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14.11.19

O dilema de ser feminista e ter vontade de mandar certas mulheres dar uma volta

Patrícia Reis, in Sapo.pt

Ser lixada por uma mulher que quer apenas ser just one of the boys [um dos rapazes] é uma coisa que me perturba e, ao fim de 31 anos de vida profissional, não há maneira de aceitar que assim seja.

Paridade salarial? Promoção de carreiras? Divisão de trabalho em casa? Com os filhos? Sim, e ainda liberdade de acção e de discurso. Tudo isto é uma causa, tudo isto significa que, por ser necessário manter a causa, ainda há muito que fazer. Na semana passada, surgiram uma série de artigos no jornal Público sobre a disparidade salarial entre homens e mulheres.

Nos últimos 54 dias do ano, as mulheres em Portugal trabalham à borla. Porque a disparidade está a reduzir, mas ainda não é suficiente. Portanto, para que não haja dúvidas, sou feminista, como tantas outras mulheres e homens, porque não entendo que o género defina qualquer superioridade. Ao longo da minha vida profissional – e pessoal, já agora acrescento por ser rigorosamente verdade – tenho visto e vivido situações infelizes com homens. E com mulheres.

Há umas semanas livrei-me de uma destas mulheres a que chamo “machistas” e que são tudo aquilo que me repugna: incapazes de serem mulheres por inteiro comportam-se como homens sempre que podem e, numa posição de liderança ou de poder, diminuem qualquer acção de uma outra mulher. É muito enervante. E, pior ainda, os homens à sua volta pareciam viver pacificamente com estas atitudes. O que importa se ela trata mal as outras mulheres? Deve ter sido com este desdém que alguns homens à volta da mesa onde nos reunimos há semanas pensaram no assunto, se é que pensaram no assunto. O cenário profissional é intrincado e complexo e são muitos os sapos que temos de engolir, para usar essa expressão que me parece bastante leve, mas tudo bem, diremos que são sapais inteiros que somos obrigadas a engolir porque a vida real é mesmo assim, não é para princesas. Com esta realidade, eu vivo de forma confortável, estou habituada.

Ser lixada por uma mulher que quer apenas ser just one of the boys [um dos rapazes] é uma coisa que me perturba e, ao fim de 31 anos de vida profissional, não há maneira de aceitar que assim seja. Portanto, há umas semanas livrei-me de uma mulher com estas características, uma mulher que na verdade, repito, não sabe nada sobre ser mulher e que despreza as outras mulheres, que as considera menores, e que é capaz de manter uma cena de sedução permanente com os homens à sua volta, sobretudo aqueles que ela entende que têm um poder maior ou significativo para o futuro que ela projectou para si própria. Desejei-lhe sorte e fui à minha vida. Foi um alívio imenso e pensei que a vida continua e que, preferencialmente, não teria encontros destes tão cedo. Ontem, numa reunião de trabalho, lá estava outra mulher-machista a olhar-me como se eu fosse... não vou terminar a frase, não vale a pena, vocês percebem. Desta vez consegui livrar-me da criatura em 15 minutos. Fiquei com pena da assistente que, pareceu-me evidente, é agredida várias vezes ao dia por uma mulher que deveria ser, hierarquicamente superior, mas solidária, justa e decente. Por uma vez, suspirei de alívio e pensei na minha imensa sorte, posso sempre dizer que não quero trabalhar com pessoas assim. Infelizmente é dizer que não quero trabalhar com algumas mulheres? Pois é. Faz de mim menos feminista? Nem por sombras.

15.11.17

Baixa natalidade na Europa é culpa das mulheres que trabalham, diz eurodeputado polaco

in Público on-line

Alguns eurodeputados admitem sancioná-lo. Frente Nacional defendeu-o da "deriva repressiva" do Parlamento Europeu.

Só há uma razão para a baixa natalidade na Europa: a mulheres que trabalham em vez de ficarem em casa. A tese é do eurodeputado polaco Janusz Korwin-Mikke, que a tornou pública na segunda-feira à noite no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.  

Aproveitou o debate sobre a política de coesão europeia para, numa hora já tardia (segundo o jornal espanhol El País), expressar o machismo pelo qual é conhecido e dizer qual o papel que, na sua opinião, a mulher deve ter na sociedade.

O Parlamento Europeu debatia o capítulo da demografia - a Europa é o continente mais envelhecido do mundo -, quando o polaco pediu a palavra para dizer que ninguém estava a abordar o problema da forma correcta. "As mulheres não ficam em casa. Não têm crianças. Todos se empenham tanto para que a mulher trabalhe fora de casa. Se não resolvermos isto, não faz sentido debater", disse.

Korwin-Mikke já tinha proferido em Estrasburgo outras frases que provocaram indignação, recorda o jornal espanhol. Por exemplo, que as mulheres devem ganhar menos do que os homens pois "são mais fracas e menos inteligentes".  

O eurodeputado é presidente de um partido de extrema-direita chamado Wolnosc. Foi deputado na Polónia entre 1991 e 1992 e eleito para o Parlamento Europeu em 2014, não tendo aderido a qualquer grupo. 

Já esta terça-feira, vários eurodeputados pediram que Korwin-Mikke seja sancionado de alguma forma. 

Mas, por entre a indignação, houve quem defendesse o eurodeputado polaco - Bruno Gollnisch, da Frente Nacional, o partido de extrema-direita francês dirigido por Marine Le Pen. Explicou que o fazia não por acreditar nas palavras de Korwin-Mikke mas pela "inquetante deriva repressiva" do Parlamento Europeu e da ideia de o sancionar.

20.1.15

Papa Francisco critica sociedade machista

in Jornal de Notícias

O Papa criticou, este domingo, uma sociedade machista que não dá espaço à mulher, durante um encontro na Universidade de Santo Tomás, em Manila, Filipinas perante milhares de jovens.

Francisco lamentou a "muito reduzida" presença de mulheres na cerimónia e defendeu que estas "têm muito mais a dizer na sociedade de hoje".

"Às vezes somos demasiado machistas e não damos espaço à mulher, mas a mulher é capaz de ver as coisas com olhos diferentes dos dos homens", acrescentou.

Segundo o Papa, "a mulher é capaz de fazer perguntas que os homens não conseguem entender".

Francisco referia-se, em particular, a uma antiga menina de rua que lhe perguntou a razão por que sofrem os meninos.

"Ela hoje fez a única pergunta que não tem resposta, e não chegaram as palavras e teve de ser dita com lágrimas", sublinhou.

Francisco disse ainda esperar que haja mais mulheres entre a multidão quando o próximo Papa for às Filipinas.