12.1.10

Sindicatos exigem aumento de salários

in Jornal de Notícias

A cerca de duas semanas da apresentação do Orçamento de Estado, a Frente Comum e o STE pressionam o Governo com vista à obtenção de aumentos salariais. Os dados mostram que as remunerações têm perdido peso na despesa e em percentagem do PIB.

"Não aceitamos a invocação da crise, crise do capitalismo, da qual os trabalhadores não têm responsabilidade, como justificação para o empobrecimento dos mesmos (...). O aumento o poder de compra dos trabalhadores é fundamental para promover o consumo interno e, assim, o desenvolvimento da economia nacional.", lê-se no comunicado ontem emitido pela Frente Comum dos sindicatos da Função Pública.

O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) emitiu, também ontem, um comunicado em que, tal como a Frente Comum, não faz qualquer reivindicação concreta (em percentagem) de actualização salarial para o sector. No entanto, o STE não deixa de tentar demonstrar com números oficiais do Governo que a despesa do Estado até pode estar a crescer, mas as remunerações não serão as culpadas.

Até Novembro de 2009, a despesa da administração central em aquisição de bens e serviços correntes já atingiu mais de 8 mil milhões de euros, correspondendo a um aumento de 8% face ao período homólogo (+1% registado no ano de 2008), 87% dos quais correspondente aos fundos e serviços autónomos devido sobretudo à empresarialização dos hospitais. O STE sublinha ainda que o peso dos salários no bolo das despesa do Estado diminuiu para 17,5% até Novembro de 2009 (19,2% em 2006).

Prémios sob suspeita


O Ministério das Finanças admitiu ontem responsabilizar disciplinarmente funcionários e dirigentes do Estado caso se confirmem indícios de atribuição ilegal de prémios de mérito em 2008, adiantando estarem a decorrer auditorias para apurar eventuais irregularidades nas avaliações. A Inspecção-Geral das Finanças (IGF) iniciou auditorias a 14 serviços e organismos do Estado, acrescentou. As consequências podem passar pela reposição de quantias indevidamente auferidas e a consequente responsabilização disciplinar.