in Jornal de Notícias
Seres humanos
O tráfico de pessoas não se reduz à prostituição, à violência de género e à imigração irregular, segundo as conclusões do X Encontro de Agentes Sócio-pastorais das Migrações, que terminou em Fátima.
"Há tráficos consoante a forma de exploração: migrantes irregulares para trabalho, pessoas exploradas sexualmente, crianças subjugadas por familiares para a adopção, seres humanos para o comércio de órgãos e crentes manipulados para fins religiosos, uma realidade emergente", lê-se.
Segundo a organização do encontro, "na última década, muitos dos grupos de trabalhadores imigrantes chegados a Portugal do Leste Europeu de forma maciça e irregular foram vítimas de tráfico". A iniciativa da Obra Católica Portuguesa de Migrações, da Cáritas Portuguesa, da Agência Ecclesia e da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal não esquecemos portugueses traficados.
"As pessoas vítimas do tráfico passam por um processo de recrutamento, transferência, uso de formas de coerção, fraude ou engano, abuso do poder e aproveitamento da vulnerabilidade social", acrescenta o documento, enquanto o director da Obra das Migrações, Francisco Sales, alertava que muitos conventos religiosos que "estão às moscas" podem ser usados para a assistência e acolhimento a vítimas.


