in Jornal de Notícias
OMS alerta para o aumento desta realidade no Mundo e regista preocupação com África e Ásia
Segundo a Organização Mundial de Saúde, nascem anualmente no Mundo 13 milhões de prematuros. Portugal registou, em 2008, 1025 abaixo das 1500 gramas e das 32 semanas; e 170 bebés no limiar da viabilidade, isto é, entre as 24 e as 25 semanas.
Dos 13 milhões de prematuros que nascem anualmente no Mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 11 milhões nascem em África ou Ásia.
De acordo com o boletim da OMS, estes 11 milhões nascem em regiões onde não há condições nem acesso a cuidados eficazes. O relatório alerta para o facto de um bebé com dois quilos e menos um bocadinho, ou com 32 semanas, não ter grandes hipóteses de sobreviver num país em desenvolvimento. Num país desenvolvido um bebé com 32 semanas tem uma probabilidade de sobreviver quase igual à de um bebé de fim de tempo e, numa larga percentagem, sem sequelas para a sua vida. Um bebé com 32 semanas em África ou na Ásia enfrenta dificuldades bem maiores que um bebé que nasce no limiar da viabilidade num qualquer país desenvolvido.
O estudo da OMS regista que 10% dos nascimentos mundiais acontecem antes de 37 semanas de gestação, período considerado prematuro. A taxa chega a 17,5% no sul da África.
Esta agência da ONU diz que o nascimento de bebés prematuros continua a ser um grave problema de saúde, se se tiver em conta o crescente aumento nos últimos 20 anos. Avisa esta agência que melhorar o acesso a cuidados efectivamente eficazes, em especial nos países em desenvolvimento, tem que continuar a ser uma prioridade.
Ainda não há estatística relativa ao ano de 2009, "mas os números não serão muito diferentes", garante Hercília Guimarães, directora do Departamento de Neonatologia do Hospital de S. João, no Porto. Uma coisa é certa: em Portugal, a prematuridade tem vindo sempre a aumentar nos últimos 30 anos. Se há três décadas 5% destes bebés estavam abaixo das 32 semanas (ainda que já depois do limiar da viabilidade), hoje são já 7%.
A causa mais verificada, dizem os médicos, são as infecções assintomáticas. "É a infecção bacteriana ou vírica", explicou Hercília Guimarães. Uma placenta inflamatória ou uma infecção urinária podem espoletar as contracções do parto. Mas a prematuridade é multifactorial: uma doença crónica na mãe pode constituir risco.
Além das causas mais verificadas, temos os factores de risco sobre os quais nem sempre se pode provar cientificamente que estiveram na origem de um parto antes do tempo. São eles o stresse, a falta de condições, a poluição, uma gravidez antes dos 18 anos ou depois dos 35 anos. A inseminação artificial é outro risco.
Portugal é um bom exemplo
Mas se a prematuridade tem aumentado, tem diminuído o número de mortes por prematuridade. A mortalidade tem descido drasticamente, mesmo nos que nascem quase no limiar da viabilidade. E podem viver sem sequelas.
Até aos anos 80 a realidade era tão diferente que os bebés que precisavam de ventiladores morriam. Foi na década de 80 que um grupo de especialistas se juntou e começou a investigar sobre as condições existentes nos hospitais portugueses; bem como a elaborar relatórios de tudo aquilo que era necessário. "Os hospitais começaram a ser dotados dos equipamentos necessários. Foi um grande avanço", contou esta médica.


