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10.3.21

Zonas rurais são as que têm mais jovens que não estudam nem trabalham

Samuel Silva, in Público on-line

Proporção de jovens que não estuda nem trabalha é superior nestas regiões devido à fragilidade dos tecidos económicos e a fenómenos como o abandono escolar. Tendência cresceu nos últimos cinco anos, aponta estudo europeu coordenado pelo Iscte.

A proporção de jovens que não estudam nem trabalham (conhecidos como “nem-nem") é maior em zonas rurais do que em cidades ou zonas medianamente urbanizadas. Esta população está mais exposta à fragilidade da economia destes territórios e a fenómenos como o abandono escolar precoce ou a mobilidade, que acentua os problemas de desertificação, conclui um relatório coordenado pelo Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, no âmbito de um projecto europeu de investigação.

A tendência da década que é analisada por este estudo foi de diminuição da proporção de jovens que não estuda nem trabalha. Este indicador baixou de 13,1% para 9,5% no período avaliado (2009-2019). Esta evolução não foi, porém, contínua. Na primeira metade da década, a percentagem de “nem-nem” foi subindo, como consequência da crise financeira, tendo atingido o pico em 2013. Nesse ano, 17,1% da população entre os 15 e os 29 anos estava inactiva.

Desde então, tem-se assistido a uma inversão, com o número de “nem-nem” a recuar. O que esta investigação coordenada pelo Iscte mostra é que esta recuperação não foi igual em todos os territórios. Nas áreas rurais onde, em 2009, havia uma proporção de jovens que não estudam nem trabalham semelhante à que era verificava nas cidades (13,3%), o indicador situa-se agora bem acima do que acontece em todas as outras zonas do país.

Nas zonas rurais havia 11,5% de jovens inactivos em 2019. Quando se considera a totalidade do território nacional, a proporção de “nem-nem” é de 9,5%. Nas cidades, o número está um pouco abaixo (9,2%). O melhor registo é verificado nas zonas que os investigadores classificam como “suburbanas” (8,8%). O relatório usa o indicador do Eurostat que considera “suburbanas” zonas de densidade intermédia, como Bragança ou Ponte Delgada, ou seja, “núcleos urbanos, com uma área rural muito significativa à sua volta”, explica Francisco Simões, investigador que coordena o projecto. As zonas periféricas das grandes cidades são consideradas como cidades.

A proporção de “nem-nem” “é maior nas áreas rurais em todas as classes etárias para as quais há dados disponíveis”, sublinha o relatório nacional que resulta desta investigação, que foi publicado no final do ano passado. Este fenómeno “revela desigualdades territoriais no acesso a oportunidades de emprego e educação, tornando os jovens de certos territórios mais vulneráveis ​​a tornarem-se NEET” (a sigla internacional usada para identificar o fenómeno), lê-se ainda no documento.

Este Observatório NEET em espaço rural é um projecto de investigação financiado pela União Europeia e que envolve mais de 40 parceiros em todo o continente. A rede é coordenada a partir de Portugal pelo Iscte. Os dados de que partem os investigadores eram conhecidos e são publicados todos os anos pelo Eurostat, mas é a primeira vez que são sistematizados para o período de uma década.

A investigação permitiu identificar “factores de risco” que expõe os jovens a caírem numa situação em que não estudam nem trabalham, explica Francisco Simões, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social do Instituto Universitário de Lisboa. O primeiro destes factores é a fragilidade das economias das regiões rurais, uma tendência que é também observada em Itália, Espanha, Bulgária e Roménia. Será publicado, em breve, um relatório final que cruza os dados dos diferentes países integrantes do projecto.

Outro factor também comum às periferias europeias e que ajuda a explicar o fenómeno NEET em espaço rural são os níveis elevados de abandono escolar precoce. Apesar de “Portugal ter vindo a melhorar de forma mais acelerada do que os outros países” neste indicador, aponta Simões, este continua a ser uma questão premente em zonas rurais.

O investigador do ISCTE acrescenta ainda à equação a fácil mobilidade dos jovens, que expõe as áreas rurais a taxas mais elevadas de “nem-nem”. “Os jovens mais qualificados destas zonas vão embora, enquanto os menos qualificados ficam. Têm mais dificuldades em sair e estão condenados à precariedade”, explica. “Ficam, muitas das vezes, com as oportunidades que restam”.

Os dados mostram também que, apesar de existir uma tendência geral para que o número de “nem-nem” seja superior nas zonas rurais, esta acentuou-se em Portugal a partir de 2015. Nos últimos três anos houve até uma ligeira inflexão na diminuição da proporção de jovens inactivos nestes territórios, ao mesmo tempo que o número continuou a cair em todas as outras áreas.

Francisco Simões considera que este é ainda um efeito da crise do início da década. Muitos dos jovens que, durante esse período optaram por não sair das zonas rurais, acabaram “por fazê-lo assim que tiveram recursos”. Ao mesmo tempo, “o mercado de trabalho continua a degradar-se nestes territórios”, especialmente em “sectores tradicionais que tiveram dificuldades de adaptação no pós-crise e não conseguiram criar novas oportunidades de trabalho para jovens”, avalia o investigador.




11.9.18

Mais de 15% dos jovens portugueses não estuda nem trabalha

in TSF

Um em cada sete jovens adultos não estuda nem trabalha, de acordo com um estudo da OCDE.

No ano passado, 15,2% dos jovens entre os 18 e os 24 anos que viviam em Portugal estavam classificados como "nem-nem", uma expressão que designa aqueles que deixaram de estudar, mas também não estão a trabalhar. O relatório "Education at a Glance 2018", coloca Portugal em 10.º lugar de uma lista de 31 países da OCDE.

De acordo com o relatório divulgado esta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a situação em Portugal é mais grave do que a média registada na OCDE (14,5%) assim como nos países da União Europeia (14,3%).

Os turcos, os italianos e os gregos são quem mais se destaca pela negativa, com cerca de um em cada quatro jovens desocupados: Turquia (31,1%), Itália (26,6%) e Grécia (23%).

Na lista dos 10 países mais problemáticos aparece ainda o México (22,1% dos jovens), a Espanha (20,9%), o Chile (21,1%), a França (18,7%), Israel (16,7%) e a Coreia (16,7%).

Olhando para os restantes jovens naquela faixa etária que viviam em Portugal no ano passado, a maioria estava a estudar (54,4%) e 30,4% a trabalhar.

O documento revela ainda um aumento dos alunos que prosseguem os estudos depois de terminado o ensino obrigatório: no ano passado 34% dos jovens estava no ensino superior, o que representa mais 13 pontos percentuais em relação à situação vivida uma década antes, em 2007.

No entanto, estes números continuam muito aquém da média da OCDE (uma diferença de 10 pontos percentuais), segundo os dados disponibilizados no relatório.

Também ainda não foi atingida a média no que toca ao investimento no ensino superior (em 2015, representou 1,3% do PIB, enquanto a média da OCDE é de 1,5%), refere o documento, que sublinha o desinvestimento no ensino superior que diminuiu cerca de 12% desde 2010.

Nos últimos anos, os países da OCDE têm feito uma aposta nas ciências, tecnologia, engenharias e matemáticas, uma realidade a que não escaparam os estudantes portugueses que procuram cada vez mais estas áreas de estudo.
Também são cada vez mais os estrangeiros que escolhem Portugal como destino para estudar: entre 2013 e 2016 o número de estudantes internacionais aumentou 36%. Há dois anos, havia já 20 mil estrangeiros a frequentar instituições de ensino superior portuguesas, com destaque para os brasileiros (32%) e os espanhóis (cinco por cento).

Cada vez mais, os portugueses querem prosseguir os estudos lá fora, tendo-se registado um aumento de 19% em apenas três anos, sendo o Reino Unidos e a França os destinos mais procurados.

13.9.17

Jovens que não trabalham nem estudam no top 6 da OCDE

Pedro Sousa Tavares, in Diário de Notícias

e acordo com o Education at a Glance, no grupo dos 15 aos 29 anos temos 20,8% de "nem-nem". Em 2000 eram 11%

Em 2016, mais de um em cada cinco jovens portugueses dos 15 aos 29 anos (20,8%) não trabalhava nem estudava. O indicador consta do relatório Education at a Glance, da OCDE, e pode ser considerado surpreendente a vários níveis.

Desde logo, por aparentemente contrariar outros estudos sobre os "nem-nem" portugueses - ou NEET, de acordo com a terminologia oficial - e outros indicadores recentes favoráveis relativos ao desemprego jovem e taxa de escolarização. Mas também por colocar o país com a quinta taxa mais elevada da OCDE - apenas abaixo de Itália, México, Espanha, França e Grécia - e que representa quase o dobro dos valores nacionais no ano 2000, em que estes se situavam nos 11%.

A explicação aparente está nos adultos entre os 25 e os 29 anos, os quais - apesar de considerados nesta relatório da OCDE - não costumam constar de outros indicadores relativos aos jovens. Nomeadamente no desemprego jovem, que abrange dos 15 aos 25 anos e já está abaixo dos 23%, em Portugal, depois de ter atingido um pico de 38% em 2013; ou dos mesmos NEET mas para a faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Ainda no final de agosto, o Eurostat divulgou dados relativos aos jovens dos 18 aos 24 que não trabalham nem estudam em que Portugal surgia com uma taxa de 12%, em linha com a média da OCDE. No final de 2016, o país tinha mesmo chegado aos 11,5%, merecendo elogios da comissária europeia do emprego, Marianne Thyssen.

Afinal, mostram os dados da OCDE, Portugal continua com um problema muito sério de jovens sem ocupação. E não parecem restar dúvidas de que o foco está claramente centrado na faixa dos 24 aos 29 anos.

"Isso com certeza tem a ver com o alargamento de classe etária que eles consideram [face às medições habituais até aos 24 anos]", diz ao DN o sociólogo Elísio Estanque, confirmando que "todos os outros dados que temos tido são de redução do emprego e de sucesso escolar. A explicação seria um agravamento rápido de desemprego a partir daqueles que terminam o estudo: Com 24 anos, a maioria dos jovens saíram da universidade e dos institutos superiores".

Portugal continua a ter uma das taxas de abandono escolar precoce - maiores de 24 anos que não concluíram o secundário nem estão a estudar - das mais altas da OCDE: 35% para uma média da OCDE de 21%. Mas a própria organização elogia no estudo os progressos registados a esse nível, dando ênfase à aposta no profissional e vocacional.

O próprio relatório da OCDE demonstra que a "causa" das elevadas percentagens de "nem-nem" não está do lado da Educação. No mesmo período, entre 2000 e 2016, em que os jovens portugueses nessa situação passaram de 11% para 20,8%, a taxa dos que estavam a estudar cresceu dos 36,5% para os 43,3. A questão está na descida, nesse período, dos que estavam empregados, que passaram de 52,6% em 2000 para apenas 35,9% em 2016.

Mas como comprovar que é apenas uma pequena franja de jovens desempregados - entre os 25 e os 29 anos - que está a ditar as preocupantes médias nacionais? O DN confrontou, ao final da tarde de ontem, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) com as conclusões da OCDE.

Apesar de não ter respondido às questões, por não ter tido tempo de analisar os métodos do estudo internacional, este organismo enviou ao DN um quadro do Inquérito ao Emprego, do Instituto Nacional de Estatística, com a distribuição, em três grupos etários, dos jovens dos 15 aos 34 anos que não estavam a estudar nem a trabalhar. Os dados, não sendo inteiramente esclarecedores, deixam algumas pistas. No total, no segundo trimestre deste ano, existiam 241 900 nestas condições. Destes, quase 151 mil estavam na faixa etária dos 25 aos 34. Mais do dobro daqueles - entre os 20 e os 24 anos - que costumam ser citados quando se fala em "nem-nem".

Elísio Estanque aponta algumas críticas ao método da OCDE. Nomeadamente o facto de "combinar dois grupos muito distintos: os 15 aos 24, a grande maioria dos quais a estudar, e os 24 aos 29". No entanto, admite que, mesmo com estas ressalvas, "os números são preocupantes. Numa altura em que a escolaridade está a aumentar e o desemprego a descer, deixam-nos perplexos", assume.

27.6.17

Estratégia para sinalizar jovens que não trabalham nem estudam apresentada hoje

in Diário de Notícias

O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) apresenta hoje, em Lisboa, a estratégia nacional de sinalização de jovens que não trabalham, não estudam nem frequentam qualquer formação profissional.

Segundo o IEFP, integradas na iniciativa europeia 'Make The Future, Today', serão promovidas, até junho de 2018, diversas ações com vista a acelerar o acesso dos jovens - entre os 15 e os 29 anos - às várias respostas de combate ao desemprego e inatividade.

A Garantia Jovem é um programa europeu de resposta à inatividade e ao desemprego jovem, que tem como principal objetivo proporcionar aos jovens entre os 15 e os 29 anos que não se encontrem a estudar nem a trabalhar, uma oportunidade para apostar na sua qualificação e estar em contacto com o mercado de trabalho, no prazo de quatro meses após a inscrição no 'site' ou nos seus parceiros.

Em Portugal, o programa é coordenado e implementado pelo IEFP, tendo sido criado pelo Governo português em 2013, após uma recomendação da União Europeia.
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Num contexto de crise internacional, em que um grande número de jovens que não estava nem a trabalhar nem inserido no sistema educativo e formativo, o Conselho da União Europeia recomendou aos Estados-membros que fosse criada uma "Garantia para a Juventude".

Portugal decidiu alargar a faixa etária até aos 29 anos considerando que tinha, à data, uma taxa de desemprego jovem superior à média da UE.

No total, segundo dados do Instituto do Emprego, o programa já recebeu mais de 25 mil pedidos, com uma taxa de resposta superior a 90%.

Segundo os últimos dados do INE (1.º trimestre de 2017) existem 175.900 jovens até aos 30 anos que não estudam, não trabalham, nem frequentam formação profissional.

Destes, 108.300 são desempregados, ou seja, efetuam de forma regular diligências de procura ativa de emprego.

Por outro lado, 67.500 jovens não estudam, não trabalham, nem frequentam formação profissional e, por regra, não procuram respostas nestes domínios.

A Garantia Jovem trabalha com uma rede de 1.500 parceiros, que no terreno contribuem para a sinalização e atendimento dos jovens mais "afastados do sistema".

Com o objetivo de sinalizar os jovens inativos, "afastados do sistema formal de educação, formação e emprego", Portugal contou com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para o desenvolvimento de um trabalho de caracterização desse público e definição de uma estratégia integrada de sinalização e apoio aos jovens NEET não registados no serviço público de emprego.