Paula Cosme Pinto, in Expresso
Ativista, pensadora, provocadora, sobrevivente. Malala Yousafzai é um exemplo de força, resiliência e sensatez, com uma eloquência capaz de inspirar pessoas mundo fora. Hoje voltou a fazer um discurso público em Davos, no Fórum Económico Mundial, onde relembrou alguns aspectos que não podem ser esquecidos no que toca à igualdade de género. Começando pelo facto de existirem atualmente 130 milhões de meninas e raparigas espalhadas pelo globo que não têm, nem tiveram, acesso à educação, um factor chave para a igualdade e o equilíbrio das sociedades.
Hoje Malala tem 20 anos e é uma ativista reconhecida pela ousadia que quase lhe tirou a vida quando era ainda criança: a contínua reclamação pelo direito à educação que milhões de meninas veem negado diariamente. “Se queremos falar sobre empoderamento feminino, sobre participação económica das mulheres, participação na força laboral e contribuição feminina para o desenvolvimento de um país como um todo, não nos podemos esquecer da importância de se investir na sua educação”, frisou a Nobel da Paz. Nunca é demais relembrar que ao serem impedidas de aceder à escola, as meninas ficarão numa eterna posição de dependência financeira ao chegarem à fase adulta. Aliás, serem desde logo alvo de casamento infantil – como expectativa irónica de garantir a sua segurança - é uma das maiores probabilidades para as suas vidas em muitos cenários mundo fora. Tudo isto a torna mais permeáveis a situações de violência psicológica e física, incluindo a sexual, tráfico humano e demais formas de exploração.
Desde a falta de acesso à educação à problemática do assédio e abuso sexual, passando pela desigualdade laboral, Malala Yousafzai lança o repto: “Houve uma altura em que ansiávamos que os homens mudassem o mundo por nós, mas esse tempo acabou. Não vamos continuar a pedir aos homens que mudem o mundo, vamos ser nós a fazê-lo. Vamos unir-nos, erguer as nossas vozes e promover a mudança”. Como? Eis um ponto de partida apontado pela jovem paquistanesa: “Encorajem as meninas e as mulheres à vossa volta a indignarem-se contra todo o tipo de discriminação e violência que virem a acontecer nas vossas comunidades.”
Se também por esse lado estão a precisar de uma lufada de energia e sensatez, oiçam a participação de Malala em Davos, onde – sem surpresa – mais de 80% dos participantes, convidados para refletir o estado do mundo, são homens.
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10.10.14
Adolescente baleada na cabeça pelos talibã é Nobel da Paz
Manuel Molinos, com agências, in Jornal de Notícias
A jovem paquistanesa Malala Yousafzai foi uma das vencedoras do Nobel da Paz 2014, anunciou, esta sexta-feira, em Oslo, o Comité Nobel Norueguês. Também o indiano Kailash Satyarthi foi galardoado pela "luta na defesa do direito à educação de crianças e jovens".
A ativista paquistanesa e defensora dos direitos da mulher Malala Yousafzai já era uma das favoritas no ano passado, numa lista a que se junta também o papa Francisco e um grupo pacifista japonês, entre muitos outros. Tornou-se na pessoa mais jovem a vencer o Nobel da Paz.
Malala, com 17 anos, é um símbolo reconhecido internacionalmente de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres.
A jovem paquistanesa sobreviveu a um tiro na cabeça, num atentado que, em 2012, foi reivindicado pelos talibãs, que se opõem à educação das meninas. Esteve internada no Reino Unido a recuperar do atentado e não pode regressar ao seu país sob pena de a sua vida correr perigo.
Autora do livro "Eu sou Malala" foi também considerada pela revista "Time" como uma das cem personalidades mais influentes do mundo.
Em outubro de 2013, Malala venceu o prémio Sakharov, o prestigiado prémio atribuído pelo Parlamento Europeu pela Liberdade de Pensamento, e em julho já tinha sido aplaudida de pé na Assembleia Geral das Nações Unidas após prometer que nunca seria calada.
O prémio deste ano, anunciado pelo presidente do Comité Norueguês do Nobel, Thorbjoern Jagland, foi também entregue ao indiano Kailash Satyarthi pela "luta na defesa do direito à educação de crianças e jovens".
Com 50 anos, Kailash Satyarthi é um dos promotores da Marcha contra o Trabalho Infantil e já resgatou mais de 60 mil crianças trabalhadores e também adultos mantidos sob regime de escravidão. "As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente", disse o presidente do comité do Prémio Nobel, Thorbjoern Jagland.
Este ano o comité Nobel recebeu um recorde de 278 candidaturas.
O Nobel da Paz é o único que é decidido e anunciado na Noruega. Não se sabe ao certo porque é que Alfred Nobel quis que o Nobel da Paz fosse decidido por um comité norueguês.
Sabe-se apenas que o industrial e inventor deixou essa vontade expressa no seu testamento. Nobel quis também deixar claro que o prémio deve ser dado ao que mais o merece, independentemente da sua nacionalidade.
A jovem paquistanesa Malala Yousafzai foi uma das vencedoras do Nobel da Paz 2014, anunciou, esta sexta-feira, em Oslo, o Comité Nobel Norueguês. Também o indiano Kailash Satyarthi foi galardoado pela "luta na defesa do direito à educação de crianças e jovens".
A ativista paquistanesa e defensora dos direitos da mulher Malala Yousafzai já era uma das favoritas no ano passado, numa lista a que se junta também o papa Francisco e um grupo pacifista japonês, entre muitos outros. Tornou-se na pessoa mais jovem a vencer o Nobel da Paz.
Malala, com 17 anos, é um símbolo reconhecido internacionalmente de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres.
A jovem paquistanesa sobreviveu a um tiro na cabeça, num atentado que, em 2012, foi reivindicado pelos talibãs, que se opõem à educação das meninas. Esteve internada no Reino Unido a recuperar do atentado e não pode regressar ao seu país sob pena de a sua vida correr perigo.
Autora do livro "Eu sou Malala" foi também considerada pela revista "Time" como uma das cem personalidades mais influentes do mundo.
Em outubro de 2013, Malala venceu o prémio Sakharov, o prestigiado prémio atribuído pelo Parlamento Europeu pela Liberdade de Pensamento, e em julho já tinha sido aplaudida de pé na Assembleia Geral das Nações Unidas após prometer que nunca seria calada.
O prémio deste ano, anunciado pelo presidente do Comité Norueguês do Nobel, Thorbjoern Jagland, foi também entregue ao indiano Kailash Satyarthi pela "luta na defesa do direito à educação de crianças e jovens".
Com 50 anos, Kailash Satyarthi é um dos promotores da Marcha contra o Trabalho Infantil e já resgatou mais de 60 mil crianças trabalhadores e também adultos mantidos sob regime de escravidão. "As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente", disse o presidente do comité do Prémio Nobel, Thorbjoern Jagland.
Este ano o comité Nobel recebeu um recorde de 278 candidaturas.
O Nobel da Paz é o único que é decidido e anunciado na Noruega. Não se sabe ao certo porque é que Alfred Nobel quis que o Nobel da Paz fosse decidido por um comité norueguês.
Sabe-se apenas que o industrial e inventor deixou essa vontade expressa no seu testamento. Nobel quis também deixar claro que o prémio deve ser dado ao que mais o merece, independentemente da sua nacionalidade.
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