in JN
Proprietários recorrem a mão de obra estrangeira devido ao envelhecimento e despovoamento do interior do país (Leonel de Castro/ Global Imagem)
A agricultura, construção civil, hotelaria e restauração enfrentam a escassez de recursos humanos, defendendo medidas que mitiguem este problema, sendo que a imigração faz parte de uma solução abrangente, de acordo com os responsáveis contactados pela Lusa.
Em declarações à Lusa, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, defende que Portugal "precisa de ter programas de qualificação mais adequados ao setor", estimando-se que nesta área de atividade faltem cerca de "cinco milhares" de recursos humanos diferenciados.
Eduardo Oliveira e Sousa criticou a "ausência de políticas públicas consistentes e adequadas" para o setor agrícola, apontando que "há muitos anos" que o Estado português, com algumas exceções, "não encara" a agricultura "com a devida consideração".
Para o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Manuel Reis Campos, são necessárias medidas que permitam promover "uma maior mobilidade transnacional dos trabalhadores". Estima-se que neste setor falte cerca de 80 mil trabalhadores.
"Estamos a falar da criação de mecanismos que permitam às empresas fazer uma gestão mais dinâmica e eficiente dos seus recursos humanos e estamos a aguardar a publicação da alteração da nova legislação relativa aos vistos, a qual se espera poder dar um contributo positivo para a resolução dos problemas que temos identificado", refere o responsável.
Por exemplo, o diretor-geral da GesConsult, Nuno Garcia, defende a criação de incentivos para atrair profissionais da construção civil que estão fora do país, setor que sofre "transversalmente com a falta de recursos humanos".
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) manifesta-se preocupada com a escassez de recursos humanos no turismo, nomeadamente nos setores que representa, e recorda que já apresentou propostas neste âmbito.
A AHRESP acredita que a "imigração faz parte de uma solução abrangente de medidas" para mitigar a falta de recursos humanos no turismo, com a secretária-geral, Ana Jacinto, a congratular-se "com os passos dados pelo Governo", nomeadamente no que respeita à "agilização dos vistos para os imigrantes" provenientes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Para a responsável, "a solução para a escassez de trabalhadores no turismo não é uma via de sentido único, mas sim uma responsabilidade partilhada por todos e que é preciso agir em várias frentes", sendo que "é fundamental que as empresas tenham capacidade para gerar riqueza, para poderem oferecer melhores condições aos seus colaboradores, pois apesar da retribuição financeira não ser o único tópico a ter em conta no leque de soluções para o problema, é sem dúvida um ponto incontornável".
Mostrar mensagens com a etiqueta Hotelaria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hotelaria. Mostrar todas as mensagens
10.12.20
AHRESP alerta: Sem apoios diretos à tesouraria mais de 40% dos restaurantes vão fechar no início de 2021
Paulo Brilhante, in Expresso
De acordo com o Inquérito mensal da AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, mais de metade dos restaurantes registaram perdas de faturação acima de 60% e no Alojamento Turístico, 39% das empresas não registaram qualquer ocupação no mês de novembro.
O Inquérito Mensal da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, realizado no final de novembro, confirma a situação de “profunda dificuldade em que as atividades económicas da Restauração e do Alojamento se encontram”, após oito meses de crise pandémica. Em comunicado, a associação revela os mais recentes dados e deixa o alerta: “Sem apoios diretos à tesouraria, 48% das empresas de Restauração e 32% de Alojamento não resistem nos próximos dois meses.”
De uma forma mais detalhada, o inquérito, com mais de mil respostas de associados da AHRESP conclui que “a quebra de faturação do mês de novembro foi avassaladora”, com 56% das empresas a registaram perdas acima de 60%. Como consequência da forte redução de faturação, cerca de 16% das empresas “não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em novembro e 15% só o fez parcialmente”. Perante esta realidade, refere-se que 46% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia e que cerca de 17% dos restaurantes inquiridos “assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano”.
Relativamente ao Alojamento Turístico, o inquérito mensal da AHRESP revela que 39% das empresas não registaram qualquer ocupação no mês de novembro e mais de 18% ponderam avançar para insolvência “por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade”. Para 39% das empresas inquiridas, as perdas de faturação do mês de novembro ficou acima de 90%.
Perante este quadro, a AHRESP considera urgente o anuncio de “medidas de reforço de liquidez das empresas, de maior proteção do emprego e de alívio no pagamento das rendas comerciais”.
Recorde-se que, na sequência de várias reuniões entre o Governo e as associações representativas do sector turístico, devem ser anunciadas, ainda esta semana, novas medidas por parte do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira. No Porto, o movimento “A Pão e Água” convocou uma nova manifestação para esta sexta-feira, às 15h30, na Rotunda da Boavista.
Esta quarta-feira, a AHP - Associação da Hotelaria de Portugal também divulgou os resultados de um inquérito às empresas do sector de alojamento.
De acordo com o Inquérito mensal da AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, mais de metade dos restaurantes registaram perdas de faturação acima de 60% e no Alojamento Turístico, 39% das empresas não registaram qualquer ocupação no mês de novembro.
O Inquérito Mensal da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, realizado no final de novembro, confirma a situação de “profunda dificuldade em que as atividades económicas da Restauração e do Alojamento se encontram”, após oito meses de crise pandémica. Em comunicado, a associação revela os mais recentes dados e deixa o alerta: “Sem apoios diretos à tesouraria, 48% das empresas de Restauração e 32% de Alojamento não resistem nos próximos dois meses.”
De uma forma mais detalhada, o inquérito, com mais de mil respostas de associados da AHRESP conclui que “a quebra de faturação do mês de novembro foi avassaladora”, com 56% das empresas a registaram perdas acima de 60%. Como consequência da forte redução de faturação, cerca de 16% das empresas “não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em novembro e 15% só o fez parcialmente”. Perante esta realidade, refere-se que 46% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia e que cerca de 17% dos restaurantes inquiridos “assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano”.
Relativamente ao Alojamento Turístico, o inquérito mensal da AHRESP revela que 39% das empresas não registaram qualquer ocupação no mês de novembro e mais de 18% ponderam avançar para insolvência “por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade”. Para 39% das empresas inquiridas, as perdas de faturação do mês de novembro ficou acima de 90%.
Perante este quadro, a AHRESP considera urgente o anuncio de “medidas de reforço de liquidez das empresas, de maior proteção do emprego e de alívio no pagamento das rendas comerciais”.
Recorde-se que, na sequência de várias reuniões entre o Governo e as associações representativas do sector turístico, devem ser anunciadas, ainda esta semana, novas medidas por parte do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira. No Porto, o movimento “A Pão e Água” convocou uma nova manifestação para esta sexta-feira, às 15h30, na Rotunda da Boavista.
Esta quarta-feira, a AHP - Associação da Hotelaria de Portugal também divulgou os resultados de um inquérito às empresas do sector de alojamento.
13.11.20
Hotéis antecipam 100 mil desempregados em janeiro se não tiverem apoios para pagar salários
Conceição Antunes, in Expresso
Recolher obrigatório aos fins de semana fez cancelar 90% das "poucas reservas que havia". Em Lisboa, mais de 70% dos hotéis vão ficar fechados no final do mêsA situação dos hotéis está a agravar-se, à medida que se entra na época baixa, aumentam os casos de covid-19 em Portugal e se apertam as medidas de confinamento. Segundo Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), o sector está a chegar ao limite da tesouraria, e sem mais capacidade para pagar salários e outros encargos fixos, mesmo tendo os hotéis fechados.
"Prevemos ter 100 mil desempregados na hotelaria a partir de janeiro, é o que vai acontecer se não houver apoios à tesouraria. Vamos ter hotéis a começar a incumprir com impostos, salários e outros pagamentos, a fazer despedimentos, e depois vão à falência, é a ordem natural", alerta o presidente da AHP.
O Governo anunciou na semana passada um pacote de ajudas financeiras aos sectores mais atingidos pela crise da covid, incluindo o turismo, mas segundo o presidente da AHP "estamos fora desses apoios, que se dirigem a empresas muito micro, que têm até cinco trabalhadores". É o caso de muitas empresas hoteleiras, mas os apoios não se aplicam "aos hotéis com maior dimensão, que são os que empregam mais pessoas, e aí sim, pode haver lugar a despedimentos", frisa.
O decretar de medidas de recolher obrigatório nos próximos dois fins de semana foi mais uma machadada na situação crítica em que se encontram os hotéis, e segundo Raul Martins levou a "cancelamentos de 90% das poucas reservas que havia".
Os hotéis reclamam apoios idênticos aos que estão previstos para os restaurantes com a situação de recolher obrigatório, uma vez que a sua utilização também tem estado muito circunscrita aos fins de semana nesta altura, em que as ocupações médias são de 15%, níveis insuficientes para assegurar rentabilidade.
"Percebemos a intenção dessa medida, mas a deslocação para os hotéis devia ser considerada entre as exceções, uma vez que é equivalente a deslocações a casa, tendo em conta que os hotéis são uma morada temporária", destaca o presidente da associação hoteleira - que já pediu esclarecimentos ao gabinete do primeiro-ministro, que até ao momento ainda não foram atendidos. "A hotelaria foi posta de parte pelo Governo", conclui Raul Martins.
HOTÉIS COM SALÁRIOS EM ATRASO
A associação hoteleira reclama do Governo apoios "urgentes" à tesouraria das empresas, e adiamento de pagamentos à Segurança Social, para os hotéis poderem continuar a pagar salários, e outros custos fixos que têm de suportar, mesmo estando de portas fechadas.
"Já há hotéis a entrar em incumprimento, com salários em atraso, e não sei quem é que na hotelaria vai conseguir pagar o 13.º mês", faz notar Raul Martins. "Tivemos oito meses maus, e temos pela frente mais oito meses péssimos. Mesmo chegando uma vacina, o que se fala é que só estará disponível à população em meados do ano que vem. Até lá, a falência das empresas é inevitável."
Hotéis de portas fechadas é um cenário que tende a agravar-se, prevendo mutos não vir a abrir até à primavera de 2021. "Até ao final de novembro, vão estar fechados mais de 70% dos hotéis em Lisboa, agora no Porto fecharam de repente 20 hotéis", faz notar Raul Martins, lembrando que são os hotéis grandes, com quatro e cinco estrelas, "os primeiros a fechar".
As rendas a que os hotéis estão sujeitos, e os apoios aos senhorios quando o seu pagamento não consegue ser cumprido, são outra preocupação da AHP - e segundo o presidente da associação, se os hotéis estão fechados, a perspetiva de começar a pagar esta fatura em janeiro de 2021 não é solução, uma vez que nesta altura "a hotelaria não está em situação de pagar nada". De acordo com um recente inquérito aos associados, mais de metade dos hotéis esperam ter 0% de ocupação em dezembro e janeiro.
Nesta fase crítica, os hotéis reclamam ainda a isenção do pagamento de IMI referente a 2020, decisão que cabe às câmaras. "Sabemos que há várias autarquias a considerar o não pagamento do IMI relativo a 2020, mas ficámos muito perplexos por a Câmara de Lisboa não ter nada a dizer sobre isto", adianta Raul Martins.
"Para nós, só há retoma quando houver em Portugal 50% dos turistas que havia em 2019, só aí conseguimos ter uma exploração equilibrada", sublinha o responsável da associação hoteleira. Mesmo com previsões do turismo português recuperar logo que a pandemia acalmar, "podemos chegar a uma altura em que há turistas no país e não temos hotéis para os receber, se não tivermos apoios o que vai acontecer é hotéis a falir", avisa o presidente da AHP.
3.8.17
Restauração e alojamento essenciais para redução do desemprego - Ahresp
in Diário de Noticias
A Associação de Restauração e Similares de Portugal (Ahresp) definiu hoje os setores da restauração e alojamento como "essenciais" para a redução do desemprego em Portugal, valorizando os dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).
"Pela primeira vez em mais de 11 anos, a taxa de desemprego ficou abaixo da média dos parceiros da zona euro, com o setor da restauração e bebidas a ter um contributo fundamental", valoriza a associação, em nota hoje divulgada à imprensa.
Dada a "continuidade sustentada do crescimento do turismo em 2017", estima-se que os dados do desemprego referentes ao primeiro semestre de 2017 - a divulgar no decorrer de outubro - "sejam ainda mais otimistas", prossegue a Ahresp.
O Instituto Nacional de Estatística reviu na semana passada em baixa de 0,2 pontos percentuais a taxa de desemprego de maio para 9,2%, o valor mais baixo desde novembro de 2008, estimando para junho uma nova descida para 9,0%.
Em termos homólogos, o valor provisório apontado para o INE para junho representa uma descida face aos 11,1% observados um ano antes.
A Associação de Restauração e Similares de Portugal (Ahresp) definiu hoje os setores da restauração e alojamento como "essenciais" para a redução do desemprego em Portugal, valorizando os dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).
"Pela primeira vez em mais de 11 anos, a taxa de desemprego ficou abaixo da média dos parceiros da zona euro, com o setor da restauração e bebidas a ter um contributo fundamental", valoriza a associação, em nota hoje divulgada à imprensa.
Dada a "continuidade sustentada do crescimento do turismo em 2017", estima-se que os dados do desemprego referentes ao primeiro semestre de 2017 - a divulgar no decorrer de outubro - "sejam ainda mais otimistas", prossegue a Ahresp.
O Instituto Nacional de Estatística reviu na semana passada em baixa de 0,2 pontos percentuais a taxa de desemprego de maio para 9,2%, o valor mais baixo desde novembro de 2008, estimando para junho uma nova descida para 9,0%.
Em termos homólogos, o valor provisório apontado para o INE para junho representa uma descida face aos 11,1% observados um ano antes.
8.5.15
Hotelaria e restauração perdeu 17,5% do emprego nos últimos seis meses
por Dinheiro Vivo
ARESP diz que nos últimos seis meses perderam-se 53 mil empregos
A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) afirma que nos últimos seis meses foram destruídos quase 53.000 postos de trabalho no setor, o que representa uma quebra acumulada de 17,5% nos últimos dois trimestres.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na quarta-feira que a taxa de desemprego aumentou 0,2 pontos percentuais em cadeia no primeiro trimestre deste ano face ao anterior, fixando-se nos 13,7%. Nesse trimestre, a taxa de desemprego já havia registado um acréscimo trimestral de 0,4 pontos percentuais.
Depois desta divulgação, a AHRESP solicitou ao INE os números relativos ao setor e verificou que, depois de no último trimestre do ano passado terem sido destruídos cerca de 29.400 postos de trabalho, também no primeiro trimestre deste ano houve uma nova queda, e semelhante, nos postos de trabalho.
"Estimávamos que o nosso setor ia cair de novo neste primeiro trimestre do ano. E caiu. Para 249.100 postos de trabalho. Ou seja, uma destruição de 52.900 postos de trabalho, 17,5% do total da força de trabalho da restauração e da hotelaria entre o terceiro trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2015. Estamos a falar de seis meses de catástrofe total", disse à agência Lusa o diretor da AHRESP, José Manuel Esteves.
Para a associação que representa o setor, "a carga fiscal", nomeadamente no que diz respeito ao Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na restauração, que aumentou de 13% para 23% em 2012, é a principal causa para que as empresas do setor não consigam manter os postos de trabalho.
"O IVA, que no fundo não é um imposto sobre as empresas, é sobre o consumo, não o podemos repercutir nos nossos preços de venda porque não há poder de compra (...) Não aumentando os preços de venda estamos a dispensar força de trabalho, enquanto não fechamos a porta", disse o diretor da associação.
José Manuel Esteves mostrou-se ainda satisfeito com o facto de a oposição apresentar propostas para a redução do IVA na restauração: "Felizmente já há alguns partidos políticos a anunciarem que [ela] é fundamental, não só pelas questões do emprego, mas também para a sobrevivência de um setor de forte empregabilidade".
Segundo a AHRESP, a taxa de IVA em Portugal é a mais elevada da zona euro, considerando que "o aumento de 77% do IVA em 2012 [de 13% para 23%] colocou Portugal muito acima da média da União Monetária e Financeira -- que é de 13,6% - retirando competitividade ao país, face a outros como a Holanda (6%), a Irlanda (9%), Espanha (10%), França (10%), Itália (10%) e Grécia (13%)".
A AHRESP alerta que sem trabalhadores "não é possível garantir a qualidade de serviço ao setor do turismo" e que "sem turismo a economia nacional não cresce", apontando que sem a hotelaria e a restauração o contributo do turismo para o Produto Interno Nacional (PIB) "descia de 10% para 5,6%".
ARESP diz que nos últimos seis meses perderam-se 53 mil empregos
A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) afirma que nos últimos seis meses foram destruídos quase 53.000 postos de trabalho no setor, o que representa uma quebra acumulada de 17,5% nos últimos dois trimestres.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na quarta-feira que a taxa de desemprego aumentou 0,2 pontos percentuais em cadeia no primeiro trimestre deste ano face ao anterior, fixando-se nos 13,7%. Nesse trimestre, a taxa de desemprego já havia registado um acréscimo trimestral de 0,4 pontos percentuais.
Depois desta divulgação, a AHRESP solicitou ao INE os números relativos ao setor e verificou que, depois de no último trimestre do ano passado terem sido destruídos cerca de 29.400 postos de trabalho, também no primeiro trimestre deste ano houve uma nova queda, e semelhante, nos postos de trabalho.
"Estimávamos que o nosso setor ia cair de novo neste primeiro trimestre do ano. E caiu. Para 249.100 postos de trabalho. Ou seja, uma destruição de 52.900 postos de trabalho, 17,5% do total da força de trabalho da restauração e da hotelaria entre o terceiro trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2015. Estamos a falar de seis meses de catástrofe total", disse à agência Lusa o diretor da AHRESP, José Manuel Esteves.
Para a associação que representa o setor, "a carga fiscal", nomeadamente no que diz respeito ao Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na restauração, que aumentou de 13% para 23% em 2012, é a principal causa para que as empresas do setor não consigam manter os postos de trabalho.
"O IVA, que no fundo não é um imposto sobre as empresas, é sobre o consumo, não o podemos repercutir nos nossos preços de venda porque não há poder de compra (...) Não aumentando os preços de venda estamos a dispensar força de trabalho, enquanto não fechamos a porta", disse o diretor da associação.
José Manuel Esteves mostrou-se ainda satisfeito com o facto de a oposição apresentar propostas para a redução do IVA na restauração: "Felizmente já há alguns partidos políticos a anunciarem que [ela] é fundamental, não só pelas questões do emprego, mas também para a sobrevivência de um setor de forte empregabilidade".
Segundo a AHRESP, a taxa de IVA em Portugal é a mais elevada da zona euro, considerando que "o aumento de 77% do IVA em 2012 [de 13% para 23%] colocou Portugal muito acima da média da União Monetária e Financeira -- que é de 13,6% - retirando competitividade ao país, face a outros como a Holanda (6%), a Irlanda (9%), Espanha (10%), França (10%), Itália (10%) e Grécia (13%)".
A AHRESP alerta que sem trabalhadores "não é possível garantir a qualidade de serviço ao setor do turismo" e que "sem turismo a economia nacional não cresce", apontando que sem a hotelaria e a restauração o contributo do turismo para o Produto Interno Nacional (PIB) "descia de 10% para 5,6%".
Subscrever:
Mensagens (Atom)


