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16.5.23

Governo prolonga apoio de 30 euros a beneficiários do cabaz alimentar

Patricia Carvalho, in Público online

Medida excepcional tem a duração de dois meses e é justificada pela dificuldade em se conseguir obter os produtos que compõem o cabaz.

O Governo decidiu prolongar por dois meses o apoio extraordinário de 30 euros destinado a cada um dos beneficiários do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), por causa da dificuldade em se conseguir obter os produtos que compõem o cabaz alimentar previsto neste programa. A portaria que estabelece este prolongamento foi publicada esta segunda-feira em Diário da República.


[artigo disponível na integra só para assinantes]



8.5.23

Banco Alimentar faz a diferença “na vida de muitas pessoas”

in Diário de Coimbra

Habituado ao armazém, onde tem sido voluntário do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) e desenvolvido trabalho de triagem e separação de alimentos, António Cardoso experimentou ontem um outro lado do voluntariado, numa superfície comercial, dando a cara pela campanha que pretende, uma vez mais, durante este fim-de-semana, a recolha de bens alimentares que servirão para alimentar milhares de famílias carenciadas de todo o país. António Cardoso, de 20 anos, como residente na Comunidade Juvenil São Francisco de Assis, sabe bem o que é viver da solidariedade: a Comunidade Juvenil recebe alimentos, roupas, brinquedos e até produtos de higiene, pelo que o jovem faz o apelo para que, tal como a sua instituição é ajudada, também outras instituições possam receber os bens alimentares do BACF que são depois distribuídos pelas famílias.

[leia a notícia na integra no jornal impresso]

19.12.22

Vítimas da inflação: “Com sopa, fruta e pão ninguém morre”

Filipa Almeida Mendes (texto),Guillermo Vidal (fotografia) eAdriano Miranda (fotografia), in Público online

Com o aumento do custo de vida, os pedidos de apoio às instituições têm crescido. Do outro lado, cada vez mais pessoas se vêem obrigadas a pedir ajuda financeira pela primeira vez.

Um apoio financeiro para pagar as despesas de gás, luz e água “seria o ideal” para João (nome fictício), de 42 anos, conseguir “chegar ao final do mês pelo menos com o frigorífico abastecido”. O dinheiro nem sempre chega e, às vezes, é preciso “cortar” na comida, “principalmente à noite, em que a pessoa acaba por fazer umas refeições mais ligeiras”.

João é designer gráfico e reside em Carnide, Lisboa. Pela primeira vez, viu-se obrigado a pedir ajuda depois de o senhorio o ter informado que a renda mensal que paga pelo aluguer do T0 onde vive iria aumentar com a renovação do contrato, em Março, de 470 para 600 euros e confessa ter-se sentido “um bocadinho perdido”. Foi uma “surpresa”, diz, com um ligeiro sorriso no rosto, embora admita que este é “um preço aceitável dentro do mercado de Lisboa, que está muito caro”.

No início desta semana, dirigiu-se à sua junta de freguesia para solicitar apoio financeiro e aguarda agora uma resposta. “Com a conjuntura toda que estamos a viver e com os aumentos ao nível da energia, água e gás, prevê-se que 2023 seja um ano complicado. Auferindo um ordenado mínimo, começam a ser despesas incomportáveis”, explica, destacando ainda “um grande aumento [do preço] do cabaz mensal”.​

Antigamente, lembra, “bastava ter três televisões” para se pertencer à classe média. Hoje em dia, o panorama alterou-se e o facto de as pessoas “apresentarem um saldo negativo” no final do mês contribui para a perda desse “estatuto”, podendo ser “ainda mais difícil para um casal que tenha filhos” e outro tipo de despesas.

João já esteve “do outro lado” a ajudar os “mais necessitados”. Agora, é ele quem precisa de ajuda e salienta que é essencial “não ter vergonha de pedir, quando é preciso”, e não fazer “um tabu do assunto, porque é uma realidade” que se vive devido ao agravamento da inflação.

​Tirar “de um lado para pagar no outro”

Noelma Marques, de 37 anos, viu-se também, pela primeira vez, “numa situação destas”. “Não sou pessoa de pedir ajuda, tento fazer pelas minhas coisas. Nunca precisei e, neste momento, tive mesmo de recorrer.”

Em Março, mudou-se para casa dos pais, no Bairro Padre Cruz, em Carnide, depois de o seu marido ter tido um AVC e a sua vida ter dado “uma volta enorme”. “Ele está com baixa e sou só eu a trabalhar em part-time no Pingo Doce, pelo que tive de recorrer à ajuda de vários sítios”, conta.

Actualmente, vivem naquela casa nove pessoas. As paredes estão decoradas com enfeites de Natal e há uma árvore repleta de luzinhas coloridas, esbanjando espírito natalício.

“Os meus pais têm suportado tudo, porque eu não os consigo ajudar. Eles é que cuidam do meu filho, para eu poder ir trabalhar, e tomam conta do meu marido”, conta Noelma, destacando que “não podia parar de trabalhar”, porque o “pouco” que ganha ajuda a orientar-se e “mesmo assim não chega”. “Com isto dos aumentos pior ainda.”

Há um ano, Noelma e o marido compraram uma casa em Sintra e a prestação mensal aumentou agora 165€. A casa “era um investimento” para o seu filho no futuro. “Dada a situação por que estamos a passar, não sei até que ponto vou conseguir pagar [e manter a casa]”, sublinha.

“Com o meu ordenado, antes, pagava a renda, os seguros da casa e ainda ficava com um dinheirinho para poder pagar água e luz. Neste momento, no final do mês, o meu ordenado só vai para a renda”, lamenta. “Recebi um subsídio de Natal, mas fiquei sem dinheiro, porque foi tudo para despesas.”

Através dos seus pais, conseguiu apoio da junta de freguesia de Carnide, há cerca de meio ano. “Deram-nos um cheque para comprar alimentos e pagar despesas.”

Noelma explica que tira “de um lado para pagar no outro”. Para resolver a sua situação era essencial conseguir uma junta médica que atribuísse “o grau de incapacidade” ao seu marido e lhe permitisse “tratar de seguros” e baixar prestações, mas uma primeira consulta está com “uma demora de três anos”. “Com as rendas, a comida e tudo a aumentar, alguma coisa vai ficar para trás”, diz, enquanto uma lágrima lhe escorre pelo rosto.

Suportar as despesas nesta casa lotada “tem sido muito difícil”, mas a entreajuda sobrepõe-se. Os banhos vão-se reduzindo sempre que possível e a alimentação é feita com o contributo de todos. “Ninguém vai para a cama de barriga vazia. Se não se comer bifes, come-se sopa. Com sopa, fruta e pão ninguém morre”, diz a mãe de Noelma, Maria Albertina Galvão.

“Infelizmente, a gente não sabe o dia de amanhã”, salienta Noelma. No hipermercado onde trabalha, todos os dias ouve dizer que “cada vez está a haver um aumento maior em tudo”. “As pessoas já não procuram luxos.”

No seu caso, além de todos os apoios que vai recebendo, tem tentado vender bens que foi adquirindo ao longo do tempo e que vão “ajudando a pagar contas”. “Coisas que eu fui conquistando são coisas de que eu me vou desfazendo”, afirma. “Até agora, não fiquei a dever nada, mas já não posso falar pelo final do mês.”

João acredita que a actual situação deriva também “muito” da guerra na Ucrânia e da pandemia de covid-19. “Todos temos noção que 2023 vai ser um ano de desafios. Infelizmente, sabemos o dia de amanhã”, diz. Foi exactamente essa noção que o fez “antecipar-se e pedir ajuda”. “É bom que as pessoas estejam atentas ao que aí vem para se precaverem e não tenham vergonha de procurar as instituições, que também vão precisar de ajuda”, observaa.
Famílias estão mais frágeis

Susana Veiga, assistente social da Legião da Boa Vontade (LBV), destaca que a instituição tem vindo a registar um aumento dos pedidos de apoio, “principalmente de pessoas que estão com bastante vulnerabilidade a nível financeiro para fazer face a todas as despesas”. Passado o “boom da pandemia, as famílias acabaram por ficar mais frágeis ainda, porque os custos dos alimentos aumentaram”.

O perfil de quem procura ajuda tem-se também alterado. “Temos apoiado mais famílias que, embora estejam a trabalhar, o valor que recebem não é suficiente para colmatar as necessidades ou então em que um dos elementos do agregado está desempregado”, afirma Susana Veiga. A rede nacional Cáritas tinha já alertado, em Novembro, para “um aumento da procura por parte de famílias em situação de empregabilidade”.

Susana Veiga explica que as pessoas procuram “apoio mensal não só ao nível de alimentos, mas também de roupa, artigos de higiene e pontualmente de limpeza”. Actualmente, a LBV está a apoiar 250 famílias em Lisboa, 30 em Braga, 50 em Coimbra e até 270 famílias no Porto.

A ajuda que a LBV fornece depende também dos produtos que consegue arrecadar, contando com o apoio de várias empresas, hipermercados, colaboradores e benfeitores. “Fazemos aqui a triagem dos alimentos para que seja possível dar às nossas famílias um cabaz com a maior variedade possível.” No Natal, o cabaz “vai mais reforçado” e nas instalações da LBV as caixas de bolo-rei já estão preparadas para serem distribuídas.
"As famílias precisam deste apoio quase no imediato"Susana Veiga, assistente social da Legião da Boa Vontade

Susana Veiga acredita que a procura vai continuar a aumentar e concorda que “as instituições têm de ter capacidade de se adaptar”, porque, quando vão ao seu encontro, as “famílias precisam deste apoio quase no imediato”.

“A vida está muito cara”

Lurdes Ferreira, de 63 anos, é uma das pessoas que a LBV ajuda mensalmente. Está desempregada há mais de uma década e vive há sete anos no Bairro do Regado, no Porto, cujos prédios, brancos e acinzentados, condizem com o dia que está chuvoso e igualmente pálido. No bloco 12, Lurdes abre a porta do prédio onde vive e começa a subir os andares até chegar ao seu apartamento. “Custa-me muito subir estas escadas”, confessa, ofegante.

A sua casa é pequenina, mas está impecavelmente decorada com naperões brancos, plantas e quadros que Lurdes foi arranjando. A vizinha do lado deu-lhe a cómoda e a mesa-de-cabeceira que estão no quarto, assim como um microondas. “Esse sofá também me deram. Aquele quadro encontrei na rua”, conta.

Lurdes recebe cerca de 143€ de rendimento mínimo e paga 11,40€ de renda, mais as contas da luz e da água. Vale-lhe a ajuda da LBV, que todos os meses lhe fornece as mercearias. “Dão-me arroz, massa, uns queijinhos, iogurtes, leite, carne, fruta, hortaliça, feijão e, na altura do Natal, também dão uns chocolatinhos e uns doces.”

Além disso, é “muito poupada”: “Quando eu tomo banho, meto a água num balde e ponho só um fio de água quando lavo as mãos e a cara. Só acendo a luz para ir à casa de banho e cozinhar à noite.”

O dinheiro que lhe sobra serve para comprar, “de vez em quando, leite, ovos ou uma coxa de frango”, assim como produtos de limpeza, mas o aumento dos preços não ajuda. “A vida está muito cara.” O que resta serve ainda para comprar comida para as duas gatas, pretas com manchas brancas, que resgatou da rua. “As minhas meninas são a minha companhia”, confessa, enquanto uma delas dorme no seu colo.
“Deus toca sempre no coração de alguém para me ajudar. Mas nem toda a gente tem tido a mesma sorte"Lurdes Ferreira

A ajuda vem de vários sítios. A sua vizinha, por exemplo, “põe sempre um saco de batatas à porta” e deu-lhe autorização “para ir lá tirar quando quiser”. “Até tive necessidade de umas botas e uns ténis e a LBV também me deu”, afirma, enquanto suspira. A cada dois meses, Lurdes recebe também cerca de 40€ da Segurança Social para ajudar com a medicação.

“Deus toca sempre no coração de alguém para me ajudar”, diz Lurdes. “Mas nem toda a gente tem tido a mesma sorte. O mundo está um caos, porque vê-se muita gente necessitada.”
Deixar contas para o mês a seguir

Voltando a Lisboa, Rita Vale de Almeida, assistente social da junta de freguesia de Carnide, admite que, nos últimos meses, tem assistido a um “aumento significativo dos pedidos de apoio”. Desde Setembro, faz “uma média de 50 atendimentos por mês”.

A junta distribui um cabaz mensal de alimentos (cedidos pelo Banco Alimentar de Lisboa e por alguns hipermercados da zona) a cerca de 60 agregados familiares e, embora “a esse nível não tenha aumentado muito — até porque os critérios são rigorosos, porque não podem ter um banco alimentar sem fim” —, observa-se um acréscimo no número de pessoas que lá se dirigem para pedir outros tipos de apoio. “As pessoas gastam mais no supermercado e evitam pagar aquelas coisas que podem deixar para o mês a seguir.”

A maioria dos que recebem já usufrui de apoios e habita nos bairros sociais da Horta Nova e Padre Cruz, nomeadamente “idosos, pessoas sozinhas e que ficaram de repente sem trabalho ou mais isoladas”. Mas também “aparece um caso ou outro que teve uma situação emergente na vida”, além de “muitas pessoas vindas da Ucrânia que estão sem chão”.

A Junta de Freguesia de Carnide trabalha em parceria com outras instituições, nomeadamente com a Santa Casa da Misericórdia, até mesmo para evitar que haja apoios duplicados. Neste momento, tem à disposição o Fundo de Emergência Social, um apoio financeiro para medicamentos, rendas, contas, alimentação, entre outros. Há cerca de dois meses, recebeu também um novo “apoio extraordinário e de transição” da câmara municipal ligado à parte alimentar “para apoiar as pessoas que, nesta fase, estão a sentir alguma dificuldade, dado o problema da inflação”. Este novo apoio está ainda em fase inicial e “não vai passar só pelo Banco Alimentar”, havendo a possibilidade de serem atribuídas “refeições confeccionadas ou recorrer a parceiros da freguesia”.
"O mundo está um caos porque vê-se muita gente necessitada"Lurdes Ferreira
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“As conservas e o arroz acabaram-se lá em casa”

Foi a Junta de Freguesia de Carnide que também valeu a Sérgio Cristino, de 48 anos, que reside no Bairro Padre Cruz. Era trabalhador independente, mas em Março deste ano cessou a actividade e foi então que o pesadelo começou. Tinha uma dívida à Segurança Social há cerca de cinco meses, “porque o dinheiro não chegava”, e suspenderam-lhe o subsídio de cessação de actividade, tendo estado oito meses sem qualquer tipo de rendimento.

Quando tal aconteceu, Sérgio começou “a disparar em todas as direcções”, para pedir ajuda financeira, e viu-se obrigado a pedir apoio alimentar pela primeira vez. “Nunca mais vinha subsídio nenhum e as conservas e o arroz acabaram-se lá em casa”, explica.

A junta de freguesia entrou em contacto com uma assistente social da Santa Casa da Misericórdia, que encaminhou Sérgio para o centro de dia no cimo do Bairro Padre Cruz, todos os dias à hora de almoço, para receber uma refeição. “Era uma ajuda que eu agradecia muito, mas [a obrigação de estar lá a determinadas horas] ia-me prender, porque eu precisava de procurar trabalho e resolver estas situações e tinha de me dirigir a montes de lugares”, afirma. E prossegue: “Se fosse chamado para algo do centro de emprego, ia falhar e ficar sem refeição.”

Durante este período difícil da sua vida, Sérgio teve “ajudas de amigos que têm outro apoio alimentar”. “Por incrível que pareça, às vezes, as pessoas que estão a passar pior do que nós são aquelas que nos ajudam.” Entretanto, também foi arranjando “alguns trabalhos e uns trocos aqui e ali para ir conseguindo sobreviver” e pediu dinheiro emprestado. Em Novembro, quando voltou a receber finalmente o subsídio de cessação de actividade, “o dinheiro desapareceu logo”, porque teve de pagar as dívidas.

Sorrindo de nervoso, Sérgio admite que um sentimento de revolta se apoderou de si e critica toda a burocracia e a forma como algumas instituições o trataram — “ajuda todos podemos precisar”. Além disso, destaca a demora em reavaliarem o seu caso, mesmo depois de ter conseguido pagar a dívida à Segurança Social por volta de Maio. Neste momento, a sua situação está mais estabilizada e a sua “luta agora é outra: arranjar um emprego”.
"Às vezes, as pessoas que estão a passar pior do que nós são aquelas que nos ajudam"Sérgio Cristino
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Mas a vida tem sido difícil para muitos. “Acho que há gente a precisar e que tem vergonha de pedir; gente que pede e, se calhar, não tem a ajuda d que precisa; gente que tem ajuda e que a desperdiça; e gente que precisa de ajuda e não sabe como pedir”, afirma Sérgio. A conclusão é uma: “Estamos todos no mesmo barco.”

21.11.22

Banco Alimentar alerta para aumento dos pedidos de ajuda. “Vão superar os da pandemia”

Henrique Cunha, in RR

Nova campanha do Banco Alimentar Contra a Fome a 28 e 29 de novembro. Responsável do Porto alerta que “existem cada vez mais pedidos de apoio das pessoas”.
A presidente do Banco Alimentar do Porto (BAP) alerta para a possibilidade de um aumento "exponencial de pedidos de ajuda", prevendo-se mesmo que "os números superem os que existiram na pandemia".

A recém-eleita presidente do BAP, Barbara Barros, diz à Renascença que a inflação está a fazer disparar os pedidos de apoio e revela que, neste momento, tem uma lista de espera de ”120 instituições”.

A responsável afirma que “existem cada vez mais pedidos de apoio das pessoas” e que, por isso, “as instituições começam a ficar com mais necessidade de produtos alimentares”.

“Falamos neste momento de uma lista de 120 instituições com tendência a aumentar. É um aumento exponencial. Calculamos que vá superar os números que existiram na pandemia”, antecipa, a responsável do BAP.

Bárbara Barros lembra ainda que a inflação não se reflete, apenas, nos bens alimentares, mas atinge também “os transportes, os combustíveis e reflete-se nos empréstimos bancários da habitação”, por isso “as famílias estão a atravessar uma dificuldade muito grande”.

“Muitas vezes chegam-nos famílias que não estão habituadas a não pedir este apoio”, acrescenta.

Nesta altura, o Banco Alimentar do Porto “apoia 300 instituições, mais de 58 mil pessoas, num total de 5.595 famílias”.

A uma semana de mais uma campanha de recolha dos Bancos Alimentares, Bárbara Barros apela à solidariedade, porque a fome é uma realidade.

“Neste momento há”, responde à pergunta, sobre se há fome em Portugal. E, insiste “nós continuamos a achar que em Portugal não há fome, mas nós continuamos a dizer que os Bancos Alimentares já apoiam 400 mil famílias; é um número muito grande”.

A responsável sugere que “só não haverá fome se nós continuarmos a dar o apoio, se continuarmos a ser solidários, se olharmos para o lado, e se podermos contribuir de qualquer maneira, seja a nível voluntário, seja a nível de contribuição no supermercado, seja a nível de contribuição de empresas”.

“Caso contrário”, sublinha, Bárbara Barros, “ficamos neste momento numa situação muito delicada, porque a inflação está a aumentar e nos bens alimentares tem sido uma loucura, um aumento permanente”.

15.11.22

Chegaram a faltar sete produtos nos cabazes alimentares para os mais carenciados

Ana Cristina Pereira, in Público online

A ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, já tinha admitido falhas no cabaz alimentar. O último relatório anual do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), que Portugal apresentou ao Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), esclarece que, no território continental, houve meses em que faltaram até sete produtos.

Com a pandemia de covid-19, o Governo decidiu alargar o número de beneficiários. Antes, a previsão era chegar até 69.317, contando residentes em Portugal continental, Madeira e Açores. Em 2020, o programa foi alargado para abranger 148.561. No ano passado voltou a sê-lo, alcançando os 170.371. Para acomodar este aumento, quem operacionaliza o programa teve de renegociar com os fornecedores.

O Instituto de Segurança Social, que coordena a operação no território continental, afirma ter tido “o cuidado de, ao mesmo tempo que ia concretizando a renegociação dos contratos de fornecimento vigentes no início da pandemia, ir também procedendo ao lançamento de novos concursos para substituir atempadamente os produtos que, entretanto, iam sendo distribuídos em maior quantidade e, consequentemente, dentro de um horizonte temporal mais reduzido”. Não evitou quebras no fornecimento e na distribuição de todos os produtos.

“Nos meses de Setembro, Novembro e Dezembro ocorreu falha de sete produtos, sendo que nos restantes meses do ano as falhas circunscreveram‐se a dois, à excepção de Janeiro e Agosto, em que se registou a falha de três”, lê-se no relatório entregue no final de Junho e agora divulgado. Havendo falhas em determinado período, procuram “reforçar, sempre que possível e adequado, a distribuição destes alimentos nos meses subsequentes”.

No rol de constrangimentos mencionados no documento, surgem “quatro acções judiciais que foram interpostas no âmbito dos procedimentos contratuais para aquisição de cereais de pequeno-almoço, arroz, bolacha maria e azeite”. Outra “situação provocou atrasos no procedimento de aquisição do leite”: “recusa do visto do Tribunal de Contas ao contrato a celebrar, o que implicou a necessidade de se recorrer de tal decisão, com atrasos no procedimento de aquisição deste género alimentar de cerca de quatro meses.”

Antes, o cabaz continha 18 produtos. Em 2019, foi reformulado para melhor se ajustar às necessidades, passando a somar 25. Em cada mês, é suposto 21 serem entregues. Para impulsionar uma diversificação da dieta alimentar, há uns que vão sendo alternados. É o caso da sardinha e da cavala em lata, da mistura de vegetais para sopa e dos brócolos, do feijão‐verde e dos espinafres, da cenoura e do alho francês.
Mais de 50 milhões de embalagens

O programa envolve 650 entidades parceiras do sector social, às quais cabe “receber, armazenar e distribuir os bens às pessoas mais carenciadas”. Fechado o ano, tinham distribuído 613.055 cabazes alimentares, envolvendo 50.042.177 embalagens de alimentos, correspondendo a 27.901,78 toneladas.

O programa não se esgota na aquisição e distribuição de bens alimentares e/ou outros bens de primeira necessidade. Também pressupõe o acompanhamento das pessoas, no sentido da sua inclusão social.

170.371 Número total de beneficiários do programa em 2021. Já este ano, em Setembro, esse número caiu para cerca de 108 mil beneficiários

Em 2021, houve 572 acções que envolveram 21.964 pessoas: 181 de “optimização da gestão do orçamento familiar” destinadas a 6300 pessoas; 215 de “prevenção do desperdício” dirigidas a 9844; 176 de “selecção de géneros alimentares” orientadas para 5820. E houve outras acções associadas.

Em causa estão mais mulheres (92.145) do que homens. Muitas pessoas têm menos de 15 anos (46.142), algumas mais de 65 (11.669).

Recorde-se que o POAPMC, aprovado pela Comissão Europeia em 2014, mobiliza uma dotação pública total (DPT) de 208 milhões de euros: 176,8 milhões de FEAC e 31,2 de contrapartida pública nacional. Conforme o relatório, no final do ano, registava-se “um nível de compromisso de cerca de 113%, com um valor comprometido de 239,2 milhões de euros/DPT”. Ao mesmo tempo, apresentava-se “um nível de execução global de 67% de DPT, com uma execução acumulada de 139,4 milhões de euros/DPT”.

Com a crise de saúde pública, foi suspensa a revalidação trimestral automática dos agregados familiares destinatários do POAPMC. A suspensão dessa regra, pensada para aferir se os destinatários mantêm a situação de carência económica, continuou em vigor em 2021. Não este ano. O número de beneficiários começou então a cair.

Ao que disse a ministra na Assembleia da República no final de Setembro, havia 108 mil beneficiários. Os problemas de aquisição e distribuição de produtos não tinham sido todos ultrapassados por completo. Estavam a ser distribuídos 20 produtos.

2.11.22

Pobreza. Há mais fome no Porto mas diminuíram dádivas às associações de apoio

in Revista Sábado

Aumentaram os pedidos para a compra de botijas de gás e de medicamentos, ao mesmo tempo que emagreceu a lista dos disponíveis para ajudar.

A crise trouxe mais gente para as filas dos carenciados do Porto e aumentaram os pedidos para a compra de botijas de gás e de medicamentos, ao mesmo tempo que emagreceu a lista dos disponíveis para ajudar.

Quem vir Mariana Castro Moura, da associação Caminhos do Amor, a subir diariamente a Avenida da Boavista na sua missão de apoio aos sem-abrigo e aos carenciados pode achar que ela opera sozinha, mas por trás do seu trabalho há muitas pessoas, dádivas e cooperação que foi reunindo em redor do seu projeto, iniciado em março de 2020.

Mas hoje em dia já não é bem assim, garante: "O aumento do custo de vida está a ter muita influência negativa no fazer chegar alimentos às pessoas. Estamos com muitas dificuldades para angariar donativos seja em géneros seja monetários (...) porque as pessoas estão [a atravessar] dificuldades e temos perdido muita gente que nos ajudava".

Questionada sobre que tipo de respostas recebe atualmente de quem antes a ajudava, Mariana Castro Moura foi taxativa: "de umas o silêncio, de outras a constatação de que estão em dificuldades económicas. Conheço casos de pessoas que antes me ajudavam e que hoje em dia sou eu quem as está a ajudar".

E prosseguiu: "tenho hoje muito mais gente a pedir ajuda, pessoas que já estiveram muito bem na vida e que hoje estão muito mal, da alta sociedade. Pessoas que se escondem".

A nova realidade retirou-lhe também a capacidade de programação, mas não o "positivismo", assegurando que, apesar da "preocupação" por não saber o que terá para oferecer na semana, vai continuar a "tentar chegar ao máximo de pessoas e de empresas para conseguir assegurar o valor mensal" para encher a despensa da associação.

Os cerca de 80 'kits' que entrega diariamente, descreveu à Lusa, contêm "um pacotinho de bolhas, as madalenas, um sumo, um leite achocolatado ou um iogurte líquido. Dia sim, dia não, têm um chocolatinho. Os rebuçados estão sempre presentes, a fruta: banana ou laranja, e a sandes".

Na Porta Solidária, na Igreja da Nossa Senhora da Conceição, no Marquês, as refeições são servidas às 18:00. É uma rotina antiga agravada com a chegada da pandemia, lembrou à Lusa o padre Rubens Marques.

"O grande peso foi quando começou a pandemia, depois fomos normalizando um bocado durante o início deste ano e agora estamos a sentir outro grande problema devido à inflação, ao menor poder compra das pessoas. Não temos ofertas, a despensa está a ficar vazia. O número das pessoas que vêm cá comer anda na média dos 320 por dia e agora com tendência a aumentar, sobretudo nas famílias. E essa é que é a nossa grande preocupação: o equilíbrio da despensa e aqueles que precisam de ser alimentados", disse o responsável do projeto.

O apoio, acrescentou, inclui um "serviço de distribuição de roupa e de ajuda em medicamentos", e o 'termómetro', conta, voltou a 'manifestar-se': "quando aumenta muito a pobreza, chegam mais pedidos de medicação e de botijas de gás. São as duas coisas que aumentam sempre".

Nas filas, contou o padre, vê "muitos jovens, sobretudo imigrantes, e mais famílias, onde há um salário, mas que não é o suficiente para a economia diária do agregado".

Daniel Neves, voluntário do projeto, revelou que "falta um pouco de tudo" depois de no início da pandemia as dádivas terem feito chegar muito da "mercearia básica".

"Neste momento temos falta de um pouco de tudo, com mais pormenor na questão das proteínas, como a carne e o peixe. Por várias razões: pelo preço desses alimentos que está absurdo, que está muito caro para as famílias comuns e também devido ao facto de termos pouca capacidade de armazenamento. Ou seja: precisávamos de ter dádivas constantes, uma vez que não conseguimos armazenar em grande quantidade", relatou.

As empresas, neste contexto, estão também a falhar nas dádivas, revelou o voluntário, explicando-o à luz do "aumento dos combustíveis, o défice, a inflação, a falta de mão-de-obra que tem uma influência nisso" e que na sua leitura, obriga as empresas a ter de "fazer uma ginástica maior a nível orçamental - e isso reflete-se depois, como é lógico, na questão dos alimentos".

Ali a lado, na cozinha, o empratamento da massa esparguete com carne picada segue a bom ritmo entre os 15 voluntários de serviço, ao mesmo tempo que a cozinheira Maria Antónia Meireles confirma à Lusa a "menor disponibilidade atual de peixe e de carne", o que obriga a que tenha de se "dosear muito bem".

24.10.22

Pandemia aumentou números de pobres pela primeira vez desde 2014

Por ECO e Lusa

No primeiro ano de pandemia, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% face a 2019. Foi a primeira vez desde 2014 que este número cresceu.

Em 2020, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% face a 2019. O ano da chegada Covid-19 marcou o primeiro ano desde 2014 em que cresceu o número de desfavorecidos cresceu, segundo os dados da Pordata para o Dia Internacional da Pobreza, citados pelo Diário de Notícias (acesso livre), pelo Jornal de Negócios (acesso pago) e Público (acesso condicionado).

“Portugal desviou-se da trajetória de redução da pobreza que vinha a fazer desde 2014. Em 2020 houve um agravamento. Sem os apoios sociais, 4,4 milhões são pobres ou têm rendimentos abaixo do limiar da pobreza [554 euros mensais], o que passa para 1,9 milhões após as transferências sociais”, afirma Luísa Louro, diretora da Pordata.

Nesse sentido, Portugal está ainda longe de atingir a meta de ter menos 765 mil pobres até 2030. Já no que diz respeito ao risco de pobreza ou de exclusão social, Portugal recuou a níveis de 2017 (43,7 % contra 43,5 %). Em relação aos 27 países da União Europeia, Portugal é o segundo em que há mais pessoas a viverem em más condições materiais, isto é, em alojamentos com más condições, com 25% da população nesta situação.
Instituições recorrem mais ao Banco Alimentar para enfrentar aumento de famílias carenciadas

O aumento generalizado do preço dos alimentos, a par do gás e da eletricidade, está a ter impacto nas instituições sociais, que fazem mais pedidos ao Banco Alimentar para conseguirem apoiar o número crescente de famílias que pedem ajuda.

O fenómeno, apesar de ainda não estar quantificado, já é sentido no Banco Alimentar Contra a Fome (BA) desde há algum tempo, com um aumento de pedidos por parte das instituições, não só porque têm mais famílias a pedir-lhes ajuda, como as próprias instituições “precisam de mais dinheiro para fazer face ao custo dos consumos das suas próprias cozinhas”, adiantou a presidente do BA, Isabel Jonet.

A ‘Ajuda de Mãe’ é uma das instituições que recebe bens alimentares através do Banco Alimentar, que usa, não só para a confeção de refeições nas três residências, onde acolhem grávidas adultas e adolescentes ou mães adolescentes com os seus bebés, mas também para a entrega de cabazes com alimentos e confeção de refeições no refeitório.

Em declarações à agência Lusa, a presidente desta associação de solidariedade social contou que em 2021 prestaram apoio a 1.200 famílias de mães grávidas com bens de primeira necessidade, além do apoio social e psicológico.

Madalena Teixeira Duarte adiantou que a Segurança Social atualizou em 2022, e desde janeiro, o valor das comparticipações pagas às instituições e que o reforço da verba paga para os acolhimentos residenciais também foi superior ao habitual “para fazer face ao aumento do custo de vida”, mas garante que “não é suficiente”.

“Só para lhe dar um exemplo: noutro dia estava a falar com a responsável por uma das residências, que me dizia que tudo o que dantes gastávamos em carne dava para dois meses e agora não chega para um mês e meio”, exemplificou, admitindo que isso possa vir a ter como consequência que mães e bebés tenham que “comer ligeiramente diferente”.

Por outro lado, apontou que a ‘Ajuda de Mãe’ está a apoiar mais famílias – em 2021 ajudou cerca de 700 – com a entrega de produtos de higiene ou fraldas porque também estes bens ficaram mais caros e, por isso, difíceis de adquirir por estas pessoas.

C. Lopes chegou a Portugal com a família, vinda do Brasil, em novembro do ano passado. Desempregada desde o sétimo mês de gravidez, precisou de recorrer à ‘Ajuda de Mãe’ há cerca de quatro meses, quando soube que teria de comprar medicamentos específicos para a asma e pele atópica de um dos seus três filhos e percebeu que só com o salário de cerca de 740 euros do marido não seria possível fazer face a todas as despesas de uma família de quase seis pessoas.

Da ‘Ajuda de Mãe’ tem agora “bastante suporte na gestação, cuidados, ajuda de alimentação”, esta última na forma de um cabaz de alimentos que chega a casa de C. com “o básico”, desde arroz, massa, feijão, azeite, “às vezes biscoitos para as crianças”, iogurtes, entre outras coisas. Carne, peixe ou fruta já tem de ser a família a comprar.

“Economizamos em tudo, em gás, em água. Agora também comecei a receber um cabaz da junta de freguesia e juntando os dois, um pouquinho daqui, um pouquinho dali, dá para poder passar o mês”, contou. Quando chegou em novembro, C. encontrou os produtos alimentares com “valores bem diferentes do que estão agora”.

“Coisas que eu comprava para as crianças, não compro agora. Eles gostam de bastantes frutas, verdura. O que eu compro nesta semana, [na] semana que vem já não compro por conta do preço. Os biscoitos aumentaram, o pão aumentou. Tem muita coisa de que eles gostam que eu não compro como no inicio. Aumentou tudo, na verdade”, lamentou. Ainda assim, e apesar das dificuldades, a segurança e a qualidade da escola pública justificam a decisão de imigrar para Portugal.

Segundo a presidente da ‘Ajuda de Mãe’, a instituição recebe do Banco Alimentar produtos bens como arroz, massa ou enlatados, com os quais ajuda cerca de 60 famílias e fornece as residências, enquanto de outros parceiros vêm as fraldas ou os produtos de higiene. Uma grande superfície doava o peixe, mas outro tipo de alimentos, como carne, fruta, legumes ou ovos é a própria instituição que tem de comprar.

Para fazer face a essa, como a outras despesas, a instituição também tenta criar fundos próprios e Madalena Teixeira Duarte contou que foi criado um projeto de combate ao desperdício em que os excedentes alimentares, e alguns donativos, eram transformados em doces e compotas, que depois eram vendidos no Natal. “De repente, o açúcar passou de 0,89 euros para 1,29 euros. Agora de que maneira é que as nossas compotas vão ser vendidas”, questionou.

A responsável alertou que “isto são tudo dificuldades que as instituições enfrentam”, não só no que compram no dia-a-dia, mas também com o aumento do preço do gás ou da eletricidade, mas também porque lhes “restringe esta capacidade de angariação de fundos que depois iria contribuir para o apoio efetivo” de famílias.

Segundo a presidente da ‘Ajuda de Mãe’, o aumento do custo de vida vai obrigar a instituição a repensar gastos e se calhar a abdicar de alguns projetos, já que aliado ao aumento dos preços estará o aumento do salário mínimo nacional em 2023.

Madalena Teixeira Duarte receia que o futuro vá “ser um tempo difícil”, com cada vez mais pessoas a pedir ajuda junto das instituições, uma realidade que a presidente do Banco Alimentar constata diariamente, quando abre os mails que chegam à sua caixa de correio eletrónico.

Segundo Isabel Jonet, para já, há mais pedidos de ajuda, mas ainda não há redução no número de doações, tendo em conta que a mais recente campanha de recolha decorreu em maio e a próxima será no final de novembro. Ao mesmo tempo, o volume doado pela indústria e pela agricultura mantém-se inalterado, o que poderá querer dizer que ou ajustaram a produção ou mantêm o volume de vendas.

Defendeu que deve ser explicado às famílias que a conjuntura atual não é de curto prazo e alertou que a inflação vai refletir-se por largos meses nos orçamentos das famílias, com “maior incidência nas famílias mais carenciadas porque não têm folga orçamental”.

Para a presidente do BA, é, por isso, “muito previsível que vá aumentar o número de pessoas que vão ficar numa situação muito difícil e em pobreza”, tendo em conta o aumento dos preços dos alimentos, da energia e das taxas de juro em simultâneo.

(Notícia atualizada às 9h02 com mais informação)

30.9.22

Mais de 108 mil pessoas estão a receber cabaz alimentar

Daniela Carmo, in Público on-line

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, garantiu que o cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas pode chegar a 120 mil pessoas.

São mais de 108 mil as pessoas actualmente apoiadas através do cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC). A informação foi avançada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão na manhã desta quarta-feira.

Ana Mendes Godinho referiu que, à data desta terça-feira, beneficiavam do programa um total de 108.300 pessoas. E recordou que a capacidade máxima de resposta assegurada pelo Governo, em simultâneo, pode ir até às 120 mil, número que duplicou durante o período de pandemia da covid-19. O POAPMC foi criado em 2015, na União Europeia, e pretende ser um instrumento de combate à pobreza e à exclusão sociais.

A ministra do Trabalho fez ainda um balanço relativo ao total acumulado de pessoas apoiadas desde Janeiro, valor que se fixa, até ao momento, em 134 mil. Este é um número que inclui beneficiários que entraram no programa e outros que, entretanto, saíram. Desde o arranque do programa, em 2015, foram beneficiadas 238 mil pessoas.

Sobre a alegada indicação para reduzir o número de beneficiários de 120 mil para 90 mil, Ana Mendes Godinho sublinhou que “nunca foi dada qualquer orientação para a redução de beneficiários”. “Não podia ter sido. Mantemos a capacidade de, em simultâneo, responder a 120 mil pessoas.”

Segundo a ministra, a reavaliação trimestral de elegibilidade dos beneficiários voltou a funcionar, uma vez ultrapassado o período crítico da pandemia e, por isso, fazia sentido regressar ao modelo que até então vigorava, com comprovação de critérios de acesso ao programa. Ou seja, foi essa verificação que justificou que tenha havido uma redução no número de beneficiários.

Actualmente, e admitindo as rupturas de stock que existiram e que já foram ultrapassadas, a governante adiantou também que o cabaz alimentar está a entregar 20 dos 21 produtos inicialmente previstos.

Está ainda em curso a implementação de um novo modelo de apoio às pessoas mais carenciadas que se baseia num cartão de compras que as famílias poderão utilizar directamente nos estabelecimentos comerciais, podendo, então, as famílias escolher os produtos que preferem em total liberdade e em pé de igualdade com todas as outras pessoas. Até 13 de Outubro, decorre o concurso público para as empresas fornecedoras.

Este “instrumento complementar no combate à pobreza e exclusão social”, como disse a ministra, vai, num primeiro momento, chegar a 45 mil pessoas e será complementado com a entrega de cabazes às restantes famílias.

29.8.22

“Uma franja da população vai ficar pior do que os pobres”

Joana Ascensão e Marta Gonçalves, in Expresso

Especialistas alertam para as dificuldades das famílias de classes mais baixas, mas não incluídas nos apoios sociais

As famílias que se encontram imediatamente acima do limiar da pobreza e cujo rendimento dita que já não têm direito a apoios sociais são “das maiores preocupações” do Banco Alimentar Contra a Fome, num contexto de aumento do valor da fatura do gás. Em declarações ao Expresso, Isabel Jonet, presidente desta organização, deixa o alerta: “Há uma franja da população que vai ficar pior do que os pobres.”

A explicação, diz, passa por serem famílias que tipicamente têm créditos habitação e já vivem com uma série de despesas e carga fiscal fixa mensal que não podem deixar de pagar, apesar de tudo estar mais caro. “Estas famílias não têm os apoios sociais que as classes mais baixas já têm, falo das que estão logo a seguir ao limiar de pobreza. Foram as que arriscaram comprar casa, as que sofrem com o aumento da inflação, da taxa de juro e agora com o da energia.”

Deco admite que famílias possam entrar em incumprimento: “Têm o orçamento contado ao cêntimo”

É precisamente este o tipo de família que mais frequentemente chega ao atendimento da Deco: normalmente, composta por dois adultos com o ordenado mínimo e duas crianças. A perspetiva de poderem entrar em incumprimento nas despesas é uma preocupação e sente-se nos pedidos de ajuda “um peso significativo de encargos com crédito habitação”, refere a jurista Elisabete Policarpo, do gabinete de Apoio Financeiro. “As famílias têm o orçamento contado ao cêntimo. E nesta gestão apertada das despesas que mais parece uma manta de retalhos, se uma despesa aumenta, vão ter de ir buscar o dinheiro às outras.”

IMPACTO NA ALIMENTAÇÃO

O anúncio do aumento do gás natural é suficiente para desequilibrar a balança já de si instável. A inflação tem levado ao aumento dos bens essenciais, da eletricidade e também do crédito habitação para quem tem taxa variável indexada à Euribor. Se num primeiro momento a reação das famílias é reduzir no que é mais imediato, ou seja, no supermercado, é certo que, caso este “efeito travão” não seja suficiente, “há o risco de vermos serviços a serem cortados”, sublinha a jurista da Deco. Em situações de aperto, a jurista aconselha a renegociação dos pacotes com as empresas de energia e de telecomunicações.

A crise social estava anunciada. “Chegam sempre depois da crise económica, e é impossível não ver que está aí”, diz ao Expresso Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa. “As pessoas adaptam-se quando vão ao supermercado e preocupa-me quando começa a ter impacto na alimentação. Tem havido substituição de alimentos, sobretudo os frescos.” O aumento do custo de vida já trouxe à Cáritas pedidos de ajuda “que estavam fora do radar. A uma crise existente, em que as pessoas ainda não se tinham autonomizado, juntou-se outra. Estamos numa sucessão”, continua, alertando que com o arranque do ano escolar a perceção da realidade será muito mais clara.

6.7.22

Governo vai alargar por três meses apoio ao cabaz alimentar. Medida abrange "cerca de um milhão de famílias"

in Notícias Online

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou hoje que o Governo vai aprovar na quinta-feira o alargamento por mais três meses do apoio extraordinário ao cabaz alimentar, indicando que a medida abrange "cerca de um milhão de famílias".

"Amanhã [quinta-feira] o Conselho de Ministros aprovará que a medida extraordinária de apoio ao cabaz alimentar vigorará por mais três meses, ou seja, com mais 60 euros a ser pagos às pessoas que beneficiam da tarifa social de eletricidade e a todos os beneficiários das prestações mínimas", anunciou o chefe de Governo esta quarta-feira no parlamento.

O primeiro-ministro falava no primeiro debate sobre política geral da legislatura, na Assembleia da República, e respondia a uma pergunta do Chega.

De acordo com António Costa, esta medida "abrangerá cerca de um milhão de famílias".

Recorde-se que hoje foi notícia que dez mil pessoas deixaram de receber ajuda alimentar depois da reavaliação do Programa de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) feita pelo Instituto de Segurança Social, que identificou 110 mil beneficiários elegíveis.

A presidente do Instituto de Segurança Social (ISS) foi hoje ouvida na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, na Assembleia da República, sobre a redução do número de beneficiários do POAPMC e a redução do número de produtos que compõem os cabazes alimentares que são entregues às famílias, e deixou a garantia de que nunca foi dada indicação para cortar no número de pessoas abrangidas.

A audição surge depois de no início do mês ter sido tornado público um ofício interno do Instituto de Segurança Social (ISS) com indicações aos diretores regionais para que os técnicos reduzissem o número de beneficiários do programa de apoio alimentar em 30 mil pessoas, passando de 120 mil para 90 mil beneficiários.

Segundo Catarina Marcelino, o número de 90 mil beneficiários era meramente indicativo e tinha por base os números do desemprego, garantindo que nunca foi dada orientações para fazer um corte no número de pessoas apoiadas, mas sim para que fosse feita uma reavaliação do POAPMC, uma vez que a avaliação trimestral que está prevista tinha sido suspensa durante a pandemia.

Perante os deputados da comissão, a presidente do ISS revelou que essa reavaliação foi entretanto concluída e que o programa de apoio alimentar chega agora a 110 mil pessoas, ou seja, houve 10 mil pessoas que deixaram de cumprir os critérios de elegibilidade para o programa e deixaram de receber este apoio que chega às famílias na forma de um cabaz alimentar.

Catarina Marcelino disse também que depois desta reavaliação continuam a fazer avaliação das famílias e deixou a garantia de que o compromisso é apoiar todas as pessoas que precisam do programa e sublinhando que não só não foram alteradas as regras de acesso, como não estão previstos cortes nos apoios dados às pessoas.

Sobre a composição do cabaz de alimentos, que deveria ter 21 produtos e mais quatro fornecidos em alternância, Catarina Marcelino admitiu que depois do inicio da guerra na Ucrânia houve dificuldade no fornecimento, mas disse que o ISS está a trabalhar “afincadamente para repor” e que espera conseguir brevemente a reposição integral do cabaz.

No entanto, segundo a diretora executiva da Rede Europeia Anti-Pobreza, que foi ouvida pela mesma comissão antes da presidente do ISS, as organizações que no terreno trabalham diretamente com as famílias dão conta de listas de espera para ter acesso a este apoio alimentar e que o sistema não deixa incluir novos beneficiários.

Segundo Sandra Araújo, as instituições e alguns dos operadores que estão na gestão do programa dão conta de que “há de facto listas de esperas”.

“Algumas entidades que estão na operação e na gestão referem que há listas de espera e que não é possível no sistema incluir novas [famílias]. É preciso averiguar”, defendeu, lembrando que em 2020 o Tribunal de Contas fez um relatório sobre o POAPMC que demonstrava que “possivelmente haveria famílias que seriam elegíveis para o programa mas que não estariam a beneficiar dele”.

Na opinião da responsável, é expectável que continuem a aparecer mais famílias à procura deste apoio familiar tendo em conta o aumento da inflação.

O presidente da EAPN Portugal, padre Jardim Moreira, aproveitou para referir que há uma estratégia contra a Pobreza que foi aprovada, mas que ainda não está implementada e voltou a defender a necessidade de que o apoio alimentar seja dado às famílias na forma de cartão ou voucher e não em cabaz, dando assim liberdade para que cada um faça a sua gestão mensal alimentar.

Jardim Moreira sublinhou que estas pessoas deveriam poder comer o que quisessem e não o que os outros querem ou as sobras e instou a que todos sejam corajosos para resolver este desafio, apontando que é preciso unir esforços para o bem comum, ultrapassando ideologias, e que é preciso vontade política para encontrar uma solução comum.

A propósito da estratégia nacional de combate à pobreza, Sandra Araújo apontou que a EAPN gostava que fosse nomeado um coordenador nacional e implementado um plano de ação estratégico.

8.6.22

Banco Alimentar reforça que há mais pedidos de apoios

in Público

Presidente do Banco Alimentar do Algarve diz que não houve “uma melhoria” no número de pedidos de ajuda. “Continuamos a receber pedidos de apoio quer de pessoas quer de instituições, portanto não estamos numa fase decrescente dos pedidos de apoio.”

O presidente do Banco Alimentar do Algarve disse esta quarta-feira que estão a receber cada vez mais pedidos de famílias e instituições para apoio alimentar, sublinhando que o aumento dos preços tem estado a pressionar novamente a população mais carenciada.

Nuno Cabrita Alves falava à Lusa a propósito da intenção do Governo de reduzir o número de beneficiários do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) de 120 para 90 mil, justificando com a evolução favorável da situação epidemiológica no país e a progressiva normalidade em geral”.

“Nós não entendemos que haja uma melhoria, continuamos a receber pedidos de apoio quer de pessoas quer de instituições, portanto não estamos numa fase decrescente dos pedidos de apoio muito pelo contrário o aumento dos preços, a taxa de inflação tem estado a pressionar novamente aquilo que é a população mais carenciada”, adiantou.

Nuno Cabrita Alves disse que enquanto presidente do Banco Alimentar do Algarve faz a representação junto do Estado no âmbito do POAPMC, mas cada Banco Alimentar tem capacidade para fazer a gestão do programa.

“Estávamos informados [da intenção da redução de beneficiários]. Já estava em plano há algum tempo, porque para fazer a gestão do programa tem de se pensar naquilo que são os número de destinatários a apoiar porque isto obriga a concursos públicos e tem de ser planeado com antecedência”, disse.

De acordo com Nuno Cabrita Alves, o número original de beneficiários do programa era de 60 mil, depois passou para 90 mil e depois subiu para os 120 mil devido à pandemia de covid-19.

“Agora estão novamente previstos os 90 mil para manter até ao final do programa no final do ano. Estamos muito preocupados porque queremos saber a continuidade do programa. Ao contrário do passado era interessante que não houvesse uma paragem de um programa para o outro”, disse.

Nuno Cabrita Alves disse também estar preocupado com o número insuficiente de alimentos que está a ser distribuído no âmbito deste programa.

“O número de alimentos distribuído é insuficiente e inferior ao que está assumido no programa. Tem a ver com a dificuldade de fornecimento de alguns fornecedores, do aumento de preços devido à guerra e ausência de alguns produtos que afasta fornecedores dos concursos, etc”, referiu

Nuno Cabrita Alves contou que de um cabaz de 25 produtos, chegaram a distribuir apenas seis.

“Neste momento, numa base de 21, há sete produtos fora do cabaz, alguns sem perspectiva de voltarem”, disse.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN) desta quarta-feira, o ISS deu indicações em 20 de Maio aos directores da Segurança Social de todo o país para informarem os técnicos que acompanham o POAPMC que têm de reduzir o número de beneficiários de 120 para 90 mil.

Questionado pelo jornal, o Governo confirmou que actualmente serão 110 mil as pessoas que cumprem os critérios e que o objectivo é continuar a reduzir.

O Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) foi criado em 2015 na União Europeia e pretende ser um instrumento de combate à pobreza e à exclusão sociais, atribuídas a causas estruturais, agravadas por factores conjunturais.

As pessoas que se encontrem em situação de carência económica, pessoas sem-abrigo e na situação de indocumentadas podem ter acesso ao POAPMC, que é financiado pelo Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais carenciadas que em Portugal depende da Segurança Social.

9.5.22

OE só tem 55 milhões para apoiar famílias mais pobres

Maria Caetano, in Diário de Notícias

Governo não prevê prolongar iniciativa, que dará 60 euros, por uma vez, a 830 mil famílias, e comparticipações na botija do gás.

O apoio ao cabaz alimentar das famílias mais pobres deverá ficar por um único pagamento de 60 euros, apontam os números que acompanham a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2022 entregue nesta quarta-feira pelo governo.

O relatório que acompanha do documento afeta a apoios às famílias mais pobres 55 milhões de euros, de um pacote de apoios superior a 1300 milhões de euros de resposta à inflação da energia e noutros bens, agravada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.


19.4.22

Impacto do aumento de preços ainda não se reflecte nos pedidos de ajuda alimentar

Daniela Carmo, in Público on-line

“Temos tido muitas queixas de que está cada vez mais difícil, mas não registamos crescimento no número de pedidos de ajuda directa das pessoas. Contudo, penso que isso ainda virá”, acredita Isabel Jonet, do Banco Alimentar.

O aumento dos preços e do custo de vida em Portugal ainda não se reflecte nos pedidos de ajuda a instituições de apoio como o Banco Alimentar ou a Cáritas Portuguesa. Ao PÚBLICO, as presidentes das duas direcções garantem que apesar de ainda não ter existido um aumento de pessoas em situação de vulnerabilidade a ter de recorrer a programas de ajuda alimentar é de esperar que a procura suba.

Rita Valadas, presidente da Cáritas, explica que apesar de o custo de vida estar a aumentar, o impacto ainda é algo recente. “Acho que ninguém pode ter estes números ainda, só tivemos três meses do ano e só vamos poder contabilizar reflexos mais à frente porque a factura está a aumentar agora”, desenvolve.

Também Isabel Jonet, do Banco Alimentar contra a Fome, diz que “ainda não houve um aumento dos pedidos de ajuda”. “Temos tido muitas queixas de que está cada vez mais difícil, mas não registamos crescimento no número de pedidos de ajuda directa das pessoas. Contudo, penso que isso ainda virá”, acrescenta. A presidente do Banco Alimentar lembra ainda a medida do Governo de atribuir o apoio extraordinário de 60 euros para mitigar o aumento dos preços dos alimentos como uma das possíveis razões para que ainda não haja um reflexo visível.

Para Rita Valadas, os portugueses vão começar a sentir estes efeitos, provavelmente, só no fim deste mês. “Recorrem ao apoio quando têm a falência do primeiro mês e isso ainda não teve tempo para acontecer.”

A dirigente da Cáritas traça ainda um cenário “preocupante” que se verifica no país: “O que era claro para nós é que estaria estimado um decréscimo do número de famílias que apoiamos vítimas da pandemia, porque haveria alguma retoma. Mas isso não aconteceu, as famílias continuam a precisar de apoio”.

Esta realidade é, por isso, preocupante na medida em que a pandemia de covid-19 fez com que cerca de 22 mil pessoas, que não eram apoiadas pela Cáritas, tivessem de recorrer ao apoio da rede. E não saíram. Isso significa que juntar a este número acrescido de apoios novos pedidos de ajuda pode representar um factor de pressão para a associação.

“Não há um alívio das situações que vinham da pandemia e aquilo que nós tememos é que se juntem estas situações às que vão começar a sentir [um aumento] na sua factura mensal.”

Apoio depende da solidariedade de todos

Até onde se pode, então, esticar? Rita Valadas não se compromete com um número e recorda que o trabalho da Cáritas depende da solidariedade de todos. “Obviamente que, se for necessário, se virmos que não temos recursos, utilizaremos a nossa ferramenta habitual que é fazer uma campanha explicando às pessoas para que é que ela é. Entre isto e as almofadas que o Estado terá certamente que equacionar para estas pessoas, havemos de ser capazes”, completa.

Até ao momento, aquilo que tanto a presidente da Cáritas como Isabel Jonet reportam são as queixas, quase desabafos, de pessoas assustadas e com medo. “As pessoas estão muito conscientes da crise que está a acontecer e que vai acontecer e têm muito receio disso. Procuram-nos para conversar, para saber o que podem fazer, muito mais do que já a pedir ajuda por ausência de recursos”, reitera Rita Valadas.

Para Isabel Jonet, os pedidos de ajuda não se comparam ao aumento que foi registado com a pandemia. “Não é significativo, não tem nada a ver com a altura da ‘covid’. Neste momento também temos algumas instituições que estão a apoiar ucranianos mas o aumento de pedidos não é significativo.”
Banco alimentar com 21 balcões

O Banco Alimentar tem 21 balcões em todo o país e apoia 2600 instituições que chegam a 400 mil pessoas todos os dias. “Sabemos exactamente quem são as pessoas que apoiamos e sabemos também que em Portugal há um milhão de pessoas que vivem com menos de 250 euros por mês, a maioria das quais são idosos com baixas pensões de reforma”, sublinha Isabel Jonet.

Já a Cáritas ressalva que os números “são sempre menos do que a realidade” e que este tipo de instituições não resolve os problemas das vidas destas pessoas, mas que actuam, antes, “apenas ao nível básico, no sustento de vida diário”. E aí, Rita Valadas tem a esperança de fazer cumprir a missão nestes tempos mais críticos. Por ano, a associação chega, em média, a 120 mil pessoas e com a pandemia chegaram mais 22 mil pedidos de ajuda.

Contactadas pelo PÚBLICO, também a Comunidade Vida e Paz e a Rede Europeia Anti-Pobreza reportaram ainda não notar uma subida nos apoios que prestam. O PÚBLICO questionou também o Governo sobre qual a evolução dos auxílios prestados pelo Programa Operacional de Apoio Às Pessoas Mais Carenciadas e pela Rede de Emergência Alimentar durante este ano, mas não obteve uma resposta em tempo útil.


30.3.22

Famílias mais pobres recebem 60 euros em abril para comprar alimentos

Catarina Almeida Pereira, in Negócios on-line

Apoio destina-se a quem for beneficiário de apoios sociais, como o RSI ou as prestações de desemprego, e ainda a quem tenha rendimentos baixos. O valor será pago de uma só vez em abril.

As famílias com rendimentos mais baixos que estejam abrangidas pela tarifa social de eletricidade vão receber 60 euros em abril, no âmbito de um novo apoio criado com o objetivo de financiar a compra de alimentos.

Em causa está o novo apoio aprovado esta quinta-feira, no último Conselho de Ministros do atual governo, "para atenuar os efeitos do aumento dos preços dos bens alimentares de primeira necessidade".

"O apoio será destinado às famílias abrangidas pela tarifa social de eletricidade", e será "de 60 euros, pago de uma só ver em abril", disse ao Negócios fonte oficial do Ministério da Segurança Social (MTSSS), confirmando assim a informação avançada ao Eco e à RTP.

"A Segurança Social fará o pagamento do apoio extraordinário a estas famílias de forma automática e oficiosa", acrescenta a mesma fonte.

Embora inicialmente se tenha apontado para 1,4 milhões de abrangidos, de acordo com a Direção-Geral de Energia e Geologia, a tarifa social de eletricidade abrange 760 mil beneficiários.

Questionado, o Ministério da Segurança Social não revelou estimativas.

Quem tem direito à tarifa social de energia?

A tarifa social de energia é atribuída a quem seja beneficiário de uma série de apoios sociais e ainda a famílias com baixos rendimentos.

Segundo se explica no site da Direção-Geral de Energia e Geologia, a pessoa, que tem de ter um contrato de fornecimento de energia elétrica em seu nome, pode receber o novo apoio se for beneficiário do complemento solidário para idosos, do rendimento social de inserção, de qualquer das prestações de desemprego, do abono de família, de pensão social de invalidez (ou complemento de prestação para a inclusão) ou de velhice.

"Mesmo que não receba qualquer prestação social pode beneficiar desta tarifa social se o rendimento total anual do seu agregado familiar for igual ou inferior a 5808 euros, acrescido de 50% por cada elemento do agregado familiar, incluindo o próprio (até ao máximo de 10), que não tenha qualquer rendimento", explica a DGEG.

O Ministério da Segurança Social (MTSSS) não divulgou, para já, mais detalhes.

17.2.22

FAMÍLIAS POBRES ESTÃO A RECEBER CADA VEZ MENOS BENS ALIMENTARES EM PROGRAMA DE APOIO

in TVI

Em causa está o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas. Uma situação justificada pelo Ministério da Segurança Social com impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes nos concursos públicos

As famílias beneficiárias do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) estão a receber cada vez menos bens alimentares por mês, uma situação justificada pelo Ministério da Segurança Social com impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes nos concursos públicos.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN) desta segunda-feira, as famílias beneficiárias do POAPMC, criado para combater a pobreza e a exclusão social em Portugal, estão a receber cada vez menos bens alimentares, com a situação a agravar-se nos últimos cinco meses

A situação, escreve o JN, é justificada pelo Ministério da Segurança Social com "impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes" nos concursos públicos de compra de produtos, "a demora na análise da emissão dos pareceres técnicos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e a exigência da União Europeia na tramitação procedimental associada" a esses concursos de aquisição.

O Ministério da Segurança Social, gestor do programa, citado pelo JN, admite a existência de "falhas na entrega de alguns produtos" e diz que "a situação está a ser gradualmente ultrapassada", assegurando que "alguns produtos serão distribuídos este mês".

No entanto, assistentes sociais e beneficiários garantem que os cortes são constantes.

O POAPMC é um instrumento de combate à pobreza e à exclusão social que visa diminuir situações de “vulnerabilidade que colocam em risco a integração das pessoas e dos agregados familiares mais frágeis, reforçando as respostas das políticas públicas existentes”.

De acordo com dados referidos pelo JN, existem 120 mil beneficiários de cabazes alimentares no país.

28.1.22

Cartões de ajuda alimentar para 30 mil pessoas

Catarina Paço Rodrigues, in JN

A Segurança Social lançou o concurso público que pretende adquirir serviços de emissão, gestão, carregamento e reporte financeiro dos cartões eletrónicos sociais para ajuda alimentar. A modalidade deverá abranger 30 mil pessoas e vai coexistir com a entrega de cabazes alimentares.

"Com este procedimento pretende-se dar o primeiro passo para a operacionalização do projeto piloto que pretende atribuir apoio alimentar a famílias carenciadas através de cartões eletrónicos", indica em comunicado o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Segundo explica o gabinete, o concurso servirá para selecionar a empresa com a qual irão ser contratualizados os serviços associados ao cartão, prevendo-se que estes entrem em funcionamento "no quarto trimestre deste ano".

O prazo para apresentação das propostas termina no 30.º dia a contar do dia 24 de janeiro e o valor preço base do procedimento é de 500.000,00 euros, de acordo com o anúncio publicado, na quarta-feira, em Diário da República.

Usar no supermercado

Os cartões eletrónicos deverão abranger 30 mil pessoas e vão coexistir, durante o projeto-piloto de um ano, com a modalidade de cabazes alimentares (distribuição direta).

Os destinatários podem utilizar os cartões nas redes de estabelecimentos que venham a aderir ao projeto.

A utilização do cartão está limitada à aquisição dos bens elegíveis no âmbito do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), sendo, por exemplo, proibida a aquisição de bens como bebidas alcoólicas e tabaco, acrescenta o ministério.

Os cartões serão recarregados com uma periodicidade mensal e o montante financeiro a carregar em cada cartão social irá variar de acordo com a composição do agregado familiar.

"O objetivo é que estes cartões eletrónicos funcionem na rede de retalhistas do setor alimentar, garantindo uma cobertura geográfica dos serviços em todos os concelhos de Portugal Continental, e a respetiva ligação aos seus sistemas operativos", acrescenta o gabinete da ministra Ana Mendes Godinho.

Na nota, o gabinete refere que o FEAC é operacionalizado em Portugal pelo Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC).

"Trata-se de um mecanismo de apoio alimentar e outros bens de consumo básico, que é cofinanciado em 85% pelo Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC)", destaca o ministério, indicando que, atualmente, beneficiam deste programa "mais de 120 mil pessoas por mês em Portugal".

A portaria que cria e regula o Programa Cartões Sociais foi publicada em Diário da República em 20 de janeiro.

30.11.21

Mais de 700 toneladas de comida recolhidas no primeiro dia de Banco Alimentar

Orlando Teixeira, in Sol

"É incrível ver a quantidade de alimentos que estão aqui doados e que apesar deste tempo difícil ou se calhar, sobretudo, por causa deste tempo difícil, em que todos nós conhecemos famílias que estão em situações mais desesperadas, que os portugueses responsam presente à campanha do Banco Alimentar", referiu Isabel Jonet.

Foram pesadas, até às 23h00 deste sábado, - o primeiro dia da campanha deste ano do Banco Alimentar Contra a Fome - 720 toneladas de alimentos, o que correponde a menos 90 toneladas do que em novembro de 2019, quando decorreu a última campanha presencial.

A informação foi avançada pela presidente da organização, Isabel Jonet, à agência Lusa, acrescentado ainda que os números não são "nada de estranhar, porque estamos em menos supermercados e ainda temos muitas doações aqui no pátio para pesar".

A presidente do Banco Alimentar destaca a grande quantidade de voluntários presentes e a solidariedadedemonstrada pelos portugueses:

"É incrível ver a quantidade de alimentos que estão aqui doados e que apesar deste tempo difícil ou se calhar, sobretudo, por causa deste tempo difícil, em que todos nós conhecemos famílias que estão em situações mais desesperadas, que os portugueses responsam presente à campanha do Banco Alimentar".

A campanha do Banco Alimentar contra a fome continua este domingo, em cerca de 1200 estabelecimentos comerciais do país, contadndo com cerca de 20 mil voluntários.

Para comtribuir, basta aceitar um saco do Banco Alimentar à entrada do supermercado e, durante as compras, escolher produtos não perecíveis, como conservas, azeite, açúcar, farinha e massas, para doar. Além disso, é ainda possível comprar vales de produtos que estão disponíveis nas caixas dos supermercados, até dia 5 de dezembro. Este será o dia em que campanha termina também no site www.alimenteestaideia.pt.

Os 21 bancos alimentares existentes no país vão depois distribuir a comida localmente, também com rcurso a voluntários.

Segundo a instituição, no ano passado foram recolhidas 29.939 toneladas de alimentos, com um valor estimado de 41,9 milhões de euros.

Os bens foram entregues a 2700 instituições, contribuindo para a alimentação de cerca de 450 mil pessoas.

As campanhas de recolha de alimentos realizam-se duas vezes por ano sendo que, no ano passado, não existiu campanha presencial devido à pandemia de covid-19. Os alimentos recolhidos foram recebidos através dos donativos por vales e da plataforma "Alimente esta ideia".

19.10.21

DOIS MILHÕES DE PORTUGUESES EM RISCO DE POBREZA

in tvi24

Há dois milhões de portugueses em risco de pobreza e exclusão social. Destes, a maioria vive com menos de 540 euros por mês. Os dados foram revelados neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Caso os apoios sociais fossem retirados, cerca de dois milhões de duzentos mil portugueses estariam nesta situação.


6.5.21

Banco Alimentar de São Miguel serve mais 200 famílias desde início da pandemia

in Sapo24

O Banco Alimentar Contra a Fome de São Miguel está a servir mais 200 famílias do que servia no início da pandemia, distribuindo aproximadamente 1.700 cabazes por mês, adiantou hoje a presidente desta estrutura, Luísa César.

Ao todo, são distribuídos cerca de 1.700 cabazes por mês, sendo que cerca de 70% destes cabazes dizem respeito ao programa comunitário e os restantes provêm de donativos.

Em declarações aos jornalistas, a presidente do Banco Alimentar de São Miguel, Luísa César, afirmou que, "no ano passado, nos meses de março e abril, quando houve este choque" da pandemia de covid-19, "verificou-se uma grande necessidade por parte da população", já que "pessoas que nunca tinham tido necessidade, de um momento para o outro, ficaram sem rendimentos".

Os números mostram um pico de 792 sinalizações em abril de 2020, quando até ali estavam na casa das duas centenas.

"O Banco Alimentar, nessa altura, avançou -- este e os outros Bancos Alimentares do país --, através de uma iniciativa que ainda está em funcionamento, que é a rede de emergência alimentar. Por essa via, foi possível angariar muitos alimentos, por parte de empresas, até particulares".

Com o agravamento da crise, "as empresas têm dificuldades" em apoiar, mas aquela estrutura "mantém a sua resposta, à custa dos donativos".

Luísa César admite que o Banco Alimentar de São Miguel "tem vindo a utilizar os seus fundos exatamente para comprar o necessário", de forma a dar resposta a todos os pedidos.

A presidente da direção falava aos jornalistas durante a visita do vice-presidente do Governo Regional às instalações da organização, que este ano celebra 25 anos.

Artur Lima destacou a "importância do voluntariado" e "a importância destas instituições, quando existem situações sociais de necessidade", como as que a pandemia de covid-19 veio agravar.


Sobre a pobreza na região, o governante disse que está a ser feita a "avaliação da estratégia que foi implementada de combate à pobreza [e à exclusão social]" pelo anterior Governo.

"Tem, naturalmente, aspetos positivos, que iremos aproveitar, e também queremos imprimir diferenças e introduzir modificações que possam melhor servir as pessoas", explicou.

O responsável pela tutela da Solidariedade Social lembra que se está "numa altura de pandemia, em que não é possível fazer grandes alterações", uma vez que é preciso "acudir às necessidades imediatas das pessoas".

O centrista sublinhou ainda uma iniciativa do Banco Alimentar de São Miguel, "que é de não [só] dar o peixe, mas também ensinar a pescar, para que as pessoas possam ter as suas próprias hortas, cultivar os seus produtos, num projeto de sustentabilidade que é muito importante para as famílias".

A iniciativa tem o "compromisso do Governo também de colaborar nesta missão, que é para o bem de todos e que é também do combate à pobreza, ensinando as pessoas, qualificando as pessoas, porque só assim é que se pode sair da pobreza".

Essa é, também, a estratégia do Governo para reduzir o número de dependentes do Rendimento Social de Inserção (RSI) na região, recorda, dizendo que este subsídio "é uma ferramenta e um instrumento que deve ser usado para quem dele necessita", mas que se deve "sempre qualificar as pessoas para que dele não venham a precisar, para que aqueles que precisem, na altura própria, o tenham".

Os Açores têm atualmente 191 casos positivos ativos: 181 em São Miguel, sete nas Flores, dois em Santa Maria e um na Terceira.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados 4.946 casos positivos de covid-19 na região, tendo recuperado da doença 4.602 pessoas e morrido 31.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.214.644 mortos no mundo, resultantes de mais de 153,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.981 pessoas dos 837.715 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

ILYD // MCL

Lusa/Fim

3.5.21

Aumento dos pedidos de ajuda leva Assistência Médica Internacional a realizar novo peditório nacional

in o Observador

O montante angariado destina-se a financiar o reforço dos projetos da AMI de luta contra a pobreza e exclusão social em Portugal, para dar resposta aos efeitos da pandemia e ao agravamento da pressão.

Desde a declaração do primeiro período de estado de emergência, a AMI teve a necessidade de iniciar projetos de primeira linha, como o apoio na distribuição alimentar de urgência

A AMI — Assistência Médica Internacional — vai realizar um novo peditório nacional para fazer face ao aumento de pedidos de ajuda, tendo apoiado, em média, mais de 3.500 pessoas por mês entre janeiro e março de 2021.

Em comunicado, a organização não governamental (ONG) portuguesa anuncia que entre 3 e 9 de maio voltará a fazer um peditório nacional, novamente em formato exclusivamente online, para “fazer face às exigências da conjuntura atual”. “O montante angariado destina-se a financiar o necessário reforço dos projetos da AMI de luta contra a pobreza e exclusão social em Portugal, para dar resposta aos efeitos colaterais da pandemia e ao consequente agravamento da pressão social que se faz sentir no aumento de pedidos de ajuda”, justifica a ONG.

A organização adianta que, através dos vários equipamentos sociais espalhados pelo país, apoiou nos primeiros três meses deste ano, em média, 3.554 pessoas por mês, das quais 130 eram novos casos de pobreza, o que representa “um aumento de 12% e 10%, respetivamente, em relação ao período homologo do ano anterior”. Entre janeiro e março, houve 389 pessoas que precisaram da ajuda da AMI pela primeira vez, um “acréscimo de 11% em relação ao mesmo período de 2020”.

“O aumento do número de pessoas que recorreram à AMI pela primeira vez verificou-se sobretudo nos Centros Porta Amiga do Porto (53%) e Vila Nova de Gaia (21%), devido ao aumento da procura de apoio alimentar“, lê-se no comunicado. Segundo a AMI, houve mais 641 pessoas (65%) a procurarem essa ajuda do que entre janeiro e março de 2020.

Desde a declaração do primeiro período de estado de emergência, a ONG viu-se obrigada a ter os seus abrigos noturnos, em Lisboa e no Porto, abertos 24 horas, tendo também passado a gerir um Centro de Alojamento de Emergência Municipal para mulheres em situação de sem-abrigo, criado pela autarquia de Lisboa, no âmbito do combate à Covid-19.

Além disso, a AMI teve “necessidade de iniciar projetos de primeira linha”, como a gestão de novos abrigos de emergência ou o apoio na distribuição alimentar de urgência, “contrariando o principal objetivo da AMI de promover e facilitar a inclusão e integração social de grupos com dificuldades de inserção”.

A ONG explica ainda que estes peditórios são uma das muitas formas de angariação de fundos para ajudar a financiar os projetos da organização e que, pelo segundo ano consecutivo o peditório realiza-se através das redes sociais, “pelo que o apoio de todos para partilhar, doar e incentivar a participação na iniciativa, é fundamental”. A doação poderá ser feita através da aplicação MB Way, da rede de Multibanco, por transferência bancária ou através de donativo online, através da página da AMI.