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21.8.20

"É preciso ajustar o lay-off". Têxteis preveem crise menos intensa mas prolongada

Marta Grosso , Anabela Góis (entrevista), in RR

Numa altura em que as fábricas de têxteis já deveriam estar a produzir as coleções do próximo Verão, o setor vive momentos de mudança e a crise poderá não ser tão profunda, mas muito mais prolongada.

O setor têxtis ainda tem margem para crescer com o incentivo certo, defende Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Tendo em conta a evolução do mercado de maio até julho, a situação parece estar a melhorar, mas as dificuldades vão prolongar-se

“No mês de junho, a quebra, comparativamente com o mês de junho do ano passado, foi de 14%, quando vínhamos de quebras de 40% no mês de maio. Estes valores mostram que há claramente aqui uma situação de retoma. 14% é um número desastroso, mas mostra que vamos na direção certa”, afirma à Renascença o presidente da associação.

Para esta inversão contribuiu o novo produto que surgiu com a pandemia: as máscaras, em cujo fabrico muitas fábricas decidiram apostar.

“Há aqui um valor da ordem dos 7-8% que tem a ver com um novo produto que o setor têxtil começou a exportar, que são os equipamentos de proteção individual. Isso já representou, em termos de exportações, um valor da ordem dos 30 milhões de euros”, indica Mário Jorge Machado.

“É um novo segmento de negócio. As empresas adaptaram-se e começaram a produzir um novo tipo de produto que não era habitual no seu portefólio”, salienta. Ajustar para melhor apoiar

O cenário começa a mudar e as perspetivas também, mas não, necessariamente, para melhor. Apesar de ter tido um papel importante, a produção de máscaras não chega para compensar as quebras.

O que se está a perceber é que a crise não vai ser tão profunda como se temia, mas vai ser bastante mais prolongada, diz o responsável.

“Em março, pensámos que era um problema muito intenso, com paragens da ordem dos 40-50-60%, mas durante dois, três meses. Agora estamos a verificar que estamos numa fase em que há um problema de quebras de 20-30-40%, mas um problema de nove, dez, 11, 12 meses”, explica.

Mário Jorge Machado diz, por isso, que as medidas de apoios ao setor não foram as adequadas e defende que “as medidas do lay-off deveriam ser ajustadas a esta nova realidade”.

“Assim poderia ajudar as empresas a pagar os salários com uma diminuição de atividade não tão intensa, mas mais prolongada”, sustenta.

A manter-se a atual tendência, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal estima que, no final do ano, as quebras no setor possam rondar os 20% – o que representa um valor na ordem dos mil milhões de euros.

Nesta altura, já há empresa a fechar – na quinta-feira, foi notícia a falência de uma fábrica de camisas em Vila do Conde. A apreensão cresce e as cadeias de distribuição ainda têm muitos produtos em armazém. Nalgumas fábricas, trabalha-se a meio gás.

O incentivo certo

Mas o setor tem margem para crescer, considera a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

“A máscara têxtil é um produto reutilizável, nalgumas situações, até às 50 vezes. Há aqui ainda uma oportunidade de consciencializar as pessoas para a importância de passarmos a usar uma máscara têxtil, que nos permite ser utilizada dezenas de vezes”, defende Mário Jorge Machado.

O presidente da associação do setor defende que esta mensagem tem de passar até para o mercado europeu.

“Do ponto de vista de sustentabilidade, esta mensagem que ainda não passou e pode fazer uma grande diferença, quer para o planeta quer para o setor têxtil”, sublinha.

22.5.20

Pais denunciam falta de máscaras nas escolas. Diretores garantem que não haverá rutura

Fátima Casanova, in RR

À Renascença, a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação lamenta que não estejam garantidas as condições de segurança em todas as escolas. Da parte dos diretores escolares, Filinto Lima explica que, “em cada região, há uma escola que se encarrega de abastecer as outras".

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) diz que tem recebido denúncias de “situações de escolas, e serão muitas no país, onde faltam máscaras e desinfetantes”.
À Renascença, o presidente desta associação de pais, diz que a situação “está a preocupar os pais”.

Rui Martins considera que não estão “garantidas as condições de segurança em todas as escolas” e pede, por isso, ao Ministério da Educação que diga “onde faltam esses recursos considerados indispensáveis para a segurança” dos alunos.

O líder da CNIPE defende que “não houve tempo útil para as escolas se preparem”, porque “só foram dados dez dias”, facto para o qual a CNIPE alertou.
A denúncia da CNIPE chega esta manhã à comissão parlamentar de Educação e Ciência quando for ouvida pelos deputados.

Diretores garantem que não haverá rutura de stock

Os diretores escolares rejeitam as acusações da CNIPE e dizem que não podem estar a faltar meios de proteção nas escolas.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) garante à Renascença que “as escolas foram dotadas de material de higienização e de outros produtos, como viseiras, máscaras, aventais a tempo e horas”.

Filinto Lima explica ainda que, “em cada região, há uma escola que se encarrega de abastecer as outras as escolas, se for necessário, até 26 de junho”, final do ano letivo.

Este responsável da ANDAEP assegura, por isso, que “as escolas nunca terão uma rutura de stocks”, uma vez que “há sempre uma escola que tem a tarefa de renovar” o material em falta.

Na quinta-feira, a Direção-Geral de Saúde (DGS) publicou um manual de boas práticas dedicado às escolas e creches, para esta nova fase de desconfinamento e em que algumas crianças regressam a estes estabelecimentos.

[Notícia atualizada às 9h20 com declarações da ANDAEP]

13.5.20

Quem ganha até 650 euros tem mais dificuldade em comprar máscaras por serem caras

Ana Maia, in Público on-line

Quem ganha até 650 euros tem mais dificuldade em comprar máscaras por serem caras

Barómetro da Escola Nacional de Saúde Pública conclui que é também este grupo o que mais tem de sair para exercer a sua profissão. E que são as pessoas com menor rendimento e menos escolaridade as que menos informação têm sobre como usar as máscaras.

São as pessoas que ganham menos e as que têm menos escolaridade as que têm mais dificuldade em comprar máscaras por causa do preço e usá-las correctamente. E é este o grupo que mais precisa de sair para exercer a sua actividade profissional, concluiu o questionário Opinião Social do Barómetro Covid-19, realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

O questionário realizado online recolheu, entre os dias 21 de Março e 17 Abril, 177.573 respostas. Ao longo destas semanas, várias perguntas têm sido colocadas para traçar o efeito da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 no país. A ENSP salienta, porém, que os resultados não devem ser generalizados à população portuguesa.

Uma casa “banhada pelo sol” num olival em Porto de Mós
Os dados publicados esta terça-feira pela ENSP voltam a focar-se nas desigualdades. E uma delas tem a ver com a aquisição e utilização de máscaras, que agora é obrigatória nos transportes públicos ou em lojas e supermercados. De acordo com a informação recolhida, 60% das 2343 pessoas que responderam a esta questão disseram sentir dificuldades na aquisição de máscaras.

Os resultados mostram que quem ganha menos de 650 euros mensais reporta “até quatro vezes mais dificuldade em adquirir máscaras por estas serem caras”. “Ou seja cerca de uma em cada duas pessoas”, refere o comunicado da ENSP, que destaca que só “uma em cada dez pessoas com rendimentos superiores a 2000 euros” reporta essa dificuldade.

Para Sónia Dias, coordenadora científica do inquérito Opinião Social, “estes resultados são ainda mais inquietantes quando analisamos quem, por força de ter de se deslocar para o local de trabalho, tem maior exposição ao risco de contrair Covid-19”. Isto porque segundo os resultados, “54% das pessoas que ganham menos de 650 euros tem de se deslocar para o local de trabalho, enquanto 75% das pessoas com rendimentos superiores a 2500 euros estão a desenvolver a sua actividade profissional em teletrabalho.

“Os dados mostram-nos que são as pessoas menos escolarizadas que poderão estar mais expostas: 76% das pessoas com até ao 9.º ano de escolaridade tem de ir para o local de trabalho, enquanto esta proporção desce para 26% nas pessoas com ensino superior”, refere a investigadora no comunicado. São também estas as que mais referem não saber ou não se terem informado sobre como usar as máscaras.

Cascais vai distribuir máscaras junto aos transportes públicos
Pouco mais de metade (51%) dos respondentes disse utilizar máscara sempre que sai de casa, enquanto 43% admitiu que só usa esta protecção em determinadas situações. “Dos que referem nunca usar máscara, um em cada dez idosos assume não usar máscara protectora”, salienta o comunicado.

O inquérito Opinião Social fez também uma análise ao acesso aos cuidados de saúde em função do escalão de rendimento. Com base nas respostas dadas por 4100 pessoas, concluiu que “é nos escalões mais baixos que se verificam proporções maiores de pessoas que, tendo necessidade, não tiveram consulta”. “Cerca de 1 em cada 2 pessoas cujo rendimento é inferir a 650 euros não tiveram consulta”, especifica.

O Alentejo foi a região onde se verificou a maior proporção de pessoas que não tiveram consulta (71%), seguindo-se a zona Centro (61%). “De entre as pessoas que necessitaram de uma consulta médica durante o período de covid-19, 73% dos idosos não a tiveram, em comparação com 55% das pessoas com idades entre os 46 e os 65 anos.” São igualmente os idosos que mais disseram não ter ido à urgência ou fazer um tratamento num serviço de saúde, quando comparado com os mais jovens.

Quem mais perdeu o rendimento?
A pergunta é lançada pela ENSP e os dados, que reportam a respostas dadas por 10.700 pessoas, permitiram perceber que são as pessoas com remunerações mais baixas, a camada mais jovem e a menos escolarizada quem está a ser mais afectada pela perda de rendimento.

Das pessoas cujo rendimento mensal é inferior a 650 euros, “duas em cada três referem tê-lo perdido durante a crise covid-19”: 40% de forma parcial e 25% de forma total. Quanto aos jovens entre os 16 e os 25 anos, também um em cada dois reportou ter perdido rendimento. Bem como metade dos que têm até ao 9.º ano de escolaridade.

“Não podemos estar tão dependentes de fornecimentos externos” na saúde, diz António Costa
O Algarve regista a maior proporção de pessoas que perderam rendimentos (57%), seguindo-se o Norte com 47% e o Centro com 42%. Foi também na região algarvia que mais pessoas que suspenderam a actividade profissional: 30%.

Segundo o comunicado, dados preliminares revelam que o número de participantes – 124 mil pessoas, neste caso - que refere obter rendimentos inferiores a 650 euros triplicou entre o questionário da primeira semana e da sétima. “Estes dados chamam a atenção para o facto de nos próximos tempos ainda se poderem agravar mais as vulnerabilidades socioeconómicas já existentes”, alerta a investigadora Sónia Dias.

5.5.20

“Projeto Com_Vida” distribui máscaras sociais por utentes

in Rádio Pax

O “Projeto Com_Vida”, cujo investidor Social é a Câmara Municipal de Beja, vai distribuir “máscaras sociais” pelos 450 utentes do projeto a partir desta semana.

De acordo com Paulo Arsénio, Presidente da Câmara Municipal de Beja, “a Câmara apoia aquela iniciativa com cerca de 30 mil euros por ano”.

O “Com_Vida” é um projeto destinado a maiores de 65 anos, residentes no concelho de Beja, que visa a adoção de estilos de vida saudáveis, a promoção do envelhecimento ativo, da saúde e do bem-estar.

Numa publicação feita na rede social Facebook, o autarca explica que “a mesma entidade já distribuiu até agora perto de mil máscaras, com as mesmas características, por IPSS’s da área do Concelho, contribuíndo assim para uma proteção um pouco maior da faixa etária mais vulnerável ao vírus do momento”.

Até ao momento a Câmara de Beja já distribuiu “perto de mil e 500 viseiras por várias entidades, cinco mil máscaras cirúrgicas por IPSS’s do Concelho e vai distribuir mais mil assim que receber a próxima entrega de máscaras prevista para esta semana. Desta vez a entrega é feita a instituições sem valência de internamento e que ficaram excluídas da primeira entrega”, adiantou Paulo Arsénio.

“Algumas Juntas de Freguesia do Concelho optaram também por distribuir máscaras nos seus meios, predominantemente com populações idosas, tendo a Câmara Municipal de Beja transferido um apoio suplementar para cada uma no valor de três mil euros que pode ser utilizado para esse fim ou para outro que cada Junta entenda ser o mais útil, no âmbito do combate ao COVID-19.”

O presidente agradece ao “Projeto Com_Vida” o facto de durante o período de confinamento, “nunca se ter desligado de cada utente”.

28.4.20

Com menos covid-19 e mais desemprego, Velha Europa começa desconfinamento

Maria Salgueiro, in NIIT

Especialistas dizem que colocar máscaras em crianças “pode ser fatal”

O jornal britânico "The Sun" falou com alguns médicos sobre a melhor forma de proteger os miúdos da Covid-19.

Os especialistas estão a avisar os pais de crianças pequenas e bebés que colocar-lhes máscaras “pode ser fatal”. Segundo o jornal britânico “The Sun“, os médicos dizem que este equipamento de proteção torna a respiração mais difícil para miúdos com menos de dois anos, uma vez que as suas vias respiratórias são mais pequenas e isto poderá levar ao sufocamento.

Como alternativa, os profissionais de saúde recomendam que os pais mantenham os filhos longe de locais públicos durante a pandemia da Covid-19, além de garantir que os membros da família sigam boas práticas de higienização, como a lavagem frequente das mãos.

“Também há o risco de que o bebé tente remover a máscara e que esta fique entrelaçada e cause potenciais ferimentos”, explicou Daniel Atkinson, um médico britânico, ao mesmo jornal. O mais importante, explicam os profissionais de saúde, é manter o distanciamento social.

Os especialistas explicaram ainda que muitas pessoas por todo o mundo estão a produzir máscaras caseiras para bebés durante a pandemia e que uma pesquisa por equipamentos de proteção infantis na Amazon mostra um “número alarmante” de resultados.

Apesar de os cientistas ainda estarem a tentar perceber o modo de incidência do vírus, as investigações mostram que há menos casos reportados em crianças. No entanto, isto não significa, claro, que os miúdos não possam ficar infetados: o caso mais jovem foi detetado num bebé com apenas 30 horas de vida.

Ainda assim, a informação disponível mostra que os sintomas são mais leves nas crianças e podem incluir febre, tosse seca e respiração acelerada. Sinais de desidratação, como não ir à casa de banho durante oito a 12 horas, não deitar lágrimas quando choram ou estarem menos ativos do que o normal também podem ser indicadores.

Para manter os bebés seguros, os especialistas recomendam que não sejam expostos a locais públicos, garantir que os membros da família não têm sintomas e lavar as mãos antes de os segurar, sendo importante evitar tocar-lhes na cara. Se for mesmo necessário sair de casa com uma criança pequena, o ideal é colocá-la num carrinho com um pequeno pano ou lençol a servir de barreira com o exterior.

Trabalhar com máscara ou sem? E luvas? Sindicato pede à DGS regras "urgentes" para super e hipermercados

Ana Carrilho, Filipe d'Avillez, in RR

Filipa Costa dá o exemplo de duas lojas diferentes em que foi detetado um caso positivo entre os trabalhadores e as empresas agiram de forma radicalmente diferente. Tem de haver regras para todos, pede.

O Sindicato do Comércio e Serviços de Portugal escreveu uma carta à Diretora-geral da Saúde, em que reclama medidas urgentes de proteção dos trabalhadores dos super e hipermercados.

Uma cópia da carta seguiu também para as ministras do Trabalho e da Saúde.

A coordenadora do sindicato, Filipa Costa, diz à Renascença que as medidas adotadas pelas empresas do setor são variadas e quase sempre insuficientes, e por isso pede-se a intervenção da DGS.

“Temos situações em que vamos a um supermercado ou hipermercado e vemos uns trabalhadores com máscaras, outros sem máscaras, uns com luvas e outros sem luvas. Tem a ver com a situação de não haver qualquer tipo de controlo nos corredores e nas áreas da fruta, por exemplo, em que vemos clientes uns em cima dos outros e em cima dos próprios trabalhadores.”

Filipa Costa frisa que estes trabalhadores, considerados essenciais e que também estão na linha da frente, têm o direito de se sentir seguros.

Mas isso não acontece, muitas vezes, já que os procedimentos são diferentes, mesmo em lojas do mesmo grupo.

A sindicalista dá como exemplo uma loja em que foi detetado um caso positivo de COVID-19 e os trabalhadores da equipa foram todos enviados para casa, sendo o estabelecimento devidamente desinfetado, comparando-a com outra loja em que apenas a pessoa que acusou positivo se foi embora, procedendo-se apenas a uma limpeza mais profunda do espaço.

A coordenadora do CESP diz que não é caso único e defende a existência de um protocolo imanado de uma entidade superior, como a DGS, que defina regras que todo têm de cumprir de igual forma.

“Estas medidas devem ser pronunciadas pela própria DGS, devem valer para todas as empresas do setor e as empresas têm de corresponder”, conclui.