Mostrar mensagens com a etiqueta Suicídios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Suicídios. Mostrar todas as mensagens

7.10.15

Suicídios estão em grande parte relacionados com a austeridade

Marta F. Reis, in iOn-line

Investigadores britânicos alertam para relação entre cortes e aumento dos suicídios

Medidas de austeridade como cortes na despesa pública ou aumento de impostos foram pela primeira vez ligadas ao aumento dos suicídios nos países da zona euro mais afectados pela crise. Um estudo publicado na revista científica “Social Science & Medicine” e divulgado ontem pela Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, analisou estatísticas sobre suicídio entre 1968 e 2012 em cinco países periféricos, incluindo Portugal. Os autores estimam que em 2011 e 2012 as medidas de consolidação fiscal e austeridade tenham contribuído para 2325 suicídios de homens entre os 65 e os 89 anos nestes cinco países, o que dá um total de 465 casos em cada país. Alargando as estimativas, os investigadores apontam para que a austeridade possa ter levado a 4556 mortes entre 2009 e 2014 nos países analisados.
Nikolaos Antonakakis, autor do estudo, explicou ao i que as conclusões são um retrato médio do que se passou nos cinco países envolvidos no estudo (Portugal, Itália, Grécia, Irlanda e Espanha) com base nas estatísticas analisadas, não sendo por isso feita uma análise individual de cada país.

O investigador salienta que, tal como hoje é consensual que a subida no desemprego está ligada a maiores taxas de suicídio, faltava investigar o impacto da austeridade. Depois de apurarem a ligação num estudo feito na Grécia em 2014, decidiram alargar a amostra de países. Ao contrário do que acontece com a subida do desemprego, associada a um aumento do suicídio entre pessoas mais jovens, a austeridade parece pôr sobretudo em risco a saúde mental de pessoas mais idosas, que os investigadores relacionam com o facto de terem menor flexibilidade para lidar com realidades como o corte nas pensões.

Se encontram variações mais significativas sobretudo no sexto masculino, deixam um alerta: o efeito nas mulheres parece levar mais tempo e manifestar-se em faixas etárias mais jovens, entre os 25 e os 44 anos. Por cada corte de 1% na despesa pública os investigadores estimaram um aumento de suicídios de 1,38% nos homens entre os 65 e os 89 anos, enquanto nas mulheres entre os 25 e os 44 anos apontam para um aumento de 0,72%. Nas restantes faixas etárias tanto em homens como mulheres os dados apontam para maior resiliência.

Antonakakis salienta que o desemprego persiste como o principal factor de risco, sobretudo entre os mais jovens, mas estas novas conclusões também devem ter implicações e levar a questionar a “aplicação prolongada de austeridade fiscal sem serem criadas redes de segurança para a população mais afectada.” Para o investigador, a equidade em matéria de saúde deve ser avaliada quando se trata se fazer um balanço dos resultados das políticas de austeridade, que não são apenas económicos.

9.4.14

Suicídios aumentaram mas não é possível estabelecer relação com a crise

in Jornal de Notícias

O presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, Jorge Costa Santos, revelou, esta quarta-feira, que em 2013 houve cerca de dez suicídios por cada 100 mil habitantes, para cerca de mil num ano, mas não estabeleceu qualquer relação com crise que se vive no País.

"Tem havido um ligeiro aumento do número de suicídios nos últimos anos, mas, pela reduzida expressão numérica deste aumento, não é possível fazer extrapolações que nos permitam estabelecer qualquer relação com a crise económica", disse.

Segundo Jorge Costa Santos, estes dados constituem um ponto de partida para diversas comunicações e trabalhos de investigação que serão apresentados durante o XIII Simpósio da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS), a 11 e 12 de abril, no Campus do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, no Monte da Caparica, em Almada.

O presidente da SPS referiu, no entanto, que, ao contrário da quase estabilização do número de suicídios nos últimos anos, "tem havido um aumento dos comportamentos autolesivos", pelo que considerou necessária uma "aposta na prevenção".

"Não foi por acaso que demos a este simpósio o subtítulo de Suicídio e comportamentos autolesivos - da investigação à prevenção", disse, lembrando que nos comportamentos autolesivos se incluem as tentativas de suicido e a automutilação.

"A tónica da prevenção deve assentar, fundamentalmente, nos médicos de família, tendo em vista uma identificação precoce, um tratamento eficaz e o encaminhamento dos casos mais complexos para os psiquiatras, psicólogos e outros técnicos de saúde mental", defendeu.

De acordo com o responsável da SPS, o XIII simpósio vai também alertar para os "custos dos suicídios", que, além da perda de vidas humanas, também têm graves consequências económicas para o País.

18.9.13

Número de suicídios nos jovens europeus aumentou logo após a crise

Romana Borja-Santos, in Público on-line

Estudo olhou para os possíveis efeitos da crise nos suicídios em 2009 e encontrou subidas significativas na Europa e na América. No primeiro caso os jovens parecem ter sido mais afectados, no segundo foram os homens mais velhos

Não se pode falar numa relação directa de causa-efeito, mas os autores de um estudo que acaba de ser publicado no British Medical Journal alertam que em 2009, um ano depois de a crise ter estalado em vários países, o número de suicídios disparou tanto na Europa como na América. A nível europeu, a situação afectou sobretudo os jovens e, entre os americanos, os homens entre os 45 e os 64 anos.

O grupo de investigadores das universidades de Oxford e Bristol, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres e da Universidade de Hong Kong analisaram dados de 54 países diferentes (Portugal não fez parte da amostra) para tentarem perceber os eventuais impactos da crise financeira e do colapso bancário e dos mercados em 2008 em termos de saúde mental.

Dos 54 países faziam parte 27 europeus, 18 americanos, oito asiáticos e um africano. Para isso foram utilizados dados de mortalidade da Organização Mundial da Saúde, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças e do Fundo Monetário Internacional. Em relação ao desemprego, por exemplo, percebeu-se que em 2008 a taxa global cresceu 37%, enquanto o PIB baixou 3%.

Homens mais afectados que mulheres
De acordo com os números apurados, estima-se que em 2009 tenha havido quase mais 5000 suicídios do que o esperado tendo em conta os dados registados entre 2000 e 2007. Os investigadores registaram, contudo, diferenças entre a Europa e a América — apesar de em ambos os casos ter sido maioritariamente em homens e não em mulheres que o número aumentou.

Os suicídios cresceram nos 27 países europeus e nos 18 americanos. No caso da Europa, o crescimento foi de 4,2% (com um intervalo de confiança de 95%); na América foi de 6,4%. “Para as mulheres não houve mudanças nos países europeus e o aumento nos americanos foi menor do que nos homens (2,3%). O crescimento nos homens europeus foi maior naqueles com idades entre os 15 e os 24 (11,7%), enquanto nos americanos foram os homens entre os 45 e os 64 anos que mostraram maior crescimento”, lê-se no estudo.

“O crescimento nas taxas de suicídio nacionais parece estar associado à magnitude da subida do desemprego, particularmente em países com níveis baixos de desemprego antes da crise”, dizem os autores, que, contudo, alertam que faltam dados de alguns países onde a crise teve efeitos importantes e que também será fundamental ver os dados dos anos posteriores.

Além disso, os autores insistem que os dados a que chegaram são consistentes com outros estudos sobre aumento da prevalência de doenças como a depressão e a ansiedade na sequência da crise em países como Austrália, Grécia, Reino Unido ou Espanha. E sublinham que “a deterioração da saúde mental é particularmente observada naqueles que experienciam situações de instabilidade no emprego ou problemas financeiros”. “As nossas descobertas são consistentes com aumentos documentados de suicídios durante recessões passadas, como a Grande Depressão de 1930 e a crise na Rússia no início de 1990”, lê-se no estudo.

Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho, citados pelo El Mundo, em 2009 existiam 212 milhões de pessoas sem emprego — ou seja, mais 34 milhões do que em 2007.