8.9.23
“A Buganvília” depende de “caridade para se manter aberta e dar resposta às 25 crianças que acolhe”
O Centro de Acolhimento “A Buganvília”, em Beja, promoveu uma jornada de voluntariado para pintar o exterior das suas instalações e conseguiu 15 pessoas para ajudar nesta missão, que decorre até amanhã, 8 de setembro. O presidente da Direção diz que “é um desafio manter a instituição aberta pois o que se recebe da Segurança Social não chega para pagar os custos com o pessoal”.
Na Jornada de Voluntariado, “A Buganvília” conseguiu 15 inscrições e têm sido estas pessoas que têm estado a ajudar, desde a passada segunda-feira, 4, na intervenção que o edifício precisa para se manter.
Luís Amaro, presidente da Direção, explicou à Voz da Planície que “não vai ser possível terminar o trabalho como estava previsto nesta sexta-feira, 8,” e que “é preciso deixar claro que os apoios que a instituição recebe da Segurança Social não chegam para cobrir os custos com o pessoal daí ser preciso recorrer à ajuda da comunidade, nomeadamente na intervenção estrutural que o edifício precisa”.
LUÍS AMARO REVELA QUE HÁ 15 VOLUNTÁRIOS A AJUDAR NA PINTURA DAS INSTALAÇÕES E AGRADECE O SEU CONTRIBUTO
“A Buganvília” é um centro de acolhimento que visa prestar atendimento urgente e transitório às crianças em situação de perigo decorrente de maus tratos, abandono, negligência ou outros fatores. Isto significa que são enviadas para esta instituição as crianças nestas circunstâncias da sua vida e indicadas por Tribunal.
Luís Amaro realçou à nossa rádio que “A Buganvília” está “sempre no limite máximo”, ou seja, a dar resposta a “25 crianças com as quais deve trabalhar o regresso a casa ou então, no caso de não ser possível, ajudá-las a fazer o seu percurso, deixando que permaneçam institucionalizadas até que precisem”.
LUÍS AMARO EXPLICA QUE "A BUGANVÍLIA" ESTÁ NO SEU LIMITE MÁXIMO POIS ESTÁ A ACOLHER 25 CRIANÇAS EM RISCO
Há sete anos que a Direção presidida por Luís Amaro está em funções e que tem esta instituição a enfrentar “grandes dificuldades financeiras, o que tem tornado impossível cumprir os compromissos assumidos com fornecedores e Estado”.
“A verba que o Centro recebe para desenvolver a sua missão não é suficiente para o essencial, pelo que precisa de apoio da sociedade civil para manter esta casa a funcionar”, frisou o presidente da Direção de “A Buganvília”.
Esclareceu, também, Luís Amaro que “há uma diretiva europeia que determina o encaminhamento de crianças em risco para famílias de acolhimento”, mas no caso “do distrito de Beja há zero famílias de acolhimento e por isso mesmo é tão importante manter uma instituição como esta de portas abertas, até porque é a única deste território com este tipo de resposta”.
Posto isto, o presidente da Direção de “A Buganvília” realçou que “a instituição tem apelado a quem tutela estas resposta a aumentar os apoios” e como esse contributo tarda “está dependente da caridade para continuar a sua missão”. Isto significa, disse, que “A Buganvília” está “a reinventar-se e a apostar em iniciativas que ponham, de alguma forma, a comunidade a contribuir, como foi o caso desta ação que visa a manutenção e pintura do edifício”.
Em novembro deste ano, “A Buganvília” celebra 25 anos de existência e está a preparar, mais uma vez, uma iniciativa para “angariação de fundos extraordinários”. Luís Amaro assegurou que a mesma será divulgada em breve.
LUÍS AMARO ESCLARECE QUE A INSTITUIÇÃO PRECISA DE MAIS APOIOS DA TUTELA E QUE É A ÚNICA NO DISTRITO A DAR ESTA RESPOSTA
6.4.23
Todas as instituições de ensino superior têm vagas para mais pobres
Por Lusa, in Notícias ao Minuto
Todas as instituições de ensino superior público aderiram ao programa lançado pelo Governo que prevê a existência de um contingente prioritário para os alunos economicamente mais carenciados, revelou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).
Segundo as listas divulgadas este fim de semana pelo MCTES, todas as instituições de ensino superior aderiram ao programa voluntário que permitirá dar uma oportunidade aos jovens mais carenciados que habitualmente têm menos possibilidades de conseguir chegar ao ensino superior.
Em comunicado, a tutela explica que as instituições podem disponibilizar "2% de vagas para cada ciclo de estudos (ou 2 vagas) para candidatos beneficiários de ação social escolar" e que "apesar do caráter voluntário da adesão, todas as instituições de ensino superior públicas manifestaram a sua adesão ao contingente já este ano".
Para o Governo, esta participação é demonstrativa do "relevante consenso existente no setor sobre esta matéria e a importância que é atribuída a este novo mecanismo de equidade social".
Vários estudos nacionais e internacionais têm demonstrado que a condição socioeconómica é um dos principais fatores de sucesso ou insucesso académico, com as crianças mais carenciadas a terem muito menos condições para estudar em casa, assim como apoio familiar ou possibilidade de pagar explicações.
Os chumbos, o abandono escolar e as notas mais baixas nos exames nacionais são, por isso, mais habituais entre os alunos de famílias mais pobres.
No mesmo sentido, são quase inexistentes os alunos com apoio social escolar nos cursos onde a média de acesso é mais elevada, mas, com este novo programa, estes alunos terão um contingente próprio para poderem tentar entrar nesses cursos mais procurados.
No total, este ano vão abrir 54.036 vagas nos 1.108 cursos de ensino superior para os alunos que se queiram candidatar à 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público, que arranca a 24 de julho ainda com as regras definidas no início da pandemia.
Este ano, a fixação das vagas é conhecida mais cedo, assim como a colocação dos alunos, para que as aulas possam começar praticamente em simultâneo para todos os novos estudantes, evitando "a perda de cerca de três semanas de aulas para os estudantes colocados na 2.ª fase e cerca de seis semanas de aulas para estudantes colocados na 3.ª fase", sublinha o MCTES.
Foi hoje também publicado em Diário da República o diploma que define que este ano as regras de conclusão do ensino secundário e acesso ao ensino superior se mantêm inalteradas, continuando a vigorar as regras provisórias implementadas em 2020, com a pandemia de covid-19 que obrigou ao isolamento da população e a longos períodos de ensino á distância.
SIM // FPA
Lusa/fim
8.3.23
Inflação deixa IPSS em dificuldades financeiras
in SIC
O valor dos salários subiu, devido ao aumento de salários imposto pelo Governo, mas não foi feita a mesma atualização nas comparticipações da Segurança Social.
A inflação está a deixar muitas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) em dificuldades financeiras. Alimentação, combustíveis e ordenados são os pilares que mais pesam na contabilidade.
Se 2022 já foi um susto, 2023 está a deixar as contas das administrações na zona vermelha. Numa das maiores IPSS do concelho de Viseu, só em ordenados foram gastos mais 200 mil euros no ano passado. Uma valor que subiu devido ao aumento de salários imposto pelo Governo.
Por outro lado, o Executivo não faz a mesma atualização no que toca às comparticipações da Segurança Social.
Em Farminhão, o peso da ruralidade não é apenas o sossego, mas é também as baixas pensões que, na hora de pagar aos lares, não chegam para a mensalidade.
O ano de 2023 ainda agora começou, mas em muitas IPSS o saldo já está negativo.
21.11.22
Há cada vez mais famílias portuguesas de classe média afetadas pela pobreza
Há cada vez mais famílias portuguesas com dificuldades financeiras. As instituições de apoio social sentem o aumento da pressão, e dizem que muitos dos pedidos de ajuda são feitos por pessoas que têm emprego. Os salários deixaram de chegar para fazer face às despesas.
12.7.21
Pandemia deixa mais de metade da população sem conseguir pagar despesas (ou em risco de não conseguir)
Restrições de atividades económicas afetaram o trabalho de 36% dos portugueses, prejudicando mais os que tinham situações mais frágeis. Um quarto das famílias inquiridas no estudo da FFMS acha provável perder pelo menos um emprego nos próximos seis meses. Assimetrias económicas e sociais estão a acentuar-se - com mais desemprego entre os mais frágeis - e podem piorar com fim de moratórias
Além do desemprego causado pela pandemia, as restrições em várias atividades económicas diminuíram o volume de trabalho e os rendimentos de muitos portugueses, deixando mais de metade da população numa situação em que o que ganha já não chega para pagar as despesas ou está em risco de deixar de ser suficiente. É esta uma das conclusões preliminares do estudo “Impactos económicos, sociais e políticos da covid-19 em Portugal”, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e divulgado esta segunda-feira.
“Com os presentes dados é possível estimar com 95% de certeza que, entre 55% a 61% da população está numa situação de instabilidade económica, seja por estar em perigo eminente de entrar em desequilíbrio financeiro, ou por já ter entrado em desequilíbrio ao precisar de contrair dívidas para fazer face às despesas correntes do agregado”, afirma Maria Manuela Calheiros, professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, que coordenou a análise social do estudo.
Tendo estes dados sido recolhidos durante as moratórias, há ainda um “risco de agravamento”, frisa a psicóloga social. “Esta noção deveria ser incorporada ao nível das medidas de proteção social, tornando-se claro que não é suficiente apoiar trabalhadores que têm vindo a perder as suas fontes de rendimento.”
O uso das poupanças e as dívidas que já estão a ser contraídas vão ter impactos futuros, “uma vez que as poupanças se esgotam e as dívidas têm que ser pagas”. Esses impactos “serão mais ou menos graves dependendo da rapidez e magnitude da recuperação económica já anunciada, por exemplo com os fundos europeus, mas que pode tardar a ter efeitos nas economias familiares”, defende a responsável.
IMPACTO DESIGUAL
Segundo a análise, feita a partir de inquéritos que asseguram a representatividade da população portuguesa, 38% das pessoas dizem estar numa situação de insegurança, “reportando ter gastos equivalentes aos ganhos”, e quase 20% assumem que tem sido necessário recorrer a poupanças ou contrair dívidas para fazer face aos gastos correntes.
As restrições económicas afetaram o trabalho de 36% da população, seja por terem perdido emprego ou por terem visto o volume de trabalho reduzir-se muito. Mas isso não aconteceu de forma equilibrada na população: o desemprego é reportado “com mais intensidade” pelos trabalhadores com menores rendimentos, sobretudo abaixo dos 1500 euros mensais, e quase metade dos trabalhadores por conta própria sentiu uma redução efetiva do seu trabalho.
“Se por um lado, as famílias com maiores recursos reportam precisamente ter aumentado as suas poupanças, alcançando uma situação de ainda maior conforto financeiro, são os agregados com menores recursos quem reporta com maior intensidade ter situações de desemprego ou ter diminuído o seu volume de trabalho, no caso dos trabalhadores independentes”, afirma Maria Manuela Calheiros.
Do relatório sobressaem também os setores em que a maioria das famílias identificou ter reduzido as suas despesas: a Restauração (-64% das respostas); Cabeleireiros, beleza e bem-estar (-58%); Viagens (terrestres e aéreas, -55% e -39%, respetivamente); Cultura (-54%); Vestuário (-54%); e Alojamento temporário (-49%).
O RECEIO DO DESEMPREGO EM BREVE
A par da instabilidade económica, 25% dos inquiridos acham provável que pelo menos um dos membros do seu agregado fique desempregado nos próximos seis meses, sendo esse receio mais comum entre pessoas mais velhas.
“Tendo em conta a dimensão e extensão dos efeitos da crise, este número não é surpreendente”, refere Miguel Portela, professor da Universidade do Minho e um dos investigadores envolvidos na análise económica. “Note-se que durante a recessão da economia portuguesa, no contexto crise da dívida soberana e da crise financeira internacional, a taxa de desemprego da população ativa entre 15 e 74 anos chegou aos 18%; e aos 43% no caso dos jovens entre os 15 e os 24 anos.”
Sublinhando que “desigualdade económica leva a desigualdade social, afetando o desenvolvimento da sociedade como um todo”, Maria Manuela Calheiros lembra que sociedades desiguais “trazem prejuízos para a economia, saúde pública e progresso educacional”.
A assimetria deste impacto nos diferentes grupos da sociedade “é, indiscutivelmente, um fator extremamente preocupante e já está a contribuir para acentuar as desigualdades sociais pré-existentes”, refere. E o problema também passa pelo impacto noutras áreas. “Menor capital económico potencia maiores disrupções socio-emocionais e poderá implicar também redução do capital intelectual, por exemplo. Esta propagação horizontal do risco é difícil de medir mas pode gerar dinâmicas de exclusão social severas.”
O estudo promovido pela FFMS teve como base inquéritos com três amostras de 1150 participantes cumprindo quotas de sexo, grupo etário e região. O trabalho de campo que produziu estes resultados ocorreu entre 16 de março e 20 de maio de 2021.
Realizado por investigadores do ISCTE-IUL, Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, Universidade de Aveiro e Universidade do Minho, a análise foi coordenada inicialmente por Nuno Monteiro, professor em Yale, que morreu em maio, depois substituído por Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro.O estudo final deverá ser publicado na primavera do próximo ano.
22.5.20
Oxfam vai encerrar 18 representações por dificuldades financeiras
A Oxfam, uma das principais organizações internacionais de luta contra a pobreza, vai reduzir significativamente as operações por dificuldades económicas provocadas pela pandemia, encerrando escritórios em 18 países, o que pode implicar o despedimento de 1.450 pessoas.
A Oxfam, uma federação de 20 organizações não-governamentais a operar em 66 países e cujo trabalho é coordenado por duas dezenas de escritórios, anunciou num comunicado divulgado na quarta-feira ao fim do dia que se viu forçada a acelerar uma reorganização para se adaptar “ao continuado impacto da pandemia” associada ao novo coronavírus.
Entre os países onde vai encerrar escritórios figuram o Afeganistão, Egipto, Ruanda, Sudão e Tanzânia, encerramentos que, no seu conjunto, afectam 1.450 dos seus 5.000 trabalhadores.
Após a reorganização, a Oxfam vai manter escritórios em 48 países, em seis dos quais, caso da Indonésia ou do Quénia, por exemplo, a representação será entregue a novos parceiros independentes.
A organização tinha lançado no final de 2018 uma revisão estratégica para os próximos 10 anos, na sequência do escândalo sobre o envolvimento de responsáveis da Oxfam na exploração sexual de vítimas do terramoto de 2010 no Haiti, que levou muitos doadores a retirar o seu apoio, especialmente no Reino Unido, onde iniciou operações em 1942.
Muitas das suas lojas solidárias, que vendem produtos do chamado comércio justo e artigos doados, tiveram de encerrar, especialmente em países da Europa ocidental, também pelo impacto do escândalo.
O Haiti é um dos países em que a Oxfam vai suspender as suas operações.
“Olhar estrategicamente para onde e como operamos é o primeiro passo essencial para garantir que a Oxfam pode continuar a dar o melhor contributo possível à luta contra a desigualdade para acabar com a pobreza e a injustiça [...] Estamos a acelerar decisões-chave à luz dos efeitos da pandemia global”, afirmou, no comunicado a directora-executiva interina Chema Vera.
13.5.20
Quem ganha até 650 euros tem mais dificuldade em comprar máscaras por serem caras
Quem ganha até 650 euros tem mais dificuldade em comprar máscaras por serem caras
Barómetro da Escola Nacional de Saúde Pública conclui que é também este grupo o que mais tem de sair para exercer a sua profissão. E que são as pessoas com menor rendimento e menos escolaridade as que menos informação têm sobre como usar as máscaras.
São as pessoas que ganham menos e as que têm menos escolaridade as que têm mais dificuldade em comprar máscaras por causa do preço e usá-las correctamente. E é este o grupo que mais precisa de sair para exercer a sua actividade profissional, concluiu o questionário Opinião Social do Barómetro Covid-19, realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).
O questionário realizado online recolheu, entre os dias 21 de Março e 17 Abril, 177.573 respostas. Ao longo destas semanas, várias perguntas têm sido colocadas para traçar o efeito da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 no país. A ENSP salienta, porém, que os resultados não devem ser generalizados à população portuguesa.
Uma casa “banhada pelo sol” num olival em Porto de Mós
Os dados publicados esta terça-feira pela ENSP voltam a focar-se nas desigualdades. E uma delas tem a ver com a aquisição e utilização de máscaras, que agora é obrigatória nos transportes públicos ou em lojas e supermercados. De acordo com a informação recolhida, 60% das 2343 pessoas que responderam a esta questão disseram sentir dificuldades na aquisição de máscaras.
Os resultados mostram que quem ganha menos de 650 euros mensais reporta “até quatro vezes mais dificuldade em adquirir máscaras por estas serem caras”. “Ou seja cerca de uma em cada duas pessoas”, refere o comunicado da ENSP, que destaca que só “uma em cada dez pessoas com rendimentos superiores a 2000 euros” reporta essa dificuldade.
Para Sónia Dias, coordenadora científica do inquérito Opinião Social, “estes resultados são ainda mais inquietantes quando analisamos quem, por força de ter de se deslocar para o local de trabalho, tem maior exposição ao risco de contrair Covid-19”. Isto porque segundo os resultados, “54% das pessoas que ganham menos de 650 euros tem de se deslocar para o local de trabalho, enquanto 75% das pessoas com rendimentos superiores a 2500 euros estão a desenvolver a sua actividade profissional em teletrabalho.
“Os dados mostram-nos que são as pessoas menos escolarizadas que poderão estar mais expostas: 76% das pessoas com até ao 9.º ano de escolaridade tem de ir para o local de trabalho, enquanto esta proporção desce para 26% nas pessoas com ensino superior”, refere a investigadora no comunicado. São também estas as que mais referem não saber ou não se terem informado sobre como usar as máscaras.
Cascais vai distribuir máscaras junto aos transportes públicos
Pouco mais de metade (51%) dos respondentes disse utilizar máscara sempre que sai de casa, enquanto 43% admitiu que só usa esta protecção em determinadas situações. “Dos que referem nunca usar máscara, um em cada dez idosos assume não usar máscara protectora”, salienta o comunicado.
O inquérito Opinião Social fez também uma análise ao acesso aos cuidados de saúde em função do escalão de rendimento. Com base nas respostas dadas por 4100 pessoas, concluiu que “é nos escalões mais baixos que se verificam proporções maiores de pessoas que, tendo necessidade, não tiveram consulta”. “Cerca de 1 em cada 2 pessoas cujo rendimento é inferir a 650 euros não tiveram consulta”, especifica.
O Alentejo foi a região onde se verificou a maior proporção de pessoas que não tiveram consulta (71%), seguindo-se a zona Centro (61%). “De entre as pessoas que necessitaram de uma consulta médica durante o período de covid-19, 73% dos idosos não a tiveram, em comparação com 55% das pessoas com idades entre os 46 e os 65 anos.” São igualmente os idosos que mais disseram não ter ido à urgência ou fazer um tratamento num serviço de saúde, quando comparado com os mais jovens.
Quem mais perdeu o rendimento?
A pergunta é lançada pela ENSP e os dados, que reportam a respostas dadas por 10.700 pessoas, permitiram perceber que são as pessoas com remunerações mais baixas, a camada mais jovem e a menos escolarizada quem está a ser mais afectada pela perda de rendimento.
Das pessoas cujo rendimento mensal é inferior a 650 euros, “duas em cada três referem tê-lo perdido durante a crise covid-19”: 40% de forma parcial e 25% de forma total. Quanto aos jovens entre os 16 e os 25 anos, também um em cada dois reportou ter perdido rendimento. Bem como metade dos que têm até ao 9.º ano de escolaridade.
“Não podemos estar tão dependentes de fornecimentos externos” na saúde, diz António Costa
O Algarve regista a maior proporção de pessoas que perderam rendimentos (57%), seguindo-se o Norte com 47% e o Centro com 42%. Foi também na região algarvia que mais pessoas que suspenderam a actividade profissional: 30%.
Segundo o comunicado, dados preliminares revelam que o número de participantes – 124 mil pessoas, neste caso - que refere obter rendimentos inferiores a 650 euros triplicou entre o questionário da primeira semana e da sétima. “Estes dados chamam a atenção para o facto de nos próximos tempos ainda se poderem agravar mais as vulnerabilidades socioeconómicas já existentes”, alerta a investigadora Sónia Dias.
14.3.19
Sete em cada dez famílias vive com dificuldades financeiras
Estudo da Deco com 1998 respostas permite perceber que apenas 23% das famílias se sentem confortáveis para suportar as suas despesas e que 7% consideram viver em nível de pobreza.
As dificuldades financeiras e a falta de margem para fazer face a todas as despesas relacionadas com saúde, habitação, educação, alimentação, mobilidade e tempos livres afectam 70% das famílias portuguesas, segundo um estudo da Deco Proteste divulgado esta quinta-feira.
Aquele resultado consta do primeiro Barómetro Deco Proteste que pretendeu avaliar o nível de vida das famílias portuguesas com base na sua facilidade ou dificuldade em fazer face àqueles seis grandes grupos de despesa.
O estudo procurou perceber de forma detalhada em que cortam as famílias quando o orçamento não chega para tudo e os resultados revelaram que muitas sacrificam as idas ao dentista, a compra de óculos ou mesmo alguns produtos alimentares, como a carne e o peixe.
Os portugueses valorizam a casa, mas 46% afirmam ter dificuldade em fazer face a todas as despesas que a habitação implica, sendo que para 55% destes que reportaram dificuldades o orçamento de que dispõem não lhes dá margem de manobra para gastos com a manutenção e 50% afirmam ter de fazer alguma “ginástica financeira” para ter as contas da luz, água e do gás em dia.
Na saúde, os constrangimentos do orçamento doméstico afectam, de um modo geral, 45% das famílias que, por esse motivo, acabam por sacrificar as idas ao dentista ou a compra de óculos.
De acordo com o barómetro, 59% admite cortar na saúde oral e um quarto refere mesmo não ter dinheiro para este tipo de despesa. Os óculos e aparelhos auditivos são também sacrificados em 59% dos casos.
Dificuldades em comprar peixe e carne
Pedidos de ajuda de famílias muito endividadas agravaram-se em 2018
No que toca à alimentação, baixa para 32% os que assinalam que o rendimento de que dispõem lhes impõe restrições, mas quase metade assinala que não consegue comprar as quantidades de peixe e de carne de que necessitaria.
As despesas com educação causam preocupação a quase um terço das famílias (32%) e são os gastos relacionados com o ensino superior que mais contribuem para desequilibrar os orçamentos.
Perante um panorama em que sete em cada dez famílias afirmam sentir constrangimentos financeiros para fazer face às despesas quotidianas e em que 7% afirma mesmo viver em condições de pobreza, não é de estranhar que mais de metade apenas disponha de margem de manobra para fazer face às despesas correntes e que 47% considerem que o lazer e a cultura sejam “luxos” difíceis de sustentar.
Dois terços afirmam, por isso, que fazer férias fora de casa é uma miragem e esta é também a sensação que 60% têm sobre a possibilidade de passar fins-de-semana fora.
No capítulo da mobilidade, o custo dos bilhetes e passes com transportes públicos obriga 25% a alguma ginástica financeira e 47% reportaram restrições quando chega a hora de suportar despesas com o carro.
Os resultados do inquérito que suportou este primeiro barómetro Deco Proteste indicam que as perspectivas para 2019 não são mais animadoras, com metade dos inquiridos a acreditarem que continuarão a “contar tostões” e 25% a anteciparem que se avizinha um ano mais difícil.
O barómetro permitiu ainda identificar os segmentos da população mais vulneráveis, tendo concluído que as famílias em que algum dos elementos se encontra no desemprego enfrentam níveis de pobreza acima da média (11%) e que estes níveis aumentam para os 32% quando estão em causa famílias monoparentais.
A nível regional, as médias para os três níveis analisados (pobreza, dificuldades e conforto) são semelhantes à média nacional, ainda que no caso de Lisboa as percentagem de pessoas que afirmam viver com conforto (25%) e em pobreza (10%) superem a média nacional.
9.3.18
Onze por cento dos portugueses não compraram medicamentos por falta de dinheiro
O valor baixou em relação a 2016, ano em que 12% dos inquiridos admitiram sofrer com o mesmo problema.
Segundo um estudo elaborado pela escola de gestão de informação da Universidade Nova de Lisboa (NOVA IMS), que vai ser apresentado esta terça-feira, 10,8% dos portugueses optaram por não comprar algum medicamento prescrito por um médico devido ao custo dos fármacos, um valor que em 2016 tinha chegado aos 11,8%. De acordo com este trabalho, que é elaborado pela NOVA IMS, da Universidade Nova de Lisboa, a percentagem de doentes que deixaram de comprar medicamentos por causa do preço tem vindo sempre a baixar, passando dos 15,7% no primeiro ano de elaboração do estudo (2014) para os 14,2% em 2015.
Este estudo, que envolveu um inquérito com 500 entrevistas num universo de mais de 8,6 milhões de pessoas e cujos resultados foram extrapolados segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária, mostrou ainda que subiu de 86,7 para 89,1 a percentagem de pessoas que tomaram no último ano medicamentos prescritos pelo médico. Destes doentes, em mais de metade dos casos (59,5%) algum destes fármacos fazem parte de uma terapêutica prolongada ou regular (para tratamento de uma doença crónica), um valor inferior aos 65,3 registados no ano de 2016, acrescenta o documento.
Sobre o seu estado de saúde, quase metade dos portugueses (45%) considera que afecta as tarefas diárias, percentagem ligeiramente inferior aos que consideram que o estado de saúde lhes provoca dor ou mau estar (47%) e aos que responderam que afecta negativamente a sua qualidade de vida (48%).
O estudo revela ainda que, apesar de na óptica dos portugueses a qualidade dos serviços ter diminuído ligeiramente no ano passado (66.7 pontos, menos 1,6 do que em 2016), a qualidade técnica efectiva do SNS – que usou 13 indicadores validados e ponderados por um grupo de peritos – subiu substancialmente, alcançando os 73.8 pontos (mais 5,3 dos que no ano anterior). Alguns dos indicadores utilizados para medir a qualidade técnica são a sépsis pós-operatória, a mortalidade por AVC (Acidente Vascular Cerebral) – hemorrágico ou isquémico –, o reinternamento em 30 dias e as cirurgias em ambulatório. Foi o cruzamento desta informação com a actividade, a despesa e o défice do Serviço Nacional de Saúde que permitiu calcular o índice de sustentabilidade da saúde, que progrediu dos 102.2 para os 103.0 pontos.
Dificuldades de deslocação aos hospitais
A análise mostra também que os portugueses faltam a muitas consultas nos hospitais públicos por razões económicas. Os investigadores fizeram a análise do impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de saúde e verificaram que, no que se refere às consultas externas (hospitais), este impacto é quase o dobro do dos custos das taxas moderadoras. Segundo o estudo, ficaram por realizar 539.824 consultas externas/especialidade nos hospitais públicos devido aos custos de deslocação e 254.568 por causa do preço das taxas moderadoras. Já os dois motivos em conjunto (valor das taxas e custo da deslocação) fizeram com que não se realizassem 260.905 consultas externas nos hospitais, o que faz ascender a um milhão o número de consultas por realizar por todos estes motivos.
"As consultas, os exames e os episódios de urgência perdidos por via do valor das taxas moderadoras tem vindo a diminuir, o que é extremamente positivo e mostra que as questões relacionadas com o preço da utilização do sistema têm vindo a ser cada vez menos relevantes", sublinha o coordenador principal do estudo, em declarações à Lusa. Pedro Simões Coelho considerou ainda "muito importante" esta vertente do custo dos transportes e frisou: "Esta não é uma realidade intrínseca ao sistema, mas tem de ser considerada pois há determinadas franjas da população para as quais estes custos da deslocação devem merecer uma particular atenção."
No que se refere às consultas com um médico de clínica geral ou com o médico de família num centro de saúde, o peso do custo dos transportes nas consultas por realizar (253.318) é menor do que o das consultas nos hospitais. Nos centros de saúde, o motivo que levou à não realização de um maior número de consultas (439.997) foi o custo das taxas moderadoras. O estudo indica ainda que cerca de 13,5% dos inquiridos admitiram não ter recorrido às urgências devido ao custo das taxas moderadoras, resultando em 908.631 episódios de urgência por concretizar.
Quanto custa uma consulta?
Outra conclusão do estudo é que apesar de os portugueses continuarem a considerar os preços das taxas moderadoras adequados, mantêm uma percepção errada dos valores, uma vez que, nalguns casos, estimam custos acima dos reais.
De acordo com este trabalho, há uma diferença entre o valor que os portugueses julgam que custa (11,32 euros) e o que realmente custa (7 euros) a taxa moderadora para uma consulta externa/especialidade num hospital público.
"Quando analisamos a importância da taxa moderadora no acesso ao sistema faz sentido perceber se as pessoas sabem quanto custa e se os valores se aproximam da realidade, para perceber se vale a pena actuar sob o ponto de vista da comunicação", explica Pedro Simões Coelho. "O que estimamos é que ao nível das consultas de cuidados primários em centros de saúde e dos episódios urgência as pessoas têm noção exacta do preço (...). Agora, é uma percentagem pequena, mas ainda assim há 10% que acham que existe taxa moderadora para o internamento, que não existe, o que mostra que há um desalinhamento relativamente à realidade."
26.7.17
Mais de 300 sobreendividados pediram apoio este ano
Entre Janeiro e Junho deste ano, 305 pessoas pediram apoio à Defesa do Consumidor por questões de sobreendividamento. Um número que sofreu um ligeiro aumento relativamente ao ano transacto, onde este serviço, integrado na Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais, deu apoio a cerca de 600 pessoas em situação de endividamento excessivo durante todo o ano. No fundo, trata-se de pessoas que estão impossibilitadas de pagar um ou mais empréstimos. É quando o saldo devedor é superior ao valor do rendimento mensal da pessoa em causa e esta não consegue cumprir com os seus compromissos financeiros, tendo várias prestações em atraso, explicou Graça Moniz, directora do serviço de Defesa do Consumidor. O desemprego, o divórcio e a doença são apontados como as principais causas que levam as pessoas a contrair empréstimos que não conseguem pagar, tal como se verificou no ano de 2013, altura em que o serviço registou a maior procura por parte de pessoas sobreendividadas. Um valor que tem vindo a baixar gradualmente, possivelmente devido à recuperação da economia, à queda do desemprego e também devido ao trabalho contínuo realizado por este serviço, que faz uma análise de cada uma destas pessoas e, depois de identificar as situações de incumprimento, presta-lhes toda a informação, aconselhamento e orientação, de forma a solucionar o problema da melhor maneira, informou a directora do serviço. Além disso, Graça Moniz revelou que a Unidade Técnica de Apoio ao Endividado e Sobreendividado tenta também renegociar os créditos, através de propostas de renegociação que são sempre dirigidas às entidades credoras, tendo sempre em conta a capacidade de solvabilidade das famílias porque é preciso que as mesmas consigam cumprir.
Mas se há muitos que pedem dinheiro por necessidade, há também quem faça uma má gestão das finanças pessoais, contraindo empréstimos para passar férias ou até mesmo para comprar carros topo de gama, e, apesar de por vezes receberem um ordenado acima da média, acabam por não saber gerir da melhor forma o seu orçamento familiar. “Temos pessoas de todos os estratos sociais. Pessoas que vão desde situação de desemprego e com muitas dificuldades, empregados que têm problemas de atraso de pagamentos, temos pessoas de classe média que recebem vencimento médio e depois temos aqueles que recebem vencimentos acima da média mas que não têm capacidade de gestão financeira”, referiu a responsável por aquele serviço, explicando que existem ainda casos onde já não há viabilidade para renegociar os créditos e, aí, as pessoas são orientadas para a Segurança Social para pedir apoio jurídico e tentar uma possível insolvência singular onde, se for o caso, poderão ver as suas dívidas perdoadas. No que concerne aos casos de insolvência os dados divulgados pela Defesa do Consumidor apontam para uma diminuição, onde 30 pessoas foram encaminhadas no primeiro semestre deste ano, comparativamente ao período homólogo (45). Madeirenses mais cautelosos Embora continue a existir publicidades aliciantes nesta matéria de crédito, Graça Moniz garante que além das pessoas das zonas rurais, que são sempre mais cautelosas no que toca a este assunto, grande parte dos madeirenses está mais elucidado para esta situação e já não cede tão facilmente a este tipo de ofertas. Acredita que isto deve-se também à forte aposta do serviço ao nível da prevenção, que passa pela realização de acções de formação e de esclarecimento em Juntas de Freguesia, Casas do Povo, Centros Comunitários e Escolas, de forma a abranger o maior número de pessoas e prevenir o endividamento da população, aconselhando-a a fazer uma boa gestão financeira. “Nas formações acabo sempre com a seguinte frase: As pessoas mais felizes não têm o melhor de tudo. Elas simplesmente fazem o melhor com aquilo que têm”, concluiu a responsável. Redução da dívida em oito anos De referir ainda que no final do primeiro trimestre de 2017 a dívida das famílias madeirenses à banca era de 2.960 ME. Segundo os dados publicados pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM), destes, 2.414 ME diziam respeito ao crédito à habitação e 5.48 ME ao crédito de consumo. Os mesmos números mostram que este valor registado até ao dia 31 de Março deste ano é o mais baixo desde 2009 quando a dívida global era de 3.743 ME. Neste período registou-se ainda 1.71ME de créditos por pagar.
18.11.15
Quase metade dos pais portugueses acha que filhos terão uma vida pior
Quarenta por cento dos pais portugueses, o dobro da média europeia, antecipa para os filhos uma situação financeira pior do que a sua e 33% dos jovens pondera emigrar, segundo um relatório da "Intrum Justitia", divulgado esta quarta-feira.
Realizado a partir de dados recolhidos numa pesquisa realizada em simultâneo junto de 22400 europeus de 21 países, o "European Consumer Payment Report" visou "conhecer a situação e saúde financeira das famílias", concluindo que, "para fazer face às despesas e chegar ao fim do mês, os cidadãos europeus continuam a enfrentar grandes desafios".
Em Portugal, 40% dos entrevistados, mais do dobro da média europeia de 17%, afirmou acreditar que os filhos "viverão pior do que eles" porque terão que enfrentar "maiores dificuldades financeiras".
Por outro lado, 33% dos jovens até 25 anos disse ponderar emigrar "em busca de um futuro melhor, por causa da situação financeira em Portugal", menos três pontos percentuais do que no inquérito de 2014, mas ainda assim o quinto valor mais elevado entre os 21 países abrangidos pelo inquérito (apenas superado pela Hungria, com 60%, Polónia com 41%, Eslováquia com 40% e Itália com 37%, e praticamente ao nível da Grécia, com 32%).
Globalmente, pouco mais de um em cada cinco portugueses (21%) considera a possibilidade de mudança para outro país devido à situação financeira em Portugal, passando a um em cada três no grupo etário até aos 34 anos.
Por outro lado, 24% dos inquiridos em Portugal que vivem maritalmente ou em união de facto apontaram a situação financeira como um fator para não terminarem a relação, nove pontos percentuais acima da média europeia, mas abaixo da França, que lidera este 'ranking' com 37%.
Segundo nota a "Intrum Justitia", em Portugal esta opinião é mais comum entre os homens, com 28%, do que nas mulheres (19%).
Segundo as conclusões do relatório, 49% dos entrevistados portugueses afirmou não ter pagado algumas das suas contas a tempo nos últimos 12 meses, acima da média europeia de 44%, mas bastante aquém da Grécia, onde 78% dos inquiridos afirma ter passado por esta situação.
O relatório conclui ainda que 9% dos portugueses não conseguiu pagar dentro do prazo mais de cinco faturas nos últimos 12 meses, com 43% dos consumidores nacionais a justificar o atraso por incapacidade financeira para o fazer.
Face a esta situação, 15% dos portugueses afirmou ter pedido dinheiro emprestado nos últimos seis meses, em linha com a média europeia, sendo que mais de metade das pessoas que pediram dinheiro emprestado (62%) escolheu a família como principal fonte de financiamento, 24% os amigos e 18% pediu um empréstimo ao banco.
Apesar de cumprir a obrigação de pagar as suas contas, 55% afirma que depois de as pagar fica preocupado por não ficar com dinheiro suficiente para as restantes despesas, sendo este sentimento mais negativo entre as mulheres (62%) do que entre os homens (47%).
Do trabalho resultou ainda que 28% dos inquiridos em Portugal "têm medo de abrir a caixa de correio e encontrar mais contas", menos oito pontos percentuais do que em 2014, e que 41% dos participantes economiza dinheiro regularmente, 79% dos quais "por razões de prudência, para poder lidar com eventuais imprevistos".
A Intrum Justitia é uma consultora europeia de serviços de gestão de crédito e cobranças (CMS) fundada em 1923 e com 3800 funcionários em 21 países, tendo iniciado atividade em Portugal em 1997.
28.10.15
Médicos do Mundo alerta para dificuldades da população idosa
Abandono, solidão, isolamento e privação material combinados com escassos recursos financeiros e humanos colocam Portugal na tabela dos países europeus com os piores índices no apoio aos idosos. Aproveitando o Dia Internacional da Terceira Idade, a 28 de Outubro, a Médicos do Mundo (MdM) volta a alertar para as dificuldades desta população.
Atenta às questões que afectam a população idosa, a MdM tem desenvolvido ao longo dos anos diversas actividades junto da população idosa, através de projectos nas áreas dos cuidados de saúde e do envelhecimento activo. Actualmente encontra-se a decorrer o projecto "Viver Saudável" que presta Apoio Domiciliário (SAD) gratuito, no âmbito de um acordo com a Segurança Social.
Desde o seu início, este serviço já apoiou 128 idosos em termos de higiene pessoal, tratamento de roupa e da casa, actividades de socialização, atendimento de enfermagem, social e médico, para além do apoio do Grupo de Voluntariado Sénior (GVS) com visitas e contactos telefónicos regulares. O SAD, que presta também apoio indirecto a cuidadores e familiares, abrange hoje, mensalmente, 25 idosos. Desde Janeiro deste ano já foram apoiados 31 idosos.
Através do "Viver Saudável" a MdM assinalou o Dia Internacional do Idoso, no passado dia 1 de Outubro, com uma acção conjunta da equipa MdM e do GVS. Foram realizadas visitas a todos os 25 beneficiários do SAD e entregue um postal alusivo ao dia, uma flor e uma embalagem de rebuçados. No final da tarde a equipa organizou um lanche convívio para os idosos autónomos que participaram nas actividades deste dia.
2.2.15
Escolas de ensino artístico abrem portas mesmo sem dinheiro
Associação tem reunião marcada com o Ministério da Educação no fim da semana, na qual espera que lhe seja comunicada uma solução para o problema. O Estado deve três milhões de euros a 15 estabelecimentos.
Apesar de ainda não terem recebido o que o Estado lhes deve, as escolas profissionais e artísticas abriram portas esta segunda-feira, na expectativa de uma resposta do Governo no final da semana.
“Ainda não recebemos a quantia em dívida. Todas as escolas de ensino artístico, neste momento, já esgotaram os seus ‘plafonds’. No entanto. vão abrir portas e receber os alunos normalmente. Essa é sempre a nossa primeira prioridade: procurar manter os alunos e funcionar com os alunos”, adianta o presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Educativo, Rodrigo Queirós e Melo.
A associação tem reunião marcada para sexta-feira com o secretário de Estado da tutela, na qual espera que lhe seja comunicada uma solução para o problema.
“Esperamos que esta semana possa haver evoluções. Temos já agendada uma reunião com o senhor secretário de Estado para o final da semana e esperamos, nessa altura, termos já a solução para esta situação e a preparação do próximo ano lectivo”, adianta.
Em causa está uma dívida de três milhões de euros a 15 estabelecimentos de ensino.
31.12.14
Colégios de ensino especial dizem não ter dinheiro para começar aulas a 5 de janeiro
A Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo denuncia falta de pagamentos do ministério da Educação, que deixaram colégios numa "situação financeira aflitiva".
O segundo período começa na próxima segunda-feira, mas para 700 alunos do ensino especial esse não vai ser um dia de regresso às aulas. Estas crianças e jovens frequentam colégios privados financiados pelo Estado que dizem estar numa situação financeira "dramática", devido aos atrasos nos pagamentos.
A associação que representa os oito colégios em causa divulgou esta tarde, em comunciado, que estes espaços "não têm condições para reabrir no próximo dia 5 de janeiro", depois de já terem denunciado atrasos nos pagamentos em novembro. Em causa está o atraso na transferência de verbas que já chegam a um milhão e duzentos mil euros.
Estas verbas dizem respeito aos serviços educativos, alimentação e transportes, desde setembro de 2014, explica a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP).
As escolas particulares "têm dezenas de trabalhadores com salários em atraso, dívidas ao fisco e à segurança social e aos fornecedores". Motivos pelos quais, dizem, não poder abrir portas sem receber o dinheiro em falta.
Além dos colégios do ensino especial, também existe uma dívida a 15 escolas do ensino artísticos especializado. Esta ronda os três milhões de euros e vai levar à "falência técnica" de alguns colégios já no início do janeiro.
O DN questionou, entretanto, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) sobre estes pagamentos.
21.11.14
Famílias não aderem às cantinas sociais
Agregados com crianças e em situação de crise têm mais dificuldade em ‘comprar comida
[leia aqui o artigo na íntegra]
29.5.14
Há portuguesas que engravidam por falta de dinheiro para a pílula
Há mulheres em Portugal que engravidam porque deixam de ter dinheiro para comprar a pílula e desconhecem que podem recebê-la gratuitamente nos centros de saúde, admitiu, esta quinta-feira, a presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção.
Lisboa está a acolher, pela primeira vez o Congresso Europeu da Contraceção que vai debater, entre outros temas, a forma como a crise económica da Europa afeta a saúde reprodutiva.
Sobre o assunto, a presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção considera que o acesso aos métodos de contraceção em Portugal continua a estar garantido, indicando desconhecer casos de rutura de "stocks" nas pílulas que deixem mulheres em contracetivos por períodos prolongados.
Contudo, Teresa Bombas referiu que, nos últimos tempos, o acesso a contracetivos pode não ser uniforme ao nível de todo o país.
Em conferência de imprensa, a responsável alertou ainda que há mulheres que deixaram de ter dinheiro para comprar a pílula e não sabem que a podem receber de forma gratuita nos centros de saúde.
São geralmente mulheres "fora do Serviço Nacional de Saúde", que costumavam ser consultadas em serviços privados, e que não têm a correta informação sobre a forma de aceder a anticoncecionais.
Estes casos, que se verificam em mulheres de várias faixas etárias, ocorrem também em pessoas com nível de escolaridade ou de informação considerado aceitável ou bom.
Ao nível europeu, Teresa Bombas salientou que Portugal é "um dos países com legislação mais uniforme e mais aberta" e no qual "a acessibilidade aos métodos de contraceção está garantida".
Segundo os dados mais recentes, cerca de 65% das mulheres portuguesas em idade fértil tomam a pílula.
17.12.13
Quatro em cada dez ficam sem dinheiro após pagar despesas
Três em cada dez afirmam não ter rendimento suficiente para uma vida que considerem digna. Portugueses pagam a tempo e horas, mas chegam ao fim do mês sem folga na conta bancária
Os portugueses conseguem pagar as contas a tempo e horas, o problema vem a seguir. Contas feitas, quatro em cada dez ficam sem dinheiro depois de pagar as despesas ou têm grandes dificuldades.
A conclusão é do estudo Consumer Payment Report português apresentado esta segunda-feira pela Intrum Justitia, realizado junto de 10 mil consumidores em 21 países europeus, com o objetivo de entender melhor o comportamento e os hábitos de vida dos consumidores.
18.7.13
Portugueses cortam cada vez mais nos bens essenciais
Um estudo divulgado pelo jornal Público diz que por causa da crise, os portugueses estiveram em modo de sobrevivência nos primeiros seis meses do ano.
O carrinho de compras está cada vez mais vazio. Cada vez que foram ao supermercado, os portugueses levaram menos azeite, menos farinha, menos pão e frutas.
O estudo da Kantar Worldpanel, uma empresa de estudos de mercado, mede as alterações de consumo e nota um agravamento dos cortes nos primeiros seis meses do ano.
O volume de produtos caiu 3,7 por cento, um valor muito próximo do registado no pico da crise na Grécia.
O estudo mostra que os consumidores não cortaram nas idas ao supermercado, mas compram cada vez menos.
Além do pão, azeite, farinhas e fruta, levam também menos leite e águas minerais.
No caso do leite, por exemplo, nota-se outra mudança nos hábitos de consumo: o adiamento da compra. Em média, as familias adiaram a compra do leite por 24 dias. E no caso da água, o adiamento chegou aos 12 dias.
Compras controladas para um desperdício zero, que leva a empresa de estudos de mercado a dizer que os portugueses passaram o primeiro semestre do ano em modo de sobrevivência.
26.6.13
Oito em cada dez idosos não têm dinheiro para bens primários
O retrato foi elaborado pelo Conselho Económico e Social (CES) e alerta para o facto de oito em cada dez idosos não serem capazes de pagar os bens de primeira necessidade devido ao reduzido valor das pensões mensais. O pagamento de contas, alimentação e medicamentos ficam comprometidos.
O estudo do Conselho Económico e Social (CES) refere-se ao mês de Março e dá conta da precaridade que a grande maioria dos idosos vive em Portugal. Oito em dez não têm dinheiro para as contas nem tampouco para os bens de necessidade, escreve o Jornal de Notícias.
Os reformados correm sérios riscos de pobreza e as reformas ficam aquém das necessidades reais, já que oito em cada dez idosos recebem uma pensão mensal que não chega aos 410 euros.
“Só 12 a 15% dos pensionistas (…) terão pensões que permitem cobrir as despesas mensais”, alerta o CES. Deste modo, ficam comprometidos o pagamento das contas, a alimentação e a aquisição de medicamentos, maior parte das vezes fundamentais para a sobrevivência dos mais velhos.
Portugueses com menos dinheiro são mais obesos
As famílias portuguesas com menos rendimentos e menores graus de escolaridade tendem a ter maiores prevalências de obesidade e de diabetes, alertou hoje o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.
Pedro Graça baseia-se em estudos feitos em Portugal que diz refletirem resultados muitos semelhantes aos encontrados em outros países europeus e ocidentais.
Uma dessas análises mostra que o risco de ser obeso duplica quando se passa de 10 a 12 anos de escolaridade para até quatro anos de escolaridade.
"A obesidade pode surgir como mais um dos aspetos das desigualdades sociais, com maiores prevalências em populações com maior vulnerabilidade económica. As situações de carência económica podem coexistir com situações de obesidade", adiantou à agência Lusa o nutricionista, que hoje participa no seminário "As desigualdades sociais e o risco de diabetes", que decorre em Lisboa.
O acesso fácil a produtos alimentares baratos que são ricos em energia, mas pobres em nutrientes, contribui para que as famílias com menos recursos façam uma alimentação menos saudável e que mais contribui para o excesso de peso.
Ainda não é claro que a crise económica em Portugal vá agravar os problemas da obesidade, mas é natural que possa vir a acontecer, segundo o coordenador do Programa para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde.
"Como é que um país se prepara para isto? A maior parte dos países europeus está ainda pouco preparada para um fenómeno, uma crise, desta dimensão e para as suas consequências", reconhece.
Para Pedro Graça, primeiro é necessário informar a população sobre quais os alimentos de base que não podem faltar num cabaz familiar, mesmo num cenário de contenção ou de dificuldade económica.
"É apenas um exemplo, mas a proteína do leite ou dos ovos é mais barata do que a da carne e do peixe", refere o especialista, indicando que é importante que as famílias saibam que tipos de alimentos devem escolher, sobretudo quando têm poucos recursos.
Será particularmente importante, considera o perito, que a informação seja passada de uma forma acessível a pessoas com vários níveis de escolarização e por vários canais de acesso.


