por Susana Lúcio, in Sábado on-line
A Associação de Pais da Escola Básica do Parque das Nações apresentou um relatório sobre a má qualidade das refeições à Câmara de Lisboa. A autarquia reconhece o problema
Os pais dos alunos da Escola Básica do Parque das Nações, em Lisboa, não querem que os filhos continuem a comer as refeições fornecidas por catering há quase sete anos. Queixaram-se à Câmara Municipal e uma mãe até já apresentou uma solução.
Há muito que as crianças da Escola Básica do Parque das Nações se queixam das refeições que lhes são fornecidas ao almoço. Mesmo antes da polémica criada pela foto de um frango assado cru, tirada numa cantina escolar e que colocou em causa a qualidade das refeições escolares, já os alunos da escola se queixavam aos pais que não conseguiam comer o que lhes era oferecido.
Refeições servidas em recipientes de plástico
Em Outubro do ano passado, a nova direcção da associação de pais conseguiu autorização para visitar a cantina e provar a comida. O resultado foi publicado num relatório que foi entregue à Câmara Municipal de Lisboa.
"A fraca adesão na hora das refeições, o desespero em que algumas crianças me vinham solicitar ajuda para lhe dar outra comida que não aquela e a quantidade de comida não ingerida foi um cenário real e preocupante", escreveu Mariana Barardo, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Parque das Nações (APEPN), no relatório.
Crianças não comem na escola
Na visita, Mariana Barardo verificou aquilo que o filho já lhe tinha dito: a sopa é servida fria numa tigela de plástico, o prato principal – nesse dia bacalhau com batata, cenoura, grão e feijão-verde cozidos – foi servido num recipiente de esferovite e estava "empapado" em água e a refeição não sabia bem.
"O sabor em geral não carecia das características normais e sentia-se um leve sabor a plástico", pode-se ler no Relatório sobre Avaliação Alimentar na EBPN.
O documento foi seguido por uma carta de reclamação, que incluia outros problemas na escola, enviado para a autarquia, Ministério da Educação e outras entidades, incluindo os partidos com assento parlamentar, e que foi assinado por 217 dos 300 pais.
A escola não tem cozinha e a cantina está instalada em dois contentores pré-fabricados que são temporários há sete anos. "A escola só tem um terço do projecto construído e por isso não tem as condições que deveria ter", explica a presidente da APEPN.
Por essa razão, as refeições são fornecidas por catering e distribuídas em recipientes de plástico que preocupam os pais.
"No entanto, muito embora as práticas de higiene e salubridade estejam a ser cumpridas, numa comunidade escolar de crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 12 anos que se encontram em pleno desenvolvimento, apresentamos a nossa preocupação sobre estas embalagens por acreditarmos serem prejudiciais para a saúde das mesmas", lê-se no relatório.
Mas, segundo a Direcção do Departamento da Educação, não há outra forma de fornecer as refeições por não haver cozinha na escola.
Câmara de Lisboa reconhece má qualidade das refeições
A APEPN foi recebida pela câmara, que se comprometeu a resolver a questão. "Os pais e as crianças não estão satisfeitos com a qualidade e quantidade das refeições e têm razão. O catering é a pior das soluções", admitiu à SÁBADO Ricardo Robles, vereador da Educação e Áreas Sociais, do Bloco de Esquerda.
O vereador garantiu que a primeira prioridade é a conclusão da escola, adiada há quase sete anos. "Marquei reunião com o Ministério da Educação e o Parque Escolar para ver como está o processo de ampliação da escola. Essa é a nossa prioridade."
Desesperados pelas queixas dos filhos, uma das mães da Escola Básica do Parque das Nações tomou a iniciativa de apresentar uma solução para melhorar as refeições escolares.
"O projecto passa pelas refeições serem confeccionadas na Escola Infante D. Henrique, que não faz parte do agrupamento, mas faz parte da Junta de Freguesia, e que já aceitou confeccionar as 300 refeições", explica Mariana Barardo.
As refeições seriam depois transportadas pela Junta de Freguesia até à escola básica.
Solução aceite pela autarquia
O projecto já foi apresentado na câmara mas ainda não há datas para a sua implementação. "Há três semanas reuni-me com o presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações que se dispôs a colaborar. Há uma solução a ser estudada. Não existem obstáculos a esta solução, é uma questão de timing", assegura Ricardo Robles.
Segundo o vereador, a autarquia está disposta a assinar um contrato de delegação de competências com a junta e alocar fundos para que seja possível a aquisição de um meio de transporte adequado ao transporte das refeições.
"Falei ontem com o presidente da junta de freguesia que me garantiu estar a recolher a informação – que viatura comprar, as condições especiais que deve ter – para apresentar a proposta", disse o vereador.
Os pais querem maior rapidez. "Temos de acelerar o processo porque são as crianças que todos os dias enfrentam o problema. Algumas chegam a fugir para o recreio para não almoçarem", conclui Mariana Barardo.
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19.1.18
24.4.15
“Preocupa número de crianças com fome”
Por A.P., C.S., in Correio da Manhã
Presidente da Cáritas comenta crise em Portugal e na Europa.
Correio da Manhã – O que se conclui da crise em Portugal?
Eugénio da Fonseca – Dois pontos muito preocupantes: o aumento da exclusão, pobreza social e infantil e o aumento da taxa de desemprego de longa duração. A União Europeia portou-se connosco com falta de solidariedade. Fomos massacrados.
– Como explica os números da taxa de pobreza infantil?
– É preocupante o número de crianças que chegam às escolas e infantários com fome. Há crianças pobres porque estão em famílias pobres, onde foi diminuído o abono de família, existiram cortes nos salários, diminuições nas pensões e desemprego. Por isso o aumento desta taxa em Portugal.
– Qual a solução?
– Portugal assinou um memorando que a economia não suportava. Devíamos ter feito um plano a longo prazo. Precisamos de planos adequados às pessoas e não copiados de outros países europeus, com realidades diferentes da nossa.
– Em Portugal, onde se sentiu mais a crise?
– Em todo o País. No Interior foi a desertificação e o isolamento. O Grande Porto, Lisboa e Vale do Tejo têm o maior desemprego. É onde dói mais.
Presidente da Cáritas comenta crise em Portugal e na Europa.
Correio da Manhã – O que se conclui da crise em Portugal?
Eugénio da Fonseca – Dois pontos muito preocupantes: o aumento da exclusão, pobreza social e infantil e o aumento da taxa de desemprego de longa duração. A União Europeia portou-se connosco com falta de solidariedade. Fomos massacrados.
– Como explica os números da taxa de pobreza infantil?
– É preocupante o número de crianças que chegam às escolas e infantários com fome. Há crianças pobres porque estão em famílias pobres, onde foi diminuído o abono de família, existiram cortes nos salários, diminuições nas pensões e desemprego. Por isso o aumento desta taxa em Portugal.
– Qual a solução?
– Portugal assinou um memorando que a economia não suportava. Devíamos ter feito um plano a longo prazo. Precisamos de planos adequados às pessoas e não copiados de outros países europeus, com realidades diferentes da nossa.
– Em Portugal, onde se sentiu mais a crise?
– Em todo o País. No Interior foi a desertificação e o isolamento. O Grande Porto, Lisboa e Vale do Tejo têm o maior desemprego. É onde dói mais.
9.5.13
Alunos da Escola Infante Dom Henrique protestam contra falta de apoios
in RTP
Cerca de duas dezenas de alunos da Escola Secundária Infante D. Henrique, no Porto, vocacionada para o ensino técnico profissional, manifestaram-se hoje contra o atraso nos apoios financeiros para transporte e alimentação e para exigir a requalificação do edifício.
Em declarações aos jornalistas, Bárbara Fernandes, aluna do 11.º ano, disse que devido a dificuldades económicas, "alguns alunos passam fome" e outros recorrem, muitas vezes, aos amigos, pedindo-lhes dinheiro emprestado para comer.
"Só recebemos os passes de dois em dois meses, ou de três em três meses. Os alunos que não têm dinheiro para pagar os passes, como é que fazem para vir à escola? A escola diz que não tem culpa, que não são eles que pagam os passes, mas se a escola não dá o dinheiro, como é que o vamos arranjar?", perguntou a mesma aluna.
Questionada sobre a fraca participação no protesto, uma vez que a escola tem cerca de 300 alunos, Bárbara Fernandes disse que "alguns têm medo de se manifestar, não têm a mesma motivação, mas não é que não passem fome e nem precisem dos seus direitos".
Em declarações à Lusa, vários alunos que entravam no estabelecimento de ensino explicaram que não participavam na manifestação porque não sabiam da sua existência e outros disseram não terem motivos para o fazer.
"Às vezes os apoios chegam atrasados, mas temos recebido", disse uma das alunas, acrescentando que "em alguns casos, o subsídio de transporte não é pago, porque os alunos faltam muito".
Uma outra estudante disse não concordar com a manifestação. "Achava bem protestar contra a degradação das instalações, agora dizer que passam fome, é demais", afirmou.
Edgar Rocha, diretor adjunto da escola, considerou que o protesto dos alunos era "uma manifestação partidária", apontando dois elementos pertencentes ao PCP.
"Os subsídios são pagos e nós temos um programa que dá o pequeno-almoço e o almoço a quem comprovadamente necessite. Se eles passassem fome, não estavam ali meia dúzia de `gatos pingados` à porta", acrescentou.
Admitiu, contudo, que às vezes os subsídios são entregues com atraso, mas que isso "tem a ver com o POPH", ou seja, com o Programa Operacional Potencial Humano, inscrito no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
Aquele programa visa, entre outras prioridades, ajudar a superar o défice estrutural de qualificações da população portuguesa, consagrando o nível secundário como referencial mínimo de qualificação, para todos.
Cerca de duas dezenas de alunos da Escola Secundária Infante D. Henrique, no Porto, vocacionada para o ensino técnico profissional, manifestaram-se hoje contra o atraso nos apoios financeiros para transporte e alimentação e para exigir a requalificação do edifício.
Em declarações aos jornalistas, Bárbara Fernandes, aluna do 11.º ano, disse que devido a dificuldades económicas, "alguns alunos passam fome" e outros recorrem, muitas vezes, aos amigos, pedindo-lhes dinheiro emprestado para comer.
"Só recebemos os passes de dois em dois meses, ou de três em três meses. Os alunos que não têm dinheiro para pagar os passes, como é que fazem para vir à escola? A escola diz que não tem culpa, que não são eles que pagam os passes, mas se a escola não dá o dinheiro, como é que o vamos arranjar?", perguntou a mesma aluna.
Questionada sobre a fraca participação no protesto, uma vez que a escola tem cerca de 300 alunos, Bárbara Fernandes disse que "alguns têm medo de se manifestar, não têm a mesma motivação, mas não é que não passem fome e nem precisem dos seus direitos".
Em declarações à Lusa, vários alunos que entravam no estabelecimento de ensino explicaram que não participavam na manifestação porque não sabiam da sua existência e outros disseram não terem motivos para o fazer.
"Às vezes os apoios chegam atrasados, mas temos recebido", disse uma das alunas, acrescentando que "em alguns casos, o subsídio de transporte não é pago, porque os alunos faltam muito".
Uma outra estudante disse não concordar com a manifestação. "Achava bem protestar contra a degradação das instalações, agora dizer que passam fome, é demais", afirmou.
Edgar Rocha, diretor adjunto da escola, considerou que o protesto dos alunos era "uma manifestação partidária", apontando dois elementos pertencentes ao PCP.
"Os subsídios são pagos e nós temos um programa que dá o pequeno-almoço e o almoço a quem comprovadamente necessite. Se eles passassem fome, não estavam ali meia dúzia de `gatos pingados` à porta", acrescentou.
Admitiu, contudo, que às vezes os subsídios são entregues com atraso, mas que isso "tem a ver com o POPH", ou seja, com o Programa Operacional Potencial Humano, inscrito no Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
Aquele programa visa, entre outras prioridades, ajudar a superar o défice estrutural de qualificações da população portuguesa, consagrando o nível secundário como referencial mínimo de qualificação, para todos.
26.11.12
Eanes diz ser inaceitável haver crianças com fome
por Lusa, texto publicado por Paula Mourato, in Diário de Notícias
O ex-presidente da República Ramalho Eanes considerou hoje "inaceitável e inadmissível" que haja pessoas, sobretudo crianças, a passar fome em Portugal.
"É inaceitável, é inadmissível, já não em termos democráticos, mas em termos de sociedade, em termos de humanização, que haja cidadãos, sobretudo crianças, que não tenham direito àquilo que é fundamental", nomeadamente o direito à alimentação, disse o antigo presidente da República, à margem das comemorações do 37.º aniversário do 25 de novembro de 1975.
Também presente nas comemorações, o ex-chefe de Estado-Maior do Exército disse, à margem da iniciativa, que vê com "grande apreensão" as dificuldades que os portugueses estão a viver e que "são fruto das circunstâncias" que o país vive.
"Valeu a pena tudo aquilo que se construiu até hoje", após o 25 de abril de 1974, mas "todos aqueles que viveram este período veem com grande apreensão as dificuldades que o país vive hoje", afirmou o general Pinto Ramalho.
Estas dificuldades dizem respeito a todos os portugueses, que precisam de entender a razão dos sacríficos que estão a fazer, a sua finalidade e, sobretudo, terem "a perceção de que esses sacrifícios valem a pena", sublinhou.
"Se houver dúvidas em relação a isso, se houver um sentimento de que não há equidade nos sacrifícios e que os sacrifícios não vão na direção que pretendemos ou esperamos que seja a resolução dos problemas do país" é legítimo que os portugueses se questionem sobre o que se está a passar, disse.
Para Pinto Ramalho, "é legítimo" que os portugueses se interroguem quando são postas em causa "conquistas da sociedade", como o acesso ao ensino, à saúde, à justiça e "à melhoria efetiva das suas condições de vida".
"Todos os portugueses, incluindo os militares, anseiam por ter uma perspetiva clara daquilo que são os sacrifícios", disse, esperando que "o país não retroceda".
Segundo defendeu, "só faz sentido fazer sacrifícios e reformas se daí resultar qualquer coisa que seja mais positivo, mais agregador, que fomente a coesão nacional, o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas".
Vários militares que protagonizaram o golpe militar de 25 de novembro, que pôs fim à influência da esquerda militar radical no período revolucionário iniciado com o 25 de abril, marcaram hoje presenças nas comemorações da efeméride no Centro de Tropas Comandos na Serra da Carregueira, em Sintra.
Ramalho Eanes disse que a sua presença nas celebrações teve dois propósitos: "o primeiro é homenagear dois portugueses comandos que morreram em prol da democracia, o segundo é para lembrar que revisitar a história é muito importante".
"O 25 de novembro é uma altura nefasta que deve ser motivo de aprendizagem, que nos mostra que sempre que um povo não vive em democracia autêntica, o combate político deixa de ser aquilo que deve ser em democracia, que é um combate político desarmado, em que as opiniões se confrontam, as ideologias se confrontam e tudo se decide em eleições e passa muitas vezes a ser um conflito armado em que irmãos deixam de ser apenas adversários políticos para passarem a ser inimigos", comentou.
O antigo presidente da República considerou que este é o momento para pensar e perceber que "só a democracia permite viver em paz" e que "os homens sejam cidadãos e, nessa qualidade, se relacionem com todos os outros com respeito, com tolerância e civilmente".
Para Ramalho Eanes, "a autêntica democracia é um propósito tão elevado que poucos são os povos que conseguem chegar lá", mas revelou que desejava essa democracia para Portugal.
"É isso que quero para o meu país, por todas as razões, porque sou português, nasci aqui e porque vou continuar aqui mesmo depois de morrer através dos meus filhos", frisou.
O ex-presidente da República Ramalho Eanes considerou hoje "inaceitável e inadmissível" que haja pessoas, sobretudo crianças, a passar fome em Portugal.
"É inaceitável, é inadmissível, já não em termos democráticos, mas em termos de sociedade, em termos de humanização, que haja cidadãos, sobretudo crianças, que não tenham direito àquilo que é fundamental", nomeadamente o direito à alimentação, disse o antigo presidente da República, à margem das comemorações do 37.º aniversário do 25 de novembro de 1975.
Também presente nas comemorações, o ex-chefe de Estado-Maior do Exército disse, à margem da iniciativa, que vê com "grande apreensão" as dificuldades que os portugueses estão a viver e que "são fruto das circunstâncias" que o país vive.
"Valeu a pena tudo aquilo que se construiu até hoje", após o 25 de abril de 1974, mas "todos aqueles que viveram este período veem com grande apreensão as dificuldades que o país vive hoje", afirmou o general Pinto Ramalho.
Estas dificuldades dizem respeito a todos os portugueses, que precisam de entender a razão dos sacríficos que estão a fazer, a sua finalidade e, sobretudo, terem "a perceção de que esses sacrifícios valem a pena", sublinhou.
"Se houver dúvidas em relação a isso, se houver um sentimento de que não há equidade nos sacrifícios e que os sacrifícios não vão na direção que pretendemos ou esperamos que seja a resolução dos problemas do país" é legítimo que os portugueses se questionem sobre o que se está a passar, disse.
Para Pinto Ramalho, "é legítimo" que os portugueses se interroguem quando são postas em causa "conquistas da sociedade", como o acesso ao ensino, à saúde, à justiça e "à melhoria efetiva das suas condições de vida".
"Todos os portugueses, incluindo os militares, anseiam por ter uma perspetiva clara daquilo que são os sacrifícios", disse, esperando que "o país não retroceda".
Segundo defendeu, "só faz sentido fazer sacrifícios e reformas se daí resultar qualquer coisa que seja mais positivo, mais agregador, que fomente a coesão nacional, o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas".
Vários militares que protagonizaram o golpe militar de 25 de novembro, que pôs fim à influência da esquerda militar radical no período revolucionário iniciado com o 25 de abril, marcaram hoje presenças nas comemorações da efeméride no Centro de Tropas Comandos na Serra da Carregueira, em Sintra.
Ramalho Eanes disse que a sua presença nas celebrações teve dois propósitos: "o primeiro é homenagear dois portugueses comandos que morreram em prol da democracia, o segundo é para lembrar que revisitar a história é muito importante".
"O 25 de novembro é uma altura nefasta que deve ser motivo de aprendizagem, que nos mostra que sempre que um povo não vive em democracia autêntica, o combate político deixa de ser aquilo que deve ser em democracia, que é um combate político desarmado, em que as opiniões se confrontam, as ideologias se confrontam e tudo se decide em eleições e passa muitas vezes a ser um conflito armado em que irmãos deixam de ser apenas adversários políticos para passarem a ser inimigos", comentou.
O antigo presidente da República considerou que este é o momento para pensar e perceber que "só a democracia permite viver em paz" e que "os homens sejam cidadãos e, nessa qualidade, se relacionem com todos os outros com respeito, com tolerância e civilmente".
Para Ramalho Eanes, "a autêntica democracia é um propósito tão elevado que poucos são os povos que conseguem chegar lá", mas revelou que desejava essa democracia para Portugal.
"É isso que quero para o meu país, por todas as razões, porque sou português, nasci aqui e porque vou continuar aqui mesmo depois de morrer através dos meus filhos", frisou.
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