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20.7.23

Banco Alimentar de Beja procura voluntários

in Rádio Pax


O Banco Alimentar Contra a Fome, em Beja, está a procurar voluntários que façam a separação de papel.

Nesta altura do ano as escolas entregam ao Banco Alimentar várias toneladas de livros escolares sem reutilização que serão encaminhados para reciclagem, ao abrigo da campanha que permite trocar papel por alimentos.

A preparação de uma quantidade tão grande de papel para transporte exige a ajuda dos voluntários.

José Tadeu Freitas, Presidente do Banco Alimentar em Beja, apela aos jovens em férias escolares que disponibilizem um pouco do seu tempo para ajudar na separação de papel.

8.5.23

Banco Alimentar faz a diferença “na vida de muitas pessoas”

in Diário de Coimbra

Habituado ao armazém, onde tem sido voluntário do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) e desenvolvido trabalho de triagem e separação de alimentos, António Cardoso experimentou ontem um outro lado do voluntariado, numa superfície comercial, dando a cara pela campanha que pretende, uma vez mais, durante este fim-de-semana, a recolha de bens alimentares que servirão para alimentar milhares de famílias carenciadas de todo o país. António Cardoso, de 20 anos, como residente na Comunidade Juvenil São Francisco de Assis, sabe bem o que é viver da solidariedade: a Comunidade Juvenil recebe alimentos, roupas, brinquedos e até produtos de higiene, pelo que o jovem faz o apelo para que, tal como a sua instituição é ajudada, também outras instituições possam receber os bens alimentares do BACF que são depois distribuídos pelas famílias.

[leia a notícia na integra no jornal impresso]

4.5.23

Pedidos de ajuda ao Banco Alimentar quase duplicaram nos primeiros 4 meses do ano

Por Lusa, in RTP


Os pedidos de ajuda ao Banco Alimentar nos primeiros quatro meses do ano quase duplicaram face a 2022, disse a presidente do organismo, manifestando-se preocupada por nada estar a ser feito para combater a pobreza estrutural.


Em entrevista à agência Lusa a propósito da campanha de recolha de alimentos, que decorre este fim de semana, Isabel Jonet disse que, até 20 de abril, o Banco Alimentar Contra a Fome (BA) recebeu 3.330 novos pedidos de ajuda, o que representa um aumento de 93% em relação ao mesmo período de 2022, quando tinham chegado 1.725 pedidos.

"Nos quatro primeiros meses de 2023, aquilo que se verifica é que há um acréscimo muito substancial dos pedidos e esse acréscimo vem sobretudo de pessoas que têm um trabalho", adiantou a presidente do BA.

De acordo com a responsável, os pedidos de ajuda vêm, sobretudo, de pessoas de nacionalidade portuguesa (63%), registando-se 27% de pedidos feitos por cidadãos brasileiros.

"Temos de contar aqui, sobretudo, com o impacto do acréscimo dos preços, mas também com esta expectativa de não haver a curto prazo uma previsão de alteração da situação", apontou Isabel Jonet, acrescentando que apesar de ter havido uma redução do IVA em alguns produtos alimentares, essa situação será temporária.

Alertou, por outro lado, que mais do que a expectativa, conta a vida real dos portugueses e "aquilo que sentem no seu dia-a-dia é que o dinheiro que ganham não chega para as necessidades do agregado familiar", muito à custa da alimentação e da habitação.

"Penso que nos próximos meses a situação se vai continuar a agravar e o que eu prevejo é que haja também algum reflexo por parte das entidades que empregam e só espero que não comece a subir o desemprego", apontou.

Isabel Jonet explicou que este receio se sustenta no facto de estarem a verificar, ainda que seja "uma pequena tendência", um "maior número de pessoas que ficaram desempregadas e que pedem ajuda".

Revelando que 41% das pessoas que pedem apoio ao Banco Alimentar dizem que ficaram desempregadas, Jonet conclui tratar-se de "uma tendência", alertando que neste grupo estão, não só pessoas que tinham vínculo laboral, mas também quem obtinha rendimentos através da chamada economia paralela, que, em Portugal, tem uma expressão "fortíssima".

Relativamente aos apoios que têm sido criados para as famílias, Isabel Jonet apontou que muitas vezes mais não são do que um "balão de oxigénio" e criticou que nada esteja a ser feito no combate à pobreza estrutural.

"Isso é que me preocupa muito, é ver que 20% ou 22% das pessoas estão a trabalhar e continuam a ser trabalhadores pobres", alertou.

Por outro lado, disse estar igualmente apreensiva em relação a pessoas que passaram por uma situação de pobreza conjuntural, ou seja, na sequência da crise económica, e que "vão passar para uma situação de pobreza estrutural".

"Porque não vão conseguir nos próximos tempos ter um salário que lhes permita deixar de ser pobre", alertou.

Perante estes dados, Isabel Jonet não tem dúvidas de que o número de pobres em Portugal vai aumentar durante 2023, independentemente de todos os apoios sociais dados pelo Governo, tendo em conta as consequências da pandemia, de fatores conjunturais e da inflação, defendendo que o aumento geral dos preços não é consequência da guerra na Ucrânia, mas sim da "quantidade de dinheiro que foi injetada na economia".

"A minha maior preocupação é que eu não vejo a curto prazo que estejam a ser tomadas medidas que possam contrariar" o aumento da pobreza, adiantou, dando como exemplo os possíveis impactos que a inteligência artificial venha a ter no mercado de trabalho e de como isso não está a ser tido em consideração na formação e qualificação dos trabalhadores.

Isabel Jonet espera, por isso, que a próxima campanha do BA, que decorre nos dias 06 e 07 de maio, "tenha uma grande adesão" e que os portugueses percebam que "há imensas pessoas que precisam", razão pela qual as campanhas funcionam também como "momentos de mobilização da sociedade".

2.12.22

Banco Alimentar recolheu 1486 toneladas de bens, mais 200 do que no ano passado

Joana Gorjão Henriques, in Público

“Há uma solidariedade incrível da sociedade portuguesa apesar da inflação”, diz presidente dos Bancos Alimentares. Dados são de recolha até às 18h, faltam apurar supermercados que fecham até às 23h.

Este fim-de-semana a campanha do Banco Alimentar contra a Fome para a recolha de alimentos conseguiu angariar, até às 18h deste domingo, 1486 toneladas de alimentos, mais 200 toneladas do que no mesmo período do ano passado, disse ao PÚBLICO Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome.

Os vales nos supermercados e a campanha online, com donativos que representam alimentos, e cujos contributos podem ser feitos até 4 de Dezembro.

Os dados até esta hora antevêem uma subida, segundo Isabel Jonet, já que são apenas ligeiramente inferiores ao total do ano passado, em que foram recolhidas quase 1680 toneladas. Estima-se que a campanha tenha mobilizado 40 mil voluntários, em 1778 lojas.

Os alimentos vão ser distribuídos por 2600 instituições, e apoiar 400 mil famílias, através de cabazes ou refeições prontas servidas em lares, creches, apoio domiciliário, cantinas sociais.

“Pensou-se que, por causa da inflação, haveria um decréscimo das doações, mas há uma solidariedade incrível da sociedade portuguesa”, disse Isabel Jonet. “As pessoas conhecem outras que estão a passar mal, há conhecimento directo destas situações, de muito perto”, acrescentou.

Segundo Isabel Jonet, os pedidos de ajuda de alimentos e apoio têm aumentado tanto da parte das instituições, como das pessoas directamente. Não referiu dados totais das instituições, apenas que pedem mais alimentos e bens; ao mesmo tempo, recebem 35 novos pedidos de pessoas ou famílias por dia — o número é menor do que na pandemia, mas esse foi um período incomparável, refere. “De qualquer forma é muito”, afirma. “São pessoas que trabalham e têm filhos”.

Do que contabilizaram até agora, os bens mais doados foram leite, massa, arroz; depois azeite e este ano menos óleo “porque está igual ao preço do azeite e as pessoas preferem doar azeite”, referiu; houve ainda atum, salsichas e açúcar. “São também os bens que pedimos”, afirma.

Segundo a instituição, o Banco Alimentar “disponibiliza ainda uma plataforma electrónica em www.alimentestaideia.pt para doação de alimentos pela Internet, que permite a participação na campanha de pessoas que habitualmente não se deslocam ao supermercado ou que residam fora de Portugal, nomeadamente os emigrantes”, acrescentou.

Em Maio, uma campanha de fim-de-semana recolheu 1695 toneladas, mais 72 toneladas no que no mesmo mês de 2021.

21.11.22

Banco Alimentar alerta para aumento dos pedidos de ajuda. “Vão superar os da pandemia”

Henrique Cunha, in RR

Nova campanha do Banco Alimentar Contra a Fome a 28 e 29 de novembro. Responsável do Porto alerta que “existem cada vez mais pedidos de apoio das pessoas”.
A presidente do Banco Alimentar do Porto (BAP) alerta para a possibilidade de um aumento "exponencial de pedidos de ajuda", prevendo-se mesmo que "os números superem os que existiram na pandemia".

A recém-eleita presidente do BAP, Barbara Barros, diz à Renascença que a inflação está a fazer disparar os pedidos de apoio e revela que, neste momento, tem uma lista de espera de ”120 instituições”.

A responsável afirma que “existem cada vez mais pedidos de apoio das pessoas” e que, por isso, “as instituições começam a ficar com mais necessidade de produtos alimentares”.

“Falamos neste momento de uma lista de 120 instituições com tendência a aumentar. É um aumento exponencial. Calculamos que vá superar os números que existiram na pandemia”, antecipa, a responsável do BAP.

Bárbara Barros lembra ainda que a inflação não se reflete, apenas, nos bens alimentares, mas atinge também “os transportes, os combustíveis e reflete-se nos empréstimos bancários da habitação”, por isso “as famílias estão a atravessar uma dificuldade muito grande”.

“Muitas vezes chegam-nos famílias que não estão habituadas a não pedir este apoio”, acrescenta.

Nesta altura, o Banco Alimentar do Porto “apoia 300 instituições, mais de 58 mil pessoas, num total de 5.595 famílias”.

A uma semana de mais uma campanha de recolha dos Bancos Alimentares, Bárbara Barros apela à solidariedade, porque a fome é uma realidade.

“Neste momento há”, responde à pergunta, sobre se há fome em Portugal. E, insiste “nós continuamos a achar que em Portugal não há fome, mas nós continuamos a dizer que os Bancos Alimentares já apoiam 400 mil famílias; é um número muito grande”.

A responsável sugere que “só não haverá fome se nós continuarmos a dar o apoio, se continuarmos a ser solidários, se olharmos para o lado, e se podermos contribuir de qualquer maneira, seja a nível voluntário, seja a nível de contribuição no supermercado, seja a nível de contribuição de empresas”.

“Caso contrário”, sublinha, Bárbara Barros, “ficamos neste momento numa situação muito delicada, porque a inflação está a aumentar e nos bens alimentares tem sido uma loucura, um aumento permanente”.

5.7.22

Este fim-de-semana os aveirenses são chamados a ajudar o próximo

in Diário de Viseu

O Banco Alimentar Contra a Fome de Aveiro, tal como os restantes Bancos Alimentares do país, vai realizar, no próximo fim-de-semana, a sua habitual Campanha da Primavera. Uma das duas campanhas anuais, que acontece nas médias e grandes superfícies e graças ao envolvimento de muitas centenas de voluntários. Paralelamente, sob o lema “Seja o próximo a ajudar o próximo”, a Federação e os Bancos Alimentares já estão no terreno a desenvolver as campanhas vale e “on-line”, nas cadeias alimentares aderentes. Uma estratégia que vai acontecer até ao dia 5 de Junho.

15.6.22

Banco Alimentar distribuiu 1.043 toneladas de alimentos em São Miguel em 2021

in Visão

O Banco Alimentar Contra a Fome de São Miguel distribuiu no ano passado 1.043,97 toneladas de alimentos, abrangendo 17.086 pessoas com "carências comprovadas" na maior ilha açoriana, 40% das quais crianças, foi hoje revelado

“Durante o ano de 2021, o Banco Alimentar de São Miguel distribuiu 1.043,97 toneladas de alimentos, que contribuíram para a alimentação de mais de 17.086 pessoas com carências comprovadas”, indica a instituição num comunicado enviado à agência Lusa.

Do número total de beneficiários, 40% foram crianças, respeitante a 6.834 pessoas.

O número total de cidadãos beneficiados pela distribuição do Banco Alimentar é cerca de 13% da população de São Miguel, ilha que, segundo as estimativas mais recentes do Serviço Regional de Estatística, tinha cerca de 137 mil habitantes em 2020.

Segundo o Banco Alimentar de São Miguel, as pessoas carenciadas foram identificadas pelo Centro de Emergência Social, pelas 71 associações parceiras e pela Rede de Emergência Alimentar.

“Desde janeiro, o Banco Alimentar está a responder aos efeitos decorrentes da crise pandémica [de covid-19] e da alta de preços provocada pela guerra [na Ucrânia], apoiando mensalmente acima dos 720 agregados familiares. Para isso, é importante continuar a garantir, todos os meses, um abastecimento de 27 mil quilos de alimentos”, acrescenta a instituição.

Entre sexta-feira e domingo, o Banco Alimentar Contra a Fome vai realizar na ilha de São Miguel uma recolha de bens alimentares em 42 estabelecimentos comerciais da ilha, com recurso a 600 voluntários.

Os estabelecimentos estão distribuídos por todos os concelhos micaelenses: 19 em Ponta Delgada, oito na Ribeira Grande, sete na Povoação, dois no Nordeste, dois na Lagoa e quatro em Vila Franca do Campo.

13.6.22

Banco Alimentar contra a Fome: recolhidas 1.695 toneladas de alimentos

in SIC

Os alimentos mais doados foram produtos não perecíveis, como leite, arroz, azeite, massas ou açúcar.

Os Bancos Alimentares contra a Fome recolheram 1.695 toneladas de alimentos, durante o fim de semana em que decorreu a campanha nacional, disse esta segunda-feira a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

“Fizemos mais 72 toneladas do que em maio de 2019, mais 4,4%, apesar do aumento dos preços” dos alimentos, no contexto atual, afirmou à Lusa Isabel Jonet, sublinhando “um resultado extraordinário”.

“Os portugueses são extraordinários. É comovente”, salientou.

Os alimentos recolhidos vão começar a ser distribuídos já a partir da próxima semana, contribuindo para ajudar a suprir as necessidades alimentares de cerca de 400 mil pessoas, apoiadas por 2.600 instituições, quer através de cabazes de alimentos, quer através de refeições confecionadas servidas em lares, creches, apoio domiciliário, cantinas sociais, entre outro, indicou a responsável, em comunicado.

Os alimentos mais doados foram produtos não perecíveis, como leite, arroz, azeite, massas, açúcar, cereais de pequeno almoço, bolachas, grão e feijão, acrescentou.

Quanto aos pedidos de ajuda, Isabel Jonet disse estarem a aumentar, “não só por parte das pessoas, como por parte das instituições, porque muitas ainda não viram renegociados os seus acordos com a Segurança Social e têm que dar a resposta nas valências de lares e de creches, a fazer a comida, e está tudo mais caro”.

CAMPANHA “AJUDA DE VALE” DECORRE ATÉ 5 JUNHO

A recolha de alimentos promovida pelos Bancos Alimentares regressou neste fim de semana aos supermercados, na primeira campanha depois do confinamento imposto pela pandemia da covid-19, envolvendo cerca de 40 mil voluntários.

Até 5 de junho, decorre também a campanha “Ajuda de Vale”, com vales disponíveis em todos os supermercados, cada um com um código de barras específico, correspondente ao alimento selecionado para doação, cujo valor é acrescentado no ato do pagamento, ou no site, um portal de doações ‘online’.

Em dezembro de 2021, os 21 Bancos Alimentares conseguiram angariar 1.680 toneladas de alimentos, que contribuíram para a alimentação de mais de 380.000 pessoas com carências comprovadas, identificadas pelas cerca de 2.500 instituições e entidades que operam no terreno, acompanhadas pelo Banco Alimentar da respetiva região, de acordo com dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

“Agradecemos a todos quantos participaram, doando alimentos e com voluntariado. Uma vez mais os portugueses acolheram de forma generosa e entusiástica o desafio dos Bancos Alimentares e continuaram a alimentar esta ideia, contribuindo com a sua ajuda individual para dar uma grande ajuda coletiva às 400 mil pessoas que se confrontam ainda com carências alimentares, apesar do contexto inflacionista que se vive atualmente”, destacou Isabel Jonet, na mesma nota.

30.11.21

Mais de 700 toneladas de comida recolhidas no primeiro dia de Banco Alimentar

Orlando Teixeira, in Sol

"É incrível ver a quantidade de alimentos que estão aqui doados e que apesar deste tempo difícil ou se calhar, sobretudo, por causa deste tempo difícil, em que todos nós conhecemos famílias que estão em situações mais desesperadas, que os portugueses responsam presente à campanha do Banco Alimentar", referiu Isabel Jonet.

Foram pesadas, até às 23h00 deste sábado, - o primeiro dia da campanha deste ano do Banco Alimentar Contra a Fome - 720 toneladas de alimentos, o que correponde a menos 90 toneladas do que em novembro de 2019, quando decorreu a última campanha presencial.

A informação foi avançada pela presidente da organização, Isabel Jonet, à agência Lusa, acrescentado ainda que os números não são "nada de estranhar, porque estamos em menos supermercados e ainda temos muitas doações aqui no pátio para pesar".

A presidente do Banco Alimentar destaca a grande quantidade de voluntários presentes e a solidariedadedemonstrada pelos portugueses:

"É incrível ver a quantidade de alimentos que estão aqui doados e que apesar deste tempo difícil ou se calhar, sobretudo, por causa deste tempo difícil, em que todos nós conhecemos famílias que estão em situações mais desesperadas, que os portugueses responsam presente à campanha do Banco Alimentar".

A campanha do Banco Alimentar contra a fome continua este domingo, em cerca de 1200 estabelecimentos comerciais do país, contadndo com cerca de 20 mil voluntários.

Para comtribuir, basta aceitar um saco do Banco Alimentar à entrada do supermercado e, durante as compras, escolher produtos não perecíveis, como conservas, azeite, açúcar, farinha e massas, para doar. Além disso, é ainda possível comprar vales de produtos que estão disponíveis nas caixas dos supermercados, até dia 5 de dezembro. Este será o dia em que campanha termina também no site www.alimenteestaideia.pt.

Os 21 bancos alimentares existentes no país vão depois distribuir a comida localmente, também com rcurso a voluntários.

Segundo a instituição, no ano passado foram recolhidas 29.939 toneladas de alimentos, com um valor estimado de 41,9 milhões de euros.

Os bens foram entregues a 2700 instituições, contribuindo para a alimentação de cerca de 450 mil pessoas.

As campanhas de recolha de alimentos realizam-se duas vezes por ano sendo que, no ano passado, não existiu campanha presencial devido à pandemia de covid-19. Os alimentos recolhidos foram recebidos através dos donativos por vales e da plataforma "Alimente esta ideia".

11.2.21

Os novos pobres: Gente jovem e que tinha emprego

Joana Faustino, in Sol

Em Portugal, foram milhares aqueles que perderam o emprego devido à covid-19. A pobreza não escolhe idade ou género e os pedidos de ajuda alimentar aumentam de dia para dia.

2021 será o ano em que a pobreza extrema mundial irá aumentar pela primeira vez no espaço de tempo de 22 anos. Se por um lado, a ONU prevê que 235 milhões de pessoas necessitem de ajuda humanitária, por outro o Banco Mundial alerta que o número de indivíduos a viver em pobreza extrema pode chegar aos 150 milhões. No relatório publicado em outubro do ano passado pode ler-se que «durante mais de duas décadas, a pobreza extrema estava a descer consistentemente. Agora, pela primeira vez, a luta para acabar com a pobreza sofreu o seu pior retrocesso». Além da Covid-19 como principal impulsionadora deste problema, aponta-se também para as alterações climáticas e para os conflitos presentes em várias partes do globo como fatores de risco.

Em Portugal, os dados são semelhantes. Contactada pelo Nascer do SOL, Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome (BA) avança que «entre abril e maio houve um pico de pedidos de ajuda», que começaram gradualmente a diminuir e voltaram a aumentar novamente no final do ano. Sobre quem procura ajuda, a presidente do BA explica que são «famílias que nunca tinham convivido com uma situação de pobreza» e que agora não sabem como lidar com a situação. Pessoas que sempre tiveram um emprego e maneira de sustentar a família, veem-se agora desamparados e em alguns casos envergonhados por terem de pedir ajuda. É esse o caso de milhares de trabalhadores do setor do turismo e da restauração por exemplo.

Os novos desempregados

Joana Aires e José Rodrigues trabalhavam num café na zona do LxFactory. Quando se instalou a pandemia e foi decretado o estado de emergência o casal entrou em layoff. Não foi preciso muito tempo para que o estabelecimento deixasse de ter dinheiro para lhes pagar e os despedisse. Os jovens, ambos na casa dos 20 anos, moram juntos e viram-se obrigados a pedir ajuda à mãe de José para que conseguissem garantir as suas necessidades. A busca por um novo emprego também não foi fácil. Joana continua à procura e a ter de viver com subsídio de desemprego. José conseguiu um posto de trabalho num call center passados três meses de busca.

É essa a situação em que cada vez mais portugueses vivem atualmente. De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, em novembro do ano passado, a taxa de desemprego situava-se nos 7,2%. Se desde 2012 tinha vindo a descer, chegando em 2019 aos 6,4%, este ano a pandemia fez com que o que era observável há sete anos desse uma volta de 180 graus. O aumento do desemprego trouxe também um aumento da pobreza. Os números não escolhem setor, género ou idade. No entanto, de acordo com Isabel Jonet, os «novos pobres» são na sua maioria pessoas jovens que já tiveram um emprego e pertencentes à classe média.

Os novos apoios

Nuno Pacheco é padre em duas paróquias do distrito de Setúbal - Santo André e Alhos Vedros. Quando contactado pelo Nascer do SOl explicou que o número base de famílias ajudadas semanalmente pela paróquia em conjunto com o Banco Alimentar é de 48. Em Santo André contam ainda com a ajuda mensal do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC), 156 famílias, o que representa um universo de 500 pessoas ajudadas por mês. No entanto, em março o número de pedidos de ajuda evoluiu de tal maneira que o padre se viu obrigado a criar um outro programa de ajuda imediata. Por um lado, o protocolo de inscrição de famílias no programa da paróquia estava perto de atingir o limite; por outro era necessário recorrer a «burocracias» para as quais não havia tempo para pedir este tipo de apoio. Como solução, as paróquias criaram o programa de ajuda DECOR. «Muita gente perdeu o emprego em março e a partir daí. Alguns deles são pessoas de outras nacionalidades que nem sempre tinham tudo o que era necessário para se inscreverem na ajuda do BA. Por isso, criámos o projeto DECOR e desde março já ajudou mais de 500 famílias divididas entre estas duas paróquias», explicou o padre.

Telma é uma das pessoas que faz a distribuição da ajuda fornecida pelo programa DECOR e acredita que «por causa do novo confinamento, como as crianças vão voltar para casa e deixar de almoçar na escola, os pedidos voltem a aumentar». A voluntária explica ao Nascer do SOL que, para além de comida, é também distribuída roupa e ocasionalmente produtos de higiene.

Rita (nome fictício) foi uma das pessoas que necessitou de pedir ajuda para conseguir sobreviver. A jovem de 28 anos vê-se nesta situação pela primeira vez. Até março, tanto ela como o marido tinham emprego. A pandemia fez com que uma família estável necessitasse de recorrer a terceiros para conseguir sobreviver. Rita tem dois filhos, um deles com um ano e outro com nove. No início, através da DECOR, conseguiu receber algumas fraldas e produtos de higiene para as crianças mas assume que agora «as pessoas já não dão tanto, por isso é mais comida» que tem recebido ultimamente. Para o filho mais velho, Rita chegou a receber material escolar e livros de fichas que não estão incluídos nos vouchers de manuais escolares atribuídos pelo Governo. Com as escolas encerradas, Rita tem mais uma refeição para dar ao filho e conta que já pediu «à Telma para ver se consegue arranjar mais qualquer coisa, nem que seja uns enlatados».

Cada vez mais portugueses se veem obrigados a pedir ajuda para ter o que comer e o que vestir. Os números conhecidos não correspondem totalmente à verdade, visto que há quem não peça por não se sentir à vontade. Com um novo confinamento é de esperar um aumento semelhante àquele que se deu em março, sendo por isso importante que, quem pode, contribua para ajudar aqueles que sozinhos não conseguem.


25.1.21

Banco Alimentar pede aos portugueses mais solidariedade em tempo de pandemia

Por Rui Silva com Sara Beatriz Monteiro, in TSF

Isabel Jonet sublinha que a pandemia tem causado dificuldades a um leque muito vasto de pessoas.

No dia em que assinala 30 anos de vida, o Banco Alimentar contra a Fome pede aos portugueses que sejam mais solidários neste momento de pandemia. A presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, alerta que os próximos meses vão ser de uma dificuldade como não há memória.

"Eu estou aqui há 27 anos e nunca vi tanto desespero e tanta falta de esperança aliada a um fator que é de medo, porque é um medo daquilo que desconhecemos desta doença, mas também do medo que temos que nos possa atingir a nós e aos nossos mais próximos. Há que ter muito cuidado para se evitarem ruturas sociais, mas também para que não falte o apoio de que muitas famílias vão precisar ainda. Nós vamos enfrentar meses muito duros e tem de haver uma solidariedade muito reforçada de todos os portugueses", adianta à TSF.

Isabel Jonet sublinha que a pandemia tem causado dificuldades a um leque muito vasto de pessoas: "Há muitas famílias que nunca tinham estado numa situação de pobreza e que se encontram hoje privadas dos seus rendimentos em muitos casos de forma abrupta e brusca. Estas famílias têm um perfil completamente diferente. São famílias mais novas, com filhos, que tinham a vida organizada e uma expectativa de vida boa."

O Banco Alimentar Contra a Fome foi criado a 23 de janeiro de 1991 pela mão de José Vaz Pinto. Isabel Jonet está no cargo há 27 anos e destaca que este é o maior movimento da sociedade civil desde o pós-guerra.

Desde o primeiro dia, o Banco Alimentar tem como principal missão lutar contra o desperdício. O modelo de gestão profissional veio também trazer mudanças no voluntariado em Portugal, explica Isabel Jonet.

"Todas as pessoas que asseguram as coordenações das várias comissões são voluntárias. E isso fez com que o Banco Alimentar tivesse mudado e tivesse contribuído para criar um voluntariado completamente diferente em Portugal. Um voluntariado mais jovem, mas onde o profissionalismo é encarado como algo que pode ser exercido. O voluntariado que temos hoje em Portugal é muito fruto daquilo que o Banco Alimentar permitiu construir ao longo destes 30 anos", sustenta.

Atualmente, existem em todo o país 21 bancos alimentares que distribuem diariamente 110 toneladas de alimentos, apoiando mais de 450 mil pessoas, 4% da população.

21.12.20

Do excedente à realidade de novos pobres vai uma pandemia de distância

Por Notícias ao Minuto

O ano arrancou com um inédito excedente orçamental em democracia, mas bastaram pouco meses para que uma realidade de "novos pobres" criados pela pandemia de covid-19 transformasse o saldo positivo das contas públicas numa memória do passado.

O Orçamento do Estado para 2020 foi aprovado já em janeiro, com um inédito excedente orçamental de 0,2% num país habituado a ter as contas no "vermelho".

Mas a pandemia que chegou a Portugal em março comprometeu de imediato o breve alívio financeiro, ao afetar diretamente a principal causa do saldo positivo: o turismo. Apenas uma semana depois de serem conhecidos os dois primeiros casos de infeção confirmada no país, o Algarve já registava 60% de cancelamentos de reservas em hotéis, dando início à maior crise no setor hoteleiro e da restauração de que há memória.

Com hotéis e restaurantes a fechar, a taxa de desemprego, que registava os valores mais baixos em muitos anos e acabava de deixar para trás máximos da crise financeira do início da década que trouxe a 'troika' pela terceira vez a Portugal, voltou a disparar e nos centros de emprego: só em março, registaram-se 53 mil novos desempregados.

Um mês depois, os números de pedidos de ajuda ao Banco Alimentar contra a Fome mostravam como o emprego em Portugal, assim como a vida de muitas famílias, estavam "presos por arames": cerca de 12 mil pedidos de ajuda que representavam um universo de quase 60 mil pessoas a entrar em situação de pobreza e a necessitar de ajuda, algo que muitos nunca imaginariam que lhes aconteceria.

Nem mesmo Isabel Jonet, que garantiu nunca ter visto nada assim em 27 anos de trabalho à frente do Banco Alimentar, com pessoas de classe média e uma vida organizada a, de repente, perderem todos os rendimentos e a capacidade de fazer face a despesas básicas.

Uma situação de tal forma grave e inédita que o Banco Alimentar criou uma Rede de Emergência logo no início da pandemia para dar resposta ao número excecional de pedidos de ajuda.

As notícias de filas à porta de associações, organizações não-governamentais, instituições católicas ou mesquitas para pedir assistência alimentar sucediam-se, tornando também visível o impacto na população imigrante, mais sujeita a trabalhos precários de baixos salários e sem qualquer rede de apoio. O Governo decidiu legalizar temporariamente todos os imigrantes com pedidos de autorização de residência submetidos, garantindo mais direitos e proteção a estas pessoas.

Em maio, no Palácio de Belém, em audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome e o Presidente da Caritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, manifestaram a sua preocupação com a duração da crise social e com a necessidade de serem mantidos apoios que garantissem o mínimo de recursos e dignidade às famílias.

Por esta altura a Cáritas já dava conta que as linhas de apoio financeiro de mais de 100 mil euros criadas para dar resposta a 48 mil novos pedidos não iam cumprir o objetivo de chegar até junho.

Os números oficiais iam revelando o avolumar da crise. Até abril as contas públicas sofreram um impacto de 680 milhões de euros. A meio de junho, o Estado já tinha gastado com apoios excecionais no âmbito da pandemia 778 milhões de euros, que abrangiam 1,2 milhões de pessoas e 144 mil empresas.

O verão permitiu recuperar algum turismo e atividade hoteleira, que ajudou a atenuar a situação de algumas famílias, mas o Banco Alimentar, que notou a quebra nos pedidos de ajuda nos meses quentes, notou também a recuperação nos meses seguintes, ainda que em níveis mais baixos do que os de março e abril.

A esperança de pessoas, empresas e instituições de apoio social reside agora na chamada "bazuca" europeia, contando com os milhões em fundos comunitários para salvar empregos e recuperar a economia.

2.12.20

Mais pobreza em Portugal. Instituições alertam para crise cada vez maior

in SicNotícias

Presidente da Cáritas avisa de 2021 será difícil.

As instituições de apoio social avisam que 2021 vai ser de crise profunda e mais portugueses vão precisar de ajuda para ter comida e bens essenciais, como pagar a eletricidade ou o gás.

O Banco Alimentar está a receber 50 novos pedidos de ajuda por dia.

O Presidente da Cáritas diz que são milhares os que nos próximos meses não terão o mínimo para viver.

Banco Alimentar apoia mensalmente no distrito do Porto 60 mil pessoas
Está em curso mais uma campanha do Banco Alimentar
Pobres gerados pela pandemia recorrem a instituições para matar a fome

27.11.20

Portugal: Bancos Alimentares Contra a Fome promovem campanha «para que ninguém fique sem alimento à mesa»

in Agencia Ecclesia

«Só com grande solidariedade e coesão será possível evitar situações de rutura social e de desespero» – Isabel Jonet

Lisboa, 26 nv 2020 (Ecclesia) – Os Bancos Alimentares Contra a Fome em Portugal dinamizam uma campanha solidária com vales disponíveis nos supermercados e na internet, “para que ninguém fique sem alimento à mesa”, entre hoje e 13 de dezembro.

“É fundamental a atenção aos outros e só com grande solidariedade e coesão, numa união de esforços da sociedade civil com a intervenção do Estado, será possível evitar situações de rutura social e de desespero”, afirma Isabel Jonet.

A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome explica que o “impacto social das medidas decretadas para conter a propagação da pandemia foi de uma dimensão inacreditável”, colocando numa situação de pobreza “muitos milhares de pessoas que nunca imaginaram ver-se nesta situação”.

“Hoje são apoiadas mais de 60.000 pessoas, que se vieram juntar às famílias que já recebiam apoio dos Bancos Alimentares antes desta pandemia que provocou uma crise económica sem precedentes”, alerta na divulgação da nova campanha onde apelam à solidariedade dos portugueses.

Os Bancos Alimentares Contra a Fome em Portugal iniciam hoje a “tradicional campanha de recolha de alimentos” de inverno, até 13 de dezembro, e os donativos podem ser feitos pelo portal online – alimentestaideia.pt – ou através de vales nas caixas dos supermercados que têm um código de barras específico dos produtos.

‘À nossa mesa há sempre lugar para mais um’ é o mote da campanha do Banco Alimentar que sensibiliza os portugueses para “a partilha de alimentos com as muitas famílias que enfrentam carências alimentares todos os dias”, uma situação que foi agravada com o impacto económico e social da pandemia.

No contexto da pandemia Covid-19, a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares promoveu a Rede de Emergência Alimentar com o objetivo de “dar uma resposta imediata às pessoas que ficaram sem trabalho ou impedidas de trabalhar”, e que se viram inesperadamente numa situação de “rutura financeira, passando a ter de enfrentar uma situação de pobreza conjuntural que, na maioria dos casos, lhes era estranha”.

Esta resposta permitiu “informar as pessoas que nunca tinham recorrido a apoio alimentar qual a forma de o obterem, disponibilizar um formulário online para pedidos de apoio, caracterizando a situação e recolhendo dados destinados a possibilitar a articulação com uma instituição à qual cada pessoa ficaria associada” e a Rede de Emergência Alimentar mobilizou também pessoas e empresas que contribuíram “com donativos ou voluntariado”.

Em 2019, os 21 Bancos Alimentares em Portugal distribuíram “23382 toneladas de alimentos – com o valor estimado de 31,7 milhões de euros -, num movimento médio de 93,5 toneladas por dia útil”, prestando assistência a 2400 instituições e os alimentos foram entregues a “perto de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas”.

O Banco Alimentar em Portugal foi criado em 1991 com a missão de “lutar contra o desperdício e distribuir apoio a quem mais precisa de se alimentar”, atualmente são 21, nas zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Zona Oeste, Portalegre, Porto, S. Miguel, Santarém, Setúbal, Terceira, Viana do Castelo, Viseu.

5.6.20

Isabel Jonet: “Voltou a haver barracas em Lisboa”

Graça Franco (Renascença) e Helena Pereira (Público), in RR

Em entrevista à Renascença e ao diário "Público", Isabel Jonet deixa alertas sobre riscos de exclusão social e agravamento das condições de habitação. A presidente do Banco Alimentar mostra-se, ainda, preocupada com as consequências do ensino à distância na exclusão social e defende abertura de todas as escolas no próximo ano lectivo. Chama também a atenção para a "estigmatização" de certos bairros sociais.

A presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, faz, em entrevista à Renascença e ao diário "Público", o balanço da última campanha que, por não ter podido contar com voluntários, recolheu menos toneladas de alimentos do que era habitual.

Isaebl Jonet deixa alertas sobre riscos de exclusão social e agravamento das condições de habitação. A presidente do Banco Alimentar mostra-se, ainda, preocupada com as consequências do ensino à distância na exclusão social e defende abertura de todas as escolas no próximo ano lectivo. Chama também a atenção para a "estigmatização" de certos bairros sociais.

Que balanço que faz da campanha do Banco Alimentar (BA) “Ajude a preencher este vazio”? Preencheu?
Este apelo foi muito correspondido por quem doou alimentos através do site e dos vales mas também através de milhares de donativos. Fizeram-nos falta os nossos voluntários. Foi a primeira vez que não tivemos a presença física de voluntários, os 42 mil voluntários na rua que convidam as pessoas que vão às compras. Ainda falta que as cadeias de distribuição nos enviem os resultados finais dos vales, mas os resultados são animadores. A campanha na Internet mais do que duplicou: foram recolhidas mais de 180 toneladas. Mas nada disto é comparável com as quase 3 mil toneladas de alimentos que eram recolhidas fisicamente.

Quantas pessoas por dia procuram o BA?
Em Fevereiro, tínhamos 380 mil pessoas que eram ajudadas pelos 21 BA através de uma rede de 2600 instituições. De um dia para o outro, isto tudo mudou. Há muitas famílias que ficaram com as suas vidas viradas do avesso. Um conjunto larguíssimo de pessoas ficou impedido de trabalhar e ficou com os filhos em casa. Tivemos uma dupla pressão na sociedade. Agora, tinham que estar em casa, não tinham dinheiro e tinham que alimentar os filhos que deixaram de comer na creche, no infantário ou na escola. No dia 20 de Março, lançámos a rede de emergência alimentar para que não falhasse a ajuda a estes 380 mil (a maioria, em situação de pobreza estrutural) e ajudasse as 60 mil pessoas a mais que se vieram juntar, pessoas que ficaram sem emprego e que ficaram em layoff e ainda não receberam.

Esta crise revelou novas bolsas de dificuldades? Em que regiões e em que sectores?
Ainda estamos para ver as consequências totais, mas trouxe no imediato bolsas grandes de pobreza nas regiões a que já estamos habituados, Lisboa, Setúbal, o Algarve, o Grande Porto. Trouxe uma pobreza conjuntural muito severa e nunca tínhamos tido em Portugal, nem no tempo da crise de 2009/2010. Atingiu famílias que não estavam habituadas a lidar com esta situação, famílias mais novas com crianças em casa, provocando uma maior exclusão social até no acesso à educação. Estas famílias tinham que ter os filhos a frequentar aulas que obrigavam a ter computador, Internet e espaço em casa para as crianças poderem estar. Isto trouxe uma clivagem no acesso à educação, que é um direito absolutamente fundamental. Não haveria alternativa? Talvez não houvesse, mas é urgente reparar esta situação que vivemos hoje. Isto vai ter consequências muito graves no próximo ano lectivo. Temos crianças que puderam acompanhar as aulas quase de forma pacífica e temos outras crianças que não puderam de todo.
Que devia ser feito agora? O Governo já anunciou que o próximo ano lectivo deve ser dual, com aulas presenciais e à distância.
Deixo o alerta que esta situação de clivagem no acesso à educação deve ser olhada de forma realista e com muito cuidado. Não há hipótese de estas crianças frequentarem o ensino. Então, o que temos que fazer? Mais vale abrir as escolas e perceber que os efeitos a longo prazo serão muito superiores ao eventual risco [de saúde pública] que pode existir. A situação dos pais destas crianças não está resolvida nem estará. Tudo isto vai demorar muito tempo tal como vai demorar muito tempo à economia a pôr-se em marcha ao ritmo necessário para permitir que estas famílias voltem a ter a sua situação equilibrada. Uma situação conjuntural de pobreza como esta tem que ter medidas excepcionais. Estas famílias e estas crianças têm que ser apoiadas de forma integral para que não se sintam excluídas. Quando se diz que este foi um vírus democrático, não foi nada democrático. Embora os vírus e as doenças possam matar os ricos e os pobres, os mais vulneráveis são as pessoas que vivem em condições piores, andam de transportes públicos, os filhos não têm acesso a computador. Numa altura de emergência, estas pessoas têm que ser ajudadas e quem tem que ajudar é o Estado, é a sociedade civil e a ajuda deve ser quase um a um porque todas estas famílias são diferentes. Temos desde os feirantes aos higienistas, desde os motoristas de táxi a personal trainers, empregadas domésticas, sector cultural.

O alargamento do rendimento mínimo garantido pode ser uma solução?
Sim, é preciso dar dinheiro às pessoas até para gerar riqueza na economia. Tem que se ajudar as pessoas, dando verbas com os controlos que sejam necessários embora no início é preciso aligeirar [o controlo]. É preciso, por exemplo, que todas as pessoas que já requereram a situação de lay-off ou apoios e que estão desesperadas há três meses à espera possam ter acesso a isto até para terem balões de oxigénio que gerem alguma esperança. Também é bom não esquecer que, em Portugal, temos 4,5 milhões de pensionistas. Há aqui um conjunto de pessoas que podem ser consumidores que também se pode ajudar a dinamizar a economia. Hoje, só se fala dos fundos [europeus] que vão vir mas não podemos estar só a falar do ouro do Brasil quando a caravela ainda está a meio do oceano. É urgente ajudar hoje pessoas que estão em situação de emergência.

Quantas pessoas são?
Já falei com a ministra do Trabalho sobre um programa que já aí está e que com facilidade se pode rapidamente ajudar desde que os serviços aceitem as ideias de quem decide e que não combatam com uma certa passividade algumas medidas que podem ser tomadas. Estou a falar do fundo europeu de apoio aos carenciados, cujas regras têm que ser revisitadas. Já foi alargado mas pode ser muito melhor aproveitado para levar esta ajuda de emergência. Só não muda de ideias quem as não tem. Em Portugal, há 1 milhão de pessoas que vive com menos de 250 euros por mês e dois milhões que vivem com menos de 450 euros por mês. Agora, houve muitos que ficaram com zero.

Pandemia da pobreza
Pedidos de comida triplicam em Loures e há quem vá buscá-la da Amadora a Lisboa

O que pensa sobre o facto de se divulgarem os locais onde há surtos de covid-19 quando esses locais são bairros sociais ou bairros ilegais? Isto não estigmatiza as pessoas que foram afectadas pelo vírus e que antes já tinham sido afectadas pela pobreza?
Não só estigmatiza como dá um medo tremendo, o que pode dar lugar a uma grande insegurança. Não podemos deixar, de maneira nenhuma, que se gere insegurança social.

Houve irresponsabilidade da parte dos políticos?
Não há irresponsabilidade. Os políticos sentem uma necessidade de estar constantemente a revelar números e dados continuamente até pela pressão mediática. Este grau de transparência é excessivo. A pouco e pouco, há que criar uma imunidade colectiva que nos permita seguir em frente e abordar o próximo Inverno e não pode haver pessoas estigmatizadas.

O gestor António Costa Silva está a fazer, a pedido do Governo, um plano para a recuperação da economia. Se ele viesse falar consigo, que alertas lhe faria para ter em conta no seu programa?
Gostava imenso que ele viesse falar comigo e que visitasse um bairro social comigo para saber o que é preciso não descurar: as pessoas que querem pertencer de forma integral e como agentes activos na sociedade e muitas vezes estão impedidas porque nem sequer estão legais e têm que trabalhar na clandestinidade. Esta crise afectou imenso as pessoas da economia informal. Temos uma economia informal fortíssima que ninguém quer ver.

Estes bairros estão a aumentar ou a diminuir?
A aumentar muito. Na margem sul, com a subida de rendas, os bairros muito difíceis e degradados, como o Segundo Torrão que teve um acréscimo do número de barracas muito substancial. Voltou a haver barracas em Lisboa porque as pessoas tiveram que largar a sua casa e vivem em condições muito precárias.

25.5.20

Preocupado com fome e com desemprego, Marcelo insiste no prolongamento do layoff

Sónia Sapage, in Público on-line

Presidente da República aproveitou visita ao Banco Alimentar Contra a Fome para insistir que o prolongamento do layoff é uma boa solução.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve este sábado nas instalações do Banco Alimentar Contra a Fome, que tem uma campanha de recolha de vales de alimentos a decorrer, e falou à comunicação social junto a um armazém vazio. Não foi uma escolha sem significado. "Há um ano, a campanha tinha começado há dois dias e isto estava cheio. Hoje está vazio. É preciso preencher o que está vazio”, disse, deixando o apelo aos portugueses para que enviem o seu donativo.

"Este ano, a campanha é feita de outra maneira - por vales ou pela internet -, não é como se fazia antigamente”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa, reconhecendo que “é mais complicado”, mas tem de ser assim, por questões sanitárias. “Não é preciso gostar dos Bancos Alimentares, nem da líder, nem dos voluntários. Os que não estão a passar tão pior assim só têm de pensar nos que estão a passar mal e que vão continuar a passar durante o tempo que durar a crise”.

Mariano Pascual ilustrou a “desorganização dos nossos pensamentos” durante o isolamento
E os que estão em dificuldades são cada vez mais. De 380 mil em 2019, passaram agora para 400 mil. “São famílias que não estavam ligadas a nenhuma instituição e que apareceram aqui à porta, algumas com pobreza envergonhada, uma expressão de que eu não gosto”, disse ainda, depois de deixar o seu contributo para a campanha - o equivalente a “cinco ou seis produtos”.

Esgotado o tema que levou o Presidente ao Banco Alimentar, os jornalistas introduziram temas de actualidade, como o orçamento suplementar ou o alargamento do regime de layoff que estará a ser estudado pelo Governo. Questionado sobre se gostaria que o orçamento fosse aprovado por unanimidade, Marcelo nunca disse que sim. “Como é que é aprovado? Vivemos em democracia, os partidos saberão como hão-de votar. O Presidente da República não tem de ter gostos nem de influenciar a vontade dos partidos”, disse. Mas não deixou de acrescentar que “este é um orçamento imposto" pelo estado de pandemia e que nesta fase é preciso “fazer um esforço” para ir ao encontro da posição dos outros.

Em matéria de layoff foi mais claro, insistindo que manter essa medida por mais tempo “pode ser fundamental para ajudar a que não se caia em situação de mais desemprego”.
“Se houver disponibilidade para prolongar o layoff por mais meses, isso é bom, nem que seja num modelo diferente”, repetiu Marcelo Rebelo de Sousa, explicando que na sua opinião essa é uma medida importante para “evitar que muita gente que está em layoff (...) passe em números significativos para o desemprego”.

Marcelo foi ainda questionado sobre as eleições regionais açorianas, previstas para Outubro, e revelou que vai receber os partidos, a partir de Julho, para os ouvir sobre a convocação das eleições. “Não queria antecipar. Vamos acompanhar a situação e depois vamos decidir. Se houver dificuldades de circulação entre ilhas, é evidente que é difícil fazer campanha eleitoral. Mas porquê especular? Vamos esperar para ver.”

22.5.20

Campanha do Banco Alimentar arranca sem voluntários na rua, mas com alternativas para ajudar

in TSF

É possível fazer doações com vales nos supermercados e Internet.

Uma nova campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar arranca esta quinta-feira e dura até ao final do mês, decorrendo sem voluntários nos supermercados, por causa da pandemia de covid-19, mas através de vales nos supermercados e da internet.

"Porque a ajuda não pode parar, mesmo na impossibilidade de ter voluntários nos supermercados para realizar a já tradicional campanha de recolha de alimentos durante o mês de maio, os Bancos Alimentares Contra a Fome apelam aos portugueses para que, entre 21 e 31 de maio, contribuam fazendo os seus donativos através da Ajuda Vale nas caixas dos supermercados e/ou do portal de doação online", destacou em comunicado a entidade.
Sob o mote "Ajude a preencher este vazio", a campanha deste ano do Banco Alimentar pretende sensibilizar os portugueses para as "muitas famílias que são afetadas por um cenário de carência alimentar todos os dias, uma situação agora agravada, reforçando a importância do contributo e envolvimento de cada um".

A modalidade Ajuda Vale já foi usada em campanhas anteriores, possibilitando a contribuição através de vales de produtos, que estarão disponíveis até 31 de maio nas caixas dos supermercados e as doações também são possíveis através do site de doação 'online' da organização.

"Às pessoas mais vulneráveis que, em resultado das medidas decretadas para conter a propagação da pandemia, ficaram privadas da assistência alimentar que normalmente recebem, vieram juntar-se mais cerca de 60 mil pessoas, vítimas da situação gerada por esta nova realidade que vivemos", destacou no comunicado Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

Isabel Jonet reforçou que "a ajuda não pode parar, muito menos agora quando é ainda mais preciso".

Em 2019, os 21 Bancos Alimentares em atividade em Portugal distribuíram 23.382 toneladas de alimentos (com o valor estimado de 31,7 milhões de euros), num movimento médio de 93,5 toneladas por dia útil.
Cerca de 2.400 instituições foram assistidas, e os alimentos entregues a perto de 380 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas, de acordo com os dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.

7.5.20

Em duas semanas, Rede de Emergência Alimentar recebeu mais de 3100 pedidos de ajuda

Cristiana Faria Moreira (Texto) e Miguel Manso (Fotografia), in Público on-line

A maioria dos pedidos recebidos pela rede de emergência são de pessoas que não tinham qualquer apoio e que, de um momento para o outro, se viram desamparadas. Numa associação da Outurela, o apoio continua mesmo a meio-gás.

O estado de emergência não deixou só as cidades desertas. Dentro de quatro paredes estão pessoas sem empregos, sem rendimentos. E a carência de comida já se nota, diz Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome. Foi a pensar nesta franja da população mais desprotegida que, com o apoio da associação Entrajuda, criou uma plataforma online para registar novos pedidos de ajuda alimentar e tentar assim responder às carências mais imediatas. Em duas semanas (contabilizados até às 23h de 2 de Abril) chegaram à Rede de Emergência Alimentar 3126 pedidos de todo o país — 223 por dia, em média. Desses, 1.843 (59%) já foram encaminhados.

Lisboa, Setúbal, Porto e Braga são os distritos onde se registam mais pedidos. E Isabel Jonet atribui essa distribuição ao facto de serem cidades onde se dispõe grande parte do rendimento mensal só para a renda da casa. “Estas pessoas enfrentam aquele que é o maior desafio que há nas famílias carenciadas que são as rendas de casa, que aumentaram imenso e que ocupam quase o seu salário total”, admite.

E quem está na linha da frente da perda de rendimentos é precisamente quem já menos tem. “Nós temos muitas mulheres cabeleireiras, empregadas domésticas, que não tinham uma relação laboral estável, por vezes informal. São pessoas que ficaram completamente desamparadas”, diz a responsável.

São pedidos de pessoas que não estavam a precisar de apoio, mas que agora tiveram de o pedir. “As mães de baixos recursos tinham os filhos nas creches, no infantário ou no ATL, e as crianças comiam na instituição. E agora que está em casa, a mãe tem de lhe dar de comer. A própria mãe, muitas vezes, também comia no trabalho. Isto é tão perverso porque é um sistema que se enrola a si próprio”, nota a responsável.

Estes novos pedidos somam-se às 400 mil pessoas que são apoiadas normalmente pelo Banco Alimentar. Os pedidos são feitos através de um site. A equipa da Rede de Emergência Alimentar trata depois de reencaminhar para a associação mais próxima da área de residência de quem faz o pedido.

Perante a pandemia, muitas instituições de apoio social viram-se sem pessoas que assegurassem os serviços e foram também forçadas a encerrar — outras estão a meio gás. Como a rede de apoio social acabou por ficar desfalcada, a Rede de Emergência Alimentar acabou por montar uma rede com as juntas de freguesia. “A rede é no fundo isto: potenciar em cima do que já existe.”

Campanha de Maio em risco
Nos armazéns do Banco Alimentar tudo funciona com aparente normalidade: os monta-cargas andam cá fora a levar mercadorias de um lado para o outro, as associações vão carregando frescos para as carrinhas. Mas há menos voluntários — alguns têm máscaras e luva, outros dispensam o material de protecção.

António Beltrão, de 62 anos e ali voluntário há três, confirma o cenário: “Os voluntários mais velhos estão resguardados em casa. Mas nós continuamos a servir.”

Para já, o Banco Alimentar tem tido “generosos donativos”. A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) avançou com um donativo de 350 mil euros à Rede de Emergência Alimentar. A Fundação do Futebol, uma organização de responsabilidade social da Liga Portuguesa, deu dez mil litros de leite.

O maior receio de Isabel Jonet é a campanha de recolha de Maio, nos supermercados, onde muita gente contribui, mesmo que seja com pouco. É quase certo que não se realizará e isso é um “problema”, reconhece. “As campanhas representam uma grande percentagem dos produtos secos (massas, arroz, farinhas) que entram nos bancos alimentares.”

“Para já, vamo-nos aguentando”
Por estes dias, a palavra de ordem na associação onde Bruno Ribeiro e José Marques dão uma mão é improviso. É quarta-feira, dia de ir a Lisboa recolher frescos ao Banco Alimentar. Eles tratam de carregar paletes de bananas, cogumelos, laranjas, para a carrinha da associação. Não são eles quem costuma fazer este serviço — o primeiro é tesoureiro, o segundo administrativo —, mas tiveram agora de arregaçar as mangas porque parte dos funcionários e voluntários do Projecto Família Global estão resguardados em casa por serem mais velhos ou por terem crianças a seu cuidado.

Esta associação, que presta apoio no bairro social da Outurela e Portela, existe há mais de duas décadas. Ao longo dos anos, foi acrescentando valências à sua actividade: tem apoio domiciliário a idosos, fornece alimentação, tem o banco alimentar com cabazes para as famílias do bairro, uma creche, um ATL, e até uma clínica dentária social. A pandemia fê-los diminuir os apoios: a creche, o ATL e a clínica fecharam, o resto mantém-se.

“É quase um padrão das instituições todas. Mantêm o apoio domiciliário, as refeições, e em alguns casos aquilo a que chamam banco alimentar, que é a distribuição de sacos de alimentos às famílias”, nota Isabel Jonet.

Com a carrinha carregada, é hora de Bruno e José partirem para a associação para deixarem os alimentos, que serão distribuídos pelas famílias. O projecto Família Global apoia 168 agregados e, para já, não surgiram novos pedidos de ajuda — até porque grande parte das famílias do bairro beneficia de Rendimento Social de Inserção ou então são reformados. “Mas há angústia pela incerteza”, repara a assistente social da instituição, Marisa Cardoso. “As pessoas estavam com medo que deixássemos de fazer entregas.”

A associação apoia 168 famílias do bairro social da Outurela e Portela com bens alimentares
Ela e Isabel Ribeiro, também da associação, vão acomodando os bens recebidos para que caibam nos frigoríficos. Naquela tarde, iam começar a distribuição dos cabazes mensais. As prateleiras estão cheias de pacotes de arroz, massas, farinha e açúcar, azeite, óleo, enlatados, salsichas, atum, bolachas. Semanalmente entregam os frescos. “Aqui, apoiamos desde a família de sete, até ao agregado familiar de um”, diz Marisa Cardoso.

No refeitório da associação, perto do meio-dia, acabavam de encher as marmitas para os 38 idosos que apoiam. Mesmo a meio-gás têm continuado a sua missão. Parar é um luxo que eles não têm, caso contrário muita gente ficaria desamparada, diz Isabel Ribeiro. “Para já, vamo-nos aguentando.”

6.5.20

Isabel Jonet: "Mais do que dar donativos, as empresas devem esforçar-se por manter empregos"

in DN

Arranca esta quarta-feira uma angariação de fundos para a rede de emergência alimentar. A ideia é colmatar a falha da campanha do Banco Alimentar contra a Fome, que por razões sanitárias não se realiza este mês nos supermercados

Um debate online (webinar) agendado para as 18.00 desta quarta-feira (6 de maio) marca o arranque da campanha de angariação de fundos para a Rede de Emergência Alimentar, criada no passado mês de março. "A pandemia e o impacto social" é o tema genérico deste debate entre Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome, e João Talone, presidente do conselho de administração da Magnum Industrial Partners, estando a moderação a cargo do presidente do Harvard Clube de Portugal, Stephan Morais.

"Desde que foi criada, em março, a Rede de Emergência Alimentar já registou mais de 12 600 pedidos de ajuda, que equivalem a mais de 58 mil pessoas. Em tempos normais, durante o mês de maio teria decorreria uma campanha de recolha de alimentos nos supermercados de todo o país que nos permitiria angariar em média 2600 toneladas, mas com as restrições impostas pelo atual estado é ainda mais urgente encontrar formas que permitam ao Banco Alimentar atingir os objetivos de compra de alimentos" explica Isabel Jonet ao DN.

"O que vou abordar no debate é sobretudo uma perspetiva micro de como esta pandemia se refletiu nas famílias de uma forma inesperada e brusca", frisou. A responsável do Banco Alimentar contra a Fome espera com este alerta incentivar as empresas a perceber "como é que podem exercer a verdadeira responsabilidade social: mais do que fazer donativos, o esforço deve ser manterem os empregos, devolvendo a normalidade possível ao mercado de trabalho, que está completamente transformado". Isabel Jonet aponta o exemplo de muitas famílias "que se mantinham, que se sustentavam, e de repente perderam a sua fonte de rendimento e estão já a precisar de ajuda". Um cenário que, não duvida, vai ganhar escala nos próximos tempos. "Muitas empresas não vão voltar a abrir e as pessoas vão ficar numa situação muito vulnerável."

Na campanha que arranca agora, o Banco Alimentar sublinha que é possível também ao cidadão comum continuar a apoiar, mesmo sem a presença física de voluntários nos hipermercados, como era usual em maio. "As pessoas podem continuar a apoiar, seja pelos canais online ou através de vales dos supermercados", alerta.

Entretanto, o debate desta tarde servirá também para envolver a macroeconomia no apoio a este crescente universo. Stephan Morais, presidente do Harvard Clube de Portugal (que reúne cerca de 300 pessoas que estudaram na Universidade de Harvard mas residem em Portugal), acredita que todos os ex-alunos incorporaram esse "espírito de missão e de ajuda à comunidade", e que por isso será fácil contagiar a solidariedade. Entre esses 300 membros há várias pessoas com influência e responsabilidade no mundo da economia e finança, pelo que não será difícil criar essa rede, acredita.

O objetivo maior é mesmo o de colmatar as perdas decorrentes da impossibilidade de realização desta ação do Banco Alimentar e "auxiliar a situação dramática de carência social agravada pela pandemia de covid-19. Foi por isso que o Harvard Clube de Portugal se associou ao Banco Alimentar nesta campanha de angariação de fundos, junto dos seus associados e do tecido empresarial, mas também da sociedade em geral".

Stephan Morais realça a importância de analisar o impacto da pandemia nas empresas, de como este se reflete na nova realidade social e da necessidade de se realizarem alianças e se estudar o papel de cada um dos atores sociais no combate a esta crise sem precedentes.

A iniciativa contará também com o apoio e a participação do American Club of Lisbon e do Young Presidents Organization Portugal. O debate desta tarde decorre na sede do Banco Alimentar contra a Fome e será transmitido em live stream. Os interessados em participar, através do envio de perguntas, podem inscrever-se através do e-mail harvardclubedeportugal@gmail.com.