8.1.10

Os pobres e o dinheiro!

por Alexandre Medeiros, in A União

A União Europeia dedica o ano de 2010 à luta contra à pobreza e à exclusão social!

Sou de opinião que o tema é pertinente e actual, merecendo a mais elevada atenção de todos os elementos da sociedade europeia – governos, estruturas comunitárias, instituições e cidadãos devem reunir esforços a fim de levar a cabo esta justa cruzada contra todas as formas de pobreza e descriminação.

É preciso que todos os habitantes do Velho Continente se sintam em casa e se consideram artífices na construção duma Europa de Justiça e de Paz.

Todavia, não se pode esquecer, que na União Europeia tem havido um evidente esforço no combate contra a pobreza e a exclusão social – as políticas sociais vão permitindo que o pão chegue a muitas mesas e que inúmeras famílias, sem recursos financeiros, vejam cumprido o legítimo direito a uma habitação condigna.

Educação, Saúde, Desenvolvimento local e Agricultura são outras áreas onde muito se tem investido no espaço europeu – vemos as nossas freguesias rurais dotadas de centros comunitários, de renovadas escolas e de assistência médica e social.

Mesmo assim – e apesar de todo este caminho já percorrido – a pobreza continua a ser uma chaga fétida no seio de uma Europa que se quer moderna e civilizada! Segundo dados do Comissário Europeu para os Assuntos Sociais, 17% dos habitantes da União vivem no limiar da pobreza – vítimas do desemprego, da segregação social e duma atitude política que endeusou o progresso económico.

Ante este cenário, sou de opinião que o combate contra a pobreza deve travar-se com as armas da educação para os valores humanos e na promoção do respeito pelas diferenças étnicas, religiosas e pessoais de cada um dos cidadãos europeus.

Urge construir uma Europa que tenha como base uma ética humanista, onde se respeite a pluralidade de opções e que seja capaz de as integrar num projecto comunitário: aquilo que une os cidadãos deve ser mais forte do que as circunstâncias passíveis de os magoar ou dividir.

A Europa sairá vencedora desta luta contra a pobreza, se tiver a coragem de se libertar do mito dum desenvolvimento que apenas contempla o aumento dos dígitos na conta bancária.

Há que combater a pobreza promovendo a educação cultural dos povos europeus – a cultura, nas suas diversas vertentes, é basilar na formação do indivíduo e caminho necessário para a sua integração na comunidade.

A par do apoio financeiro, necessário enquanto não conseguem trabalhar, os pobres europeus precisam de sentir-se em casa e de tomar consciência que são filhos e irmãos da grande Família Europa!

Numa palavra, os milhões previstos para sanear a pobreza, só terão efeito prático se eles se converterem numa porta aberta para que os pobres possam integrar a civilização europeia como membros de pleno direito.