José Volta e Pinto, in Público online
Os trabalhadores da agência de notícias iniciaram nesta quinta-feira um período de quatro dias de greve. Em que é que este protesto afecta o funcionamento dos órgãos de comunicação social portugueses?
Os trabalhadores da agência Lusa iniciaram nesta quinta-feira, à meia-noite, uma greve que dura até às 23h59 do próximo domingo, 2 de Abril. A paragem deve-se à exigência de "aumentos salariais dignos", depois de anos sem subidas na remuneração. A interrupção de quatro dias nos serviços da Lusa afecta todos os órgãos de comunicação de Portugal, que dependem da agência para garantir uma cobertura noticiosa completa. Mas o que faz ao certo a agência Lusa?
Para que serve a agência Lusa?
A agência Lusa é a única agência de notícias não religiosas de Portugal – já que a Ecclesia se foca em notícias da Igreja Católica – e a maior agência de notícias de língua portuguesa no mundo. Foi fundada em 1986, depois da extinção da Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e da Notícias de Portugal (NP), e iniciou actividade a 1 de Janeiro de 1987.
A agência Lusa distribui serviço noticioso nacional e internacional, sendo o “principal fornecedor de notícias” dos meios de comunicação portugueses, pode ler-se no site.
A cobertura da Lusa vai da actualidade internacional até a acontecimentos locais em Portugal, sendo crucial para o funcionamento para os órgãos de comunicação nacionais e regionais. Garante uma cobertura abrangente que as redacções de cada jornal, televisão ou rádio – em particular dos meios regionais – não conseguem garantir por si. Para os utentes internacionais, permite a difusão de conteúdo de Portugal e da lusofonia.
O conteúdo difundido pela Lusa não é só texto: é a maior fornecedora de imagens em Portugal, sendo uma das agências fundadoras da European Pressphoto Agency (EPA) e a distribuidora exclusiva, em território nacional, das fotografias de todas as restantes agências europeias integrantes. Disponibiliza também serviço de vídeo e de rádio.
Quantas pessoas trabalham na Lusa?
A agência conta com 260 trabalhadores, dos quais 220 são jornalistas efectivos, de acordo com Irina Melo, da Comissão de Trabalhadores da Lusa. A estes, somam-se ainda “90 jornalistas com avença” ou que recebem “à peça” (por cada trabalho desenvolvido utilizado pela agência).
Irina Melo lembra também que a Lusa tem jornalistas em todos os países de língua portuguesa, assim como em outros pontos do mundo.
Que outras agências existem?
As principais agências de notícias internacionais são a Agence France-Presse (AFP) – a mais antiga do mundo, fundada em 1835 –, a Reuters e a Associated Press (AP). Estas três têm uma cobertura mais ampla do que as outras agências, com escritórios na maior parte dos países do mundo, e servem a maioria dos órgãos de comunicação social de Portugal. A estas três segue-se a agência EFE, a maior distribuidora de conteúdos noticiosos em língua espanhola.
As agências podem ser entidades privadas ou detidas pelos Estados. Em alguns casos podem servir de veículo de informação dos próprios governos – a Xinhua, da China, ou a TASS, da Rússia, têm sido várias vezes acusadas de serem veículos de propaganda e desinformação.
A agência Lusa é maioritariamente detida pelo Estado português, que controla 50,15% das acções.
O que reivindicam os trabalhadores da Lusa?
Os trabalhadores da Lusa reclamam por um aumento salarial depois de vários anos sem aumentos “reais”. “Há 12 anos que [os trabalhadores da Lusa] não têm aumentos reais”, precisa ao PÚBLICO Irina Melo.
Os trabalhadores da agência aprovaram, a 3 de Novembro de 2022, um caderno reivindicativo que previa a exigência de um “aumento condigno”, sublinha Irina Melo. A lista de reivindicações incluía ainda a actualização do subsídio de refeição e a criação de um subsídio parental de 100 euros por cada filho, entre outros.
O anúncio da greve foi feito no início de Março, depois de a administração da agência ter apresentado uma contraproposta de aumento salarial de 35 euros, em resposta ao pedido de 120 euros feito pelos trabalhadores. Na sequência de uma reunião com a administração nesta segunda-feira, foi apresentada uma proposta para subir o aumento de 35 para 74 euros, um valor que não é suficiente para os reivindicadores.
Os trabalhadores da Lusa baixaram o pedido de aumento de 120 para 100 euros, pedindo ainda o aumento do subsídio de alimentação para o máximo não tributado e a aglutinação do subsídio de transporte sem aumento. A administração não aceitou e a greve foi marcada: com início às 00h desta quinta-feira, dura quatro dias, até às 23h59 de 2 de Abril.
Qual o impacto da greve no funcionamento dos órgãos de comunicação social?
A greve condiciona os conteúdos divulgados pelos jornais nacionais e regionais, que recorrem muitas vezes ao serviço da Lusa para noticiar eventos ou acontecimentos para os quais não há jornalistas disponíveis – tanto em questões internacionais, como no âmbito regional. Esta utilização aplica-se tanto nos jornais nacionais, como o caso do PÚBLICO, como em órgãos de comunicação regionais, em que a cobertura abrangente da agência serve de complemento ao trabalho no terreno.
No caso de alguns meios de comunicação locais, principalmente rádios, o serviço da Lusa é indispensável para os blocos noticiosos.
"A Lusa tornou-se um parceiro incontornável para as rádios subscritoras deste serviço, muito especialmente para as rádios locais, que contam com o nosso trabalho diário para lhes levar a voz dos protagonistas da actualidade", escreve a agência no site.
Mostrar mensagens com a etiqueta Jornais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jornais. Mostrar todas as mensagens
31.3.23
5.11.21
Levar o jornal para a sala de aula é meio caminho andado para uma “cidadania activa”
Isabel Moura, in Público on-line
O jornalismo como ferramenta para o exercício da cidadania e como recurso pedagógico foi tema da acção de formação dirigida a professores.
Decorreu esta quinta-feira, 4 de Novembro, a partir da biblioteca da Escola Secundária Camões, em Lisboa, uma acção de formação destinada a professores promovida pelo Plano Nacional das Artes (PNA) em parceria com o jornal PÚBLICO. Cerca de 420 professores acompanharam, em directo, a sessão com o tema “O jornal como recurso pedagógico”, através do canal Youtube da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
O evento contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa e do Secretário de Estado do Cinema Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva. João Costa referiu-se ao jornal como “um mundo que se abre enquanto recurso pedagógico, na promoção de novas literacias mais aprofundadas, mas também, e sobretudo, na capacidade de trazer a cidadania para dentro das escolas”. Defendeu ainda que “o jornal e a imprensa livre são dos principais sintomas de uma democracia plena”. Trazer o jornal para a escola é, segundo o Secretário de Estado, “trazer o espaço do pluralismo, o espaço do debate, o espaço do diálogo, o espaço do confronto de ideias, mas também o território do conhecimento e não das pseudo-informações que vivem à nossa volta neste momento”. Nuno Artur Silva reforçou a importância dada ao jornalismo acrescentando que “quando o jornalismo está sob ameaça, também a democracia está”. E considerou que “a defesa da democracia faz-se na aula, na escola, com a ajuda do jornalismo”.
Também para o Comissário do PNA, Paulo Pires do Vale, “o papel dos media é fundamental para, nomeadamente, promover uma verdadeira cidadania cultural”. “Queremos muito transformar os media em território educativo. O jornal é território educativo e a escola é também uma produtora mediática”, sustentou.
Conduzida por vários elementos do jornal PÚBLICO, a formação pretendeu demonstrar a importância que o jornalismo pode ter na educação dos mais jovens. O jornal pode ser, como o título da acção sugere, um verdadeiro “recurso pedagógico”
O projecto PÚBLICO na Escola, criado em parceria com o PNA, tem demonstrado isso mesmo. Luísa Gonçalves, coordenadora do projecto sublinhou que “há mundo para além do manual escolar”. A leitura “não deve ser limitada aos textos escolares e trabalhar com conteúdos jornalísticos deve ser uma prática sistemática e regular”. Segundo a jornalista “essa ferramenta permite desenvolver as competências e promover as literacias de informação e dos media, bem como contribui para a cidadania activa, o espírito crítico e a capacidade de argumentação”. Além do mais o jornal é “actual, real, diversificado, multidisciplinar, interdisciplinar e plural”, acrescenta.
Para Manuel Carvalho, director do PÚBLICO, o projecto PÚBLICO na Escola - que promove, incentiva e ajuda na criação de jornais escolares - tem um carácter de responsabilidade social. O director considera que o jornalismo escolar deve ser encarado como “uma ferramenta, um instrumento divertido para que alunos tenham mais consciência ou responsabilidade pelo que se passa na sua escola ou comunidade”, promovendo, assim “uma sociedade mais justa e coesa”. Defende ainda que “uma sociedade com informação de qualidade, baseada na verdade e no interesse colectivo, com a população mais informada, é um espaço mais rico e democrático”, pelo que reconhece o jornalismo como um verdadeiro recurso para a cidadania.
Nesta formação, os professores aprenderam não só como criar um jornal escolar como utilizar os conteúdos jornalísticos em contexto de sala de aulas. Verbos como envolver, perguntar, situar e escolher fazem parte do jargão jornalístico que os professores ficaram a conhecer através da jornalista Bárbara Simões, coordenadora do PÚBLICO na Escola. Teresa Abecassis, jornalista multimédia, indicou ferramentas para construir um jornal escolar, merecendo elogios na caixa dos comentários. Uma das participantes comentou estar “a aprender mais em meia hora do que em horas a fio de capacitação digital”.
Durante o evento foi anunciado o lançamento do concurso “Vamos fazer um plano” que pretende promover o debate sobre cultura, artes e património, fomentar os jornais como recursos pedagógicos para o conhecimento, fomentar a literacia mediática e combater a desinformação. O regulamento será publicado até final do mês. Os cinco vencedores do concurso terão a oportunidade de receber uma mentoria profissional e ver o seu trabalho publicado em duas páginas do jornal PÚBLICO. O objectivo é dar voz aos alunos e às questões culturais.
Texto editado por Rita Ferreira
O jornalismo como ferramenta para o exercício da cidadania e como recurso pedagógico foi tema da acção de formação dirigida a professores.
Decorreu esta quinta-feira, 4 de Novembro, a partir da biblioteca da Escola Secundária Camões, em Lisboa, uma acção de formação destinada a professores promovida pelo Plano Nacional das Artes (PNA) em parceria com o jornal PÚBLICO. Cerca de 420 professores acompanharam, em directo, a sessão com o tema “O jornal como recurso pedagógico”, através do canal Youtube da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.
O evento contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa e do Secretário de Estado do Cinema Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva. João Costa referiu-se ao jornal como “um mundo que se abre enquanto recurso pedagógico, na promoção de novas literacias mais aprofundadas, mas também, e sobretudo, na capacidade de trazer a cidadania para dentro das escolas”. Defendeu ainda que “o jornal e a imprensa livre são dos principais sintomas de uma democracia plena”. Trazer o jornal para a escola é, segundo o Secretário de Estado, “trazer o espaço do pluralismo, o espaço do debate, o espaço do diálogo, o espaço do confronto de ideias, mas também o território do conhecimento e não das pseudo-informações que vivem à nossa volta neste momento”. Nuno Artur Silva reforçou a importância dada ao jornalismo acrescentando que “quando o jornalismo está sob ameaça, também a democracia está”. E considerou que “a defesa da democracia faz-se na aula, na escola, com a ajuda do jornalismo”.
Também para o Comissário do PNA, Paulo Pires do Vale, “o papel dos media é fundamental para, nomeadamente, promover uma verdadeira cidadania cultural”. “Queremos muito transformar os media em território educativo. O jornal é território educativo e a escola é também uma produtora mediática”, sustentou.
Conduzida por vários elementos do jornal PÚBLICO, a formação pretendeu demonstrar a importância que o jornalismo pode ter na educação dos mais jovens. O jornal pode ser, como o título da acção sugere, um verdadeiro “recurso pedagógico”
O projecto PÚBLICO na Escola, criado em parceria com o PNA, tem demonstrado isso mesmo. Luísa Gonçalves, coordenadora do projecto sublinhou que “há mundo para além do manual escolar”. A leitura “não deve ser limitada aos textos escolares e trabalhar com conteúdos jornalísticos deve ser uma prática sistemática e regular”. Segundo a jornalista “essa ferramenta permite desenvolver as competências e promover as literacias de informação e dos media, bem como contribui para a cidadania activa, o espírito crítico e a capacidade de argumentação”. Além do mais o jornal é “actual, real, diversificado, multidisciplinar, interdisciplinar e plural”, acrescenta.
Para Manuel Carvalho, director do PÚBLICO, o projecto PÚBLICO na Escola - que promove, incentiva e ajuda na criação de jornais escolares - tem um carácter de responsabilidade social. O director considera que o jornalismo escolar deve ser encarado como “uma ferramenta, um instrumento divertido para que alunos tenham mais consciência ou responsabilidade pelo que se passa na sua escola ou comunidade”, promovendo, assim “uma sociedade mais justa e coesa”. Defende ainda que “uma sociedade com informação de qualidade, baseada na verdade e no interesse colectivo, com a população mais informada, é um espaço mais rico e democrático”, pelo que reconhece o jornalismo como um verdadeiro recurso para a cidadania.
Nesta formação, os professores aprenderam não só como criar um jornal escolar como utilizar os conteúdos jornalísticos em contexto de sala de aulas. Verbos como envolver, perguntar, situar e escolher fazem parte do jargão jornalístico que os professores ficaram a conhecer através da jornalista Bárbara Simões, coordenadora do PÚBLICO na Escola. Teresa Abecassis, jornalista multimédia, indicou ferramentas para construir um jornal escolar, merecendo elogios na caixa dos comentários. Uma das participantes comentou estar “a aprender mais em meia hora do que em horas a fio de capacitação digital”.
Durante o evento foi anunciado o lançamento do concurso “Vamos fazer um plano” que pretende promover o debate sobre cultura, artes e património, fomentar os jornais como recursos pedagógicos para o conhecimento, fomentar a literacia mediática e combater a desinformação. O regulamento será publicado até final do mês. Os cinco vencedores do concurso terão a oportunidade de receber uma mentoria profissional e ver o seu trabalho publicado em duas páginas do jornal PÚBLICO. O objectivo é dar voz aos alunos e às questões culturais.
Texto editado por Rita Ferreira
Subscrever:
Mensagens (Atom)


