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11.11.22

A pobreza no trabalho e o salário mínimo (e outros mitos)

Susana Peralta, opinião, in Público

Não parece haver uma relação clara entre o aumento do salário mínimo e a redução da pobreza no trabalho. Esta até aumentou entre 2018 e 2019, apesar do aumento do salário mínimo.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza foi a 17 de outubro. Com ele, o número de pobres em Portugal voltou às bocas do mundo. Os últimos valores conhecidos são do final do ano passado e dizem respeito à situação de pobreza ao longo do ano de 2020. Só saberemos o que aconteceu em 2021 quando o INE divulgar os resultados do Inquérito às Condições de Vida e do Rendimento recolhido em 2022, o que acontecerá nos próximos meses.

A equipa do Balanço Social, a parceria entre a Fundação la Caixa e a Nova SBE para estudar estes temas, quis dar o seu modesto contributo para o debate sobre a erradicação da pobreza estudando a pobreza no trabalho. Com o Bruno P. Carvalho, a Mariana Esteves e o Miguel Fonseca, pegámos nos dados do Inquérito às Condições de Vida e do Rendimento e fomos conhecer melhor a realidade da pobreza no trabalho. Fizemo-lo utilizando os dados de 2019, uma vez que os de 2021 ainda não estão disponíveis, e os de 2020 retratam uma situação excecional, devido à pandemia. A pobreza no trabalho está envolta em mitos, que uma análise cuidada dos dados ajuda a desconstruir.


28.10.22

Município de Redondo participa na Focus Week Distrital de Luta Contra a Pobreza!

Escrito por Ana Rocha, in Rádio Campanário

O Município de Redondo aderiu à iniciativa da “Focus Week Distrital”, promovida pela EAPN/Rede Europeia Anti-Pobreza, usando uma peça de roupa branca, como símbolo de combate à pobreza.

Este ano o evento decorre de 17 a 24 de outubro.

Este evento pretende chamar a atenção para a necessidade de combate à pobreza.

A luta contra a pobreza e a exclusão social deve ser assumida por todos os atores sociais, desde a sociedade civil, passando pelos órgãos de decisão política de nível local, regional e nacional. Neste contexto, podem associar-se à EAPN Portugal as pessoas singulares ou coletivas que se identifiquem com a sua missão e se proponham contribuir para os seus objetivos. A base associativa distribui-se pelas seguintes categorias: Associados individuais, Associados coletivos, Associados honorários e Associados por inerência.

24.10.22

Marcelo pede “novos modelos de acção” para concretizar a estratégia antipobreza adoptada em 2021

in Público online

No Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o Presidente da República pede “vontade e ambição” no combate a esta realidade “que persiste” na sociedade portuguesa.

O Presidente da República defendeu nesta segunda-feira a necessidade de Portugal avançar na concretização das metas da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 com “novos modelos de acção” para enfrentar o problema, e lembrou que “quase dois milhões de portugueses são pobres”.

Numa mensagem colocada no portal da Presidência na Internet, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, Marcelo Rebelo de Sousa pede “vontade e ambição” no combate a esta realidade “que persiste” na sociedade portuguesa.

“Falar de combate à pobreza e às desigualdades em Portugal é antes de mais falar de uma sociedade envelhecida, onde os mais velhos correm maior risco de pobreza e exclusão social. Falar de combate à pobreza e às desigualdades em Portugal é falar de uma sociedade onde as causas estruturais da pobreza se cristalizaram ao longo de anos, para não dizer décadas, e que passam de geração em geração”, lembra o chefe de Estado.

Falar de combate à pobreza é também, segundo o Presidente da República, “falar nesse lastro que afecta o nosso presente, e que terá consequências no nosso futuro, porque atinge as nossas crianças”, mas também “assumir esta realidade e olhá-la de frente, apontando caminhos para a sua resolução”. “Caminhos que coloquem este desafio, e sobretudo o desafio do combate à pobreza infantil e entre os idosos, enquanto desígnio nacional”, acrescenta.

Marcelo considera que o caminho “começou já a ser trilhado com a publicação, no final do ano passado, da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030, com objectivos mensuráveis, nomeadamente retirando 660 mil pessoas da situação de pobreza e reduzindo para metade a taxa de pobreza nas crianças e entre trabalhadores”.

“Impõe-se, e as efemérides como a que hoje se assinala servem para sublinhar esse facto, a concretização destas metas, com uma abordagem diferente à pobreza, encarada como um desafio que todos temos de partilhar, adoptando novos modelos de acção, capazes de enfrentar as novas formas de pobreza que invadem o mundo e que marcarão de maneira decisiva as próximas décadas”, conclui o chefe de Estado.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza foi também assinalado pela Unicef Portugal. A organização aproveitou para sinalizar que esta é uma realidade que “já está a afectar as crianças e os jovens” no país.

Rede Europeia: campanha alerta para aumento da pobreza no País

in Voz da Planície

A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal) tem no terreno uma campanha nacional para “sensibilização da sociedade e poderes políticos sobre a crescente pobreza no País”.

A campanha #POBREPOVO foi lançada na passada segunda-feira, 17 de outubro - dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, e revela “realidades dramáticas de muitas e muitos portugueses", em espaço público, com 20 cartazes diferentes, assinados por Miguel Januário, colocados nos 18 distritos representados pela EAPN Portugal e na Madeira.

A EAPN Portugal pretende que “a campanha seja contínua, tão longa quantas histórias existirem para revelar”.

Para além dos cartazes, foi criada uma conta de Instagram própria (@pobrepovo), onde são partilhados os testemunhos e conteúdos relacionados com a iniciativa.

“Utilizar o trabalho em rede e em parceria”, bem como “sensibilizar a população para a pobreza e a exclusão social”, são propósitos das diversas iniciativas que a instituição vai desenvolvendo, explica a diretora executiva da EAPN Portugal, Sandra Araújo.

Casa da Cultura transformada em jardim simbólico

in Linhas de Elvas

Uma exposição de flores, elaboradas pelos membros do Conselho Local de Acção Social de Elvas (CLASE), foi inaugurada quinta-feira, dia 20 de Outubro, na Casa da Cultura, para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e o Dia Mundial para a Igualdade.

A mostra vai ficar patente ao público até ao final do mês de Outubro.

À semelhança de anos anteriores, esta iniciativa tem também como objectivo reunir instituições e sociedade civil, pelo que a ideia foi criar um jardim simbólico, onde se pode “semear e colher” princípios de mudança e esperança, na concepção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Esta é uma actividade dinamizada conjuntamente com a EAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza, o NAVVD de Portalegre e a APAV do Alto Alentejo.

Rede Europeia Anti-Pobreza lança campanha para expor "realidades dramáticas" em Portugal

in o Observador

Iniciativa da Rede Europeia Anti-Pobreza tem por base 20 cartazes diferentes com "uma imagem direta e crua, monocromática e escura, remetendo para o luto".

▲As ações fazem parte da semana que assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que a rede celebra com mais de 135 atividades entre 17 e 24 de outubro

A Rede Europeia Anti-Pobreza (REAP) vai colocar nas ruas de Portugal uma campanha de sensibilização para a situação de pessoas que vivem “uma realidade dramática", sem possibilidade de assegurar refeições, habitação e conforto para os filhos.

“Pobre Povo” é o nome da campanha, neste dia anunciada e que estará na rua em 17 de outubro, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“Testemunhar e denunciar a crescente pobreza no nosso país” é o objetivo da campanha nacional anunciada pela REAP, que promete revelar “realidades dramáticas de muitas e muitos portugueses “.

A iniciativa tem por base 20 cartazes diferentes com “uma imagem direta e crua, monocromática e escura, remetendo para o luto“.

Cada cartaz conta uma história, um testemunho, adaptado de frases recolhidas nos conselhos locais de cidadãos da rede em Portugal.

“Já não sei qual é o sabor da carne. Normalmente janto pão, ou, com sorte, bolachas” ou “Tivemos que entregar a casa. Daqui a um mês vamos para a rua viver, com os miúdos” e “Por causa das rendas vivo a 35km do trabalho. Saio às 5h de casa e chego às 22h.” são exemplos do que constará nos cartazes.

“Enquanto o grave problema que é a pobreza não estiver resolvido, seremos todos, todo o povo, responsável e pobre porque permite este flagelo e porque falha enquanto sociedade”, defende a diretora executiva da REAP, Sandra Araújo, citada no comunicado de apresentação da campanha.

Além dos cartazes, a campanha terá uma conta de Instagram própria (@pobrepovo), onde serão partilhados os testemunhos e conteúdos relacionados com a iniciativa.

As ações fazem parte da semana que assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que a rede celebra com mais de 135 atividades entre 17 e 24 de outubro.

Rede Europeia Anti-Pobreza vai expor "realidades dramáticas" em Portugal

Por Notícias ao Minuto

A Rede Europeia Anti-Pobreza (REAP) vai colocar nas ruas de Portugal uma campanha de sensibilização para a situação de pessoas que vivem "uma realidade dramática", sem possibilidade de assegurar refeições, habitação e conforto para os filhos.

"Pobre Povo" é o nome da campanha, hoje anunciada e que estará na rua em 17 de outubro, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

"Testemunhar e denunciar a crescente pobreza no nosso país" é o objetivo da campanha nacional anunciada pela REAP, que promete revelar "realidades dramáticas de muitas e muitos portugueses ".

A iniciativa tem por base 20 cartazes diferentes com "uma imagem direta e crua, monocromática e escura, remetendo para o luto".

Cada cartaz conta uma história, um testemunho, adaptado de frases recolhidas nos conselhos locais de cidadãos da rede em Portugal.

"Já não sei qual é o sabor da carne. Normalmente janto pão, ou, com sorte, bolachas" ou "Tivemos que entregar a casa. Daqui a um mês vamos para a rua viver, com os miúdos" e "Por causa das rendas vivo a 35km do trabalho. Saio às 5h de casa e chego às 22h." são exemplos do que constará nos cartazes.

"Enquanto o grave problema que é a pobreza não estiver resolvido, seremos todos, todo o povo, responsável e pobre porque permite este flagelo e porque falha enquanto sociedade", defende a diretora executiva da REAP, Sandra Araújo, citada no comunicado de apresentação da campanha.

Além dos cartazes, a campanha terá uma conta de Instagram própria (@pobrepovo), onde serão partilhados os testemunhos e conteúdos relacionados com a iniciativa.

As ações fazem parte da semana que assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que a rede celebra com mais de 135 atividades entre 17 e 24 de outubro.

Comemora-se hoje o Dia Mundial da Erradicação da Pobreza!

in Rádio Campanário

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza celebra-se a 17 de outubro.

A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano.

Antes, a 17 de outubro de 1987, Joseph Wresinski, o fundador do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou as pessoas a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Paris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao seu apelo responderam cem mil pessoas.

A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objetivos de desenvolvimento do milénio, definidos no ano de 2000 por 193 países membros das Nações Unidas e por várias organizações internacionais.

Neste dia se dá voz aos pobres e se unem esforços para acabar com a pobreza.

A pobreza em Portugal segue desde 2017 uma tendência crescente, após dois anos de pandemia e com a chegada da guerra à Europa, a situação piorou e a previsão é a de que vai agravar-se.

De acordo com um estudo agora apresentado pelo Pordata, “Esta é mais uma crise global, que atinge de forma muito particular as camadas mais vulneráveis da sociedade, acelerando a degradação de uma situação já precária. Portugal, que já vinha registando uma tendência preocupante no que diz respeito ao aumento da pobreza, também tem sido afetado pelo panorama atual, que não apenas dificulta a melhoria desta situação, como também a agrava”.

Há três grupos especialmente mais afetados: - famílias com filhos; - desempregados; e, - pessoas com mais de 65 anos.

Luísa Loura, Diretora da Pordata revelou dados mais concreto e diz que “Portugal tem uma população pobre só com base nos rendimentos, ou seja, sem contar ainda com os apoios sociais, de cerca de 4.400 milhões de pessoas”, um número que, diz, baixa para “cerca de 1.900 milhões de pessoas”, se forem tidos em conta os apoios sociais, como o Rendimento Social de Inserção (RSI).

Quanto aos desempregados, 2020 trouxe uma inversão da tendência. pois o mesmo aumentou cerca de 23% face ao periodo pré-pandemia.

Com a chegada da pandemia assistiu-se a um aumento de "22,5% face a 2019". E, no ano passado, não só não houve recuos, com aumentou cerca de 23% face ao período pré-pandemia assim como aumentou o número de beneficiários de RSI.

Já no que diz respeito aos idosos em 2021 eram mais 1,6 milhões os pensionistas da Segurança Social que viviam com pensões inferiores ao salário mínimo nacional (665 euros).

Fonte: Pordata

Município de Felgueiras exibe documentário sobre combate à pobreza e exclusão social

By Ana Magalhãesin a Verdade

A Câmara Municipal de Felgueiras associou-se à EAPN Portugal – Rede Europeia Anti-Pobreza, na promoção de ações de sensibilização junto da sociedade em geral e das entidades com responsabilidades na área do combate à pobreza e exclusão social.

Desta forma, vai promover a apresentação de um documentário sobre a temática, que acontece no dia 21 de outubro, pelas 15h00, no Centro Intergeracional da Lixa. “Os felgueirenses terão a possibilidade de assistir ao documentário intitulado “Eu Sou” e de o debater com o realizador Filipe Gaspar”, foi referido pela autarquia.

As inscrições para assistir a este documentário decorrem até ao próximo dia 19 de outubro, através do envio de um e-mail para acaosocial@cm-felgueiras.pt, ou através do contacto telefónico – 255 318 000.

Refira-se que a EAPN Portugal produziu, em 2021, um documentário com testemunhos de cidadãos, partindo das histórias pessoais de um grupo de pessoas que experienciaram a pobreza.

O documentário “Eu Sou”, de autoria de Filipe Gaspar e Bruno Moreira, “convida-nos a despedaçar as barreiras sociais que nos separam da mais profunda essência humana. São relatos de alegria, mas também episódios marcados pela violência, pelo ódio ou pela escassez de esperança. Uma trajetória pelas vivências do RSI, do desemprego, da maternidade, do idadismo, da doença, que traduzem bem a importância do Estado Social na sociedade portuguesa”, foi referido em comunicado.

"Pobres passarão fome ou congelarão este inverno" se governos não agirem

in JN

Os governos devem adaptar os benefícios sociais e os salários à inflação galopante global, caso contrário "perder-se-ão vidas", advertiu, esta segunda-feira, o relator da ONU Olivier De Schutter, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

"Os orçamentos familiares em todo o mundo estão a ser esticados até ao limite, o que significa que os mais pobres passarão fome ou congelarão este inverno, a menos que sejam tomadas medidas imediatas para aumentar as suas receitas", disse De Schutter, relator especial sobre a pobreza e direitos humanos, em comunicado.

Inflação. "Guerra fiscal" em Espanha provoca descida de impostos e nova taxa sobre fortunas

Crise. Países Baixos sobem salário mínimo e impostos e controlam preços devido à inflação

O relator, que irá falar hoje no Conselho da Europa em Estrasburgo (França), salientou que a subida de preços dos produtos básicos, a par da crise já provocada pela pandemia de covid-19, poderá deixar entre 75 milhões a 95 milhões de pessoas em situação de pobreza este ano.

Olivier De Schutter destacou também a urgência em melhorar o isolamento térmico das residências perante o inverno que se avizinha no hemisfério norte, onde pode haver uma grande escassez de gás como consequência indireta da guerra na Ucrânia.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, hoje assinalado (17 de outubro), foi instituído oficialmente pelas Nações Unidas em 1992.

Pandemia aumentou números de pobres pela primeira vez desde 2014

Por ECO e Lusa

No primeiro ano de pandemia, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% face a 2019. Foi a primeira vez desde 2014 que este número cresceu.

Em 2020, o número de pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social aumentou 12,5% face a 2019. O ano da chegada Covid-19 marcou o primeiro ano desde 2014 em que cresceu o número de desfavorecidos cresceu, segundo os dados da Pordata para o Dia Internacional da Pobreza, citados pelo Diário de Notícias (acesso livre), pelo Jornal de Negócios (acesso pago) e Público (acesso condicionado).

“Portugal desviou-se da trajetória de redução da pobreza que vinha a fazer desde 2014. Em 2020 houve um agravamento. Sem os apoios sociais, 4,4 milhões são pobres ou têm rendimentos abaixo do limiar da pobreza [554 euros mensais], o que passa para 1,9 milhões após as transferências sociais”, afirma Luísa Louro, diretora da Pordata.

Nesse sentido, Portugal está ainda longe de atingir a meta de ter menos 765 mil pobres até 2030. Já no que diz respeito ao risco de pobreza ou de exclusão social, Portugal recuou a níveis de 2017 (43,7 % contra 43,5 %). Em relação aos 27 países da União Europeia, Portugal é o segundo em que há mais pessoas a viverem em más condições materiais, isto é, em alojamentos com más condições, com 25% da população nesta situação.
Instituições recorrem mais ao Banco Alimentar para enfrentar aumento de famílias carenciadas

O aumento generalizado do preço dos alimentos, a par do gás e da eletricidade, está a ter impacto nas instituições sociais, que fazem mais pedidos ao Banco Alimentar para conseguirem apoiar o número crescente de famílias que pedem ajuda.

O fenómeno, apesar de ainda não estar quantificado, já é sentido no Banco Alimentar Contra a Fome (BA) desde há algum tempo, com um aumento de pedidos por parte das instituições, não só porque têm mais famílias a pedir-lhes ajuda, como as próprias instituições “precisam de mais dinheiro para fazer face ao custo dos consumos das suas próprias cozinhas”, adiantou a presidente do BA, Isabel Jonet.

A ‘Ajuda de Mãe’ é uma das instituições que recebe bens alimentares através do Banco Alimentar, que usa, não só para a confeção de refeições nas três residências, onde acolhem grávidas adultas e adolescentes ou mães adolescentes com os seus bebés, mas também para a entrega de cabazes com alimentos e confeção de refeições no refeitório.

Em declarações à agência Lusa, a presidente desta associação de solidariedade social contou que em 2021 prestaram apoio a 1.200 famílias de mães grávidas com bens de primeira necessidade, além do apoio social e psicológico.

Madalena Teixeira Duarte adiantou que a Segurança Social atualizou em 2022, e desde janeiro, o valor das comparticipações pagas às instituições e que o reforço da verba paga para os acolhimentos residenciais também foi superior ao habitual “para fazer face ao aumento do custo de vida”, mas garante que “não é suficiente”.

“Só para lhe dar um exemplo: noutro dia estava a falar com a responsável por uma das residências, que me dizia que tudo o que dantes gastávamos em carne dava para dois meses e agora não chega para um mês e meio”, exemplificou, admitindo que isso possa vir a ter como consequência que mães e bebés tenham que “comer ligeiramente diferente”.

Por outro lado, apontou que a ‘Ajuda de Mãe’ está a apoiar mais famílias – em 2021 ajudou cerca de 700 – com a entrega de produtos de higiene ou fraldas porque também estes bens ficaram mais caros e, por isso, difíceis de adquirir por estas pessoas.

C. Lopes chegou a Portugal com a família, vinda do Brasil, em novembro do ano passado. Desempregada desde o sétimo mês de gravidez, precisou de recorrer à ‘Ajuda de Mãe’ há cerca de quatro meses, quando soube que teria de comprar medicamentos específicos para a asma e pele atópica de um dos seus três filhos e percebeu que só com o salário de cerca de 740 euros do marido não seria possível fazer face a todas as despesas de uma família de quase seis pessoas.

Da ‘Ajuda de Mãe’ tem agora “bastante suporte na gestação, cuidados, ajuda de alimentação”, esta última na forma de um cabaz de alimentos que chega a casa de C. com “o básico”, desde arroz, massa, feijão, azeite, “às vezes biscoitos para as crianças”, iogurtes, entre outras coisas. Carne, peixe ou fruta já tem de ser a família a comprar.

“Economizamos em tudo, em gás, em água. Agora também comecei a receber um cabaz da junta de freguesia e juntando os dois, um pouquinho daqui, um pouquinho dali, dá para poder passar o mês”, contou. Quando chegou em novembro, C. encontrou os produtos alimentares com “valores bem diferentes do que estão agora”.

“Coisas que eu comprava para as crianças, não compro agora. Eles gostam de bastantes frutas, verdura. O que eu compro nesta semana, [na] semana que vem já não compro por conta do preço. Os biscoitos aumentaram, o pão aumentou. Tem muita coisa de que eles gostam que eu não compro como no inicio. Aumentou tudo, na verdade”, lamentou. Ainda assim, e apesar das dificuldades, a segurança e a qualidade da escola pública justificam a decisão de imigrar para Portugal.

Segundo a presidente da ‘Ajuda de Mãe’, a instituição recebe do Banco Alimentar produtos bens como arroz, massa ou enlatados, com os quais ajuda cerca de 60 famílias e fornece as residências, enquanto de outros parceiros vêm as fraldas ou os produtos de higiene. Uma grande superfície doava o peixe, mas outro tipo de alimentos, como carne, fruta, legumes ou ovos é a própria instituição que tem de comprar.

Para fazer face a essa, como a outras despesas, a instituição também tenta criar fundos próprios e Madalena Teixeira Duarte contou que foi criado um projeto de combate ao desperdício em que os excedentes alimentares, e alguns donativos, eram transformados em doces e compotas, que depois eram vendidos no Natal. “De repente, o açúcar passou de 0,89 euros para 1,29 euros. Agora de que maneira é que as nossas compotas vão ser vendidas”, questionou.

A responsável alertou que “isto são tudo dificuldades que as instituições enfrentam”, não só no que compram no dia-a-dia, mas também com o aumento do preço do gás ou da eletricidade, mas também porque lhes “restringe esta capacidade de angariação de fundos que depois iria contribuir para o apoio efetivo” de famílias.

Segundo a presidente da ‘Ajuda de Mãe’, o aumento do custo de vida vai obrigar a instituição a repensar gastos e se calhar a abdicar de alguns projetos, já que aliado ao aumento dos preços estará o aumento do salário mínimo nacional em 2023.

Madalena Teixeira Duarte receia que o futuro vá “ser um tempo difícil”, com cada vez mais pessoas a pedir ajuda junto das instituições, uma realidade que a presidente do Banco Alimentar constata diariamente, quando abre os mails que chegam à sua caixa de correio eletrónico.

Segundo Isabel Jonet, para já, há mais pedidos de ajuda, mas ainda não há redução no número de doações, tendo em conta que a mais recente campanha de recolha decorreu em maio e a próxima será no final de novembro. Ao mesmo tempo, o volume doado pela indústria e pela agricultura mantém-se inalterado, o que poderá querer dizer que ou ajustaram a produção ou mantêm o volume de vendas.

Defendeu que deve ser explicado às famílias que a conjuntura atual não é de curto prazo e alertou que a inflação vai refletir-se por largos meses nos orçamentos das famílias, com “maior incidência nas famílias mais carenciadas porque não têm folga orçamental”.

Para a presidente do BA, é, por isso, “muito previsível que vá aumentar o número de pessoas que vão ficar numa situação muito difícil e em pobreza”, tendo em conta o aumento dos preços dos alimentos, da energia e das taxas de juro em simultâneo.

(Notícia atualizada às 9h02 com mais informação)

23.10.22

Portugal, um país com mais pobres!

António Ferraz, opinião,  in Correio do Minho

A propósito do “Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza” recentemente celebrado, aborda-se o estado do risco de pobreza ou exclusão social em Portugal e na União Europeia (UE-27), comparando as duas realidades. Segundo dados emanados do Relatório das Condições de Vida e Rendimento – Eurostat 2021, na UE-27, 21,7% (95,4 milhões de pessoas) da sua população situava-se em risco de pobreza ou exclusão social (um em cada cinco europeus). Um aumento de 0,1% face ao ano anterior de 21,6% (94,8 milhões de pessoas).

Por risco de pobreza ou exclusão social entende-se o conjunto de pessoas que em um país vivem em agregados familiares que tenham pelo menos um de três dos seguintes fatores:
(a) risco de pobreza;
(b) privação material e/ou social severa;
(c) muito baixa intensidade laboral. A taxa de pobreza ou exclusão social espelha a relação entre esse conjunto de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social e a totalidade da população. O Eurostat indica ainda que em torno de 5,9 milhões de pessoas (1,3% do total da população europeia) viviam em agregados familiares no estado o mais grave possível ao terem ao mesmo tempo os três fatores de risco de pobreza ou exclusão social referidos.
Por sua vez, as pessoas vivendo em risco de pobreza ou exclusão social na UE-27, repartiam-se:
(a) em 73,7 milhões que estavam em risco de pobreza;
(b) em 27,0 milhões que estavam em situação de privação material ou social severa;
(c) em 29,3 milhões que viviam em agregados familiares com baixa intensidade laboral.
Os níveis maiores de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na UE-27 pertenciam a Roménia (34%), Bulgária (32%) e Grécia e Espanha (28% cada). Ao invés, os países com níveis menores de pobreza ou exclusão social pertenciam a República Checa (11%), Eslovénia (13%) e Finlândia (14%).
Atente-se que se considerar apenas o primeiro fator de risco de pobreza ou exclusão social – o risco de pobreza (não atendendo aos outros dois fatores) – definido como o conjunto de pessoas auferindo um rendimento abaixo de 60% do rendimento mediano (limiar da pobreza), conclui-se que a taxa de risco de pobreza na UE-27 manteve-se estável em 2021, apesar de variações entre os países. Os países onde a taxa de risco de pobreza subiu foram: Grécia, Croácia, Letónia, Holanda e Hungria. Os países onde a taxa de risco de pobreza desceu foram: Bulgária, Finlândia, Chipre, Alemanha, Lituânia, Roménia e Suécia.

E o que se passa em Portugal? Em 2021, em Portugal, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social foi de 22,4% da sua população (mais de 2,3 milhões de pessoas), verificando-se uma subida ao passar da 13ª maior taxa (2020) para a 8ª maior taxa (2021) e acima da média da UE-27. Em suma, houve um agravamento da taxa de risco de pobreza ou exclusão social de 2,4%, passando dos 20,0% em 2020 para os referidos 22,4% em 2021. Este foi o pior agravamento nas condições de vida e rendimento das famílias no quadro da UE-27.

Quanto a taxa de risco de pobreza subiu em 2021 de 2,2% face ao ano anterior. Assim, em Portugal, em 2021, estavam em risco de pobreza as pessoas com rendimentos abaixo do limiar de pobreza no País (554 euros líquidos mensais), tendo subido dos 16,2% em 2020 para os 18,4% em 2021 (1,9 milhões de pessoas).
A principal razão explicar o aumento da taxa de risco de pobreza e exclusão social em Portugal, encontra-se na queda do rendimento das famílias com a emergência da crise da pandemia. O fenómeno foi mesmo mais grave em Portugal do que nos restantes países da UE-27. Observe-se, por fim, que a taxa de pobreza ou exclusão social em Portugal vinha revelando uma trajetória de baixa desde 2014 até 2020 quando aconteceu uma viragem com a taxa de pobreza ou exclusão social, tendo esta, começado a subir com 20,0% em 2020 e 22,4% em 2021 (Observatório Nacional – luta contra a pobreza - Relatório 2022).

Até agora, a taxa de pobreza e exclusão social foi entendida como sendo uma taxa “após as transferências sociais” (pensões de velhice e sobrevivência apoios às famílias, à educação, à habitação, doença /invalidez, desemprego e combate à exclusão social). Na verdade, caso se atenda aquela taxa mas “antes das transferências sociais”, então, haveria um “enorme” aumento ao elevar-se para cerca de 44,0% da população (4,4 milhões de pessoas). Quer dizer, em Portugal dado os seus constrangimentos económicos tem sido muito importante o papel do Estado na mitigação do fenómeno de pobreza e exclusão social!

Do exposto, infere-se que a governação portuguesa deve ter como um dos seus objetivos prioritários a redução da pobreza ou exclusão social de forma sustentada, visando um Portugal mais equilibrado, mais justo e mais próximo dos países mais desenvolvidos da UE-27.

Entre algumas medidas a tomar para tal fim, destacam-se:
(1) valorização real de salários e pensões (o que não sucede com a proposta de OE-2022);
(2) combate à precariedade laboral;
(3) legislação laboral mais favorável ao trabalho;
(4) aumento do investimento público (que tem tido um peso no PIB dos mais baixos da UE-27), indutor de crescimento económico.

Campo Maior assinala Dia para a Erradicação da Pobreza e para a Igualdade

in Rádio Elvas

Encontram-se expostos na Câmara Municipal de Campo Maior os trabalhos realizados pela Coração Delta e pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica (NAVVD), do Distrito de Portalegre, que assinalam o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e o Dia Municipal para a Igualdade, que este ano se celebrou esta quinta-feira, 20 de outubro.

A atividade foi organizada pelo setor de Ação Social da Câmara Municipal de Campo Maior, em parceria com o Núcleo Distrital de Portalegre da EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Doméstica (NAVVD) da Cruz Vermelha de Portalegre e o CLDS4G de Campo Maior.

As datas celebradas visam apelar, sensibilizar e consciencializar toda a comunidade numa escala, não só local e nacional, mas também internacional, para valores fulcrais como a Igualdade e a Não-Discriminação.

Trata-se assim de uma iniciativa cidadã, um compromisso coletivo, onde se pretende envolver toda a comunidade, promovendo o respeito pelos Direitos Humanos, pois “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

21.10.22

Rede Europeia Anti-Pobreza lança campanha para expor "realidades dramáticas" em Portugal

in o Observador

Iniciativa da Rede Europeia Anti-Pobreza tem por base 20 cartazes diferentes com "uma imagem direta e crua, monocromática e escura, remetendo para o luto".

A Rede Europeia Anti-Pobreza (REAP) vai colocar nas ruas de Portugal uma campanha de sensibilização para a situação de pessoas que vivem “uma realidade dramática“, sem possibilidade de assegurar refeições, habitação e conforto para os filhos.

“Pobre Povo” é o nome da campanha, neste dia anunciada e que estará na rua em 17 de outubro, por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

“Testemunhar e denunciar a crescente pobreza no nosso país” é o objetivo da campanha nacional anunciada pela REAP, que promete revelar “realidades dramáticas de muitas e muitos portugueses “.

A iniciativa tem por base 20 cartazes diferentes com “uma imagem direta e crua, monocromática e escura, remetendo para o luto“.

Cada cartaz conta uma história, um testemunho, adaptado de frases recolhidas nos conselhos locais de cidadãos da rede em Portugal.

“Já não sei qual é o sabor da carne. Normalmente janto pão, ou, com sorte, bolachas” ou “Tivemos que entregar a casa. Daqui a um mês vamos para a rua viver, com os miúdos” e “Por causa das rendas vivo a 35km do trabalho. Saio às 5h de casa e chego às 22h.” são exemplos do que constará nos cartazes.

“Enquanto o grave problema que é a pobreza não estiver resolvido, seremos todos, todo o povo, responsável e pobre porque permite este flagelo e porque falha enquanto sociedade”, defende a diretora executiva da REAP, Sandra Araújo, citada no comunicado de apresentação da campanha.

Além dos cartazes, a campanha terá uma conta de Instagram própria (@pobrepovo), onde serão partilhados os testemunhos e conteúdos relacionados com a iniciativa.

As ações fazem parte da semana que assinala o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que a rede celebra com mais de 135 atividades entre 17 e 24 de outubro.


Coimbra assinala Dia Internacional da Erradicação da Pobreza

in Notícias de Coimbra

Para assinalar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, 17 de outubro, a Câmara Municipal (CM) de Coimbra e o Núcleo Distrital de Coimbra da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal), em parceria com o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Coimbra e o Grupo de Trabalho – Pobreza e Exclusão Social da Rede Social de Coimbra, organizam um programa com o tema “Dia Internacional para Erradicação da Pobreza – As pessoas em situação de sem-abrigo”. A iniciativa que decorre na próxima segunda-feira, dia 17 de outubro, no Café Santa Cruz, das 10h30 às 13h00, conta com um “World Café”.

Com esta iniciativa, a CM Coimbra pretende promover a partilha e troca de conhecimento entre as entidades, refletindo sobre experiências, motivações, necessidades e estratégias utilizadas no trabalho desenvolvido com a população em situação de sem-abrigo. O “World Café” destina-se, sobretudo, às instituições que integram o NPISA – núcleo criado em janeiro de 2019 e formalizado apenas este ano pela CM de Coimbra, no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), mas vai contar, também, com a participação de pessoas que estiveram ou estão em situação de sem-abrigo.

O programa arranca às 10h30, com uma sessão de boas-vindas com a vereadora da Ação Social da CM de Coimbra, Ana Cortez Vaz, a coordenadora da EAPN de Coimbra, Paula Duarte, e a diretora do Centro Distrital de Coimbra do ISS, IP, Manuela Veloso. Pelas 11h00, segue-se a intervenção de Christian Georgescu, da Associação Saber Compreender, com um enquadramento do tema lançamento do “World Café”, às 11h15, com o tema “Como podemos motivar as pessoas a sair da rua?”, sendo esta a primeira de três mesas de debate. Seguem-se as mesas “Apoios Sociais na resposta: o que melhorar?”, com Paulo Pereira, da AMI, e “Estratégias de integração/inclusão”, com Helena Igreja, da CASA. Após a apresentação das conclusões dos trabalhos, marcada para as 12h30, a sessão é encerrada por Ana Cortez Vaz.



O NPISA Coimbra é constituído pela CM Coimbra (que coordena), pela Administração Regional de Saúde do Centro, IP, Instituto de Segurança Social, I.P. – Centro Distrital de Coimbra, Instituto de Emprego e Formação Profissional, IP – Delegação Regional do Centro, Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel, Associação Integrar, Associação Nacional de Apoio a Jovens (ANAJOVEM), Associação O Ninho da Mariazinha, Associação Todos Pelos Outros, Cáritas Diocesana de Coimbra, Centro de Apoio aos Sem Abrigo (CASA) – Delegação de Coimbra, Centro de Acolhimento João Paulo II, Cruz Vermelha Portuguesa Delegação de Coimbra, Fundação Assistência Médica Internacional (AMI) Centro Porta Amiga de Coimbra, Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP), Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco, Polícia de Segurança Pública – Comando Territorial de Coimbra e a ADEB- Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares e a Saúde em Português.

Meta para erradicação da pobreza de 3% até 2030 está longe

Por Marisa David *, in Notícias de Aveiro

A ONGD Oikos pede que se encontrem 100 formas de agir para um Mundo mais justo para assinalar o 17 de outubro: Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Em escolas, no trabalho ou em casa, todos podem fazer parte da iniciativa partilhando nas redes sociais pequenos gestos do dia-a-dia para que, num futuro próximo, nos possamos orgulhar de dizer que vivemos num mundo idealizado por todos.

Num mundo com um nível de desenvolvimento económico sem precedentes, meios tecnológicos e recursos financeiros, milhões de pessoas viverem em pobreza extrema é um ultraje moral.

Dados do Banco Mundial e da ONU, publicados nos últimos dias no relatório “Pobreza e Prosperidade”, revelam os grandes retrocessos dos últimos tempos na luta contra a pobreza extrema. Os indicadores mostram que as metas estabelecidas através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) dificilmente serão cumpridas até 2030. 17 de outubro marca o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, é preciso agir.

Os grandes retrocessos na luta contra a pobreza extrema foram reforçados pela pandemia COVID19 e, mais recentemente, pela guerra na Ucrânia. Porém, uma das causas profundas reside na crónica desigualdade. Com efeito, as disparidades têm vindo a aumentar substancialmente, sendo que se estima que a pandemia levou, aproximadamente, 70 milhões de pessoas à pobreza extrema em 2020 – o maior aumento ocorrido num único ano desde 1990. Isso leva a que 11% da população mundial esteja atualmente em situação de pobreza extrema, comprometendo o objetivo das Nações Unidas de a eliminar até 3% em 2030.

A maioria destas desigualdades concentram-se nas áreas afetadas por conflitos, nas áreas rurais, e na África Subsaariana (que, atualmente, detém 60% de todas as pessoas em situação de pobreza extrema).



Os Países em desenvolvimento são os mais afetados pelo aumento da inflação, pela depreciação significativa da moeda, pelo colapso na produção e aumentos dos custos relacionados com o serviço da dívida externa. Para além de todos estes fatores, as alterações climáticas são também um fenómeno global, mas com impactos sentidos de forma mais severa exatamente pelos mesmos países e comunidades. Locais onde as vulnerabilidades já eram alarmantes, agravam hoje a falta de acesso à água potável, causam perdas de produtividade agrícola, uma forte insegurança alimentar e o acesso a condições de habitação.

Ainda é possível uma mudança?

Todos os dias acordamos com notícias alarmantes sobre o estado do mundo, mas será que estamos a dar o nosso contributo para que tal realidade se altere?

A fórmula para erradicar a pobreza já foi repensada milhares de vezes por milhares de organizações em todo o Mundo, pessoas, entidades e Governos. As metas estão traçadas com os ODS e este é um compromisso que nos toca a tod@s: está na hora de lutarmos por uma mudança, de forma a garantir que todos os seres humanos podem alcançar o seu potencial em dignidade e igualdade, num ambiente saudável.

Neste sentido, a ONGD Oikos pretende incentivar à ação pedindo que se encontrem 100 formas de agir para um Mundo mais justo. Em escolas, no trabalho ou em casa, todos podem fazer parte da iniciativa partilhando nas redes sociais pequenos gestos do dia-a-dia para que, num futuro, nos possamos orgulhar de dizer que vivemos num mundo idealizado por todos: 100pobreza.


* Coordenadora de Comunicação da Oikos – Cooperação e Desenvolvimento é uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento portuguesa, voltada para o Mundo.

20.10.22

Coimbra assinala Dia Internacional da Erradicação da Pobreza

in o Campeão das Províncias

A Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e o Núcleo Distrital de Coimbra da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal) organizaram um programa com o tema “Dia Internacional para Erradicação da Pobreza – As pessoas em situação de sem-abrigo” para celebrar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se celebra no dia 17 de Outubro.

Esta iniciativa, que tem como parceiro o Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Coimbra e o Grupo de Trabalho – Pobreza e Exclusão Social da Rede Social de Coimbra, vai decorrer no Café Santa Cruz, das 10h30 às 13h00, e conta com um “World Café”.

A CMC pretende com esta acção promover a partilha e troca de conhecimento entre as entidades, reflectindo sobre experiências, motivações, necessidades e estratégias utilizadas no trabalho desenvolvido com a população em situação de sem-abrigo.

O “World Café” destina-se, sobretudo, às instituições que integram o NPISA – núcleo criado em Janeiro de 2019 e formalizado apenas este ano pela CMC, no âmbito da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), mas vai contar, também, com a participação de pessoas que estiveram ou estão em situação de sem-abrigo.

O programa arranca às 10h30, com uma sessão de boas-vindas com a vereadora da Acção Social da Câmara de Coimbra, Ana Cortez Vaz, a coordenadora da EAPN de Coimbra, Paula Duarte, e a directora do Centro Distrital de Coimbra do ISS, IP, Manuela Veloso. Pelas 11h00, segue-se a intervenção de Christian Georgescu, da Associação Saber Compreender, com um enquadramento do tema lançamento do “World Café”, às 11h15, com o tema “Como podemos motivar as pessoas a sair da rua?”, sendo esta a primeira de três mesas de debate. Seguem-se as mesas “Apoios Sociais na resposta: o que melhorar?”, com Paulo Pereira, da AMI, e “Estratégias de integração/inclusão”, com Helena Igreja, da CASA. Após a apresentação das conclusões dos trabalhos, marcada para as 12h30, a sessão é encerrada por Ana Cortez Vaz. O NPISA Coimbra é constituído pela CMC (que coordena), pela Administração Regional de Saúde do Centro, IP, Instituto de Segurança Social, I.P. – Centro Distrital de Coimbra, Instituto de Emprego e Formação Profissional, IP – Delegação Regional do Centro, Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel, Associação Integrar, Associação Nacional de Apoio a Jovens (ANAJOVEM), Associação O Ninho da Mariazinha, Associação Todos Pelos Outros, Cáritas Diocesana de Coimbra, Centro de Apoio aos Sem Abrigo (CASA) – Delegação de Coimbra, Centro de Acolhimento João Paulo II, Cruz Vermelha Portuguesa Delegação de Coimbra, Fundação Assistência Médica Internacional (AMI) Centro Porta Amiga de Coimbra, Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP), Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco, Polícia de Segurança Pública – Comando Territorial de Coimbra e a ADEB- Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares e a Saúde em Português.

“Normalmente janto pão”

José Soeiro, opinião, in Expresso

"Já não sei qual é o sabor da carne. Normalmente janto pão ou, com sorte, bolachas” (Isaura, 71 anos). Esta frase é apenas uma de uma série de testemunhos que, pela mão de Miguel Januário, a Rede Europeia Anti Pobreza-Portugal transformou em cartazes. De 2019 para 2020, o número de pessoas em risco de pobreza aumentou 12,5% e aumentou também a desigualdade na distribuição do rendimento. Se há pessoas e redes antipobreza, também há muitos inimigos do combate à pobreza

“Já não sei qual é o sabor da carne. Normalmente janto pão ou, com sorte, bolachas” (Isaura, 71 anos). “Tenho um tempo inteiro e dois part-times. Só vejo os meus filhos aos domingos” (Mauro, 18 anos). “Se não fosse a menina do café que às vezes cá vem, já teria morrido de silêncio” (António, 87 anos). “Para os miúdos comerem de manhã, vamos nós trabalhar com o estômago vazio” (Maria, 35 anos). “Se não fosse pelos meus filhos, já tinha desistido há muito tempo” (Jorge, 36 anos).

Estas frases são apenas algumas de uma série de testemunhos que, pela mão de Miguel Januário, a Rede Europeia Anti Pobreza-Portugal transformou em cartazes. É um mosaico possível da realidade multifacetada da pobreza, que está por estes dias nos muros de várias cidades.

Se há pessoas e redes antipobreza, também há muitos inimigos do combate à pobreza. Um deles é o fatalismo, que encara como “natural” a existência de pobres e inevitáveis as desigualdades. Outro é o individualismo, que reduz o fenómeno a um azar subjetivo ou ao resultado da incompetência das vítimas da pobreza. Estes dois obstáculos à compreensão do problema ofuscam um facto fundamental: a pobreza é, acima de tudo, um produto de escolhas económicas, da estrutura de distribuição primária do rendimento e um efeito das políticas públicas em várias áreas, da saúde à habitação, da educação à energia. Há trajetórias individuais de exclusão? Claro. Mas é na política económica, na regulação do trabalho e na provisão dos bens essenciais que se joga o combate a esta violação dos direitos humanos.

Os dados divulgados esta semana mostram o poderoso efeito das escolhas políticas. Entre 2014 e 2019, houve uma redução da pobreza. Para isso contribuíram também, a partir de 2015, compromissos dos acordos à esquerda para o crescimento do emprego e para uma política de recuperação de rendimentos (particularmente no salário mínimo, pensões e algumas prestações sociais para velhice e infância), que permitiram reduzir a taxa de risco de pobreza. A partir de 2019, essas políticas estagnaram. A pandemia e a inflação, às quais o Governo respondeu de forma tíbia, pioraram tudo e foram um grande revelador da nossa precariedade estrutural, que não foi enfrentada.

De 2019 para 2020, o número de pessoas em risco de pobreza aumentou 12,5% (Portugal passou do 13.º para o 8.º lugar no ranking da população com mais pobres na UE a 27) e aumentou também a desigualdade na distribuição do rendimento. O segundo governo de António Costa (2019-2022) foi, no contexto europeu, dos que menos gastou com medidas de proteção na pandemia.

A paralisação do turismo conviveu com o atraso e a escassez dos apoios extraordinários para desempregados e trabalhadores precários e informais, que ficaram sem fonte de rendimento. Ao mesmo tempo, na habitação, os preços não pararam de aumentar (80% entre 2010 e 2022!), o que constitui uma verdadeira tragédia para milhares de pessoas. Não é de admirar que Portugal apareça como o segundo país da Europa com mais cidadãos a viver em alojamentos com más condições (25%).


De entre os grupos mais afetados pela pobreza, destacam-se os desempregados. Continuamos com regras nas prestações de desemprego que fazem com que cerca metade dos desempregados não tenha acesso ao subsídio - seja o regular, seja o social. Várias vezes a esquerda tentou mudar isto, pondo em cima da mesa uma transformação necessária na proteção social. Mas o PS nunca quis fazê-la e só chegou a admiti-la por conveniência retórica quando estava em minoria. E há também as famílias com filhos, designadamente as monoparentais. Entre os idosos, a pobreza reduzia-se consistentemente há alguns anos, mas essa tendência mudou e a política de pensões, a confirmar-se, poderá acentuá-la, mesmo com o Complemento Solidário para Idosos.

Em 2022, contraiu-se o rendimento real disponível para os trabalhadores e pensionistas e as desigualdades já se agravaram. Este foi um ano de perda para quase todos - embora a banca, a grande distribuição e as empresas de combustíveis nunca tenham lucrado tanto. Só com a inflação, desapareceu o valor de um salário ou de uma pensão mensal. Para o ano, com aumentos abaixo da inflação, a situação vai ser pior. É certo que o Indexante de Apoios Sociais será atualizado pela lei, ao contrário do que o Governo anunciou sobre as pensões. Mas não chega.

Em geral, a política económica, social e salarial do governo vai produzir mais pobres e mais super-ricos. Ou seja, mais desigualdade. Nenhuma medida setorial, por si só, consegue inverter esta orientação global. Crescerá assim provavelmente, também, a injustiça, o desalento, o sofrimento social e individual - todas essas dimensões de que dão conta os testemunhos com que comecei este texto.

Há quase um ano, foi apresentada uma estratégia nacional para o combate e a erradicação da pobreza. Agora, o Governo nomeou uma pessoa para coordená-la. Sandra Araújo irá diretamente da direção executiva da Rede Europeia Anti-Pobreza para a coordenação da estratégia nacional. Desejo-lhe toda a sorte e inspiração para a difícil missão. Estará corajosamente ao leme de um barco a puxar para um lado, mas num mar de escolhas políticas e económicas que puxam para o outro.

21.10.21

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinalado com várias ações no distrito de Vila Real

in Universidade fm

No próximo dia 17 de outubro assinala-se o Dia Internacional para a erradicação da Pobreza.

Desde 2010 Portugal assinala a data com a iniciativa “Pelo combate à Pobreza e exclusão social”, trata-se de um leque variado de ações de sensibilização da população para a temática e simultaneamente pretende divulgar as entidade e associações que trabalham diariamente para erradicar a pobreza.

Carolina Oliveira, do Núcleo de Vila Real da Rede Europeia Anti Pobreza, refere que a celebração do dia 17 de outubro é importante para despertar consciências.

No distrito de Vila Real são 13 as ações que vão decorrer em vários concelhos. Para Carolina Oliveira a temática da pobreza e exclusão social deve ser refletida por todos, acrescentando que a pandemia da Covid-19 veio agravar mais os problemas.

Por ocasião das comemorações do dia 17 de outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a Rede Europeia Anti–Pobreza organiza conjuntamente com vários parceiros locais, um conjunto de atividades que contribuem para a sensibilização da população. Este ano, as atividades estão a decorrer até ao próximo dia 24 de outubro e o destaque vai para uma Tertúlia a decorrer na Caritas Diocesana de Vila Real sobre o Tema “Educar para transformar o Mundo” , em Sabrosa a campanha “Eu sou solidário” uma campanha de recolha de alimentos, brinquedos e material escolar, e em Murça a Campanha “Aquece-me o coração” recolha de mantas, cobertores e outros aconchegos.

FÓRUM REGIONAL DE COMBATE À POBREZA REALIZA-SE NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA

Paula Abreu, in Jornal da Madeira

Na próxima sexta-feira, dia 22, o núcleo regional da EAPN Portugal - Rede Anti-Pobreza realiza o Fórum Regional de Combate à Pobreza, subordinado ao tema "Exercer a consciência crítica e a participação".

O evento, por ocasião das comemorações do dia 17 de outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, conta com vários parceiros e terá lugar entre as 9h30 e as 16 horas, no Museu de Imprensa da Madeira (Câmara de Lobos) e conta com um leque diversificado de oradores.

A sessão de abertura contará com intervenções do presidente da direção da EAPN Portugal, Agostinho Jardim Moreira, e da secretária regional da Inclusão Social e Cidadania, Rita Andrade, seguindo-se uma palestra e uma mesa redonda. São vários os oradores a participar nestes momentos.

Segue-se uma palestra sobre a participação no desenvolvimento local, com José Manuel Henriques, investigador integrado do DINÂMIA-CET-IUL, Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território.

Antes do intervalo para o almoço, será realizada uma mesa redonda sobre ‘Linhas de ação que potenciam a capacitação e o envolvimento de cidadãos, com moderação de Licínia Freitas, do número da Madeira da EAPN, e com a presença do presidente da autarquia de Câmara de Lobos, Pedro Coelho, com Maria João Beja, membro da comissão organizadora da Estratégia Regional de Combate à Pobreza, Rui Botto, diretor do centro de empresas BPI Madeira, e de João Borges, da CRIAMAR – Associação de Solidariedade Social para o Desenvolvimento e Apoio de Crianças e Jovens.

À tarde, serão realizadas ‘conversas rápidas’ sobre ‘Iniciativas participativas emergentes e boas práticas, com moderação de Rubina Malho, da Causa Social, Associação para a Promoção da Cidadania, e que contará com intervenções de Carla Silva, da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Machico, Valentina Vezzani, da PACO Design Colaborative e de Filipe Gaspar, ator, sobre o projeto ‘Luzes, Câmara, Diversidade e Ação’, com apresentação de uma curta metragem.

De referir, por fim, que a inscrição no evento é gratuita, devendo ser realizada até ao dia de hoje, uma vez que está limitado a 80 pessoas.