José Volta e Pinto, in Público online
Os trabalhadores da agência de notícias iniciaram nesta quinta-feira um período de quatro dias de greve. Em que é que este protesto afecta o funcionamento dos órgãos de comunicação social portugueses?
Os trabalhadores da agência Lusa iniciaram nesta quinta-feira, à meia-noite, uma greve que dura até às 23h59 do próximo domingo, 2 de Abril. A paragem deve-se à exigência de "aumentos salariais dignos", depois de anos sem subidas na remuneração. A interrupção de quatro dias nos serviços da Lusa afecta todos os órgãos de comunicação de Portugal, que dependem da agência para garantir uma cobertura noticiosa completa. Mas o que faz ao certo a agência Lusa?
Para que serve a agência Lusa?
A agência Lusa é a única agência de notícias não religiosas de Portugal – já que a Ecclesia se foca em notícias da Igreja Católica – e a maior agência de notícias de língua portuguesa no mundo. Foi fundada em 1986, depois da extinção da Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e da Notícias de Portugal (NP), e iniciou actividade a 1 de Janeiro de 1987.
A agência Lusa distribui serviço noticioso nacional e internacional, sendo o “principal fornecedor de notícias” dos meios de comunicação portugueses, pode ler-se no site.
A cobertura da Lusa vai da actualidade internacional até a acontecimentos locais em Portugal, sendo crucial para o funcionamento para os órgãos de comunicação nacionais e regionais. Garante uma cobertura abrangente que as redacções de cada jornal, televisão ou rádio – em particular dos meios regionais – não conseguem garantir por si. Para os utentes internacionais, permite a difusão de conteúdo de Portugal e da lusofonia.
O conteúdo difundido pela Lusa não é só texto: é a maior fornecedora de imagens em Portugal, sendo uma das agências fundadoras da European Pressphoto Agency (EPA) e a distribuidora exclusiva, em território nacional, das fotografias de todas as restantes agências europeias integrantes. Disponibiliza também serviço de vídeo e de rádio.
Quantas pessoas trabalham na Lusa?
A agência conta com 260 trabalhadores, dos quais 220 são jornalistas efectivos, de acordo com Irina Melo, da Comissão de Trabalhadores da Lusa. A estes, somam-se ainda “90 jornalistas com avença” ou que recebem “à peça” (por cada trabalho desenvolvido utilizado pela agência).
Irina Melo lembra também que a Lusa tem jornalistas em todos os países de língua portuguesa, assim como em outros pontos do mundo.
Que outras agências existem?
As principais agências de notícias internacionais são a Agence France-Presse (AFP) – a mais antiga do mundo, fundada em 1835 –, a Reuters e a Associated Press (AP). Estas três têm uma cobertura mais ampla do que as outras agências, com escritórios na maior parte dos países do mundo, e servem a maioria dos órgãos de comunicação social de Portugal. A estas três segue-se a agência EFE, a maior distribuidora de conteúdos noticiosos em língua espanhola.
As agências podem ser entidades privadas ou detidas pelos Estados. Em alguns casos podem servir de veículo de informação dos próprios governos – a Xinhua, da China, ou a TASS, da Rússia, têm sido várias vezes acusadas de serem veículos de propaganda e desinformação.
A agência Lusa é maioritariamente detida pelo Estado português, que controla 50,15% das acções.
O que reivindicam os trabalhadores da Lusa?
Os trabalhadores da Lusa reclamam por um aumento salarial depois de vários anos sem aumentos “reais”. “Há 12 anos que [os trabalhadores da Lusa] não têm aumentos reais”, precisa ao PÚBLICO Irina Melo.
Os trabalhadores da agência aprovaram, a 3 de Novembro de 2022, um caderno reivindicativo que previa a exigência de um “aumento condigno”, sublinha Irina Melo. A lista de reivindicações incluía ainda a actualização do subsídio de refeição e a criação de um subsídio parental de 100 euros por cada filho, entre outros.
O anúncio da greve foi feito no início de Março, depois de a administração da agência ter apresentado uma contraproposta de aumento salarial de 35 euros, em resposta ao pedido de 120 euros feito pelos trabalhadores. Na sequência de uma reunião com a administração nesta segunda-feira, foi apresentada uma proposta para subir o aumento de 35 para 74 euros, um valor que não é suficiente para os reivindicadores.
Os trabalhadores da Lusa baixaram o pedido de aumento de 120 para 100 euros, pedindo ainda o aumento do subsídio de alimentação para o máximo não tributado e a aglutinação do subsídio de transporte sem aumento. A administração não aceitou e a greve foi marcada: com início às 00h desta quinta-feira, dura quatro dias, até às 23h59 de 2 de Abril.
Qual o impacto da greve no funcionamento dos órgãos de comunicação social?
A greve condiciona os conteúdos divulgados pelos jornais nacionais e regionais, que recorrem muitas vezes ao serviço da Lusa para noticiar eventos ou acontecimentos para os quais não há jornalistas disponíveis – tanto em questões internacionais, como no âmbito regional. Esta utilização aplica-se tanto nos jornais nacionais, como o caso do PÚBLICO, como em órgãos de comunicação regionais, em que a cobertura abrangente da agência serve de complemento ao trabalho no terreno.
No caso de alguns meios de comunicação locais, principalmente rádios, o serviço da Lusa é indispensável para os blocos noticiosos.
"A Lusa tornou-se um parceiro incontornável para as rádios subscritoras deste serviço, muito especialmente para as rádios locais, que contam com o nosso trabalho diário para lhes levar a voz dos protagonistas da actualidade", escreve a agência no site.
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31.3.23
7.8.19
Imprensa: EAPN Portugal distingue jornalismo que analisa a «pobreza» de «forma digna, livre de preconceito»
in Ecclesia
Porto, 07 ago 2019 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal escolheu as reportagens “Esta escola já não é só para ciganos” e “Esta é uma vitória nossa”, dos jornais ‘Público’ e ‘O Setubalense’, como vencedores do prémio ‘Analisar a Pobreza na Imprensa’.
“O jornalismo sempre teve um papel fundamental no desenvolvimento da vida democrática, denunciando os abusos dos direitos humanos; as notícias sobre pobreza e exclusão social podem, por vezes, ter por base simplificações excessivas e imagens estereotipadas de culpabilização”, afirma a EAPN Portugal em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.
Na primeira edição, o prémio de jornalismo ‘Analisar a pobreza na Imprensa’ atribuiu o primeiro prémio, na categoria imprensa nacional, ao trabalho “Esta escola já não é só para ciganos”, da jornalista Ana Cristina Pereira e do fotojornalista Adriano Miranda, publicado no jornal ‘Público’ a 28 de outubro de 2018; na imprensa regional, “Esta é uma vitória nossa”, do jornal ‘O Setubalense’ (de 21 de dezembro), de Ana Martins Ventura e Alex Gaspar.
A EAPN Portugal destaca que o prémio distingue trabalhos que abordem a pobreza e a exclusão social “de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas”.
No segundo prémio foram distinguidas as reportagens “Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?” (2 de dezembro), da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues do ‘Diário de Notícias; e “Inclusão – Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar” do Jornal Região de Leiria (22 de novembro), do jornalista Carlos S. Almeida e do fotojornalista Joaquim Dâmaso.
O jornal ‘Público’ venceu também o 3º prémio na categoria imprensa nacional com “Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?”, de Ana Cristina Pereira e Paulo Pimenta, publicado a 8 de novembro, enquanto na imprensa regional foi escolhido o trabalho “Sementes da Globalização”, da jornalista Daniela Franco Sousa e do fotojornalista Ricardo Graça do Jornal de Leiria, com data de 20 de dezembro.
A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza informa ainda que o 1.º lugar das duas categorias vai receber um prémio, uma peça do artista plástico João Carqueijeiro.
A cerimónia de entrega dos prémios vai realizar-se às 18h00, do dia 16 de outubro, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, inserida no Fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social, que vai ter como tema ‘A pobreza é notícia? O papel dos media no combate à pobreza’.
Ao todo foram recebidos 58 trabalhos jornalísticos – 28 nacionais e 30 regionais.
O prémio de jornalismo foi criado em 2010 pela EAPN Áustria; a EAPN Portugal quer “dar-lhe continuidade e alargar o seu âmbito a outras categorias”.
A EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti Pobreza) foi fundada em 1990, em Bruxelas, e está em 31 países, nomeadamente em Portugal desde 17 de dezembro do ano seguinte, com sede no Porto.
CB/OC
Porto, 07 ago 2019 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal escolheu as reportagens “Esta escola já não é só para ciganos” e “Esta é uma vitória nossa”, dos jornais ‘Público’ e ‘O Setubalense’, como vencedores do prémio ‘Analisar a Pobreza na Imprensa’.
“O jornalismo sempre teve um papel fundamental no desenvolvimento da vida democrática, denunciando os abusos dos direitos humanos; as notícias sobre pobreza e exclusão social podem, por vezes, ter por base simplificações excessivas e imagens estereotipadas de culpabilização”, afirma a EAPN Portugal em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.
Na primeira edição, o prémio de jornalismo ‘Analisar a pobreza na Imprensa’ atribuiu o primeiro prémio, na categoria imprensa nacional, ao trabalho “Esta escola já não é só para ciganos”, da jornalista Ana Cristina Pereira e do fotojornalista Adriano Miranda, publicado no jornal ‘Público’ a 28 de outubro de 2018; na imprensa regional, “Esta é uma vitória nossa”, do jornal ‘O Setubalense’ (de 21 de dezembro), de Ana Martins Ventura e Alex Gaspar.
A EAPN Portugal destaca que o prémio distingue trabalhos que abordem a pobreza e a exclusão social “de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas”.
No segundo prémio foram distinguidas as reportagens “Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?” (2 de dezembro), da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues do ‘Diário de Notícias; e “Inclusão – Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar” do Jornal Região de Leiria (22 de novembro), do jornalista Carlos S. Almeida e do fotojornalista Joaquim Dâmaso.
O jornal ‘Público’ venceu também o 3º prémio na categoria imprensa nacional com “Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?”, de Ana Cristina Pereira e Paulo Pimenta, publicado a 8 de novembro, enquanto na imprensa regional foi escolhido o trabalho “Sementes da Globalização”, da jornalista Daniela Franco Sousa e do fotojornalista Ricardo Graça do Jornal de Leiria, com data de 20 de dezembro.
A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza informa ainda que o 1.º lugar das duas categorias vai receber um prémio, uma peça do artista plástico João Carqueijeiro.
A cerimónia de entrega dos prémios vai realizar-se às 18h00, do dia 16 de outubro, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, inserida no Fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social, que vai ter como tema ‘A pobreza é notícia? O papel dos media no combate à pobreza’.
Ao todo foram recebidos 58 trabalhos jornalísticos – 28 nacionais e 30 regionais.
O prémio de jornalismo foi criado em 2010 pela EAPN Áustria; a EAPN Portugal quer “dar-lhe continuidade e alargar o seu âmbito a outras categorias”.
A EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti Pobreza) foi fundada em 1990, em Bruxelas, e está em 31 países, nomeadamente em Portugal desde 17 de dezembro do ano seguinte, com sede no Porto.
CB/OC
Jornalistas do DN Ana Mafalda Inácio e Reinaldo Rodrigues ganham prémio
in DN
A jornalista Ana Mafalda Inácio e o fotojornalista Reinaldo Rodrigues ganharam o 2º prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza, com a reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?"
Na Semear, um grupo de jovens portadores de uma defiência faz formação para procurar um lugar no mercado de trabalho. Hoje, é diferente de ontem e têm esperança, querem ter.© Reinaldo Rodrigues
Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?
A sociedade portuguesa é inclusiva? A pergunta serviu de ponto de partida para o trabalho da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues que fizeram um retrato da população com deficiência. Histórias na primeira pessoa de quem lida diariamente com esta realidade foram dadas a conhecer na reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?", publicada a 2 de dezembro de 2018, e que acaba de ser distinguida com o 2º lugar (na Categoria Imprensa Nacional) na primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza.
"Acho que é um trabalho importante a partir do qual tentamos chamar a atenção para uma realidade da sociedade portuguesa que tem estado escondida", diz a jornalista Ana Mafalda Inácio, "grata pelo reconhecimento do trabalho que o DN fez".
"'O medo está na base de todas as formas de exclusão, tal como a confiança está na génese de todas as formas de inclusão'. A frase é de Jean Vanier, o homem que fundou a Arca, L'Arche, a comunidade no norte de França que acolhe homens e mulheres portadores de deficiência mental. E que ao longo do trabalho que o DN agora inicia, com um ciclo de reportagens, histórias na primeira pessoa, de crianças, jovens, pais, que lidam com esta realidade, nos remeteu para uma única questão: do que temos medo? "Ou melhor, do que tem medo a sociedade portuguesa quando se olha para o mercado de trabalho e a taxa de desemprego com pessoas com deficiência aumentou nos últimos anos, quando a taxa da população geral diminuiu? Do que tem medo a sociedade quando as queixas por discriminação a pessoas com deficiência aumentaram em 2017, do que se tem medo quando ainda nas escolas, nas empresas, nos transportes, nos cafés, na rua, não somos ainda capazes de olhar para os outros não pela sua incapacidade mas pela pessoa que são?", escreveu Ana Mafalda Inácio no artigo que foi agora premiado.
"Tentamos alertar a sociedade portuguesa para uma realidade que afeta mais de um milhão de pessoas e que há muito está escondida", refere a jornalista.
Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?
Na Categoria de Imprensa Nacional, o 1º lugar foi atribuído à reportagem "Esta escola já não é só para ciganos", dos jornalistas Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, do jornal Público, e 3º lugar foi para "Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?", também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com o fotojornalista Paulo Pimenta.
"Este é um prémio importante que destaca trabalhos que mostram uma realidade escondida da sociedade portuguesa", realça Ana Mafalda Inácio, referindo-se às reportagens que também foram premiadas nesta primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa".
A iniciativa tem como objetivo distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social "de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias". Em 2018, foram selecionados e analisados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos 28 notícias de âmbito nacional e 30 notícias de âmbito regional.
Na Categoria de Imprensa Regional, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) foram distinguidos com o 1º lugar com a peça "Esta é uma vitória nossa". Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com o trabalho "Inclusão - Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar", e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com "Sementes da Globalização" foram premiados com o 2º e 3º lugar, respetivamente.
Nas duas categorias, nacional e regional, o primeiro lugar vai receber como prémio uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico.
A atribuição dos prémios está prevista para o dia 16 de outubro, a partir das 18:00, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto.
A jornalista Ana Mafalda Inácio e o fotojornalista Reinaldo Rodrigues ganharam o 2º prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza, com a reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?"
Na Semear, um grupo de jovens portadores de uma defiência faz formação para procurar um lugar no mercado de trabalho. Hoje, é diferente de ontem e têm esperança, querem ter.© Reinaldo Rodrigues
Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?
A sociedade portuguesa é inclusiva? A pergunta serviu de ponto de partida para o trabalho da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues que fizeram um retrato da população com deficiência. Histórias na primeira pessoa de quem lida diariamente com esta realidade foram dadas a conhecer na reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?", publicada a 2 de dezembro de 2018, e que acaba de ser distinguida com o 2º lugar (na Categoria Imprensa Nacional) na primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza.
"Acho que é um trabalho importante a partir do qual tentamos chamar a atenção para uma realidade da sociedade portuguesa que tem estado escondida", diz a jornalista Ana Mafalda Inácio, "grata pelo reconhecimento do trabalho que o DN fez".
"'O medo está na base de todas as formas de exclusão, tal como a confiança está na génese de todas as formas de inclusão'. A frase é de Jean Vanier, o homem que fundou a Arca, L'Arche, a comunidade no norte de França que acolhe homens e mulheres portadores de deficiência mental. E que ao longo do trabalho que o DN agora inicia, com um ciclo de reportagens, histórias na primeira pessoa, de crianças, jovens, pais, que lidam com esta realidade, nos remeteu para uma única questão: do que temos medo? "Ou melhor, do que tem medo a sociedade portuguesa quando se olha para o mercado de trabalho e a taxa de desemprego com pessoas com deficiência aumentou nos últimos anos, quando a taxa da população geral diminuiu? Do que tem medo a sociedade quando as queixas por discriminação a pessoas com deficiência aumentaram em 2017, do que se tem medo quando ainda nas escolas, nas empresas, nos transportes, nos cafés, na rua, não somos ainda capazes de olhar para os outros não pela sua incapacidade mas pela pessoa que são?", escreveu Ana Mafalda Inácio no artigo que foi agora premiado.
"Tentamos alertar a sociedade portuguesa para uma realidade que afeta mais de um milhão de pessoas e que há muito está escondida", refere a jornalista.
Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?
Na Categoria de Imprensa Nacional, o 1º lugar foi atribuído à reportagem "Esta escola já não é só para ciganos", dos jornalistas Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, do jornal Público, e 3º lugar foi para "Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?", também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com o fotojornalista Paulo Pimenta.
"Este é um prémio importante que destaca trabalhos que mostram uma realidade escondida da sociedade portuguesa", realça Ana Mafalda Inácio, referindo-se às reportagens que também foram premiadas nesta primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa".
A iniciativa tem como objetivo distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social "de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias". Em 2018, foram selecionados e analisados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos 28 notícias de âmbito nacional e 30 notícias de âmbito regional.
Na Categoria de Imprensa Regional, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) foram distinguidos com o 1º lugar com a peça "Esta é uma vitória nossa". Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com o trabalho "Inclusão - Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar", e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com "Sementes da Globalização" foram premiados com o 2º e 3º lugar, respetivamente.
Nas duas categorias, nacional e regional, o primeiro lugar vai receber como prémio uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico.
A atribuição dos prémios está prevista para o dia 16 de outubro, a partir das 18:00, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto.
Jornalista madeirense conquista prémio da Rede Europeia Antipobreza
in DnMadeira
Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda venceram o prémio na categoria de imprensa nacional
A peça “Esta escola já não é só para ciganos” produzida pelos jornalistas do Público, a madeirense Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, mereceu a distinção na primeira edição do prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa” atribuído pela Rede Europeia Antipobreza (EAPN). Os jornalistas lusos conquistaram o título na Categoria da Imprensa Nacional.
De referir que esta série já tinha sido distinguida com o prémio Direitos da Criança em Notícia, atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) e da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), segundo avançou há pouco o site oficial do jornal Público.
Nestes prémios da EAPN a madeirense veio ainda a conquistar a ‘medalha de bronze, juntamente com Paulo Pimenta, com a peça “Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?”, avançou o Público.
Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda venceram o prémio na categoria de imprensa nacional
A peça “Esta escola já não é só para ciganos” produzida pelos jornalistas do Público, a madeirense Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, mereceu a distinção na primeira edição do prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa” atribuído pela Rede Europeia Antipobreza (EAPN). Os jornalistas lusos conquistaram o título na Categoria da Imprensa Nacional.
De referir que esta série já tinha sido distinguida com o prémio Direitos da Criança em Notícia, atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ) e da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), segundo avançou há pouco o site oficial do jornal Público.
Nestes prémios da EAPN a madeirense veio ainda a conquistar a ‘medalha de bronze, juntamente com Paulo Pimenta, com a peça “Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?”, avançou o Público.
Reportagem do PÚBLICO ganha prémio de jornalismo da Rede Europeia Antipobreza
Maria João Mesquita, in Público on-line
Reportagem Esta escola já não é só para ciganos, sobre a inclusão das crianças ciganas na escolaridade obrigatória, mereceu o primeiro lugar no prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa”, instituído pela Rede Europeia Antipobreza (EAPN).
Os jornalistas do PÚBLICO Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda foram distinguidos na primeira edição do prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa” da EAPN-Portugal/Rede Europeia Antipobreza. O primeiro lugar na Categoria da Imprensa Nacional foi atribuído à peça Esta escola já não é só para ciganos.
Acorda, vem ver a Lua: a mensagem de esperança de um fotógrafo para um menino cigano
A série de Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, de que esta reportagem faz parte, já tinha sido distinguida com o prémio Direitos da Criança em Notícia, atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens e da Sociedade Portuguesa de Autores.
Também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com Paulo Pimenta, foi distinguida a peça Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?. A esta foi atribuído o terceiro lugar.
Segundo um comunicado emitido esta tarde pela organização, o objectivo é “distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias”. O processo começou com a selecção de trabalhos jornalísticos publicados na imprensa nacional e na imprensa regional em 2018. Os trabalhos foram seleccionados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos (CLC) em situação de pobreza – um por distrito –, num total de 58 (28 nacionais e 30 regionais).
Seis desses trabalhos foram distinguidos pelo júri, constituído por quatro membros dos núcleos, Cidália Barriga (CLC de Évora), Francisco Rico (CLC de Aveiro), Jaime Filipe (CLC de Setúbal), Jaime Janeiro (CLC de Portalegre), e três académicos, Rita Simões (Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Paulo Alves (Universidade do Algarve) e Fernando Zamith (Departamento de Ciências da Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).
Dos distinguidos na Categoria da Imprensa Nacional fizeram ainda parte Ana Mafalda Inácio e Reinaldo Rodrigues (Diário de Notícias) com o trabalho Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?. Já na Categoria Imprensa Regional destacaram-se, no primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) com Esta é uma vitória nossa, Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com Inclusão – Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar, e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com Sementes da Globalização.
Em ambas as categorias – nacional e regional – só o primeiro lugar receberá um prémio, uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico. A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, no dia 16 de Outubro, pelas 18h00, no decurso do Fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social, que este ano será dedicado ao tema A pobreza é notícia? O papel dos media no combate à pobreza.
Quase 700 mil fazem voluntariado, mas Portugal está muito abaixo da média da União Europeia
Este prémio foi criado em 2010 pela EAPN- Áustria. Outros países europeus foram seguindo o exemplo. Esta é a primeira vez que a EAPN-Portugal o atribui. Pretende dar continuidade à iniciativa e abranger outras categorias.
Texto editado por Pedro Sales Dias
Reportagem Esta escola já não é só para ciganos, sobre a inclusão das crianças ciganas na escolaridade obrigatória, mereceu o primeiro lugar no prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa”, instituído pela Rede Europeia Antipobreza (EAPN).
Os jornalistas do PÚBLICO Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda foram distinguidos na primeira edição do prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa” da EAPN-Portugal/Rede Europeia Antipobreza. O primeiro lugar na Categoria da Imprensa Nacional foi atribuído à peça Esta escola já não é só para ciganos.
Acorda, vem ver a Lua: a mensagem de esperança de um fotógrafo para um menino cigano
A série de Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, de que esta reportagem faz parte, já tinha sido distinguida com o prémio Direitos da Criança em Notícia, atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens e da Sociedade Portuguesa de Autores.
Também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com Paulo Pimenta, foi distinguida a peça Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?. A esta foi atribuído o terceiro lugar.
Segundo um comunicado emitido esta tarde pela organização, o objectivo é “distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias”. O processo começou com a selecção de trabalhos jornalísticos publicados na imprensa nacional e na imprensa regional em 2018. Os trabalhos foram seleccionados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos (CLC) em situação de pobreza – um por distrito –, num total de 58 (28 nacionais e 30 regionais).
Seis desses trabalhos foram distinguidos pelo júri, constituído por quatro membros dos núcleos, Cidália Barriga (CLC de Évora), Francisco Rico (CLC de Aveiro), Jaime Filipe (CLC de Setúbal), Jaime Janeiro (CLC de Portalegre), e três académicos, Rita Simões (Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Paulo Alves (Universidade do Algarve) e Fernando Zamith (Departamento de Ciências da Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).
Dos distinguidos na Categoria da Imprensa Nacional fizeram ainda parte Ana Mafalda Inácio e Reinaldo Rodrigues (Diário de Notícias) com o trabalho Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?. Já na Categoria Imprensa Regional destacaram-se, no primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) com Esta é uma vitória nossa, Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com Inclusão – Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar, e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com Sementes da Globalização.
Em ambas as categorias – nacional e regional – só o primeiro lugar receberá um prémio, uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico. A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, no dia 16 de Outubro, pelas 18h00, no decurso do Fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social, que este ano será dedicado ao tema A pobreza é notícia? O papel dos media no combate à pobreza.
Quase 700 mil fazem voluntariado, mas Portugal está muito abaixo da média da União Europeia
Este prémio foi criado em 2010 pela EAPN- Áustria. Outros países europeus foram seguindo o exemplo. Esta é a primeira vez que a EAPN-Portugal o atribui. Pretende dar continuidade à iniciativa e abranger outras categorias.
Texto editado por Pedro Sales Dias
14.6.18
“Sou o Charlie e elas os anjos”. Acusações de machismo na conferência de media no Estoril
Rui Pedro Antunes, in o Observador
O presidente da Associação Portuguesa de Imprensa foi acusado de machismo durante conferência internacional dos Media, que alertou para os problemas de igualdade de género no jornalismo.
“Eu sou o Charlie e elas os meus anjos”.”Eu não sei se estou preparado para as partilhar com vocês”. “Vou dar um beijo a Christin em nome de todos vocês”. “Ela está envergonhada”. “Dê-me um beijinho, por favor”. “É uma mulher portuguesa, por isso, não é tão envergonhada”. As frases são todas do presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, que foi acusado de machismo na intervenção que fez no palco durante o jantar de gala World News Media Congress, que se realizou entre 6 e 8 de junho no Estoril.
Vários representantes internacionais manifestaram-se indignados com este momento, o que levou Palmeiro a pedir desculpa no último dia do congresso. Em declarações ao Observador, Palmeiro admite que teve um “momento infeliz” e diz que não queria melindrar ninguém.
No vídeo, partilhado por Yusuf Omar, um dos participantes no congresso e fundador do Hashtagourstories.com, João Palmeiro começa por dizer, dirigindo-se às mulheres que, com ele, colaboraram na organização do evento: “Elas são os meus anjos. Eu não sei se estou preparado para as partilhar com vocês. É uma dream team. Eu sou o Charlie e elas são os anjos”. Pelo meio, o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa — que incluiu os grandes grupos de media que existem no país — colocou algumas capas nas mulheres que estavam no palco.
Depois, em tom de brincadeira disse: “Agora, em nome de todos vocês, eu vou beijar Christin“. Como Christin Herger, da World Association of Newspapers, se mostrou um pouco desconfortável com a situação, Palmeiro comentou: “Ela está envergonhada“. E depois voltou a pedir enquanto se aproximava de Christin: “Dê-me um beijo, por favor“. Depois disso, quando se aproximou de outra das mulheres no palco, atirou: “Mulher portuguesa, por isso não é tão envergonhada, por isso um grande abraço e um grande beijo.”
Logo durante a conferência, questionado por Yusuf Omar, João Palmeiro admitiu que não refletiu “tanto como devia sobre o facto de todos não terem a mesma cultura” que ele. E o jornalista insistiu: “Na cultura portuguesa, a sua intervenção é aceitável?”. Ao que o presidente da API respondeu: “Absolutamente. É normal”. Depois do desconforto criado durante a conferência — que teve como um dos eventos paralelos um “Women In News Summit”, onde se discutiu os problemas de igualdade de género nos media — João Palmeiro pediu desculpa.
O presidente da API explicou ao Observador que, devido a esse desconforto, houve um encontro dos responsáveis da organização sobre se devia pedir desculpa e sobre a forma como o iria fazer. João Palmeiro explica ao Observador que esse pedido de desculpas foi “muito simples”: “Disse que se havia pessoas que se sentiam ofendidas, que pedia desculpa a essas pessoas”.
João Palmeiro justifica que “foi mal percebido” e que quis fazer algo diferente enquanto agradecia às pessoas. Achou que aquele registo de “humor” era melhor do que “agradecer às pessoas com cara de pau ou dizer ‘obrigado, passem bem'”. Lembrou ainda que trabalhou com aquelas pessoas durante meses. O presidente da API lamenta o sucedido e diz que, no limite, teve um “momento infeliz”.
Várias pessoas presentes na conferência ou que acompanharam os trabalhos mostraram-se indignadas por este momento. A investigadora da área do jornalismo, Julie Posetti, pergunta mesmo: “Foi este o momento #metoo das conferências de jornalismo?”
O presidente da Associação Portuguesa de Imprensa foi acusado de machismo durante conferência internacional dos Media, que alertou para os problemas de igualdade de género no jornalismo.
“Eu sou o Charlie e elas os meus anjos”.”Eu não sei se estou preparado para as partilhar com vocês”. “Vou dar um beijo a Christin em nome de todos vocês”. “Ela está envergonhada”. “Dê-me um beijinho, por favor”. “É uma mulher portuguesa, por isso, não é tão envergonhada”. As frases são todas do presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, que foi acusado de machismo na intervenção que fez no palco durante o jantar de gala World News Media Congress, que se realizou entre 6 e 8 de junho no Estoril.
Vários representantes internacionais manifestaram-se indignados com este momento, o que levou Palmeiro a pedir desculpa no último dia do congresso. Em declarações ao Observador, Palmeiro admite que teve um “momento infeliz” e diz que não queria melindrar ninguém.
No vídeo, partilhado por Yusuf Omar, um dos participantes no congresso e fundador do Hashtagourstories.com, João Palmeiro começa por dizer, dirigindo-se às mulheres que, com ele, colaboraram na organização do evento: “Elas são os meus anjos. Eu não sei se estou preparado para as partilhar com vocês. É uma dream team. Eu sou o Charlie e elas são os anjos”. Pelo meio, o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa — que incluiu os grandes grupos de media que existem no país — colocou algumas capas nas mulheres que estavam no palco.
Depois, em tom de brincadeira disse: “Agora, em nome de todos vocês, eu vou beijar Christin“. Como Christin Herger, da World Association of Newspapers, se mostrou um pouco desconfortável com a situação, Palmeiro comentou: “Ela está envergonhada“. E depois voltou a pedir enquanto se aproximava de Christin: “Dê-me um beijo, por favor“. Depois disso, quando se aproximou de outra das mulheres no palco, atirou: “Mulher portuguesa, por isso não é tão envergonhada, por isso um grande abraço e um grande beijo.”
Logo durante a conferência, questionado por Yusuf Omar, João Palmeiro admitiu que não refletiu “tanto como devia sobre o facto de todos não terem a mesma cultura” que ele. E o jornalista insistiu: “Na cultura portuguesa, a sua intervenção é aceitável?”. Ao que o presidente da API respondeu: “Absolutamente. É normal”. Depois do desconforto criado durante a conferência — que teve como um dos eventos paralelos um “Women In News Summit”, onde se discutiu os problemas de igualdade de género nos media — João Palmeiro pediu desculpa.
O presidente da API explicou ao Observador que, devido a esse desconforto, houve um encontro dos responsáveis da organização sobre se devia pedir desculpa e sobre a forma como o iria fazer. João Palmeiro explica ao Observador que esse pedido de desculpas foi “muito simples”: “Disse que se havia pessoas que se sentiam ofendidas, que pedia desculpa a essas pessoas”.
João Palmeiro justifica que “foi mal percebido” e que quis fazer algo diferente enquanto agradecia às pessoas. Achou que aquele registo de “humor” era melhor do que “agradecer às pessoas com cara de pau ou dizer ‘obrigado, passem bem'”. Lembrou ainda que trabalhou com aquelas pessoas durante meses. O presidente da API lamenta o sucedido e diz que, no limite, teve um “momento infeliz”.
Várias pessoas presentes na conferência ou que acompanharam os trabalhos mostraram-se indignadas por este momento. A investigadora da área do jornalismo, Julie Posetti, pergunta mesmo: “Foi este o momento #metoo das conferências de jornalismo?”
8.8.16
O caso Quintino Aires
José Manuel Oliveira Antunes, in Público on-line
As afirmações do Dr. Quintino Aires não têm nenhuma base documental nem rigor, mas as reacções por elas suscitadas carecem de mais equilíbrio de critérios.
O psicólogo Dr. Quintino Aires afirmou num programa da TVI, cito o que li nos jornais, que “a etnia cigana não respeita as normas do país onde vive” e que “a maioria vive de subsídios ou trafica droga e não trabalha”. Tudo isto, a propósito da invasão com agressões, a um quartel de bombeiros em Campo Maior.
O Dr. Quintino Aires, por distracção ou porque o programa da TVI é mesmo para isso, confundiu uma “conversa de café”, com a circunstância de estar a falar para centenas de milhares de pessoas. Não é o primeiro, nem será o último.
Estima-se que os ciganos em Portugal (dados citados pelo Público em 2 de Agosto) sejam entre 40 e 60 mil. Desses, 35% auferem o Rendimento de Inserção. Ao que as estatísticas dizem, constituem 5% da população prisional.
Estes números desmentem a generalização e as conclusões empíricas do Dr. Quintino Aires, mas não deixa em todo o caso de ser preocupante, que uma etnia que representa 0,6% da população contribua com 5% dos reclusos, sem contar com os que se encontram com pena suspensa.
Mas o caso Quintino Aires, tem outra dimensão, tão ou ainda mais preocupante: A dualidade com que estas expressões públicas, do que poderia ser uma “conversa de café”, são encaradas por uma parte dos cidadãos que manifestam as suas reacções.
O facto é que perante afirmações com a matriz de “politicamente incorrectas”, surge logo uma profusão de abaixo assinados, requerimentos, pedidos de suspensão de actividade profissional, saneamento da televisão etc. etc. Não vamos opinar sobre a proporcionalidade de algumas destas queixas. Já referimos que as afirmações do Dr. Quintino Aires, não têm nenhuma base documental nem rigor e por conseguinte aconselhava o bom senso que não as tivesse feito.
Só que as reacções a declarações deste teor são também muito pouco rigorosas e carecem de mais equilíbrio de critérios.
As melhores anedotas sobre judeus são, como é sabido, escritas pelos próprios judeus. E são célebres por serem muito sarcásticas. No entanto, quando um não judeu conta uma delas, é prudente referir logo, que o autor é judeu, não vá o contador ser acusado de anti-semitismo. No entanto, se contar a mesma anedota com referência a polacos, belgas ou portugueses, não corre o risco de ser tido por xenófobo quanto a esses povos.
Podemos ouvir com facilidade em conversa de café, um cidadão de raça negra, dizer, que “os brancos só estão (por exemplo, em Angola) para explorar os pretos” e ocasionalmente, um cidadão branco, comentar noutra conversa de café, que “os pretos são uns mandriões e não querem trabalhar”. Imagine-se agora isto dito na televisão. A generalização tonta do cidadão de raça negra era logo desculpada por 400 anos de colonialismo e a atoarda, dita pelo cidadão de raça branco, era imediatamente classificada de racista.
Com o actual radicalismo islâmico, é o mesmo. Se um clérigo muçulmano prega a Jihad e incita ao ódio religioso numa mesquita na Europa, o que lhe acontece? Provavelmente nada. Se um padre católico fizer qualquer declaração que tenha um conteúdo presuntivamente anti-islâmico, é considerado um “cruzado” e se não for mudado de paróquia ou expulso, terá muita sorte.
As reacções ao caso Quintino Aires são mais um exemplo desta dualidade de critérios. Não leio tudo o que se publica, mas também não vi em lado algum, qualquer comentário critico sobre os actos de violência praticados por um grupo organizado (isso faz toda a diferença em relação ao acto duma pessoa isolada) contra os bombeiros de Campo Maior. São ambos actos censuráveis – um é eventual delito de opinião e outro é um acto de violência física - mas parece que o “alarme social” provocado pelas opiniões do Dr. Quintino Aires suplanta em muito o alarme causado pelo ataque aos bombeiros.
Muitas pessoas desconhecem, mas a estátua que simboliza a Justiça tem uma venda nos olhos, exactamente para significar que a justiça é cega. Cega no sentido em que todos são iguais perante a lei. Sejam maiorias ou minorias, homens ou mulheres, brancos, pretos, amarelos, ciganos, crentes ou não crentes.
É esse o fundamento da nossa civilização que só atingimos há menos de dois séculos, e com muito sangue e não menos lágrimas. Queremos perder isso? Às vezes parece que sim.
As afirmações do Dr. Quintino Aires não têm nenhuma base documental nem rigor, mas as reacções por elas suscitadas carecem de mais equilíbrio de critérios.
O psicólogo Dr. Quintino Aires afirmou num programa da TVI, cito o que li nos jornais, que “a etnia cigana não respeita as normas do país onde vive” e que “a maioria vive de subsídios ou trafica droga e não trabalha”. Tudo isto, a propósito da invasão com agressões, a um quartel de bombeiros em Campo Maior.
O Dr. Quintino Aires, por distracção ou porque o programa da TVI é mesmo para isso, confundiu uma “conversa de café”, com a circunstância de estar a falar para centenas de milhares de pessoas. Não é o primeiro, nem será o último.
Estima-se que os ciganos em Portugal (dados citados pelo Público em 2 de Agosto) sejam entre 40 e 60 mil. Desses, 35% auferem o Rendimento de Inserção. Ao que as estatísticas dizem, constituem 5% da população prisional.
Estes números desmentem a generalização e as conclusões empíricas do Dr. Quintino Aires, mas não deixa em todo o caso de ser preocupante, que uma etnia que representa 0,6% da população contribua com 5% dos reclusos, sem contar com os que se encontram com pena suspensa.
Mas o caso Quintino Aires, tem outra dimensão, tão ou ainda mais preocupante: A dualidade com que estas expressões públicas, do que poderia ser uma “conversa de café”, são encaradas por uma parte dos cidadãos que manifestam as suas reacções.
O facto é que perante afirmações com a matriz de “politicamente incorrectas”, surge logo uma profusão de abaixo assinados, requerimentos, pedidos de suspensão de actividade profissional, saneamento da televisão etc. etc. Não vamos opinar sobre a proporcionalidade de algumas destas queixas. Já referimos que as afirmações do Dr. Quintino Aires, não têm nenhuma base documental nem rigor e por conseguinte aconselhava o bom senso que não as tivesse feito.
Só que as reacções a declarações deste teor são também muito pouco rigorosas e carecem de mais equilíbrio de critérios.
As melhores anedotas sobre judeus são, como é sabido, escritas pelos próprios judeus. E são célebres por serem muito sarcásticas. No entanto, quando um não judeu conta uma delas, é prudente referir logo, que o autor é judeu, não vá o contador ser acusado de anti-semitismo. No entanto, se contar a mesma anedota com referência a polacos, belgas ou portugueses, não corre o risco de ser tido por xenófobo quanto a esses povos.
Podemos ouvir com facilidade em conversa de café, um cidadão de raça negra, dizer, que “os brancos só estão (por exemplo, em Angola) para explorar os pretos” e ocasionalmente, um cidadão branco, comentar noutra conversa de café, que “os pretos são uns mandriões e não querem trabalhar”. Imagine-se agora isto dito na televisão. A generalização tonta do cidadão de raça negra era logo desculpada por 400 anos de colonialismo e a atoarda, dita pelo cidadão de raça branco, era imediatamente classificada de racista.
Com o actual radicalismo islâmico, é o mesmo. Se um clérigo muçulmano prega a Jihad e incita ao ódio religioso numa mesquita na Europa, o que lhe acontece? Provavelmente nada. Se um padre católico fizer qualquer declaração que tenha um conteúdo presuntivamente anti-islâmico, é considerado um “cruzado” e se não for mudado de paróquia ou expulso, terá muita sorte.
As reacções ao caso Quintino Aires são mais um exemplo desta dualidade de critérios. Não leio tudo o que se publica, mas também não vi em lado algum, qualquer comentário critico sobre os actos de violência praticados por um grupo organizado (isso faz toda a diferença em relação ao acto duma pessoa isolada) contra os bombeiros de Campo Maior. São ambos actos censuráveis – um é eventual delito de opinião e outro é um acto de violência física - mas parece que o “alarme social” provocado pelas opiniões do Dr. Quintino Aires suplanta em muito o alarme causado pelo ataque aos bombeiros.
Muitas pessoas desconhecem, mas a estátua que simboliza a Justiça tem uma venda nos olhos, exactamente para significar que a justiça é cega. Cega no sentido em que todos são iguais perante a lei. Sejam maiorias ou minorias, homens ou mulheres, brancos, pretos, amarelos, ciganos, crentes ou não crentes.
É esse o fundamento da nossa civilização que só atingimos há menos de dois séculos, e com muito sangue e não menos lágrimas. Queremos perder isso? Às vezes parece que sim.
13.11.15
GACCUM lança debate sobre o papel dos media para a igualdade e cidadania
In Correio do Minho
Estão abertas as inscrições para o workshop “Media, Diversidade e Cidadania”, promovido pelo Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (GACCUM) e que decorrerá a 28 de Novembro.
Esta nova iniciativa do GACCUM resulta da parceria com o projecto (In)Formar para a Igualdade e para a Cidadania e tem como principal objectivo principal sensibilizar os estudantes para a forma como os media abordam as comunidades ciganas nas suas diferentes plataformas e de que forma podem ser mais inclusivos nos seus discursos.
Ana Cristina Pereira (jornalista do Público), Nuno Silva (jurista SOS Racismo) e Sílvia Gomes (investigadora do CICS.NOVA UM) são os oradores deste dia de trabalhos.
A entrada no workshop é gratuita, podendo os estudantes inscrever através do preenchimento de um formulário disponibilizado no site do GACCUM (www.gaccum.weebly.com) a enviar para o email fape-003@ismai.pt.
Estão abertas as inscrições para o workshop “Media, Diversidade e Cidadania”, promovido pelo Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (GACCUM) e que decorrerá a 28 de Novembro.
Esta nova iniciativa do GACCUM resulta da parceria com o projecto (In)Formar para a Igualdade e para a Cidadania e tem como principal objectivo principal sensibilizar os estudantes para a forma como os media abordam as comunidades ciganas nas suas diferentes plataformas e de que forma podem ser mais inclusivos nos seus discursos.
Ana Cristina Pereira (jornalista do Público), Nuno Silva (jurista SOS Racismo) e Sílvia Gomes (investigadora do CICS.NOVA UM) são os oradores deste dia de trabalhos.
A entrada no workshop é gratuita, podendo os estudantes inscrever através do preenchimento de um formulário disponibilizado no site do GACCUM (www.gaccum.weebly.com) a enviar para o email fape-003@ismai.pt.
7.5.15
Campanha critica 'notícias fúteis' e alerta para pobreza
in Exame.com
São Paulo - A nova campanha da ONG Teto, (também conhecida como "Um Teto Para Meu País"), que constrói novas moradias para famílias em localidades de extrema pobreza, alfineta as "notícias fúteis" que dominam o noticiário e alertam para a pobreza no país.
Criados pela agência Leo Burnett, os anúncios trazem imagens de moradores da comunidade Malvinas (Guarulhos, em São Paulo). Eles seguram cartazes com frases que remetem às manchetes de notícias de celebridades.
"Cantor estaciona o carro na vaga" e "Atriz é vista atravessando a rua" são algumas das "notícias".
Segundo a ONG, o objetivo não é questionar o que vira notícia, sim o que deixa de ser. Se há muito espaço para notícias sobre o cotidiano das celebridades, falta espaço para notícias sobre faltas de moradia, pessoas em situação de risco e extrema pobreza.
"A pobreza e a desigualdade social são problemas evidentes da nossa sociedade. Ainda assim, poucas vezes são pauta de notícias, poucas vezes surgem nas conversas cotidianas", diz Carolina Mattar, Diretora Executiva do Teto.
Além de chamar a atenção para a pobreza no país, o objetivo da campanha é buscar voluntários para a "Coleta", evento que pretende colocar cinco mil voluntários nas ruas de cidades como São Paulo, Campinas, Rio, Curitiba e Salvador para arrecadar recursos nos dias 22, 23 e 24 de maio.
Em janeiro, a ONG já tinha feito uma campanha com celebridades para atrair a atenção do público.
Confira, nas imagens acima, todas as manchetes da campanha.
São Paulo - A nova campanha da ONG Teto, (também conhecida como "Um Teto Para Meu País"), que constrói novas moradias para famílias em localidades de extrema pobreza, alfineta as "notícias fúteis" que dominam o noticiário e alertam para a pobreza no país.
Criados pela agência Leo Burnett, os anúncios trazem imagens de moradores da comunidade Malvinas (Guarulhos, em São Paulo). Eles seguram cartazes com frases que remetem às manchetes de notícias de celebridades.
"Cantor estaciona o carro na vaga" e "Atriz é vista atravessando a rua" são algumas das "notícias".
Segundo a ONG, o objetivo não é questionar o que vira notícia, sim o que deixa de ser. Se há muito espaço para notícias sobre o cotidiano das celebridades, falta espaço para notícias sobre faltas de moradia, pessoas em situação de risco e extrema pobreza.
"A pobreza e a desigualdade social são problemas evidentes da nossa sociedade. Ainda assim, poucas vezes são pauta de notícias, poucas vezes surgem nas conversas cotidianas", diz Carolina Mattar, Diretora Executiva do Teto.
Além de chamar a atenção para a pobreza no país, o objetivo da campanha é buscar voluntários para a "Coleta", evento que pretende colocar cinco mil voluntários nas ruas de cidades como São Paulo, Campinas, Rio, Curitiba e Salvador para arrecadar recursos nos dias 22, 23 e 24 de maio.
Em janeiro, a ONG já tinha feito uma campanha com celebridades para atrair a atenção do público.
Confira, nas imagens acima, todas as manchetes da campanha.
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