Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias
Gripe pode ser uma das causas. Baixas por doença também subiram em 2009
Baixas de curta duração pedidas por trabalhadores para tratar um familiar doente quase que triplicaram no ano passado face a 2008 e ao mesmo ritmo a que eram tratadas mais pessoas com sintomas de gripe. Também cresceram baixas por doença.
Com o final do Verão, disparou o número de baixas para assistência a familiares doentes, sobretudo as passadas por uma semana, o tempo de descanso geralmente recomendado em caso de gripe, revelam os dados do Ministério do Trabalho.
Até Outubro, a Segurança Social registava uma média de pouco mais de dois mil casos por mês. Mas, em Novembro, 4.600 pessoas entraram com uma baixa para ajudar um familiar doente. Foi também nesse mês que se deu um pico no atendimento de pessoas com sintomas de uma gripe (já então as autoridades de saúde não faziam testes para comprovar se se tratava da variante A ou da comum). Em Novembro, foram tratadas mais de 88 mil "engripados", de acordo com a Direcção-Geral de Saúde. Em Dezembro, os números baixaram: foram tratadas 19 mil pessoas com sintomas de gripe e deram entrada 2.860 baixas para assistência à família.
No total, no ano passado, a Segurança Social processou quase 29 mil baixas de uma semana para ajudar familiares doentes, quase o triplo das perto de 11 mil do ano anterior. Se a essas se juntarem as baixas mais longas, sobe para 77 mil o número de baixas deste tipo.
Também as baixas médicas de curta duração aumentaram. Olhando para os meses de frio - Novembro e Dezembro, já que Outubro conheceu uma temperatura amena - vê-se que as baixas médicas duplicaram face ao sucedido no ano anterior: nos dois meses, 21 mil trabalhadores foram para casa doentes (mas aqui o pico deu-se em Dezembro). No global do ano, foram pedidas 177 mil baixas de uma semana, mais um quinto (19%) das interpostas no ano anterior.
A gripe A é a culpada?
O forte aumento das faltas ao trabalho para ajudar familiares doentes ou por a própria pessoa ter adoecido coincide com os números de pacientes com sintomas de gripe, levando a acreditar que existe uma relação entre eles. Mas deve-se ressalvar que os dados oficiais não o permitem garantir taxativamente.
É que o atestado ou declaração que se entrega à Segurança Social e à entidade empregadora para justificar faltas para cuidar de um familiar doente, como por exemplo um filho, só diz que se trata de uma ajuda "inadiável e imprescindível", sem especificar o problema em causa. Também os atestados médicos não dizem que doença justifica a baixa, salvo raras excepções.
Mas é público que os casos de infecção se multiplicaram com a vinda do frio e, à medida que aumentaram ou diminuíram os casos de pacientes com sintomas de gripe tratados pelo Serviço Nacional de Saúde, também oscilou o número de baixas.


