Por o Minho
A Eat Tasty, start up de confeção e distribuição de comida caseira criada por dois jovens de Viana do Castelo e Famalicão, onde está instalada parte das instalações da empresa, está a desenvolver uma campanha solidária com o objetivo de entregar refeições às comunidades de sem-abrigo de Lisboa, que é a zona onde opera.
A atividade da Eat Tasty consiste na confecção e entrega de comida caseira no local de trabalho – e agora também em casa.
Através da plataforma “Ajuda-nos a Ajudar”, qualquer pessoa pode comprar um menu solidário, por 4,99 euros, que serão entregues aos sem-abrigo instalados nos albergues oficiais da Câmara de Lisboa.
Segundo a empresa, já foram entregues 6.000 menus solidários.
A iniciativa “Ajuda-nos a Ajudar”, explica a empresa, teve “origem num grupo de WhatsApp onde alguns amigos EatTasty se juntaram com o intuito de oferecer refeições nutritivas aos sem abrigo de Lisboa”.
Começou “com cerca de 20 entregas na Comunidade Vida e Paz” e de repente “já eram mais de 100 refeições entregues todos os dias em diferentes associações da cidade”, crescimento que levou a empresa a “oficializar” o projeto.
Qualquer pessoa pode contribuir a partir do site da Eat Tasty.
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4.5.20
Como nasceu o movimento Caixa Solidária
Nuno Botelho, in Expresso
Fotojornalista do Expresso teve a ideia, com uma caixa com bens alimentares. Iniciativa pegou e já há quase 2 mil
A ideia surgiu neste contexto de pandemia, pensei e falei com a minha esposa sobre como poderíamos ajudar. Ambos continuamos a trabalhar, temos um filho pequeno por isso voluntariado não era possível fazermos. Então pensei que nesta fase deveria haver muita gente a passar por dificuldades. Tinha uma caixa cá em casa em desuso e lembrei-me: porque não usar a caixa, colocá-la aqui perto de casa com bens alimentares e ajudar desta forma? Depois foi passar à ação. Coloquei a caixa com os bens lá dentro e com um papel a dizer “caixa solidária — leve o que precisar, deixe o que quiser”. Rapidamente, os vizinhos começaram a ajudar e outros a levar bens. Divulguei no meu Facebook pessoal e depois uma vizinha divulgou no dela, começou a crescer o número de partilhas e criei a página de grupo @caixa.solidaria a desafiar as pessoas a fazerem o mesmo no seu bairro.
A primeira caixa foi colocada em Sassoeiros a 4 de abril e, neste momento, a iniciativa ganhou asas e está espalhada pelo continente e ilhas. Contamos com mais de 1800 caixas solidárias.
O espírito de entreajuda é notório e sinto que chegamos a pessoas com dificuldades, por um lado, porque as caixas vão ficando vazias e, por outro, porque já houve pequenas mensagens de agradecimento em muitas das caixas. A solidariedade e cooperação também se sentem, porque as caixas esvaziam-se, mas voltam a compor-se.
No próximo dia 4 de maio, segunda-feira, exatamente um mês depois da primeira, será colocada uma caixa solidária em substituição da primeira. Foi produzida e doada à iniciativa pela empresa FullQuest. A Câmara de Cascais associou-se ao movimento das Caixas Solidárias. A autarquia liderada por Carlos Carreiras pretende alargar a rede de caixas no território e assume que a iniciativa inspirou o lançamento de uma app que centralizará os donativos da sociedade civil. Uma Caixa Solidária Virtual, em que a Câmara dobrará qualquer contributo individual registado para aquisição de bens alimentares, equipamentos de proteção individual, entre outros. “Em Cascais, como gostamos de dizer, somos ‘Todos por todos’. E esta ideia do Nuno é bem prova desse espírito de comunidade vibrante”, diz Carlos Carreiras.
Fotojornalista do Expresso teve a ideia, com uma caixa com bens alimentares. Iniciativa pegou e já há quase 2 mil
A ideia surgiu neste contexto de pandemia, pensei e falei com a minha esposa sobre como poderíamos ajudar. Ambos continuamos a trabalhar, temos um filho pequeno por isso voluntariado não era possível fazermos. Então pensei que nesta fase deveria haver muita gente a passar por dificuldades. Tinha uma caixa cá em casa em desuso e lembrei-me: porque não usar a caixa, colocá-la aqui perto de casa com bens alimentares e ajudar desta forma? Depois foi passar à ação. Coloquei a caixa com os bens lá dentro e com um papel a dizer “caixa solidária — leve o que precisar, deixe o que quiser”. Rapidamente, os vizinhos começaram a ajudar e outros a levar bens. Divulguei no meu Facebook pessoal e depois uma vizinha divulgou no dela, começou a crescer o número de partilhas e criei a página de grupo @caixa.solidaria a desafiar as pessoas a fazerem o mesmo no seu bairro.
A primeira caixa foi colocada em Sassoeiros a 4 de abril e, neste momento, a iniciativa ganhou asas e está espalhada pelo continente e ilhas. Contamos com mais de 1800 caixas solidárias.
O espírito de entreajuda é notório e sinto que chegamos a pessoas com dificuldades, por um lado, porque as caixas vão ficando vazias e, por outro, porque já houve pequenas mensagens de agradecimento em muitas das caixas. A solidariedade e cooperação também se sentem, porque as caixas esvaziam-se, mas voltam a compor-se.
No próximo dia 4 de maio, segunda-feira, exatamente um mês depois da primeira, será colocada uma caixa solidária em substituição da primeira. Foi produzida e doada à iniciativa pela empresa FullQuest. A Câmara de Cascais associou-se ao movimento das Caixas Solidárias. A autarquia liderada por Carlos Carreiras pretende alargar a rede de caixas no território e assume que a iniciativa inspirou o lançamento de uma app que centralizará os donativos da sociedade civil. Uma Caixa Solidária Virtual, em que a Câmara dobrará qualquer contributo individual registado para aquisição de bens alimentares, equipamentos de proteção individual, entre outros. “Em Cascais, como gostamos de dizer, somos ‘Todos por todos’. E esta ideia do Nuno é bem prova desse espírito de comunidade vibrante”, diz Carlos Carreiras.
22.4.20
Cáritas lança apoios de resposta à pandemia de 130 mil euros
in RR
A Cáritas Portuguesa lança hoje apoios de 130 mil euros, insuficientes à partida, para responder a milhares de pedidos de ajuda vindos também dos "novos pobres" da pandemia, uma classe média que, sem ajuda, se transformará em pobreza estrutural.
As contas do presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, que ainda não tem um balanço estruturado e definitivo dos novos pedidos, apontam para uma média de 150 novas famílias apoiadas em cada Caritas Diocesana, que tem 20 postos de atendimento pelo país, o que, contas feitas, duplica o número de atendimentos e dará cerca de três mil novos pedidos de ajuda provocados pela pandemia.
"Uma gota", garante Eugénio Fonseca. Até dentro do universo Cáritas. De fora destas contas ficam os atendimentos paroquiais, "onde vai muito mais gente" - são 4.350 paróquias e "metade estão a ser procuradas".
Perante isto, o próprio presidente da Cáritas Portuguesa reconhece que o mais certo é não passar de "um sonho" o objetivo de fazer chegar a junho os 130 mil euros em novos apoios, traduzidos em ajuda alimentar e outras necessidades básicas, como água, luz, eletricidade ou gás, e, realidade que já vem da crise anterior, apoio ao pagamento de rendas de casa.
"Estes 130 mil euros são fundos que a Cáritas tinha reservados para situações de emergências e são totalmente aplicados. Estes fundos não resultaram de dádivas recentes. Estou convencido que dada a situação dramática que já se está a sentir que não vamos chegar a junho sem esgotar", disse à Lusa.
Os 130 mil euros dividem-se em 100 mil para apoio alimentar e 30 mil para que as pessoas possam também continuar a assumir compromissos que são imprescindíveis", como as rendas e os serviços de energia e água.
"Estamos convencidos que não vai resolver. Esperamos chegar a perto de duas mil pessoas, mas muitas outras com certeza ficarão de fora. Não conseguimos acudir a tudo, há outras instituições a trabalhar bem e é na cooperação entre todos que se pode atenuar o problema", disse Eugénio Fonseca, que adiantou também que a instituição mantém em funcionamento todas as respostas e apoios que já existiam antes do novo contexto da pandemia.
Os pedidos de ajuda chegam de cinco grupos bem identificados: os mais idosos, as famílias mais vulneráveis, como as monoparentais ou as muito numerosas - com implicações em situações futuras de pobreza infantil - ex-reclusos e suas famílias, sem-abrigo e migrantes.
Em relação aos sem-abrigo, por exemplo, uma das Cáritas Diocesanas está neste momento a apoiar mais 100 pessoas nessa situação, a juntar-se aos que já eram apoiados, sendo necessário encontrar espaços alternativos para alojamento.
A principal causa da procura de ajuda desta crise é a de todas as outras. O desemprego ou a perda de rendimentos provocada por situações como o `lay-off` levam a muitas novas necessidades de assistência.
É aqui que se inserem boa parte dos pedidos de ajuda, os "novos pobres", oriundos de uma classe média-baixa ou média-média, para os quais Eugénio Fonseca diz ser necessária uma "intervenção devidamente planeada" pelo Estado que os retire rapidamente da situação de privação e evite "problemas de saúde mental e situações de desespero, de desânimo e de desistência".
"Quando se desiste, então sim, corre-se o risco de se ficar na pobreza estrutural", disse.
A ajuda vai chegar em forma de `ticket restaurante`, uma modalidade selecionada por concurso público, que não obriga a pagamentos de comissões, e que não identifica a Caritas como a origem do "dinheiro" a usar em supermercados e mercearias, na compra de bens essenciais, que não têm que ser necessariamente alimentares, podendo passar por bens de higiene.
Aceder aos `tickets` seguintes vai obrigar a mostrar a quem está no atendimento social os talões das compras nos supermercados para "provar que não há bens adquiridos que efetivamente não sejam bens de primeira necessidade", o que será "devidamente controlado".
Utilizar um método de pagamento que não identifica a Cáritas e que está bastante generalizado como forma de pagamento de subsídios de refeição pelas empresas evita que a estas pessoas fique associado qualquer tipo de estigma, a que "não sintam vergonha nem se sintam discriminadas na caixa do supermercado", "assegura-lhes dignidade" e autoestima, até porque se deixa nas suas mãos tarefas diárias de compras e planeamento de refeições, que ajudam a manter uma ocupação diária.
Eugénio Fonseca elogia as medidas de proteção tomadas até agora pelo Governo, que se cruzam diretamente com as ajudas prestadas pela Cáritas, no pagamento de serviços e rendas, mas diz que é preciso mais e defende um plano de contingência social nacional, que programe apoios, que defina uma estratégia de reintegração das pessoas no mercado de trabalho e que envolva o Governo e "organizações intermédias da sociedade civil".
Aqui cabem as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), mas também coletividades e "organizações informais de proximidade".
"Todos agora somos chamados a dar este contributo, porque, como percebemos com a contingência sanitária, quando nos unimos atingimos resultados mais rápidos. Isto também se passa ao nível da pobreza", disse.
A coordenação do plano devia, segundo o presidente da Cáritas Portuguesa, ficar a cargo da Presidência do Conselho de Ministros, uma vez que há mais dimensões governativas que devem ser incluídas neste plano para lá do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: a Economia para o relançamento da atividade económica, as Finanças para acautelar questões orçamentais, a Educação e até a Justiça.
"Pode haver situações em que os direitos dos trabalhadores estejam a ser lesados por oportunismos das entidades empregadoras e é preciso acelerar. A nossa justiça nestas coisas não pode ser tão vagarosa como tem sido", defendeu.
Eugénio Fonseca sugere também ao Governo um trabalho próximo com as instituições que lidam diariamente com a realidade da pobreza para a criação de um barómetro social, ainda que reconheça que é uma ideia que "politicamente não interessa, porque não fica bem a um país dizer que tem uma taxa de risco de pobreza dois ou três pontos acima do seu espaço de união política, que é a União Europeia".
A Cáritas Portuguesa lança hoje apoios de 130 mil euros, insuficientes à partida, para responder a milhares de pedidos de ajuda vindos também dos "novos pobres" da pandemia, uma classe média que, sem ajuda, se transformará em pobreza estrutural.
As contas do presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, que ainda não tem um balanço estruturado e definitivo dos novos pedidos, apontam para uma média de 150 novas famílias apoiadas em cada Caritas Diocesana, que tem 20 postos de atendimento pelo país, o que, contas feitas, duplica o número de atendimentos e dará cerca de três mil novos pedidos de ajuda provocados pela pandemia.
"Uma gota", garante Eugénio Fonseca. Até dentro do universo Cáritas. De fora destas contas ficam os atendimentos paroquiais, "onde vai muito mais gente" - são 4.350 paróquias e "metade estão a ser procuradas".
Perante isto, o próprio presidente da Cáritas Portuguesa reconhece que o mais certo é não passar de "um sonho" o objetivo de fazer chegar a junho os 130 mil euros em novos apoios, traduzidos em ajuda alimentar e outras necessidades básicas, como água, luz, eletricidade ou gás, e, realidade que já vem da crise anterior, apoio ao pagamento de rendas de casa.
"Estes 130 mil euros são fundos que a Cáritas tinha reservados para situações de emergências e são totalmente aplicados. Estes fundos não resultaram de dádivas recentes. Estou convencido que dada a situação dramática que já se está a sentir que não vamos chegar a junho sem esgotar", disse à Lusa.
Os 130 mil euros dividem-se em 100 mil para apoio alimentar e 30 mil para que as pessoas possam também continuar a assumir compromissos que são imprescindíveis", como as rendas e os serviços de energia e água.
"Estamos convencidos que não vai resolver. Esperamos chegar a perto de duas mil pessoas, mas muitas outras com certeza ficarão de fora. Não conseguimos acudir a tudo, há outras instituições a trabalhar bem e é na cooperação entre todos que se pode atenuar o problema", disse Eugénio Fonseca, que adiantou também que a instituição mantém em funcionamento todas as respostas e apoios que já existiam antes do novo contexto da pandemia.
Os pedidos de ajuda chegam de cinco grupos bem identificados: os mais idosos, as famílias mais vulneráveis, como as monoparentais ou as muito numerosas - com implicações em situações futuras de pobreza infantil - ex-reclusos e suas famílias, sem-abrigo e migrantes.
Em relação aos sem-abrigo, por exemplo, uma das Cáritas Diocesanas está neste momento a apoiar mais 100 pessoas nessa situação, a juntar-se aos que já eram apoiados, sendo necessário encontrar espaços alternativos para alojamento.
A principal causa da procura de ajuda desta crise é a de todas as outras. O desemprego ou a perda de rendimentos provocada por situações como o `lay-off` levam a muitas novas necessidades de assistência.
É aqui que se inserem boa parte dos pedidos de ajuda, os "novos pobres", oriundos de uma classe média-baixa ou média-média, para os quais Eugénio Fonseca diz ser necessária uma "intervenção devidamente planeada" pelo Estado que os retire rapidamente da situação de privação e evite "problemas de saúde mental e situações de desespero, de desânimo e de desistência".
"Quando se desiste, então sim, corre-se o risco de se ficar na pobreza estrutural", disse.
A ajuda vai chegar em forma de `ticket restaurante`, uma modalidade selecionada por concurso público, que não obriga a pagamentos de comissões, e que não identifica a Caritas como a origem do "dinheiro" a usar em supermercados e mercearias, na compra de bens essenciais, que não têm que ser necessariamente alimentares, podendo passar por bens de higiene.
Aceder aos `tickets` seguintes vai obrigar a mostrar a quem está no atendimento social os talões das compras nos supermercados para "provar que não há bens adquiridos que efetivamente não sejam bens de primeira necessidade", o que será "devidamente controlado".
Utilizar um método de pagamento que não identifica a Cáritas e que está bastante generalizado como forma de pagamento de subsídios de refeição pelas empresas evita que a estas pessoas fique associado qualquer tipo de estigma, a que "não sintam vergonha nem se sintam discriminadas na caixa do supermercado", "assegura-lhes dignidade" e autoestima, até porque se deixa nas suas mãos tarefas diárias de compras e planeamento de refeições, que ajudam a manter uma ocupação diária.
Eugénio Fonseca elogia as medidas de proteção tomadas até agora pelo Governo, que se cruzam diretamente com as ajudas prestadas pela Cáritas, no pagamento de serviços e rendas, mas diz que é preciso mais e defende um plano de contingência social nacional, que programe apoios, que defina uma estratégia de reintegração das pessoas no mercado de trabalho e que envolva o Governo e "organizações intermédias da sociedade civil".
Aqui cabem as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), mas também coletividades e "organizações informais de proximidade".
"Todos agora somos chamados a dar este contributo, porque, como percebemos com a contingência sanitária, quando nos unimos atingimos resultados mais rápidos. Isto também se passa ao nível da pobreza", disse.
A coordenação do plano devia, segundo o presidente da Cáritas Portuguesa, ficar a cargo da Presidência do Conselho de Ministros, uma vez que há mais dimensões governativas que devem ser incluídas neste plano para lá do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: a Economia para o relançamento da atividade económica, as Finanças para acautelar questões orçamentais, a Educação e até a Justiça.
"Pode haver situações em que os direitos dos trabalhadores estejam a ser lesados por oportunismos das entidades empregadoras e é preciso acelerar. A nossa justiça nestas coisas não pode ser tão vagarosa como tem sido", defendeu.
Eugénio Fonseca sugere também ao Governo um trabalho próximo com as instituições que lidam diariamente com a realidade da pobreza para a criação de um barómetro social, ainda que reconheça que é uma ideia que "politicamente não interessa, porque não fica bem a um país dizer que tem uma taxa de risco de pobreza dois ou três pontos acima do seu espaço de união política, que é a União Europeia".
20.4.20
Freguesia de São Martinho fornece refeições a 43 pessoas afectadas pelo confinamento
in Dnoticias
O senhor João aparece no quintal mal ouve o carro buzinar, no Pico da Lombada, em São Martinho, no Funchal. Aproxima-se para receber a refeição que lhe vão entregar, uma rotina nova, que começou com o estado de emergência.
“Este senhor até tem família, tem uma irmã, mas ela tem uma pensão pequena, não consegue ajudar. Este senhor costumava ir todos os dias ao Funchal buscar refeições, mas, com esta situação da pandemia, a irmã ficou com medo que ele ficasse contaminado e pediu-nos ajuda”, explicou à agência Lusa Lisandra Spínola, assistente social da Junta de São Martinho.
O senhor João, reformado e doente, faz parte de um grupo de 43 pessoas a quem a junta fornece uma refeição quente de segunda a sexta-feira, à hora do almoço, desde que entrou em vigor o confinamento imposto pelo estado de emergência devido à covid-19.
“Neste período, o que se notou foi que houve uma necessidade de acudir a situações, nomeadamente frequentadores de centros de dia que foram para casa, alguns deles com fracos recursos financeiros. Aí começámos a fornecer refeições”, explicou o presidente da Junta de São Martinho, o socialista Duarte Caldeira.
A equipa responsável pelas entregas é composta por dois elementos.
Jacobo Gonçalves, o motorista, já sabe o caminho de cor, mas ainda assim coloca à sua frente um quadro com o nome das pessoas e a indicação das ruas, e percorre a freguesia de norte a sul em menos de uma hora, para que a comida chegue “quentinha” a casa de toda a gente.
“Está tudo bem oleado. Criámos um circuito e convencemos as pessoas a estar àquela hora na porta. Nos primeiros dias, tínhamos de ligar para todos. Às vezes não atendiam, tínhamos de insistir. Chegou mesmo a acontecer irmos embora e depois as pessoas ligaram-nos e tivemos de voltar para trás”, contou.
A freguesia de São Martinho é uma das mais populosas das dez que compõem o concelho do Funchal, com 26.482 habitantes (Censos 2011), e fica localizada na zona oeste, onde se encontra a maior concentração de hotéis e áreas balneares da ilha da Madeira.
O percurso começa à porta do restaurante que fornece as refeições e, conforme explicou o presidente da junta, não é sempre o mesmo, pois o projecto visa também apoiar o sector da restauração, que está paralisado.
“Na primeira semana, houve uma empresa que ofereceu as refeições. Nas duas semanas seguintes, comprámos nós a eles. Ao fim dessas duas semanas, procurámos outros restaurantes na freguesia que fizessem refeições dignas a preços razoáveis”, contou.
Lisandra Spínola e Jacobo Gonçalves colocam as máscaras de protecção e arrumam as refeições na bagageira.
O carro circula por estradas secundárias, caminhos apertados, alguns sem saída. Pico Funcho, Quebradas, Levada dos Piornais, uma refeição aqui, duas ali, outra acolá, e a história das pessoas é sempre feita de solidão, velhice, desemprego, doença ou carências.
“Aqui, são refeições para dois agregados”, diz Lisandra Spínola, ao chegar à Rampa do Relojoeiro. E explica: “São duas irmãs que vivem sozinhas, ambas com uma depressão profunda. A outra senhora é cuidadora de uma idosa. Fornecemos a refeição também para ela.”
A viagem prossegue: Levada dos Piornais, Rampa do Amparo e depois uma descida até à beira-mar, Ponta da Cruz, em plena zona hoteleira, onde vive um casal numa barraca, ela venezuelana, ele madeirense.
“Vivem ali sem nada, absolutamente nada. Não há hipótese. Têm uma barraca, mas são como sem-abrigo”, conta Lisandra Spínola, enquanto a viatura circula por entre hotéis encerrados, a caminho do Bairro da Ajuda, para entregar mais três refeições: uma para a senhora Helena, que vive sozinha, duas para o senhor Alexandre, que vive com um irmão, ambos com deficiência mental.
“Amanhã à mesma hora?”, pergunta ele, com um sorriso e os olhos brilhantes, dando à pergunta um tom de afirmação.
A viatura segue viagem e entra na Travessa das Virtudes. Lá ao fundo está uma menina à porta de casa para receber três refeições - uma para ela, outra para o irmão mais novo, outra ainda para a mãe - e quando lhe perguntam por esta, diz que foi para o hospital. Estava grávida e o bebé nasceu durante a noite.
“Passaram a ser três crianças e um adulto”, comenta a assistente social com satisfação.
O percurso termina no Bairro da Nazaré, o maior complexo de habitação social do arquipélago da Madeira, com cerca de 5.000 residentes, onde é também distribuído o maior número de rejeições.
Também aqui a entrega processa-se de forma muito rápida.
“Pronto, só falta uma pessoa. É uma senhora de 86 anos, a dona Rosa Henriques. Vive completamente sozinha, não tem filhos, não tem marido. É daquelas pessoas que faziam parte do centro de dia”, explica Lisandra Spínola. E não evita o elogio: “É um amor de pessoa, a dona Rosa.”
Na Junta de Freguesia, Duarte Caldeira realça a importância desta “primeira intervenção”, atendendo ao grau de proximidade com a população. E enfatiza: “Estamos disponíveis para prestar todo o apoio necessário.”
O senhor João aparece no quintal mal ouve o carro buzinar, no Pico da Lombada, em São Martinho, no Funchal. Aproxima-se para receber a refeição que lhe vão entregar, uma rotina nova, que começou com o estado de emergência.
“Este senhor até tem família, tem uma irmã, mas ela tem uma pensão pequena, não consegue ajudar. Este senhor costumava ir todos os dias ao Funchal buscar refeições, mas, com esta situação da pandemia, a irmã ficou com medo que ele ficasse contaminado e pediu-nos ajuda”, explicou à agência Lusa Lisandra Spínola, assistente social da Junta de São Martinho.
O senhor João, reformado e doente, faz parte de um grupo de 43 pessoas a quem a junta fornece uma refeição quente de segunda a sexta-feira, à hora do almoço, desde que entrou em vigor o confinamento imposto pelo estado de emergência devido à covid-19.
“Neste período, o que se notou foi que houve uma necessidade de acudir a situações, nomeadamente frequentadores de centros de dia que foram para casa, alguns deles com fracos recursos financeiros. Aí começámos a fornecer refeições”, explicou o presidente da Junta de São Martinho, o socialista Duarte Caldeira.
A equipa responsável pelas entregas é composta por dois elementos.
Jacobo Gonçalves, o motorista, já sabe o caminho de cor, mas ainda assim coloca à sua frente um quadro com o nome das pessoas e a indicação das ruas, e percorre a freguesia de norte a sul em menos de uma hora, para que a comida chegue “quentinha” a casa de toda a gente.
“Está tudo bem oleado. Criámos um circuito e convencemos as pessoas a estar àquela hora na porta. Nos primeiros dias, tínhamos de ligar para todos. Às vezes não atendiam, tínhamos de insistir. Chegou mesmo a acontecer irmos embora e depois as pessoas ligaram-nos e tivemos de voltar para trás”, contou.
A freguesia de São Martinho é uma das mais populosas das dez que compõem o concelho do Funchal, com 26.482 habitantes (Censos 2011), e fica localizada na zona oeste, onde se encontra a maior concentração de hotéis e áreas balneares da ilha da Madeira.
O percurso começa à porta do restaurante que fornece as refeições e, conforme explicou o presidente da junta, não é sempre o mesmo, pois o projecto visa também apoiar o sector da restauração, que está paralisado.
“Na primeira semana, houve uma empresa que ofereceu as refeições. Nas duas semanas seguintes, comprámos nós a eles. Ao fim dessas duas semanas, procurámos outros restaurantes na freguesia que fizessem refeições dignas a preços razoáveis”, contou.
Lisandra Spínola e Jacobo Gonçalves colocam as máscaras de protecção e arrumam as refeições na bagageira.
O carro circula por estradas secundárias, caminhos apertados, alguns sem saída. Pico Funcho, Quebradas, Levada dos Piornais, uma refeição aqui, duas ali, outra acolá, e a história das pessoas é sempre feita de solidão, velhice, desemprego, doença ou carências.
“Aqui, são refeições para dois agregados”, diz Lisandra Spínola, ao chegar à Rampa do Relojoeiro. E explica: “São duas irmãs que vivem sozinhas, ambas com uma depressão profunda. A outra senhora é cuidadora de uma idosa. Fornecemos a refeição também para ela.”
A viagem prossegue: Levada dos Piornais, Rampa do Amparo e depois uma descida até à beira-mar, Ponta da Cruz, em plena zona hoteleira, onde vive um casal numa barraca, ela venezuelana, ele madeirense.
“Vivem ali sem nada, absolutamente nada. Não há hipótese. Têm uma barraca, mas são como sem-abrigo”, conta Lisandra Spínola, enquanto a viatura circula por entre hotéis encerrados, a caminho do Bairro da Ajuda, para entregar mais três refeições: uma para a senhora Helena, que vive sozinha, duas para o senhor Alexandre, que vive com um irmão, ambos com deficiência mental.
“Amanhã à mesma hora?”, pergunta ele, com um sorriso e os olhos brilhantes, dando à pergunta um tom de afirmação.
A viatura segue viagem e entra na Travessa das Virtudes. Lá ao fundo está uma menina à porta de casa para receber três refeições - uma para ela, outra para o irmão mais novo, outra ainda para a mãe - e quando lhe perguntam por esta, diz que foi para o hospital. Estava grávida e o bebé nasceu durante a noite.
“Passaram a ser três crianças e um adulto”, comenta a assistente social com satisfação.
O percurso termina no Bairro da Nazaré, o maior complexo de habitação social do arquipélago da Madeira, com cerca de 5.000 residentes, onde é também distribuído o maior número de rejeições.
Também aqui a entrega processa-se de forma muito rápida.
“Pronto, só falta uma pessoa. É uma senhora de 86 anos, a dona Rosa Henriques. Vive completamente sozinha, não tem filhos, não tem marido. É daquelas pessoas que faziam parte do centro de dia”, explica Lisandra Spínola. E não evita o elogio: “É um amor de pessoa, a dona Rosa.”
Na Junta de Freguesia, Duarte Caldeira realça a importância desta “primeira intervenção”, atendendo ao grau de proximidade com a população. E enfatiza: “Estamos disponíveis para prestar todo o apoio necessário.”
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