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7.2.17

"Mutilação genital feminina começa a vitimar bebés"

in Euronews

Os bebés passaram a estar entre as vítimas da mutilação genital. A afirmação pertence à organização Rede Contra a Mutilação Genital Feminina (RCMGF) e reflete a tendência de que a idade das vítimas é cada vez menor.

As meninas são geralmente mutiladas quando têm cerca de 10 anos, de forma a prepará-las para o casamento. No entanto, de acordo com a RCMGF, as jovens estão a ser ‘cortadas’ mais cedo para que quem pratica o ato possa escapar à justiça.

Um bebé, nascido no dia de Natal, na remota região de Manyara, no norte da Tanzânia, foi cortada pela bisavó quando apenas tinha 5 dias de idade, revelou a organização.

Após a mutilação, surgiram complicações e a bebé morreu quando dava entrada no hospital. A mãe e a bisavó foram detidas pela polícia.
A Organização Mundial de Saúde define mutilação genital feminina como “alteração ou ferimentos nos órgãos genitais femininos por razões não médicas”.

Pode incluir a remoção do clitóris ou dos lábios vaginais; o canal da abertura vagina; colocação de um ‘piercing’, raspagem ou queimadura a área genital.

Em vésperas do Dia Mundial para a Consciencialização da Mutilação Feminina a seis de fevereiro, Francis Selasini, coordenador executivo da RCMGF, afirmou à euronews que “as meninas costumavam ser mutiladas com a idade de 10 anos e era uma prática tradicional para as preparar para o casamento”.

“Mas graças às alterações na lei e às campanhas de consciencialização para os perigos da mutilação genital, os incidentes são menos frequentes”, explicou.

“Em todo o caso, algumas pessoas veem a mutilação feminina como uma tradição que deve ser mantida e, então, para evitar problemas com as autoridades, algumas meninas são mutiladas muito novas, por vezes, são mutiladas quase à nascença”, revelou.
“O grande desafio para erradicar a mutilação feminina nesta região é a sua ligação à religião tradicional. São as anciãs que supervisionam os rituais e dá-lhes ‘status social’ quando participam”, diz ainda, Francis Selasini.

“Se uma menina não for cortada, então ela não pode participar, por isso as mulheres querem que as meninas se submetam à mutilação genital para que possam entrar no ritual”, garante.

Segundo a organização ‘Equality Now’, que luta pelos direitos humanos das mulheres e meninas, “a mutilação genital está muito ligada à região de Manyara, na Tanzânia, mas bastante tem sido feito para combater o problema”.

Em 2010, 70.8 % das mulheres e meninas na região de Manyara foram submetidas à prática, mas, desde então, o número desceu consideravelmente para os 58 %.

Grace Uwizeye, participante num projeto da Equality Now, que trabalha juntamente com RCMGF, afirma: “Agora, o desafio que os ativistas enfrentam é o facto da mutilação ser cada vez mais cedo.”

“É por causa do sucesso da consciencialização nas escolas que quem a pratica está a aproveitar-se das meninas mais novas, que não podem resistir, e procuram mesmo bebés”, acrescenta.

“É importante ter leis contra a mutilação genital feminina porque envia uma mensagem forte do governo de que quem realiza os cortes e as famílias serão perseguidos pela justiça”, diz.

“Mas a mudança não acontece da noite para o dia, os ativistas têm que trabalhar muito para mudar as enraizadas crenças tradicionais”, revela.

A RCMGF, juntamente com ativistas de outras organizações, como a Forward UK, também estão a apelar aos homens para terem um papel mais ativo.

A RCMGF afirmou à Euronews: “Os homens têm um papel importante na campanha para se acabar com a mutilação genital feminina. Alguns homens afirmam que é uma prática tradicional levada a cabo por mulheres e que por isso os homens não devem interferir. Os homenes também são pressionados a casar com mulheres que tenham sido mutiladas. No entanto, existem muitos homens que estão dispostos a mudar e a RCMGF tem feito muito para alertar grupos diferentes, incluindo escolas, comunidades e líderes religiosos”, prossegue.

Estima-se que na Europa existam cerca de 500 mil mulheres mutiladas, 136 mil das quais no Reino Unido, 29 mil na Holanda e 13 mil na Bélgica.

29.4.16

Mais de metade dos bebés nasceram "fora do casamento" em 2015

Inês Schreck, in Jornal de Notícias

Em 2015 nasceram mais bebés do que no ano anterior e mais de metade são filhos de pais não casados, revela o Instituto Nacional de Estatística.

No ano passado nasceram com vida 85500 crianças de mães residentes em Portugal. São mais 3133 bebés (3,8%) relativamente a 2014.

Do total de nascimentos em 2015, 50,7% são bebés "fora do casamento", segundo as Estatísticas Vitais do INE.

Um aumento ligeiro face a 2014 (49,3% bebés "fora do casamento"), mas mais expressivo quando comparado com 2010 (41,3%).

Destes bebés "fora do casamento", 34,4% nascem num ambiente familiar em que os pais coabitam. Em 16,3% dos casos não há coabitação dos pais.

O projeto de ter filhos continua a ser adiado, mostram as Estatísticas Vitais de 2015, divulgadas, esta quinta-feira, no site do INE. Há cada vez menos bebés nascidos de mães com menos de 20 anos (2,1%) e continua também a diminuir o número de bebés filhos de mães com idades entre os 20 e os 34 anos.

Por oposição, entre 2010 e 2015, verificou-se um aumento de 7,7% no número de crianças nascidas de mães com mais de 35 anos.

O aumento dos nascimentos em 2015 foi acompanhado por uma subida do número de mortes.

Registaram-se 107511 óbitos de residentes em território nacional, mais 3668 (3,5%) face a 2014, o que dá um saldo natural negativo de 23011 pessoas. Em 2014, o saldo natural foi de menos 22423. Há sete anos consecutivos que se registam mais mortes do que nascimentos em Portugal.

As estatísticas do INE revelam ainda que o número de casamentos celebrados em Portugal (32393) registou um aumento ligeiro face a 2014 (mais 915), contrariando a evolução dos últimos anos.

5.12.12

Mães sem dinheiro dão leite de vaca a bebés de poucos meses, com riscos para saúde

in iOnline

Mães sem dinheiro para comprar leite em pó estão a alimentar bebés de poucos meses com leite de vaca, ou juntam mais água às fórmulas artificiais, o que pode prejudicar a saúde das crianças.

Estes casos são do conhecimento dos serviços sociais da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, que cada vez mais atendem mães com "grandes carências", a maior parte devido ao desemprego, como disse à Lusa a assistente social Fátima Xarepe.

"Todos os dias recebemos pedidos de ajuda", disse, explicando que os mais frequentes são para a compra de leite em pó, de medicamentos, como vitaminas ou vacinas que não constam do Plano Nacional de Vacinação, e produtos de higiene.

Estas mães "fazem o melhor que podem", disse Fátima Xarepe, que lamenta nem sempre a maternidade poder ajudar, nomeadamente no fornecimento de leite em pó, apesar de contar com o apoio da Associação de Ajuda ao Recém-Nascido (Banco do Bebé) e outras instituições particulares de solidariedade social.

A pediatra Cristina Matos conhece esta realidade e as consequências da ingestão de leite de vaca antes de um ano de idade, como gastroenterites.

"Estamos a recuar 50 anos", disse à Lusa, acrescentando que são cada vez mais as mães que, para o leite em pó render, juntam mais água do que o devido.

Isso mesmo confirmou a enfermeira Esmeralda, que consegue identificar o acréscimo excessivo de água ao leite em pó, principalmente através do atraso no crescimento do bebé.

Segundo Fátima Xarepe, são mais de mil os pedidos de ajuda que os serviços sociais já receberam este ano, e que não se limitam à alimentação dos recém-nascidos.

"Há grávidas que não vêm às consultas de vigilância por não terem dinheiro para os transportes, o que as coloca em risco, assim como aos bebés", disse esta assistente social, que não tem dúvidas de que estes casos, cada vez mais graves e frequentes, vão aumentar por causa da crise.

Estas profissionais sentem-se impotentes, apesar de tentarem fazer "o melhor" que sabem, pois apesar de o serviço público de saúde ser gratuito para as grávidas, estas muitas vezes não conseguem assumir outras despesas, como é o caso dos transportes.

"Há grávidas que vêm a pé de Chelas [o que pode demorar cerca de uma hora], porque não têm dinheiro para pagar o transporte", disse.

Este ano, o Banco do Bebé recebeu 3.430 pedidos de ajuda, apoiaram 971 crianças e 62 no domicílio.

Dos cerca de 4.000 partos anuais na MAC, perto de 10 por cento resultam em crianças sinalizadas por estarem em risco de serem negligenciados.

A MAC comemora hoje o seu 80.º aniversário, tendo assinalado a efeméride com uma conferência com o psicanalista Coimbra de Matos, durante a qual este falou sobre a importância de cuidar e amar.