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7.9.23

“Sem vagas.” Há mais lugares gratuitos nas creches, mas muitas famílias continuam sem resposta

Patrícia Carvalho, in Público online

Governo diz que espera ter creche gratuita para 85 mil crianças ainda este ano mas faltam muitos mais lugares para garantir a universalidade da medida. Trabalho das mães é o que mais sofre.

Francyelle Monteiro, de 29 anos, tirou esta terça-feira para calcorrear as ruas, com o marido, de creche em creche, a ver se consegue encontrar uma resposta diferente da que tem ouvido constantemente desde que começou a procurar um lugar numa creche para o filho, de 14 meses: “Sem vagas.” Já ficou sem emprego e a família teve de deixar a casa e ir viver com os pais dela, pela perda de rendimentos. Uma vaga numa creche mudava-lhe de novo a vida. “Preciso de voltar ao mercado de trabalho, tenho oportunidade de trabalho, mas não tenho com quem deixar o meu filho. Isto está a causar-nos bastante transtorno”, diz. É um dos muitos casos a quem a Creche Feliz ainda não bateu à porta.

Antes de o filho nascer, Francyelle trabalhava como auxiliar de laboratório, mas o contrato a prazo não foi renovado assim que foi mãe. De dois salários, o casal passou a um e tudo se complicou. “Tivemos de abrir mão do lugar onde vivíamos e de dividir casa com os meus pais”, conta.

A primeira procura por creches foi ainda antes de o menino nascer, mas disseram-lhe que tinha de esperar, porque, sem registo do bebé, não era possível colocá-lo sequer numa lista de espera. A procura foi retomada “assim que ele nasceu”, recorda, e conseguiu deixar uma inscrição em três creches perto de casa, na altura, na zona de Alverca. A resposta, contudo, foi sempre a mesma: “Sem vagas.” Com a perda de emprego e a mudança de casa, a família passou para São João do Tojal, em Loures, mas os resultados não são melhores. “Não há vagas em nenhum lugar, ficamos sempre em listas de espera. O único sítio onde há vagas são lugares clandestinos, mais complicados”, lamenta.

Nos últimos dois meses, Francyelle colocou o bebé num local “informal”, graças ao apoio da igreja de que faz parte e que garante o pagamento da mensalidade. Mas também isso está a acabar. “Por causa da nossa situação financeira, eles estão a fazer o pagamento, mas só fazem durante três meses. Tenho mais um mês e depois não tenho mais o pagamento deles. Não tenho como mantê-lo nesse local.” A conclusão, por mais voltas que dê, é sempre a mesma: precisa de uma creche gratuita. “Preciso de voltar ao mercado de trabalho urgentemente”, desabafa.

Garantir que as mulheres têm igualdade de direitos no acesso ao mercado de trabalho é, precisamente, um dos objectivos da Creche Feliz, que ainda nesta terça-feira foi recordado ao PÚBLICO pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, após uma visita a uma creche no Montijo em que foi feito um balanço do programa de acesso a creche gratuita.

Os dados do Governo apontam para um aumento de nove mil vagas nos últimos dois meses, graças a uma portaria que simplificou a reconversão de salas vazias de locais já com serviços de apoio às crianças em salas de creche. Este ano, a expectativa da ministra é a de que o programa chegue a 85 mil crianças, um número que deverá aumentar no futuro, ajudado pela criação de mais oferta, incluindo a abertura de 20 mil novos lugares projectados até 2026, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência e do Pares.

“Temos intensidade máxima, trabalho máximo, para uma medida que gera um aumento da procura”, disse Ana Mendes Godinho, reconhecendo que o programa está longe de chegar a todos — não só não há vagas suficientes, como a procura cresceu muito. “Há famílias que não pensavam pôr as crianças numa creche e que agora assumem isso como prioridade. As pessoas todas querem colocar as crianças na creche, a medida induziu uma procura que só mostra que é acertada. Muitas crianças que não estavam com capacidade de acesso a creche, mais vulneráveis, passaram a estar, porque o custo deixou de ser um factor.”

Quarenta e duas creches contactadas

Tânia Vargas, de 33 anos, tinha essa expectativa de conseguir encontrar uma creche para o mais novo dos seus três filhos. Gabriel tem apenas 20 dias, uma irmã com três anos e um irmão com seis, e 95% de deficiência, de quem a mulher de Amares, Braga cuida diariamente.

Antes do programa Creche Feliz não teve dificuldade em encontrar vaga em creches: inscreveu os filhos mais velhos com antecedência, pagava as mensalidades até as crianças irem efectivamente para a creche, garantindo assim um lugar. Com a gratuitidade, isso deixou de ser possível, assim como fazer uma inscrição antes de o bebé nascer. “Comecei a procurar cedíssimo. O primeiro email que enviei a pedir uma pré-inscrição foi em Janeiro de 2023, estava grávida de seis, oito semanas”, diz.

Ao todo, Tânia Vargas contactou 42 instituições em Amares e em outros três concelhos vizinhos: Vila Verde, Braga e Barcelos. Até agora, não conseguiu uma vaga gratuita. “Já tinha noção de que as coisas estavam complicadas, não sabia é que estavam tão complicadas”, ironiza.

Mandou mensagens para a Assembleia da República, ministério, Provedoria de Justiça a expor o seu caso. Sem solução e com o filho mais velho a exigir cuidados permanentes, acabou por encontrar um lugar numa creche privada que não se inclui na rede da Creche Feliz. Um peso financeiro difícil de suportar para um orçamento familiar já muito sobrecarregado com as terapias e todos os tratamentos de que a criança de seis anos precisa.

Mas Tânia Vargas ainda não desistiu. “Estar a pagar mais uma mensalidade quando se tem direito a uma creche gratuita é um bocadinho injusto, um bocadinho desolador. Vamos tentando arranjar solução [gratuita], mas, não havendo, temos esta retaguarda. Estamos a pagar já a mensalidade. Não deveria ser preciso, estando a gratuitidade universalizada, nas IPSS e afins...”, lamenta.

Aos 39 anos, Bianca Ribeiro não tem ideia do que vai ser a sua vida nos próximos tempos, se não conseguir uma creche para a filha, nascida em Abril de 2022. Procurou vagas em seis creches, na área de Belém, em Lisboa, onde vive, e conseguiu ficar em lista de espera, mas sem resultados. “Renovei [pedido], mandei mensagem para todas as creches da minha área, não tinham vaga, continuam não tendo, mesmo com o Governo ampliando [o programa] dentro do sector privado. Não há, pelo menos por aqui”, diz.

Com uma família monoparental — o pai da bebé é inglês e não vive cá —, Bianca Ribeiro, que é brasileira, diz não ter família em Portugal, nem qualquer apoio. E, para piorar tudo, perdeu o emprego de analista administrativa, que tinha há quatro anos. “Sempre trabalhei em teletrabalho, desde a pandemia”, conta, mas “a política da empresa mudou e quem quiser trabalhar tem de ir para o escritório”.

Não adiantou de nada o seu argumento de que não tinha com quem deixar a filha e os pedidos para continuar em teletrabalho. A mulher diz que a empresa lhe começou a marcar faltas sucessivas e que a pressão para que se demitisse foi tanta que acabou por chegar a acordo com eles. Está, desde esta terça-feira, desempregada e com a filha em casa. “Tenho de continuar reconstruindo a vida”, diz.

Marta Esteves é advogada especialistas em questões relacionadas com os direitos da parentalidade e diz que casos relacionados com famílias — “95% são mães” — que a procuram em busca de uma ajuda, por não terem com quem deixar os filhos bebés, como o de Bianca, aumentaram desde o início da Creche Feliz. “As vagas já eram um problema em 2021, mas o problema aumentou, porque elas não aumentaram em proporção ao aumento da procura”, diz. “As mães procuram-me para as ajudar a encontrar soluções, porque têm de regressar ao trabalho e não têm com quem deixar o bebé. A primeira coisa de que se lembram é que têm de se despedir. Mas há outras soluções, e é com isso que as ajudo”, diz a advogada do Porto.

As alternativas são, basicamente três. O teletrabalho, que é permitido para todos os pais de crianças até aos três anos, desde que a actividade seja compatível com essa modalidade e a empresa disponha de meios para o efeito; o pedido de uma licença para assistência ao filho; e a licença de parentalidade alargada, para lá dos 180 dias.

Só que, nas duas últimas soluções, há perda de rendimentos — a licença para assistência aos filhos não é remunerada e a licença alargada, para lá de 180 dias, prevê uma remuneração de apenas 30% do salário ou 40%, se for partilhada por ambos os progenitores. “A vantagem é que permite acompanhar pelo menos o primeiro ano de vida do bebé em casa”, diz a advogada.
Teletrabalho pode ajudar

O teletrabalho aparece assim como a medida mais apetecível, enquanto não aparece um lugar numa creche. Mas nem sempre é fácil. Bianca acabou por “não resistir à pressão” da empresa e ficou desempregada. Sónia X., 32 anos, de São João de Madeira, conseguiu que a empresa o aceitasse, mas não foi fácil.

O filho nasceu em Outubro do ano passado e desde Maio desse ano que ela andou à procura de uma vaga numa creche. “Inscrevi-o em três creches, mas avisaram-me logo que dificilmente iria conseguir uma vaga. Ele devia ter entrado em Março deste ano e como era a meio do ano lectivo deram-me logo a entender que iria ser muito difícil”, conta.

Em Janeiro começou a insistir no pedido, de novo, mas nada mudou. “Chegou a altura de ele entrar na creche e não havia vaga. Não tenho apoio familiar perto, por isso ou fazia prolongamento da licença parental, o que a minha entidade patronal não aceitou, ou ficava em teletrabalho. Acabaram por aceitar esta alternativa, mas não foi muito bem visto”, diz a engenheira química.

Sónia X. (pede para ser identificada apenas assim) esperou alguns meses, mas conseguiu resolver o problema. O filho conseguiu, finalmente, vaga numa creche do sector social. “Entrou hoje [nesta terça-feira] na creche. Estive em casa com ele até agora. Agora vou voltar ao trabalho normalmente.”

A “saga”, como Tânia se refere ao processo de tentar encontrar uma vaga gratuita numa creche, terminou para Sónia. Mas não para muitas outras famílias. Bianca admite mesmo sair de Portugal, se não conseguir “adaptar e mudar” a situação actual, como já fez noutras alturas da vida. “Posso ter de dar início a outros caminhos”, diz. Uma creche gratuita ajudava muito.

7.7.23

Mais crianças por sala, menos burocracia na reconversão: Governo a correr contra a falta de lugares nas creches

Patrícia Carvalho, in Público online

Portaria prevê mais duas crianças por sala e possibilidade de abertura à noite e fins-de-semana. Debate parlamentar contou com exemplos de pais desesperados, um casal chegou a pensar emigrar

Com Setembro quase a chegar e muitos pais de cabelos em pé sem saberem ainda se vão ter uma vaga gratuita para os seus filhos ao abrigo do programa Creche Feliz, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), Ana Mendes Godinho, publicou uma portaria que permite o aumento de crianças por sala e a desburocratização na reconversão de espaços para novas salas, na tentativa de, ainda este ano, acrescentar seis mil novos lugares à parca oferta existente. A portaria foi publicada esta semana e prevê também maior flexibilização de horários.

A pedido do Bloco de Esquerda, a escassez de vagas nas creches, que está a impedir o real acesso à gratuitidade a todos os que a ela teriam direito, voltou esta semana ao Parlamento. Às críticas lançadas por Joana Mortágua e praticamente toda a oposição, a ministra ia respondendo com os resultados obtidos, em concreto, o facto de 58 mil crianças estarem já a beneficiar do programa Creche Feliz, quando, nesta primeira fase, o que tinha sido avançado como previsão pelo Governo, disse, é que se chegasse às 40 mil.

Mas Ana Mendes Godinho não pôde ignorar o óbvio: as cerca de 119 mil vagas que existem não chegam para todos e encontrar uma vaga disponível em distritos como o Porto, Lisboa ou Setúbal é uma verdadeira lotaria. Durante a tarde de quarta-feira foram dados exemplos de pais desesperados, como uma mãe de Almada, que inscreveu o filho em 12 creches e não teve vaga em nenhuma. E de uma outra mãe de Guimarães, cuja família até ponderou abandonar a casa que comprou há cerca de um ano para se mudar para outro local onde conseguisse encontrar uma vaga para o filho, depois de ver recusadas todas as tentativas para lhe encontrar um lugar naquele concelho, na Maia e na Póvoa do Varzim.

A ministra ia consultando a aplicação que indica as vagas existentes ao abrigo da Creche Feliz, e garantia que havia oferta nos locais indicados, mas André Almeida, o pai da criança de Guimarães dada como exemplo, confirma o que já outras famílias têm vindo a dizer: “Consultámos a app várias vezes, mas quando ligávamos para os sítios onde supostamente existiam vagas, diziam-nos que já estava ocupada e todas as creches tinham uma lista de espera enorme”, diz.

Com 32 anos e o filho prestes a fazer um ano, André conta a saga para tentar encontrar uma creche para o bebé, e que começou poucos meses depois de ele e a mulher terem descoberto que iam ser pais. Nada de vagas nos inúmeros locais para onde ligaram, falta de informação por parte da Segurança Social quando, já desesperados, tentaram encontrar uma ama. Depois, o alívio, com a indicação de que existia uma vaga numa ama da Segurança Social a cinco minutos de casa, para logo a seguir chegar a desilusão: “Disseram-nos que afinal não podia ser, por causa dos nossos rendimentos e de outros requisitos”, conta. Ironia: nesse mesmo dia, a mulher de André soube que iria ser despedida.

A família ponderou abandonar Guimarães, passou-lhes pela cabeça emigrar. Até que nesta quarta-feira, na tarde em que decorria o debate parlamentar e em que o seu caso foi abordado, chegou uma nova chamada da Segurança Social: “Disseram-nos que, afinal, conseguiam uma vaga para nós numa ama aqui perto de casa. Ficámos satisfeitos, esperamos que isto esteja finalmente resolvido”, diz André Almeida.

Um alívio que não será sentido por todas as famílias que ainda não sabem se terão direito a uma vaga gratuita no próximo ano lectivo. A escassez é reconhecida por todos - uma análise recente refere que seria necessário duplicar o número de vagas existentes para abranger todas as crianças com direito à gratuitidade -, e o aumento de vagas vai demorar.

Ana Mendes Godinho foi várias vezes questionada sobre quando estariam disponíveis mais lugares, nomeadamente, os 26 mil que serão abertos graças ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e do programa Pares, mas a ministra só conseguiu garantir que espera ter, ainda este ano, seis mil novos lugares, graças às alterações publicadas esta semana em portaria, depois de terem sido negociadas com os parceiros.
Abertura à noite e fins-de-semana

Segundo o documento, publicado em Diário da República na passada quarta-feira, o Instituto da Segurança Social pode autorizar o aumento de crianças por sala, até ao máximo de duas, desde que o espaço tenha condições para isso. Ou seja, em vez de 10 crianças nas salas até à aquisição de marcha, será possível haver 12, assim como as 14 crianças permitidas entre a aquisição de marcha e os 24 meses poderão passar a ser 16.

Outra alteração introduzida pela portaria - e que tinha sido várias vezes pedida pela Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP) - é a desburocratizarão na reconversão de espaços em edifícios já dedicados às crianças, mas que não estavam até agora a funcionar como salas de creche. “Assinei uma simplificação transformadora para facilitar a reconversão automática de espaços previamente dedicados à área de infância para salas de creche, desde que salvaguardadas naturalmente as questões de segurança e conforto, bastando uma comunicação ao Instituto da Segurança Social para o efeito”, disse no Parlamento, Ana Mendes Godinho.

A portaria confirma-o, dizendo que “a reconversão de espaços, previamente licenciados ou isentos de licenciamento, dedicados à infância ou o aumento de capacidade das salas não está sujeito a licenciamento” e que para avançar nesse sentido basta “uma mera comunicação prévia da reconversão ou o aumento ao ISS”.

O documento acrescenta ainda, à portaria anterior que estabelecia as normas de instalação e funcionamento das creches, que estas “podem ser instaladas [...] em edifícios existentes ou em espaços integrados em universidades, estabelecimentos hospitalares, empresas e entidades públicas”, sendo dispensadas regras como a que diz que estes espaços devem ser preferencialmente instalados no rés-do-chão e com contacto directo com o exterior, desde que esteja salvaguardado o conforto e segurança das crianças. A portaria também indica que as creches podem ser instaladas em “construções modulares”.

As novas regras, já em vigor desde esta quinta-feira, permitem ainda que as creches possam “funcionar em permanência, incluindo período nocturno e fins-de-semana, desde que exista a necessidade de frequência, por motivos relacionados com a actividade laboral de ambos os pais ou de quem exerce as responsabilidades parentais, ou motivos de força maior devidamente justificados e limitados no tempo”.

Apesar destas alterações, na tentativa de alargar urgentemente a rede disponível, há cerca de três mil lugares de creche que não podem, por enquanto, ser abrangidos pela gratuitidade. São espaços que estão sob a alçada de municípios e que a Lei de Bases da Segurança Social estipula não podem ser alvo de acordos similares aos que foram feitos com os parceiros sociais e a ACPEEP. Uma “regra absurda”, segundo o deputado bloquista Pedro Filipe Soares, que Ana Mendes Godinho disse estar disponível para alterar. “Estamos completamente disponíveis, nos mesmos moldes do que foi feito com o sector privado, para que façamos o mesmo com as creches dos municípios. Isto implica uma alteração da Lei de Bases, é uma questão estrutural, mas estamos aqui para fazer esse caminho”, disse a ministra.

O programa Creche Feliz entrou em vigor para o sector social e solidário a 1 de Setembro do ano passado, e a 1 de Janeiro deste ano para o sector privado, prevendo a gratuitidade para todas as crianças nascidas após 1 de Setembro de 2021.

O programa é faseado e no próximo ano lectivo deverá abranger “todas as crianças que ingressem no 1.º ano da creche e as crianças que prossigam para o 2.º ano”. Em 2024, este alargamento incluirá também as que frequentem o 3.º ano, com o Governo a prever que a abrangência, nessa altura, chegue às cem mil crianças.

Para concretizar o programa, o Estado paga às creches 460 euros mensais por cada criança abrangida. Um investimento que, neste momento, segundo Ana Mendes Godinho, implica o pagamento de 27 milhões de euros por mês às creches aderentes.

5.5.23

Apesar das expectativas, amas continuaram sem aumentos em Abril

Patrícia Carvalho, in Público online

Aumentos deveriam ter entrado em vigor já em Janeiro. Secretária de Estado da Inclusão disse que queria ver o processo resolvido até ao final de Abril, mas tal não aconteceu.

As amas das creches familiares, que aguardam por aumentos que deveriam ter entrado em vigor em Janeiro, tinham a expectativa de que o problema fosse resolvido durante o mês de Abril – prazo que tinha sido estipulado pela própria secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes. Mas Maio chegou sem mudanças positivas. Pelo contrário, mantêm-se as ameaças de encerramento dos serviços e pelo menos uma instituição de Loures já comunicou às amas e às famílias das crianças que em Setembro o serviço será encerrado.

Luísa Sousa, da Associação dos Profissionais dos Regimes de Amas (APRA), garante que “a esmagadora maioria das instituições continua a não cumprir a adenda ao acordo de cooperação para o sector social e solidário, assinada em Dezembro de 2022”. Segundo esta adenda, as amas das creches familiares, que podem receber até quatro crianças em casa, deveriam ter sido aumentadas em Janeiro deste ano, prevendo-se também a realização de negociações com vista à sua contratação colectiva.

Acontece que grande parte das instituições diz precisar de mais informações da Segurança Social sobre como proceder, associando mesmo os aumentos à contratação colectiva, e o processo não avança. A própria CNIS — Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade aconselhou os seus associados, logo em Janeiro, a esperar antes de proceder aos aumentos, lembrando que o acordo de cooperação prevê também a contratação colectiva e que o processo negocial para pôr em prática este ponto ainda não se tinha iniciado.

No início de Abril, a secretária de Estado defendia, em declarações ao PÚBLICO, que uma coisa não estava dependente da outra, mas argumentava que, se era esse o entendimento das instituições, então ir-se-ia avançar com as negociações da contratação colectiva, para que todo o processo pudesse avançar “seguramente” antes do final desse mês.

Só que Abril passou sem que tenha havido novidades e o responsável da CNIS, Lino Maia, confirma que ainda não houve qualquer reunião entre os representantes das instituições e o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS). Um encontro que chegou a estar previsto acabou por ser adiado e foi, entretanto, remarcado para a próxima semana.
Enviaram pedidos de audição a partidos

As amas estão cada vez mais preocupadas e acabaram de enviar pedidos de audição aos vários grupos parlamentares. Também o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSSS) está a acompanhar o processo e deverá pedir uma reunião ao ministério. “Não nos vamos precipitar, mas alguma coisa tem de ser feita, isto não é uma situação normal. Enquanto foi um trabalho ‘escravo’, em que as instituições ganharam tudo o que podiam, não houve problema. Quando vêem que não vão ter tanto lucro, estão a querer descartar estes serviços”, diz Joaquim Espírito Santo, coordenador do STSSSS.

O caso mais grave a este nível, indica a APRA, é o de uma instituição em Loures que já terá chamado os encarregados de educação e as respectivas amas sob a sua alçada para lhes dar conta que o serviço de creche familiar não irá reabrir em Setembro, afirmando, sobre a instituição, que não podem suportar os custos associados à contratação colectiva das 11 profissionais envolvidas – todas com a totalidade das vagas preenchidas.

“Quando o ministério está a fazer o que pode para abrir vagas, por causa da creche gratuita, temos serviços a trabalhar com amas há mais de 20 anos que de um momento para o outro dizem que vão encerrar”, afirma Luísa Sousa, classificando toda a situação como “lamentável”.

O PÚBLICO questionou o MTSSS sobre este processo, mas não obteve resposta.

Segundo esclarecimentos prestados em comissão parlamentar, por Ana Sofia Antunes, dois dias depois da assinatura da adenda que altera as condições de trabalho das amas das creches familiares, estas profissionais (358, de um total de 51 acordos de cooperação) que recebam até três crianças em casa passariam a receber, desde o início deste ano, 1052 euros brutos. No caso das amas que recebem quatro crianças, o número máximo permitido neste serviço, a remuneração subiria para 1178 euros. Estes valores correspondiam, respectivamente, a 85% e a 70% da verba transferida pela Segurança Social para as instituições referente às crianças acolhidas.

8.3.23

Inflação deixa IPSS em dificuldades financeiras

in SIC

O valor dos salários subiu, devido ao aumento de salários imposto pelo Governo, mas não foi feita a mesma atualização nas comparticipações da Segurança Social.

A inflação está a deixar muitas instituições particulares de solidariedade social (IPSS) em dificuldades financeiras. Alimentação, combustíveis e ordenados são os pilares que mais pesam na contabilidade.

Se 2022 já foi um susto, 2023 está a deixar as contas das administrações na zona vermelha. Numa das maiores IPSS do concelho de Viseu, só em ordenados foram gastos mais 200 mil euros no ano passado. Uma valor que subiu devido ao aumento de salários imposto pelo Governo.

Por outro lado, o Executivo não faz a mesma atualização no que toca às comparticipações da Segurança Social.

Em Farminhão, o peso da ruralidade não é apenas o sossego, mas é também as baixas pensões que, na hora de pagar aos lares, não chegam para a mensalidade.

O ano de 2023 ainda agora começou, mas em muitas IPSS o saldo já está negativo.

9.2.23

Para que creche gratuita chegue a todos é preciso duplicar a oferta actual

Patricia Carvalho, in Público online

Graças à medida da gratuitidade, famílias estão a poupar entre cerca de 60 e quase 400 euros mensais, dependendo do agregado familiar, das despesas fixas e do rendimento.

A falta de vagas nas creches está a pôr em causa a universalização da medida de gratuitidade, que o Governo está a executar de forma faseada. E para que todas as crianças até aos três anos pudessem, efectivamente, ter direito a frequentar uma creche gratuitamente “seria necessário duplicar a actual capacidade instalada”. A conclusão está numa nota sobre a medida que a unidade de monitorização do Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospectiva da Administração (PLANAPP) divulgou esta quarta-feira.

O documento, com data de 1 de Fevereiro, olhou para dois pontos essenciais: a capacidade de aplicação da medida, tendo em conta a oferta existente, e o que ela está a representar para as famílias que dela beneficiam, em termos de poupança.

Sobre o primeiro ponto, os técnicos não têm dúvidas: apesar de a medida da gratuitidade abranger, “potencialmente, todas a crianças nascidas após 1 de Setembro de 2021”, a sua “universalização” está a ser restringida “pela limitação na oferta e lugares nos equipamentos públicos e IPSS”. A receita fica traçada: “Para se alcançar uma eventual universalização do equipamento creche, seria necessário duplicar a actual capacidade instalada”, refere-se.

A justificação vem logo a seguir, na compilação de dados vertida na nota. Segundo a PLANAPP, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística e a Carta Social, em 2020, residiam em Portugal 248.263 crianças entre os zero e os três anos, mas o número de vagas nas creches nesse mesmo ano era de apenas 118.280. Ou seja, 129.983 destas crianças, mais de metade do total, não tinham lugar nestes equipamentos.

Os autores do documento referem que, olhando para os números entre 2011 e 2020, existe “uma trajectória gradual de convergência entre a capacidade de lugares disponíveis em creche, em aumento incremental na última década, e a diminuição, mais acelerada, do número de crianças entre os zero e os três anos”. Mas essa tendência é demasiado lenta e só duplicando as vagas se poderia fechar a brecha entre os dois valores, concluem.

“A capacidade instalada dos equipamentos continua a ser um obstáculo à plena realização da medida”, refere a unidade de monitorização, alertando que o alargamento da gratuitidade às creches privadas “não terá grande variação” no número de lugares disponíveis, já que cerca de três quartos da oferta existente pertencem ao sector social.

A única solução para que os benefícios da medida — reconhecidos pelos autores da informação — sejam mais abrangentes é mesmo alargar a rede de oferta e a nota também sugere como é que tal deve ser feito.

Tendo em conta a taxa de utilização das creches existentes, por distrito — apenas a Guarda está abaixo dos 70% e Bragança e o Porto estão muito perto dos 90% —, os autores da avaliação entendem que se deve olhar para o rácio entre a procura potencial de lugares e a capacidade existente para perceber os concelhos onde a aposta no alargamento de vagas deve ser feita. E esses estão, sobretudo, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, mas também em várias outras zonas do litoral e algumas do interior (como Mogadouro ou o Alandroal).
Poupança variada

Apesar da “disparidade” entre crianças e vagas existentes ser ainda “significativa”, as famílias que estão a beneficiar, efectivamente, da medida estão a conseguir poupar, mensalmente, entre cerca de 60 e quase 400 euros.

Os autores da análise traçaram diversos cenários, com base no número de pessoas do agregado familiar, do seu rendimento e das despesas fixas que têm, para chegar a esta conclusão. Quem poupa menos (entre 60 e 80 euros), curiosamente, são as famílias com menos rendimentos, que se encontram no 1.º e 2.º escalões de rendimentos, mas também porque, nessas condições, pagariam sempre uma mensalidade mais baixa nas creches sociais. Já um casal com dois filhos e um rendimento médio mensal do agregado de 4000 euros estará a poupar, segundo a estimativa do PLANAPP, cerca de 370 euros por mês.

A gratuitidade nas creches, uma medida actualmente denominada Creche Feliz, começou a ser adoptada em 2020, abrangendo, então, as crianças provenientes de famílias no 1.º escalão de rendimentos. No ano seguinte foi alargada às famílias do 2.º escalão e desde 1 de Setembro de 2022 que a gratuitidade abrange todas as crianças nascidas a partir de 1 de Setembro de 2021, que frequentem creches do sector solidário e social, independentemente dos rendimentos familiares. A 1 de Janeiro deste ano a medida foi alargada às creches do sector privado e prevê-se que até 2024 seja de novo alargada.

A falta de capacidade de resposta tem sido um problema constantemente referido e que já levou mesmo a secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, a admitir alterar uma das premissas da medida — aquela que define que só haverá gratuitidade em creches privadas nos concelhos onde já não exista vaga no sector social.

A Creche Feliz implica que a Segurança Social pague, por cada criança abrangida, uma mensalidade de 460 euros, seja no sector social ou no privado.

O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social lançou um aviso, no âmbito do PRR — Plano de Recuperação e Resiliência, para que sejam criados pelo menos mais cinco mil novas vagas até ao final deste ano, um valor ainda muito residual em relação às reais necessidades do país.​

11.1.23

Alijó leva música aos lares e centros de dia

Olímpia Mairos, in RR

Iniciativa quer contribuir para um envelhecimento ativo e saudável e combater o isolamento social.

Levamos a Música no Coração” é o nome da iniciativa da autarquia de Alijó, que vai proporcionar sete concertos dedicados aos utentes e idosos de todos os lares e centros de dia do concelho, entre 11 e 21 de janeiro.

Com o objetivo de levar afetos através da música a quem tem mais dificuldades em contemplá-la fora destas instituições de acolhimento, “esta iniciativa pretende proporcionar aos mais velhos momentos de alegria, convívio e partilha”, refere a autarquia em comunicado.

Neste contexto e no âmbito da estratégia municipal de descentralizar a cultura e levá-la a todos os públicos, o projeto “vai ao encontro dos idosos e utentes no seio dos lares e centros de dia, tendo em conta que muitos deles têm dificuldades de mobilidade e, de outra forma, não teriam acesso a eventos deste género”, acrescenta o documento.

A iniciativa conta com a parceria das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho, que possuem estruturas residenciais para idosos e centros de dia, e arranca a 11 de janeiro com a atuação da Tuna da Universidade Sénior de Alijó, no Centro de Dia do Pinhão.

Os concertos terão lugar durante a tarde e serão realizados por grupos locais, nomeadamente a Tuna da Universidade Sénior de Alijó, a Banda Filarmónica de São Mamede de Ribatua e a Banda de Música de Carlão.

Segundo o município de Alijó, a iniciativa “Levamos a Música no Coração” foi criada para oferecer mais uma atividade que contribui para um envelhecimento ativo e saudável e combate o isolamento social.

22.12.22

Idosos sozinhos: “Preciso de ouvir uma voz, já não digo receber aquele abraço” Programa da GNR para proteger os idosos a viver sozinhos ou isolados tem também uma dimensão social.

Ana Dias Cordeiro (texto) eRui Gaudêncio (fotografias), in Público onlline

Programa da GNR para proteger os idosos a viver sozinhos ou isolados tem também uma dimensão social. “Este bocadinho da nossa vida que acaba por ser pouco, para estas pessoas é imenso.”

Diamantino Santos Quelhas vive há 15 anos numa casinha branca à beira da estrada da Bela Vista em Vale Fetal, no concelho de Almada. Já sentado, dentro de casa, prepara-se para contar por que é uma das 105 pessoas acompanhadas pelas equipas da GNR no programa Idosos em Segurança. “Não me sinto sozinho, já estou habituado. Não gosto de incomodar ninguém.”

Di-lo com as lágrimas que lhe escapam dos olhos, como as que lhe rolaram pela face, sem aviso, assim que ao portão se viu diante do cabo da GNR, Hélio Cruz, quando este chegou pela manhã para o acompanhamento porta-a-porta do programa inserido nas funções da GNR de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário.

Na lista do haver, tem a casinha estreita e branca, que se abre para um pequeno quintal onde, assim que se mudou de Coimbra, para aqui morar, plantou uma nespereira, que viu crescer e que agora partilha o espaço com tralha e cadeiras velhas encostadas ao muro junto à estrada de onde acena, sempre que pode, aos conhecidos que passam. Muito alinhada está a roupa no estendal, com as peças de uso diário, um casaco leve e ainda um pijama.

A solidão e o isolamento são dois dos critérios para idosos estarem sinalizados, com registo no programa Apoio 65 – Idosos em Segurança, da Guarda Nacional Republicana (GNR). “Isto é social, não é policial, o que estamos a fazer”, diz Hélio Cruz, coordenador do programa no destacamento de Almada que abrange cinco postos territoriais da GNR (além de Charneca, também Costa da Caparica, Trafaria, Fernão Ferro e Paio Pires). O militar refere-se à sinalização, mas também à articulação que, por opção, podem fazer com os serviços sociais das juntas de freguesia, os centros de saúde, a Segurança Social e outras entidades, para suprir as necessidades dos mais vulneráveis.

“O que está escrito não é o principal, o principal é a intervenção.” Pessoalmente, diz, “isto foi uma missão que me foi atribuída, à qual me dedico de corpo e alma”.

Diamantino Quelhas recebe 370 euros de pensão de reforma e 150 euros por ano por ser antigo combatente. Mas paga 225 euros de renda e ainda o que há para pagar de água, luz e para a instituição particular de solidariedade social (IPSS) que lhe entrega a comida.

Até aos seus 65 anos, não faltava à confraternização anual dos antigos combatentes: esteve 28 meses e 19 dias, em Angola, Cabinda. Já estava então casado, desde os 19 anos, com a mulher e mãe dos dois filhos de quem está, há vários anos, divorciado. Sobre esses temas, pouco ou nada fala.

Ao seu colo, dormita “uma cachorrinha”, a Lassie. Foi-lhe oferecida num gesto de quem, por amizade, intuiu que a longa lista de perdas resultaria em demasiada solidão para tamanha fragilidade. “Foi um senhor que me perguntou se eu não queria mais nenhum quando o meu cão morreu. O dono do café também é muito meu amigo”, diz, antes de relatar, em síntese: “Arranjei um cachorrinho, ando aí a passeá-lo. Tinha um, mas ele morreu.”

Diamantino conta ainda com a amizade daqueles que, reformados como ele, se juntam no café, sempre que possível. “Somos todos vizinhos, somos todos amigos. Também é um cantinho. Não vou todos os dias mas gosto muito de ir.”
Todos os dias o filho liga para saber como está. Diamantino não telefona a ninguém. “Não tenho dinheiro no telemóvel”, diz, encolhendo os ombros, para logo depois iluminar a expressão num largo sorriso em sinal de orgulho. “Lá no café quando sentem muito a minha falta, telefonam-me.”

“Quando lá vou, tomo um café com um pastel de nata ou um queque, dou um bocadinho aqui à minha cachorrinha”, descreve assim aquela que parece ser a razão por que se levanta todos os dias. “É isso o meu pequeno-almoço.”

2020 não foi só o ano da pandemia; para Diamantino foi o ano em que “perdeu capacidade de fazer a sua alimentação”, explica o cabo Hélio. Em casa, almoça o que lhe traz diariamente o Centro Social e Paroquial de São José. “Um gajo come pouco, para dar para o jantar”, diz depois com uma risada.

O tom nunca é de queixa, mas mais horas de conversa dariam para mais incontáveis desamparos, como este: esteve com a água cortada porque recebeu uma dívida de mais de 2000 euros para pagar que era do anterior inquilino. “Durante um ano, ou mais, ia buscar água ao vizinho.” Em relação à dívida, foi esquecida, por se ter provado que o consumo não era de Diamantino.
"Andamos aqui desorientados"

Na visita da equipa de apoio aos idosos da GNR de Santiago do Cacém, a primeira coisa que Alice Serrão partilha é a grande aflição que a consome desde aquele dia em que, à saída do Intermarché, o casal foi convidado a fazer um rastreio aos ouvidos. A consulta gratuita, dentro de uma carrinha, resultaria na venda de um aparelho auditivo para o marido. É certo que este pouco conversa, não por o seu discurso não ser claríssimo, mas porque ouve muito mal.

A proposta pareceu honesta a Alice, até ao momento em que fez contas à prestação mensal de 98 euros que passariam a pagar para a compra de um aparelho que não tinham procurado. Com os juros de um plano de pagamento a 60 meses, a solução para o problema ficaria em mais de 5600 euros.

“Eu tive medo de me meter nisso e, no fim, caí na mesma. Eu bem perguntei à senhora quanto custava, mas ela não respondia, olhando só para o meu marido para lhe perguntar se ele estava a ouvir bem”, diz Alice de pé, ao lado do marido, sentado. “Eu já nem sequer tenho nome”, diz António Francisco Serrão. “Falta-me o melhor. Coitadinho”, diz sobre a perda do filho. Para qualquer um dos dois, é impossível viver desde que uma doença o levou, com 53 anos, no ano passado.

Choram sempre que falam dele, e falam muito dele porque todo e qualquer tema conduz a esse luto infinito: o estarem sozinhos e terem pouco dinheiro, as compras, a roupa de que é preciso tratar para ir ao médico, as consultas, a casa cujo telhado o filho ia arranjar, o carro, em que voltaram nesse dia, já às escuras, sem terem ligado os faróis, nem mesmo os mínimos. Costumam ir para as compras cedo, para o regresso ser feito com a luz do dia. Mas nesse dia, distraíram-se com o negócio que lhes foi proposto.

“A consulta foi muito bem dada. E o meu marido ouvia que era uma maravilha quando lhe puseram o aparelho. Mas a pessoa que vende isso tem que saber que estes aparelhos não são para quem não tem dinheiro. Ela aproveitou-se desta velharia que aqui está”, diz, contendo os nervos. Alice Serrão tem 81 anos e cuida do marido de 85 anos na aldeia de Giz onde vivem há uns anos desde que saíram de Galiza, lá junto à Lagoa de Santo André.

“Estamos acolhidos, os dois”, completa Alice, para dizer que enquanto o marido precisar dela, ela viverá. Ele trabalhou nos blocos e na limpeza das obras; ela na monda do arroz, antes de ganhar um problema na coluna. “Eu trabalhei tudo e mais alguma coisa. Reformei-me e ainda andei 12 anos na pesca na lagoa.”

Agora, com a parca pensão de reforma, há meses em que não sobra nada, diz Alice, ainda preocupada com o que o banco poderá retirar-lhe da primeira prestação do contrato que assinou por ser por débito directo. “O filhinho faltou, andamos aqui desorientados”, diz.

Ao telefone com uma representante da empresa que vendeu o aparelho, o guarda principal Luís Carapinha, que conhece bem o casal, certifica-se que nenhum valor será debitado. “Começamos a olhar para estas pessoas como se fossem da nossa família”, diz Alice, sobre essa ajuda que só ficará completa com uma confirmação que só virá na semana seguinte.
Sem um euro para um café

Hélio Cruz, ao lado da sua chefe, a tenente Patrícia Manso, é recebido com abraços quando entra pela casa de Maria Fernanda Graça, em Paio Pires, que lhe agradece “muito, muito” por a ter escolhido para contar a sua história. É para a senhora reformada um sinal de reconhecimento agora que recebe poucas visitas. Dos três filhos, diz, o que sofre de uma perturbação psiquiátrica e esteve intermitentemente acolhido em comunidades terapêuticas para tratar uma toxicodependência, “é o único que se importa”.

Os outros dois, mais novos, passam pouco, e quase não telefonam. O filho mais novo deixou-lhe um computador que não usava mas que Maria Fernanda nunca ligou nem sabe como funciona. “O que eu não gosto é de ver que tem a despensa vazia”, diz-lhe o cabo Hélio Cruz, depois de inspeccionar a cozinha. A ele, Maria Fernanda liga, mas com parcimónia. “Sei que tenho ali uma voz amiga. Às vezes sinto-me tão em baixo, moralmente em baixo. Tento não telefonar. Sei que está ocupado, e que vou provavelmente incomodar.” Não incomoda, sorri o militar. "É que eu preciso de falar, de ouvir uma voz. Não digo que seja aquele abraço…”

FotoMaria Fernanda vive sozinha em Paio Pires Rui Gaudêncio

Os fins de mês são apertados, e nesta segunda-feira é dia 28. Maria Fernanda aguarda a pensão de reforma e o subsídio de Natal para ganhar um avanço, sobretudo nos medicamentos, que já não toma há três meses. Conta os dias até esse 10 de Dezembro. Vive sem a medicação, contudo imprescindível para as dores e a garantia de uma prevenção para os acidentes cardiovasculares, depois da trombose que a levou a um internamento de 17 dias no Garcia de Orta, em Almada.

Começou depois a ser acompanhada, a ir para o centro de dia da Associação dos Pensionistas e Idosos de Paio Pires. “Fazemos desenhos, pintamos, fizemos para o São Martinho trabalhos manuais com folhas do Outono. Agora estamos a fazer tricô e trabalhos manuais para o Natal.”

As suas amigas só se aventuram com o jogo de cartas UNO quando Maria Fernanda está presente porque é aquela com as ideias mais claras e uma das mais novas, embora seja a que anda com maior dificuldade e quase já nem possa participar nos passeios. “Eu não saio. Para quê? Não tenho dinheiro nem para tomar um café. Não consigo andar. O que vou fazer para o meio da rua, sem ninguém? É uma vergonha estar ao pé das pessoas e não ter um euro para tomar um café.”

Os temas sucedem-se num fio de conversa que parecem surgir como uma lufada de ar para aligeirar “as dores e as mágoas”, diz Maria Fernanda. Ligados ou não, os assuntos sobrepõem-se uns aos outros: a solidão está ligada ao sentimento de abandono, e este fá-la valorizar a atenção do filho doente que, no entanto, foi aquele que, pela doença e a toxicodependência, a maltratou e lhe roubou todo o ouro e dinheiro que tinha em casa para comprar droga. Foram anos em que se esqueceu de si mesma. “Aqui a Dona Fernanda estava a ir-se embora aos bocadinhos. Era pele e osso”, diz Hélio Cruz.

“O meu filho nunca me bateu, mas chegou a ameaçar que me batia, que me matava e se matava. Ele ofendia-me, eu sentia-me maltratada. Eu cheguei a ganhar medo, mas não fiz queixa. Ele é o meu filho”, continua sem qualquer sinal de mágoa na voz. “Mágoas” tem, diz a reformada de 74 anos, sobretudo às segundas-feiras, quando fica calada, por nada ter para contar, no reencontro no centro de dia em que as amigas relatam com entusiasmo os programas de fim-de-semana com a família. “Vão almoçar com a filha, com o filho, com os netos. Vão sempre a algum lado. Vão passear. Custa-me muito, nessas alturas, ouvir e não ter nada para dizer.”
“Eu é que cuido da minha mulher”

Longe de tudo, Silvestre Maria Francisco não se sente sozinho. Aos 81 anos, é quem cuida da mulher com problemas de saúde. Os dois vivem no monte de Fetais dos Fogos, em Santiago do Cacém, onde, diz, não tem receio de ser assaltado.

“Poucas são as pessoas que passam por aqui. As que eu vejo passar são pessoas que eu conheço”, diz. Os fados que ouve “dia e noite na rádio, e desde que haja pilhas” enchem-lhe as medidas. Os animais fazem companhia. “Tenho os porcos a engordar ali daquele lado. E o patrão [dono dos terrenos] sempre que mata um porco, traz-me carne e linguiça.” E depois há os cães, o grande e aquele, mais pequeno, que dá o sinal quando se aproxima alguém.

Silvestre Francisco foi agricultor “quando havia de tudo – trigo, cevada, tremoço, tremocinho”. “Fui tirador de cortiça, trabalhei na construção civil. Depois acabei com tudo. Vim para esta zona. Com a minha idade, vou para onde?”, interroga-se, olhando em volta como quem vê tudo o que precisa.

“Não sinto nada que me apoquente. Não me sinto isolado”, diz Silvestre Francisco. Não tem água e não tinham luz quando vieram para aqui, diz até com um sorriso despreocupado. Pode beber a água do furo. E esta tarde, por exemplo, a sua mulher foi a casa da filha para tomar o banho. “Estamos há 30 anos juntos, há 20 anos aqui. Eu é que faço tudo, cuido dela, faço a comidinha.”
“Oxalá fosse só a mim”

Todos os anos, a Operação Censos Sénior da GNR contabiliza os idosos sinalizados que vivem sozinhos ou isolados. Fá-lo por critérios de segurança, podendo a intervenção vir a ter uma natureza social. Este ano, a Operação Censos Sénior contabilizou 44.511 pessoas, um pouco mais dos 44.484 do ano passado. Em 2020, estavam sinalizados 42.439 e no ano anterior eram 41.868. São números relativos ao continente de idosos que podem ser sinalizados pela comunidade, vizinhos ou entidades como os centros de saúde, entre outros. Também ficam sinalizados quando são vítimas de crimes, como furto, violência doméstica, negligência ou burla.

Foi por uma situação de burla que a equipa do Policiamento Comunitário de Santiago do Cacém chegou a Deixa-o-Resto. Esta é a aldeia onde Custódia Francisca guarda a casa emblemática para várias gerações de homens que tiveram no seu marido, o senhor Ventura, o seu barbeiro de eleição.
Agora viúva, sem filhos, Custódia faz por não passar muito tempo sozinha. Convive com vizinhos e tem uma amiga que, todas as noites, a acompanha nos programas de televisão, que se seguem ao jantar. Visita a irmã. Gosta de ler, especialmente à noite quando não lhe largam pensamentos sobre aquilo com que já estará conformada, diz estóica. “Eu estive quase dois meses sem cabeça para ligar a televisão. Estive à beira de um esgotamento. Mas tenho sido forte. A minha irmã diz-me sempre ‘esquece’.”

A conversa vai avançada, sem uma queixa, quando Custódia relata enfim aquilo que ainda hoje não percebe como aconteceu.

Bateram-lhe à porta e dois homens que se fizeram passar por médicos. Custódia não desconfiou. A porta ficou aberta. Quando virou costas, viu que o carro já tinha arrancado. Levaram os 20 mil euros que tinha guardado para comprar o terreno da casa. “Uma pessoa está tão tranquila. Se eu tivesse sabido, eu tinha fechado a porta.”

“Oxalá fosse só a mim.” Não é, e para isso esta equipa de cinco militares que têm sinalizadas 696 pessoas idosas sozinhas, embora nem todas a precisar de acompanhamento, organiza acções de sensibilização em lares e centros de dia.

As pessoas sentem vergonha de serem burladas, explicam o guarda principal Luís Carapinha, a cabo Mónica Madruga e o guarda principal Rui Pinto.

“As pessoas que passaram por isso dizem que lhes deram um cheirinho” e assim ficaram desorientadas. Mas é sobretudo a conversa, que as leva a acreditar, acrescentam. Os burlões entram pelas casas dos idosos com artimanhas diversas: podem pedir as notas para trocar, dizendo que as que têm guardadas vão perder validade; ou vir com a promessa de benzer o ouro para prevenir uma doença ou uma qualquer desgraça na família.

Sozinhas, mais facilmente as pessoas acreditam. A missão do programa da GNR Idosos em Segurança é garantir a segurança e o bem-estar das pessoas. Mas não fica por aí. “Temos que ter sensibilidade. Ficar algum tempo a conversar quando estamos perante pessoas vulneráveis. Este bocadinho, que na nossa vida acaba por ser pouco, para estas pessoas é imenso.”

28.10.22

EAPN: Aposta no apoio domiciliário pode ser um desafio futuro das IPSS

in a Reconquista

As IPSS têm falta de recursos humanos, pelo que o novo paradigma passa pela aposta reestruturada no apoio domiciliário.

Um dos encontros decorreu no Lar Major Rato em Alcains

O Núcleo Distrital de Castelo Branco da Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN), no âmbito do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza (celebrado a 17 de outubro), promoveu, dia 19 na Santa Casa da Misericórdia da Covilhã e dia 20 no Lar Major Rato em Alcains, em parceria com estas instituições anfitriãs, mas também com o Instituto Português do Desporto e Juventude, a delegação de Castelo Branco da Cruz Vermelha Portuguesa e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Castelo Branco, um encontro de associados, onde analisaram o impacto da crise na vida das instituições.

O encontro de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), associadas à EAPN, teve como foco um “debate de Reflexão da situação atual das instituições do Distrito de Castelo Branco”, na semana dedicada à “Erradicação da Pobreza”.

O Núcleo Distrital de Castelo Branco da EAPN, “tendo um olhar atento às questões das respostas sociais do distrito, associadas à Pobreza e Exclusão Social, que se agravam, debruçou-se neste debate sobre o modelo social atual, com o intuito de contribuir para a construção de um novo paradigma”. Desde logo, “a pandemia, trouxe novos desafios às entidades de cariz social e para os quais não estavam preparadas. Muitas dificuldades foram superadas, enquanto outras se mantêm, obrigando a outras soluções que passam pela formação, pelas respostas sociais e de grande apoio financeiro para manter as respostas que oferecem à comunidade”, avançam os promotores, acrescentando que “o decréscimo de utentes nas respostas socias de Centro de Dia, Apoio Domiciliário, e Centros de Convívio, levaram os utentes a procurarem resposta de ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos - Lar) com o aumento da fragilidade das pessoas, devido à dependência e de muitos residirem isolados da comunidade”.

Por outro lado, “a média de idades muito altas, nas direções das IPSS, leva a repensar no rejuvenescimento das mesmas, mas a falta de recursos humanos é notório em todas a instituições, as quais têm que rever todos os seus quadros. O problema mais eminente de hoje e de futuro é o quadro de pessoal”. Além disso, “o envelhecimento populacional de algumas freguesias, leva ao acentuar da questão dos recursos humanos e que futuro, têm as organizações para manter as respostas à comunidade”.

Os associados da EAPN defendem assim que “o apoio domiciliário será o paradigma do futuro, nos próximos anos, numa aposta mais individualizada às necessidades das pessoas, envolvendo uma rede de parceiros locais de forma a envolver todos na reposta social, habitacional e saúde”.

17.5.22

Crianças refugiadas ucranianas sem vagas em creches nem jardins-de-infância

in Público

Desde o início do conflito, Portugal acolheu mais de 35 mil pessoas: duas em cada três são mulheres e cerca de 10 mil são crianças com menos de 14 anos. Refugiadas lamentam falta de vagas para os filhos, que complica a ida a entrevistas de emprego ou cursos de formação e dificulta a integração.

Refugiadas ucranianas em Portugal lamentam a falta de vagas em creches e jardins-de-infância para os filhos, situação que dificulta a sua integração, porque não conseguem fazer cursos de formação, ir a entrevistas de emprego ou aceitar trabalhos.

O alerta partiu da Associação Ukrainin Refugees (UAPT): “No caso das crianças e adolescentes do ensino básico e secundário está tudo a correr bem, mas com os mais pequenos está a ser bastante complicado, porque não há vagas para todos”, disse à Lusa Irina Shkira.

Ir a uma entrevista de emprego ou tirar um curso básico de português é complicado para quem não tem com quem deixar as crianças, admitiram ucranianas que chegaram ao país nos últimos meses fugidas da guerra. Desde o início do conflito, em 24 de Fevereiro, Portugal acolheu mais de 35 mil pessoas: duas em cada três são mulheres e cerca de 10 mil são crianças com menos de 14 anos, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

A Lusa questionou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social na semana passada sobre quantas crianças estão em creches e jardins-de-infância e quantas continuam sem vagas, mas não obteve qualquer resposta até ao momento. O Governo alterou o limite máximo de crianças nas creches, permitindo mais duas por sala, mas sem apoiar financeiramente os estabelecimentos privados que o decidam fazer.

“Nós estamos a receber crianças gratuitamente, mas não conseguimos receber mais porque não há qualquer comparticipação. A Segurança Social só apoia financeiramente as crianças que estão em IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social). Já avisámos que poderíamos receber mais, mas não obtivemos qualquer resposta”, lamentou Susana Batista, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP).

À falta de apoio financeiro, Susana Batista acrescentou a falta de coordenação: “As crianças estão a chegar até nós porque as famílias nos procuram. Houve directores que avisaram as câmaras municipais da sua disponibilidade, mas depois não houve qualquer articulação para perceber onde faziam falta ou onde é que era preciso”.

Daria chegou em Março a Portugal e ainda não conseguiu arranjar escola para os filhos, de 2 e 4 anos. Vivia em Kharkiv até a guerra a obrigar a despedir-se do marido, irmão, mãe e sogra. Fugiu com os filhos e o quase nada que conseguiu carregar numa mala.

A especialista em qualidade de software vive em Lisboa e mantém o emprego que tinha na Ucrânia: “Continuo a trabalhar online e em part-time. É difícil, mas tento concentrar o trabalho quando eles estão a dormir a sesta e, quando acordam, ponho-os a ver televisão”, contou à Lusa. Um dos objectivos de Daria é, precisamente, conseguir comunicar melhor com os locais: “Os portugueses são muito acolhedores, mas já encontrei pessoas que não falavam inglês e foi muito complicado”, desabafou.

Preocupada com a falta de oferta de cursos para os que não têm com quem deixar as crianças, a Associação Ukrainian Refugees encontrou na Fundação Vodafone uma resposta. No edifício-sede da Vodafone, em Lisboa, os adultos têm aulas diárias de português ou de inglês, enquanto as crianças brincam numa gigantesca sala transformada num espaço de brincadeira.

“Montámos um infantário em tempo recorde. Em média temos 15 a 20 crianças todos os dias, enquanto as mães estão nas aulas”, explicou à Lusa Ana Mesquita Veríssimo, responsável da Fundação Vodafone, que chegou a trazer brinquedos dos filhos para o trabalho para alegrar a sala das crianças.

No segundo andar do moderno edifício há agora uma sala para os bebés dormirem a sesta, um campo de futebol improvisado, uma televisão “com os canais russos bloqueados”, almofadas gigantes espalhadas pelo chão e muitos brinquedos, dos quais se destaca um castelo de tijolos de cartão feito pelas crianças que colocaram uma bandeira ucraniana no topo. Há mesas e cadeiras de plástico coloridas em tamanho pequeno, lápis de cor e desenhos colados nas paredes.

“A Fundação tem feito um trabalho fantástico e esta iniciativa permite também às crianças aprender português”, acrescentou Irina Shkira, explicando que uma das quatro educadoras é portuguesa e “tem ensinado imensas coisas, como saber os nomes das cores ou dos frutos”.

Oksana, Alina e Nataliia são as outras três educadoras, também refugiadas ucranianas. “Foi uma forma que encontrámos de dar emprego a quem estava a chegar”, contou Ana Mesquita Veríssimo, acrescentando que para as crianças também é bom ter quem fale a sua língua.

Mas os primeiros dias não foram fáceis. “Os miúdos não queriam ficar aqui sozinhos e as mães apareciam nos intervalos das aulas para ver se estavam bem. Lembro-me da Karina agarrada à mãe. As crianças mais pequenas, entre os 2 e os 4 anos, eram as que choravam mais. Estavam mais assustadas. Não queriam ficar longe das mães”, recordou Alina. A educadora que chegou a Portugal fugida de Odessa a 22 de Março garantiu que “agora os miúdos vêm a correr para este espaço”.

Vsevolod, de 7 anos, é um desses casos. “Ele passa o dia a perguntar quando é que vimos para aqui, porque aqui tem meninos com quem brincar”, contou Katia, a mãe que há 33 anos nasceu em Lugansk. A costureira de Lugansk está agora desempregada e acredita que aprender português poderá ajudar a encontrar trabalho e por isso também se inscreveu no curso da Vodafone.

Irina Shkira gostava que mais instituições avançassem com projectos semelhantes ao da Fundação Vodafone. “Os portugueses são muito solidários, acredito mesmo que sejam os mais acolhedores da Europa, mas era bom que outros pudessem ter iniciativas como estas dos cursos com espaço para ficar com as crianças”, apelou a responsável da associação.

Enquanto Katya aprende português, o filho brinca com as outras crianças, assim como Daria se sente descansada durante as três horas diárias de aulas em que Danilo e Sofia ficam aos cuidados das professoras.

Apesar das educadoras ucranianas, ali não se fala do que ficou para trás. “Não perguntamos nada às crianças, porque não queremos que recordem momentos que podem ter sido dolorosos”, explicou Ana, a professora portuguesa. Mas o passado transparece, por vezes, nos desenhos. “Um menino fez uma casa e depois riscou-a toda de preto e percebemos que tinha sido bombardeada”, contou.

17.2.22

Famílias pobres com cortes nos cabazes de alimentos: faltam leite, arroz e outros bens essenciais

Samuel Silva, in Público on-line

Leite, arroz, peixe e azeite estão fora dos pacotes alimentares há meses — ou aparecem em quantidades muito reduzidas. Impugnação de concursos públicos para a compra dos alimentos e demora de pareceres técnicos da ASAE explica a situação que afecta cerca de 120 mil beneficiários.

Arroz, peixe congelado, atum em conserva, azeite, bolachas e, sobretudo, leite. São produtos como estes que deviam constar dos cabazes alimentares recebidos pelas famílias beneficiárias do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, mas que ou não têm sido entregues ou chegam em quantidades menores do que o habitual desde, pelo menos, o final do Verão passado. O Governo admite as falhas, mas garante a resolução de alguns destes problemas ainda este mês.

O Jornal de Notícias, que esta segunda-feira noticia a situação, cita Instituições Particulares de Solidariedade Social de todo o país que dão conta da falta de muitos destes alimentos desde Setembro. O leite é a principal carência, contam, já que muitas famílias têm crianças pequenas. Os cabazes devem ter 25 produtos alimentares. Segundo os assistentes sociais, não têm sido entregues cerca de um quarto dos alimentos que habitualmente são incluídos nos cabazes.

Fonte do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social admite “falhas na entrega de alguns produtos”. A tutela justifica a situação com três tipos de situações. Por um lado, houve “impugnações judiciais interpostas pelos concorrentes” nos concursos públicos para a compra dos produtos que devem constar dos cabazes alimentares, mas também “demora na análise da emissão dos pareceres técnicos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE)” necessários sobre os alimentos entregues às famílias pobres.

Por último, também “a exigência da União Europeia na tramitação procedimental associada” a esses concursos de aquisição contribui para os atrasos verificados, admite a mesma fonte governamental. O ministério de Ana Mendes Godinho garante que “a situação está a ser gradualmente ultrapassada” e que “alguns produtos serão distribuídos este mês”.

O Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC) foi criado para combater a pobreza e a exclusão social em Portugal e é co-financiado pela União Europeia. Há 120 mil beneficiários em todo o país. Para serem abrangidas, as pessoas devem estar em situação de grave carência económica. Nessa análise é considerado o rendimento líquido do agregado familiar, as despesas fixas e o número de elementos da família. Depois de deduzidas as despesas aos rendimentos, cada pessoa do agregado não pode dispor de mais 213,91 euros mensais para ser elegível.

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28.10.21

Uma IPSS pode ser gerida como uma empresa: “Antigamente estávamos habituados a estender a mão, mas essa era acabou”

Bruna Ferreira, in Público on-line

A Terra dos Sonhos, organização portuguesa sem fins lucrativos, defende a profissionalização das IPSS em Portugal e lamenta que este processo esteja atrasado em comparação com o que se passa noutros países.

Criada há 14 anos, no Dia Mundial da Criança, a Terra dos Sonhos, uma organização não governamental, surgiu com o objectivo de promover o bem-estar dos públicos mais vulneráveis, sobretudo crianças, jovens e adultos com doenças graves, mas também as suas famílias e quem se encontra em situação de acolhimento. Hoje, em 2021, o mote continua o mesmo, mas assume uma nova visão em termos da forma como é gerida. A gestão dever ser mais profissionalizada, para que não seja simplesmente uma associação, mas também uma empresa, defende a sua presidente, Mariana Madeira Rodrigues.

“Antigamente estávamos habituados a estender a mão, mas essa era acabou. Já não basta gerir as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) com coração e sem optimização de recursos”, justifica, propondo uma mudança de paradigma no terceiro sector. “É preciso ter uma visão de gestão e saber falar com os nossos investidores sociais, explicando-lhes de que maneira é que o dinheiro deles está a ser investido e como é que vai mudar a sociedade”, explica.

Para levar o plano de profissionalização do papel à prática, a Terra dos Sonhos juntou-se à Fundação Manuel Violante, sócio-fundadora do escritório McKinsey, em Portugal, e promoveu um conjunto de formações junto dos membros da equipa da associação, como também definiu quais os projectos que mais queria abraçar. “Tivemos de repensar aquilo em que queríamos apostar e fazer escolhas, porque não podemos ajudar todos, senão perdemo-nos”, justifica Mariana Madeira Rodrigues. “É preciso sonhar e ter muito coração, mas é também fundamental ter os pés bem assentes na terra e um caminho pensado para lá chegar”, acrescenta.

Com uma nova imagem e relatórios de actividades traçados, a organização delimitou o seu ADN a três programas. O primeiro corresponde aos “Sonhos Transformadores”, em que a equipa tenta concretizar os desejos mais ansiados pelas crianças e jovens que têm doenças em fase terminal. “Com estes sonhos, tentamos dar esperança não só à criança, mas à sua família e fazê-las acreditar que dentro dos momentos com maior sofrimento também podemos tirar algo de positivo, mesmo que isso pareça impossível”, explica Mariana Madeira Rodrigues. Entre 773 sonhos já realizados, há alguns que ficam na memória da representante da associação, como o caso de João, que sofria de leucemia e queria voar. “O que nós fizemos foi primeiro pô-lo a voar em terra, num carro muito rápido, e depois fomos com ele a um aeródromo e acabou por andar numa avioneta. Eram os anos dele e ficou muito comovido.”

Durante a fase mais crítica da pandemia, a associação não parou, especialmente por reconhecer que o isolamento teve um duro impacto entre os mais debilitados, e ajudou Carlos — uma criança com distrofia muscular de Duchenne, uma forma de doença muscular que incapacita o bom funcionamento dos músculos do corpo, que só conseguia movimentar as mãos — a conhecer e passar o dia com Ric Fazeres, o YouTuber português que é conhecido por testar videojogos.

Mas concretizar sonhos não passa apenas por organizar momentos especiais, mas também por construí-los, muitas das vezes, da estaca zero. Com a “Oficina do Sonho”, a organização ajuda as crianças que, retiradas às famílias de origem, vão para casas de acolhimento. “Estes jovens são também prioritários, sendo que já passaram por muita coisa na vida, entre abusos, abandonos, situações de violência e nós queremos dar-lhes força e esperança para o futuro”, explica Mariana Madeira Rodrigues. Tendo em conta que é entre estes grupos que as taxas de insucesso e desistência escolar são mais altas, os voluntários e a equipa de psicólogos da organização desenvolvem actividades para promover competências socioemocionais, o bem-estar e a motivação para que a integração social destes se torne também uma realidade.

Por fim, a organização lançou recentemente o programa “WeGuide”, através do qual dá formação e prepara profissionais para que se tornem guias de saúde, tendo como função o acompanhamento de um doente ao longo de um ano. “Seja para ajudá-los em toda a parte burocrática do processo, como ir à segurança social pedir um atestado, saber onde são as consultas ou servir apenas como ombro amigo”, esclarece a representante, que adianta ainda que neste momento estão já a ser acompanhados cerca de 18 doentes.

Contando actualmente com mais de 80 parcerias, cerca de cem voluntários e algumas dezenas de empresas colaboradoras, a Terra dos Sonhos admite, contudo, que faltam meios tanto financeiros, como humanos para fazer mais. Uma das soluções, segundo a presidente, passa por aliciar pessoal qualificado e formado para gerir as IPSS, como já acontece em Inglaterra ou em Espanha. Por cá, adianta, é uma situação que continua aquém das expectativas, especialmente devido aos salários baixos praticados, em comparação com os oferecidos para a mesma posição numa empresa. “Não é ainda uma carreira valorizada e é muito difícil trazer para esta área das IPSS essas pessoas capacitadas em termos técnicos, o que é uma pena, porque ficávamos todos a ganhar”, conclui.

Texto editado por Bárbara Wong

4.10.21

Responsáveis da Casa do Mimo contam histórias em livro para ajudar instituição

Carlos S. Almeida, in Região de Leiria

“Começámos com cinco crianças, temos atualmente 14 e no verão chegamos aos vinte utentes”, adianta a presidente da instituição. “Se tivéssemos capacidade para mais, mais viriam”, admite.

São pequenas histórias escritas por Cidália Silva, que leva três décadas de atividade educativa e lidera a Casa do Mimo, na Batalha. Estão no centro de um novo livro que é pretexto para conhecer melhor a instituição sedeada na Batalha, apostada em prestar um apoio pouco frequente, dirigido a crianças e jovens com deficiência.

A Casa do Mimo é uma IPSS, criada em 2016, depois de vários anos passados na definição do projeto, adequando-o às necessidades das famílias da região. “Havia pais que tinham de se desempregar para ficar a tomar conta dos filhos e essa situação criava um vazio de resposta social”, lembra Cidália Silva.

A instituição nasceu informalmente há quase dez anos, da vontade de um pequeno grupo de amigos, que reunia educadoras, psicólogas e pais. “O que nos distingue, para além das várias atividades, é a possibilidade de fazer um projeto de vida de forma continuada, começar aos 10 ou 12 anos e [os utentes] poderem ficar depois dos 18 anos”, explica.

“Começámos com cinco crianças, temos atualmente 14 e no verão chegamos aos vinte utentes”, adianta a presidente da instituição. “Se tivéssemos capacidade para mais, mais viriam”, admite.

Alcobaça, Leiria, Marinha Grande e Porto de Mós são alguns concelhos de proveniência dos utentes. Atualmente, esta IPSS estuda, em conjunto com a Segurança Social, a melhor forma de contar com um eventual apoio adequado à especificidade da sua ação. Livro da instituição avança para segunda edição

O voluntariado, a o apoio da comunidade e da autarquia local, têm sido fulcrais na sobrevivência da Casa do Mimo, reconhece Cidália Silva. O apoio de fundos públicos será, a médio prazo, essencial para assegurar a continuidade do projeto e o seu crescimento, aponta.

Para já, o novo livro – que várias empresas já adquiriram, apoiando a instituição – será apresentado e vendido dia 10, gerando receitas para a instituição que aproveita para dar a conhecer a sua atividade, apresentar um instrumento pedagógico que estimula a imaginação e aposta nos “valores”, explica a autora.

Margarida Oliveira, elemento da direção, ilustrou a primeira edição. Volta a fazê-lo desta vez, em conjunto com outros ilustradores que se juntaram ao projeto “Contos Pequenos P’ra Gente Grande”.

19.4.21

Evitar a crise social da falência das IPSS

Fernando Calado Rodrigues, in JN

Os bispos portugueses estão preocupados com o risco de insolvência das paróquias e a sustentabilidade das instituições de solidariedade social. São reais os efeitos da pandemia na vida da Igreja em Portugal.

Dificilmente alguma paróquia fechará, apesar das dificuldades financeiras que atravessa. Cada comunidade saberá encontrar a solução para os seus problemas económicos. Já em relação às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) - não só as da Igreja - poderá acontecer que algumas fechem.

Esta é uma situação bem mais preocupante para o Estado do que para a Igreja. A Igreja, mesmo sem os apoios estatais, encontrará formas de continuar a realizar a sua ação social. Eventualmente menos profissionalizada e menos abrangente do que agora. Terá de recorrer muito mais ao voluntariado, mas não deixará de ter respostas, ao menos para os mais pobres dos mais pobres. Em 20 séculos de história a Igreja soube sempre desenvolver soluções adaptadas às exigências e circunstâncias dos problemas que lhe são colocados.

Neste contexto pandémico as IPSS tudo fizeram para manterem as portas abertas, apesar de muitas delas atravessarem dificuldades financeiras. Ainda que as comparticipações tenham aumentado, não acompanharam a subida das despesas que têm vindo a ser exigidas a estas instituições.

Esse agravamento acentuou-se com a crise pandémica, pois as IPSS tiveram de acorrer a mais "pedidos de auxílio", como referiram os bispos no final da sua Assembleia Plenária na semana passada. Tudo indica que esses pedidos tenderão a aumentar no pós-pandemia.

Algumas IPSS estão, por isso, estranguladas e deveriam merecer uma especial atenção do Governo. É certo que neste contexto são muitas as solicitações e os setores a necessitarem urgentemente de apoios estatais. Mas o papel das IPSS não pode ser negligenciado.

Se não forem apoiadas, para além de lançarem no desemprego muitos dos seus trabalhadores, passarão ao Estado a responsabilidade da assistência a muitos dos utentes. Por isso, reforçar as atuais comparticipações será também uma forma de o Governo gerir bem os recursos públicos.

6.4.21

Confira listagem: Um milhão 915 mil euros de subsídios para instituições de solidariedade social de Guimarães

in Guimarães Digital

O executivo municipal vimaranense aprovou por unanimidade esta segunda-feira a atribuição de subsídios às instituições de solidariedade social do concelho, ao abrigo do Regulamento de Apoio às Instituições de Solidariedade Social, encontrando-se inscritas no Registo Municipal das Instituições de Solidariedade Social de Guimarães.

Eis a lista das instituições e respectivos montantes do subsídio:

AAUM - Associação Académica da Universidade do Minho - 3.000,00;

ADDHG - Associação de Defesa dos Direitos Humanos de Guimarães - 20.000,00;

ADISGUI - Associação para o Desenvolvimento Local - 5.000,00;

ASPEV - Associação Social de Pevidém Vida a Cores - 15.000,00;

Associação Adaptar Vidas - 5.000,00;

Associação CSAR - Centro Social Atães Rendufe - 15.000,00;

Associação de Apoio à Criança - 10.000,00;

Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Guimarães - 18.000,00;

Associação de Escoteiros de Portugal - Grupo 25 - 3.000,00;

Associação de Moradores Bairro São Gonçalo - 2.160,00;

Associação de Moradores da Zona Urbana da Conceição - 5.000,00;

ANTI – Associação de Narrativa e Teatro de Intervenção - 3.500,00;

Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães - 23.990,00;

Associação de Reformados de Lordelo - 12.900,00;

Associação de Reformados e Pensionistas de Guimarães - 30.000,00;

Associação de Solidariedade Social dos Professores - Delegação GMR - 8.000,00;

Associação de Surdos de Guimarães e Vale do Ave - 1.500,00;

Associação Familiar Vimaranense - 10.000,00;

Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais - 57.967,10;

Associação Puzzlianos - C.J.G. - 1.000,00;

Associação Social e Cultural de Urgezes - 4.000,00;

Associação Vencedores do Cancro Unidos pela Vida - 15.000,00;

Associação White Angels - 5.000,00;

Because I Care, Associação para Apoiar e Cuidar de Pessoas que Cuidam -

5.000,00;

Braços D'Afetos Associação de Voluntariado e Apoio de Longos - 15.000,00;

CAISA - Cooperativa de Arte, Intervenção Social e Animação CRL - 25.000,00;

Casa da Juventude de Guimarães W Y F - 5.000,00;

Casa do Povo de Briteiros - 20.000,00;

Casa do Povo de Creixomil - 36.000,00;

Casa do Povo de Fermentões - 40.000,00

Casa do Povo de Serzedelo - 20.000,00;

Casa do Povo de Serzedo - 7.750,00;

Castreja Cooperativa de Apoio Social e Cultural CRL - 40.000,00;

Centro Comunitário de Solidariedade Integração Social de Tabuadelo - 11.000,00;

Centro Comunitário, Desporto e Cultura de Gandarela - 58.000,00;

Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores do Município de Guimarães - 20.000,00;

Centro Infantil de Pevidém - Sta. Casa Misericórdia de Riba de Ave - 12.000,00;

Centro Juvenil de S.José - 15.000,00;

Centro Paroquial de Moreira de Cónegos - 15.000,00;

Centro Pastoral D.António Bento Martins Junior - 16.690,00;

Centro Social Cultural Desportivo e Recreativo de Vila Nova de Sande - 30.000,00

Centro Social D.Manuel Monteiro de Castro - 11.640,00;

Centro Social da Irmandade de S.Torcato - 16.000,00;

Centro Social da Paroquia de Fermentões - 20.000,00;

Centro Social da Paroquia de Penselo - 40.000,00;

Centro Social da Paróquia de Polvoreira - 16.000,00;

Centro Social da Paróquia de Santa Eulália de Nespereira - 30.000,00;

Centro Social de Brito - 25.000,00;

Centro Social de Guardizela - 25.000,00;

Centro Social e Paroquial de Donim - 15.000,00;

Centro Social e Paroquial de Ronfe - 15.000,00;

Centro Social e Paroquial de S.João de Ponte - 30.000,00;

Centro Social e Paroquial de S.Martinho de Sande - 16.000,00;

Centro Social Nossa Senhora do Carmo - 30.000,00;

Centro Social Padre Adelino Silva - 30.000,00;

Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa - 15.000,00;

Centro Social Paroquial de Gondar - 15.000,00;

Centro Social Paroquial de Mascotelos/Santiago - 19.000,00;

Centro Social Paroquial de S. Cristovão de Selho - 13.000,00;

Centro Social Paroquial de Santa Cristina de Cerzedelo - 13.000,00;

Centro Social Paroquial de Santa Marinha da Costa - 30.000,00

Centro Social Paroquial de São Dâmaso - 7.500,00;

Centro Social Paroquial de Vila Nova de Sande - 30.000,00;

Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Conceição - 11.000,00;

Centro Social Paroquial S.Martinho de Candoso - 15.000,00;

Centro Social Recreativo e Cultural de Campelos - 20.000,00;

Centro Social S.Pedro de Azurém - 20.000,00

Centro Social, Cultural e Desportivo de Silvares - 30.000,00

Centro Sócio Cultural e Desportivo de Sande S. Clemente - 20.000,00

Centro Solidariedade Social Cultural Desportiva Somelos - 10.000,00

CERCIGUI - Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do Concelho de Guimarães - 60.000,00;

Clube Alma Branca - 8.000,00;

Corpo Nacional de Escutas - Junta Núcleo de Guimarães - 63.885,00;

Creche e Jardim Infantil Albano Coelho Lima - 16.000,00;

Cruz Vermelha Portuguesa - Delegação de Guimarães - 30.000,00;

Desincoop - Desenvolvimento Económico Social e Cultural, CRL - 8.000,00;

Farramundanes - Cooperativa Editorial e Desenvolvimento Integrado de Fermentões, CIPRL -

7.500,00;

Fundação Casa do Paço - 15.000,00;

Fundação Stela e Oswaldo Bomfim - 15.000,00;

Grupo Desportivo e Recreativo "Os Amigos de Urgeses" - 50.000,00;

Grupo Desportivo Recreativo e Cultural "Os Mesmos" das Cancelas da Veiga - 5.000,00;

Grupo Recreativo 20 Arautos de D.Afonso Henriques - 12.000,00;

Infantário Nuno Simões - 20.000,00;

Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos - 15.000,00;

Irmandade S.Crispim e S.Crispiniano - 2.000,00;

Lar Beneficente de S.Jorge - 15.000,00;

Lar de Santa Estefânia - 35.000,00;

Lar de Santo António - 51.321,40;

Liga dos Amigos do Hospital da Senhora da Oliveira - 20.000,00;

Lions Clube de Guimarães - 15.000,00;

Mais Polvoreira - Solidariedade, Educação e Empreendedorismo Social, CRL - 10.000,00;

Ordem dos Advogados - Delegação de Guimarães - 5.000,00;

Palavras Infinitas - Núcleo de inclusão, comunicação e Media - 5.000,00;

Patronato de São Sebastião - 50.000,00;

PPA - Um pensamento, uma palavra, uma atitude - Associação sem fins lucrativos de apoio social - 18.000,00;

Santa Casa da Misericórdia de Guimarães - 30.000,00;

Sol do Ave - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Vale do Ave - 13.230,00;

UNAGUI - Cooperativa Social e Cultural de Guimarães, CRL - 20.200,00;

Unidos nas Conquistas - Associação de Apoio ao Desenvolvimento Humano - 5.000,00;

Venerável Ordem Terceira de S.Domingos - 16.500,00;

Venerável Ordem Terceira de São Francisco - 25.000,00;

TOTAL - 1.915.233,50

Segundo a proposta, "estas candidaturas foram avaliadas de acordo com os critérios previstos no regulamento, nomeadamente com base: na qualidade e interesse dos projectos; na continuidade e qualidade de execuções anteriores; no seu grau de criatividade e inovação; na consistência e adequação do orçamento; na capacidade de angariar outras fontes de financiamento; no número potencial de beneficiários; na consonância entre os objectivos propostos e o plano de desenvolvimento social do município; no número de respostas às necessidades da comunidade; no grau de intervenção continuada em áreas prioritárias de inserção social e comunitária; no seu contributo para a correção de desigualdades de ordem socioeconómica; no seu contributo no combate à exclusão social; e no âmbito geográfico da intervenção que levam a cabo".


29.3.21

Rede Social de Vagos cria Bolsa de Voluntários para IPSS

in Jornal da Bairrada

A ideia é ajudar instituições com necessidades na área dos recursos humanos, no âmbito da pandemia de Covid-19.

No âmbito da pandemia de Covid-19, e no seguimento das orientações emanadas pela Segurança Social, a Rede Social de Vagos está a propor aos diferentes parceiros sociais criação de uma Bolsa de Recursos Humanos de Cariz Humanitário, para intervenção de emergência em caso de necessidade, nomeadamente, para substituição de funcionários/as das IPSS que trabalham diretamente com idosos e crianças, e que venham a ficar infetados.

Esta Bolsa de Recursos Humanos de Cariz Humanitário será dinamizada pelo Banco Local de Voluntariado de Vagos, parte integrante da Câmara Municipal de Vagos.

Quem pretender integrar a Bolsa de Recursos Humanos de Cariz Humanitário poderá inscrever-se através do e-mail acao.social@cm-vagos.pt (Núcleo de Ação Social da Câmara Municipal de Vagos), indicando o nome e número de telefone para posterior contacto por parte do Banco de Voluntariado de Vagos, a quem caberá fazer o devido encaminhamento para as IPSS.

Os Voluntários não poderão pertencer a nenhum dos grupos de risco referenciados pela DGS. Aos voluntários que vão participar em ações no âmbito desta Bolsa, será distribuído o devido material de Equipamento de Proteção Individual anti-Covid-19.

Esta bolsa tem como principal propósito ser um elo facilitador entre a disponibilidade demonstrada pelos cidadãos para oferecerem trabalho socialmente útil em regime de voluntariado e as necessidades de recursos humanos das instituições sociais.

18.1.21

Que país vai encontrar o futuro Presidente da República?

Eugénio Fonseca, opinião, in Público on-line

A ausência de estratégia para a superação da crise é uma realidade muito preocupante.

Foi sob este mote que participei, há dias, num debate na TSF. Porque é uma pergunta pertinente, quero partilhar o que penso. Vai encontrar um país tal como existe há vários anos, com o agravamento e as incertezas resultantes da pandemia atual: um país empobrecido e desigual, dividido, sem enquadramento solidário e sem estratégia para a superação da crise.

O empobrecimento resulta não só da crise económica mas também do facto de não existirem linhas de rumo para o desempobrecimento, ou erradicação da pobreza. As desigualdades podem acentuar-se, devido não só à tendência que vinha de trás, mas ao facto de a crise originar novas discriminações, como por exemplo: entre quem perdeu rendimentos, ou outros bens, com a crise, e quem não perdeu ou lucrou com ela; entre os beneficiários e os excluídos das ajudas estatais e comunitárias; entre quem se instala em empregos de prestígio, mesmo improdutivos, e quem se debate com o desemprego ou com trabalhos mal remunerados...

O país está bastante dividido, em consequência não só das desigualdades acabadas de referir, mas também por força de posicionamentos políticos, de realidades territoriais e do peso dos interesses dominantes. A falta de enquadramento solidário mais profundo e consistente resulta de não se: informar, regularmente, o país sobre a situação social e económica; coordenar as entidades públicas, privadas, com e sem fins lucrativos, e o voluntariado social a favor da convergência para objetivos comuns; nem assegurar um rendimento mínimo (com esta ou outra designação), em tempo oportuno, próximo do limiar da pobreza e acessível a todas as pessoas dele necessitadas.

A ausência de estratégia para a superação da crise é uma realidade muito preocupante; na verdade, muito embora existam o “Plano de Recuperação e Resiliência", bem como financiamentos e orientações provenientes da UE, não foram criadas condições para que todas as localidades estejam envolvidas neste esforço nem para que todos os cidadãos possam participar como agentes e como destinatários; tal falta de estratégia poderá contribuir para que a distribuição dos meios financeiros provenientes da UE se efetue mais em função das capacidades de aplicação que das necessidades a atender.

Parece indispensável que funcione, junto do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, um órgão consultivo integrado por representantes de alguns ministérios, das autarquias locais, das IPSS e da Confederação Portuguesa do Voluntariado

Mas a pergunta anterior fez-me suscitar outra: como poderá o futuro Presidente da República contribuir para um inflexão considerável, a favor da justiça e do bem comum. Conseguiria isso, em meu enteder, se tomasse dois tipos de iniciativas. O primeiro consiste na influência, junto do Governo e de outras entidades, para que assegurem uma informação regular, pelo menos quinzenal, sobre a situação social e económica do país, com vista à solução dos diferentes problemas que vão surgindo; esta informação poderia ser análoga à que é difundida sobre a pandemia, em termos sanitários, e deveria incluir, além do mais, as estatísticas relativas ao atendimento social praticado em todo o país pelo sector público, sobretudo o Instituto da Segurança Social e as autarquias locais, pelas IPSS e pelos grupos de voluntariado social; a coordenação, a nível de freguesia, de município e nacional, de todas as entidades que atuam no domínio social, a fim de se otimizar o aproveitamento das suas capacidades e evitar que alguns casos sociais graves fiquem excluídos.

Parece indispensável que funcione, junto do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, um órgão consultivo integrado por representantes de alguns ministérios, das autarquias locais (de município e de freguesia), das IPSS e da Confederação Portuguesa do Voluntariado; a adequação do regime do rendimento social de inserção com vista a abranger, em tempo oportuno e com um montante próximo do limiar da pobreza, todas as pessoas que dele necessitem, pelo menos enquanto se registarem os efeitos da pandemia. Esta medida, de caráter geral, poderia evitar a excessiva dispersão e burocratização de regimes particulares para determinados grupos; o cumprimento do disposto no art.º 90.º da Constituição da República sobre os “planos de desenvolvimento económico o social”, tendo em conta os planos de desenvolvimento local, a partir das freguesias e municípios, e visando a erradicação da pobreza e o pleno emprego (cf. os artºs. 9.º, alíneas d) e g), e 58.º).

O segundo tipo de iniciativas presidenciais consistiria no patrocínio, ou promoção, de um evento anual centrado na situação social do país, com realce para a pobreza, o desemprego e a exclusão social. Nele participariam, nomeadamente, representantes das entidades atrás referidas e visar-se-iam três objetivos: i) a consciência coletiva dos problemas sociais; ii) a identificação de caminhos e a assunção de compromissos para as respetivas soluções; iii) a integração de tais soluções nos processos – nacional, sectorial, regional e local – de desenvolvimento do país.


Presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado


O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico​


13.1.21

Câmara de Coimbra apoia instituições de solidariedade social com mais de 220 mil euros

por Notícias de Coimbra

O presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, Manuel Machado, formalizou, esta tarde, contratos-programa de desenvolvimento social com 12 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho, no âmbito do Regulamento Municipal para Atribuição de Apoios na Área Social (RMAAAS), que representam um apoio global superior a 200 mil euros. A estes, somam-se outros três, que já foram celebrados com a Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel (ACERSI), Banco Alimentar Contra a Fome de Coimbra e delegação de Coimbra do CASA, num valor superior a 26 mil euros, para possibilitar que as instituições continuem a prestar apoio alimentar às famílias em situação de vulnerabilidade socioeconómica do concelho, uma situação agravada pela pandemia da COVID-19. O vereador da área social, Jorge Alves, esteve presente na cerimónia.

A CM Coimbra continua a reforçar o apoio às instituições de solidariedade social do concelho, responsáveis pelo auxílio a pessoas e famílias em maior vulnerabilidade socioeconómica, que se encontram numa situação agravada pela pandemia da COVID-19. A autarquia já apoiou, a contar com os contratos-programa assinados hoje, 15 instituições espalhadas um pouco por todo o concelho, com um montante global que ascende a 226 mil euros.

As IPSS que hoje assinaram contrato foram: a Associação Nacional de Apoio a Jovens – AnaJovem (14.190,71€), a Associação Recreativa, Cultural e Social de Cioga do Monte (12.370,90€); a Casa dos Pobres de Coimbra (11.577,51€); Centro de Apoio Social de Souselas (21.059,37€); o Centro Social de S. João (42.137,22€); o Centro Paroquial de Solidariedade Social de Ribeira de Frades (8599,50€); o Centro Social e Paroquial de S. João do Campo (10.679,71€); o Centro Social e Recreativo da Cidreira (15.087,50€); a Comunidade Juvenil Francisco de Assis (14.126,53€); a Fundação ADFP (37.342,96€); a Fundação Madre Sacramento (9.607,19€); e a Plataforma PAJE – Apoio a Jovens (ex)Acolhidos (2640€). No total, os apoios da autarquia são de 199.419,10€.

A AnaJovem solicitou um apoio financeiro para o desenvolvimento do projeto “PIDAI – Programa de Intervenção nas Dependências para Adultos Idosos”, que tem como objetivo a aplicação de um programa de intervenção psicossocial, ao domicílio, direcionado para a psicoeducação, treino cognitivo e dificuldades emocionais apresentadas por idosos que tenham familiares diretos de consumidores de substâncias. O projeto, que será apoiado com 14.190,71€, tem na sua base uma intervenção no domicílio da população-alvo e contempla as freguesias limítrofes da cidade de Coimbra, abrangendo populações que habitam em zonas rurais e com maior propensão para o isolamento.

Já a Associação Recreativa, Cultural e Social de Cioga do Monte vai receber 12.370,90€, que se destinam a comparticipar a implementação do projeto “Atalhos – Envelhecimento Ativo e Socialmente Inclusivo. Este projeto tem como objetivo criar e promover a aprendizagem ao longo da vida. Terá como destinatários um total de 55 pessoas, para além dos 20 idosos residentes na estrutura residencial desta instituição.

O apoio financeiro concedido à Casa dos Pobres de Coimbra destina-se à aquisição de equipamento para organização do espaço e funcionamento da sua Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI). A instituição, que conta com uma ERPI com capacidade para 63 pessoas, pretende agora adquirir equipamento para a “operacionalização de medidas de higiene, organização do espaço e funcionamento” da infraestrutura, de forma a promover um ambiente seguro para os idosos, colaboradores e comunidade. Este investimento, tendo em conta o momento que atravessamos de curso da pandemia COVID-19, contribuirá para a não propagação do vírus. O apoio municipal é de 11.577,51€.

Por sua vez, o Centro de Apoio Social de Souselas vai receber 21.059,37€ para a implementação do projeto “Viver em autonomia”. Este apoio irá permitir que 60 pessoas idosas, beneficiárias de serviço de apoio domiciliário, especialmente na União das Freguesias de Souselas e Botão, tenham acesso a atividades que promovem um envelhecimento ativo, saudável e feliz.

A autarquia irá, ainda, comparticipar, com 42.137,22€, a 2ª fase das obras de edificação da ERPI do Centro Social de S. João, o que possibilitará a criação de mais 14 vagas, para além das 27 vagas criadas na 1ª fase de edificação desta infraestrutura. No total, a ERPI disponibilizará 41 vagas nesta resposta social. Refira-se que a autarquia apoiou, também, a 1ª fase de edificação da ERPI, com mais de 90.000€, e que o Centro Social de S. João, pela variedade de respostas sociais que disponibiliza, tornou-se numa instituição de referência, procurada cada vez mais pela população residente e não residente na União das Freguesias de S. Martinho do Bispo e Ribeira de Frades.

O Centro Paroquial de Solidariedade Social de Ribeira de Frades vai receber 8.599,50€, que se destinam a comparticipar a aquisição de uma plataforma elevatória para o edifício onde funcionam as respostas sociais de centro de dia e serviço de apoio ao domicílio. Esta foi a melhor solução encontrada para permitir uma acessibilidade perfeita aos idosos.

Já o Centro Social e Paroquial de S. João do Campo pretende implementar o projeto “Nós e a Terra”, que procura fomentar a interação com a natureza, a agricultura, a alimentação saudável junto das comunidades locais. O projeto será desenvolvido em vários locais da freguesia de São João do Campo e destina-se, essencialmente, a crianças e idosos. Desta forma, o projeto permite que as crianças brinquem ao ar livre e contactem com a natureza e ajuda a combater o isolamento social e a solidão entre a população idosa, promovendo a sua inclusão social e qualidade de vida. O apoio financeiro é de 10.679,71€.

O Centro Social e Recreativo da Cidreira vai receber 15.087,50€, para implementar o projeto “Cidreira com Vida e Arte”. Um projeto que tem como objetivo promover o envelhecimento ativo. O projeto “Cidreira com Vida e Arte” vai disponibilizar as seguintes atividades: ateliers de artes e ofícios, atividades físicas e passeios por locais de interesse. A iniciativa irá beneficiar diretamente a população que frequenta o Centro Cívico da Freguesia, num total de 47 pessoas (35 crianças e jovens e 12 idosos), bem como todos os idosos que demonstrem interesse em participar nas atividades.


Já a Comunidade Juvenil Francisco de Assis pretende implementar o projeto “Laços de Família”, que tem como objetivo aproximar e fortalecer os laços de família e proporcionar o desenvolvimento do bem-estar físico, social e emocional dos elementos da família. O projeto vai ser implementado através de contactos por telecomunicações, atendimentos presenciais com as famílias, visitas domiciliárias e em articulação com os recursos da comunidade. Uma iniciativa que permitirá aumentar e melhorar a intervenção junto das famílias em situação de vulnerabilidade social, detetando precocemente problemas como o absentismo escolar, entre outros. O apoio é de 14.126,53€.

A Fundação ADFP vai receber 37.342,96€, destinados a comparticipar a atividade desenvolvida no Projeto “Sem-Abrigo Zero”, que se constitui como um centro de acolhimento de emergência para pessoas em situação de sem-abrigo em Coimbra. Este apoio irá permitir o acolhimento até 35 pessoas em situação de sem-abrigo.

A Fundação Madre Sacramento vai receber 9607,19€, para apoiar a atividade desenvolvida pela instituição no apoio a vítimas de violência e exclusão social. Este apoio irá permitir a continuidade de duas respostas de apoio. Por um lado, uma resposta direcionada para a inclusão socio-laboral, sendo uma resposta inovadora e eficaz à problemática do desemprego e de exclusão social em grupos vulneráveis. Por outro lado, vai permitir uma resposta que tem como objetivos a promoção da redução de riscos de exclusão social; bem como de competências pessoais e sociais das pessoas em situação de vulnerabilidade social, nomeadamente as vítimas de violência e exclusão social.

Por fim, a Plataforma PAJE, que tem como missão amparar e encaminhar jovens adultos ex-acolhidos no sentido da sua plena autonomização, trabalhar essa autonomização dos jovens que ainda se encontram em acolhimento, formar cuidadores e promover a investigação científica nesta área do acolhimento residencial, vai receber 2.640€ para continuar a desenvolver a sua atividade junto da população-alvo, na sua maioria vítimas precoces de maus tratos familiares ou negligência social.

Recorde-se, ainda, que a CM Coimbra já formalizou três contratos-programa de desenvolvimento social, ao abrigo do RMAAAS, com a ACERSI (10.616,19€), Banco Alimentar Contra a Fome de Coimbra (7.600€) e delegação de Coimbra do CASA (8.500€), num total de 26.716,19€. Um apoio financeiro que possibilita que estas instituições continuem a prestar apoio alimentar às famílias em situação de maior vulnerabilidade socioeconómica do concelho, uma situação agravada pela pandemia da COVID-19, assegurando-lhes a entrega de bens alimentares e o fornecimento de refeições. Saliente-se que esse apoio alimentar imediato às famílias mais carenciadas é atualmente uma das respostas prioritárias da CM Coimbra.