Por Paulo Miguel Madeira, in Jornal Público
A inflação deve regressar a terreno positivo mas moderado
O Banco de Portugal projecta agora um crescimento de 0,7 por cento da economia portuguesa este ano e uma aceleração para 1,4 por cento em 2011, bem como a continuação do aumento do endividamento este ano e no próximo, de acordo com os números divulgados hoje no seu Boletim Económico de Inverno.
Este valor representa um avanço significativo do ritmo da actividade económica face ao recuo do PIB de 0,6 por cento que constava na sua projecção anterior para 2010, há seis meses, no Boletim de Verão. O valor para 2011 é uma primeira projecção.
O aumento do endividamento previsto está reflectido na balança corrente e de capital, que em 2009 foi negativa em 8,2 por cento do produto, prevendo-se um agravamento em 2010 e 2011 para respectivamente 9,8 e 11,3 por cento do PIB. A balança de bens e serviços também deverá tornar-se mais negativa.
Relativamente a 2009, mantém-se a projecção de um recuo de 2,7 por cento do PIB que tinha sido antevista no boletim de Outono, em alta face ao valor de -3,5 por cento avançado no Boletim de Verão da instituição. Mas entretanto o país regressou ao crescimento no segundo e terceiro trimestres e a situação alterou-se.
Para o valor do ano passado contribuiu de forma muito significativa o recuo do investimento (-11,7 por cento face a 2008, quando pesou 21,7 por cento no PIB), e também a procura interna (-3,2 por cento em 2009), compensada parcialmente pelas exportações líquidas (0,5%).
Quanto à inflação, projecta-se que regresse a terreno positivo mas moderado: 0,7 por cento este ano e 1,6 em 2011, de acordo com o índice harmonizado europeu, depois de em 2009 ter ficado em -0.9 por cento.
A melhoria das perspectivas do banco central face ao andamento da economia não constitui novidade, pois a instituição já tinha sinalizado que isso deveria acontecer, não se sabendo contudo em que ordem de grandeza.


