Luísa Pinto, in Jornal Público
Durante 2009 foi declarada a falência de mais 410 empresas do que aquelas que viram o fim da sua actividade decretada judicialmente em 2008 - um aumento de 49 por cento face ao ano anterior. O total de empresas que deram entrada com processos de insolvência em 2009 ascendeu a 4450, tendo 1251 delas concluído o processo com insolvência declarada.
Os dados foram divulgados ontem pela Coface, no estudo anual de insolvências e constituições de empresas publicadas em Diário da República, e ajudam a dar novos contornos à crise económica que atravessa o país. Para além do aumento de falências, também o número de empresas que iniciou a actividade ficou-se pelas 30.412, menos 15 por cento face a 2008.
Os pedidos de falência de empresas que são requeridos por terceiros - geralmente instituições financeiras e fornecedores - continuam a ter o maior peso relativo nas acções que deram entrada nos tribunais, mas nota-se que essa tendência está a diminuir. Aliás, as acções de apresentação à insolvência colocadas pelas próprias empresas para tentarem obter um Plano de Insolvência ou para os accionistas limitarem as suas responsabilidades, dispararam no ano passado 50 por cento - 1467 casos. No ano de 2008, a apresentação à insolvência pela própria empresa já havia crescido 68 por cento em 2008, face ao ano anterior.
Em termos de incidência por distrito, as falências são maioritárias nos casos em que o tecido empresarial é mais forte, com os distritos do Porto e de Lisboa à cabeça. Mas, se ponderados os valores com o respectivo tecido empresarial de cada distrito verifica-se que o caso de Braga foi o mais afectado, assegurando, 15,6 por cento do total das falências decretadas em 2009.


