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13.9.17

Mais de um terço dos estudantes deixa o secundário antes de o terminar

Samuel Silva, in Público on-line

Portugal é o país onde este indicador é mais elevado, revela o relatório anual da OCDE Education at a Glance.

Se a taxa de conclusão deste nível de ensino for medida dois anos depois do final previsto, Portugal aumenta para 61% o número dos alunos que conseguem terminá-la, mas continua bastante abaixo da média internacional, que é de 75%.

Resumindo, as contas da OCDE são estas: 61% dos estudantes acabam o secundário em cinco anos; 4% ainda estão, ao fim de cinco anos, inscritos nas escolas, a tentar terminar; 35% desistem sem ter conseguido. Esta é a percentagem mais elevada de abandono sem finalização do ensino secundário que é registada na OCDE, sublinha o Education at a Glance. A média dos países avaliados é de 21%.

O caso de Portugal merece referência especial no relatório anual do organismo internacional, juntamente com o Chile, que tem um problema semelhante. “Nestes países, o atraso na conclusão do ciclo de estudos pode ser um sinal de que há estudantes que estão a ficar para trás e a correrem risco de abandono."

Esta realidade tem um impacto negativo no acesso destas pessoas ao mercado de trabalho. A taxa de desemprego para a população entre os 25 e os 34 anos é de 9% para quem termina o ensino secundário, diz a OCDE. Para quem não tem esse nível de ensino terminado, sobe para 17%.

O caso português tem uma outra especificidade. Ao contrário da generalidade dos países, são os programas vocacionais aqueles que têm maior sucesso a garantir que os estudantes obtêm um diploma do ensino secundário. Enquanto a taxa de conclusão dos que entram em programas gerais (cursos científico-humanísticos) é de 59%, no ensino profissional o indicador sobre para 64%. Só Israel (onde a taxa de conclusão para os estudantes das vias vocacionais é de 92%) tem uma tendência semelhante à nacional.


Estes números foram recolhidos em 2015 e dizem respeito a população em idade de frequentar o ensino secundário — 15 aos 20 anos. Portugal consegue, todavia, um resultado muito mais positivo quando são analisadas as taxas de conclusão do ensino secundário para a população com 25 anos.

Entre 2005 e 2015, o número dos que finalizaram este nível de ensino aumentou 32 pontos percentuais em Portugal, passando de 50 para 82%. Foi o aumento mais elevado de toda a OCDE. Só um outro país se aproxima deste registo, a Turquia, onde o número de graduados aumentou 20 pontos percentuais.

O alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos teve outro efeito: Portugal teve também o maior crescimento de estudantes de 18 anos inscritos no sistema de ensino na última década — o indicador contabiliza todos os que frequentam o ensino secundário, a formação pós-secundária não superior e o ensino superior. Entre 2005 e 2015, o número dos jovens que estudam nesta idade cresceu 15 pontos percentuais, situando-se agora nos 82%, acima da média da OCDE (75%).

Portugal entre os oito países que não tem crianças de 2 anos no pré-escolar

Samuel Silva, in Público on-line

Indicadores do país estão acima da média entre os 3 e os 5 anos. Investimento público no sector é inferior ao dos parceiros.

Portugal continua a investir menos do que os seus parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) na educação pré-escolar. Ainda assim, consegue ter indicadores de número de inscritos no sistema de ensino entre os 3 e os 5 anos acima da média internacional, mostra o Education at a Glance deste ano. O país escapa também à tendência internacional de começar o pré-escolar logo aos 2 anos e é um dos oito que não tem crianças desta idade a aprender.
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Os dados do relatório anual da OCDE mostram que a oferta a partir dos 2 anos é generalizada. Em média, 39% das crianças dos países que compõem aquele organismo internacional estão já inscritas no sistema de ensino. Nos países do Norte da Europa, a cobertura é praticamente universal. Na Islândia, 95% das crianças de 2 anos estão no ensino pré-escolar, ao passo que na Noruega e Dinamarca são 91%.

Em sentido contrário, Portugal não tem nenhuma criança de 2 anos no ensino pré-escolar. Só há mais sete países na mesma situação: Irlanda, Letónia, Suíça, Turquia, EUA, Canadá e Arábia Saudita.

O investimento do país neste sector fica também abaixo da média. Portugal canaliza 0,6% do seu Produto Interno Bruto para o pré-escolar, ao passo que a média da OCDE são 0,8%. A proporção do investimento nacional em educação pré-escolar que é assegurada por verbas públicas também é desfavorável a Portugal: O Estado assegura 66% do dinheiro do sector, menos 16 pontos percentuais do que a média. O relatório aponta também que cerca de metade (47%) das crianças portuguesas frequentam oferta privada de educação pré-escolar.

Ainda assim, de acordo com o relatório, a aposta do país no pré-escolar teve efeitos positivos a partir dos 3 anos. O aumento da participação no ensino pré-escolar aumentou “consideravelmente ao longo da última década”, sublinha a OCDE, na análise que faz de Portugal a partir do Education at a Glance. Entre 2005 e 2015, o número de inscritos aos 3 anos aumentou de 61 para 79% e, aos 4 anos, de 84 para 90%. Em ambos os casos, isto significa taxas superiores à média da OCDE – que é de 78 e 88%, respectivamente. Aos 5 anos, a taxa de cobertura nacional chega aos 97%. A média fica três pontos percentuais abaixo.

Os dados do Education at a Glance dizem respeito a 2015. Desde então, o Governo abriu mais 170 salas de ensino pré-escolar, 70 das quais no ano lectivo que está a começar. O objectivo do Governo é que a cobertura de rede pré-escolar seja total para todas as crianças de 3 anos até ao final da Legislatura.

Ensino profissional resolve insucesso no secundário? Governo e antecessores acham que sim

Samuel Silva, in Público on-line

Mais de um terço dos estudantes deixa o secundário antes de o terminar, revela relatório anual da OCDE. Governo aposta no ensino profissional onde Portugal se distingue por conseguir bons níveis de sucesso.

Metade dos alunos nacionais não consegue completar o ensino secundário no espaço de três anos e 35% deixa a escola, dois anos depois, sem esse diploma. O retrato de um país com problemas de sucesso e abandono no último nível da escolaridade obrigatória é traçado no Education at a Glance, o relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que foi publicado esta terça-feira. Em reacção ao estudo, o Governo aponta o ensino profissional como o caminho para responder ao problema. E dois ex-ministros da Educação concordam com essa opção.

O relatório da OCDE mostra que em nenhum outro país há tantos alunos a desistir do ensino secundário sem o completarem como em Portugal. Cinco anos após o início dessa formação, 35% dos estudantes deixam as escolas sem um diploma. A média internacional é de 21%.

A conclusão do ensino secundário “continua a ser um desafio significativo” para Portugal, lê-se nesta avaliação internacional. Apenas metade dos estudantes que entram nesse nível de educação consegue completá-lo em três anos, a duração esperada (o secundário começa no 10.º ano e prolonga-se até ao 12.º). Nos restantes países, em média, 68% dos alunos terminam o secundário dentro do período previsto.

A reacção do Ministério da Educação aos resultados do Education at a Glance ficou a cargo do secretário de Estado João Costa, que, à margem de uma visita à escola Francisco Arruda, em Lisboa, por ocasião do arranque do ano lectivo, sublinhou que o abandono elevado no ensino secundário e baixas taxas de conclusão são realidades com “muitos anos”.

O governante apontou o ensino profissional como o principal instrumento para responder a esses problemas, lembrando que este ano foi feito um reforço na rede e definidos novos critérios para a abertura de cursos deste tipo. João Costa apontou ainda um trabalho que está a ser feito com os psicólogos escolares para melhorar os instrumentos de orientação vocacional como uma medida que poderá ter efeitos positivos. A intenção é “garantir que os alunos escolhem o ensino profissional como uma via de sucesso e não como via secundária”.

Há uma especificidade sublinhada no relatório da OCDE. Ao contrário do que acontece na generalidade dos países, são os programas vocacionais aqueles que têm maior sucesso a garantir que os estudantes portugueses obtêm um diploma do ensino secundário. Enquanto a taxa de conclusão dos que entram em programas gerais (cursos científico-humanísticos) é de 59%, no ensino profissional o indicador sobre para 64%. Só Israel (onde a taxa de conclusão para os estudantes das vias vocacionais é de 92%) tem uma tendência semelhante à nacional.
PÚBLICO -
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“Não tenho dúvida que a diversificação das escolhas, com o profissional e o vocacional, contribuiu para oferecer aos jovens alternativas para prosseguir os estudos”, sublinha ao PÚBLICO Nuno Crato, que foi ministro da Educação (num Governo de PSD e CDS), entre 2011 e 2015.
“Fez-se o que havia a fazer”

Apesar do insucesso e abandono no ensino secundário, Portugal melhorou bastante quando se analisa o indicador “população com 25 anos com o secundário”. Entre 2005 e 2015, o número dos que finalizaram este nível de ensino aumentou 32 pontos percentuais — passando de 50% para 82%.

Maria de Lurdes Rodrigues foi a ministra da Educação no início desse período (Governo do PS, entre 2005 e 2009) e recorda que, quando iniciou funções as taxas de abandono e insucesso escolar eram “absolutamente dramáticas”. Na altura, defende, “fez-se o que havia a fazer”. Ou seja, a oferta profissional foi alargada às escolas secundárias públicas, criando uma resposta “para as expectativas de parte dos alunos”.

O problema continua, ainda assim, a ser “gravíssimo” reconhece a socióloga do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, que defende mudanças na relação entre o secundário e o ensino superior como forma de responder às baixas taxas de conclusão do ciclo. Por um lado, era necessário que os exames de conclusão do secundário “deixassem de estar subordinados ao acesso ao ensino superior”, defende Maria de Lurdes Rodrigues. Por outro, era necessário criar vias de acesso diferenciadas para os diplomados com os cursos profissionais, que neste momento são sujeitos a um esforço “desmesurado” para se prepararem para exames com matérias que não tiveram se quiserem entrar numa licenciatura, expõe.

Nuno Crato concorda com esta visão. “Uma das características importantes do sistema tem de ser a da permeabilidade de vias. Por exemplo, um jovem que termine uma via profissional deve poder prosseguir estudos superiores se o pretender”, sustenta, recordando a criação dos cursos técnicos superiores profissionais — formações de dois anos exclusivamente ministradas no ensino politécnico — durante o seu mandato como forma de resposta a estes alunos.

Jovens que não trabalham nem estudam no top 6 da OCDE

Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

e acordo com o Education at a Glance, no grupo dos 15 aos 29 anos temos 20,8% de "nem-nem". Em 2000 eram 11%

Em 2016, mais de um em cada cinco jovens portugueses dos 15 aos 29 anos (20,8%) não trabalhava nem estudava. O indicador consta do relatório Education at a Glance, da OCDE, e pode ser considerado surpreendente a vários níveis.

Desde logo, por aparentemente contrariar outros estudos sobre os "nem-nem" portugueses - ou NEET, de acordo com a terminologia oficial - e outros indicadores recentes favoráveis relativos ao desemprego jovem e taxa de escolarização. Mas também por colocar o país com a quinta taxa mais elevada da OCDE - apenas abaixo de Itália, México, Espanha, França e Grécia - e que representa quase o dobro dos valores nacionais no ano 2000, em que estes se situavam nos 11%.

A explicação aparente está nos adultos entre os 25 e os 29 anos, os quais - apesar de considerados nesta relatório da OCDE - não costumam constar de outros indicadores relativos aos jovens. Nomeadamente no desemprego jovem, que abrange dos 15 aos 25 anos e já está abaixo dos 23%, em Portugal, depois de ter atingido um pico de 38% em 2013; ou dos mesmos NEET mas para a faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Ainda no final de agosto, o Eurostat divulgou dados relativos aos jovens dos 18 aos 24 que não trabalham nem estudam em que Portugal surgia com uma taxa de 12%, em linha com a média da OCDE. No final de 2016, o país tinha mesmo chegado aos 11,5%, merecendo elogios da comissária europeia do emprego, Marianne Thyssen.

Afinal, mostram os dados da OCDE, Portugal continua com um problema muito sério de jovens sem ocupação. E não parecem restar dúvidas de que o foco está claramente centrado na faixa dos 24 aos 29 anos.

"Isso com certeza tem a ver com o alargamento de classe etária que eles consideram [face às medições habituais até aos 24 anos]", diz ao DN o sociólogo Elísio Estanque, confirmando que "todos os outros dados que temos tido são de redução do emprego e de sucesso escolar. A explicação seria um agravamento rápido de desemprego a partir daqueles que terminam o estudo: Com 24 anos, a maioria dos jovens saíram da universidade e dos institutos superiores".

Portugal continua a ter uma das taxas de abandono escolar precoce - maiores de 24 anos que não concluíram o secundário nem estão a estudar - das mais altas da OCDE: 35% para uma média da OCDE de 21%. Mas a própria organização elogia no estudo os progressos registados a esse nível, dando ênfase à aposta no profissional e vocacional.

O próprio relatório da OCDE demonstra que a "causa" das elevadas percentagens de "nem-nem" não está do lado da Educação. No mesmo período, entre 2000 e 2016, em que os jovens portugueses nessa situação passaram de 11% para 20,8%, a taxa dos que estavam a estudar cresceu dos 36,5% para os 43,3. A questão está na descida, nesse período, dos que estavam empregados, que passaram de 52,6% em 2000 para apenas 35,9% em 2016.

Mas como comprovar que é apenas uma pequena franja de jovens desempregados - entre os 25 e os 29 anos - que está a ditar as preocupantes médias nacionais? O DN confrontou, ao final da tarde de ontem, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) com as conclusões da OCDE.

Apesar de não ter respondido às questões, por não ter tido tempo de analisar os métodos do estudo internacional, este organismo enviou ao DN um quadro do Inquérito ao Emprego, do Instituto Nacional de Estatística, com a distribuição, em três grupos etários, dos jovens dos 15 aos 34 anos que não estavam a estudar nem a trabalhar. Os dados, não sendo inteiramente esclarecedores, deixam algumas pistas. No total, no segundo trimestre deste ano, existiam 241 900 nestas condições. Destes, quase 151 mil estavam na faixa etária dos 25 aos 34. Mais do dobro daqueles - entre os 20 e os 24 anos - que costumam ser citados quando se fala em "nem-nem".

Elísio Estanque aponta algumas críticas ao método da OCDE. Nomeadamente o facto de "combinar dois grupos muito distintos: os 15 aos 24, a grande maioria dos quais a estudar, e os 24 aos 29". No entanto, admite que, mesmo com estas ressalvas, "os números são preocupantes. Numa altura em que a escolaridade está a aumentar e o desemprego a descer, deixam-nos perplexos", assume.