6.1.10

Fundação ADFP “rema contra a maré"

in Diário de Coimbra

Concurso para unidade hoteleira, uma das apostas para a Quinta da Paiva, é lançado no Verão


Instituição vai comemorar Ano Internacional da Biodiversidade e do Combate à Pobreza e à Exclusão Social com investimentos que aumentem a diversidade botânica e o número de trabalhadores excluídos e portadores de deficiência, para além da construção de um hotel.

A Quinta da Paiva, propriedade da Fundação ADFP, vai receber importantes investimentos este ano relacionados com a biodiversidade e o combate à pobreza e exclusão social, anunciou ontem o presidente da instituição, Jaime Ramos.

Um dos grandes objectivos passa por aumentar o número de espécies e raças animais presentes no Parque Biológico da Serra da Lousã e na Quinta Biológica, infra-estruturas que empregam, na sua esmagadora maioria, pessoas vítimas de exclusão ou portadoras de deficiências físicas ou mentais.

Ainda no Parque Biológico – que integra um Centro Hípico, com hipoterapia e equitação adaptada e um labirinto de árvores de fruto – a Fundação ADFP pretende criar as condições para texugos, corços e morcegos, e conseguir autorização legal para o lobo e o lince.

Ao nível da botânica, pretende criar nos terrenos periféricos do parque uma mata com folhosas, plantar um arboreto representativo de flora nacional, dinamizar a parte da micologia (cogumelos), melhorar o roseiral com mais variedades e aumentar o número de plantas frutíferas e melíferas.

Jaime Ramos enumerou ainda a melhoria do fluviário existente com a colocação de mais espécies de peixes com prioridade para as espécies da bacia hidrográfica do Mondego e a criação de um espaço para anfíbios e répteis.

Na Quinta da Paiva trabalham actualmente 70 pessoas, 90 por cento das quais são vítimas de exclusão ou sofrem de deficiência, mas o número deve aumentar este ano com o início da construção de um hotel, do futuro Museu de Miranda e de uma adega para produzir vinho a partir das uvas provenientes das vinhas da instituição.

A unidade hoteleira terá capacidade para 80 pessoas, com quartos para visitantes com deficiência, e deverá custar, segundo Jaime Ramos, cerca de dois milhões de euros. Neste momento estão fase de conclusão os projectos de especialidades, devendo o concurso ser lançado no Verão.

Para além do Parque Biológico e da Quinta Pedagógica, a Quinta da Paiva comporta actualmente um ecomuseu e oficinas de artesanato ao vivo, onde os artesãos são pessoas com deficiência ou doença mental, o Museu Restaurante da Chanfana.

«É um importante projecto de combate à pobreza com integração laboral de pessoas com deficiência e doença mental», destaca o presidente da Fundação ADFP, salientando que a sustentabilidade do Quinta da Paiva/ Parque Biológico da Serra da Lousã (que recebeu em 2007 o 1º Prémio Nacional do European Enterprise Awards/ Prémio de empreendedorismo)) «depende de conseguirmos captar visitantes e atrair turistas à região».

Jaime Ramos sublinha ainda que «o projecto, ao incentivar a biofília e a paixão pela natureza e ao apostar na criação de postos de trabalho para pessoas com necessidades especiais, promove a necessidade de se valorizar a biodiversidade e o combate à pobreza».
«Portugal não vive um período económico favorável aos novos investimentos e, por isso, sabemos que estamos a remar contra a corrente», frisa o médico que lidera a instituição há mais de duas décadas.