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30.4.20

Refood regista aumento dos pedidos de ajuda

por Márcia Fernandes, in A Voz de Trás-os-Montes

Com a pandemia a assolar o mundo e a região, a associação não tem mãos a medir para ajudar quem mais precisa, notando já um aumento dos pedidos de ajuda por parte das famílias vila-realenses.

Os tempos não estão fáceis para ninguém e todos os dias têm chegado novos pedidos de ajuda de famílias vila-realenses à Refood, uma associação que oferece bens alimentares a quem mais precisa.

Numa altura em que muitos portugueses perderam rendimentos, outros ficaram mesmo sem qualquer meio de subsistência, a Refood de Vila Real não para e continua a levar comida aos mais necessitados.

Antes da pandemia do novo coronavírus, a associação apoiava cerca de meia centena de agregados familiares, situação que se agravou com a crise provocada pelo vírus invisível, como nos confirmou uma das voluntárias mais antigas da Refood, Helena Silva. “Apoiávamos 51 famílias, num total de 150 pessoas, número que subiu para mais 15 famílias, ou seja, no total já são 66 agregados familiares”.

Os pedidos chegam através das redes sociais, sinalizados pelas Juntas de Freguesia, mas sobretudo através do boca-a-boca.

As famílias são de todo o concelho e não apenas da cidade, revelou a voluntária, que é também a responsável pelos beneficiários. “Não são só da cidade, há pessoas de Parada de Cunhos, Arroios, Mouçós, Mateus ou Folhadela”.

É a única associação “100 por cento voluntária”, frisa Helena, que lamenta que as empresas de Vila Real não estejam sensibilizadas para a causa. “Tive a experiência, juntamente com uma colega, em que andámos pela zona industrial. As pessoas mostram simpatia com a causa, elogiam o nosso trabalho, mas não ajudam muito, pois poderiam consignar os 0,5 por cento do seu IRS a favor da associação, por exemplo”.

Para contornar as dificuldades, os voluntários são a força motriz da Refood, que tem ainda a ajuda de hipermercados, alguns restaurantes e pastelarias. “Promovemos iniciativas. Tínhamos programada a Feira da Flor, que não conseguimos realizar. Era sobretudo aproveitada para vender bolos, compotas, artesanato, feitos pelos voluntários para ajudar a associação”, revela Paula Ferreira, outra voluntária, adiantando que têm parcerias com três grandes hipermercados, mecenas anónimos, alguns restaurantes e pastelarias. “Apesar de alguns terem estado fechados, quando começaram a trabalhar em take-way começaram logo a ajudar”.

Com cerca de 100 voluntários ativos, a Refood teve de se ajustar e alguns tiveram mesmo de dar muitas mais horas para que a ajuda continuasse a chegar aos mais necessitados. “Como muitos são estudantes universitários, nos primeiros 15 dias tivemos dificuldades, mas outros assumiram o trabalho, fazendo muito mais do que o habitual, mas também o estamos a fazer porque temos essa disponibilidade”, explica Paula Ferreira, que é também responsável pelo voluntariado.

“NÃO TENHAM VERGONHA”
“As pessoas não devem ter vergonha de pedir ajuda, hoje são eles, amanhã poderá ser qualquer um de nós”.

Helena Silva refere que as pessoas sentem “muita vergonha” em pedir ajuda. “A experiência que tenho é que, muitas vezes, os mais envergonhados são os mais necessitados e toda a gente está sujeita a ter uma infelicidade nesta na vida, sobretudo nos dias de hoje e nesta sociedade”, sublinha, incentivando as pessoas a pedir ajuda se realmente necessitam. “Não precisam de ter vergonha. Quem sabe se daqui a alguns meses não nos pode vir a ajudar e estar já noutra situação”.

NECESSIDADE: UMA CARRINHA
Utilizam os veículos próprios para fazer a recolha e também algumas das entregas, por isso necessitavam de uma carrinha para ajudar a fazer a distribuição, neste período de pandemia. “Se fosse só uma carrinha a fazer o serviço, seria mais fácil fazer a desinfeção”, frisa Paula, que gostaria que os empresários ajudassem, por exemplo, com o combustível. “Se um posto de combustível pudesse ajudar a encher o depósito, era importante para desenvolver esta atividade”.

Desde abril de 2018 que a Refood se instalou na cidade transmontana, pelas mãos de António Santos, que conseguiu unir várias pessoas que se dedicam à causa de “corpo e alma”, sem receber nada em troca, apenas o carinho e amizade de quem é ajudado.

13.7.16

Refood está a recrutar voluntários para nova unidade contra o desperdício alimentar

André Rosa, in Setúbal em Rede

O movimento comunitário Refood, de combate à fome e ao desperdício alimentar, está a desenvolver esforços para instalar uma unidade no centro de Setúbal. O centro de operações, cuja localização está ainda em análise, será um dos 30 núcleos em formação no país a funcionar com equipas de voluntários, sendo que cada pessoa dedica apenas duas horas por semana capazes de alimentar 10 mais carenciadas.

A Refood, que conta com uma rede de cinco mil voluntários em todo o país, está a recrutar em Setúbal e por isso realizou no final do mês de Abril uma “reunião sementeira”, no auditório da Escola Secundária Sebastião da Gama, na qual estiveram presentes perto de 400 pessoas. Dessas, 300 inscreveram-se no movimento, assim como outros novos 60 gestores, responsáveis por cinco equipas que neste momento estão encarregues de desenvolver o trabalho da Refood em Setúbal, cujo núcleo é coordenado por Marta Bravo e Mário Campos.

A organização está a analisar as fontes de alimentos possíveis (entre restaurantes, cafés, hotéis, supermercados e agricultores), as empresas e instituições parceiras, que instituições podem ser beneficiadas pela distribuição de alimentos e quais os pontos de recrutamento a promover.

A Refood é um movimento independente, orientado pelos cidadãos e 100% voluntário que procura eliminar “o desperdício de alimentos e a fome em cada bairro”. Em Portugal dispõe de 30 núcleos em pleno funcionamento (que recolhem, embalam e distribuem a comida doada por 980 fontes de alimentos), e consegue apoiar 2.700 pessoas diariamente, num total de mais de 48.132 refeições por mês.

O movimento eco-humanitário, como também se caracteriza, convoca assim todos os cidadãos voluntários e possíveis parceiros a assumir a gestão dos recursos da comunidade, neste caso em Setúbal, de forma a que todos tenham a comida de que necessitam. Mais informações podem ser obtidas junto dos contactos 917344523, reffod.setubal@gmail.com ou na página Refood Setúbal no Facebook.

2.12.15

Movimento ReFood vai chegar a Coimbra

In "As Beiras"

Projeto foi fundado há quatro anos, nos EUA, e já tem forte implantação em Portugal

A ReFood-movimento de voluntariado contra o desperdício alimentar, chegou a Coimbra e vai apresentar-se, publicamente, no próximo dia 9 de dezembro. A implementação do projeto em Coimbra acontece num momento de grande expansão do movimento internacional de voluntariado solidário, apesar da sua curta história de apenas quatro anos de existência – o ReFood foi fundado em 2011 pelo norte-americano Hunter Halder. Trata-se de um projeto e um movimento que pretende contrariar o desperdício e a carência alimentares, “fazendo a ponte humana entre prestadores de refeições e alimentos e as famílias carenciadas”, explica David Luís Castro, pioneiro da Refood Coimbra. De acordo com este promotor, o ReFood tem já uma “ramificação importante em todo o país”, com núcleos implantados e em pleno funcionamento em cidades de norte a sul. “O objetivo da nossa equipa de pioneiros é implementar um núcleo ReFood na nossa cidade e dar mais um passo na luta contra a fome e o desperdício alimentar”, adianta David Luís Castro. “De olhos postos no sucesso de outras edições noutras cidades – a última em Aveiro contou com 400 participantes – queremos apresentar este projeto a toda a comunidade e convidá-la a participar dando o seu tempo e energia para que mais pessoas possam ter a ajuda alimentar de que necessitam”, remata

Coimbra é a próxima cidade portuguesa a dispor de um núcleo ReFood