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22.6.23

Lixo, baratas e quartos com nove camas. Migrantes pagavam entre 270 e 320 euros

Cristiana Faria Moreira (Texto) e Rui Gaudêncio (Fotografia , in Público

Migrantes são sobretudo casais que vêm à procura de melhor vida. Vêm aliciados por redes criminosas de captura ilícita, comércio e tráfico internacional de bivalves. Viviam em condições deploráveis

[Artigo exclusivo para assinantes]

3.5.23

Ações ambientais procuram voluntários

 in Município de Setúbal 



Duas ações de índole ambiental, a realizar nos dias 6 e 13, no Estuário do Sado, a primeira para remoção da espécie invasora chorão-das-praias e a outra de limpeza de zonas costeiras, têm inscrições abertas a voluntários.


As iniciativas, promovidas pela Associação Natureza Portugal | World Wide Fund for Nature, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, da Junta de Freguesia do Sado, da Associação Baía de Setúbal e do projeto Mares Circulares, decorrem entre as 10h00 e as 12h00 e são acompanhadas de ações de literacia ambiental.

A ação de dia 6, para remoção de chorão-das-praias, dá também a conhecer o impacte desta espécie invasora no equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade no Estuário do Sado, e procura divulgar e debater diferentes formas de preservação deste património natural.

Já no dia 13, a ação de voluntariado, com acompanhamento de um especialista do Programa de Oceanos e Pescas da Associação Natureza Portugal | World Wide Fund for Nature, promove a limpeza de zonas costeiras, divulga os efeitos do lixo marinho na biodiversidade marinha e mostra boas práticas de redução destes detritos.

A ação de remoção de chorão-da-praia tem inscrições abertas até dia 3, a realizar nesta ligação, enquanto a iniciativa de limpeza costeira está à procura de voluntários até ao dia 10, com inscrições disponíveis aqui.

O ponto de encontro para a realização de ambas as ações é no Parque de Merendas, nas imediações do Parque CEOL, na freguesia do Sado.

13.4.23

“Eu sou” mostra pobreza e exclusão social na primeira pessoa

Marta Guerreiro, in O Setubalense



Iniciativa está inserida na Semana da Interculturalidade. Documentário é transmitido na Casa das Imagens Lauro António


“Eu sou”, um documentário com representação de situações reais de pobreza e exclusão social, vai ser exibido no próximo sábado na Casa das Imagens Lauro António, em Setúbal.

A produção cinematográfica realizada por Bruno Moreira e Filipa Gaspar em 2021 propõe-se a “sensibilizar para uma realidade das sociedades contemporâneas, proporciona uma viagem pelas vivências do desemprego, da migração e da exclusão, realçando, ao mesmo tempo, a importância da existência de um Estado Social”, tal como explica informação
da Câmara Municipal de Setúbal.

Depois da exibição, que está marcada para as 15h00, sucede-se uma conversa onde é esperada a presença de um dos realizadores e alguns dos actores, com o objectivo de reflectir sobre a mostra cinematográfica e ter uma tertúlia “para cruzar olhares e reflexões em torno da interculturalidade e dos Direitos Sociais”.

Na iniciativa vão estar presentes representantes do Núcleo distrital da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal) e da autarquia setubalense, entidades responsáveis pela organização do evento que está incluído na Semana da Interculturalidade, criado pela câmara, no sentido de “estimular o diálogo e a relação entre culturas e, em simultâneo, mostrar que a interculturalidade é, também, uma forma de combater situações de exclusão social”.

A sessão de cinema e a conversa têm a entrada gratuita mediante inscrição prévia que pode ser feita através do e-mail setubal.territoriointercultural@mun-setubal.pt.

11.4.23

Filme com conversa reflete sobre temas sociais




O documentário “Eu Sou”, com testemunhos e histórias de vida de oito pessoas que já experienciaram ou ainda vivem em situações de pobreza e exclusão social, é exibido a 13 de abril, às 15h00, na Casa das Imagens Lauro António.



O documentário, realizado em 2021 por Bruno Moreira e Filipa Gaspar, que procura sensibilizar para uma realidade das sociedades contemporâneas, proporciona uma viagem pelas vivências do desemprego, da migração e da exclusão, realçando, ao mesmo tempo, a importância da existência de um Estado Social.

A exibição de “Eu Sou” é, depois, o ponto de partida para uma conversa para cruzar olhares e reflexões em torno da interculturalidade e dos Direitos Sociais, na qual está prevista a presença de um dos realizadores e também de algumas das pessoas que protagonizam o documentário.

A sessão conta ainda com representantes do Núcleo Distrital de Setúbal da EAPN Portugal – Rede Europeia Anti-Pobreza e da Câmara Municipal de Setúbal, entidades que organizam a iniciativa, de participação gratuita, mediante inscrição através do endereço de correio eletrónico setubal.territoriointercultural@mun-setubal.pt.

A iniciativa é integrada na Semana da Interculturalidade, desenvolvida em Setúbal desde 2014, através da qual se procura estimular o diálogo e a relação entre culturas e, em simultâneo, mostrar que a interculturalidade é, também, uma forma de combater situações de exclusão social.

21.3.23

Sem porta, sem janelas e sem higiene: três crianças retiradas aos pais por suspeitas de abandono

Francisco Alves Rito, in Público

PSP de Setúbal identificou pai, de 23 anos, e mãe, de 25. Menores, entre os dois e os seis anos, viviam em local sem condições, sem porta nem janelas.

Três crianças, com idades entre os dois e os seis anos, foram retiradas, na semana passada, da guarda dos pais e levadas para um local de acolhimento depois de a PSP ter identificado os progenitores, que são suspeitos do crime de exposição ou abandono de menores. Segundo a polícia, a família vivia num local sem porta nem janelas e com “grave falta de higiene”.

Na passada quarta-feira, a PSP identificou o pai, de 23 anos, e a mãe, de 25, destas crianças, anunciou nesta segunda-feira, em comunicado, o Comando Distrital de Setúbal daquela força policial. O casal é suspeito do crime de exposição ou abandono de três menores.

Antes disso, e “face à gravidade da situação e ao perigo a que estas crianças estavam expostas”, foi accionado o INEM, que prestou cuidados às três crianças ainda no local onde viviam e as conduziu depois às urgências pediátricas do Hospital de São Bernardo, em Setúbal. Por indicação médica, e apesar de terem tido alta clínica, as três crianças ficaram internadas durante dois dias, tendo tido alta na passada sexta-feira.

Cenário de miséria

O cenário que a PSP descreve é inteiramente confirmado por quem entre na casa onde vivia o casal com as três crianças. O PÚBLICO constatou, no local, que a pequena casa não tem as condições mínimas de higiene e salubridade.

Com as paredes e o chão a desfazerem-se, sem portas e janelas, a casa está cheia de lixo e móveis velhos.

Os vizinhos contam que o casal, que vivia naquele espaço há cerca de um ano, não tinha ocupação fixa conhecida. O homem e a mulher viviam de recolha de sucata e outros biscates. Os moradores do Bairro da Conceição, com quem falámos, que viam a família por ali, dizem que mesmo a criança mais velha, já com seis anos, não deveria andar na escola. “O menino estava sempre por aqui, nunca o vi de mala nem o ouvi falar em escola”, conta um dos vizinhos num grupo que encontrámos no café mais próximo, na mesma rua.

As crianças são uma menina, de dois anos, e dois meninos mais velhos, o maior dos quais com seis anos de idade. A casa está agora devoluta, uma vez que os dois adultos terão partido após a retirada das crianças.

8.3.23

Ministra do Trabalho diz que investimento na formação é fundamental para reter os jovens no país

Por Lusa, in TVI

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social afirmou hoje em Setúbal que a qualificação é fundamental para reter os jovens no país e lembrou que o Governo disponibilizou 1.500 milhões de euros para a formação.

“Esse dinheiro já está a ser aplicado, desde logo, em parcerias e investimentos que estão a ser feitos pelos próprios institutos politécnicos”, disse Ana Mendes Godinho, dando como exemplo os cursos já lançados no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“Acho que é evidente para todos que o nosso compromisso maior e a nossa maior exigência, neste momento, é, como país, conseguirmos atrair e reter talento e os nossos jovens”, acrescentou a ministra, que falava aos jornalistas depois de presidir à sessão de abertura da 9.ª Semana da Empregabilidade, organizada pelo Instituto Politécnico de Setúbal (IPS).

Ana Mendes Godinho assegurou que o Governo “está a trabalhar em termos de investimento na formação” e sublinhou a importância de eventos como a semana da empregabilidade do IPS, “porque aproxima dois mundos: o mundo da formação com o mundo das empresas, para as quais a captação de trabalhadores é um fator crítico”.

“Estamos todos a trabalhar para garantir que os jovens aqui [em Portugal] também encontram as suas opções de vida. Temos o exemplo concreto do IRS jovem, a agenda do trabalho digno”, disse a ministra.

“Temos procurado mobilizar instrumentos para este compromisso, que tem que ser um compromisso coletivo. Acho que ninguém quer desperdiçar um único jovem em Portugal. É essa a grande prioridade que temos assumido”, sublinhou Ana Mendes Godinho.

Na sessão de abertura da Semana da Empregabilidade, a ministra considerou que a formação e as qualificações das pessoas são o “motor transformador do país” e que as pessoas mais qualificadas constituem hoje “o bem mais disputado entre países”.

“Nós hoje estamos aqui a dizer a todos vós: por favor, apostem e fiquem em Portugal e trabalhem em Portugal. Portugal precisa mesmo de vós, porque é cada um de vós que está nesta sala que vai fazer a diferença na nossa vida coletiva”, acrescentou Ana Mendes Godinho.

A Semana da Empregabilidade do Instituto Politécnico de Setúbal é um dos maiores eventos desta natureza a nível nacional.

17.5.22

Buscas judiciais em gabinete de apoio a refugiados em Setúbal

Ana Dias Cordeiro, in Público

A informação chegou através de um comunicado da Câmara Municipal de Setúbal.

As instalações da Linha Municipal de Apoio a Refugiados (LIMAR) da Câmara Municipal de Setúbal estão a ser alvo de buscas da Polícia Judiciária, na manhã desta terça-feira, segundo uma nota publicada no site da autarquia. A Câmara diz estar a prestar “todo o apoio necessário a estas diligências”.

O PÚBLICO já tentou confirmar a informação junto do gabinete de imprensa da Polícia Judiciária (PJ) e também tentou saber, junto da Procuradoria-Geral da República, quando foi aberto o inquérito que permite estas buscas.

A notícia da realização destas buscas na LIMAR, que está localizada no Mercado do Livramento em Setúbal, vem no seguimento das suspeitas levantadas sobre alegadas ligações ao Kremlin do casal que geria o gabinete de apoio aos refugiados da autarquia: Igor Khashin e Yulia Khashina.

Khashin apresenta-se como “gestor de projectos” e foi presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, tem dupla nacionalidade e foi sempre próximo da Embaixada da Rússia; além disso, os eventos organizados por si e pelas suas associações contavam de sites de instituições criadas pelo Kremlin, mas foram entretanto apagadas, segundo fonte anónima ouvida pelo Expresso na notícia publicada a 29 de Abril.

Funcionária retirada

O jornal deu então conta das primeiras suspeitas relativamente a este casal e ao trabalho desenvolvido através da Associação dos Imigrantes dos Países de Leste (Edinstvo). Logo nesse dia, a Câmara de Setúbal retirou do acolhimento de cidadãos ucranianos a técnica superior de origem russa Yulia Khashin, dizendo que tal decisão se prendia “com a situação criada” com a notícia “até ao total e inequívoco esclarecimento desta situação”, como se lia no comunicado.

No dia seguinte, a autarquia dizia não ter tido nenhuma suspeita relativamente a esta cidadã russa que entrada para os quadros da câmara em Dezembro de 2021 depois de aí trabalhar durante mais de 17 anos.

"Relativamente à senhora Yulia Kashina, referida nas várias notícias entretanto divulgadas, cumpre esclarecer que lhe foi atribuída, pelos órgãos de soberania nacionais, nacionalidade portuguesa em 2007, ou seja, há 15 anos, tendo, por isso, dupla nacionalidade, e, desta forma, todos os direitos e deveres de qualquer cidadão português. Yulia Kashina trabalha com esta Câmara Municipal há mais de 17 anos, tendo entrado para os seus quadros como técnica superior jurista, em 1 de Dezembro de 2021”, referia a nota publicada no site da autarquia.

A Edinstvo foi fundada em 2005 por Igor Khashin. Já antes da guerra na Ucrânia, a associação trabalhava no acolhimento a imigrantes na autarquia. Mas foi com a chegada de ucranianos que fugiam da guerra iniciada em 24 de Fevereiro, que surgiram as primeiras dúvidas.

Receios de pessoas acolhidas

Entre as cerca de 160 pessoas acolhidas em Setúbal, houve quem tivesse relatado ao Expresso que, no atendimento, teriam sido digitalizados documentos dos refugiados e, de acordo com alguns deles, feitas perguntas sobre os familiares que deixaram na Ucrânia.

No início de Abril, numa entrevista à CNN, a embaixadora da Ucrânia, Inna Ohnivets, alertou para o facto de informações recolhidas junto dos ucranianos serem “interessantes para a espionagem russa”. A diplomata sustentava essa afirmação pelo facto de as associações pró-russas que acolhem refugiados dos países de Leste terem “uma ligação muito estreita à embaixada russa”.

Nas entrevistas à chegada, as associações teriam assim forma de “receber informações sobre os dados pessoais destes refugiados e também sobre os familiares que participam no Exército ucraniano”, sustentou a embaixadora que terá também alertado as autoridades portuguesas para esse risco.

Também o presidente da Associação dos Ucranianos de Portugal, Pavlo Sadokha, tem desde então acusado associações concretas (para além da Edinstvo) de uma alegada cumplicidade com o poder em Moscovo.

Centro de Saúde de Setúbal só tem dois profissionais contratados para dar resposta aos utentes sem médico de família

in SIC

“Claramente não é a melhor resposta”, diz a enfermeira Paula Luz.

Mais de um milhão e trezentos mil portugueses continuam sem médico de família. Lisboa e Vale do Tejo é a região do país mais preocupante e o Centro de Saúde de Setúbal é uma das unidades onde mais se sente o problema.

O edifício tem duas unidades: uma de saúde familiar para os utentes que têm médico de família atribuído e outra para aqueles que não o têm. A falta de profissionais “para tanta gente que precisa, nomeadamente no que diz respeito às vigilâncias”, aumenta os tempos de espera.

Segundo conta a enfermeira Paula Luz do Centro de Saúde de Setúbal, a saúde materna e infantil são alguns dos setores mais comprometidos, onde “uma grávida na sua gestação deveria ter no mínimo seis consultas de vigilância médica e muitas vezes nós só garantimos duas ou três consultas, o que é claramente insuficiente”.

São mais de 11.700 utentes sem médico de família em Setúbal, onde, no Centro de Saúde, a resposta é dada apenas por “dois médicos contratados”, o que compromete os cuidados de saúde “em termos de continuidade, de satisfação e do diagnóstico precoce de problemas”, explica a enfermeira.

Paula Luz não tem dúvidas, assim “é impossível” dar resposta aos utentes.

4.5.22

Câmara de Setúbal retira funcionária russa do acolhimento de refugiados da Ucrânia

 in Público

Ucranianos foram recebidos por russos alegadamente pró-Kremlin na Câmara de Setúbal.

A Câmara de Setúbal retirou do acolhimento de cidadãos ucranianos a técnica superior de origem russa Yulia Khashin e vai pedir ao Ministério da Administração Interna que proceda a uma averiguação sobre a recepção de refugiados por russos alegadamente pró-Putin.

“A Câmara Municipal de Setúbal irá solicitar ao Ministério da Administração Interna que adopte, de imediato, os necessários procedimentos no sentido de averiguar a veracidade das suspeitas veiculadas pelo jornal Expresso, manifestando total disponibilidade para prestar toda a informação necessária”, refere, em comunicado, o município sadino, liderado por André Martins (eleito pela CDU).

“Face à situação criada, a Câmara Municipal retirou do acolhimento de cidadãos ucranianos a técnica superior citada na notícia até ao total e inequívoco esclarecimento desta situação”, acrescenta o comunicado, salientando que, depois de tomar conhecimento de afirmações proferidas, há duas semanas, pela embaixadora da Ucrânia em Portugal relativamente à Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo), questionou formalmente o próprio primeiro-ministro, António Costa.

O pedido, indica a autarquia, foi feito “no próprio dia, por ofício”, pedindo que o chefe do Governo se pronunciasse sobre as declarações e “esclarecesse com a maior brevidade possível se o Alto Comissariado para as Migrações mantinha a confiança nesta associação, não tendo obtido resposta até ao momento”.

A tomada de posição da liderança do município surge na sequência da notícia divulgada pelo Expresso de que refugiados ucranianos estão a ser recebidos na autarquia por russos pró-Putin.

Segundo o jornal, pelo menos 160 refugiados ucranianos terão sido recebidos por Igor Khashin, da Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo), e pela mulher, Yulia Khashin, funcionária do município, que terão, alegadamente, fotocopiado documentos de identificação dos refugiados ucranianos, no âmbito da Linha de Apoio aos Refugiados da Câmara de Setúbal.

A autarquia reconhece que “Igor Khashin colabora, regularmente, há vários anos, com várias entidades da administração central, entre as quais o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Alto Comissariado para as Migrações e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tendo prestado esta colaboração já este ano em instalações de alguns destes serviços em Setúbal, no contexto do acolhimento de refugiados da guerra da Ucrânia”.

A Câmara de Setúbal afirma ainda que “são cumpridos todos os requisitos técnicos inerentes a um atendimento social” e que a “recolha de informação só é feita com autorização expressa por escrito dos próprios”, tratando-se de “um procedimento reconhecido e utilizado pelas entidades que, em Portugal, fazem este tipo de trabalho”.

A autarquia refere ainda que “repudia com a veemência toda e qualquer insinuação de quebra de sigilo no tratamento de dados de cidadãos ucranianos acolhidos nos seus serviços”.

De acordo com o Expresso, a Edintsvo foi subsidiada desde 2005 até março passado pela Câmara de Setúbal, e Igor Kashin Yulia Khashin terão também questionado os refugiados sobre os familiares que ficaram na Ucrânia.

3.3.22

SETÚBAL ACOLHE PROJECTO-PILOTO DE COMBATE À POBREZA ENERGÉTICA

Publicado por Sónia Sul, in Smartcities

O Ponto de Transição é o novo projecto que visa combater a pobreza energética e contribuir para uma transição energética mais justa em Portugal. O piloto está a ser implementado, numa primeira fase, em Setúbal, contando já com um espaço de atendimento ao público presencial, incluindo acções de proximidade e de capacitação.

Financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, o projecto resulta de uma parceria da entidade com a ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida, o Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade da Universidade Nova de Lisboa (CENSE, FCT-NOVA) e a RNAE – Associação das Agências de Energia e Ambiente. O consórcio, com o apoio da câmara municipal de Setúbal e da junta de freguesia de São Sebastião, inauguraram, na quinta-feira passada, o primeiro espaço do Ponto de Transição, no Mercado 2 de Abril, na freguesia de São Sebastião.

Este espaço, materializado num contentor marítimo reutilizado, é um lugar ao qual as pessoas se podem dirigir para esclarecer dúvidas e solicitar informações desde sobre como melhorar o conforto térmico ou a eficiência energética das habitações, até sobre como reduzir as despesas com energia ou como se candidatar a financiamentos e apoios. A funcionar nos dias úteis da semana, o atendimento é assegurado por uma equipa de técnicos.

Além desta função de apoio, o projecto vai dinamizar sessões de formação a um conjunto de cidadãos da comunidade local para formar uma “Bolsa de Agentes de Transição”, capacitados em conceitos básicos relacionados com energia, contabilidade energética, tipos de equipamentos e boas práticas de consumo energético. Estes agentes irão, por sua vez, conduzir avaliações energéticas das habitações, que podem ser agendadas de modo gratuito, identificando oportunidades de melhoria.

O consórcio sublinha que o Ponto de Transição tem como objectivo “contribuir para uma melhor eficiência energética e um maior conforto térmico nos lares portugueses”, mitigando situações de pobreza energética que levam “1,9 milhões de portugueses [a dizerem que] não conseguem manter a casa aquecida nos meses frios” (INE, 2021) e “3,7 milhões [a dizerem que] sofrem com o calor, em casa, durante os meses mais quentes” (Eurostat, 2012). Iniciada a 17 de Fevereiro, a fase piloto irá decorrer até dia 30 de Junho de 2022, estando prevista, posteriormente, a replicação noutros concelhos.

7.1.21

Setúbal apoia 14 sem-abrigo e vai aumentar para mais 20 pessoas

in Microsoft News

A Cáritas de Setúbal está a apoiar 14 sem-abrigo, mas, devido à vaga de frio, prevê aumentar a resposta para mais 20 pessoas ainda hoje, revelou Clara Vilhenai, coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA).

"Estamos a apoiar 14 pessoas sem-abrigo, 12 homens e duas mulheres, no Centro Social São Francisco Xavier, mas esperamos ainda hoje aumentar a capacidade disponível para mais 20 pessoas, num salão da diocese de Setúbal, contíguo ao centro social onde é disponibilizada a resposta a pessoas sem-abrigo", disse Clara Vilhena.

Segundo a coordenadora do NPISA, em Setúbal estão referenciadas pelo menos mais sete pessoas que vivem na rua, mas poucas se mostram disponíveis para pernoitar nas instalações do Centro Social São Francisco Xavier, porque não querem sujeitar-se a algumas regras e aos horários que têm de cumprir.


Por outro lado, acrescentou Clara Vilhena, "nem sempre é fácil detetar as pessoas sem-abrigo, porque algumas pernoitam em locais desconhecidos, em armazéns e casas devolutas, e nem sempre é possível localizá-las".

"Quando as equipas de rua estabelecem contacto com essas pessoas sem-abrigo durante as vagas de frio, algumas pedem-nos mais cobertores, mas dizem-nos logo que não estão interessadas em pernoitar nas nossas instalações", sublinhou Clara Vilhena.

Equipas da Câmara Municipal de Setúbal têm também procurado localizar pessoas sem-abrigo nos locais onde estas costumam pernoitar, mas, até agora, sem sucesso.

"Vamos continuar a fazer a monitorização desses e de outros locais para o eventual acompanhamento de pessoas sem-abrigo que sejam detetadas no concelho", disse à agência Lusa fonte do gabinete da presidência da Câmara Municipal de Setúbal.

Todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo devido ao tempo frio até às 09:00 de quinta-feira. O distrito de Faro está ainda (entre as 15:00 de hoje e as 09:00 de quinta-feira) sob aviso amarelo por causa da agitação marítima.

21.12.20

"Constato diariamente casos de fome em Setúbal"

Por Pedro Pinheiro (TSF) e João Pedro Henriques (DN), in TSF

Na entrevista TSF/DN, D. José Ornelas, Bispo de Setúbal, que lidera a Conferência Episcopal Portuguesa diz não acreditar que existam, na Igreja, grupos de apoio ao Chega. Há racismo no ADN português? "Falta-nos empenho em conhecer o outro".

Preparava-se para iniciar uma missão em África, em 2015, era então superior-geral da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, superior-geral dos dehonianos, quando o Papa o nomeou Bispo de Setúbal. Nascido há 66 anos, em Porto da Cruz na Madeira, José Ornelas Carvalho é desde há meio ano presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. Quem o conhece destaca o modo como se dedica aos problemas da sociedade, aos problemas dos outros, o seu lado intelectual - é doutorado em Teologia Bíblica -, assim como a sua grande experiência internacional.

Há seis meses afirmou-se surpreendido com a sua eleição como presidente da Conferência Episcopal. Porque é que ficou surpreendido, não contava ou é só uma afirmação de humildade cavalheiresca, mas formal, numa votação que foi secreta, ainda por cima?

Acuso um pouco de humildade. [Risos] Sim, normalmente nessas coisas os nomes são secretos, mas, de facto, não tinha pensado nisso porque tínhamos outros nomes que apareciam como candidatos naturais. Eu ia totalmente descontraído, mas quando aqueles que pensávamos que iriam ser os candidatos naturais deram razões que eram admissíveis... Normalmente, na Conferência quando se é eleito é para aceitar, a não ser que se apresentem motivos válidos.

É um bispo que vem de longe, pelo seu lado missionário - estava para ir para Moçambique - também há alguns paralelismos agora com a sua escolha para presidente da Conferência Episcopal e aquela escolha de Francisco?

Não, sejamos claros: alguém tinha de aceitar isso e encontraram um que aceitou. Isto não é conversa fiada, é mesmo a realidade que é. Eu já me sentia pouco à vontade em atender à realidade da diocese de Setúbal, que é a quarta do país em população. Não é das maiores territorialmente, é das mais pequenas, mas é uma diocese com o peso, que todos sabemos, de uma realidade social e económica muito complicada.

Viu a sua eleição como uma necessidade de rejuvenescimento da Conferência?

O D. Manuel [Clemente] já não podia ser eleito mais uma vez. Só o poderia ser com a licença de Roma, mas os estatutos é assim que rezam. Portanto, é natural que se pensasse em mais alguém, agora, eu sou dos últimos chegados à Conferência e, de facto, não estava à espera.

No dia da sua eleição afirmou que a pandemia nos ensinou que a miséria custa muito caro e que não nos podemos dar ao luxo de ter miséria entre nós. No caso concreto da sua diocese, volta a haver fome em Setúbal, senhor bispo?

Nós constatamos isso diariamente - há um aumento de pessoas que pedem alimentos - portanto, quando estamos a esse nível, estamos no básico. E são pessoas de quem não se suspeitava. É gente que tinha o seu emprego, que tinha a sua vida arrumada, que habitava uma casa razoável. As casas, em consequência do boom imobiliário que aconteceu na capital, subiram de preço e muita gente, agora sem trabalho, vê-se na impossibilidade de ter casa e também de ter uma capacidade de sustentar a família. Há gente que diz que tem dificuldade em ter duas refeições sobre a mesa.

Tem acompanhado de muito perto os problemas existentes na diocese de Setúbal; tem condenado o racismo, a injustiça, a exclusão social. Somos um país racista? Está no nosso ADN, na nossa matriz enquanto povo, enquanto nação?

Eu digo, aqui como em todo o lado, que o racismo vem, antes de mais, da falta de conhecimento das pessoas, de preconceitos que se criam e que não se foram capazes de tirar. Na minha própria experiência, eu nunca me considerei racista, mas também me considerei tantas vezes como paternalista em relação aos outros modos de ser. Por exemplo, quantas vezes não ouvíamos dizer, "os pobres negrinhos", "os pobres africanos", porque nós achávamos que éramos superiores. Quando começamos a ter amigos de outras proveniências, de outras culturas, de outras raças, é que isto, verdadeiramente, passa a ser um discurso ridículo, porque começamos a conhecer pessoas como pessoas e não como estereótipos. O acolher estas pessoas é a base para superar estas coisas. Porque é que os nossos jovens de hoje, e as crianças, não têm dificuldade nenhuma? Porque tal como são nativos digitais, são nativos multiculturais, porque desde a creche que estão juntos e, portanto, as ideologias e os preconceitos que se criaram são diferentes.

Somos racistas porque nos falta empenho em conhecer o outro?

Sim. Esse conhecimento é aquilo que nos permite classificar as pessoas de uma outra maneira, porque passou a ser uma pessoa. Deixou de ser negro ou branco ou amarelo e passou a ser uma pessoa que eu conheço, e isso dá-me uma chave de leitura para outros. Também para outras minorias étnicas que são ostracizadas e que são postas fora com preconceitos culturais. Todas as sociedades têm preconceitos destes.

Todas as sociedades ou mais nós, os portugueses?

Não, noutros lados encontra-se o mesmo. Por exemplo, eu estava muito curioso quando cheguei à Alemanha do pós-guerra e ouvi pessoas que me disseram que tiveram medo quando começaram a chegar os italianos e os turcos. Os alemães viajavam pouco, estavam confinados bem dentro de si - os latinos tiveram colónias, etc. - , os alemães viviam mais dentro da cultura deles. Portanto, eu não posso levar a mal, mas tenho de caminhar para outro paradigma que nos leva ao mundo. No mundo é inevitável que se tenham estes contactos e, também, que contrastes existam, mas contrastes que têm de ser superados através de um outro tipo de relacionamento e outra chave de leitura da realidade.

Em Fátima, na peregrinação de outubro, alertou para "os movimentos populistas que manipulam a nostalgia do passado" - estou a citá-lo - "o perigo do estrangeiro, do que pensa diferente e até contra os que usam o nome de Deus para os seus interesses". Vamos ser frontais, senhor bispo: estava a falar do partido Chega?

Na minha experiência, essa não é uma questão nem de direita nem de esquerda porque há populismos de todas as cores. O que existe é o seguinte: é quando eu autorreferencio tudo a mim, à minha cultura ou à minha leitura da realidade e ao meu projeto; é quando eu não sou capaz de dizer que na busca de soluções têm lugar perspetivas diferentes da realidade, que são uma ajuda. Porque se eu quiser vir a mim, sobretudo quando eu começo nesta autorreferencialidade cultural e nacional é muito perigoso. Porquê? Porque é que eu lhe chamo populismo? Porque jogamos com qualquer coisa que é realmente sagrada, que é o relacionamento. Aí eu tiro a minha comunidade de referência, de referência cultural, de fé, de raça, de leitura da realidade. Outra coisa é eu erigir isto como verdade única e suprema. Quando eu começo a dizer, "o meu país primeiro e último de tudo", eu não entendo mais realidade. Quero dizer que no mundo não há mais nada. Então, estou a jogar com os sentimentos das pessoas. Quando eu começo a dizer que estão a roubar a nossa identidade porque outros chegam, eu vou perguntar qual é essa identidade, se nós historicamente...

Mas vê isso à esquerda ou só vê isso num determinado sítio do Parlamento, neste momento?

Pode ser, mas a meu ver também há manipulação de fatores como este. Eu falo deste porque é congénito da humanidade isto de formar grupo. Há também a minha perspetiva, a de eu brincar, jogar, com a questão das necessidades que existem. Existem necessidades, o país precisa de se desenvolver, é preciso encontrar soluções justas, equitativas, de mudança da economia, etc. Se eu passo por cima de tudo o resto simplesmente para apontar uma linha, estou a jogar com a situação, e nós sabemos como tantas vezes o problema dos pobres é usado, não para encontrar soluções para os pobres, mas para encontrar soluções para aqueles que os defendem. Isto a todos os níveis.


Numa entrevista DN/TSF recente, o líder do Chega, André Ventura, disse que não sentindo o apoio da hierarquia, sente, no entanto, o apoio de muitos padres, de muitos sacerdotes no país inteiro. Sente isso também? Confirma que este é um tipo de formação partidária com muito apoio entre os padres portugueses?

Pelo menos, quer ser.

E está a ser bem-sucedido?

Eu não tenho dados para responder a isso.

Parece-lhe que os bispos portugueses deviam ser, individualmente considerados, mas também enquanto grupo, através da Conferência Episcopal, mais categóricos contra projetos políticos de sociedade que são, no entender de muitos, ostensivamente racistas, xenófobos, autoritários, homofóbicos? Têm sido uma voz suficientemente forte e audível?

Eu não sei, também dependem depois dos ouvidos que a ouvem ou que a querem ouvir. Mas essas afirmações têm estado constantemente - eu estou aqui há cinco anos, na Conferência Episcopal - a ser feitas, não há a mínima dúvida. Os bispos não têm de ser juízes, os bispos têm de ser gente que busca caminhos, à luz daquilo que crê e que anuncia. Nesse buscar de caminhos, não tenho dúvida de que certas coisas se opõem, quanto a isso tenho de ser claro. Agora, o que é preciso é encontrar caminhos.

Encontrar caminhos mais do que orientar os fiéis?

Orientar é contar com. Eu ia dizer precisamente isso. O que acontece tantas vezes com estes discursos xenófobos, oportunistas, é que isso significa que há um mal-estar na sociedade; significa que, se calhar, não há outros dentro do sistema habitual, do sistema central do nosso regime político; significa que não se está a encontrar as soluções. Particularmente para os nossos jovens e é isso que me preocupa. Porque é que temos tanta abstenção no campo juvenil em relação à política? Nós temos de ver e encontrar espaços dentro do próprio sistema para que a diferença possa vir ao de cima. Vou dar um exemplo, mas não quer dizer que isto seja uma norma: na diocese, nós começámos a fazer uma visita às paróquias virada para os jovens, para começar a fazer conselhos de jovens nas paróquias, e encontrei uma autarquia que tem uma Assembleia Municipal de jovens. E não é só para fazer de conta, como levar as criancinhas ao Parlamento para fazer uma sessão - isso também tem um valor pedagógico muito grande -, mas não é simplesmente isso, é porque eles também têm direito. Desde logo, têm um orçamento para eles, para alguns projetos que podem ter. Depois, têm o direito de propor à Assembleia Municipal temas e projetos para discussão. Isto significa que nós temos, de facto, de contar com esta criatividade, porque não é simplesmente o Estado, mesmo os partidos tradicionais se não estiverem atentos a isto, a esta efervescência em busca de caminhos novos, não veem que a sociedade está a mudar. Os partidos têm de se renovar e a igreja tem de se renovar porque senão só vamos encontrar as soluções do passado. Uma das primeiras palavras que ouvi do Papa Francisco foi precisamente o seguinte: "Não procurem responder aos problemas de hoje com as soluções de ontem". Não vai dar certo porque hoje os problemas são outros e temos de as encontrar de uma forma diferente, temos de dialogar com isto tudo de uma forma diferente. A pandemia veio-nos avisar disso. Não estávamos preparados. Também na igreja não estávamos preparados. Quando dizemos que agora os nossos jovens quase que preferem o digital, a missa digital que podem controlar mais para trás e mais para a frente... estou a brincar com a questão, mas, seriamente, nós temos de encontrar maneiras novas de responder a problemas novos.

É portanto errado pensarmos que o projeto político corporizado hoje pelo partido Chega tem forte apoio dos grupos mais conservadores da igreja católica?

Não sei, eu não faço as contas deles, mas certamente que têm pessoas que encontram isso simpático porque defendem alguns temas que são comuns. Não tenho pejo nenhum em dizer que há soluções comuns que podem ter a simpatia de um ou de outro.

Mas são apoios individualmente considerados e não enquanto grupo?

Grupos não vejo na igreja, mas não tenho dados.

É só a perceção... André Ventura também disse aqui nesta entrevista que o Papa tem prestado um mau serviço ao cristianismo porque tem mostrado a esquerda revolucionária quase como heroica e a esquerda europeia marxista como uma normalidade. Aqui há tempos também tivemos António Bagão Félix que dizia que com este papado há demasiada política e pouca espiritualidade. Sente que há demasiada política com o Papa Francisco?

Há duas coisas: primeiro, é preciso ver o que é que conhecem do Papa; segundo, o Papa é um homem de uma profunda espiritualidade. Depois, tem outra coisa que este Papa disse logo: "Eu venho do fim do mundo". Ele vem de outra perspetiva. É a primeira vez que nós temos um Papa na história da igreja que não sai deste ambiente mediterrânico - europeu, Norte de África e Médio Oriente. Este paradigma de vir de fora traz muita coisa, porque traz uma chave de leitura diferente. Nós estamos habituados a um paradigma muito claro em que também mesmo a visão histórica da igreja e, sobretudo, o seu percurso nestes últimos anos tem uma chave de leitura muito apropriada e condicionada pela história de onde se vive, o que é inevitável. Nós temos também, em termos filosóficos, um património que é próprio da nossa cultura e da nossa maneira de ver a vida, da filosofia grega clássica, etc. Quando eu vou ver um sítio na América Latina, a todos os níveis, a nível político, económico, social, etc., eu tenho uma outra realidade e outra chave de leitura. Isso, inevitavelmente, tem uma lógica diferente para pensar. O Papa diz muito claramente no início desta última encíclica, Fratelli Tutti, que para quem não lê o Evangelho seriamente o seu discurso não tem lógica. Porque é preciso uma lógica própria para entender isto. Tudo isto tem uma leitura muito própria dentro da igreja. Quem vem desta igreja da América Latina, que é uma igreja sofrida, uma igreja que lutou e se pôs ao lado de quem está realmente na situação desses que o Papa chama "os de fora", os das periferias, quem fez um compromisso aí, acha muita lógica neste discurso. Para quem se fez simplesmente para perpetuar um discurso que já está feito - o discurso de sempre -, torna-se incómodo. Então, é fácil dizer "Ai, Jesus, chamaram o diabo! Está possuído". É muito fácil. Porquê? Porque não está de acordo com a minha cultura. Encontrámos um a expulsar demónios, isto é, a libertar pessoas em Teu nome e dissemos-lhe que acabasse com a brincadeira porque não nos segue - não diz não te segue a TI -, não nos segue a nós.

Continuando com este novo partido, sente que à sombra dele há o crescimento de confissões como os evangélicos que passam a ter alguma representação política no parlamento português? É também a falar para essas pessoas que André Ventura critica o Papa diretamente? Vê o partido como uma espécie de cavalo de Troia de novas confissões?

Eu não tenho nem de fazer propaganda a nenhum partido nem de falar em nome deles, isso tem de lhe perguntar a ele.

Que consequências tem causado a pandemia no seio da igreja católica portuguesa? Nota um afastamento dos fiéis e receia que, para a igreja, no pós-pandemia nada volte a ser como era?

Vamos esperar o pós-pandemia. Entretanto ainda temos a pandemia, ainda estamos lá.

Isso significa que não o preocupa ou prefere preocupar-se mais tarde?

Não, vou preocupar-me a seguir, mas também me preocupa. Não me preocupo com aqueles cristãos que já vinham à igreja, embora também tenhamos de nos perguntar o que é que isso significa. Nós precisamos de ter uma igreja presencial, não acredito numa igreja simplesmente digital, de transmissões e mesmo de redes sociais. Vai ser um mundo que tem de integrar tudo isso numa nova forma de estar. Não é simplesmente um meio, é uma nova forma de ser gente, de se relacionar, onde isto também tem espaço, mas a não presença ao construir verdadeiramente a igreja é como construir família, construir amizade só à distância - não vai dar.

Mas já está a preparar essa luta?

Sim, mas sabe o que me preocupa? É mais do que isso, preocupa-me sobretudo dois tipos de pessoas: os mais frágeis, porque os mais frágeis, os mais velhinhos têm um certo medo de ir, gostariam de ir, mas têm receio, e vão-se habituando a uma transmissão, a uma coisa à distância. O que é que eu noto, e tenho experiências muito concretas disso? Que essas pessoas vão ficando cada vez mais distanciadas e retraídas para si próprias. O isolamento nesta fase é um dos grandes problemas, mesmo para a saúde mental, espiritual e relacional. E as crianças, porque quando fechámos as creches e as nossas crianças ficaram em casa, de repente, começaram a sentir-se afastados dos amigos, dos velhinhos. Porque dizer a uma criança que não se dá abracinhos, não se dá beijinhos, o que é que vai sair destas crianças em termos do seu crescimento normal? Em relação à igreja é a mesma coisa. Não me preocupa? Preocupa-me muito porque já levamos quase um ano em que as crianças não aparecem na igreja, a maioria delas, mas também passaram meses sem aparecer nas escolas e nas creches, sem verem a educadora, que era o segundo grau da afetividade depois da família. E é uma afetividade que se alarga para o mundo. Portanto, este contacto é fundamental para um desenvolvimento harmonioso. Do ponto de vista da fé, é a mesma coisa. A fé não é simplesmente uma questão de aprender coisas numa aula de catequese na internet. Não, a fé é viver a experiência de estar juntos, de partilhar o pão que se levou para a merenda ou partilhar a fé ou partilhar a alegria.

Não tem nada de individual, é tudo coletivo?

Não pode ser, é sempre um de nós. É todo o sistema do desenvolvimento humano, o passar do bebé da fase oral, que só sente com a boca, até ir crescendo e começar a sentir o outro.

Sente uma espécie de novo conservadorismo radical em crescimento entre os católicos portugueses? Há histórias que nos chegam de missas em Lisboa rezadas em latim, quase como se o Concílio do Vaticano II não tivesse acontecido.

Bom, eu acho que é normal acontecerem coisas destas.

Desde que seja excecional?

Sim, mas também não creio que alguém pense que isso vai ser o normal. Ainda nesta manhã falava disso, para dizer que é o incómodo de enfrentar as questões verdadeiras de cada tempo, de o encontrar e confrontar-se com ele para dizer que respostas é que nós temos. À falta de melhor, é como no Carnaval, se não temos tempo ou dinheiro para comprar uma máscara, desenterramos a do passado. Ao um certo fetichismo nisso tudo.

Mas é uma igreja vazia, porque é uma igreja em que ninguém está a perceber nada do que o senhor padre está a dizer...

Pois. Eu sou ainda dessa igreja. O problema é que maior parte das pessoas que falam destas coisas não tiveram a experiência formal, mas eu tive. Eu tive a experiência da igreja em latim. Eu chegava, com o meu fraquinho latim, a traduzir partes da liturgia para termos o gosto de a ter em português, em vernáculo. Portanto, isso faz-me alguma confusão, mas entendo. Entendo porque é o incómodo de encontrar soluções para hoje e, então, vão buscar as soluções de ontem. Como se isso pudesse ser. É como Jesus dizia: em fato novo não deitem um remendo velho, nem deitem simplesmente um remendo novo num fato velho. Este caminho da igreja tem de ser feito em cada geração, porque senão, temos uma peça de museu.

Esse conservadorismo, chamemos-lhe assim, marcou pontos quando em maio não se celebrou Fátima de santuário aberto, mas a CGTP fazia o seu habitual 1º de Maio na Alameda, em Lisboa?

Cada um faz com os seus valores. Eu acho que aquilo que se disse e que foi a preocupação, e com que nós nos preocupámos também como bispos, foi precisamente o dizer que, aqui, nós temos de participar do drama que se está a viver no nosso povo e no mundo. Deus nunca nos prometeu que iríamos ficar livres das pandemias. Aquela linguagem de que os padres irão beber veneno e não lhes fará mal, caminharão sobre serpentes, etc., etc., é bom não abusar muito disso... agora, o que nós dissemos é que neste momento é preciso, de facto - e não é por falta de fé, é a fé que faz participar do caminho que faz esta sociedade - encontrar um caminho para todos. Nós nunca fechámos a igreja, Fátima não fechou. O que Fátima disse foi que neste momento - e eu em setembro participei - vamos fazer as coisas bem. Era preciso dar um sinal e acho que esse sinal foi dado. O Papa sozinho na Praça de São Pedro teve mais audiência do que aqueles que habitualmente conseguem ir a Roma ou conseguem ir a Fátima. Todos nos sentimos membros de Fátima não estando lá.

Afirma que o celibato dos sacerdotes não é um dogma absoluto nem inquestionável, que não veria mal em haver padres casados dentro da igreja. Parece-lhe que o celibato é a razão maior para a crise das vocações na igreja católica?

Olhe, as outras igrejas que não têm o celibato têm problemas como a igreja católica. Quando se pensa no celibato ou na não obrigatoriedade do celibato, não é a questão do celibato ou não, o celibato é um grandíssimo dom para a igreja. Eu optei por ele e estou satisfeito, não obtenho indeminização, não há problema [risos]. O celibato é um grande dom para a igreja - foi a vida que Jesus viveu, foi a vida que tantos outros e outras viveram e vivem, e vivem com uma grandíssima satisfação. O celibato não é uma renúncia ao amor, também não é uma questão simplesmente de sexualidade. Um padre que não seja capaz de afetos, de carinho, não serve de nada, é para quê se Deus é precisamente isso? Agora, o ter isso e multiplicado ao serviço da igreja, dando essa capacidade de amor precisamente àqueles que mais precisam dela, e alargando-o. Se eu tivesse uma família, evidentemente que teria de ter uma vida também diferente, desde a ocupação do meu tempo, da minha atenção e também dos meus afetos, tinha de ordená-los de outro jeito. Isto tem de ser vivido numa universalidade porque senão pode ser egoísmo. Agora, dizer que este é um dom para a igreja, não significa que é um dom que tem de ser para todos. A igreja viveu 1500 anos sem essa norma e há igrejas católicas que têm padres casados. Portanto isto é uma vivência, não é uma comunhão. Que isso possa vir a ser na igreja católica, foi posto agora como uma possibilidade para a igreja da Amazónia. Agora, estou de acordo que isso se faça em conjunto, tem de ser uma decisão da igreja assumida com toda a maturidade, também para que façamos caminhos juntos, porque isto não é uma questão de uma minoria que virá impor coisas aos outros. Portanto, digo com toda a liberdade, mas também com toda a frontalidade que não vou dar nenhum passo por isso sem que a igreja o faça no seu conjunto.

Diz que seria algo a fazer em conjunto, ou seja, não é a Conferência Episcopal daqui que decide uma coisa contra a dali que decide outra coisa, etc., mas no conjunto dos bispos portugueses vê a sua visão, a sua abertura, partilhada ou, pelo contrário, continua dominante uma visão mais conservadora, fechada?

Não. Eu digo isto como sobre tantos outros temas, eu não creio que haja grande divisão dentro dos bispos portugueses, mas também não quero com isto dizer que seja a visão dos bispos todos. Até porque nesta visão, a análise e a forma têm lugar para muitas coisas. Eu sou o primeiro a dizê-lo.

Defende uma igreja que valorize mais o papel da mulher, que permita - e estou a citá-lo - "alcançar um equilíbrio de poderes que está hoje demasiado concentrado nos homens". É o machismo da hierarquia da igreja católica que tem vindo a impedir esse equilíbrio que defende?

É mais do que isso. Eu acho que é o seguinte: primeiro, quando eu falo nos termos em que o Papa fala, do papel necessário e que já é do ponto de vista do funcionamento da igreja, daquele que conta mais a nível básico da igreja, as mulheres estão maioritariamente presentes - na catequese, nas organizações, nos serviços, nos movimentos, etc.

Não estão é no lugar cimeiro...

Também começam a estar.

Não celebram.

Não celebram. Essa é a tal questão que eu digo que não a tiro de cima da mesa, mas também não é uma questão como a anterior, a do celibato. É mais séria. Isso tem de ser muito discutido na igreja inteira quando se chegar lá e há de se chegar. Não sei se vai ser no meu tempo.

Mas entende que a procura desse equilíbrio, desse reforço do feminino terá de passar, mais tarde ou mais cedo, pela ordenação de mulheres? Sei que reconhece o problema, embora não o coloque no mesmo patamar do celibato dos sacerdotes.

Sim. Acho que isso não é o mesmo tipo de questão, nem creio que aponte por aí a questão que seja o mais útil para o caminho que a igreja tem de fazer. Há na conceção da igreja o ministério ordenado que, neste momento, são bispos e padres - o Papa mandou estudar a questão dos diáconos, pois na igreja antiga fala-se de diaconisas -, mas além disso, o que interessa é dentro da própria igreja termos de redesenhar talvez um pouco mais a questão do ministério do padre e do bispo. Não têm de ser eles que fazem tudo, porque hoje, particularmente, para fazer funcionar bem os serviços de uma comunidade, nós precisamos de mais gente. De onde as mulheres estão excluídas hoje, claramente, é da ordem do sacerdócio, mas o resto tudo podem fazer, e é bom que o façam. Se eu disser que nós temos um conselho económico, que o padre pode até presidir como sinal de unidade de uma comunidade, mas quem toma as decisões é o conselho, que pode até parar uma decisão do padre. Em muitas partes da igreja é assim, eu estive numa paróquia na Alemanha onde quem decidia era o conselho económico, e essa gente sabe como isso tem um grande poder. É aquilo que o Papa está a fazer ao criar organismos na igreja com gente competente em diversas áreas, quando ele fala de uma igreja sinodal - de synodos, caminho em conjunto - está a falar das diversas competências que temos na igreja e em juntá-las para construirmos um caminho juntos. Aí, acho que o feminino tem lugar necessariamente e não precisa de alterações a fazer, precisa só de aplicar realmente aquilo que está-

Vamos falar dos abusos sexuais a menores. As dioceses portuguesas constituíram comissões de controlo. Há uns meses dizia que os casos conhecidos em Portugal não eram muitos, mas admitia que com estas comissões poderia ser revelada uma outra situação. Confirma-se isso ou não, há um aumento de casos ou não na igreja portuguesa?

É muito cedo para o dizer. Até porque, primeiro, isto ainda não entrou bem dentro do vocabulário prático das pessoas para dizer que temos uma comissão à qual nos podemos dirigir. Estamos com cerca de um ano desta decisão e da introdução. Foi dado um limite para a constituição que foi o mês de junho passado. Estas comissões que todas as dioceses têm de formar em primeiro lugar, depois há que dar formações, que já estão previstas também a nível geral do país. Depois há o fornecimento de materiais e de informação. Todas estas comissões são multifacetadas, têm gente desde o direito canónico até à teologia, passando por gente da psicologia, da psiquiatria, do direito, etc. É gente que tem de se encontrar e de encontrar caminhos para isto. O que imporá é que estamos a dar passos nesse sentido. Quanto a casos, se aumentaram ou não, eu não tenho conhecimento neste momento que possa transmitir. Acho que é muito cedo porque estas comissões estão no início, algumas já estão a trabalhar bem porque já havia um trabalho feito, outras estão a começar e, portanto, temos de as deixar desenvolver para vermos onde chegam.

O Parlamento está quase a aprovar a versão final global da descriminalização da eutanásia ou morte assistida. O que espera que o católico convicto, Marcelo Rebelo de Sousa, faça com uma lei destas? Um Presidente da República pode atuar politicamente, independentemente das convicções religiosas que tenha?

A isso só ele mesmo pode responder. O que eu espero é que ele seja honesto nisto. O Presidente da república tem posições que são já definidas na Constituição. Ele tem poderes, mas não são poderes ilimitados. Portanto, mesmo que ele fosse totalmente contra, o parlamento pode superar a contrariedade do Presidente e este tem de, quando chega uma altura destas, jogar dentro do quadro legal e constitucional que tem à sua disposição.

E onde é que entram as convicções dele nesse quadro, nomeadamente as convicções religiosas?

Nós não vivermos numa sociedade que seja perfeita. Eu lembro-me de quando foi a discussão sobre o aborto, que o rei Balduíno da Bélgica demitia-se durante um dia para que a lei fosse aprovada pelo parlamento e ele não tivesse de a aprovar. Mas eu não estou a sugerir nada, nem coisas nenhuma. Isso é uma questão que cada um tem de tomar em sua consciência e que eu não vou nunca pôr em causa porque só cada pessoa dentro de si é que sabe. É a tal coisa, soluções para problemas novos que precisam de ser novas e que têm de ser pensadas com toda a seriedade e com toda a honestidade diante de Deus e diante dos homens, e diante a consciência de cada um. Aquilo que sei do Marcelo Rebelo de Sousa é que é um bom jurista, um bom homem e um bom cristão, portanto, ele vai encontrar a sua solução.

O Papa Francisco vai recebê-lo já no início do próximo ano, dia 8 de janeiro, para conhecer a nova presidência da Conferência Episcopal Portuguesa. D. José, que preocupações vai levar ao Vaticano?

Preocupações e afirmações. Antes de mais, a nossa intenção é estabelecer, a nível da tal presencialidade, um contacto de comunhão com o Papa. Fazê-lo presencialmente. Nós mandamos documentos, mandamos afirmações...

O tal olho no olho que é importante entre os homens, não é?

É importante. Para nós não se trata de um preito de vassalagem, é precisamente aquilo que o Papa disse sobre uma igreja sinodal, que caminha junta. Um dos dogmas fundamentais da igreja é este: a igreja una. Foi a última oração de Jesus com os discípulos, foi precisamente para que seja una. Portanto, para nós, o Papa não é Deus, é Cristo no meio de nós, é o seu sinal, mas se não vivemos esta comunhão entre nós, se não fazemos festa connosco nem partilha entre nós, passa depois por ser outra coisa.

Leva alguma preocupação específica no que diz respeito à igreja católica portuguesa?

Em relação à igreja portuguesa é, antes de mais, dialogar com ele e ouvi-lo também, o que é que ele tem a dizer-nos, mas nós temos algumas coisas para dizer sobre o caminho que estamos a fazer como igreja. Já tocámos aqui em alguns destes pontos importantes - como é que nós vivemos. Também para ele é importante viver connosco, aliás, ele faz isso. De tantos em tantos anos, as conferências episcopais na sua totalidade vão encontrar o Papa. Este é um regime, digamos intermédio porque mudou a Conferência Episcopal. Nós queremos reafirmar isso, dialogar com ele sobre temas como estes, pô-los à sua consideração e dialogar também com os organismos centrais da igreja. Isso, para que esta sinodalidade exista, ainda por cima temos também outro assunto - as Jornadas Mundiais da Juventude. Temos também o relacionamento com outras igrejas, o tema europeu que a nós todos nos diz respeito, e os temas referentes à nossa igreja. Ele lançou-nos alguns desafios, concretamente em relação à catequese, em relação aos jovens, e esses vão ser, certamente, também objeto do nosso encontro.

O conclave, que é o órgão que escolhe os papas, com as entradas e saídas que tem sofrido, já dispõe, no seu entender, hoje de uma maioria capaz de no futuro, na escolha de um novo Papa, não desvirtuar o caminho que o Papa Francisco tem vindo a seguir?

Olhe, às vezes fazemos disso só uma questão de contar as espingardas. Aquilo não é o congresso dos eleitores dos Estados Unidos, é outra coisa.

Menos complicada? [Risos]

Eu acho que sim. Aquilo que ouvimos, em termos simplesmente de opiniões de participantes, é uma questão muito séria. Há aquilo que muitas vezes se fala cá fora, de que quem entra para Papa sai cardeal e que algum dos que entram cardeais sai Papa. Eu não sei, não estou dentro desse contar de espingardas, mas o que sei, isso sim, é que o encontro destas pessoas é feito num ambiente de busca, de escuta do espírito de Deus, da voz de Deus. Isso é, pelo menos, aquilo que eles entram lá para fazer. Esta é a primeira coisa. Depois, sei de alguém que me disse: "Eu entrei com uma ideia e saí com outra". Para fazer um trabalho destes, uma função destas, decisiva para a igreja... Se eu for para um conclave destes, daqueles em que os Estados também entravam, cada um com as suas pressões, para fazer valer as minhas ideias, só temos a luta entre pessoas. Eu sei como é, eu fui eleito para uma comissão de gente vinda de todo o mundo, de tal forma que muitas vezes as pessoas só se conhecem ali. É muito inteligente que quem vai lá, vá na disposição de ouvir, de escutar, de rezar, de meditar e, depois, decidir. É uma escolha que só o próprio pode fazer. Eu acredito que a maioria dos que lá vão, vão com essa intenção de escutar a voz de Deus que fala, e eu estou convencido de que ele fala. É importante para conseguir interpretar quem é a pessoa que Deus quer, neste momento, à frente da igreja, é isso que eu espero que seja.

4.8.20

Filas de fome: Pobreza aumenta e gera onda de sem-abrigo em Setúbal devido à pandemia

Sofia Garcia, in CM

Pedidos de ajuda duplicaram com a pandemia.

O Centro de Apoio aos Sem Abrigo, há nove anos em Setúbal, tem desempenhado um papel fundamental em tempo de pandemia, na cidade.

Com a entrada do vírus no país, a CASA, sigla da instituição, passou também a ajudar famílias para evitar que fiquem também em situação de sem-abrigo.

29.5.20

A pobreza, a doença e o distrito de Setúbal

Diogo Parte, in O Observador

Desde o 25 abril de 1974 que todas as Câmaras no distrito de Setúbal são governadas por socialistas ou comunistas e tudo o que conseguiram foi espalhar pobreza e agora a doença.

O distrito de Setúbal é das regiões da Europa com mais pessoas a viver em barracas. Deixem-me dar-vos três exemplos: as Terras da Costa, na Costa de Caparica; o Bairro do 2ª Torrão, também no concelho de Almada; e o bairro da Jamaica, no concelho do Seixal. Estes são bairros onde as pessoas vivem sem a mínima dignidade e salubridade, sem água canalizada, sem electricidade ou com “puxadas” ilegais, e com esgotos a céu aberto. São apenas três casos entre tantos outros que existem e que os sucessivos responsáveis políticos ignoraram ao longo dos anos. Demasiados anos.

A recente pandemia vem lembrar-nos o que nunca devíamos esquecer: foi o saneamento básico generalizado que permitiu reduzir substancialmente a taxa de mortalidade de muitas doenças, nomeadamente a tuberculose. A infecção por Covid-19 traz-nos agora outros desafios: alguém imagina o que é fazer quarentena a viver numa barraca com mais 10 pessoas?

Chegou a hora de dizer o óbvio, pois desde o 25 abril de 1974 que todas as Câmaras no distrito de Setúbal são governadas por socialistas ou comunistas e tudo o que conseguiram foi espalhar pobreza e agora a doença, sendo o distrito um dos que mais cresce em número de casos de infecção por Covid-19 no país. Não podemos continuar a olhar para o lado e a ignorar a realidade, é imperioso retirar aquelas pessoas daqueles bairros e já o devíamos ter feito há décadas. Não o devemos fazer, apenas, por aqueles que lá vivem, mas por todos. Antes de mais, porque a Constituição que tantos gostam de citar prevê uma habitação digna para todos. Mas também porque, como agora percebemos, trata-se de um problema de saúde pública.

No passado, a criação de bairros sociais criou guetos onde, hoje, a polícia tem dificuldade em entrar e dificultou a integração social dessas comunidades. A resolução deste problema deve passar pela responsabilização das pessoas a realojar, nomeadamente através da obrigatoriedade do pagamento de uma renda, da manutenção do espaço cuidado e limpo, de as crianças do agregado familiar frequentarem a escola. Estas devem ser regras básicas a cumprir por todos que sejam realojados.

Se o socialismo falhou em todo o lado onde foi implementado, caso de Cuba, Venezuela ou Coreia do Norte, porque haveria de resultar no distrito de Setúbal? Não resultou. Somos hoje um dos distritos do país que menos concretiza as inúmeras potencialidades que tem, sobretudo nas áreas do turismo, agricultura e indústria. Somos um distrito pobre, envelhecido e doente. O fecho da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta depois das 20 horas e ao fim de semana é só um dos exemplos de como os habitantes deste distrito estão condicionados no seu acesso à saúde, sendo este também um direito inscrito na Constituição.
O mesmo governo que gastou 15 milhões de euros a comprar publicidade institucional nos meios de comunicação social (e que o Observador não aceitou), é aquele que também diz que é difícil contratar pediatras para o Hospital Garcia de Orta e que o melhor caminho é obrigar os recém-especialistas a ficarem no SNS para pagarem a sua suposta “dívida”.

Deixem-me ser claro: está na altura de, como país, pararmos para reflectir se é este o caminho que queremos seguir. É este o modelo de sociedade que queremos? Não nos podemos resignar à pobreza. No distrito de Setúbal a Iniciativa Liberal tudo fará para apresentar um projecto político capaz de concretizar o desejo de mudança que as pessoas esperam de nós, batendo-nos por uma redução generalizada de impostos, por um seguro público de saúde para todos e por mais investimento no SNS.
É possível outro caminho.


16.4.20

Procura de alimentos em zonas de Setúbal aumenta mais de 50%

Henrique Cunha, in RR

O bispo de Setúbal sustenta que "mesmo que a vida social vá sendo retomada e possamos começar a vencer esta crise, temos de vencê-la com senso, com responsabilidade para permitir que os lugares onde a gente se encontra sejam lugares verdadeiramente de fraternidade".

D. José Ornelas revela que "em alguns lugares, em algumas paróquias, a busca de alimentos subiu mais de 50%". O bispo afirma que "há muita gente a passar privação, em Setúbal e não só", numa alusão a "outros lugares, particularmente onde há muitos emigrantes recentes".

Num breve retrato feito à região, D. José Ornelas lembra a precariedade de emprego e as dificuldades por que estão a passar setores como o do turismo e o da restauração. O bispo refere-se em particular "ao trabalho sazonal que agora falhou de repente". como se pode verificar "na restauraçã, e no turismo que habitualmente contam muita na nossa realidade da península de Setúbal".


Em entrevista à Renascença, o bispo recorda que Setúbal "é uma diocese que já experimentou sucessivas crises nos últimos anos e que também agora já começa a sentir com alguma dimensão" os efeitos da pandemia.

Depois, D. José mostra-se também muito apreensivo com o futuro de muitas das instituições do sctor social. "Nas instituições de solidariedade social temos outro problema que é a própria subsistência destas instituições", afirma o bispo que pergunta: "se as crianças não vêm, os pais vão pagar ou não vão pagar? Estas instituições podem subsistir?". D. Ornelas diz que "elas já viviam com 'a corda no pescoço' do ponto de vista financeiro" e que, por isso, não sabe "quantas na nossa diocese e por esse país fora vão subsistir".

Perante a possibilidade de ser renovado o estado de emergência, D. José Ornelas pede responsabilidade e bom senso, ao mesmo tempo que dá graças a Deus porque "tem havido uma boa adesão" às medidas de confinamento.

"Também da nossa parte, da parte da Igreja, quem é que não gostaria de voltar a ver as nossas igrejas abertas?", é a pergunta lançada pelo bispo que admite que "tudo vai demorar um bocadinho de tempo".

D. José Ornelas sustenta que "mesmo que a vida social vá sendo retomada e possamos começar a vencer esta crise; temos de vencê-la com senso, com responsabilidade para permitir que os lugares onde a gente se encontra sejam lugares verdadeiramente de fraternidade". E, portanto, "vamos tomar as medidas necessárias para que isso seja possível".

24.2.20

Demolição de quinta clandestina deixa dezenas de famílias sem casa

Francisco Alves Rito, in Público on-line

Instituto da Habitação invoca condições de salubridade e segurança para intervenção com “carácter urgente” na Quinta da Parvoíce, em Setúbal. Bispo e padre vão estar hoje ao lado dos moradores.

A informação consta de editais afixados nas casas visadas pelo instituto público e que o PÚBLICO leu no local, na tarde deste sábado. Intitulado “demolição e limpeza de terreno”, um dos editais informa os moradores que devem desocupar o espaço. “Este terreno, propriedade do IHRU, por questões de salubridade e saúde pública, irá ser alvo de um procedimento de limpeza/demolição e de instalação de meios de restrição de acesso ao terreno, a partir de dia 24 de Fevereiro”, lê-se no edital afixado na semana passada.

O outro documento, semelhante, que foi afixado há quase 15 dias, informava que o IHRU “detectou a existência de material combustível e de situações de ocupação e ou de utilização não autorizada de uma área do referido terreno, pelo que irá limpá-lo e proceder à instalação de meios de restrição de acesso ao mesmo no dia 24 de Fevereiro e remover quaisquer bens, produtos ou resíduos nele existentes”.
Este edital dá prazo, até esse mesmo dia, para que os “eventuais interessados” retirem os bens, ou, caso contrário, a manutenção dos bens no terreno será “entendida como uma declaração inequívoca de que aqueles não têm dono ou estão abandonados, tendo o IHRU o direito de lhes dar o destino mais apropriado”.

A parte do terreno objecto desta acção do IHRU é a mais distante da estrada, onde a construção de novas casas é visível, com muitas ainda em tijolo. Mas os moradores garantem que todas estão habitadas e justificam a construção de novas habitações com a falta de alternativas. Na parte mais antiga da Quinta da Parvoíce, junto à entrada principal, não haverá intervenção do IHRU por tratar-se de uma área que está sob tutela da Câmara Municipal de Setúbal.

Bispo de Setúbal ao lado dos moradores
O bispo de Setúbal, D. José Ornelas, vai estar junto aos moradores, esta segunda-feira de manhã, à espera do início da intervenção do IHRU, disse ao PÚBLICO o padre Constantino Alves, que há muitos anos acompanha as famílias residentes neste local. “O senhor bispo estará presente por volta das 9 horas da manhã e eu estarei mais cedo”, assegurou o pároco. Os responsáveis da Igreja em Setúbal pedem uma reunião urgente entre instituto, Segurança Social e autarquias para resolver o problema sem desalojar as pessoas.


Este sábado, o bispo e o padre estiveram no local e prometeram apoiar os moradores, não apenas com a sua presença na segunda-feira, mas também com a análise jurídica de um advogado que irá, com os residentes, tentar encontrar forma de travar as demolições. “Fazer uma coisa destas é desumano. As entidades têm de arranjar soluções, respostas sociais e com tempo”, disse o padre Constantino Alves. O pároco apela às entidades envolvidas para uma reunião “urgente” que permita resolver o problema.

Constantino Alves dá o exemplo da antiga Mecânica Setubalense, em que a actuação concertada permitiu alojar “todos os moradores” noutros bairros da cidade. “Parem e vamos dialogar”, pede o pároco.

Famílias com crianças, doentes e idosos dizem não ter para onde ir
A família Bandeira, que inclui três filhos menores, é uma das que vivem nas casas indicadas para demolição. O pai, João Bandeira, conta que é pedreiro e que já foi motorista de camiões. A mãe trabalha actualmente como cozinheira. “Sou polivalente, já trabalhei na hotelaria e na limpeza”, diz. Segundo o casal, a filha mais velha tem um problema de saúde.
Na parte nova da Quinta da Parvoíce, que o IHRU pretende demolir, vivem, segundo os moradores, 40 pessoas, em 14 casas. São famílias com crianças, um jovem com deficiência, e duas mulheres com doenças oncológicas, uma das quais já com idade avançada.

O grupo que integra a comissão de moradores – Jorge Pimenta, Manuel Caiuca, Kisiso Gabriel Paulo e João Bandeira – reconhece que a construção clandestina tem crescido na quinta, mas diz não haver alternativas. “Há mais casas porque é a carência. Não temos para onde ir e dormir na rua é arriscado”, diz Gabriel Paulo. Outro membro recorda que “também ninguém veio proibir a construção até hoje”. Jorge Pimenta, representante dos moradores, depois da afixação dos editais, foi a Lisboa, à sede do IHRU, mas “ninguém soube dar resposta”.

O padre Constantino diz que, pelo facto de as casas serem clandestinas, não podem ter ligação de electricidade, água e saneamento, pelo que são feitas “puxadas”, para contar que há seis meses a Águas do Sado cortou o abastecimento. Entretanto, após intervenção da paróquia e da Cáritas Diocesana, atendendo à dignidade humana, a ligação da água foi restabelecida pela empresa. “Sem água como é que as crianças tomam banho para irem à escola?”, pergunta Gabriel Paulo.


3.12.15

Associação do bairro da Belavista, em Setúbal, denuncia casos de fome

Ana Luísa Rodrigues, Mário Piteira, Mário Santos, Pedro Pessoa, in "RTP"

O Centro Cultural Africano afirma que há pessoas com fome no bairro da Belavista, em Setúbal. 25 famílias perderam o apoio alimentar do centro porque faliram os restaurantes que doavam as refeições.

2.12.15

Jornalista setubalense ganha prémio nacional de voluntariado

In "O Setubalense"

A jornalista setubalense Helena de Sousa Freitas foi distinguida, por unanimidade do júri, com o Prémio “Os Nossos Heróis”, iniciativa nacional da Associação Mutualista Montepio e da revista Visão destinada “a pessoas e empresas que se destaquem na sociedade pela sua veia solidária” e na qual os candidatos são propostos por terceiros. O galardão foi entregue na quinta-feira passada por Mercedes Balsemão, no auditório do Montepio, em Lisboa, no âmbito da “Grande Conferência Visão Solidária e Montepio”.

Com um percurso de voluntariado iniciado aos 15 anos e que passou por diversas organizações e projectos de índole ambiental, Helena Freitas foi distinguida pela sua iniciativa mais recente, o GARRRBAGE – Grupo de Acção pela Recolha, Reabilitação e Reutilização de Bens Aproveitáveis – Gerações Ecologistas, que funciona no Bairro da Bela Vista, em Setúbal. Prestes a celebrar um ano de existência, o GARRRBAGE surgiu por proposta da jornalista no âmbito do 2.º Encontro de Moradores “Nosso Bairro, Nossa Cidade”, promovido pela Câmara Municipal de Setúbal, que acolheu e apoiou a iniciativa desde o início.

O GARRRBAGE tem por objectivo resgatar e recuperar bens de que as pessoas se descartam um pouco por toda a cidade, nomeadamente junto dos contentores do lixo e ecopontos, mas que ainda podem ter uma “segunda vida”. O projecto dispõe actualmente de uma ofi cina num dos pátios da Bela Vista e de uma loja no Mercado 2 de Abril, ambas a funcionar em regime de voluntariado.

Para escolher o “Herói do Ano”, o júri avaliou “a qualidade das obras ou realizações do candidato, o impacto da sua acção na sociedade portuguesa, a superação dos limites anteriormente alcançados por acções semelhantes e o potencial que o projecto do candidato tem de ser replicado”.

Helena Freitas descobriu o interesse pelo voluntariado quando frequentava a Escola Secundária do Viso (actual ES 2,3 Lima de Freitas), com a criação do Clube do Ambiente, Saúde e Biologia naquele estabelecimento de ensino. Posteriormente, integrou o núcleo local da Quercus, a Caprosado – Comissão Ambiental Proteger o Sado, o clube juvenil CultuNatura e participou no programa Jovens Voluntários para a Solidariedade (JVS), do Instituto Português da Juventude. Foi ainda co-fundadora do GISA – Grupo de Acção e Sensibilização Ambiental. Já distinguida nas áreas académica, jornalística, literária e cinematográfi ca, Helena de Sousa Freitas recebeu agora, pela primeira vez, um prémio pela sua acção cívica.

30.11.15

Município desafia parceiros da Rede Social a aproveitarem verbas comunitárias

in Setúbal na Rede

Os novos programas e medidas de combate à pobreza e inclusão estiveram em destaque nesta edição do fórum


O presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Amaro, apelou aos parceiros que integram a Rede Social de Palmela para que se envolvam na apresentação de projectos, para rentabilizar da melhor forma as verbas comunitárias que o município já conseguiu captar no âmbito do Pacto de Desenvolvimento e Coesão Territorial, já aprovado na Área Metropolitana de Lisboa. O desafio foi lançado durante a sessão de abertura do VII Fórum Social de Palmela, que decorreu na quinta-feira, na Biblioteca Municipal de Palmela, com o tema “A figura de Janus aplicada à Rede Social: dos percursos firmados aos novos espaços de confluência”.

Álvaro Amaro lembrou que, no âmbito do Pacto de Desenvolvimento e Coesão Territorial, “o município conseguiu um fundo cativo para projectos a definir e a executar até 2020”, mas “não quis municipalizar todos os projectos e respostas e tem também esta bolsa reservada para que parceiros no território possam recorrer a ela”.

O presidente deu como exemplo o PRIA – Percursos em Rede na Inclusão Activa, um projecto supramunicipal, juntamente com as câmaras de Setúbal e Sesimbra, no domínio da saúde e bem-estar, “onde os parceiros da rede também são fundamentais na sua concretização”. Para além disso, referiu que “outras candidaturas estão previstas no domínio do emprego, da inovação, do empreendedorismo, da qualificação e formação profissional e da educação, com especial ênfase nas medidas que possam conduzir à redução do abandono escolar e na requalificação do próprio parque escolar”. “Está dado o primeiro passo, o da captação de verbas, será agora fundamental concretizar projectos e, para isso, contamos com os parceiros da rede”, desafiou.

Nesta edição do Fórum Social, o debate centrou-se nas redes colaborativas, na governação integrada e nos novos programas e medidas de combate à pobreza e inclusão, designadamente, os Programas Escolhas, os Contratos Locais de Desenvolvimento Social, as Redes Locais para a Intervenção Social e as Estratégias de Desenvolvimento Local de Base Comunitária.

O presidente do Conselho Local de Ação Social de Palmela, Adilo Costa, considera que estes diferentes instrumentos e programas “configuram, seguramente, oportunidades para que as organizações ampliem a sua intervenção, chegando com mais e melhores respostas e meios a mais pessoas e famílias que necessitem delas”. Por isso, defendeu que “importa tirar o melhor partido destas iniciativas e programas” e que é “fundamental a articulação entre todas estas respostas e entre todos os seus interlocutores, as diferentes IPSS’s, as comunidades, todas as associações, os organismos da administração central e local e os demais agentes sociais, para que Palmela seja, efectivamente, mais inclusiva, mais coesa, com mais e melhores oportunidades para todos”.

19.11.15

Mães à espera da Segurança Social. Subsídios atrasados em Lisboa, Setúbal e Aveiro

in RR

Contactado pela Renascença, o sindicato dos trabalhadores da Segurança Social sublinha que a situação deve-se à escassez de pessoal nos serviços.

Há mães sem subsídio de parentalidade devido a atrasos no pagamento, que estão a ser frequentes sobretudo nos distritos de Lisboa, Setúbal e Aveiro. Os serviços garantem estar a fazer tudo para responder de imediato, mas há mães que continuam sem qualquer apoio do Estado.

Três meses e meio depois de ter sido mãe, Madalena ainda não recebeu um cêntimo do subsídio a que tem direito. “Já fui lá bastantes vezes, todos os dias telefono ou mando email”, conta. Esta semana, a insistência junto da Segurança Social parece ter dado finalmente resultado.

“Recebi um email a dizer que tinha de esperar pelo processamento de Novembro, a partir de dia 23”, diz. Madalena conseguiu uma data, mas não uma justificação para o atraso.

Não é caso único. De todas as vezes que se deslocou à Segurança Social, encontrou outras mulheres na mesma situação. Tem amigas que passaram pelo mesmo. “Uma delas recebeu em Outubro e teve o bebé em Junho, e para ela foi mais complicado porque como não deu de mamar, tinha de comprar o leite”, exemplifica.

No caso da Madalena, a situação não é tão difícil porque o bebé mama e o marido trabalha. Mesmo assim, o rendimento não chega. Valem-lhe as poupanças que fez ao longo dos últimos cinco anos.

“Fiz uma conta onde ia pondo dinheiro todos os meses. Nunca mexi, mas infelizmente nestes meses tenho tido necessidade de recorrer a esta conta.”

Romina enfrenta uma situação mais complicada. À falta de subsídio junta-se o atraso no pagamento da baixa do marido. “Neste momento só mesmo recorrendo à família que pode ajudar. O marido está a trabalhar, acontece que teve direito aos 20 dias úteis da licença exclusiva do pai e também esteve em casa, portanto estamos à espera da licença da parte dele.”

Romina foi mãe há dois meses e a única coisa que sabe, nesta altura, é que vai ter de esperar. Mais recentemente e face à insistência, falaram-lhe de uma data. Mas ainda é, apenas, uma previsão. “Dizem que a autorização poderá ocorrer na segunda semana de Dezembro.”

Romina e Madalena são duas mães, entre muitas outras, à espera do subsídio de parentalidade que substitui o ordenado nos meses de licença de parto.

Em entrevista à Renascença, a presidente do conselho directivo do Instituto de Segurança Social, Ana Clara Birrento, reconhece que a situação assume contornos problemáticos em Lisboa, Setúbal e Aveiro: “Lisboa pela dimensão, e depois sabemos que em Aveiro e Setúbal há algumas situações de atraso. Estamos a falar de 10, 15 dias em termos de ilação de tempo”, aponta.

Contactado pela Renascença, o sindicato dos trabalhadores sublinha que a situação deve-se à escassez de pessoal nos serviços da Segurança Social.