Por RTP
Há cada vez mais famílias portuguesas com dificuldades financeiras. As instituições de apoio social sentem o aumento da pressão, e dizem que muitos dos pedidos de ajuda são feitos por pessoas que têm emprego. Os salários deixaram de chegar para fazer face às despesas.
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23.10.22
Há cada vez mais casos de pobreza envergonhada
in Antena 1
A Rede Europeia Anti-Pobreza encara o aumento do número de pessoas a roubar comida em supermercados como casos de pobreza escondida e envergonhada.
A vice-presidente da estrutura diz que muitas famílias da classe média estão pela primeira vez na vida a enfrentar dificuldades para comprar alimentos.
Joaquina Madeira explica que estas pessoas têm vergonha de pedir apoio alimentar e preferem realizar pequenos furtos para colmatar a falta de alguns produtos cada vez mais dispendiosos, mas elementares.
A vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que são intoleráveis estes casos de incapacidade financeira para comprar alimentos e que é necessário mobilizar ajuda para estas famílias.
Também a presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, assume que estão a aumentar os pedidos de ajuda quer da parte de famílias, quer de instituições.
Muitas das famílias que agora pedem ajuda trabalham e têm vindo a cortar nas despesas, mas já não conseguem esticar mais o ordenado.
O apoio de 125 euros traz algum alívio, mas a inflação é permanente e o apoio é único.
A presidente do Banco Alimentar explica também quais os passos que as famílias devem seguir, para pedir apoio alimentar.
A Rede Europeia Anti-Pobreza encara o aumento do número de pessoas a roubar comida em supermercados como casos de pobreza escondida e envergonhada.
A vice-presidente da estrutura diz que muitas famílias da classe média estão pela primeira vez na vida a enfrentar dificuldades para comprar alimentos.
Joaquina Madeira explica que estas pessoas têm vergonha de pedir apoio alimentar e preferem realizar pequenos furtos para colmatar a falta de alguns produtos cada vez mais dispendiosos, mas elementares.
A vice-presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza diz que são intoleráveis estes casos de incapacidade financeira para comprar alimentos e que é necessário mobilizar ajuda para estas famílias.
Também a presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, assume que estão a aumentar os pedidos de ajuda quer da parte de famílias, quer de instituições.
Muitas das famílias que agora pedem ajuda trabalham e têm vindo a cortar nas despesas, mas já não conseguem esticar mais o ordenado.
O apoio de 125 euros traz algum alívio, mas a inflação é permanente e o apoio é único.
A presidente do Banco Alimentar explica também quais os passos que as famílias devem seguir, para pedir apoio alimentar.
30.9.22
Mais de 108 mil pessoas estão a receber cabaz alimentar
Daniela Carmo, in Público on-line
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, garantiu que o cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas pode chegar a 120 mil pessoas.
São mais de 108 mil as pessoas actualmente apoiadas através do cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC). A informação foi avançada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão na manhã desta quarta-feira.
Ana Mendes Godinho referiu que, à data desta terça-feira, beneficiavam do programa um total de 108.300 pessoas. E recordou que a capacidade máxima de resposta assegurada pelo Governo, em simultâneo, pode ir até às 120 mil, número que duplicou durante o período de pandemia da covid-19. O POAPMC foi criado em 2015, na União Europeia, e pretende ser um instrumento de combate à pobreza e à exclusão sociais.
A ministra do Trabalho fez ainda um balanço relativo ao total acumulado de pessoas apoiadas desde Janeiro, valor que se fixa, até ao momento, em 134 mil. Este é um número que inclui beneficiários que entraram no programa e outros que, entretanto, saíram. Desde o arranque do programa, em 2015, foram beneficiadas 238 mil pessoas.
Sobre a alegada indicação para reduzir o número de beneficiários de 120 mil para 90 mil, Ana Mendes Godinho sublinhou que “nunca foi dada qualquer orientação para a redução de beneficiários”. “Não podia ter sido. Mantemos a capacidade de, em simultâneo, responder a 120 mil pessoas.”
Segundo a ministra, a reavaliação trimestral de elegibilidade dos beneficiários voltou a funcionar, uma vez ultrapassado o período crítico da pandemia e, por isso, fazia sentido regressar ao modelo que até então vigorava, com comprovação de critérios de acesso ao programa. Ou seja, foi essa verificação que justificou que tenha havido uma redução no número de beneficiários.
Actualmente, e admitindo as rupturas de stock que existiram e que já foram ultrapassadas, a governante adiantou também que o cabaz alimentar está a entregar 20 dos 21 produtos inicialmente previstos.
Está ainda em curso a implementação de um novo modelo de apoio às pessoas mais carenciadas que se baseia num cartão de compras que as famílias poderão utilizar directamente nos estabelecimentos comerciais, podendo, então, as famílias escolher os produtos que preferem em total liberdade e em pé de igualdade com todas as outras pessoas. Até 13 de Outubro, decorre o concurso público para as empresas fornecedoras.
Este “instrumento complementar no combate à pobreza e exclusão social”, como disse a ministra, vai, num primeiro momento, chegar a 45 mil pessoas e será complementado com a entrega de cabazes às restantes famílias.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, garantiu que o cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas mais Carenciadas pode chegar a 120 mil pessoas.
São mais de 108 mil as pessoas actualmente apoiadas através do cabaz alimentar do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC). A informação foi avançada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, durante a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão na manhã desta quarta-feira.
Ana Mendes Godinho referiu que, à data desta terça-feira, beneficiavam do programa um total de 108.300 pessoas. E recordou que a capacidade máxima de resposta assegurada pelo Governo, em simultâneo, pode ir até às 120 mil, número que duplicou durante o período de pandemia da covid-19. O POAPMC foi criado em 2015, na União Europeia, e pretende ser um instrumento de combate à pobreza e à exclusão sociais.
A ministra do Trabalho fez ainda um balanço relativo ao total acumulado de pessoas apoiadas desde Janeiro, valor que se fixa, até ao momento, em 134 mil. Este é um número que inclui beneficiários que entraram no programa e outros que, entretanto, saíram. Desde o arranque do programa, em 2015, foram beneficiadas 238 mil pessoas.
Sobre a alegada indicação para reduzir o número de beneficiários de 120 mil para 90 mil, Ana Mendes Godinho sublinhou que “nunca foi dada qualquer orientação para a redução de beneficiários”. “Não podia ter sido. Mantemos a capacidade de, em simultâneo, responder a 120 mil pessoas.”
Segundo a ministra, a reavaliação trimestral de elegibilidade dos beneficiários voltou a funcionar, uma vez ultrapassado o período crítico da pandemia e, por isso, fazia sentido regressar ao modelo que até então vigorava, com comprovação de critérios de acesso ao programa. Ou seja, foi essa verificação que justificou que tenha havido uma redução no número de beneficiários.
Actualmente, e admitindo as rupturas de stock que existiram e que já foram ultrapassadas, a governante adiantou também que o cabaz alimentar está a entregar 20 dos 21 produtos inicialmente previstos.
Está ainda em curso a implementação de um novo modelo de apoio às pessoas mais carenciadas que se baseia num cartão de compras que as famílias poderão utilizar directamente nos estabelecimentos comerciais, podendo, então, as famílias escolher os produtos que preferem em total liberdade e em pé de igualdade com todas as outras pessoas. Até 13 de Outubro, decorre o concurso público para as empresas fornecedoras.
Este “instrumento complementar no combate à pobreza e exclusão social”, como disse a ministra, vai, num primeiro momento, chegar a 45 mil pessoas e será complementado com a entrega de cabazes às restantes famílias.
29.8.22
Cerca de 25% dos proprietários de imóveis registavam rendas em atraso no primeiro semestre, aponta barómetro da ALP
Barómetro da ALP - Associação Lisbonense de Proprietários indica que no primeiro semestre um em cada quatro proprietários de imóveis tinha rendas atrasadas, sendo um terço dos atrasos de até três meses de rendas
Cerca de 25% dos proprietários de imóveis em Portugal tinham rendas em atraso no primeiro semestre, dos quais 28% correspondem a incumprimentos de mais de seis meses, segundo um barómetro da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), divulgado esta segunda-feira.
“O incumprimento contratual mantém-se como um flagelo do mercado nacional de arrendamento nos primeiros seis meses de 2022: um em cada quatro inquiridos na 5.ª edição do Barómetro da ALP (24,4%) tem rendas em atraso”, concluiu o estudo da ALP.
Entre os que têm rendas em atraso, um terço do incumprimento atinge até três meses de renda em atraso, mas uma parcela significativa de 28% dos inquiridos tem mais de meio ano de rendas por receber.
Ainda assim, apontou a associação, mais de metade dos senhorios com arrendatários incumpridores (54,4%) admitiram que não vão avançar para os tribunais ou instruir despejos.
Já quanto aos seguros de renda, que diminuem o risco do incumprimento no arrendamento, quase 30% dos proprietários inquiridos considerou os prémios muito dispendiosos e uma fatia de quase 10% não confia nas seguradoras, enquanto, por outro lado, um quinto dos respondentes disse estar aberto a equacionar essa possibilidade.
Relativamente ao Governo de maioria absoluta do Partido Socialista (PS), mais de 90% dos proprietários de imóveis disse não ter confiança no executivo, e quase metade dos respondentes (47,5%) admitiu acreditar “que pode haver a tentação de adoção de medidas populistas este ano”.
Neste sentido, mais de um quarto dos proprietários auscultados (26,4%) consideraram que a Iniciativa Liberal (IL) irá liderar a oposição ao Governo, recolhendo mais respostas que o PSD como principal partido da oposição, embora um terço dos respondentes (32,4%) tenha considerado que “nenhum partido conseguirá fazer frente à maioria absoluta do PS”.
A 5.ª edição do Barómetro ALP reuniu respostas de 259 proprietários, sendo que cerca de metade (50,8%) dos respondentes detém no máximo cinco imóveis e quase metade (46,2%) tem mais de 65 anos.
Metade dos inquiridos (48,8%) auferem até três salários mínimos brutos pelo seu património no mercado de arrendamento e quase 70% dos proprietários auferem até cinco salários mínimos brutos.
Para 39,5% dos respondentes, os rendimentos prediais são mais de metade do seu rendimento disponível, enquanto para 17,8% representam todo o rendimento de que dispõem.
Mais de metade (55%) dos proprietários auscultados são donos de imóveis na Grande Lisboa, mas o Barómetro ALP assume uma dimensão nacional, com respostas de todo o continente e também das ilhas.
Cerca de 25% dos proprietários de imóveis em Portugal tinham rendas em atraso no primeiro semestre, dos quais 28% correspondem a incumprimentos de mais de seis meses, segundo um barómetro da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), divulgado esta segunda-feira.
“O incumprimento contratual mantém-se como um flagelo do mercado nacional de arrendamento nos primeiros seis meses de 2022: um em cada quatro inquiridos na 5.ª edição do Barómetro da ALP (24,4%) tem rendas em atraso”, concluiu o estudo da ALP.
Entre os que têm rendas em atraso, um terço do incumprimento atinge até três meses de renda em atraso, mas uma parcela significativa de 28% dos inquiridos tem mais de meio ano de rendas por receber.
Ainda assim, apontou a associação, mais de metade dos senhorios com arrendatários incumpridores (54,4%) admitiram que não vão avançar para os tribunais ou instruir despejos.
Já quanto aos seguros de renda, que diminuem o risco do incumprimento no arrendamento, quase 30% dos proprietários inquiridos considerou os prémios muito dispendiosos e uma fatia de quase 10% não confia nas seguradoras, enquanto, por outro lado, um quinto dos respondentes disse estar aberto a equacionar essa possibilidade.
Relativamente ao Governo de maioria absoluta do Partido Socialista (PS), mais de 90% dos proprietários de imóveis disse não ter confiança no executivo, e quase metade dos respondentes (47,5%) admitiu acreditar “que pode haver a tentação de adoção de medidas populistas este ano”.
Neste sentido, mais de um quarto dos proprietários auscultados (26,4%) consideraram que a Iniciativa Liberal (IL) irá liderar a oposição ao Governo, recolhendo mais respostas que o PSD como principal partido da oposição, embora um terço dos respondentes (32,4%) tenha considerado que “nenhum partido conseguirá fazer frente à maioria absoluta do PS”.
A 5.ª edição do Barómetro ALP reuniu respostas de 259 proprietários, sendo que cerca de metade (50,8%) dos respondentes detém no máximo cinco imóveis e quase metade (46,2%) tem mais de 65 anos.
Metade dos inquiridos (48,8%) auferem até três salários mínimos brutos pelo seu património no mercado de arrendamento e quase 70% dos proprietários auferem até cinco salários mínimos brutos.
Para 39,5% dos respondentes, os rendimentos prediais são mais de metade do seu rendimento disponível, enquanto para 17,8% representam todo o rendimento de que dispõem.
Mais de metade (55%) dos proprietários auscultados são donos de imóveis na Grande Lisboa, mas o Barómetro ALP assume uma dimensão nacional, com respostas de todo o continente e também das ilhas.
14.7.21
Pandemia deixa mais de metade da população sem conseguir pagar despesas (ou em risco de não conseguir)
Raquel Albuquerque, in Expresso
Restrições de atividades económicas afetaram o trabalho de 36% dos portugueses, prejudicando mais os que tinham situações mais frágeis. Um quarto das famílias inquiridas no estudo da FFMS acha provável perder pelo menos um emprego nos próximos seis meses. Assimetrias económicas e sociais estão a acentuar-se - com mais desemprego entre os mais frágeis - e podem piorar com fim de moratórias
Além do desemprego causado pela pandemia, as restrições em várias atividades económicas diminuíram o volume de trabalho e os rendimentos de muitos portugueses, deixando mais de metade da população numa situação em que o que ganha já não chega para pagar as despesas ou está em risco de deixar de ser suficiente. É esta uma das conclusões preliminares do estudo “Impactos económicos, sociais e políticos da covid-19 em Portugal”, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e divulgado esta segunda-feira.
“Com os presentes dados é possível estimar com 95% de certeza que, entre 55% a 61% da população está numa situação de instabilidade económica, seja por estar em perigo eminente de entrar em desequilíbrio financeiro, ou por já ter entrado em desequilíbrio ao precisar de contrair dívidas para fazer face às despesas correntes do agregado”, afirma Maria Manuela Calheiros, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, que coordenou a análise social do estudo.
Tendo estes dados sido recolhidos durante as moratórias, há ainda um “risco de agravamento”, frisa a psicóloga social. “Esta noção deveria ser incorporada ao nível das medidas de proteção social, tornando-se claro que não é suficiente apoiar trabalhadores que têm vindo a perder as suas fontes de rendimento.”
O uso das poupanças e as dívidas que já estão a ser contraídas vão ter impactos futuros, “uma vez que as poupanças se esgotam e as dívidas têm que ser pagas”. Esses impactos “serão mais ou menos graves dependendo da rapidez e magnitude da recuperação económica já anunciada, por exemplo com os fundos europeus, mas que pode tardar a ter efeitos nas economias familiares”, defende a responsável.
IMPACTO DESIGUAL
Segundo a análise, feita a partir de inquéritos que asseguram a representatividade da população portuguesa, 38% das pessoas dizem estar numa situação de insegurança, “reportando ter gastos equivalentes aos ganhos”, e quase 20% assumem que tem sido necessário recorrer a poupanças ou contrair dívidas para fazer face aos gastos correntes.
As restrições económicas afetaram o trabalho de 36% da população, seja por terem perdido emprego ou por terem visto o volume de trabalho reduzir-se muito. Mas isso não aconteceu de forma equilibrada na população: o desemprego é reportado “com mais intensidade” pelos trabalhadores com menores rendimentos, sobretudo abaixo dos 1500 euros mensais, e quase metade dos trabalhadores por conta própria sentiu uma redução efetiva do seu trabalho.
“Se por um lado, as famílias com maiores recursos reportam precisamente ter aumentado as suas poupanças, alcançando uma situação de ainda maior conforto financeiro, são os agregados com menores recursos quem reporta com maior intensidade ter situações de desemprego ou ter diminuído o seu volume de trabalho, no caso dos trabalhadores independentes”, afirma Maria Manuela Calheiros.
Do relatório sobressaem também os setores em que a maioria das famílias identificou ter reduzido as suas despesas: a Restauração (-64% das respostas); Cabeleireiros, beleza e bem-estar (-58%); Viagens (terrestres e aéreas, -55% e -39%, respetivamente); Cultura (-54%); Vestuário (-54%); e Alojamento temporário (-49%).
O RECEIO DO DESEMPREGO EM BREVE
A par da instabilidade económica, 25% dos inquiridos acham provável que pelo menos um dos membros do seu agregado fique desempregado nos próximos seis meses, sendo esse receio mais comum entre pessoas mais velhas.
“Tendo em conta a dimensão e extensão dos efeitos da crise, este número não é surpreendente”, refere Miguel Portela, professor da Universidade do Minho e um dos investigadores envolvidos na análise económica. “Note-se que durante a recessão da economia portuguesa, no contexto crise da dívida soberana e da crise financeira internacional, a taxa de desemprego da população ativa entre 15 e 74 anos chegou aos 18%; e aos 43% no caso dos jovens entre os 15 e os 24 anos.”
Sublinhando que “desigualdade económica leva a desigualdade social, afetando o desenvolvimento da sociedade como um todo”, Maria Manuela Calheiros lembra que sociedades desiguais “trazem prejuízos para a economia, saúde pública e progresso educacional”.
A assimetria deste impacto nos diferentes grupos da sociedade “é, indiscutivelmente, um fator extremamente preocupante e já está a contribuir para acentuar as desigualdades sociais pré-existentes”, refere. E o problema também passa pelo impacto noutras áreas. “Menor capital económico potencia maiores disrupções socio-emocionais e poderá implicar também redução do capital intelectual, por exemplo. Esta propagação horizontal do risco é difícil de medir mas pode gerar dinâmicas de exclusão social severas.”
O estudo promovido pela FFMS teve como base inquéritos com três amostras de 1150 participantes cumprindo quotas de sexo, grupo etário e região. O trabalho de campo que produziu estes resultados ocorreu entre 16 de março e 20 de maio de 2021.
Realizado por investigadores do ISCTE-IUL, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, Universidade de Aveiro e Universidade do Minho, a análise foi coordenada inicialmente por Nuno Monteiro, professor em Yale, que morreu em maio, depois substituído por Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro. O estudo final deverá ser publicado na primavera do próximo ano.
Restrições de atividades económicas afetaram o trabalho de 36% dos portugueses, prejudicando mais os que tinham situações mais frágeis. Um quarto das famílias inquiridas no estudo da FFMS acha provável perder pelo menos um emprego nos próximos seis meses. Assimetrias económicas e sociais estão a acentuar-se - com mais desemprego entre os mais frágeis - e podem piorar com fim de moratórias
Além do desemprego causado pela pandemia, as restrições em várias atividades económicas diminuíram o volume de trabalho e os rendimentos de muitos portugueses, deixando mais de metade da população numa situação em que o que ganha já não chega para pagar as despesas ou está em risco de deixar de ser suficiente. É esta uma das conclusões preliminares do estudo “Impactos económicos, sociais e políticos da covid-19 em Portugal”, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e divulgado esta segunda-feira.
“Com os presentes dados é possível estimar com 95% de certeza que, entre 55% a 61% da população está numa situação de instabilidade económica, seja por estar em perigo eminente de entrar em desequilíbrio financeiro, ou por já ter entrado em desequilíbrio ao precisar de contrair dívidas para fazer face às despesas correntes do agregado”, afirma Maria Manuela Calheiros, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, que coordenou a análise social do estudo.
Tendo estes dados sido recolhidos durante as moratórias, há ainda um “risco de agravamento”, frisa a psicóloga social. “Esta noção deveria ser incorporada ao nível das medidas de proteção social, tornando-se claro que não é suficiente apoiar trabalhadores que têm vindo a perder as suas fontes de rendimento.”
O uso das poupanças e as dívidas que já estão a ser contraídas vão ter impactos futuros, “uma vez que as poupanças se esgotam e as dívidas têm que ser pagas”. Esses impactos “serão mais ou menos graves dependendo da rapidez e magnitude da recuperação económica já anunciada, por exemplo com os fundos europeus, mas que pode tardar a ter efeitos nas economias familiares”, defende a responsável.
IMPACTO DESIGUAL
Segundo a análise, feita a partir de inquéritos que asseguram a representatividade da população portuguesa, 38% das pessoas dizem estar numa situação de insegurança, “reportando ter gastos equivalentes aos ganhos”, e quase 20% assumem que tem sido necessário recorrer a poupanças ou contrair dívidas para fazer face aos gastos correntes.
As restrições económicas afetaram o trabalho de 36% da população, seja por terem perdido emprego ou por terem visto o volume de trabalho reduzir-se muito. Mas isso não aconteceu de forma equilibrada na população: o desemprego é reportado “com mais intensidade” pelos trabalhadores com menores rendimentos, sobretudo abaixo dos 1500 euros mensais, e quase metade dos trabalhadores por conta própria sentiu uma redução efetiva do seu trabalho.
“Se por um lado, as famílias com maiores recursos reportam precisamente ter aumentado as suas poupanças, alcançando uma situação de ainda maior conforto financeiro, são os agregados com menores recursos quem reporta com maior intensidade ter situações de desemprego ou ter diminuído o seu volume de trabalho, no caso dos trabalhadores independentes”, afirma Maria Manuela Calheiros.
Do relatório sobressaem também os setores em que a maioria das famílias identificou ter reduzido as suas despesas: a Restauração (-64% das respostas); Cabeleireiros, beleza e bem-estar (-58%); Viagens (terrestres e aéreas, -55% e -39%, respetivamente); Cultura (-54%); Vestuário (-54%); e Alojamento temporário (-49%).
O RECEIO DO DESEMPREGO EM BREVE
A par da instabilidade económica, 25% dos inquiridos acham provável que pelo menos um dos membros do seu agregado fique desempregado nos próximos seis meses, sendo esse receio mais comum entre pessoas mais velhas.
“Tendo em conta a dimensão e extensão dos efeitos da crise, este número não é surpreendente”, refere Miguel Portela, professor da Universidade do Minho e um dos investigadores envolvidos na análise económica. “Note-se que durante a recessão da economia portuguesa, no contexto crise da dívida soberana e da crise financeira internacional, a taxa de desemprego da população ativa entre 15 e 74 anos chegou aos 18%; e aos 43% no caso dos jovens entre os 15 e os 24 anos.”
Sublinhando que “desigualdade económica leva a desigualdade social, afetando o desenvolvimento da sociedade como um todo”, Maria Manuela Calheiros lembra que sociedades desiguais “trazem prejuízos para a economia, saúde pública e progresso educacional”.
A assimetria deste impacto nos diferentes grupos da sociedade “é, indiscutivelmente, um fator extremamente preocupante e já está a contribuir para acentuar as desigualdades sociais pré-existentes”, refere. E o problema também passa pelo impacto noutras áreas. “Menor capital económico potencia maiores disrupções socio-emocionais e poderá implicar também redução do capital intelectual, por exemplo. Esta propagação horizontal do risco é difícil de medir mas pode gerar dinâmicas de exclusão social severas.”
O estudo promovido pela FFMS teve como base inquéritos com três amostras de 1150 participantes cumprindo quotas de sexo, grupo etário e região. O trabalho de campo que produziu estes resultados ocorreu entre 16 de março e 20 de maio de 2021.
Realizado por investigadores do ISCTE-IUL, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, Universidade de Aveiro e Universidade do Minho, a análise foi coordenada inicialmente por Nuno Monteiro, professor em Yale, que morreu em maio, depois substituído por Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro. O estudo final deverá ser publicado na primavera do próximo ano.
17.2.21
Susana não queria pedir ajuda. Mas teve mesmo de pedi-la (enquanto isso a Bíblia está aberta nos Salmos, “oração por auxílio divino”)
Marta Gonçalves e Ana Baião, in Expresso
Na casa do Barreiro onde Bruno e Susana vivem há mantas nas janelas presas com molas - é para não deixar o frio entrar. Nesta casa de um só quarto, pequeno, vivem os dois e mais seis filhos entre os quatro meses e os 11 anos. Vão ser despejados
Susana não queria pedir ajuda. Mas teve mesmo de pedi-la (enquanto isso a Bíblia está aberta nos Salmos, “oração por auxílio divino”)
No parapeito da chaminé está uma pequena bíblia. O tempo trouxe àquelas folhas uma cor amarelada, o uso deixou-lhe as pontas rasgadas. A lombada está gasta de há tanto tempo o livro estar aberto entre as páginas 520 e 521 - são os Salmos, capítulo 22 ao 25, “oração por auxílio divino”. Na casa com apenas um quarto vivem oito pessoas: os pais Bruno e Susana Vaz, de 44 e 34 anos; os filhos Maísa, Yolene, Miguel, Daniela, Tiago e Davi. Nenhum dos adultos tem trabalho e o senhorio deu-lhes até ao final do mês para saírem.
“Já estamos a viver da caução. O senhorio diz que podemos ficar mas, claro, só se pagarmos a renda. Nós não temos dinheiro.” Bruno não se lembra de viver sem trabalhar. “É o que mais preciso: um emprego.” “Isso e a ajuda com os documentos”, interrompe Susana - ambos são angolanos e esperam a regularização em Portugal. Não pedem dinheiro, comida ou roupa para os filhos embora precisem. “Só quero uma vida normal como qualquer pessoa”, continua ele.
Susana é crente e é a fé que lhe vale. É pelo “profeta e estes anjinhos que tenho ao colo” que faz promessas e juras de que nunca pensou estar a viver nestas condições. No único quarto da casa montaram um varão com uma cortina para dividir o espaço: de um lado o beliche com duas camas individuais onde cabem quatro, do outro um berço para os gémeos e uma cama que parece de casal. “Tivemos de improvisar”, diz Bruno enquanto levanta a manta que tapa o colchão da cama. Afinal é apenas um colchão individual encostado a um amontoado de coisas macias que o faz parecer muito maior do que realmente é.
Há duas mantas presas à janela por molas para impedir o frio de entrar. Esta segunda-feira, com o dia de sol e aumento das temperaturas, já não escorrem gotas de água pelas paredes brancas cheias de verdete e bolor. “Os miúdos andam sempre engripados, tenho medo que isto lhes cause alguma doença”, diz Susana.
Na cozinha, junto ao fogão que não parece utilizado há vários dias, estão empilhadas quatro caixas de alumínio. “Vou duas vezes por dia à misericórdia. Dão-nos almoço e jantar para todos. Antes ainda compramos umas coisinhas para os lanches dos meninos, frutas e coisas dessas, mas agora só gastamos mesmo nas papas e no leite.”
“Nem espaço tenho para nos sentarmos todos a jantar. E isso é triste. É das coisas de que sinto mais falta”, lamenta Susana, que carrega sempre Tiago ou Davi ao colo. “No Natal ainda tentámos pôr a mesa para todos mas não dá.” Uns ficam à mesa, outros no sofá na marquise e junto à máquina de lavar a roupa, quando é preciso também ficam de pé, encostados ao pequeno balcão.
A entrada da casa de banho é uma porta de madeira tosca na cozinha. A sanita fica logo ali, a banheira é minúscula. Quando o Expresso entrou em casa da família Vaz, Daniela estava a meio de uma birra que se fazia ouvir do lado de fora por quem passa na rua. “É sempre a mesma coisa para ir tomar banho”, dizia a mãe enquanto secava o cabelo à menina enrolada na toalha em cima da cadeira da cozinha - não há espaço para o fazer noutro lado.
Maísa está no 5º ano, Yolene no 2º e Miguel na pré-primária. Estão todos em regime de ensino à distância. O pai arranjou-lhes um computador que comprou barato em segunda ou terceira mão. Um fica no computador quando funciona. Outro usa o telemóvel já partido da mãe, enquanto o terceiro fica em frente à televisão, na telescola.
O computador está bloqueado. À medida que passam junto ao computador montado na cozinha-escritório-sala de aula, Maísa e Miguel vão clicando em teclas como quem já está mais que habituado àquele acontecimento e sabe as manhas para, ainda que mal, a máquina volte a funcionar. “Está quase sempre a travar”, conta a mais velha dos seis irmãos. Ela é a mais sossegada, a que ajuda a mãe com os gémeos.
“Alguma vez lá pensei pedir ajuda? Nunca.” Sentada na beira da cama enquanto dá de mamar a Tiago, Susana fica com os olhos vermelhos e à beira das lágrimas. “Tive de ganhar coragem para fazer este apelo. Mas há um bem maior que nos faz engolir a vergonha. Pelos filhos fazemos tudo.”
O casal já pediu apoio à Segurança Social (SS) mas aguardam por respostas - no entanto, dizem-lhe que apenas ela, que tem número de SS por ter aberto atividade com recibos verdes, pode ser beneficiária. Na igreja perto de casa conseguiram roupas e alguns bens essenciais para os recém-nascidos. Ainda esta semana vão receber alguma ajuda alimentar do Cordão da Amizade, uma organização sem fins lucrativos. Além da incapacidade de continuarem a pagar a renda, a família tem ainda em atraso contas de eletricidade, água e internet. São cerca de €300 de dívidas e umas quantas ameaças de que os serviços podem ser cortados em breve por falta de pagamento.
“Estamos a tentar fazer tudo certinho. Uma vizinha minha já me avisou para ter cuidado ou ainda me aparecem aí para me levar os meninos. Isso é que não. Os meus filhos não vão para lado nenhum. Não os tive para os entregar. Os pais e filhos são para ficarem juntos em família”, diz Susana enquanto agarra Tiago ainda mais junto ao peito.
DOCUMENTOS, TRABALHO, CASA
“O meu marido já foi aqui às obras todas pedir que lhe dessem algum trabalho”, conta Susana enquanto mostra o quarto que partilha com o marido e os filhos, “não dão porque dizem que ele precisa de ter papéis para assinar um contrato”. A família tem entrevista marcada com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a 7 de abril. “Ele é um bom marido, a sério que é. Até se pode esquecer dele, mas comida em casa para os filhos nunca pode faltar.”
Susana e Bruno estão juntos há 12 anos. São os dois de Luanda, Angola. Ele trabalhou sempre em sonorização em rádios e televisões. Mais recentemente trabalhou no gabinete de comunicação e imagem do anterior Governo, presidido por José Eduardo dos Santos. “Quando veio o novo Executivo fomos todos despedidos.” Trabalhou depois numa produtora mas aquilo, acrescenta Susana, nunca foi emprego sério, “nem lhe fizeram um contrato”. Ela cozinha, tinha uma banca no mercado onde montava uma pequena esplanada e servia refeições. “O negócio acabou por falir”, explica Bruno.
O desejo por uma melhor educação e saúde para os filhos, assim como melhores empregos, levou o casal a vender todos os bens materiais que tinham. Mudaram-se para Lisboa. Chegaram a 27 de dezembro de 2019. E traziam dinheiro suficiente para se aguentarem uns tempos até Bruno e Susana encontrarem trabalho. E depois apareceu uma pandemia. A pandemia.
“Fechou tudo e ficámos confinados. Primeiro morámos em Alcântara, mas depois tivemos de sair e o preço das casas era impossível. Procurámos na Margem Sul porque era mais barato”, conta Bruno. Na zona do Barreiro começaram por alugar uma casa por €650 mas era demasiado cara e a meio de 2020 acabaram por se mudar para a casa onde agora vivem e de onde dentro de alguns dias vão ter de sair. A renda é de €400.
“Sem um contrato de trabalho e os documentos em dia não conseguimos arrendar uma casa. Desde já não temos dinheiro porque não conseguimos trabalhar e depois porque um contrato de arrendamento exige muitas coisas que não temos. Esta casa só a temos porque pagamos €2000 de caução e não temos qualquer recibo de arrendamento”, explica Susana. É a ironia da situação que a faz soltar uma gargalhada. “O meu marido está sempre a dizer que isto é um país organizado, onde são precisos papéis para tudo. Em Angola não havia nada disto e também foi por isso que viemos embora. Muitas coisas nós não fazemos ideia como se fazem ou como funcionam.”
Susana engravidou nos primeiros tempos em que o país fechou totalmente. Foram apanhados de surpresa. “Não sabíamos o que fazer, ponderámos tudo. Tínhamos medo de dar a mais um bebé estas condições de vida”, diz Bruno. Só já quase com quatro meses Susana conseguiu uma consulta. Outra surpresa: “eram gémeos”. “Nunca chorei tanto na minha vida como nesta gravidez, tive tanto medo do que ia acontecer.”
A mãe acabou por ser internada antes do fim da gestação. Passou pelos hospitais do Barreiro, Garcia de Orta até ser transferida para Coimbra por falta de camas. Voltou para o Garcia de Orta, em Almada, para ter os meninos às 33 semanas. “Estiveram dois meses internados, um mês na incubadora. Eu ainda fiquei três semanas também.”
Às vezes a mãe de Susana telefona, pede-lhe para vir visitar os netos e para vir ajudá-la. “Está sempre a dizer que quer vir para cá para ficar com os meninos em casa. Mas que condições tenho eu aqui para ela? Em Angola, nem a família de Susana nem a de Bruno sabem as condições em que estão a viver, que estão sem trabalho, sem dinheiro e à beira de serem despejados de casa. Não querem preocupar ninguém e têm vergonha do que estão a viver.
Daniela, que foi até há bem pouco tempo a mais nova da família, corre para todo lado e é a mais barulhenta. Corre de um lado para o outro, pede pelo carrinho de brincar e pela atenção do pai. “Ela é minha sombra”, diz Bruno. Mas é ao colo da mãe que acalma mais um ataque de choro. “Não quis almoçar, agora junta-se a fome com o sono”, diz Susana. “Te amo”, atira Daniela. Di-lo naquela voz fininha e de dicção pouco articulada de um bebé que começou há pouco a falar. Não saberá a força do que diz porque parece apenas repetir a expressão que ouve muitas vezes ali por casa. “Te amo”, volta a dizer. E continua. E repete. E outra vez.
Na casa do Barreiro onde Bruno e Susana vivem há mantas nas janelas presas com molas - é para não deixar o frio entrar. Nesta casa de um só quarto, pequeno, vivem os dois e mais seis filhos entre os quatro meses e os 11 anos. Vão ser despejados
Susana não queria pedir ajuda. Mas teve mesmo de pedi-la (enquanto isso a Bíblia está aberta nos Salmos, “oração por auxílio divino”)
No parapeito da chaminé está uma pequena bíblia. O tempo trouxe àquelas folhas uma cor amarelada, o uso deixou-lhe as pontas rasgadas. A lombada está gasta de há tanto tempo o livro estar aberto entre as páginas 520 e 521 - são os Salmos, capítulo 22 ao 25, “oração por auxílio divino”. Na casa com apenas um quarto vivem oito pessoas: os pais Bruno e Susana Vaz, de 44 e 34 anos; os filhos Maísa, Yolene, Miguel, Daniela, Tiago e Davi. Nenhum dos adultos tem trabalho e o senhorio deu-lhes até ao final do mês para saírem.
“Já estamos a viver da caução. O senhorio diz que podemos ficar mas, claro, só se pagarmos a renda. Nós não temos dinheiro.” Bruno não se lembra de viver sem trabalhar. “É o que mais preciso: um emprego.” “Isso e a ajuda com os documentos”, interrompe Susana - ambos são angolanos e esperam a regularização em Portugal. Não pedem dinheiro, comida ou roupa para os filhos embora precisem. “Só quero uma vida normal como qualquer pessoa”, continua ele.
Susana é crente e é a fé que lhe vale. É pelo “profeta e estes anjinhos que tenho ao colo” que faz promessas e juras de que nunca pensou estar a viver nestas condições. No único quarto da casa montaram um varão com uma cortina para dividir o espaço: de um lado o beliche com duas camas individuais onde cabem quatro, do outro um berço para os gémeos e uma cama que parece de casal. “Tivemos de improvisar”, diz Bruno enquanto levanta a manta que tapa o colchão da cama. Afinal é apenas um colchão individual encostado a um amontoado de coisas macias que o faz parecer muito maior do que realmente é.
Há duas mantas presas à janela por molas para impedir o frio de entrar. Esta segunda-feira, com o dia de sol e aumento das temperaturas, já não escorrem gotas de água pelas paredes brancas cheias de verdete e bolor. “Os miúdos andam sempre engripados, tenho medo que isto lhes cause alguma doença”, diz Susana.
Na cozinha, junto ao fogão que não parece utilizado há vários dias, estão empilhadas quatro caixas de alumínio. “Vou duas vezes por dia à misericórdia. Dão-nos almoço e jantar para todos. Antes ainda compramos umas coisinhas para os lanches dos meninos, frutas e coisas dessas, mas agora só gastamos mesmo nas papas e no leite.”
“Nem espaço tenho para nos sentarmos todos a jantar. E isso é triste. É das coisas de que sinto mais falta”, lamenta Susana, que carrega sempre Tiago ou Davi ao colo. “No Natal ainda tentámos pôr a mesa para todos mas não dá.” Uns ficam à mesa, outros no sofá na marquise e junto à máquina de lavar a roupa, quando é preciso também ficam de pé, encostados ao pequeno balcão.
A entrada da casa de banho é uma porta de madeira tosca na cozinha. A sanita fica logo ali, a banheira é minúscula. Quando o Expresso entrou em casa da família Vaz, Daniela estava a meio de uma birra que se fazia ouvir do lado de fora por quem passa na rua. “É sempre a mesma coisa para ir tomar banho”, dizia a mãe enquanto secava o cabelo à menina enrolada na toalha em cima da cadeira da cozinha - não há espaço para o fazer noutro lado.
Maísa está no 5º ano, Yolene no 2º e Miguel na pré-primária. Estão todos em regime de ensino à distância. O pai arranjou-lhes um computador que comprou barato em segunda ou terceira mão. Um fica no computador quando funciona. Outro usa o telemóvel já partido da mãe, enquanto o terceiro fica em frente à televisão, na telescola.
O computador está bloqueado. À medida que passam junto ao computador montado na cozinha-escritório-sala de aula, Maísa e Miguel vão clicando em teclas como quem já está mais que habituado àquele acontecimento e sabe as manhas para, ainda que mal, a máquina volte a funcionar. “Está quase sempre a travar”, conta a mais velha dos seis irmãos. Ela é a mais sossegada, a que ajuda a mãe com os gémeos.
“Alguma vez lá pensei pedir ajuda? Nunca.” Sentada na beira da cama enquanto dá de mamar a Tiago, Susana fica com os olhos vermelhos e à beira das lágrimas. “Tive de ganhar coragem para fazer este apelo. Mas há um bem maior que nos faz engolir a vergonha. Pelos filhos fazemos tudo.”
O casal já pediu apoio à Segurança Social (SS) mas aguardam por respostas - no entanto, dizem-lhe que apenas ela, que tem número de SS por ter aberto atividade com recibos verdes, pode ser beneficiária. Na igreja perto de casa conseguiram roupas e alguns bens essenciais para os recém-nascidos. Ainda esta semana vão receber alguma ajuda alimentar do Cordão da Amizade, uma organização sem fins lucrativos. Além da incapacidade de continuarem a pagar a renda, a família tem ainda em atraso contas de eletricidade, água e internet. São cerca de €300 de dívidas e umas quantas ameaças de que os serviços podem ser cortados em breve por falta de pagamento.
“Estamos a tentar fazer tudo certinho. Uma vizinha minha já me avisou para ter cuidado ou ainda me aparecem aí para me levar os meninos. Isso é que não. Os meus filhos não vão para lado nenhum. Não os tive para os entregar. Os pais e filhos são para ficarem juntos em família”, diz Susana enquanto agarra Tiago ainda mais junto ao peito.
DOCUMENTOS, TRABALHO, CASA
“O meu marido já foi aqui às obras todas pedir que lhe dessem algum trabalho”, conta Susana enquanto mostra o quarto que partilha com o marido e os filhos, “não dão porque dizem que ele precisa de ter papéis para assinar um contrato”. A família tem entrevista marcada com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a 7 de abril. “Ele é um bom marido, a sério que é. Até se pode esquecer dele, mas comida em casa para os filhos nunca pode faltar.”
Susana e Bruno estão juntos há 12 anos. São os dois de Luanda, Angola. Ele trabalhou sempre em sonorização em rádios e televisões. Mais recentemente trabalhou no gabinete de comunicação e imagem do anterior Governo, presidido por José Eduardo dos Santos. “Quando veio o novo Executivo fomos todos despedidos.” Trabalhou depois numa produtora mas aquilo, acrescenta Susana, nunca foi emprego sério, “nem lhe fizeram um contrato”. Ela cozinha, tinha uma banca no mercado onde montava uma pequena esplanada e servia refeições. “O negócio acabou por falir”, explica Bruno.
O desejo por uma melhor educação e saúde para os filhos, assim como melhores empregos, levou o casal a vender todos os bens materiais que tinham. Mudaram-se para Lisboa. Chegaram a 27 de dezembro de 2019. E traziam dinheiro suficiente para se aguentarem uns tempos até Bruno e Susana encontrarem trabalho. E depois apareceu uma pandemia. A pandemia.
“Fechou tudo e ficámos confinados. Primeiro morámos em Alcântara, mas depois tivemos de sair e o preço das casas era impossível. Procurámos na Margem Sul porque era mais barato”, conta Bruno. Na zona do Barreiro começaram por alugar uma casa por €650 mas era demasiado cara e a meio de 2020 acabaram por se mudar para a casa onde agora vivem e de onde dentro de alguns dias vão ter de sair. A renda é de €400.
“Sem um contrato de trabalho e os documentos em dia não conseguimos arrendar uma casa. Desde já não temos dinheiro porque não conseguimos trabalhar e depois porque um contrato de arrendamento exige muitas coisas que não temos. Esta casa só a temos porque pagamos €2000 de caução e não temos qualquer recibo de arrendamento”, explica Susana. É a ironia da situação que a faz soltar uma gargalhada. “O meu marido está sempre a dizer que isto é um país organizado, onde são precisos papéis para tudo. Em Angola não havia nada disto e também foi por isso que viemos embora. Muitas coisas nós não fazemos ideia como se fazem ou como funcionam.”
Susana engravidou nos primeiros tempos em que o país fechou totalmente. Foram apanhados de surpresa. “Não sabíamos o que fazer, ponderámos tudo. Tínhamos medo de dar a mais um bebé estas condições de vida”, diz Bruno. Só já quase com quatro meses Susana conseguiu uma consulta. Outra surpresa: “eram gémeos”. “Nunca chorei tanto na minha vida como nesta gravidez, tive tanto medo do que ia acontecer.”
A mãe acabou por ser internada antes do fim da gestação. Passou pelos hospitais do Barreiro, Garcia de Orta até ser transferida para Coimbra por falta de camas. Voltou para o Garcia de Orta, em Almada, para ter os meninos às 33 semanas. “Estiveram dois meses internados, um mês na incubadora. Eu ainda fiquei três semanas também.”
Às vezes a mãe de Susana telefona, pede-lhe para vir visitar os netos e para vir ajudá-la. “Está sempre a dizer que quer vir para cá para ficar com os meninos em casa. Mas que condições tenho eu aqui para ela? Em Angola, nem a família de Susana nem a de Bruno sabem as condições em que estão a viver, que estão sem trabalho, sem dinheiro e à beira de serem despejados de casa. Não querem preocupar ninguém e têm vergonha do que estão a viver.
Daniela, que foi até há bem pouco tempo a mais nova da família, corre para todo lado e é a mais barulhenta. Corre de um lado para o outro, pede pelo carrinho de brincar e pela atenção do pai. “Ela é minha sombra”, diz Bruno. Mas é ao colo da mãe que acalma mais um ataque de choro. “Não quis almoçar, agora junta-se a fome com o sono”, diz Susana. “Te amo”, atira Daniela. Di-lo naquela voz fininha e de dicção pouco articulada de um bebé que começou há pouco a falar. Não saberá a força do que diz porque parece apenas repetir a expressão que ouve muitas vezes ali por casa. “Te amo”, volta a dizer. E continua. E repete. E outra vez.
11.2.21
Fiquei desempregado. E agora?
in Negócios on-line
Muitos cidadãos sofreram e estão a sofrer graves cortes salariais, quebra de rendimentos e mesmo desemprego. Na verdade, perder o emprego continua a ser uma das principais causas da ruptura financeira das famílias.
Muitos cidadãos sofreram e estão a sofrer graves cortes salariais, quebra de rendimentos e mesmo desemprego. Na verdade, perder o emprego continua a ser uma das principais causas da ruptura financeira das famílias.
O ano 2020 trouxe uma realidade quase de ficção à vida de todos os consumidores. A pandemia da doença covid-19 obrigou-nos a viver muitas e sérias preocupações de saúde e de segurança e a atravessar uma nova crise económica. Muitos cidadãos sofreram e estão a sofrer graves cortes salariais, quebra de rendimentos e mesmo desemprego. Na verdade, perder o emprego continua a ser uma das principais causas da ruptura financeira das famílias.
Subsídio de desemprego: o que é?
É uma prestação em dinheiro atribuída aos beneficiários desempregados para compensar a falta de remuneração motivada pela perda involuntária de emprego.
Porém, nem todas as pessoas desempregadas têm subsídio de desemprego. Para ter acesso ao subsídio, até 31 de dezembro de 2020, os cidadãos que tenham entre 180 dias e 360 dias de trabalho por conta de outrem, com o correspondente registo de remunerações, num período de 24 meses imediatamente anterior à data do desemprego e que tenham ficado sem emprego durante o período de 19 de março a 30 de junho, têm direito ao subsídio de desemprego.
O subsídio de desemprego é requerido no prazo de 90 dias consecutivos a contar da data do desemprego, no centro de emprego.
Se, a partir de janeiro de 2021 a situação de desemprego se mantiver, os beneficiários passam a ter direito ao subsídio social de desemprego, sem avaliação dos rendimentos do agregado familiar.
Conte com o apoio da DECO MADEIRA através do número de telefone 968 800 489/291 146 520, do endereço eletrónico deco.madeira@deco.pt. Pode também marcar atendimento via Skype. Siga-nos nas redes sociais Facebook, Twitter, Instagram, Linkedin e Youtube!
Muitos cidadãos sofreram e estão a sofrer graves cortes salariais, quebra de rendimentos e mesmo desemprego. Na verdade, perder o emprego continua a ser uma das principais causas da ruptura financeira das famílias.
Muitos cidadãos sofreram e estão a sofrer graves cortes salariais, quebra de rendimentos e mesmo desemprego. Na verdade, perder o emprego continua a ser uma das principais causas da ruptura financeira das famílias.
O ano 2020 trouxe uma realidade quase de ficção à vida de todos os consumidores. A pandemia da doença covid-19 obrigou-nos a viver muitas e sérias preocupações de saúde e de segurança e a atravessar uma nova crise económica. Muitos cidadãos sofreram e estão a sofrer graves cortes salariais, quebra de rendimentos e mesmo desemprego. Na verdade, perder o emprego continua a ser uma das principais causas da ruptura financeira das famílias.
Subsídio de desemprego: o que é?
É uma prestação em dinheiro atribuída aos beneficiários desempregados para compensar a falta de remuneração motivada pela perda involuntária de emprego.
Porém, nem todas as pessoas desempregadas têm subsídio de desemprego. Para ter acesso ao subsídio, até 31 de dezembro de 2020, os cidadãos que tenham entre 180 dias e 360 dias de trabalho por conta de outrem, com o correspondente registo de remunerações, num período de 24 meses imediatamente anterior à data do desemprego e que tenham ficado sem emprego durante o período de 19 de março a 30 de junho, têm direito ao subsídio de desemprego.
O subsídio de desemprego é requerido no prazo de 90 dias consecutivos a contar da data do desemprego, no centro de emprego.
Se, a partir de janeiro de 2021 a situação de desemprego se mantiver, os beneficiários passam a ter direito ao subsídio social de desemprego, sem avaliação dos rendimentos do agregado familiar.
Conte com o apoio da DECO MADEIRA através do número de telefone 968 800 489/291 146 520, do endereço eletrónico deco.madeira@deco.pt. Pode também marcar atendimento via Skype. Siga-nos nas redes sociais Facebook, Twitter, Instagram, Linkedin e Youtube!
1.10.20
AMI regista aumento de 55% no número de pedidos de ajuda depois do confinamento
in RTP
Apesar da abertura da economia e muitas pessoas e famílias terem voltado ao trabalho, a AMI registou um aumento de 55 por cento no número de pedidos de ajuda, por parte de famílias em situação de pobreza.
Os serviços com maior procura foram os de distribuição alimentar.
A Assistência Médica Internacional alerta para o agravamento da pressão social.
Jornalista Rita Fernandes.
Apesar da abertura da economia e muitas pessoas e famílias terem voltado ao trabalho, a AMI registou um aumento de 55 por cento no número de pedidos de ajuda, por parte de famílias em situação de pobreza.
Os serviços com maior procura foram os de distribuição alimentar.
A Assistência Médica Internacional alerta para o agravamento da pressão social.
Jornalista Rita Fernandes.
7.5.20
Novos pobres. As outras vítimas da pandemia
Por Antena 1
Esta crise inesperada atirou para uma situação dramática muitas famílias da chamada classe média. Muitos profissionais, sobretudo liberais, perderam rendimentos. De repente, foram forçadas a recorrer à ajuda de instituições de ajuda alimentar.
O repórter Nuno Amaral foi conhecer o trabalho do grupo solidário Coração na Rua, que no Porto tem encontrado estratégias para lidar com esta nova pobreza envergonhada.
Os novos pobres vítimas desta pandemia que também afecta a saúde financeira das famílias.
Esta crise inesperada atirou para uma situação dramática muitas famílias da chamada classe média. Muitos profissionais, sobretudo liberais, perderam rendimentos. De repente, foram forçadas a recorrer à ajuda de instituições de ajuda alimentar.
O repórter Nuno Amaral foi conhecer o trabalho do grupo solidário Coração na Rua, que no Porto tem encontrado estratégias para lidar com esta nova pobreza envergonhada.
Os novos pobres vítimas desta pandemia que também afecta a saúde financeira das famílias.
5.5.20
Covid-19: Cáritas Diocesana do Funchal apoia famílias com Fundo de Emergência
in Ecclesia
Instituição ajuda população das freguesias de Santa Luzia, Santa Maria Maior e Sé, na capital madeirense
Funchal, Madeira, 05 mai 2020 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana do Funchal vai gerir o Fundo de Emergência para Apoio Social (FEAS) para “apoio financeiro” das famílias que “comprovadamente foram afetadas, em termos sociais e económicos”, pela pandemia de Covid-19.
Segundo informação divulgada pela Diocese do Funchal, o FEAS é um “apoio financeiro” ao nível “da alimentação e custos fixos, da medicação e consultas, da habitação e rendas e apoio aos estudantes”.
O fundo resulta de um acordo de cooperação com a Secretaria Regional de Inclusão Social e Cidadania (SRISC).
As famílias que pretendam recorrer ao apoio vão ter de comprovar a “perda de rendimentos auferidos pelo agregado familiar no mês anterior à declaração do estado de emergência” e perda de rendimento “tem de ser de, pelo menos, 20%”.
O FEAS foi dividido por várias instituições da Madeira que vão apoiar as famílias em zonas de atuação que foram atribuídas a cada uma; à Cáritas Diocesana do Funchal foram atribuídas as freguesias de Santa Luzia, Santa Maria Maior e Sé, do concelho do Funchal, que podem contatar a organização da Igreja Católica através dos números 291 743 331 e 912 006 575, e o e-mail feascaritasfunchal@gmail.com.
“O atendimento presencial só será realizado através de marcação prévia não devendo os interessados deslocarem-se à Instituição sem entrevista agendada, permitindo, manter-nos em linha com o Plano de Contingência da Cáritas Diocesana do Funchal, a gestão do número de pessoas no local e o registo de contactos próximos, procedimentos fundamentais neste contexto”, informa a Cáritas do Funchal, que disponibiliza o formulário de candidatura ao Fundo de Emergência para Apoio Social, bem como a legislação e documentação.
“A Madeira irá atravessar a maior crise económica e social das nossas vidas: Encerramento de muitas empresas, num aumento exponencial do desemprego e num crescimento da pobreza, talvez como nunca vimos nos últimos anos”, disse o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira durante uma visita Banco Alimentar Contra a Fome, esta segunda-feira.
José Manuel Rodrigues assinalou que as instituições de solidariedade social são “a grande arma” do setor público para “acudir às pessoas que vão cair na miséria e na fome” e alertou para o aparecimento de novas classes de pobres e considera que os representantes do povo “têm cada vez mais a responsabilidade de estar perto” das pessoas que “estão a passar por dificuldades”.
“Uma grande maioria dos madeirenses está a atravessar enormes dificuldades face à paralisação económica, mas sei também que alguns madeirenses estão em melhores condições económicas. Gostaria de apelar a esses que podem ajudar que ajudem o Banco Alimentar Contra a Fome, que ajudem as instituições particulares de solidariedade social que se dedicam ao combate à pobreza e à exclusão social”, desenvolveu o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira.
A região autónoma registou 86 casos confirmados de Covid-19 e está há 10 dias sem novos casos positivos.
CB/OC
Instituição ajuda população das freguesias de Santa Luzia, Santa Maria Maior e Sé, na capital madeirense
Funchal, Madeira, 05 mai 2020 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana do Funchal vai gerir o Fundo de Emergência para Apoio Social (FEAS) para “apoio financeiro” das famílias que “comprovadamente foram afetadas, em termos sociais e económicos”, pela pandemia de Covid-19.
Segundo informação divulgada pela Diocese do Funchal, o FEAS é um “apoio financeiro” ao nível “da alimentação e custos fixos, da medicação e consultas, da habitação e rendas e apoio aos estudantes”.
O fundo resulta de um acordo de cooperação com a Secretaria Regional de Inclusão Social e Cidadania (SRISC).
As famílias que pretendam recorrer ao apoio vão ter de comprovar a “perda de rendimentos auferidos pelo agregado familiar no mês anterior à declaração do estado de emergência” e perda de rendimento “tem de ser de, pelo menos, 20%”.
O FEAS foi dividido por várias instituições da Madeira que vão apoiar as famílias em zonas de atuação que foram atribuídas a cada uma; à Cáritas Diocesana do Funchal foram atribuídas as freguesias de Santa Luzia, Santa Maria Maior e Sé, do concelho do Funchal, que podem contatar a organização da Igreja Católica através dos números 291 743 331 e 912 006 575, e o e-mail feascaritasfunchal@gmail.com.
“O atendimento presencial só será realizado através de marcação prévia não devendo os interessados deslocarem-se à Instituição sem entrevista agendada, permitindo, manter-nos em linha com o Plano de Contingência da Cáritas Diocesana do Funchal, a gestão do número de pessoas no local e o registo de contactos próximos, procedimentos fundamentais neste contexto”, informa a Cáritas do Funchal, que disponibiliza o formulário de candidatura ao Fundo de Emergência para Apoio Social, bem como a legislação e documentação.
“A Madeira irá atravessar a maior crise económica e social das nossas vidas: Encerramento de muitas empresas, num aumento exponencial do desemprego e num crescimento da pobreza, talvez como nunca vimos nos últimos anos”, disse o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira durante uma visita Banco Alimentar Contra a Fome, esta segunda-feira.
José Manuel Rodrigues assinalou que as instituições de solidariedade social são “a grande arma” do setor público para “acudir às pessoas que vão cair na miséria e na fome” e alertou para o aparecimento de novas classes de pobres e considera que os representantes do povo “têm cada vez mais a responsabilidade de estar perto” das pessoas que “estão a passar por dificuldades”.
“Uma grande maioria dos madeirenses está a atravessar enormes dificuldades face à paralisação económica, mas sei também que alguns madeirenses estão em melhores condições económicas. Gostaria de apelar a esses que podem ajudar que ajudem o Banco Alimentar Contra a Fome, que ajudem as instituições particulares de solidariedade social que se dedicam ao combate à pobreza e à exclusão social”, desenvolveu o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira.
A região autónoma registou 86 casos confirmados de Covid-19 e está há 10 dias sem novos casos positivos.
CB/OC
28.4.20
Creches vão recusar crianças com mensalidades em atraso
Alexandra Inácio, in JN
Com cada vez mais famílias a falharem o pagamento das mensalidades, as escolas só irão receber as crianças com pagamentos em dia
A confirmação só deve ser feita quinta-feira mas a intenção do Governo é permitir que as creches voltem a funcionar a 1 de junho.
A Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP) defende a "urgente" reabertura ainda em maio e que o regresso não seja apenas para as crianças até aos 3 anos, mas também de jardins de infância e 1.º ciclo. E deixa um aviso: com cada vez mais famílias a falharem o pagamento das mensalidades, as escolas só irão receber as crianças com pagamentos em dia.
"Não é uma questão de represália, mas de respeito e igualdade para com quem fez o sacrifício de pagar", justifica a presidente da ACPEEP, Susana Batista. A Deco, recorde-se, recomendou às famílias negociarem reduções nas mensalidades mas nunca deixarem de pagar, sob pena de perderem a vaga. A associação - que terá cerca de uma centena de associados - recebeu mais de 100 pedidos de esclarecimento de encarregados de educação.
Na carta enviada ao Governo e presidente da República sobre as medidas que devem ser seguidas no desconfinamento, a ACPEEP, alerta que as creches privadas já perderam em média 15% dos seus alunos e os jardins de infância 10%. Apesar do "esforço para reduzir as mensalidades", o incumprimento nos pagamentos disparou entre março e abril, sendo que este mês 35% das creches associadas reportaram uma quebra de faturação superior a 50%.
"É com espanto e desagrado que vemos que o pequeno comércio pode abrir a partir de 4 de maio e nós só a 1 de junho. Onde é que os pais vão deixar as crianças para irem trabalhar?", critica Susana Batista, que receia que alguns estabelecimentos não consigam sobreviver até junho se continuar a agravar-se o cancelamento de inscrições e a falta de pagamentos. A associação reclama a atribuição de um subsídio mensal de 150 euros por família para ajudar a garantir "a sustentabilidade" das creches.
58% dos pais têm medo
De acordo com os resultados de um questionário enviado a creches e encarregados de educação pela ACPEEP, só 42% dos pais pretendem deixar os filhos regressar às escolas.
"Há os que estão desesperados por voltar a trabalhar e os que, por estarem em teletrabalho ou terem filhos mais velhos, têm medo e vão manter-se em casa", explica Susana Batista. A presidente da ACPEEP considera que esse receio até pode ajudar numa fase inicial de regresso à atividade, já que pode permitir "uma redução automática dos grupos".
A ACPEEP aprovou um guia com 28 medidas que devem ser aplicadas na reabertura [ler caixa ao lado]. Sem respostas do Governo, já há colégios a encomendar equipamentos como os termómetros infravermelhos "que acreditamos serão obrigatórios, num contexto de reabertura, e que estão completamente esgotados em Portugal", garante Susana Batista. A ACPEEP pediu ao Governo a regulação do preço de equipamentos de proteção individual, como máscaras, viseiras ou álcool que também serão de uso obrigatório.
Com cada vez mais famílias a falharem o pagamento das mensalidades, as escolas só irão receber as crianças com pagamentos em dia
A confirmação só deve ser feita quinta-feira mas a intenção do Governo é permitir que as creches voltem a funcionar a 1 de junho.
A Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP) defende a "urgente" reabertura ainda em maio e que o regresso não seja apenas para as crianças até aos 3 anos, mas também de jardins de infância e 1.º ciclo. E deixa um aviso: com cada vez mais famílias a falharem o pagamento das mensalidades, as escolas só irão receber as crianças com pagamentos em dia.
"Não é uma questão de represália, mas de respeito e igualdade para com quem fez o sacrifício de pagar", justifica a presidente da ACPEEP, Susana Batista. A Deco, recorde-se, recomendou às famílias negociarem reduções nas mensalidades mas nunca deixarem de pagar, sob pena de perderem a vaga. A associação - que terá cerca de uma centena de associados - recebeu mais de 100 pedidos de esclarecimento de encarregados de educação.
Na carta enviada ao Governo e presidente da República sobre as medidas que devem ser seguidas no desconfinamento, a ACPEEP, alerta que as creches privadas já perderam em média 15% dos seus alunos e os jardins de infância 10%. Apesar do "esforço para reduzir as mensalidades", o incumprimento nos pagamentos disparou entre março e abril, sendo que este mês 35% das creches associadas reportaram uma quebra de faturação superior a 50%.
"É com espanto e desagrado que vemos que o pequeno comércio pode abrir a partir de 4 de maio e nós só a 1 de junho. Onde é que os pais vão deixar as crianças para irem trabalhar?", critica Susana Batista, que receia que alguns estabelecimentos não consigam sobreviver até junho se continuar a agravar-se o cancelamento de inscrições e a falta de pagamentos. A associação reclama a atribuição de um subsídio mensal de 150 euros por família para ajudar a garantir "a sustentabilidade" das creches.
58% dos pais têm medo
De acordo com os resultados de um questionário enviado a creches e encarregados de educação pela ACPEEP, só 42% dos pais pretendem deixar os filhos regressar às escolas.
"Há os que estão desesperados por voltar a trabalhar e os que, por estarem em teletrabalho ou terem filhos mais velhos, têm medo e vão manter-se em casa", explica Susana Batista. A presidente da ACPEEP considera que esse receio até pode ajudar numa fase inicial de regresso à atividade, já que pode permitir "uma redução automática dos grupos".
A ACPEEP aprovou um guia com 28 medidas que devem ser aplicadas na reabertura [ler caixa ao lado]. Sem respostas do Governo, já há colégios a encomendar equipamentos como os termómetros infravermelhos "que acreditamos serão obrigatórios, num contexto de reabertura, e que estão completamente esgotados em Portugal", garante Susana Batista. A ACPEEP pediu ao Governo a regulação do preço de equipamentos de proteção individual, como máscaras, viseiras ou álcool que também serão de uso obrigatório.
30.3.20
Carta aberta ao primeiro-ministro: "Onde está a linha de crédito para salvar a minha família?"
Maria Ibéria*, in DN
oje é o nosso dia 16º dia de auto isolamento voluntário e eu nem sequer tenho ido à rua para levar o lixo ou ir buscar o correio. É o meu marido que se encarrega dessas duas tarefas. Hoje, quando voltava a entrar em casa, trazia na mão a fatura da luz (como é possível termos gasto tanto se nem sequer aquecedores ligamos?) e uma outra carta, do emprego. Era a carta do anunciado despedimento.
Há quatro dias ligaram para ele a dizer que devido à recente situação do coronavírus, bla, bla, bla... o posto dele iria ser suprimido. Na carta sabemos agora a data certa: próximo dia 20 de abril. Até lá, o meu marido está a trabalhar em teletrabalho, como todos os seus colegas, como os chefes que tomaram a decisão de despedi-lo e que quase todos os dias aparecem nas reuniões do zoom para dizer que a empresa está unida e vai sobreviver.
E sabem o mais irónico? Decidiram contratar um personal trainer para oferecer esse serviço de forma gratuita a todos os colaboradores. Ah sério? Agora que todos os ginásios estão a fazer isso pelas redes sociais... despedem o meu marido e contratam um personal trainer? Para essa pergunta, eu não tenho resposta. A única resposta que tenho é a da carta de despedimento.
A partir de 20 de abril, o meu marido não tem trabalho, se bem que, quando esta crise passar, alguém vai ter de fazer o trabalho dele... Será que vão voltar a chamá-lo? Pois, é provável, só que isto não se faz. Não se aproveita a mínima oportunidade para despedir o elo mais fraco. Sim, o meu marido, nessa grande empresa, é o elo mais fraco porque nem sequer contrato de trabalho tinha. Era um famoso recibo verde, desses a que chamam falsos, aqueles que dizem: assim que seja possível vamos fazer-te um contrato. Não creio que vá ser agora...
Enquanto o meu marido era despedido, o primeiro ministro de Portugal anunciava as medidas com as quais quer evitar os despedimentos. Irónico, não é? Há linhas de crédito às quais as empresas podem recorrer para evitar isso. A sério, senhor primeiro ministro António Costa? Permita-me duvidar de que acreditava no que estava a dizer. Portugal é um país de serviços, de empresários individuais, que é quase o mesmo que dizer: "Montei um café ou um cabeleireiro para ganhar um ordenado que de outra forma ninguém me daria".
"Nós somos as pessoas que consomem. Nós somos os clientes de muitos outros empresários que neste momento também estão parados."
Muitas das pessoas que trabalham para esses empresários são comissionistas - nem sequer têm postos de trabalho. A sério que acredita que alguma dessas pessoas vai contratar uma linha de crédito para salvar o que quer que seja?
E por falar em comissionistas e empresários a título individual... não é que a mulher do meu marido, ou seja, eu, está nessa situação? Eu também tenho o meu próprio negócio que com o auto isolamento voluntário ficou completamente parado. O que significa que a dia 20 de abril, não só não vai entrar o rendimento habitual do meu marido, mas também o meu.
Mas nós somos pessoas formadas, ambos com carreiras universitárias, com uma boa casa, com carros, com férias no estrangeiro todos os anos. Nós somos essas pessoas que consomem, que compram coisas, que vão jantar fora de vez em quando... Nós somos os clientes de muitos outros empresários que neste momento também estão parados.
E a minha pergunta é muito direta para o senhor primeiro ministro de Portugal: o que podemos fazer depois de dia 20 de abril para voltar ao normal? Será que adiar o pagamento do IMI, que também é em abril ajuda? Será que prorrogar o empréstimo da casa durante uns meses, ajuda? Será que suspender o pagamento à Segurança Social por um período, ajuda? Será que reduzir os impostos que pagamos na fatura da água ou da luz, ajuda?
Eu não sou primeira ministra, mas sou mãe de família e tenho dois filhos. E sabe uma coisa, senhor primeiro ministro, eles não sabem nada da carta que hoje o meu marido recebeu. Nem sabem nada das vendas da mãe estarem a zeros. Nem sabem, nem vão saber. Porque a nossa missão como pais é proteger os nossos filhos. É mantê-los longe do medo. E é assim que estamos a viver este auto isolamento, com alegria e amor, com brincadeiras e com normalidade. Mas eu espero o mesmo do Estado social onde vivemos.
"Nós, portugueses, estamos a lavar as mãos para evitar mais contágios. Estamos a ficar em casa para evitar os contágios. E estamos a manter a calma para ultrapassarmos este grande desafio."
Se neste momento há um pai para todos os portugueses, esse pai só pode ser o Estado, no nome do atual governo. Não quero saber de dívidas, nem de contas públicas. Quero saber que quando uma família - e não falo da minha, falo de todas as que estejam em situação semelhante neste momento - precisam de um pai, de um governo à serio, esse governo não se lave as mãos com linhas de crédito.
Porque nós, portugueses, estamos a lavar as mãos para evitar mais contágios. Estamos a ficar em casa para evitar os contágios. E estamos a manter a calma para ultrapassarmos este grande desafio. Mas depois de dia 20 de abril, quando o dinheiro deixar de entrar... diga-me, senhor primeiro ministro, onde está a linha de crédito a qual eu posso recorrer para salvar a minha família?
oje é o nosso dia 16º dia de auto isolamento voluntário e eu nem sequer tenho ido à rua para levar o lixo ou ir buscar o correio. É o meu marido que se encarrega dessas duas tarefas. Hoje, quando voltava a entrar em casa, trazia na mão a fatura da luz (como é possível termos gasto tanto se nem sequer aquecedores ligamos?) e uma outra carta, do emprego. Era a carta do anunciado despedimento.
Há quatro dias ligaram para ele a dizer que devido à recente situação do coronavírus, bla, bla, bla... o posto dele iria ser suprimido. Na carta sabemos agora a data certa: próximo dia 20 de abril. Até lá, o meu marido está a trabalhar em teletrabalho, como todos os seus colegas, como os chefes que tomaram a decisão de despedi-lo e que quase todos os dias aparecem nas reuniões do zoom para dizer que a empresa está unida e vai sobreviver.
E sabem o mais irónico? Decidiram contratar um personal trainer para oferecer esse serviço de forma gratuita a todos os colaboradores. Ah sério? Agora que todos os ginásios estão a fazer isso pelas redes sociais... despedem o meu marido e contratam um personal trainer? Para essa pergunta, eu não tenho resposta. A única resposta que tenho é a da carta de despedimento.
A partir de 20 de abril, o meu marido não tem trabalho, se bem que, quando esta crise passar, alguém vai ter de fazer o trabalho dele... Será que vão voltar a chamá-lo? Pois, é provável, só que isto não se faz. Não se aproveita a mínima oportunidade para despedir o elo mais fraco. Sim, o meu marido, nessa grande empresa, é o elo mais fraco porque nem sequer contrato de trabalho tinha. Era um famoso recibo verde, desses a que chamam falsos, aqueles que dizem: assim que seja possível vamos fazer-te um contrato. Não creio que vá ser agora...
Enquanto o meu marido era despedido, o primeiro ministro de Portugal anunciava as medidas com as quais quer evitar os despedimentos. Irónico, não é? Há linhas de crédito às quais as empresas podem recorrer para evitar isso. A sério, senhor primeiro ministro António Costa? Permita-me duvidar de que acreditava no que estava a dizer. Portugal é um país de serviços, de empresários individuais, que é quase o mesmo que dizer: "Montei um café ou um cabeleireiro para ganhar um ordenado que de outra forma ninguém me daria".
"Nós somos as pessoas que consomem. Nós somos os clientes de muitos outros empresários que neste momento também estão parados."
Muitas das pessoas que trabalham para esses empresários são comissionistas - nem sequer têm postos de trabalho. A sério que acredita que alguma dessas pessoas vai contratar uma linha de crédito para salvar o que quer que seja?
E por falar em comissionistas e empresários a título individual... não é que a mulher do meu marido, ou seja, eu, está nessa situação? Eu também tenho o meu próprio negócio que com o auto isolamento voluntário ficou completamente parado. O que significa que a dia 20 de abril, não só não vai entrar o rendimento habitual do meu marido, mas também o meu.
Mas nós somos pessoas formadas, ambos com carreiras universitárias, com uma boa casa, com carros, com férias no estrangeiro todos os anos. Nós somos essas pessoas que consomem, que compram coisas, que vão jantar fora de vez em quando... Nós somos os clientes de muitos outros empresários que neste momento também estão parados.
E a minha pergunta é muito direta para o senhor primeiro ministro de Portugal: o que podemos fazer depois de dia 20 de abril para voltar ao normal? Será que adiar o pagamento do IMI, que também é em abril ajuda? Será que prorrogar o empréstimo da casa durante uns meses, ajuda? Será que suspender o pagamento à Segurança Social por um período, ajuda? Será que reduzir os impostos que pagamos na fatura da água ou da luz, ajuda?
Eu não sou primeira ministra, mas sou mãe de família e tenho dois filhos. E sabe uma coisa, senhor primeiro ministro, eles não sabem nada da carta que hoje o meu marido recebeu. Nem sabem nada das vendas da mãe estarem a zeros. Nem sabem, nem vão saber. Porque a nossa missão como pais é proteger os nossos filhos. É mantê-los longe do medo. E é assim que estamos a viver este auto isolamento, com alegria e amor, com brincadeiras e com normalidade. Mas eu espero o mesmo do Estado social onde vivemos.
"Nós, portugueses, estamos a lavar as mãos para evitar mais contágios. Estamos a ficar em casa para evitar os contágios. E estamos a manter a calma para ultrapassarmos este grande desafio."
Se neste momento há um pai para todos os portugueses, esse pai só pode ser o Estado, no nome do atual governo. Não quero saber de dívidas, nem de contas públicas. Quero saber que quando uma família - e não falo da minha, falo de todas as que estejam em situação semelhante neste momento - precisam de um pai, de um governo à serio, esse governo não se lave as mãos com linhas de crédito.
Porque nós, portugueses, estamos a lavar as mãos para evitar mais contágios. Estamos a ficar em casa para evitar os contágios. E estamos a manter a calma para ultrapassarmos este grande desafio. Mas depois de dia 20 de abril, quando o dinheiro deixar de entrar... diga-me, senhor primeiro ministro, onde está a linha de crédito a qual eu posso recorrer para salvar a minha família?
18.3.19
Famílias portuguesas sentem dificuldade em pagar contas
in Esquerda.net
Cerca de 70% das famílias portuguesas afirmam sentir dificuldades para fazer face às despesas correntes, e 7% afirmam viver em pobreza, revela barómetro da Deco Proteste. Apenas 23% consideram a sua situação financeira confortável.
Dificuldades em pagar contas e despesas correntes, lazer e cultura são um luxo, viagens uma miragem — eis o retrato dominante de como as famílias portuguesas veem a sua situação financeira. Mais de 70% sentem dificuldades para pagar as despesas todos os meses, metade diz só ter dinheiro para despesas correntes, 7% diz viver em situação de pobreza.
São dados do primeiro Barómetro Deco Proteste, que pretende avaliar o nível de vida das famílias com base na facilidade que sentem para fazer face a despesas em saúde, habitação, educação, alimentação, mobilidade e tempos livres. As respostas recolhidas junto de aproximadamente 2 mil famílias, foram tratadas estatisticamente para dar um retrato do que será o panorama nacional.
Desagregando por item, habitação e saúde são despesas particularmente sentidas pelas famílias. Quase metade das famílias (46%) afirmam ter dificuldades para pagar todas as despesas de habitação. Destes, cerca de metade (55%) identifica as despesas de manutenção como problemáticas, enquanto outra metade (50%) aponta as contas de luz, água e gás. A saúde também é apontada como despesa problemática por cerca de metade dos inquiridos (45%).
A alimentação e a educação são os pontos de preocupação seguintes, afetando cada uma cerca de um terço das famílias. Destes, quase metade afirma não conseguir comprar as quantidades de carne e peixe que gostaria, os primeiros itens a cortar na lista de compras quando dinheiro aperta. Na educação, as famílias apontam o ensino superior como a despesa que mais desequilibra as contas — este ano as propinas vão baixar em cerca de um quarto, mas a proposta do Bloco para a sua abolição progressiva foi rejeitada pelo PS e toda a direita.
Os transportes públicos constituem uma preocupação para 25% dos inquiridos — mas o automóvel, por outro lado, sofre restrições para 47% delas, quase tanto como para a habitação ou saúde.
Onde cortam as famílias quando o dinheiro aperta? Primeiro que tudo, nas idas ao dentista, na compra de óculos, e no consumo carne e peixe, itens mais referidos na lista de sacrifícios em situação de aperto.
Perante esta panorama, não é de espantar que os tempos livres e de lazer sejam o parente pobre nos orçamentos. Metade das famílias (47%) consideram a cultura um "luxo" difícil de sustentar, cerca de dois terços consideram férias fora de casa, e também fins-de-semana, uma miragem.
Cerca de 70% das famílias portuguesas afirmam sentir dificuldades para fazer face às despesas correntes, e 7% afirmam viver em pobreza, revela barómetro da Deco Proteste. Apenas 23% consideram a sua situação financeira confortável.
Dificuldades em pagar contas e despesas correntes, lazer e cultura são um luxo, viagens uma miragem — eis o retrato dominante de como as famílias portuguesas veem a sua situação financeira. Mais de 70% sentem dificuldades para pagar as despesas todos os meses, metade diz só ter dinheiro para despesas correntes, 7% diz viver em situação de pobreza.
São dados do primeiro Barómetro Deco Proteste, que pretende avaliar o nível de vida das famílias com base na facilidade que sentem para fazer face a despesas em saúde, habitação, educação, alimentação, mobilidade e tempos livres. As respostas recolhidas junto de aproximadamente 2 mil famílias, foram tratadas estatisticamente para dar um retrato do que será o panorama nacional.
Desagregando por item, habitação e saúde são despesas particularmente sentidas pelas famílias. Quase metade das famílias (46%) afirmam ter dificuldades para pagar todas as despesas de habitação. Destes, cerca de metade (55%) identifica as despesas de manutenção como problemáticas, enquanto outra metade (50%) aponta as contas de luz, água e gás. A saúde também é apontada como despesa problemática por cerca de metade dos inquiridos (45%).
A alimentação e a educação são os pontos de preocupação seguintes, afetando cada uma cerca de um terço das famílias. Destes, quase metade afirma não conseguir comprar as quantidades de carne e peixe que gostaria, os primeiros itens a cortar na lista de compras quando dinheiro aperta. Na educação, as famílias apontam o ensino superior como a despesa que mais desequilibra as contas — este ano as propinas vão baixar em cerca de um quarto, mas a proposta do Bloco para a sua abolição progressiva foi rejeitada pelo PS e toda a direita.
Os transportes públicos constituem uma preocupação para 25% dos inquiridos — mas o automóvel, por outro lado, sofre restrições para 47% delas, quase tanto como para a habitação ou saúde.
Onde cortam as famílias quando o dinheiro aperta? Primeiro que tudo, nas idas ao dentista, na compra de óculos, e no consumo carne e peixe, itens mais referidos na lista de sacrifícios em situação de aperto.
Perante esta panorama, não é de espantar que os tempos livres e de lazer sejam o parente pobre nos orçamentos. Metade das famílias (47%) consideram a cultura um "luxo" difícil de sustentar, cerca de dois terços consideram férias fora de casa, e também fins-de-semana, uma miragem.
19.2.19
Programa de apoio leva cabazes de alimentos a mais de 80 mil portugueses
in o Observador
De acordo com dados do Ministério do Trabalho, foram entregues "mais de 13.500 toneladas de bens desde novembro de 2017" a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares.
Segundo o Ministério, 74% das pessoas que receberam um cabaz disseram que este programa "é melhor do que os anteriores"
Cerca de 80 mil pessoas receberam cabazes de alimentos através do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (PO APMC), o que permitiu a muitas delas pagar despesas como água, luz ou medicamentos.
Esta segunda-feira, em Santarém, decorre o primeiro Encontro FEAC — Fundo Europeu de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, onde vai ser feito um balanço e uma reflexão do PO APMC e a sua respetiva execução.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, através do PO APMC foi possível entregar cabazes mensais de alimentos a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares.
“Foram distribuídas mais de 13.500 toneladas de bens desde novembro de 2017 (data da entrega dos primeiros cabazes alimentares)”, refere o Ministério.
Estes cabazes foram concebidos pela Direção-Geral de Saúde que definiu não só os alimentos a incluir, mas também as respetivas quantidades, “de forma a assegurar a oferta de cabazes alimentares nutricionalmente adequados e que permitam assegurar 50% das necessidades energéticas e nutricionais mensais dos beneficiários do programa”.
Antes da programação do próximo concurso de aquisição de alimentos, foi feito um questionário de satisfação aos beneficiários do programa, ao qual responderam mais de 90% das pessoas.
Segundo o Ministério, 74% das pessoas que receberam um cabaz disseram que este programa “é melhor do que os anteriores”, por comparação com outros em que participaram para receber apoio alimentar.
Por outro lado, disseram que esta distribuição mensal de alimentos permitiu diminuir os níveis de privação dos agregados familiares, sendo que em 72% dos casos permitiu fazer face atempadamente a despesas como a água ou a luz.
Cinquenta e três por cento dos beneficiários referem que graças ao cabaz conseguiram “pagar atempadamente a renda de casa ou o empréstimo da casa”, enquanto em 43% dos casos a distribuição mensal de alimentos permitiu comprar medicamentos.
O Ministério refere que os resultados do inquérito serviram de base à conceção do novo cabaz de alimentos, que “não só vai ao encontro dos hábitos de consumo e preferências alimentares dos beneficiários do programa, como também aumenta substancialmente a diversidade dos alimentos incluídos”.
O PO APMC tem como objetivo o combate à pobreza e às situações de exclusão, através do financiamento de aquisição, transporte, armazenamento e distribuição de alimentos e medidas de acompanhamento.
O processo é assegurado por organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos, através de uma parceria com 135 entidades coordenadoras, responsáveis pela receção dos alimentos, e 600 entidades mediadoras, que, em parceria com as entidades coordenadoras, fazem a distribuição aos beneficiários finais.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho, foram entregues "mais de 13.500 toneladas de bens desde novembro de 2017" a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares.
Segundo o Ministério, 74% das pessoas que receberam um cabaz disseram que este programa "é melhor do que os anteriores"
Cerca de 80 mil pessoas receberam cabazes de alimentos através do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (PO APMC), o que permitiu a muitas delas pagar despesas como água, luz ou medicamentos.
Esta segunda-feira, em Santarém, decorre o primeiro Encontro FEAC — Fundo Europeu de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, onde vai ser feito um balanço e uma reflexão do PO APMC e a sua respetiva execução.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, através do PO APMC foi possível entregar cabazes mensais de alimentos a cerca de 80 mil pessoas, entre mais de 30 mil agregados familiares.
“Foram distribuídas mais de 13.500 toneladas de bens desde novembro de 2017 (data da entrega dos primeiros cabazes alimentares)”, refere o Ministério.
Estes cabazes foram concebidos pela Direção-Geral de Saúde que definiu não só os alimentos a incluir, mas também as respetivas quantidades, “de forma a assegurar a oferta de cabazes alimentares nutricionalmente adequados e que permitam assegurar 50% das necessidades energéticas e nutricionais mensais dos beneficiários do programa”.
Antes da programação do próximo concurso de aquisição de alimentos, foi feito um questionário de satisfação aos beneficiários do programa, ao qual responderam mais de 90% das pessoas.
Segundo o Ministério, 74% das pessoas que receberam um cabaz disseram que este programa “é melhor do que os anteriores”, por comparação com outros em que participaram para receber apoio alimentar.
Por outro lado, disseram que esta distribuição mensal de alimentos permitiu diminuir os níveis de privação dos agregados familiares, sendo que em 72% dos casos permitiu fazer face atempadamente a despesas como a água ou a luz.
Cinquenta e três por cento dos beneficiários referem que graças ao cabaz conseguiram “pagar atempadamente a renda de casa ou o empréstimo da casa”, enquanto em 43% dos casos a distribuição mensal de alimentos permitiu comprar medicamentos.
O Ministério refere que os resultados do inquérito serviram de base à conceção do novo cabaz de alimentos, que “não só vai ao encontro dos hábitos de consumo e preferências alimentares dos beneficiários do programa, como também aumenta substancialmente a diversidade dos alimentos incluídos”.
O PO APMC tem como objetivo o combate à pobreza e às situações de exclusão, através do financiamento de aquisição, transporte, armazenamento e distribuição de alimentos e medidas de acompanhamento.
O processo é assegurado por organizações públicas ou privadas sem fins lucrativos, através de uma parceria com 135 entidades coordenadoras, responsáveis pela receção dos alimentos, e 600 entidades mediadoras, que, em parceria com as entidades coordenadoras, fazem a distribuição aos beneficiários finais.
27.7.15
Cinco famílias são despejadas por dia por rendas em atraso
por Ana Margarida Pinheiro, in Diário de Notícias
Balcão Nacional do Arrendamento já foi utilizado 10 333 vezes. No entanto, mais de metade dos pedidos para despejo foram recusados.
Todos os dias, mais de cinco famílias perdem as suas casas por falta de pagamento das rendas ou por utilização indevida do espaço. Os números do Ministério da Justiça, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, mostram que até junho deste ano já foram emitidos 929 títulos de despejo no Balcão Nacional do Arrendamento (BNA); em todo o 2014, foram realizados 1868.
As grandes cidades como Lisboa e Porto continuam a reunir o maior bolo de despejos, mas as razões que levam o senhorio ao limite repetem-se por todo o país. "A renda é por regra a última obrigação que deixa de ser paga, mas o desemprego ainda é a maior razão para o não pagamento", diz Romão Lavadinho, da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, especificando que as quebras de rendimento sofridas durante a crise e as situações de doença ou velhice também têm tido influência nos últimos anos.
Balcão Nacional do Arrendamento já foi utilizado 10 333 vezes. No entanto, mais de metade dos pedidos para despejo foram recusados.
Todos os dias, mais de cinco famílias perdem as suas casas por falta de pagamento das rendas ou por utilização indevida do espaço. Os números do Ministério da Justiça, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, mostram que até junho deste ano já foram emitidos 929 títulos de despejo no Balcão Nacional do Arrendamento (BNA); em todo o 2014, foram realizados 1868.
As grandes cidades como Lisboa e Porto continuam a reunir o maior bolo de despejos, mas as razões que levam o senhorio ao limite repetem-se por todo o país. "A renda é por regra a última obrigação que deixa de ser paga, mas o desemprego ainda é a maior razão para o não pagamento", diz Romão Lavadinho, da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, especificando que as quebras de rendimento sofridas durante a crise e as situações de doença ou velhice também têm tido influência nos últimos anos.
24.4.14
Execução orçamental "penaliza famílias e beneficia grandes empresas e credores", alega BE
in Jornal de Notícias
O Bloco de Esquerda considerou, esta quarta-feira, que a execução orçamental de 2014 está a ser feita com base no aumento de impostos sobre as famílias, traduzindo-se num bónus para as grandes empresas e para os credores.
Esta posição foi transmitida pelo líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, na sequência da divulgação dos números da síntese da execução orçamental de março.
De acordo com esses mesmos dados, o défice das administrações públicas foi de 825 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que significa que terá sido cumprido o limite trimestral para o défice orçamental definido no programa de resgate.
"O Governo escolheu ter uma sobrecarga de impostos sobre as famílias para dar uma borla fiscal às grandes empresas. Há um aumento do IRS e uma redução do IRC, que beneficia principalmente os grandes grupos económicos e que já nesta execução orçamental é possível verificar", apontou Pedro Filipe Soares.
O presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda referiu também que na primeira execução orçamental deste ano se comprova que "o Governo escolheu cortar salários para pagar os juros da dívida pública, que não param de aumentar".
"Regista-se uma diminuição da despesa com pessoal, fruto dos cortes nos salários, e um aumento brutal dos encargos com os juros da dívida. Esta é uma execução orçamental que obviamente agradará aos credores, que ficam satisfeitos com os juros abusivos a serem pagos e a especulação a ter a sua recompensa, mas desagrada a quem trabalha (seja funcionário público ou privado), que é alvo de um esbulho fiscal", sustentou Pedro Filipe Soares.
O Bloco de Esquerda considerou, esta quarta-feira, que a execução orçamental de 2014 está a ser feita com base no aumento de impostos sobre as famílias, traduzindo-se num bónus para as grandes empresas e para os credores.
Esta posição foi transmitida pelo líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, na sequência da divulgação dos números da síntese da execução orçamental de março.
De acordo com esses mesmos dados, o défice das administrações públicas foi de 825 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que significa que terá sido cumprido o limite trimestral para o défice orçamental definido no programa de resgate.
"O Governo escolheu ter uma sobrecarga de impostos sobre as famílias para dar uma borla fiscal às grandes empresas. Há um aumento do IRS e uma redução do IRC, que beneficia principalmente os grandes grupos económicos e que já nesta execução orçamental é possível verificar", apontou Pedro Filipe Soares.
O presidente do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda referiu também que na primeira execução orçamental deste ano se comprova que "o Governo escolheu cortar salários para pagar os juros da dívida pública, que não param de aumentar".
"Regista-se uma diminuição da despesa com pessoal, fruto dos cortes nos salários, e um aumento brutal dos encargos com os juros da dívida. Esta é uma execução orçamental que obviamente agradará aos credores, que ficam satisfeitos com os juros abusivos a serem pagos e a especulação a ter a sua recompensa, mas desagrada a quem trabalha (seja funcionário público ou privado), que é alvo de um esbulho fiscal", sustentou Pedro Filipe Soares.
25.3.14
Jorge Morgado: "Classe média portuguesa está completamente esmagada contra a parede"
por Filipa Lino, in Negócios on-line
"É importante que o poder político perceba que a classe média portuguesa está completamente esmagada contra a parede". A frase é de Jorge Morgado, o secretário- geral da DECO.
A Associação de Defesa do Consumidor recebe diariamente através das suas linhas de apoio centenas de casos de famílias em aperto financeiro.
"É verdade que há muita gente a viver muito mal, que já não tem salários ou que teve uma degradação salarial muito forte" mas "também é verdade que quem mantém salários, com toda a carga fiscal que foi inventada nos últimos anos, já tem muitas dificuldades". Por isso Jorge Morgado não vê com bons olhos a aplicação de uma taxa sobre os levantamentos, proposta por Teodora Cardoso.
"É importante que quem estuda estas medidas tenha também atenção sobre os impactos. Por muito pequenos que sejam são mais gotas dentro de um copo que já está cheio”, afirma.
E alerta também para os riscos de segurança que, a seu ver, a medida implica.
"Estaríamos a fazer com que os portugueses tivessem a tendência para fazer levantamentos maiores do que aqueles que precisariam. Seria mais dinheiro fora dos bancos, aumentando a insegurança das próprias famílias", conclui.
A presidente do Conselho de Finanças Públicas propôs esta segunda-feira que se equacione a criação de uma taxa sobre os levantamentos de dinheiro de contas onde os cidadãos recebam salários e pensões. Este imposto "seria progressivo sobre o valor da despesa e não sobre o rendimento", e substituiria o IRS e eventualmente também o IVA.
"É importante que o poder político perceba que a classe média portuguesa está completamente esmagada contra a parede". A frase é de Jorge Morgado, o secretário- geral da DECO.
A Associação de Defesa do Consumidor recebe diariamente através das suas linhas de apoio centenas de casos de famílias em aperto financeiro.
"É verdade que há muita gente a viver muito mal, que já não tem salários ou que teve uma degradação salarial muito forte" mas "também é verdade que quem mantém salários, com toda a carga fiscal que foi inventada nos últimos anos, já tem muitas dificuldades". Por isso Jorge Morgado não vê com bons olhos a aplicação de uma taxa sobre os levantamentos, proposta por Teodora Cardoso.
"É importante que quem estuda estas medidas tenha também atenção sobre os impactos. Por muito pequenos que sejam são mais gotas dentro de um copo que já está cheio”, afirma.
E alerta também para os riscos de segurança que, a seu ver, a medida implica.
"Estaríamos a fazer com que os portugueses tivessem a tendência para fazer levantamentos maiores do que aqueles que precisariam. Seria mais dinheiro fora dos bancos, aumentando a insegurança das próprias famílias", conclui.
A presidente do Conselho de Finanças Públicas propôs esta segunda-feira que se equacione a criação de uma taxa sobre os levantamentos de dinheiro de contas onde os cidadãos recebam salários e pensões. Este imposto "seria progressivo sobre o valor da despesa e não sobre o rendimento", e substituiria o IRS e eventualmente também o IVA.
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