Catarina Craveiro, in Jornal de Notícias
Inflação média de 2009 fixou-se em -0,8%. Aumentos, em média mais ténues, para 73 produtos
Os preços praticados no mercado nacional caíram, em média, 0,8% ao longo de 2009, o que compara com uma subida de 2,6% em 2008. Cinquenta descidas de preço, por vezes de grande amplitude, para 73 subidas percentualmente mais ténues.
De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), excluídos os preços dos produtos alimentares não transformados e energéticos, a taxa de inflação média foi de menos 0,4% no ano passado, comparativamente à subida de 2,4% verificados em 2008. Em Dezembro, a variação homóloga dos preços foi negativa em 0,1%, superior em 0,5 pontos percentuais à observada em Novembro. A variação mensal, face a Novembro, teve sinal positivo, com os preços médios a subirem em época da corrida às compras de Natal 0,1%.
Após a divulgação dos dados da inflação feita ontem pelo INE, o JN analisou os produtos que mais variaram de preço, excluindo algumas categorias que se sobrepõem ou repetem. Num contexto de inflação média negativa, a maioria dos preços deveriam ter caído. No entanto, isso não se verifica, mas a verdade é que as percentagens de quebra são bastante superiores às percentagens de subida. Entre os 73 produtos que mais aumentaram de preço estão as cantinas, a cerveja e a electricidade (ver infografia). Já as explicações para as descidas de 50 produtos são complexas…
Os preços de equipamentos informáticos apresentam uma quebra de 15,2%. Gabriel Coimbra, responsável da IDC Portugal, consultora de que realiza estudos, planeamento estratégico e marketing em tecnologias de informação, explicou ao JN que os preços foram pressionados pela diminuição da procura de equipamentos tradicionais e pela introdução de equipamentos mais baratos, como o notebook e o Magalhães. "A boa aceitação destes produtos fez com que o número de vendas destes portáteis aumentou, o que fez com que o preço médio tenha diminuído".
Ainda a classe dos combustíveis sofreu ao longo do ano uma queda de 13,7%, à custa das oscilações do preço do petróleo nos mercados internacionais. O custo com as férias também baixou. Viajar em 2009 esteve ao alcance de todos, pois para fazer face à actual situação económica, os operadores turísticos viram-se obrigados a reduzir o valor das viagens e a oferecer pacotes com preços atractivos. Também na hotelaria houve uma adaptação à redução do consumo, o que fez com que as férias organizadas tenham diminuído o preço em 10,8%.
Os preços do vestuário caíram 7,6% no último ano. Na origem dos preços baixos está o recurso a países asiáticos, onde os têxteis são mais baratos, e a falta de encomendas. Segundo Alexandre Pinheiro, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário, esta retracção é comum aos bens de consumo em geral e provocada pela actual crise económico-financeira. "O abaixamento dos preços deve-se à falta d encomendas e ao recurso a mercados do oriente, onde os têxteis são mais baratos", afirmou ao JN. "Os preços mais baixos são bons para os consumidores, mas são gravosos para as empresas que estão a pôr no mercado produtos com preços abaixo da produção, o que poderá levar a mais despedimentos no sector".
Os bens alimentares também ficaram mais baratos. Contas feitas, o preço do peixe caiu 8,9%, o leite, queijo e ovos embarateceram 6% e as frutas e legumes reduziram o seu valor em 4,4%.


