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8.9.23

Há famílias sem solução para deixar os filhos por falta de creches

por Marta Pacheco - Antena 1, in RTP

São muitas as famílias portuguesas que revelam estar em dificuldades por não terem onde deixar as crianças, em mais um início de época escolar.

Faltam vagas nas creches e os pais veem-se confrontados com uma situação que pode implicar o deixar de trabalhar para cuidar dos filhos.


A jornalista da Antena 1, Marta Pacheco, dá-nos a conhecer o caso de Carla Fernandes, de Ovar, que se mostra preocupada, por não ter encontrado vaga para a filha Matilde, com dois meses.


Mas não é só a norte que esta situação se verifica.


Stephany Ventura, vive nos arredores de Montalegre e tem a seu cargo dois filhos, um com 5 anos e o mais novo, com 9 meses, sem creche.


Na zona onde vive só há uma creche e não teve vaga. A única solução é o Gabriel ficar com a bisavó.

15.6.22

Combate à pobreza energética tem de passar pelo fim de “subsídios cegos”

Daniel Dias, in Público 

Num parecer sobre a eficiência energética das casas portuguesas, o Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável considera que programas como o Edifícios +Sustentáveis fracassaram e defende que o parque habitacional do país só melhorará com uma “gestão de proximidade”.Parecer lembra que 75% das famílias portuguesas vivem em casas que “não cumprem os requisitos modernos de comportamento térmico dos edifícios” Miguel Manso

O Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) tornou público, esta terça-feira, um parecer sobre a eficiência energética dos edifícios portugueses, com enfoque nas habitações. Na hora de fazer um diagnóstico da situação actual, o CNADS é assertivo. “Em Portugal, apesar de múltiplas medidas pontuais ao longo dos anos e de novas iniciativas que têm resultado em incentivos diversos, o parque habitacional continua a ter má qualidade”, considera o órgão consultivo, afirmando que 75% das famílias portuguesas vivem em casas que “não cumprem os requisitos modernos de comportamento térmico dos edifícios”.

No documento, que foi enviado ao Governo, há considerações sobre recentes programas de apoio que visaram encorajar os portugueses a realizar obras que melhorassem o comportamento térmico das suas casas, assim como são identificadas algumas das medidas que, na opinião do órgão consultivo, têm de ser tomadas para o combate à pobreza energética ser mais eficaz.

O Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) tornou público, esta terça-feira, um parecer sobre a eficiência energética dos edifícios portugueses, com enfoque nas habitações. Na hora de fazer um diagnóstico da situação actual, o CNADS é assertivo. “Em Portugal, apesar de múltiplas medidas pontuais ao longo dos anos e de novas iniciativas que têm resultado em incentivos diversos, o parque habitacional continua a ter má qualidade”, considera o órgão consultivo, afirmando que 75% das famílias portuguesas vivem em casas que “não cumprem os requisitos modernos de comportamento térmico dos edifícios”.

No documento, que foi enviado ao Governo, há considerações sobre recentes programas de apoio que visaram encorajar os portugueses a realizar obras que melhorassem o comportamento térmico das suas casas, assim como são identificadas algumas das medidas que, na opinião do órgão consultivo, têm de ser tomadas para o combate à pobreza energética ser mais eficaz.

O CNADS dá o exemplo do Casa Eficiente 2020, um programa de apoio que funcionou à base de empréstimos bancários (o dinheiro dado a cada candidato financiava obras de melhoria do desempenho energético da sua casa). Uma vez que “a taxa de juro proposta aos potenciais clientes, em vez de ser bonificada, era agravada”, o programa “não teve praticamente qualquer efeito”, considera o órgão consultivo, que também aponta insuficiências ao Edifícios +Sustentáveis, outro programa de apoio que, “sendo relevante”, ficou, na sua análise, muito aquém das metas estabelecidas.


Segundo o Ministério do Ambiente e da Acção Climática, que emitiu um comunicado sobre o programa a 4 de Maio (dois dias após o encerramento das candidaturas), mais de 26 mil das cerca de 106 mil candidaturas recebidas haviam sido, até à data, consideradas elegíveis. O CNADS constata que, segundo o Fundo Ambiental — de onde, inicialmente, proveio a dotação do Edifícios +Sustentáveis —, permanecem em análise cerca de 50 mil candidaturas, mas sustenta também que, mesmo que a maioria destas candidaturas venha a ser aprovada, o programa não conseguirá ajudar mais do que “1,9% dos três milhões de famílias que vivem em habitações com mau desempenho energético”.

O parecer do CNADS também considera “muito limitada” a “utilidade” do Vale Eficiência, um programa voltado para pessoas que beneficiem do desconto da tarifa social — e no âmbito do qual estão a ser atribuídos cheques de 1300 euros (mais IVA) para a realização de obras. O órgão consultivo descreve estes montantes como “irrisórios” e critica também o facto de só se aplicarem a “famílias carenciadas que sejam proprietárias das suas habitações” (quem não vive em casa própria não pode concorrer).

“Baixar artificialmente os preços da energia” não é solução

Segundo o CNADS, urge ser repensada a forma como são desenhadas as estratégias de incentivo à melhoria da eficiência energética das habitações. O órgão consultivo acredita que devem ser financiadas medidas que, por um lado, produzam “benefícios públicos” — como “a protecção do ambiente” e “melhor qualidade de vida para a população, em especial os sectores mais vulneráveis” — e, por outro, realmente apoiem pessoas com menor capacidade económica.

Implementadas tem de ser redefinida, continua o CNADS. Devem ser usados “indicadores de desempenho efectivo (conforto, rentabilidade a prazo, efeitos ambientais) e não indicadores de mera execução ou prescrições tecnológicas, que tendem a criar distorções”, argumenta o órgão consultivo, que dá ainda um alerta: alguns tipos de medidas “não são apropriados”.

O CNADS é contra “baixar artificialmente os preços da energia”, por exemplo. Porquê? A redução de preços dá ao mercado “o sinal oposto ao pretendido e diminui a rentabilidade das medidas de eficiência”.

Criar-se “subsídios cegos” sem se “atender a uma definição clara de prioridades ou às condições concretas dos beneficiários” também é de se evitar, frisa o órgão consultivo.

O CNADS salienta que existe “uma grande variedade de circunstâncias familiares”, pelo que não pode haver uma só estratégia de combate à pobreza energética. O órgão consultivo começa por dar o exemplo de famílias de classe média que são proprietárias da casa onde vivem. “Nestes casos, a eventual pobreza energética (entendida como uma casa desconfortável) não tem a ver com a pobreza económica, mas com outros factores”, observa o CNADS, argumentando que “incentivos fiscais atractivos podem ser um instrumento democrático, horizontal, eficaz e relativamente simples para promover a eficiência” das habitações da “maioria das famílias de classe média”.

Entre os referidos “​incentivos fiscais atractivos”, destaca o CNADS, “podem incluir-se as taxas reduzidas de IVA nos trabalhos de instalação e construção”.

Mas há também famílias que não têm dinheiro para requalificar as suas casas e pessoas que vivem em habitações sociais, assim como há quem more em casas arrendadas, “com mau comportamento térmico e défice de manutenção”. Muitos senhorios, argumenta o CNADS, “não estão interessados em obras de beneficiação, porque nada têm a ganhar com isso”.

Como se resolve o problema da pobreza energética quando é destes casos mais complexos que se fala? “Será sempre preciso colocar no terreno equipas multidisciplinares que façam uma análise térmico-económica caso a caso e prestem apoio social e técnico”, considera o CNADS.

Nos casos de precariedade económica agravada, opina o órgão consultivo, “será necessária uma gestão de proximidade, o que implica envolver as autarquias locais, e, em muitos casos, estabelecer parcerias com organizações da sociedade civil que conheçam a realidade do terreno”. Já no que às casas arrendadas diz respeito, conclui o CNADS, terá de se proceder a “um ajuste da legislação, no sentido de criar incentivos tanto para os senhorios como para os inquilinos”.

22.5.20

Famílias portuguesas perderam em média 944 euros. Total soma 3,9 mil milhões

in TSF

Perda de rendimentos atinge 70% dos 4,2 milhões de agregados familiares.

Cada família portuguesa perdeu, em média, 944 euros desde o início da crise provocada pela pandemia de Covid-19, ascendendo o prejuízo total a 3,9 mil milhões de euros, segundo um estudo da Deco divulgado esta sexta-feira.
"Ao mesmo tempo que as medidas de confinamento travavam o contágio pela Covid-19, muitas famílias portuguesas entravam em crise financeira. Desde o início da pandemia no nosso país, em março último, até meados de maio, a perda de rendimento generalizou-se a 70% dos agregados familiares", indicou, em comunicado, a Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

De acordo com os dados avançados pela associação, considerando o universo das famílias portuguesas, cada uma já perdeu, em média, 944 euros, valor que multiplicado pelo número de agregados (perto de 4,2 milhões) traduz um prejuízo de 3,9 mil milhões de euros, quase o triplo do registado em meados de março (1,4 mil milhões de euros).

No centro do corte financeiro está a perda ou redução do rendimento profissional que, entre meados de março e de maio, passou de 581 para 1.126 euros.
Por outro lado, os danos financeiros registados, no período em causa, justificam-se ainda com o cancelamento de viagens, eventos culturais e desportivos, perdas em rendas de imobiliário e em investimentos em produtos financeiros.

Do total de inquiridos, 9% registaram dificuldade em pagar o empréstimo da casa, em maio, 12% a renda, 13% telecomunicações, 12% gás, eletricidade e água e 11% a alimentação.
"As poupanças, como consequência, estão a ser bastante afetadas. Num terço dos casos, as economias já foram usadas para enfrentar as despesas diárias e outro terço das famílias antevê a necessidade de o vir a fazer. Dadas as circunstâncias adversas, uma em quatro famílias viu-se forçada a pedir auxílio financeiro", lê-se no documento.
Conforme indicou a Deco, desde o início da crise, 65% dos portugueses mantiveram-se profissionalmente ativos e 42% destes continuam a receber o mesmo salário, enquanto 23% viram o seu rendimento ser cortado.

Já 22% das famílias enfrentam "horizontes mais negros" com algum elemento que ficou temporariamente sem trabalho, por exemplo, devido ao regime de 'lay-off' (redução do horário de trabalho ou suspensão dos contratos) ou ao desemprego, que atingiu 13% dos inquiridos.

Os trabalhadores independentes foram os mais afetados, sendo que a maioria continua a trabalhar, mas com perda de rendimentos.

Durante os próximos 12 meses, 26% dos inquiridos preveem ser "provável" a perda de emprego e 30% o corte salarial sem redução de horário, enquanto 23% afirmam ser igualmente "provável" o aumento da carga horária com a mesma retribuição.

Adicionalmente, 31% dos inquiridos acham "provável" a perda ou redução de benefícios laborais, como subsídios de refeição ou prémios e 22% "muito provável ou certo".

Para a realização deste estudo, a Deco enviou, entre 14 e 15 de maio, um questionário 'online' a "uma amostra representativa da população portuguesa", com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos.

No total, apuraram-se 1.002 respostas.
Portugal contabiliza 1.277 mortos associados à Covid-19 em 29.912 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou novas medidas que entraram em vigor na segunda-feira, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para 30 de maio e a abertura da época balnear para 06 de junho.

28.11.19

Portugueses são dos menos capazes a pagar contas a tempo. Pior só os gregos

Victor Ferreira, in Público on-line

Estudo anual com 24 países europeus faz retrato preocupante. O bem-estar financeiro em Portugal é dos piores.

Portugal fica no sétimo lugar a contar do fim, numa lista de 24 países europeus, no que toca ao bem-estar financeiro. A lista é liderada pela Alemanha, Áustria e Suécia. No fundo da tabela ficam Grécia, no último lugar, precedida da Lituânia e da Polónia. A tabela baseia-se na resposta de 24 mil consumidores europeus sobre a capacidade de pagarem as contas a tempo, a aquisição de crédito, as poupanças e a literacia financeira. Portugal fica abaixo da média europeia. O retrato nacional é preocupante. E o europeu não é muito melhor, em termos gerais.

Activistas vestiram-se de ratinhos para protestar contra testes em animais
"Apesar das melhorias na economia nacional, os consumidores portugueses continuam a debater-se com dificuldades para saldar contas e 61% dos inquiridos admitem que a preocupação com as contas afecta negativamente o bem-estar financeiro deles. É a segunda taxa mais elevada na Europa, logo após a da Grécia”, aponta o relatório de 2019, divulgado nesta quinta-feira.

O PIB per capita português, em 2018, foi de 19.600 euros, bastante abaixo dos 30 mil euros da média europeia. A taxa de desemprego usada pelos autores do estudo é a do ano passado, 7% em Portugal e 6,8% na UE.

A situação portuguesa no Relatório sobre Pagamentos dos Consumidores Europeus (PDF aqui) feito anualmente pela Intrum AB (uma empresa sueca de gestão recuperação de créditos, ela própria criticada por associações de defesa do consumidor devido aos métodos que utiliza), pode resumir-se numa série de conclusões pouco animadoras: piores que nós a pagar contas a tempo só os gregos; somos dos europeus que menos poupam; dos que mais contraem créditos para pagar contas; e na literacia financeira, ou seja, em termos de dominar os termos básicos das finanças pessoais e de compreender os cálculos, ficamos na média europeia.

Quando se fala de contas, alude-se a responsabilidades com despesas como gás, electricidade e água, ou Internet, comunicações e saúde, bem como rendas de casa, empréstimos bancários (habitação e consumo) e educação dos filhos.

Detalhando a análise, 28% dos inquiridos em Portugal disseram que, nos últimos 12 meses, não conseguiram pagar contas a tempo pelo menos uma vez. Este indicador mede a capacidade de saldar dívida, a proporção do salário que resta após o pagamento das contas mensais e o rendimento bruto disponível per capita nas famílias portuguesas.

Até é uma percentagem baixa no quadro dos 24 países envolvidos no estudo, comparando com os 61% da Grécia, que está na pior situação, ou da Noruega, onde 48% admitiu que falhou pelo menos uma vez o pagamento atempado.

O problema é que Portugal tem uma das taxas mais elevadas de pessoas que dizem que a falha de pagamento é recorrente: 47%. E a razão mais citada para explicar essas falhas é a falta de dinheiro (56%), seguido de esquecimento (35%).

O que significa que no indicador composto, que leva em conta o pagamento, o rendimento disponível e o que sobra do salário depois de se saldar as responsabilidades mensais, Portugal cai para o penúltimo lugar. Pior só a Grécia.

Há também 47% de consumidores que dizem que a preocupação com as contas lhes tira bem-estar financeiro e 44% acredita que as contas aumentam mais rapidamente do que o rendimento.

Em matéria de crédito, 27% dos respondentes declararam que contraíram empréstimo para pagar contas, nos seis meses anteriores, ou que esgotaram o limite do cartão de crédito com esses pagamentos. Fica acima da média europeia (24%) e é a oitava taxa mais elevada, numa lista novamente liderada pela Grécia e pela Polónia e que tem Holanda, França e Alemanha no extremo oposto, como exemplos de países onde menos se paga contas com crédito.

Oitenta e um por cento dos portugueses inquiridos afirmam que conseguem poupar algo todos os meses, o que fica acima da média europeia de 75%, mas 61% está insatisfeito com o que conseguem pôr de lado. Sendo que as razões mais citadas por portugueses para fazer poupanças são “eventos inesperados” e “perda de emprego”. Pelo contrário, as razões de poupança menos citadas são para educação e para compra de habitação.
A família e os amigos tornaram-se as principais fontes de empréstimos para pagar contas no último ano em Portugal, com a banca e as instituições privadas de crédito a perderem peso.

Portugueses são os europeus que mais se queixam da desigualdade de rendimentos
Os portugueses são também os mais pessimistas no que toca à conjuntura internacional: 64% dos inquiridos dizem acreditar que uma União Europeia enfraquecida terá um impacto negativo nas finanças pessoais. Na Grécia, essa proporção é de 63%, em Espanha é de 62% e, em contraste, nos países nórdicos, na Suíça e na República Checa teme-se menos essa influência negativa.

Por fim, na literacia financeira, a educação que se tem em casa é a que mais pesa em Portugal, onde 66% diz que aprende com os pais (na UE a média é 51%) e 51% aponta para a escola (41% na UE). Segue-se a Internet (36%) e só depois a banca, que em Portugal obtém um resultado que merece destaque. É a única fonte de literacia financeira que perde na comparação com a UE. Por outras palavras, todas as fontes de formação e informação são mais importantes para os portugueses do que para a média dos europeus, com excepção da banca, que conta pior em Portugal do que no resto do continente.

18.3.19

Famílias portuguesas sentem dificuldade em pagar contas

in Esquerda.net

Cerca de 70% das famílias portuguesas afirmam sentir dificuldades para fazer face às despesas correntes, e 7% afirmam viver em pobreza, revela barómetro da Deco Proteste. Apenas 23% consideram a sua situação financeira confortável.

Dificuldades em pagar contas e despesas correntes, lazer e cultura são um luxo, viagens uma miragem — eis o retrato dominante de como as famílias portuguesas veem a sua situação financeira. Mais de 70% sentem dificuldades para pagar as despesas todos os meses, metade diz só ter dinheiro para despesas correntes, 7% diz viver em situação de pobreza.

São dados do primeiro Barómetro Deco Proteste, que pretende avaliar o nível de vida das famílias com base na facilidade que sentem para fazer face a despesas em saúde, habitação, educação, alimentação, mobilidade e tempos livres. As respostas recolhidas junto de aproximadamente 2 mil famílias, foram tratadas estatisticamente para dar um retrato do que será o panorama nacional.

Desagregando por item, habitação e saúde são despesas particularmente sentidas pelas famílias. Quase metade das famílias (46%) afirmam ter dificuldades para pagar todas as despesas de habitação. Destes, cerca de metade (55%) identifica as despesas de manutenção como problemáticas, enquanto outra metade (50%) aponta as contas de luz, água e gás. A saúde também é apontada como despesa problemática por cerca de metade dos inquiridos (45%).
A alimentação e a educação são os pontos de preocupação seguintes, afetando cada uma cerca de um terço das famílias. Destes, quase metade afirma não conseguir comprar as quantidades de carne e peixe que gostaria, os primeiros itens a cortar na lista de compras quando dinheiro aperta. Na educação, as famílias apontam o ensino superior como a despesa que mais desequilibra as contas — este ano as propinas vão baixar em cerca de um quarto, mas a proposta do Bloco para a sua abolição progressiva foi rejeitada pelo PS e toda a direita.

Os transportes públicos constituem uma preocupação para 25% dos inquiridos — mas o automóvel, por outro lado, sofre restrições para 47% delas, quase tanto como para a habitação ou saúde.

Onde cortam as famílias quando o dinheiro aperta? Primeiro que tudo, nas idas ao dentista, na compra de óculos, e no consumo carne e peixe, itens mais referidos na lista de sacrifícios em situação de aperto.

Perante esta panorama, não é de espantar que os tempos livres e de lazer sejam o parente pobre nos orçamentos. Metade das famílias (47%) consideram a cultura um "luxo" difícil de sustentar, cerca de dois terços consideram férias fora de casa, e também fins-de-semana, uma miragem.

9.11.17

As crianças portuguesas são felizes, sobretudo as mais pequenas

Bárbara Wong, in Público on-line

Inquérito a 1131 pais revela que oito em cada dez preocupa-se com a felicidade futura dos filhos.

As crianças portuguesas são felizes mas, à medida que vão crescendo, a percentagem de infelicidade aumenta, revela um inquérito promovido pela Imaginarium sobre “A felicidade e a infância”, conhecido nesta quarta-feira, em Lisboa. Também a Ikea lançou o seu "Play Report 2017" para o qual entrevistou mais de 350 crianças e adultos na Alemanha, China e EUA para compreender o papel da brincadeira na vida das pessoas.

Segundo o inquérito levado a cabo pela Imaginarium a 1131 pais, oito em cada dez preocupam-se com a felicidade futura dos filhos. Aliás, mostram-se mesmo “muito preocupados” e a maioria acredita que os filhos são “felizes” (20,2%) ou “muito felizes” (51,6%), há mesmo um quinto que diz que o seu filho “é a criança mais feliz do mundo”, apenas 8,8% diz que é “normal, às vezes feliz e outras não” e só 0,1% confessa que o filho é “muito triste”.
Contudo, os níveis de felicidade das crianças variam conforme a idade e os dados mostram que à medida que crescem vão tornando-se mais infelizes. As faixas etárias analisadas foram dos 0 aos 2, dos 3 aos 4, dos 5 aos 6 e dos 7 aos 8 anos. São estes últimos que são mais infelizes (15,2%) – a percentagem de infelicidade vai decrescendo com a idade situando-se nos 6,4% nas crianças entre os 0 e os 2 anos.

Para Rui Lima, pedagogo e convidado pela Imaginarium para comentar o estudo, é imposta uma “crescente pressão” às crianças, quer pelos pais quer pelos professores, onde “o desempenho académico, a competição entre pares e a necessidade de alcançar a perfeição em todas as actividades realizadas são uma constante”, logo, têm um “impacto negativo na felicidade das crianças”, defende num comunicado enviado às redacções.

E o que faz os meninos portugueses infelizes? Não passar tempo suficiente com os pais (26,3%), não ter tempo suficiente para brincar (21,3%) ou ficar de castigo (16,4%), respondem os pais inquiridos. As crianças serão mais felizes se se desenvolverem num ambiente escolar e familiar em que se sintam valorizadas e queridas (45,2%), se passarem mais tempo em família (34,8%) e se os pais as deixarem “explorar o mundo através da brincadeira (17%), respondem ainda os pais.

Falta mais tempo para a família
Praticamente todos os pais (99,8%) respondem que a felicidade dos filhos passa pelo tempo de qualidade partilhado em família, mas pouco mais de metade (51%) sente que passa pouco tempo de qualidade com os filhos e seis em cada dez pais acreditam que os filhos sentem a sua falta. Aliás, a maioria (89,8%) reconhece que tem dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal e acredita que um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar o tempo de qualidade e brincar com os filhos. 

Quando questionados sobre como contribuem para a felicidade dos filhos, os pais respondem que é ouvindo-os e fazendo-os sentir-se queridos (33,4%) e passando mais tempo com eles (28,1%). Para 14,3% a felicidade passa por elogios e incentivos para que os filhos façam as coisas bem.
Durante a semana, o tempo mais feliz que pais e filhos compartilham é o de antes de ir deitar e, ao fim-de-semana, são os passeios que fazem as delicias dos mais novos. Este inquérito, que a Imaginarium defende representar o todo nacional, conclui que as crianças portuguesas são “extremamente familiares” porque gostam de fazer planos com os pais e passar tempo com os mesmos.

A Imaginarium pergunta ainda aos pais que tipo de brinquedo faz os filhos mais felizes e as bicicletas e veiculos com rodas (38%) surgem à cabeça, seguido da música, arte e trabalhos manuais (35,2%), os jogos de construção e lógica (30,8%) e as cozinhas e profissões (30,6%). Os ecrãs, televisões, Ipad, vídeojogos e telemóveis (19,4%) surgem na oitava posição.

"Os brinquedos devem apelar ao desenvolvimento de diferentes competências, tanto ao nível físico como intelectual. Desenvolvendo essas competências, a criança será capaz de relacionar-se melhor consigo mesma, com os outros e com o mundo. Daí a importância de brinquedos que estimulem os sentidos nos primeiros anos de vida", defende Rui Lima no comunicado.

Também a marca sueca Ikea fez o seu terceiro relatório – depois de 2010 e 2015 – sobre o brincar com o objectivo de perceber melhor o papel desta actividade no desenvolvimento das crinças e na vida em casa. Para isso, entrevistou mais de 350 pessoas na Alemanha (Berlim), China (Pequim) e Nova Jérsia (EUA), entre os 2 e os 90 anos, e propõe cinco definições para brincar: "brincar para reparar", ou seja, para recuperar do stress do dia-a-dia e as sugestões passam por actividades que promovam o bem-estar das pessoas como o ioga ou o tai-chi, mas também a jardinagem ou um passeio. 
"Brincar para conectar" é a segunda definição. Num tempo em que o trabalho interfere por vezes na vida pessoal, o brincar proporciona a possibilidade de abrandar e de as pessoas se aproximarem da família ou dos amigos. As sugestões passam por ir a um bar fazer karaoke ou fazer jogos tradicionais como os de tabuleiro ou as cartas, o que permite que as pessoas estejam ligadas sem ser pela tecnologia, propõe o relatório.

As pessoas precisam de momentos de libertar, por isso, "brincar para libertar" é a terceira conclusão da marca, que sugere uma ida ao teatro ou a um parque temático. "Brincar para explorar" é a quarta proposta, explorar mundos reais ou imaginários, viajar ou brincar ao "faz-de-conta". Por fim, "brincar para expressar" que aposta na criatividade e nas artes, da pintura à música.

"Brincar começará a aparecer, cada vez mais, em todos os aspectos das nossas vidas. Desde o local de trabalho ao ginásio, as pessoas irão procurar brincar em espaços e momentos onde tradicionalmente não o fariam", conclui o comunicado da Ikea.

8.7.15

Nível de vida das famílias portuguesas regrediu em 2013 para níveis de 1990

in SicNotícias

Após uma tímida aproximação aos parceiros europeus, o nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990, ficando 25% abaixo da média europeia, revela o estudo "Três Décadas de Portugal Europeu: Balanço e perspetivas".

O documento, coordenado pelo economista Augusto Mateus e encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, vai ser apresentado hoje e atualiza um estudo anterior ("25 anos de Portugal Europeu") com os anos de 2011 a 2013, os primeiros anos da 'troika' em Portugal, cobrindo todos os ciclos de programação de fundos comunitários desde a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE) (1989-1993, 1994-1999, 2000-2006 e 2007-2013).

Segundo o relatório, o "Portugal Europeu passou de uma rota de convergência, concentrada nos anos seguintes à adesão à CEE e na segunda metade da década de 90 e mais intensa em termos de consumo das famílias, para um processo de visível divergência".

No panorama europeu atual, Portugal é incluído num segundo patamar de convergência, composto por países com um nível de vida 20 a 30% abaixo do padrão europeu, incluindo a Eslovénia, República Checa, Eslováquia, Lituânia, Grécia e Estónia, destaca o estudo, indicando que, desde 1999, Portugal apenas se aproximou da média europeia em 2005 e 2009.

Entre 2010 e 2013, o PIB 'per capita' português caiu 7% face ao padrão europeu e o nível de vida das famílias regrediu mais de 20 anos, refletindo a crise económica, a aceleração do processo de globalização, o alargamento da União Europeia a Leste e a aplicação do programa de resgate.

Portugal foi o país europeu que registou maior aumento na fiscalidade entre 2010 e 2013, com a carga fiscal a subir mais de 11%.

O aumento das receitas do Estado ficou a dever-se sobretudo aos impostos diretos, em particular o IRS, que aumentou mais de um terço entre 2010 e 2013, tendo os impostos e contribuições sociais absorvido em 2013, mais de um terço da riqueza criada em Portugal, totalizando cerca de 60 mil milhões de euros.

Portugal é também o Estado-membro em que os juros absorvem uma maior proporção da riqueza criada e o décimo que mais gasta em prestações sociais.

Os encargos com juros aumentaram em 2013 para 5% do PIB, refletindo as dificuldades no acesso a financiamento decorrentes da crise das dívidas soberanas, mas situam-se ainda assim abaixo dos valores registados até meados da década de 90.

O peso das despesas públicas no PIB que, em - 2009, cresceu cerca de cinco pontos percentuais, mantem-se desde essa altura em torno dos 50%, com crescente relevância das despesas com proteção social, cujo impacto no orçamento subiu de 30% em 1995 para 40% em 2013.

O destaque positivo vai para as exportações, cujo peso no PIB passou de 25% para 41% nos 28 anos de Portugal Europeu, enquanto as importações passaram de 27% para 39%. O ano de 2013 foi o primeiro em que o saldo comercial português foi positivo, salientando-se o contributo das exportações de serviços: se, em 1986, valiam um quarto das exportações nacionais, em 2013 já representavam cerca de um terço.

O estudo realça, aliás, que o "Portugal Europeu registou um intenso processo de terciarização, com os serviços a serem responsáveis por mais de três quartos da riqueza gerada em Portugal em 2013" e a registarem um peso na economia nacional 4% superior ao padrão europeu quando em 1987 era 10% inferior

O desenvolvimento da economia portuguesa nas últimas décadas ficou também marcado pela perda de relevância da indústria. Nos últimos 28 anos, o peso das indústrias transformadoras na economia caiu dez pontos percentuais, e só as indústrias alimentares conseguiam alcançar, em 2013, um volume de vendas superior ao registado em 2007.

No entanto, o Norte de Portugal, com um em cada cinco trabalhadores empregados na indústria, continua a destacar-se como uma das regiões europeias mais industrializadas.

Também o setor primário, dominado pela agricultura e produção animal, registou "um claro declínio nos últimos 28 anos", tendo o seu contributo para a criação de riqueza nacional diminuído de 8% em 1986, altura em que representavam mais do dobro da média europeia, para 2% em 2013.

Estas atividades conseguiram interromper, no entanto, nos últimos anos, "o definhamento global registado desde 1995, com um ligeiro aumento do seu peso na economia nacional, a par de progressos mais nítidos nas exportações agroindustriais".

O turismo, responsável em 2013, por 16% do PIB, 18% do emprego e 13% das exportações, tem vindo a afirmar-se como uma das principais atividades económicas em Portugal.

Atualmente, Portugal é o sexto Estado-membro em que o turismo mais pesa no PIB, o quinto em termos de emprego e o quarto em termos de relevância nas exportações.

Lusa

5.5.14

Desemprego é a "maior fragilidade" para as famílias portuguesas, diz Mota Soares

in iOnline


Mota Soares sublinhou que os dados divulgados hoje pelo Eurostat, segundo os quais a taxa de desemprego em Portugal manteve-se nos 15,2% em março, o mesmo valor desde janeiro de 2014, “dão esperança ao crescimento da economia e à recuperação do emprego”

O ministro da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social afirmou hoje que o “desemprego continua a ser muito elevado” em Portugal, representando a “maior fragilidade” para as famílias portuguesas.

Contudo, sublinhou que os dados divulgados hoje pelo Eurostat, segundo os quais a taxa de desemprego em Portugal manteve-se nos 15,2% em março, o mesmo valor desde janeiro de 2014, “dão esperança ao crescimento da economia e à recuperação do emprego”.

Em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação da Campanha Pirilampo Mágico 2014, Mota Soares observou que, “no último ano, a taxa de desemprego desceu 2,2%”, o que considerou “uma boa notícia para os cerca de 114 mil portugueses que saíram dos números de desemprego”.

Mas, lamentou, “o desemprego continua a ser muito elevado, é a maior fragilidade para as famílias portuguesas e isso implica que o Governo continue a trabalhar muito”.

No boletim hoje divulgado, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia revê em ligeira baixa a taxa de desemprego para Portugal nos primeiros três meses deste ano, de 5,3% para 5,2%.

Em termos homólogos, Portugal observou a terceira maior descida da taxa de desemprego entre os 28 Estados-membros (de 17,4% para 15,2%), atrás da Hungria (de 11,2% para 7,9% em fevereiro) e da Letónia (de 13,9% para 11,6% entre o quarto trimestre de 2012 e 2013).

Para Mota Soares, estes dados “dão esperança ao crescimento da economia e à recuperação do emprego”.

“São dados que dão esperança a muitos portugueses que querem regressar ao mercado de trabalho e, no caso do Governo, são dados que nos dão força para continuar a trabalhar”, sustentou.

Os dados do Eurostat referem também que o desemprego jovem voltou a aumentar em março, para 35,4%, face aos 35% registados no mês anterior.

Sobre estes números, o ministro comentou que, no último ano, foi registada uma diminuição de 4,1% no desemprego jovem.

“De qualquer forma, sendo os números tão elevados, o Governo está neste momento a trabalhar [no programa de apoio ao emprego] Garantia Jovem para podermos colocar mais jovens em ações de formação e no mercado de trabalho”, sublinhou.

Neste momento, já há 75 mil jovens em ações de formação, em estágio profissionais e no mercado de trabalho, adiantou.

Questionado sobre as novas taxas que o Governo pretende aplicar às pensões, Mota Soares reafirmou que “todos os reformados e pensionistas vão ficar melhor do que anteriormente e recuperar o poder de compra”.

Adiantou que o Governo tinha de “encontrar uma medida duradoura” que substituísse a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, respeitando os critérios do acórdão do Tribunal Constitucional.

O Tribunal Constitucional disse “muito claramente que este esforço devia ser repartido entre pensionistas e trabalhadores, entre a Caixa Geral de Aposentações e a Segurança Social, entre regime público e regime privado”, adiantou.

Por isso, “foi necessário pedir um esforço adicional em matéria do IVA” e “em matéria de taxa social, que serve para a sustentabilidade das pensões”, explicou.

“Quer o IVA social, quer a taxa social não são para a despesa do Estado, são para a sustentabilidade dos sistemas de pensões dos portugueses”, acrescentou.

















6.11.12

Internet é ferramenta diária para dois terços das famílias portuguesas

in RR

Quanto ao comércio electrónico, 13% já faz encomendas online, o que representa um crescimento médio anual de 20% desde 2008 até 2012.

Dois terços das famílias portuguesas utilizam computador e acedem à internet, sendo que mais de 90% dos jovens entre os 10 e os 15 anos já navega na internet e usa telemóvel.

66% das famílias têm acesso a computador em casa e 61% dispõem de ligação à internet. São conclusões do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE adianta ainda que 60% pessoas dos 16 aos 74 anos utilizam Internet, 35% das quais fazem-no em mobilidade, ou seja, fora de casa e do local de trabalho, o que significa mais cinco pontos percentuais que no ano passado.

O computador portátil é o equipamento mais utilizado nesta modalidade de acesso, sendo referido por 27% de utilizadores, seguido pelo telemóvel, na ordem dos 21%.

As pessoas que usam o telemóvel para aceder à internet em mobilidade usam-no essencialmente para trocar e-mails (70%), participar em redes sociais (63%) e para ler ou fazer “download” de notícias online, jornais ou revistas (54%), refere o Instituto.

Quanto ao comércio electrónico, 13% já faz encomendas pela Internet, o que representa um crescimento médio anual de 20% desde 2008 até 2012.