Fernando Basto, in Jornal de Notícias
Festa custa, em média, 22 mil euros para 120 convivas, fora as viagens exóticas em moda.
O vestido já não é branco e o fato até pode ser vermelho. A aliança é mais grossa e leva assinaturas. A boda é numa quinta ou mosteiro. Anima-se a festa com um "dj" e, depois, vai-se para as Maldivas. Casar já não é como era. E tudo por mais de 25 mil euros.
A indústria do casamento - melhor dito, as 45 actividades diversas que giram à volta da organização de uma boda - está bem e recomenda-se. Entre os muitos profissionais que estão, desde ontem e até amanhã, na Exponoivos - 16.ª Feira de Serviços e Preparativos para o Casamento, na Exponor, em Matosinhos, existe a ideia de que a crise afectou alguns casais. Contudo, a procura do luxo e da organização de uma festa inesquecível continua a ser o objectivo dos noivos.
"Nota-se que o poder de compra caiu. Mas quem pode procura sempre fazer uma festa em grande", disseram, ao JN, Ana Cardoso e Miguel Silva, gerentes de uma empresa dedicada à organização de festas de casamento.
E, seguindo a lei do mercado consumista, a indústria do casamento dita modas. Casar, hoje, já é bem diferente do que era há 15 anos atrás.
Tudo começa pela vestimenta. João Soares, de 22 anos, é um jovem estilista, recém formado, premiado na edição anterior da "Exponoivos". Agora, apresenta no certame a sua própria criação em vestidos de noiva. "O estilo tradicional, acabou. Agora os cortes são mais sensuais e extravagantes. E a cor do vestido já é cinza claro ou prata", explicou. Preço médio? Numa loja, entre 800 e 900 euros, mas das mãos de um estilista nunca por menos de 3000 euros.
Para o noivo, a feira reserva surpresas arrojadas. Fatos vermelho e até cor de rosa, ou casaco e calça de cores diferentes. As cores tradicionais também se usam, mas com cortes inovadores.
Casamentos gay à vista
A boda requer, hoje em dia, uma quinta ou - ainda mais "in", segundo Ana Cardoso - um mosteiro. Os noivos fazem-se transportar em limusines brancas. Até o bolo da noiva já não é o que era. Agora, o doce principal é uma composição artística de um conjunto de mini-bolos individuais.
António Brito, director da Exponoivos, realça que a indústria do casamento é cada vez mais inovadora e exuberante. "Hoje, os noivos casam-se mais tarde do que há 15 anos. Podem pagar, pois já têm outro poder de compra".
No stand de Ana Cardoso e Miguel Silva existem, discretamente, bandeiras coloridas símbolo da comunidade gay. "É um nicho de mercado à vista, mas não temos nenhuma oferta especial para os casais gays, pois isso seria uma forma de discriminação", realçaram os empresários.


