6.1.10

Clima económico e confiança dos consumidores recuaram em Dezembro

Por Paulo Miguel Madeira, in Público On-line

A confiança dos consumidores caiu pelo segundo mês consecutivo


Os indicadores de clima económico e de confiança dos consumidores do Instituto Nacional de Estatística (INE) recuaram em Dezembro, o que confirma a tendência já detectada em Novembro de interrupção do ciclo de subidas iniciado na Primavera, depois de terem atingido os seus mínimos históricos durante o auge da crise internacional.

O indicador de clima económico recuou ligeiramente, para -0,5, depois de em Novembro ter sido de -0,4, tal como em Outubro, sobretudo devido à indústria transformadora. A confiança dos consumidores apresentou por seu lado uma queda mais significativa, de -27,4 em Novembro para -30,0 em Dezembro.

A confiança dos consumidores caiu já pelo segundo mês consecutivo, depois de em Outubro ter sido de -27,0, interrompendo a forte subida que teve desde o seu mínimo, no pico da actual crise. Está no entanto ainda muito acima do seu mínimo de -51 em Março do ano passado, mas ainda bastante abaixo quer da média da série (-17,6), iniciada em Junho de 1985, quer do seu valor máximo (4,0, em Novembro de 1987).

A componente da confiança dos consumidores que teve o maior recuo no mês passado foi a das perspectivas sobre a situação económica do país nos próximos 12 meses.

Indicador de clima económico a meio gás

O valor do indicador de clima económico está também substancialmente acima do seu mínimo de Abril do ano passado (-3,0), mas ainda muito abaixo do seu valor médio de 2,0, desde que começou a ser calculado, em Janeiro de 1989, e cujo primeiro valor, de 5,0 nunca voltou a ser alcançado.

O recuo do mês passado verificou-se em quase todas as suas componentes, à excepção da construção civil, que estabilizou face a Novembro, mas a um valor muito baixo (-45,5) e não muito distante do seu mínimo de -54,3 em Abril de 2003 e do valor de Dezembro de 2008 (-46,2).

A componente do clima económico em que houve uma maior queda foi a relativa à confiança da indústria transformadora, que deu um tombo de -17,7 em Novembro para -21,7 em Dezembro (tinha atingido o seu mínimo em Fevereiro do ano passado, com -35,2). A confiança nos serviços e no comércio registou descidas ligeiras.

O INE calcula estes indicadores a partir de inquéritos qualitativos de conjuntura, realizados junto de vários sectores, com uma amostra total de mais de quatro mil empresas, e dos consumidores.