Paula Sofia Luz, in DN
Número de pessoas com mais de 80 anos aumentou muito nos últimos dois anos em Portugal, chegando atualmente aos 750 mil. E continuará a subir. No Dia Mundial da População, a Pordata divulga um estudo revelador: há meio milhão em risco de pobreza, a viver com menos de 551 euros por mês. A investigadora Luísa Loura diz que na próxima década o quadro se vai alterar, a vários níveis.
Os níveis de pobreza em Portugal têm muito a ver com a população mais idosa". Luísa Loura, coordenadora do estudo que a Pordata divulga esta terça-feira, Dia Mundial da População, junta à frase o alerta: o número total de idosos com mais de 80 anos aumentou bastante: atualmente serão 750 mil, "mas serão mais de um milhão daqui a 15 anos", refere a professora que coordenou o trabalho, insistindo na ideia de que "os idosos devem ser olhados de outra forma -- desde os menos idosos, que embora com idade avançada ainda têm autonomia, aos muito idosos", lembrando que "os dados dos Censos nos mostram com uma enorme clareza quando é que começam a perder autonomia, a capacidade de se movimentar, de ir ao médico". Ao mesmo tempo, outro dado a inquieta: a (pouca) capacidade instalada nos Lares da Segurança Social.
"Estas são as pessoas [população com mais de 80 anos] com uma carreira contributiva mais curta, que não foram abrangidas pela obrigatoriedade dos empregadores no sentido de fazerem descontos. Por isso este grupo é especialmente vulnerável: são pessoas que têm dificuldades financeiras enormes e já não têm autonomia". A verdade é que, apesar de serem já uma população muito grande, "vão aumentar em número muito rapidamente", adverte Luísa Loura.
Alterações no perfil
O estudo da Pordata deixa sinais preocupantes em várias perspetivas. Se neste momento se contabilizam 2 milhões e 500 mil idosos em território nacional, é certo que o número irá escalar muito rapidamente. "Mas é preciso termos em conta que a população idosa vai ter alterações fundamentais no seu perfil: as habilitações literárias, que vão ser muito parecidas no grupo dos homens e das mulheres -- até com um pouco mais de escolaridade nas mulheres do que nos homens, o que altera completamente o perfil atual, em que as mulheres têm menos escolaridade -- e também uma grande parte dessa população já terá uma carreira contributiva completa, e a pensão de reforma com que vão ficar já alinha com o tempo de trabalho que tiveram".
"Estas pessoas só recebem pensões mínimas porque o Estado (a sociedade como um todo) não lhes deu essa proteção. E essas pessoas trabalharam. Tinham 30 a 40 anos quando aconteceu o 25 de abril. Contribuíram muito para a qualidade de vida que hoje em dia a população mais nova tem". Ou seja, "houve uma grande preocupação com a proteção na saúde, o que se nota com a esperança média de vida, que aumentou muito, mas não com a proteção social". E esse investimento na saúde é notório no grande aumento do número de centenários no país. O estudo mostra que, na última década, os idosos com 100 anos ou mais aumentaram 77%, com tendência para crescer. Em 2022 viviam em Portugal 2940 pessoas com 100 ou mais anos.
"É bom que estejamos por cá mais tempo, mas já agora que seja de vida saudável", sublinha Luísa Loura. "Os próximos 10 anos ainda vão ser muito críticos na atenção que a sociedade tem de dar a este grupo mais vulnerável. Sem proteção, são pessoas que deram muito do seu esforço ao país na fase da democratização e da melhoria das condições de vida", adianta. Os números mostram que 163 mil idosos receberam o Complemento Solidário para Idosos nos últimos dois anos, embora o número de beneficiários tenha estado a diminuir desde 2019 (quando mais de 176 mil idosos foram apoiados) e está hoje longe dos cerca de 242 mil apoiados anualmente entre 2009 e 2013.
Já os beneficiários do Rendimento Social de Inserção com 65 ou mais anos (cerca de 12,8 mil) representam 5% do total dos beneficiários deste subsídio. A atribuição do RSI aos mais idosos tem estado a aumentar desde 2015 (quando o número de beneficiários rondava os 4,5 mil).
"Estas pessoas são completamente merecedoras de todo o apoio que nós lhes possamos dar", conclui a autora do estudo. A crueza dos números mostra que mais de 400 mil estão em risco de pobreza, vivendo com menos de 551 € mensais.
Em 2021, 17% das pessoas com 65 e mais anos estavam em risco de pobreza (em Portugal, o valor abaixo do qual alguém é considerado pobre situava-se, em 2021, nos 6608 euros anuais, o que equivale a 551€ mensais) mesmo depois de receber transferências sociais, como pensões e outros apoios do estado. Sem transferências sociais, 86% dos idosos estariam em situação de pobreza. E as mulheres têm maior risco de pobreza do que os homens (18,7% vs. 14,7%). "Por terem sido domésticas, muitas vezes o suporte de toda a família, não tiveram qualquer tipo de descontos, e por isso são elas as mais vulneráveis".
Ainda assim, a taxa de risco de pobreza entre os idosos foi a que mais baixou entre 2020 e 2021. Em 2006, por exemplo, a pobreza atingia 1 em cada 4 idosos.
A investigadora está ciente de que, daqui por 15 ou 20 anos, esse será um problema esbatido, porque "nessa altura as pensões já vão dar aquele conforto financeiro que permita às pessoas comprarem os remédios, ou pagarem o serviço de apoio domiciliário. Ou seja, já terão fundo de maneio para acautelar essas situações. E neste momento isso não acontece".
Continuar a trabalhar na idade da reforma
Doutorada em Estatística e Computação e licenciada em Matemática, Luísa Loura é docente e investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Ela própria já integra a população-alvo do estudo, como refere ao DN. Aos 69 anos continua a trabalhar, e o seu caso é um entre os milhares que, em Portugal, continuam a contribuir para a economia do país, mesmo depois da chamada idade da reforma. De acordo com este documento da Pordata, 9% da população com 65 anos (ou mais) permanece no mercado de trabalho. Um total de 240 mil trabalham ou ocupam-se na agricultura. Note-se que a taxa de emprego entre as pessoas com 65 ou mais anos tem vindo a aumentar desde 2015 (9% em 2022 face a 6% em 2015), acompanhando a tendência nacional, e em 2022 era mais do dobro entre os homens comparativamente às mulheres (14% vs. 6%).
Na União Europeia, a taxa de emprego nesta faixa etária variou entre os 2% da Roménia e os 17% da Estónia. Portugal situa-se na 10.ª posição entre os 27 países.
O lado "utilitário" dos mais velhos tem aqui um duplo sentido. Luísa Loura fala dessa ambiguidade, que por um lado coloca pessoas ativas no mercado de trabalho, e por outro prende-se com a forma como é ocupado o tempo livre, "usando as infraestruturas que o país tem, nomeadamente culturais". "Tudo está interligado, nomeadamente a questão da solidão. As pessoas sentem-se sozinha principalmente se não estiverem ocupadas", enfatiza a coordenadora do estudo. Os dados mostram que cerca de 12% dessa faixa etária se diz muitas vezes só, quando no resto da população são 7%. "É uma diferença muito assinalável. E a solidão traz outros problemas, nomeadamente na saúde mental. Portanto, sentirem-se ocupadas é uma das coisas que traz mais satisfação com a vida. Seja mais ou menos útil para a sociedade". "E a questão financeira tem implicações também no lazer, com viagens de turismo, idas aos museus, espetáculos e outros. Isso custa dinheiro", sublinha Luísa Loura, para quem "a perspetiva de virmos a ter uma população idosa com mais disponibilidade financeira também traz uma boa visão para o país no uso desses recursos".
Mas até lá chegar, o panorama presente não é animador.
pauptla.sofia.luz@ext.dn.
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11.7.23
População centenária em Portugal aumentou 77% na última década
Por Lusa, in SIC
Em 2022, viviam em Portugal perto de 3.000 pessoas com 100 anos ou mais. Segundo a Pordata, 24% da população portuguesa tem atualmente 65 anos ou mais, o que se traduz em cerca de 2,5 milhões de idosos.
O número de pessoas a atingir os cem anos aumentou 77% na última década em Portugal, para quase 3.000 cidadãos centenários no ano passado, revelou a Pordata, por ocasião do Dia Mundial da População, que esta terça-feira se assinala.
Em 2022, viviam em Portugal 2.940 pessoas com 100 anos ou mais, contra 1.658 em 2012, indicam números da base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
A inversão da pirâmide demográfica é considerada um dos maiores desafios do século XXI na generalidade dos países europeus e, também em Portugal, onde o peso da população idosa duplicou nos últimos 36 anos. Segundo a Pordata, 24% da população portuguesa tem atualmente 65 anos ou mais.
"O futuro das economias e sociedades europeias depende da forma como se enfrentará esta questão no curto prazo, importando, por isso, analisar esta tendência e, também, as condições em que a população mais idosa vive atualmente", sublinha a análise da Pordata aos dados estatísticos.
Dos 10,4 milhões de pessoas que vivem em Portugal, 2,5 milhões têm 65 anos ou mais, estando as mulheres em maioria (57%).
"Este peso superior do sexo feminino cresce à medida que a idade aumenta: as mulheres representam 62% do total da população com 80 ou mais anos", lê-se num documento divulgado pela plataforma.
No mais recente Censos (2021), foram registadas 46.000 pessoas estrangeiras com 65 ou mais anos em Portugal. "Na última década, o número de estrangeiros nesta faixa etária mais do que duplicou (em 2011 eram 20.000), sendo 67% são europeus, sobretudo do Reino Unido (19%); França (12%) e Itália (7%)", observou a Pordata. Entre os não europeus, destacam-se os brasileiros (11%).
"O aumento do interesse por Portugal junto da população sénior impacta igualmente os números da imigração: Em 2021 entraram no país 23.000 pessoas nesta faixa etária, o equivalente a 23% do total de imigrantes", destacaram os peritos que compilaram os dados.
Portugal era, em 2022, o segundo país da União Europeia com maior proporção de pessoas com 65 ou mais anos (23,7%), a seguir a Itália (23,8%). A média europeia era de 21,1% no ano passado.
A população sénior ultrapassou a de crianças e jovens no virar do milénio.
O índice de envelhecimento em Portugal revela que há 184 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens. Em todos os municípios do país, com exceção de Lagoa e Ribeira Grande, nos Açores, o número de idosos é superior ao número de jovens.
Os mais velhos dos portugueses sentem-se doentes e insatisfeitos com rendimentos
Patrícia Carvalho, in Público
No Dia Mundial da População, a Pordata traça um retrato dos portugueses com 65 anos ou mais, que já constituem quase 24% do total dos residentes no país.
São cada vez mais, vivem mais anos, mas o aumento da esperança média de vida é acompanhado de poucos anos vividos de forma saudável e, não fossem as prestações sociais do Estado, a esmagadora maioria viveria na pobreza. No Dia Mundial da População, a Pordata traça o retrato dos portugueses com 65 anos ou mais, que já constituem quase 24% da população. O desenho ainda é preocupante, mas há variantes negativas que deverão mudar nos próximos anos.
Luísa Loura, directora da Pordata, diz que as duas questões – poucos anos de vida saudável e risco de pobreza – “se interligam muito” e salienta que, quanto mais velhas as pessoas, pior é a situação. “Os principais problemas estão no grupo dos muito mais velhos, sobretudo nas pessoas a partir dos 80 anos. Estamos a falar de uma população maioritariamente feminina, que seria sobretudo doméstica e que ao longo da vida não fez descontos. As pensões que recebem serão, eventualmente, de viuvez, mas os próprios maridos não terão tido uma carreira contributiva muito longa, já que a obrigatoriedade de se fazer descontos é relativamente recente, dos anos 1980. Ou seja, são pessoas que na altura do 25 de Abril [de 1974] teriam 30 ou 40 anos, mulheres que estariam em casa e muitos homens que não faziam descontos. É um lastro que vem de antigamente”, diz.
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Optimismo a caminho
Mas, Luísa Loura também acredita que este cenário menos animador irá evoluir para um mais optimista, nas próximas décadas. Porque, diz, a população que tem agora entre 55 e 64, e que constituirá os octogenários do futuro, representa uma “alteração profundíssima” da sociedade portuguesa. São pessoas com mais escolaridade, que descontaram ao longo da vida, que tiveram mais acesso a cuidados médicos. “Este grupo, acima dos 65 anos, vai aumentar muito até aos 3,3 milhões de pessoas, em 25 anos. Mas, acredito que, apesar deste aumento, o esforço sobre a sociedade, proporcionalmente, não irá aumentar tanto, por causa destas mudanças”, diz.
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Desafios para o futuro
No campo do combate à solidão, Luísa Loura salienta ainda os dados relacionados com as actividades agrícolas. Em 2019, mais de 243 mil idosos trabalhavam ou ocupavam-se com a agricultura, e a directora da Pordata acredita que este dado não reflecte apenas o facto de os mais velhos estarem mais presentes no interior do país ou de a agricultura poder ser uma forma de ajudar a equilibrar o orçamento familiar. “Para muitos será esse complemento ao rendimento, mas para outros é uma nova ocupação pós-reforma. Uma forma de as pessoas saírem do isolamento. Conheço vários casos de pessoas já aposentadas que saíram de Lisboa e agora estão a dedicar-se ao trabalho do campo, em terras que eram da família, numa espécie de hobby com frutos concretos”, diz.
No Dia Mundial da População, a Pordata traça um retrato dos portugueses com 65 anos ou mais, que já constituem quase 24% do total dos residentes no país.
São cada vez mais, vivem mais anos, mas o aumento da esperança média de vida é acompanhado de poucos anos vividos de forma saudável e, não fossem as prestações sociais do Estado, a esmagadora maioria viveria na pobreza. No Dia Mundial da População, a Pordata traça o retrato dos portugueses com 65 anos ou mais, que já constituem quase 24% da população. O desenho ainda é preocupante, mas há variantes negativas que deverão mudar nos próximos anos.
No cenário traçado pela Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel do Santos, 30% dos residentes no país com 65 anos ou mais percepciona o seu estado de saúde como “mau ou muito mau”, muito acima da média da União Europeia (UE), onde essa percentagem não vai além dos 19%. E há dados neste retrato agora dado a conhecer que ajudam a perceber o porquê desse sentimento.
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Luísa Loura, directora da Pordata, diz que as duas questões – poucos anos de vida saudável e risco de pobreza – “se interligam muito” e salienta que, quanto mais velhas as pessoas, pior é a situação. “Os principais problemas estão no grupo dos muito mais velhos, sobretudo nas pessoas a partir dos 80 anos. Estamos a falar de uma população maioritariamente feminina, que seria sobretudo doméstica e que ao longo da vida não fez descontos. As pensões que recebem serão, eventualmente, de viuvez, mas os próprios maridos não terão tido uma carreira contributiva muito longa, já que a obrigatoriedade de se fazer descontos é relativamente recente, dos anos 1980. Ou seja, são pessoas que na altura do 25 de Abril [de 1974] teriam 30 ou 40 anos, mulheres que estariam em casa e muitos homens que não faziam descontos. É um lastro que vem de antigamente”, diz.
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Mas, Luísa Loura também acredita que este cenário menos animador irá evoluir para um mais optimista, nas próximas décadas. Porque, diz, a população que tem agora entre 55 e 64, e que constituirá os octogenários do futuro, representa uma “alteração profundíssima” da sociedade portuguesa. São pessoas com mais escolaridade, que descontaram ao longo da vida, que tiveram mais acesso a cuidados médicos. “Este grupo, acima dos 65 anos, vai aumentar muito até aos 3,3 milhões de pessoas, em 25 anos. Mas, acredito que, apesar deste aumento, o esforço sobre a sociedade, proporcionalmente, não irá aumentar tanto, por causa destas mudanças”, diz.
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No campo do combate à solidão, Luísa Loura salienta ainda os dados relacionados com as actividades agrícolas. Em 2019, mais de 243 mil idosos trabalhavam ou ocupavam-se com a agricultura, e a directora da Pordata acredita que este dado não reflecte apenas o facto de os mais velhos estarem mais presentes no interior do país ou de a agricultura poder ser uma forma de ajudar a equilibrar o orçamento familiar. “Para muitos será esse complemento ao rendimento, mas para outros é uma nova ocupação pós-reforma. Uma forma de as pessoas saírem do isolamento. Conheço vários casos de pessoas já aposentadas que saíram de Lisboa e agora estão a dedicar-se ao trabalho do campo, em terras que eram da família, numa espécie de hobby com frutos concretos”, diz.
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Do outro lado da balança, o país está a atrair cada vez mais cidadãos idosos estrangeiros. Os Censos 2021 dizem-nos que, nesse ano, 46 mil pessoas com 65 anos ou mais residentes em Portugal eram estrangeiras (2% do total da população desta faixa etária e mais do dobro das que existiam dez anos antes), provenientes, sobretudo da Europa (67%). E só nesse ano entraram 23 mil pessoas idosas no país, para residir pelo menos durante um ano, representando 23% do total dos imigrantes.
11.7.22
População total da UE baixa para os 446,8 milhões devido à pandemia
Verificou-se também, pelo segundo ano consecutivo, uma situação de mudança natural negativa, com mais mortes do que nascimentos, “muito provavelmente devido ao impacto da pandemia”. O número total da população da União Europeia (UE) voltou a baixar este ano para 446,8 milhões de pessoas, anunciou esta segunda-feira o serviço estatístico comunitário, o Eurostat, atribuindo a redução à pandemia de covid-19.
Numa publicação a propósito do Dia Mundial da População, que se assinala esta segunda-feira, o Eurostat divulga que, “após um primeiro declínio no crescimento da população em 2020 devido ao impacto da pandemia de covid-19, a população da UE diminuiu novamente em 2021, de 447 milhões a 1 de Janeiro de 2021 para 446,8 a 1 de Janeiro de 2022”.
De acordo com o serviço estatístico europeu, verificou-se também, pelo segundo ano consecutivo, uma situação de mudança natural negativa, com mais mortes do que nascimentos, “muito provavelmente devido ao impacto da pandemia”.
Assim, a primeira estimativa sobre este ano indica que se registaram, na UE, mais 531.000 mortes em 2020 do que em 2019, a comparar com 113.000 mais mortes em 2021 do que em 2020.
A população da UE cresceu de 354,5 milhões em 1960 para 446,8 milhões a 1 de Janeiro de 2022, um aumento de 92,3 milhões de pessoas, mas este crescimento tem vindo a diminuir gradualmente nas últimas décadas.
De acordo com o Eurostat, a população da UE aumentou, em média, em cerca de 700 mil pessoas por ano durante o período de 2005 a 2022, em comparação com um aumento médio de cerca de três milhões de pessoas por ano durante a década de 1960.
Por país, a população de cada Estado-membro da UE variava, no início deste ano, entre cinco milhões em Malta e 83,2 milhões na Alemanha.
A Alemanha, França e Itália, em conjunto, representavam, a 1 de Janeiro de 2022, quase metade (47%) da população total da UE.
Portugal ficava a meio da tabela, sendo o 12.º país com mais população entre os 27 Estados-membros.
Numa publicação a propósito do Dia Mundial da População, que se assinala esta segunda-feira, o Eurostat divulga que, “após um primeiro declínio no crescimento da população em 2020 devido ao impacto da pandemia de covid-19, a população da UE diminuiu novamente em 2021, de 447 milhões a 1 de Janeiro de 2021 para 446,8 a 1 de Janeiro de 2022”.
De acordo com o serviço estatístico europeu, verificou-se também, pelo segundo ano consecutivo, uma situação de mudança natural negativa, com mais mortes do que nascimentos, “muito provavelmente devido ao impacto da pandemia”.
Assim, a primeira estimativa sobre este ano indica que se registaram, na UE, mais 531.000 mortes em 2020 do que em 2019, a comparar com 113.000 mais mortes em 2021 do que em 2020.
A população da UE cresceu de 354,5 milhões em 1960 para 446,8 milhões a 1 de Janeiro de 2022, um aumento de 92,3 milhões de pessoas, mas este crescimento tem vindo a diminuir gradualmente nas últimas décadas.
De acordo com o Eurostat, a população da UE aumentou, em média, em cerca de 700 mil pessoas por ano durante o período de 2005 a 2022, em comparação com um aumento médio de cerca de três milhões de pessoas por ano durante a década de 1960.
Por país, a população de cada Estado-membro da UE variava, no início deste ano, entre cinco milhões em Malta e 83,2 milhões na Alemanha.
A Alemanha, França e Itália, em conjunto, representavam, a 1 de Janeiro de 2022, quase metade (47%) da população total da UE.
Portugal ficava a meio da tabela, sendo o 12.º país com mais população entre os 27 Estados-membros.
Pandemia agravou risco de pobreza de famílias monoparentais de 25% para 30% num ano
Miguel Godinho, in DN
No Dia Mundial da População, a Pordata divulga um conjunto de mais de 50 indicadores que permitem fazer uma "radiografia abrangente" do país nos últimos três anos. Pandemia prejudicou os rendimentos das famílias e trouxe mais dívida pública.Apandemia agravou o risco de pobreza a nível nacional e quem mais sofreu foram as famílias monoparentais, com pelo menos um dependente. A conclusão é da base de dados Pordata que detalha que, entre 2019 e 2020, houve um aumento de 4,7 pontos percentuais na taxa de risco de pobreza das famílias monoparentais, passando de 25,5% para 30,2%. No mesmo período, a taxa de risco de pobreza da população em geral também aumentou, em 2,2 pontos percentuais, passando de 16,2% para 18,4%.
São números preocupantes e que poderão agravar-se em 2022, tendo em conta a subida em flecha da inflação que afeta o custo de vida de famílias e empresas. Segundo a última atualização do Eurostat, a inflação estimada para Portugal (9%), em junho, estava acima da média da Zona Euro (8,1%). Mas a tendência de aumento da inflação já era visível no período estudado. De acordo com os dados da Pordata, a taxa de inflação estava nos 0,3% em 2019, o último ano pré-pandemia, tendo crescido para 1,3% em 2021, com a reabertura da economia a permitir o regresso do consumo.
A pandemia beneficiou também a poupança das famílias portuguesas, tendo aumentado 5,7 pontos percentuais entre 2019 e 2020.
Os dados são divulgados no Dia Mundial da População e fazem parte de um conjunto de mais de meia centena de indicadores estudados durante o período pandémico. O objetivo é oferecer "uma compilação rigorosa" que permita "fazer uma radiografia abrangente dos acontecimentos nos últimos três anos em Portugal", explica a Pordata.
Debruçando-se sobre áreas como a população, a economia do país, as comunicações ou o emprego, o conjunto dos dados divulgados esta segunda-feira mostra ainda que, no período estudado, a dívida pública em percentagem do PIB também sofreu variações. Se em 2019 estava cifrada nos 116,6%, no ano seguinte esse valor subiu para 135,2% e, em 2021, voltou a descer, tendo terminado o ano nos 127,4%.
Outro indicador em destaque é o acesso à internet, com mais famílias a estarem em rede, num total de 87,3% dos agregados a terem acesso em 2021. Em 2019, por exemplo, a percentagem de famílias era de 80,9%. Ainda que não seja especificado nos dados, este aumento no alcance da internet pode ser explicado pelos períodos de confinamento provocados pela covid-19, que obrigaram a teletrabalho e ensino à distância. O mesmo se passou com os consumos de energia que aumentaram 4,8% entre 2019 e 2020.
Por fim, o desemprego subiu 22,5% entre 2019 e 2020. Isto significa um total 384,9 mil pessoas inscritas nos centros de emprego em 2020. Com isto, a taxa de desemprego aumentou para 7%, mas, em 2021, voltou a baixar para 6,6% (o valor de 2019) - atualmente é de 6,1%. Ao mesmo tempo, o número de beneficiários de prestações sociais também aumentou, passando para 240 148 pessoas em 2020, ou seja, um aumento de 41,7% face ao ano anterior, em que se registaram 169 485 beneficiários.
11.7.12
Investir na saúde reprodutiva para reduzir pobreza
Miguel Marujo, in Fátima Missionária
Para assinalar o Dia Mundial da População, o secretário-geral da ONU pediu que se faça mais para ajudar aqueles que mais necessitam de acesso a cuidados de saúde reprodutiva
“Apelo a uma ação concertada e urgente dos Estados-Membros [das Nações Unidas] para colmatarem a lacuna entre a procura e a oferta de cuidados de saúde reprodutiva.” Foi assim que Ban Ki-moon assinalou este Dia, que se comemora esta quarta-feira, 11 de julho.
“A saúde e os direitos reprodutivos são essenciais para o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza. Investir no acesso universal à saúde reprodutiva é um investimento fundamental nas sociedades saudáveis e um futuro mais sustentável”, acrescentou o secretário-geral das Nações Unidas.
Observado anualmente a 11 de julho, desde 1989, o Dia Mundial da População pretende chamar a atenção para a importância das questões populacionais no contexto dos planos e programas de desenvolvimento, e a necessidade de encontrar soluções para estas questões.
Para assinalar o Dia Mundial da População, o secretário-geral da ONU pediu que se faça mais para ajudar aqueles que mais necessitam de acesso a cuidados de saúde reprodutiva
“Apelo a uma ação concertada e urgente dos Estados-Membros [das Nações Unidas] para colmatarem a lacuna entre a procura e a oferta de cuidados de saúde reprodutiva.” Foi assim que Ban Ki-moon assinalou este Dia, que se comemora esta quarta-feira, 11 de julho.
“A saúde e os direitos reprodutivos são essenciais para o desenvolvimento sustentável e a redução da pobreza. Investir no acesso universal à saúde reprodutiva é um investimento fundamental nas sociedades saudáveis e um futuro mais sustentável”, acrescentou o secretário-geral das Nações Unidas.
Observado anualmente a 11 de julho, desde 1989, o Dia Mundial da População pretende chamar a atenção para a importância das questões populacionais no contexto dos planos e programas de desenvolvimento, e a necessidade de encontrar soluções para estas questões.
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