedidos, este mês, de pessoas que terminaram as moratórias privadas e estão com muitas dificuldades em retomar o seu pagamento", disse Natália Nunes.

De acordo com os dados do GPF da associação de defesa de consumidor, considerando o período de 18 de março (véspera da declaração do estado de emergência em Portugal) até 30 de setembro, as famílias tinham, em média, prestações mensais de crédito de 880 euros e rendimentos líquidos de 1.100 euros, o que corresponde a uma taxa de esforço de 80%.

Estes números representam um agravamento face a 30 de junho, em que a taxa de esforço se situava nos 75%, em resultado de prestações médias mensais de crédito de 750 euros e rendimentos líquidos de 1.000 euros.

Para a Deco, esta situação justifica que se pense "numa medida alternativa", sendo que a associação "desde o início defendeu que não fazia sentido criar uma moratória legal apenas para o crédito hipotecário e para o crédito à habitação", mas antes uma moratória que "deveria incluir todos os créditos".

"Porque, em bom rigor, as responsabilidades dos consumidores dizem respeito ao crédito à habitação, aos créditos pessoais e aos cartões de crédito, pelo que, se tivesse sido contemplada uma medida global, possivelmente as famílias não teriam os problemas que vão começar a ter a partir deste mês", sustentou Natália Nunes.

Segundo os dados hoje divulgados, a perda de rendimentos, o desemprego, a doença e o divórcio/separação são as três principais causas das dificuldades financeiras dos 1.017 processos de intervenção (através dos quais é dado apoio na renegociação de dívidas, entre outras medidas) que deram entrada na Deco entre 18 de março e 30 de setembro, com um peso de 29%, 25%, 19% e 11%, respetivamente.

A maioria das situações afeta trabalhadores do setor privado (43%), sendo 22% do setor público, 19% desempregados, 9% trabalhadores por conta própria e 7% reformados.

Em termos de escolaridade, 44% dos intervenientes nos processos que a Deco tem em mãos completaram o ensino secundário, 24% possuem uma licenciatura e 23% concluíram o 3.º ciclo, sendo que 41% são casados ou vivem em união de facto, 35% são solteiros, 21% são divorciados/separados e 3% são viúvos.

Desde 18 de março até final de setembro, a associação diz ter recebido um total de 14.400 pedidos de aconselhamento financeiro de famílias, a maioria dos quais (51%) com vista à reestruturação dos respetivos créditos, acima dos 45% reportados pela Deco em 30 de junho passado.

Seguiram-se os pedidos de ajuda relativamente às medidas tomadas pelo Governo no âmbito da pandemia (representativos de 17% do total em 30 de setembro, abaixo dos 26% de 30 de junho), a penhoras de bens e rendimentos (13% em setembro, contra 8% em junho), à insolvência das famílias (5% em setembro contra 4% em junho) e à cobrança/recuperação de créditos (4% em setembro e 5% em junho).

Na origem das dificuldades financeiras das famílias que pediram aconselhamento estão sobretudo o desemprego e a perda de rendimentos (em 26% e 25% dos casos, respetivamente), seguidos da precariedade laboral (12%) e da penhora de rendimentos e divórcio/separação (8% em ambos os casos).

6.6.12

Portugal é dos países em que tirar um curso mais pesa nos rendimentos

Por João d´Espiney, Público on-line

Ensino superior absorve mais de um quinto dos rendimentos das famílias portuguesas com filhos em universidades, um dos valores mais altos entre 16 países analisados. Estado está a gastar menos por aluno.

Portugal é dos países europeus em que o peso do esforço financeiro dos pais para ter um filho no ensino superior é mais elevado em relação à mediana do rendimento do país. Esta é uma das principais conclusões do estudo O Custo dos Estudantes no Ensino Superior Português, realizado por uma equipa de investigadores do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e que será apresentado hoje, durante um seminário no auditório da universidade.

O estudo, coordenado por Luísa Cerdeira, concluiu que os custos anuais das famílias portuguesas com a educação atingiram os 1934,83 euros no ano lectivo de 2010/2011, o que representa 22% da mediana do rendimento português. A mediana é o valor auferido pelo agregado familiar que se encontra exactamente a meio da tabela dos rendimentos do país.

Neste indicador, Portugal aparece em 10.º lugar numa lista de 16 países analisados, atrás da Noruega, que lidera o ranking com apenas 2,2%, e de países como a Dinamarca (2,3), França (2,8), Alemanha (4,2) e Inglaterra (21,5), e à frente do Canadá (22,4), Estados Unidos (51,3), Japão (21,1) e México, que fecha a tabela com um peso de 110%.

Se se considerar os apoios sociais concedidos (bolsas) e o valor das deduções fiscais para Educação, o custo líquido representa 63,6% do valor da mediana do rendimento português. Na Alemanha, este valor é de 26,4%, em França de 35,2, na Suécia de 29,2 e na Letónia de 38,5%.

Em declarações ao PÚBLICO, Luísa Cerdeira admitiu não ter ficado surpreendida com os resultados a que chegou. "Desde a década de 2000 que estudo estes valores e há não só uma constância como um acentuar deste padrão: ter um filho no ensino superior continua a absorver um valor muitíssimo alto dos rendimentos das famílias, estando Portugal mais próximo até de países em que custa muito estudar no ensino superior, como os Estados Unidos e o Japão".

A também pró-reitora da Universidade de Lisboa salienta que "o maior esforço da família portuguesa para poder fazer face aos custos não tem só a ver com os custos de educação e do custo de vida, mas também com o nível médio do rendimento do país".

Estado dá menos por aluno

O estudo - que dá sequência a dois anteriores sobre o mesmo tema - conclui também que o Estado investiu menos dinheiro por aluno entre 2004 e 2010, enquanto o esforço financeiro das famílias aumentou neste período.

Tendo em conta o valor do Orçamento do Estado (OE) inscrito (com a redução salarial) de 2011 afecto às universidades e politécnicos, incluindo serviços de acção social, o Estado gastou 3601 euros por aluno, o que representa uma diminuição de 13,3% face a 2005. Já o custo total por aluno no ensino público ascendeu a 5841 euros em 2011, ou seja, mais 10% do que em 2005. Isto significa que o peso do contributo público face ao total de custos de uma família desceu de 44 para 38% neste período, enquanto o peso do esforço do agregado familiar subiu de 56 para 62%.

Luísa Cerdeira salienta o facto de, apesar de se ter registado um crescimento nominal moderado dos gastos com educação e os custos de vida, em termos reais verificou-se uma "estabilização" dos custos totais e mesmo uma descida dos custos com a educação. "A contracção do esforço público é que foi muito maior", frisa a coordenadora deste projecto, referindo-se à diminuição das verbas do OE disponibilizadas às instituições.

Outra das conclusões é que o valor da bolsa média cobre cerca de 25% dos custos totais dos estudantes, um valor que se manteve no período em análise. Mas se, no ensino público, a bolsa média cobre a totalidade dos custos de educação, no ensino privado não chega a cobrir nem metade dos gastos: em 2005 cobria 44% e, cinco depois, apenas 37%.

Estes e outros números (ver infografia) resultam de um questionário a 1039 estudantes com pelo menos uma segunda matrícula, abrangendo uma amostra representativa do universo do Ensino Superior a nível nacional (continente e regiões autónomas), público ou privado e universitário e politécnico.