in Jornal de Notícias
A crise pode estar a levar mais adolescentes a mendigar, a traficar droga ou a prostituirem-se em Lisboa, alerta o Instituto de Apoio à Criança, que promove esta sexta-feira a VII Conferência "Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente".
Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do Projeto Rua do IAC, Matilde Sirgado, revelou que as equipas têm detetado, desde 2012, um "maior movimento" de jovens na rua, adolescentes entre os 14 e os 16 anos que "não estão propriamente a dormir na rua, mas que utilizam ou são explorados na rua, estão em risco, alguns em perigo mesmo".
Segundo Matilde Sirgado, podem estar a "praticar a mendicidade, a prostituição e o tráfico de estupefacientes".
Jovens, apontou, com "vínculos" familiares "frágeis" ou que fugiram de instituições de acolhimento, ou em que "as condições" de vida das suas famílias "se deterioraram", com "o acentuar da pobreza económica", fruto da crise.
Os casos, sobre os quais o IAC não dispõe ainda de números concretos, têm sido diagnosticados, pelas equipas de rua ou por meio de denúncias, sobretudo na Baixa lisboeta e perto de grandes superfícies comerciais.
Trata-se de adolescentes que, de acordo com Matilde Sirgado, abandonaram precocemente a escola e que, estando "entregues a si próprios", normalmente "passam rapidamente de vítimas a infratores".
O Projeto Rua, explicou, aborda os jovens e promove a mudança de comportamentos, a sua reinserção na sociedade, incentivando o seu regresso à escola, a frequência de cursos profissionais, "treinando as suas competências para que arranjem outra forma de ganharem dinheiro".
O IAC teme que a crise possa aumentar o fenómeno, até porque, para Matilde Sirgado, "a carência generalizada de meios de várias instituições" sociais "diminui a vigilância e o apoio que poderiam dar na prevenção" de situações na comunidade.
Na VII Conferência "Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente", que se realiza em Lisboa, será lançada uma brochura de sensibilização para a mendicidade forçada, uma problemática "com tendência para aumentar, de forma ligeira", assumiu a coordenadora do Projeto Rua, associando a prática não só à "pobreza de valores", mas também à "pobreza económica".
As denúncias de mendicidade feitas diretamente ao IAC, através da linha telefónica SOS Criança, apontam para uma diminuição de casos, de 557 em 2005 para 21 em 2012. Números que, ressalvou Matilde Sirgado, não traduzem a real dimensão do problema, tanto mais que, assinalou, muitas denúncias reportam-se aos mesmos menores.
A coordenadora do Projeto Rua atribuiu a redução do número de casos denunciados ao trabalho de prevenção e vigilância das instituições sociais, da comissão de proteção de menores e das autoridades policiais, bem como à possível alteração do perfil das crianças que pedem dinheiro na rua.
Em 2005, os menores eram maioritariamente do Leste Europeu, nomeadamente da Roménia. Atualmente, são portugueses, tocados pela pobreza, que praticam a mendicidade "como estratégia de sobrevivência".
A mendicidade infantil atinge crianças de colo, acompanhadas por familiares ou "adultos explorados, obrigados" a pedir na rua, e menores entre os 7 e os 10 anos, que mendigam sozinhos. Os casos ocorrem, predominantemente, em Lisboa, segundo o IAC.
No Projeto Rua trabalham vários técnicos, entre psicólogos, pedagogos, educadores e animadores.
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24.5.13
24.3.12
Mais de 100 crianças encontradas a vaguear pelas ruas de Lisboa em 2011
in Público on-line
Os técnicos do Instituto de Apoio à Criança (IAC) encontraram no ano passado mais de 100 crianças nas ruas de Lisboa e receberam outras 49 denúncias de menores que tinham fugido das instituições ou simplesmente deambulavam pela cidade.
A presidente do IAC, Manuela Eanes, relatou à Lusa que a carrinha do instituto, que percorre alguns dos bairros mais problemáticos da capital - como os Anjos, o Intendente e Cais do Sodré -, encontrou no ano passado “mais de 110 crianças em contexto de rua”.
Este serviço, que percorre a cidade de dia e de noite, foi criado para prevenir novos casos de jovens sem-abrigo. Ao instituto, porém, também chegam pedidos de ajuda para encontrar crianças desaparecidas e denúncias de menores que andam sozinhas pelas ruas da cidade.
“A maioria dos casos são encaminhados pelo SOS Criança ou então são crianças que fogem das instituições do Ministério da Justiça ou de casas particulares”, explicou Manuela Eanes, acrescentando que existem equipas que, “a qualquer hora do dia”, vasculham a cidade até encontrar os menores.
De acordo com a responsável da instituição, em 2011 foram acompanhadas “49 situações de denúncia”.
Manuela Eanes recorda que, quando a instituição começou a trabalhar nesta área, o panorama era bem mais dramático: “Em 1999, havia cerca de 500 crianças na baixa de Lisboa a dormir nas grelhas do metropolitano, em vãos de escadas, com uma vida muito difícil. Tinham saído de casa, da escola e andavam em bandos”.
Na primeira fase do projecto, entre 1989 e 1994, foram retiradas da rua 600 crianças. “Nós não estávamos à espera que as crianças viessem ter connosco. Nós íamos ter com elas e estabelecia-se logo um companheirismo”, recorda, defendendo que “cada criança que sai da rua e começa uma caminhada tem um rosto, não é um número”.
Entretanto, o IAC começou a actuar em zonas específicas da cidade onde habitualmente existem mais riscos para os menores. Este ano, o instituto está nos bairros da Boavista, Arroja e Bairro Bem-Saúde, onde trabalha diariamente com 357 crianças e 30 famílias.
A instituição tem ainda dois centros de desenvolvimento e inclusão juvenil em Lisboa, com acções diurnas e nocturnas, actividades lúdico-pedagógicas e um acolhimento em emergência com duas camas, para situações em que “a criança não tem onde ficar”.
Estes dois centros apoiam neste momento 514 crianças com problemas familiares, maioritariamente entre os 10 e os 16 anos.
Além do trabalho realizado em Lisboa, o IAC faz ainda parte da rede “Construir Juntos”, que reúne cerca de uma centena de instituições que lidam com “crianças em situação de marginalidade e delinquência”.
Em tempos de crise, Manuela Eanes reconhece que já sofreu algumas “angústias financeiras”. Hoje, a presidente do IAC vai reunir-se com o presidente da Portugal Telecom, entidade que decidiu apoiar o Projecto com Crianças de Rua.
Criado há 29 anos, o IAC tem vindo a denunciar o problema das crianças mal tratadas e abusadas sexualmente. Quando começaram a alertar para os casos de abuso sexual de menores este era um fenómeno escondido: “Em 1983 começámos a trabalhar com estas crianças mas, em Portugal, a maioria das pessoas só ficou alertada para a problemática do abuso sexual de menores com o caso Casa Pia”, recordou.
Manuela Eanes lembrou que, na altura, não exista o serviço SOS Criança, criado em 1988, e, por isso, “quando alguém se apercebia de que uma criança era vítima de violência doméstica ou sexual, ninguém falava, porque as pessoas tinham medo”.
Hoje o cenário é melhor, mas Manuela Eanes reconhece que ainda há muito trabalho para fazer.
Os técnicos do Instituto de Apoio à Criança (IAC) encontraram no ano passado mais de 100 crianças nas ruas de Lisboa e receberam outras 49 denúncias de menores que tinham fugido das instituições ou simplesmente deambulavam pela cidade.
A presidente do IAC, Manuela Eanes, relatou à Lusa que a carrinha do instituto, que percorre alguns dos bairros mais problemáticos da capital - como os Anjos, o Intendente e Cais do Sodré -, encontrou no ano passado “mais de 110 crianças em contexto de rua”.
Este serviço, que percorre a cidade de dia e de noite, foi criado para prevenir novos casos de jovens sem-abrigo. Ao instituto, porém, também chegam pedidos de ajuda para encontrar crianças desaparecidas e denúncias de menores que andam sozinhas pelas ruas da cidade.
“A maioria dos casos são encaminhados pelo SOS Criança ou então são crianças que fogem das instituições do Ministério da Justiça ou de casas particulares”, explicou Manuela Eanes, acrescentando que existem equipas que, “a qualquer hora do dia”, vasculham a cidade até encontrar os menores.
De acordo com a responsável da instituição, em 2011 foram acompanhadas “49 situações de denúncia”.
Manuela Eanes recorda que, quando a instituição começou a trabalhar nesta área, o panorama era bem mais dramático: “Em 1999, havia cerca de 500 crianças na baixa de Lisboa a dormir nas grelhas do metropolitano, em vãos de escadas, com uma vida muito difícil. Tinham saído de casa, da escola e andavam em bandos”.
Na primeira fase do projecto, entre 1989 e 1994, foram retiradas da rua 600 crianças. “Nós não estávamos à espera que as crianças viessem ter connosco. Nós íamos ter com elas e estabelecia-se logo um companheirismo”, recorda, defendendo que “cada criança que sai da rua e começa uma caminhada tem um rosto, não é um número”.
Entretanto, o IAC começou a actuar em zonas específicas da cidade onde habitualmente existem mais riscos para os menores. Este ano, o instituto está nos bairros da Boavista, Arroja e Bairro Bem-Saúde, onde trabalha diariamente com 357 crianças e 30 famílias.
A instituição tem ainda dois centros de desenvolvimento e inclusão juvenil em Lisboa, com acções diurnas e nocturnas, actividades lúdico-pedagógicas e um acolhimento em emergência com duas camas, para situações em que “a criança não tem onde ficar”.
Estes dois centros apoiam neste momento 514 crianças com problemas familiares, maioritariamente entre os 10 e os 16 anos.
Além do trabalho realizado em Lisboa, o IAC faz ainda parte da rede “Construir Juntos”, que reúne cerca de uma centena de instituições que lidam com “crianças em situação de marginalidade e delinquência”.
Em tempos de crise, Manuela Eanes reconhece que já sofreu algumas “angústias financeiras”. Hoje, a presidente do IAC vai reunir-se com o presidente da Portugal Telecom, entidade que decidiu apoiar o Projecto com Crianças de Rua.
Criado há 29 anos, o IAC tem vindo a denunciar o problema das crianças mal tratadas e abusadas sexualmente. Quando começaram a alertar para os casos de abuso sexual de menores este era um fenómeno escondido: “Em 1983 começámos a trabalhar com estas crianças mas, em Portugal, a maioria das pessoas só ficou alertada para a problemática do abuso sexual de menores com o caso Casa Pia”, recordou.
Manuela Eanes lembrou que, na altura, não exista o serviço SOS Criança, criado em 1988, e, por isso, “quando alguém se apercebia de que uma criança era vítima de violência doméstica ou sexual, ninguém falava, porque as pessoas tinham medo”.
Hoje o cenário é melhor, mas Manuela Eanes reconhece que ainda há muito trabalho para fazer.
Mais de 150 crianças a deambular pelas ruas em 2011
in Jornal de Notícias
O Instituto de Apoio à Criança encontrou, durante o ano de 2011, mais de 100 crianças nas ruas de Lisboa e recebeu 49 denúncias que davam conta de desaparecimentos de menores ou casos de crianças que deambulavam pela cidade.
Manuela Eanes, presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), relatou em declarações à agência Lusa que a carrinha do instituto encontrou em 2011 "mais de 110 crianças em contexto de rua".
O Projeto Rua faz parte da ação do instituto e percorre alguns dos bairros mais problemáticos da cidade, como é o caso dos Anjos, do Intendente e do Cais do Sodré.
O serviço, que intervem junto das crianças que vagueiam e dormem na rua, foi criado para prevenir novos casos de jovens sem-abrigo.
Hoje em dia, o projeto também lida com pedidos de ajuda para encontrar crianças desaparecidas e denúncias de menores que se encontrem sozinhos nas ruas da cidade. Em 2011, foram acompanhadas 49 situações de denúncia. "A maioria dos casos são encaminhados pelo SOS Criança ou então são crianças que fogem das instituições do Ministério da Justiça ou de casas particulares", explicou Manuela Eanes.
A responsável da instituição recorda que há 29 anos, quando o IAC começou a trabalhar nesta área, a situação era bastante mais problemática. "Em 1999, havia cerca de 500 crianças na baixa de Lisboa a dormir nas grelhas do metropolitano, em vãos de escadas, com uma vida muito difícil. Tinham saído de casa, da escola e andavam em bandos", descreve.
Atualmente, o instituto atua em zonas específicas da cidade onde frequentemente surgem situações de risco para menores. Este ano, o IAC está nos bairros da Boavista, Arroja e Bairro Bem-Saúde, onde trabalha diariamente com 357 crianças e 30 famílias.
Para além da atividade na cidade de Lisboa, o instituto faz ainda parte da rede "Construir Juntos", um projeto que reúne cerca de uma centena de instituições que lidam com "crianças em situação de marginalidade e delinquência" explica Manuela.
O IAC foi criado há 29 anos e desde aí tem denunciado mal tratos com crianças e situações de abusos sexuais. Nessa altura, a pedofilía era uma realidade escondida. "Em 1983 começámos a trabalhar com estas crianças mas, em Portugal, a maioria das pessoas só ficou alertada para a problemática do abuso sexual de menores com o caso Casa Pia", recorda Manuela.
O serviço SOS Criança foi só criado em 1988, e, por isso, "quando alguém se apercebia de que uma criança era vítima de violência doméstica ou sexual, ninguém falava, porque as pessoas tinham medo", explica.
Manuela reconhece que a situação atual é melhor, mas que os números continuam a ser preocupantes e que há ainda muito trabalho para fazer.
A presidente do IAC vai reunir nesta sexta-feira com o presidente da Portugal Telecom, entidade que decidiu apoiar o Projeto Rua da instituição.
O Instituto de Apoio à Criança encontrou, durante o ano de 2011, mais de 100 crianças nas ruas de Lisboa e recebeu 49 denúncias que davam conta de desaparecimentos de menores ou casos de crianças que deambulavam pela cidade.
Manuela Eanes, presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), relatou em declarações à agência Lusa que a carrinha do instituto encontrou em 2011 "mais de 110 crianças em contexto de rua".
O Projeto Rua faz parte da ação do instituto e percorre alguns dos bairros mais problemáticos da cidade, como é o caso dos Anjos, do Intendente e do Cais do Sodré.
O serviço, que intervem junto das crianças que vagueiam e dormem na rua, foi criado para prevenir novos casos de jovens sem-abrigo.
Hoje em dia, o projeto também lida com pedidos de ajuda para encontrar crianças desaparecidas e denúncias de menores que se encontrem sozinhos nas ruas da cidade. Em 2011, foram acompanhadas 49 situações de denúncia. "A maioria dos casos são encaminhados pelo SOS Criança ou então são crianças que fogem das instituições do Ministério da Justiça ou de casas particulares", explicou Manuela Eanes.
A responsável da instituição recorda que há 29 anos, quando o IAC começou a trabalhar nesta área, a situação era bastante mais problemática. "Em 1999, havia cerca de 500 crianças na baixa de Lisboa a dormir nas grelhas do metropolitano, em vãos de escadas, com uma vida muito difícil. Tinham saído de casa, da escola e andavam em bandos", descreve.
Atualmente, o instituto atua em zonas específicas da cidade onde frequentemente surgem situações de risco para menores. Este ano, o IAC está nos bairros da Boavista, Arroja e Bairro Bem-Saúde, onde trabalha diariamente com 357 crianças e 30 famílias.
Para além da atividade na cidade de Lisboa, o instituto faz ainda parte da rede "Construir Juntos", um projeto que reúne cerca de uma centena de instituições que lidam com "crianças em situação de marginalidade e delinquência" explica Manuela.
O IAC foi criado há 29 anos e desde aí tem denunciado mal tratos com crianças e situações de abusos sexuais. Nessa altura, a pedofilía era uma realidade escondida. "Em 1983 começámos a trabalhar com estas crianças mas, em Portugal, a maioria das pessoas só ficou alertada para a problemática do abuso sexual de menores com o caso Casa Pia", recorda Manuela.
O serviço SOS Criança foi só criado em 1988, e, por isso, "quando alguém se apercebia de que uma criança era vítima de violência doméstica ou sexual, ninguém falava, porque as pessoas tinham medo", explica.
Manuela reconhece que a situação atual é melhor, mas que os números continuam a ser preocupantes e que há ainda muito trabalho para fazer.
A presidente do IAC vai reunir nesta sexta-feira com o presidente da Portugal Telecom, entidade que decidiu apoiar o Projeto Rua da instituição.
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