Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Executado pela Letras Nómadas, programa será coordenado pelo Alto Comissariado para as Migrações e financiado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade.
Vai haver uma política pública para promover a participação das comunidades ciganas na vida dos municípios. O tiro de partida do programa, que será executado pela associação Letras Nómadas, é dado esta quinta-feira de manhã, em Lisboa.
“Decidimos assumir esse modelo, que consiste na criação de grupos de acção comunitária, capacitação de líderes, de mediadores, das próprias comunidades”, adianta a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro. “É um trabalhado por dentro, das próprias comunidades.”
O programa foi lançado pelo Conselho da Europa e pela Comissão Europeia. Da primeira edição do Romed – Formação para mediadores ciganos 2011/2013 saíram 19 mediadores municipais, um mediador da área da saúde, três dinamizadores culturais do Programa Escolhas, um mediador da Santa Casa de Misericórdia e três mediadores escolares.
Só um terço das pessoas que se formaram encontrou um lugar de mediador no mercado de trabalho. O programa deixou, contudo, outros resultados: duas organizações de ciganos foram criadas, a Letras Nómadas, em 2013, e a Associação de Mediadores Ciganos Portugueses, em 2014.
A Letras Nómadas, fundada por Bruno Gonçalves e Olga Mariano, foi desafiada pelo Conselho da Europa e pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) a ser a organização nacional de apoio do Romed 2. Além de formar mediadores, o programa impulsionou sete grupos de acção local.
Uma vez mais, os resultados superaram o previsto. Criaram-se condições para alguns jovens ciganos acederem ao ensino superior. E a Letras Nómadas, em parceria com o Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, preparou o projecto Opré Chavalé, atribuindo um mentor e uma bolsa e oito jovens. O modelo já foi reconhecido pelo ACM, que atribui agora 30 bolsas por ano.
Governo aumenta para 30 o número de bolsas para alunos universitários ciganos
Nesta nova fase 2019/2020, o programa chama-se Romed – Governação democrática e participação comunitária através da mediação. Executado pela Letras Nómadas, será coordenado pelo ACM e financiado pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade.
Na linha de partida, estão agora oito municípios. Nem todos estão no mesmo patamar. “Alguns estão mais autónomos, podemos partir para outros”, diz Bruno Gonçalves, vice-presidente da Letras Nómadas, idealizando chegar entre 15 a 20 até ao final de 2020. “Não se desistirá de nenhum, pelo contrário. Haverá uma mobilização de um trabalho já feito para que possa inspirar e reforçar em novos territórios”, esclarece Rosa Monteiro. Será, resume a secretária de Estado, “um trabalho de continuidade e reforço”.
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15.1.19
Racismo não é fado
Catarina Marcelino, in Visão
Devemos recordar a inquisição, a escravatura, o holocausto, enquadrando estes acontecimentos em momentos históricos de normalização da intolerância em que a discriminação, o fundamentalismo e o ódio foram aceites e integrados no quotidiano
Em Cacheu, na terra onde existiu a primeira feitoria portuguesa na Guiné, há um espaço museológico que conta o percurso de um dos maiores flagelos da História da humanidade, o tráfico negreiro. Estimam-se 7,7 milhões de Escravos transportados, inaugurando por esta via o comércio triangular intercontinental de grande escala.
As pessoas escravas eram tratadas como coisas, agrilhoados e marcados com ferros em brasa, arrumados nos navios como se de carga se tratasse, imóveis, até não caberem mais, sendo o resultado a morte de muitos e muitas durante a travessia.
Após o fim da escravatura no século XIX, o passado colonial do país continuou a distinguir os cidadãos pela cor da pele. O termo mulato que vem de mula, ou seja, de um animal cruzado entre duas espécies, que serve como animal de carga ou a imobilidade das pessoas negras nas funções de trabalho que exerciam quando eram escravas, são exemplos evidentes da ostracização a que foram sendo sujeitas.
Chegámos ao Portugal do século XXI, com 45 anos de democracia e com uma sociedade diversa, constituída por pessoas com diferentes origens étnico-raciais, muitas delas com nacionalidade portuguesa. Estas pessoas têm em comum a ascendência africana que hoje contribui para este universo sociocultural de grande valor, mas também fazem parte da herança histórica do racismo e da discriminação, que não desaparece apenas por proclamação. É tempo de assumir sem complexos ou preconceitos o nosso legado.
Portugal é um país democrático, com uma Constituição que protege a liberdade, a igualdade e as garantias das pessoas e que não permite discriminação formal em função da origem étnico-racial. Contudo, as sociedades são diversas, influenciadas por múltiplos fatores. Em cada individuo existe um sujeito com a sua história, a sua identidade e os seus valores familiares e sociais.
Quando falamos em discriminação ou racismo institucional, não estamos a falar de regras de conduta ou funcionamento instituídas por imperativo normativo ou legal, mas sim de alguns comportamentos individuais de quem trabalha nas instituições, que podem influenciar posturas de desigualdade e discriminação, muitas vezes de forma dissimulada, a que se impõe um combate institucionalmente assumido enquadrado com transparência nos valores e na cultura das organizações.
Mas quanto à segregação indireta, esta é formalmente aceite, justificada por circunstâncias diversas, relacionadas com o território, a mobilidade, a educação, os rendimentos, a classe social de pertença, entre outros.
Assim se explicam bairros onde a maioria das pessoas que lá vivem são de origem africana ou cigana, localizados em zonas menos nobres e desvalorizadas do território, ou as escolas que têm crianças maioritariamente destes grupos ou ainda turmas com um elevado número de crianças afrodescendentes e ciganas muitas vezes em currículos alternativos, enquanto que outras escolas muito próximas são frequentadas quase exclusivamente por crianças da comunidade maioritária.
A realidade nacional não encontra dados estatísticos que ajudem a uma melhor caracterização e compreensão. Para que tal aconteça é premente que os Censos de 2021, tendo obviamente em conta a baliza constitucional, possam incluir perguntas que nos permitam saber quem de facto somos nesta diversidade nacional, quantas pessoas constituem as minorias étnico-raciais, cruzando com dados sobre educação, rendimentos, justiça e habitação, podendo fazer um retrato fidedigno desta realidade.
É fundamental que a sociedade portuguesa compreenda que a discriminação étnico-racial, o racismo e a xenofobia têm expressões diversas, que não são apenas as manifestações de violência física e verbal extrema que de quando em vez nos acordam da apatia.
Os valores democráticos perigam pelo mundo, olhamos para países europeus como a Hungria, a Polónia ou a Itália, mas também para o Brasil ou os Estados Unidos e vemos a intolerância aos que são diferentes, a crescer e a instalar-se. E não sejamos ingénuos em acreditar que em Portugal simplesmente não é possível acontecer.
Em nome da liberdade não se podem transpor valores que põem em causa a própria liberdade, sob pena de normalizarmos ideias e comportamentos que são a antítese da cidadania, como aconteceu com a TVI e a entrevista a Mário Machado que, assumidamente, defende o fascismo e o racismo, tendo utilizado este tempo de antena televisivo, com a conivência, mais ou menos consciente de quem o convidou, para os promover.
Devemos recordar a inquisição, a escravatura, o holocausto, enquadrando estes acontecimentos em momentos históricos de normalização da intolerância em que a discriminação, o fundamentalismo e o ódio foram aceites e integrados no quotidiano. Só com esta consciência viva, nunca esquecendo, podemos estar todos os dias vigilantes, contribuindo, de forma eficaz, para que o triste fado não se repita.
Catarina Marcelino
CIDADANIA E IGUALDADE
Nasceu no Montijo. Licenciou-se em Antropologia pelo ISCTE. Construiu o seu percurso de ativismo cívico e político através de experiências de voluntariado na AMI, Comunidade Vida e Paz, na Liga Portuguesa Contra a Sida e como dirigente das Mulheres Socialistas. Trabalhou em Câmaras Municipais, foi Adjunta do Secretário de Estado da Segurança Social e Presidente da CITE. Foi Secretária de Estado para a Cidadania e para a Igualdade e é Deputada à Assembleia da República pelo Partido Socialista.
Devemos recordar a inquisição, a escravatura, o holocausto, enquadrando estes acontecimentos em momentos históricos de normalização da intolerância em que a discriminação, o fundamentalismo e o ódio foram aceites e integrados no quotidiano
Em Cacheu, na terra onde existiu a primeira feitoria portuguesa na Guiné, há um espaço museológico que conta o percurso de um dos maiores flagelos da História da humanidade, o tráfico negreiro. Estimam-se 7,7 milhões de Escravos transportados, inaugurando por esta via o comércio triangular intercontinental de grande escala.
As pessoas escravas eram tratadas como coisas, agrilhoados e marcados com ferros em brasa, arrumados nos navios como se de carga se tratasse, imóveis, até não caberem mais, sendo o resultado a morte de muitos e muitas durante a travessia.
Após o fim da escravatura no século XIX, o passado colonial do país continuou a distinguir os cidadãos pela cor da pele. O termo mulato que vem de mula, ou seja, de um animal cruzado entre duas espécies, que serve como animal de carga ou a imobilidade das pessoas negras nas funções de trabalho que exerciam quando eram escravas, são exemplos evidentes da ostracização a que foram sendo sujeitas.
Chegámos ao Portugal do século XXI, com 45 anos de democracia e com uma sociedade diversa, constituída por pessoas com diferentes origens étnico-raciais, muitas delas com nacionalidade portuguesa. Estas pessoas têm em comum a ascendência africana que hoje contribui para este universo sociocultural de grande valor, mas também fazem parte da herança histórica do racismo e da discriminação, que não desaparece apenas por proclamação. É tempo de assumir sem complexos ou preconceitos o nosso legado.
Portugal é um país democrático, com uma Constituição que protege a liberdade, a igualdade e as garantias das pessoas e que não permite discriminação formal em função da origem étnico-racial. Contudo, as sociedades são diversas, influenciadas por múltiplos fatores. Em cada individuo existe um sujeito com a sua história, a sua identidade e os seus valores familiares e sociais.
Quando falamos em discriminação ou racismo institucional, não estamos a falar de regras de conduta ou funcionamento instituídas por imperativo normativo ou legal, mas sim de alguns comportamentos individuais de quem trabalha nas instituições, que podem influenciar posturas de desigualdade e discriminação, muitas vezes de forma dissimulada, a que se impõe um combate institucionalmente assumido enquadrado com transparência nos valores e na cultura das organizações.
Mas quanto à segregação indireta, esta é formalmente aceite, justificada por circunstâncias diversas, relacionadas com o território, a mobilidade, a educação, os rendimentos, a classe social de pertença, entre outros.
Assim se explicam bairros onde a maioria das pessoas que lá vivem são de origem africana ou cigana, localizados em zonas menos nobres e desvalorizadas do território, ou as escolas que têm crianças maioritariamente destes grupos ou ainda turmas com um elevado número de crianças afrodescendentes e ciganas muitas vezes em currículos alternativos, enquanto que outras escolas muito próximas são frequentadas quase exclusivamente por crianças da comunidade maioritária.
A realidade nacional não encontra dados estatísticos que ajudem a uma melhor caracterização e compreensão. Para que tal aconteça é premente que os Censos de 2021, tendo obviamente em conta a baliza constitucional, possam incluir perguntas que nos permitam saber quem de facto somos nesta diversidade nacional, quantas pessoas constituem as minorias étnico-raciais, cruzando com dados sobre educação, rendimentos, justiça e habitação, podendo fazer um retrato fidedigno desta realidade.
É fundamental que a sociedade portuguesa compreenda que a discriminação étnico-racial, o racismo e a xenofobia têm expressões diversas, que não são apenas as manifestações de violência física e verbal extrema que de quando em vez nos acordam da apatia.
Os valores democráticos perigam pelo mundo, olhamos para países europeus como a Hungria, a Polónia ou a Itália, mas também para o Brasil ou os Estados Unidos e vemos a intolerância aos que são diferentes, a crescer e a instalar-se. E não sejamos ingénuos em acreditar que em Portugal simplesmente não é possível acontecer.
Em nome da liberdade não se podem transpor valores que põem em causa a própria liberdade, sob pena de normalizarmos ideias e comportamentos que são a antítese da cidadania, como aconteceu com a TVI e a entrevista a Mário Machado que, assumidamente, defende o fascismo e o racismo, tendo utilizado este tempo de antena televisivo, com a conivência, mais ou menos consciente de quem o convidou, para os promover.
Devemos recordar a inquisição, a escravatura, o holocausto, enquadrando estes acontecimentos em momentos históricos de normalização da intolerância em que a discriminação, o fundamentalismo e o ódio foram aceites e integrados no quotidiano. Só com esta consciência viva, nunca esquecendo, podemos estar todos os dias vigilantes, contribuindo, de forma eficaz, para que o triste fado não se repita.
Catarina Marcelino
CIDADANIA E IGUALDADE
Nasceu no Montijo. Licenciou-se em Antropologia pelo ISCTE. Construiu o seu percurso de ativismo cívico e político através de experiências de voluntariado na AMI, Comunidade Vida e Paz, na Liga Portuguesa Contra a Sida e como dirigente das Mulheres Socialistas. Trabalhou em Câmaras Municipais, foi Adjunta do Secretário de Estado da Segurança Social e Presidente da CITE. Foi Secretária de Estado para a Cidadania e para a Igualdade e é Deputada à Assembleia da República pelo Partido Socialista.
14.1.19
Dos direitos humanos aos direitos fundamentais
Lurdes Ferreira e Infografia, in Público
A Convenção Europeia dos Direitos Humanos foi adoptada pelo Conselho da Europa, em 4 de Novembro de 1950, e entrou em vigor em 1953. O instrumento jurídico que instituiu o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos inclui hoje 47 países. A Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, para a União Europeia, entrou em vigor em 2009, com a adopção do Tratado de Lisboa. Embora assente na convenção e noutros instrumentos europeus e internacionais, a carta é inovadora, nomeadamente porque inclui, entre outras questões, a deficiência, a idade e a orientação sexual como motivos de discriminação proibidos.
CIDADANIA
SOLIDARIEDADE
LIBERDADE
IGUALDADE
DIGNIDADE
JUSTIÇA
DISPOSIÇÕES GERAIS
A Convenção Europeia dos Direitos Humanos foi adoptada pelo Conselho da Europa, em 4 de Novembro de 1950, e entrou em vigor em 1953. O instrumento jurídico que instituiu o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos inclui hoje 47 países. A Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, para a União Europeia, entrou em vigor em 2009, com a adopção do Tratado de Lisboa. Embora assente na convenção e noutros instrumentos europeus e internacionais, a carta é inovadora, nomeadamente porque inclui, entre outras questões, a deficiência, a idade e a orientação sexual como motivos de discriminação proibidos.
CIDADANIA
SOLIDARIEDADE
LIBERDADE
IGUALDADE
DIGNIDADE
JUSTIÇA
DISPOSIÇÕES GERAIS
15.11.18
Afinal, o que a União Europeia já fez por nós? O Parlamento Europeu responde
in Público on-line
Que presença tem a Europa nas nossas vilas, cidades ou regiões? Que impacto tem nos nossos empregos, famílias, viagens, saúde ou segurança? O novo site “O que a Europa faz por mim” dá exemplos concretos dos contributos da União Europeia para a vida dos seus cidadãos.
Numa região ou na vida de cada cidadão, quais são afinal os benefícios de uma Europa unida? A maioria dos europeus sabe que existem efeitos positivos (um Eurobarómetro publicado no mês passado revelou que 68% dos inquiridos considera que o seu país beneficiou da adesão à União Europeia). No entanto, muitos não saberão apontar exemplos concretos.
A Palmilha subiu ao palco para fazer um manifesto
Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, apresentou esta quarta-feira um novo site que responde à pergunta "sem jargões", e que se pretende que funcione com um “instrumento valioso para aproximar a Europa dos cidadãos”.
O site já está disponível nos diversos idiomas da UE, apresentando exemplos organizados em várias secções.
A secção “Na minha região” permite seleccionar o local em que vive ou trabalha, explicando como a Europa está presente nessa cidade ou região, através do financiamento de projectos e infra-estruturas, por exemplo.
Já na secção “Na minha vida” são partilhadas informações sobre o impacto que a UE relativamente a famílias, cuidados de saúde, viagens, segurança, educação ou direitos sociais, ou em áreas profissionais específicas, como a dos apicultores ou dos camionistas, e ainda em actividades de lazer como o desporto ou a música.
Numa terceira secção, intitulada “Em destaque”, surgem informações mais detalhadas sobre políticas europeias ou os grandes temas em debate no Parlamento Europeu discutidos na actual legislatura.
Que presença tem a Europa nas nossas vilas, cidades ou regiões? Que impacto tem nos nossos empregos, famílias, viagens, saúde ou segurança? O novo site “O que a Europa faz por mim” dá exemplos concretos dos contributos da União Europeia para a vida dos seus cidadãos.
Numa região ou na vida de cada cidadão, quais são afinal os benefícios de uma Europa unida? A maioria dos europeus sabe que existem efeitos positivos (um Eurobarómetro publicado no mês passado revelou que 68% dos inquiridos considera que o seu país beneficiou da adesão à União Europeia). No entanto, muitos não saberão apontar exemplos concretos.
A Palmilha subiu ao palco para fazer um manifesto
Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, apresentou esta quarta-feira um novo site que responde à pergunta "sem jargões", e que se pretende que funcione com um “instrumento valioso para aproximar a Europa dos cidadãos”.
O site já está disponível nos diversos idiomas da UE, apresentando exemplos organizados em várias secções.
A secção “Na minha região” permite seleccionar o local em que vive ou trabalha, explicando como a Europa está presente nessa cidade ou região, através do financiamento de projectos e infra-estruturas, por exemplo.
Já na secção “Na minha vida” são partilhadas informações sobre o impacto que a UE relativamente a famílias, cuidados de saúde, viagens, segurança, educação ou direitos sociais, ou em áreas profissionais específicas, como a dos apicultores ou dos camionistas, e ainda em actividades de lazer como o desporto ou a música.
Numa terceira secção, intitulada “Em destaque”, surgem informações mais detalhadas sobre políticas europeias ou os grandes temas em debate no Parlamento Europeu discutidos na actual legislatura.
20.2.18
“A cidadania experimenta-se, não se pode aprender só nos livros”
Aline Flor, in Público on-line
Projecto europeu recomenda mais espaços de debate nas escolas para promover participação cívica. Alunos querem discutir questões políticas europeias dentro e fora da sala de aula.
Em Fevereiro, os alunos do Liceu Camões, em Lisboa, manifestaram-se contra as más condições do edifício e o atraso no início das obras Sebastião Almeida
É um apelo dos alunos e uma conclusão dos especialistas: querem uma escola mais democrática, com mais espaços para falar sobre política, para colocar questões ou simplesmente conversar. Ainda há espaço para aproveitar melhor a diversidade dentro da escola como “uma experiência de verdadeira democracia”, sublinha Isabel Menezes, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).
O contexto é o projecto europeu Catch-Eyou, que se dedicou nos últimos três anos a compreender os factores que influenciam as perspetivas dos jovens de seis países — Portugal, Itália, República Checa, Alemanha, Suécia e Estónia — sobre a União Europeia e as atitudes dos mais novos enquanto cidadãos europeus. Os investigadores acabam de apresentar na Estónia as conclusões de uma parte do projecto liderada pela equipa portuguesa, relativa à influência da escola na promoção de uma cidadania activa.
Nesta terça-feira, o secretário de Estado da Educação, João Costa, estará na FPCEUP a ouvir professores e estudantes, num seminário sobre o papel das escolas na promoção da cidadania activa de jovens europeus.
Em conversa com o PÚBLICO, Isabel Menezes sublinha o papel da escola pública como um local de encontro de pessoas de diferentes níveis sociais e comunidades diversas, onde é possível viver uma espécie de “experiência fundadora da sua experiência democrática, ou da falta dela, que vai ser importante no resto da vida”. E, para muitos, persiste o sentimento de que existe “um défice de poder efectivo dos jovens no contexto da escola”.
Segundo a investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da FPCEUP, os alunos relatam: “As pessoas dizem ‘vocês podem participar, digam a vossa opinião’, mas depois nada acontece quando nós damos a nossa opinião."
Mas que vivência democrática é possível na escola? “Não é só a ideia de que uma democracia é onde toda a gente vota. Vão aprender a defender colegas mais fracos e vão aprender a respeitar aquilo que são as regras e as leis que estão definidas no interior da escola. Vão aprender a protestar, e vão aprender que às vezes os protestos não têm resultados. Aprende-se que no jogo democrático às vezes se ganha, às vezes se perde."
Alunos despolitizados? Nem por isso
Nos currículos, há também poucas pontes entre as temáticas estudadas sobre a União Europeia e a face concreta com que estas questões se apresentam na vida dos jovens. A análise dos manuais feita pelos investigadores da Universidade do Porto e os parceiros do projecto mostra que os jovens já aprendem sobre a Europa sob uma perspectiva histórica e institucional. Contudo, os alunos pedem mais espaços para “discutir questões políticas relativamente à Europa e à forma como elas se relacionam com aquilo que são os grandes temas contemporâneos”, relata Isabel Menezes.
E são os próprios estudantes que fazem as ligações do que aprendem com a “vida real”. “Esta questão da crise dos refugiados, isto já aconteceu noutras alturas na Europa e nós ontem falamos disso em História, mas depois não relacionamos isso com aquilo que acontece hoje em dia”, dizem os alunos aos investigadores do Catch-Eyou. Querem, por isso, mais espaços para conversar - para “discutir um tema político, um assunto político”, refere a coordenadora do projecto em Portugal.
Por cá, foram alunos de quatro escolas do ensino secundário que partilharam as suas experiências de cidadania e participação. E a ideia de que os alunos são despolitizados também é desmontada pela investigadora da FPCEUP: muitos mostraram-se disponíveis e interessados em debater temas da actualidade, e não apenas questões locais.
É o que também nota Hugo Carvalho, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ): “Não faltaram jovens a comentar o 'Brexit', não faltaram jovens a comentar a eleição de Trump. Estamos talvez mais afastados da política tradicional, mas estamos atentos." E estas discussões, que muitas vezes se iniciam nas redes sociais, também poderiam ser debatidas na escola.
Hugo Carvalho foi um dos participantes na conferência sobre “A construção da cidadania ativa de jovens europeus”, realizada na passada quinta-feira na FPCEUP. Além de representantes de organizações juvenis, o evento contou com a presença dos eurodeputados Carlos Coelho e Marisa Matias. Um dos focos do debate foi a importância das experiências de participação europeias, que começam em intercâmbios como o programa Erasmus mas não se ficam por aí.
O presidente do CNJ refere ao PÚBLICO o bom exemplo de projectos locais como o Jovem Autarca, em Santa Maria da Feira, “que põe as escolas a eleger um representante que vai executar um orçamento”. “A democracia e a cidadania experimentam-se, não se podem aprender só nos livros”.
Violência no namoro levada a Bruxelas
E se os jovens querem mais espaços de debate nas escolas, querem também ser ouvidos. Para sentirem que a sua palavra conta também é necessária mais comunicação dos agentes políticos com os estudantes. “É preciso haver esta disponibilidade da política ir à escola, os políticos irem à escola para discutir com os miúdos aquilo que é a legislação, os problemas contemporâneos."
Para Hugo Carvalho, esta disponibilidade para ouvir os mais novos tem potencial para dar muitos frutos. Dá o exemplo do diálogo estruturado, um processo que promove o debate entre jovens e decisores públicos sobre questões da juventude, e que deu origem a políticas de destaque como a Garantia Jovem, o programa que apoia jovens até aos 29 anos na procura de emprego.
Também no Catch-Eyou haverá espaço para rapazes e raparigas serem ouvidos. Em Setembro, em Bruxelas, grupos de jovens de cada país envolvido no projecto vão apresentar um problema da comunidade pensado como um problema ao nível europeu, e discutir possíveis recomendações ou soluções que encontraram. No caso português, os jovens escolheram falar sobre a violência no namoro.
Projecto europeu recomenda mais espaços de debate nas escolas para promover participação cívica. Alunos querem discutir questões políticas europeias dentro e fora da sala de aula.
Em Fevereiro, os alunos do Liceu Camões, em Lisboa, manifestaram-se contra as más condições do edifício e o atraso no início das obras Sebastião Almeida
É um apelo dos alunos e uma conclusão dos especialistas: querem uma escola mais democrática, com mais espaços para falar sobre política, para colocar questões ou simplesmente conversar. Ainda há espaço para aproveitar melhor a diversidade dentro da escola como “uma experiência de verdadeira democracia”, sublinha Isabel Menezes, investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP).
O contexto é o projecto europeu Catch-Eyou, que se dedicou nos últimos três anos a compreender os factores que influenciam as perspetivas dos jovens de seis países — Portugal, Itália, República Checa, Alemanha, Suécia e Estónia — sobre a União Europeia e as atitudes dos mais novos enquanto cidadãos europeus. Os investigadores acabam de apresentar na Estónia as conclusões de uma parte do projecto liderada pela equipa portuguesa, relativa à influência da escola na promoção de uma cidadania activa.
Nesta terça-feira, o secretário de Estado da Educação, João Costa, estará na FPCEUP a ouvir professores e estudantes, num seminário sobre o papel das escolas na promoção da cidadania activa de jovens europeus.
Em conversa com o PÚBLICO, Isabel Menezes sublinha o papel da escola pública como um local de encontro de pessoas de diferentes níveis sociais e comunidades diversas, onde é possível viver uma espécie de “experiência fundadora da sua experiência democrática, ou da falta dela, que vai ser importante no resto da vida”. E, para muitos, persiste o sentimento de que existe “um défice de poder efectivo dos jovens no contexto da escola”.
Segundo a investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da FPCEUP, os alunos relatam: “As pessoas dizem ‘vocês podem participar, digam a vossa opinião’, mas depois nada acontece quando nós damos a nossa opinião."
Mas que vivência democrática é possível na escola? “Não é só a ideia de que uma democracia é onde toda a gente vota. Vão aprender a defender colegas mais fracos e vão aprender a respeitar aquilo que são as regras e as leis que estão definidas no interior da escola. Vão aprender a protestar, e vão aprender que às vezes os protestos não têm resultados. Aprende-se que no jogo democrático às vezes se ganha, às vezes se perde."
Alunos despolitizados? Nem por isso
Nos currículos, há também poucas pontes entre as temáticas estudadas sobre a União Europeia e a face concreta com que estas questões se apresentam na vida dos jovens. A análise dos manuais feita pelos investigadores da Universidade do Porto e os parceiros do projecto mostra que os jovens já aprendem sobre a Europa sob uma perspectiva histórica e institucional. Contudo, os alunos pedem mais espaços para “discutir questões políticas relativamente à Europa e à forma como elas se relacionam com aquilo que são os grandes temas contemporâneos”, relata Isabel Menezes.
E são os próprios estudantes que fazem as ligações do que aprendem com a “vida real”. “Esta questão da crise dos refugiados, isto já aconteceu noutras alturas na Europa e nós ontem falamos disso em História, mas depois não relacionamos isso com aquilo que acontece hoje em dia”, dizem os alunos aos investigadores do Catch-Eyou. Querem, por isso, mais espaços para conversar - para “discutir um tema político, um assunto político”, refere a coordenadora do projecto em Portugal.
Por cá, foram alunos de quatro escolas do ensino secundário que partilharam as suas experiências de cidadania e participação. E a ideia de que os alunos são despolitizados também é desmontada pela investigadora da FPCEUP: muitos mostraram-se disponíveis e interessados em debater temas da actualidade, e não apenas questões locais.
É o que também nota Hugo Carvalho, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ): “Não faltaram jovens a comentar o 'Brexit', não faltaram jovens a comentar a eleição de Trump. Estamos talvez mais afastados da política tradicional, mas estamos atentos." E estas discussões, que muitas vezes se iniciam nas redes sociais, também poderiam ser debatidas na escola.
Hugo Carvalho foi um dos participantes na conferência sobre “A construção da cidadania ativa de jovens europeus”, realizada na passada quinta-feira na FPCEUP. Além de representantes de organizações juvenis, o evento contou com a presença dos eurodeputados Carlos Coelho e Marisa Matias. Um dos focos do debate foi a importância das experiências de participação europeias, que começam em intercâmbios como o programa Erasmus mas não se ficam por aí.
O presidente do CNJ refere ao PÚBLICO o bom exemplo de projectos locais como o Jovem Autarca, em Santa Maria da Feira, “que põe as escolas a eleger um representante que vai executar um orçamento”. “A democracia e a cidadania experimentam-se, não se podem aprender só nos livros”.
Violência no namoro levada a Bruxelas
E se os jovens querem mais espaços de debate nas escolas, querem também ser ouvidos. Para sentirem que a sua palavra conta também é necessária mais comunicação dos agentes políticos com os estudantes. “É preciso haver esta disponibilidade da política ir à escola, os políticos irem à escola para discutir com os miúdos aquilo que é a legislação, os problemas contemporâneos."
Para Hugo Carvalho, esta disponibilidade para ouvir os mais novos tem potencial para dar muitos frutos. Dá o exemplo do diálogo estruturado, um processo que promove o debate entre jovens e decisores públicos sobre questões da juventude, e que deu origem a políticas de destaque como a Garantia Jovem, o programa que apoia jovens até aos 29 anos na procura de emprego.
Também no Catch-Eyou haverá espaço para rapazes e raparigas serem ouvidos. Em Setembro, em Bruxelas, grupos de jovens de cada país envolvido no projecto vão apresentar um problema da comunidade pensado como um problema ao nível europeu, e discutir possíveis recomendações ou soluções que encontraram. No caso português, os jovens escolheram falar sobre a violência no namoro.
26.7.17
“Valorizar e reconhecer o mérito dos alunos”
in DNotícias
O secretário regional da Educação, Jorge Carvalho, disse que é importante “valorizar e reconhecer o mérito e o desempenho dos alunos”, não só a nível académico, mas também nas mais diversas áreas, como “voluntariado, desporto, artístico e cidadania”.
O governante, que falava ontem na sessão de entrega dos prémios de mérito 2016/2017 da EB23 do Estreito de Câmara de Lobos, realçou o facto de este estabelecimento de ensino ter “tido a coragem de assumir desafios e, alguns deles, de alguma ousadia, mas sempre tendo por base aquilo que é a formação das nossas crianças e dos nossos jovens”.
Jorge Carvalho deu o exemplo do “projecto das ‘Turmas+’, onde as escola procurou, desde o primeiro momento, posicionar-se acreditando que esse era o caminho para valorizar” os estudantes.
“Este projecto foi muito bem acolhido pelos professores e muito bem interpretado pelos encarregados de educação, assim como pelos alunos, cujos resultados são aqueles que, neste momento, nós conhecemos e que são excelentes”, sustentou.
O secretário regional da Educação disse ainda que “é importante também não perder esta dimensão humanística e holística do indivíduo, procurando fornecer as melhores ferramentas nas diferentes áreas do saber”.
“A escola não é só português e matemática, apesar de termos distinguido alunos com bons resultados nessas áreas, mas é também atitudes, valores e princípios e são esses aspectos que são fundamentais para que possamos criar cidadãos capazes e competentes e que, só por essa via, é que também teremos uma sociedade capaz e competente”, frisou.
Numa iniciativa realizada no Centro Cívico do Estreito de Câmara de Lobos, Jorge Carvalho aproveitou para agradecer todos os que contribuíram para que a comunidade escolar daquele concelho possa “crescer num ambiente saudável e de saber”, garantindo, assim, aos encarregados de educação de que “estas crianças e estes jovens estão a adquirir uma boa formação”.
“A educação é uma responsabilidade social e não apenas do estabelecimento de ensino e isso ficou também bem patente na identificação desses parceiros que colaboram com a escola”, rematou.
O secretário regional da Educação, Jorge Carvalho, disse que é importante “valorizar e reconhecer o mérito e o desempenho dos alunos”, não só a nível académico, mas também nas mais diversas áreas, como “voluntariado, desporto, artístico e cidadania”.
O governante, que falava ontem na sessão de entrega dos prémios de mérito 2016/2017 da EB23 do Estreito de Câmara de Lobos, realçou o facto de este estabelecimento de ensino ter “tido a coragem de assumir desafios e, alguns deles, de alguma ousadia, mas sempre tendo por base aquilo que é a formação das nossas crianças e dos nossos jovens”.
Jorge Carvalho deu o exemplo do “projecto das ‘Turmas+’, onde as escola procurou, desde o primeiro momento, posicionar-se acreditando que esse era o caminho para valorizar” os estudantes.
“Este projecto foi muito bem acolhido pelos professores e muito bem interpretado pelos encarregados de educação, assim como pelos alunos, cujos resultados são aqueles que, neste momento, nós conhecemos e que são excelentes”, sustentou.
O secretário regional da Educação disse ainda que “é importante também não perder esta dimensão humanística e holística do indivíduo, procurando fornecer as melhores ferramentas nas diferentes áreas do saber”.
“A escola não é só português e matemática, apesar de termos distinguido alunos com bons resultados nessas áreas, mas é também atitudes, valores e princípios e são esses aspectos que são fundamentais para que possamos criar cidadãos capazes e competentes e que, só por essa via, é que também teremos uma sociedade capaz e competente”, frisou.
Numa iniciativa realizada no Centro Cívico do Estreito de Câmara de Lobos, Jorge Carvalho aproveitou para agradecer todos os que contribuíram para que a comunidade escolar daquele concelho possa “crescer num ambiente saudável e de saber”, garantindo, assim, aos encarregados de educação de que “estas crianças e estes jovens estão a adquirir uma boa formação”.
“A educação é uma responsabilidade social e não apenas do estabelecimento de ensino e isso ficou também bem patente na identificação desses parceiros que colaboram com a escola”, rematou.
12.7.17
Carrinha parou em Leiria para ‘pensar’ a cidadania e combater desigualdades
Diário de Leiria
Uma equipa de animação e uma carrinha, devidamente equipada com recursos lúdico-pedagógicos, estiveram ontem em Leiria a apoiar a dinamização de actividades propostas por parceiros locais, com o objectivo de colocar os leirienses a pensar e a agir sobre as desigualdades, as discriminações e as violências que ainda persistem.
Falamos do roteiro 'Cidadania em Portugal', uma iniciativa da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal) - Núcleo Distrital de Leiria, em parceria com a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (ANIMAR) que esteve, com uma carrinha, da parte da manhã, no Largo da República, com uma acção de rua, e, à tarte, com uma sessão de sensibilização com dinâmicas lúdico-pedagógicas, que juntou cerca de 12 crianças na sede do projecto da InPulsar 'Redes da Quint@', na Quinta do Alçada, em Leiria.
Uma equipa de animação e uma carrinha, devidamente equipada com recursos lúdico-pedagógicos, estiveram ontem em Leiria a apoiar a dinamização de actividades propostas por parceiros locais, com o objectivo de colocar os leirienses a pensar e a agir sobre as desigualdades, as discriminações e as violências que ainda persistem.
Falamos do roteiro 'Cidadania em Portugal', uma iniciativa da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal) - Núcleo Distrital de Leiria, em parceria com a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (ANIMAR) que esteve, com uma carrinha, da parte da manhã, no Largo da República, com uma acção de rua, e, à tarte, com uma sessão de sensibilização com dinâmicas lúdico-pedagógicas, que juntou cerca de 12 crianças na sede do projecto da InPulsar 'Redes da Quint@', na Quinta do Alçada, em Leiria.
11.7.17
Roteiro "Cidadania em Portugal" promove debate na Região de Leiria
in Tinta Fresca
Largo da República O Roteiro Cidadania em Portugal vai estar, entre os dias 11 e 15 de julho, na Área Metropolitana do Porto, Região de Aveiro, Região de Leiria e Viseu Dão Lafões, com um programa de atividades sobre questões como Igualdade de Género, Combate às Desigualdades, Cidadania Ativa, entre outras.
O objetivo desta iniciativa - uma parceria do Governo e da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (ANIMAR) - é colocar as redes e comunidades locais a discutir os temas da cidadania, da participação cívica, o combate às desigualdades ou as discriminações. Em Leiria, a acção decorre esta terça-feira, dia 11 de Julho, no Largo da República (10h-12h30) com uma acção de rua com o tema "combate às Desigualdades" e Quinta do Alçada, sede do Projeto Redes na Quint@, das 14 h30 às 16h30, com uma acção de sensibilização com o tema "Cidadania Ativa, Ambiente e Bem-estar."
O Roteiro teve início no dia 24 de outubro - Dia Municipal para a Igualdade - e vai percorrer todo o país até ao dia 30 de julho de 2017.
No percurso do Roteiro estão já mais de 160 municípios de Portugal continental e regiões autónomas. A rede de parcerias envolve ainda autarquias, organismos da administração pública, organizações da Economia Social e Solidária e outras entidades, tais como a ACAPO, Federação Portuguesa de Surdos, RUTIS, entre outros. O projeto conta ainda com a associação de microprojectos como a Fundação Maria Rosa/ComParte, rede ex aequo, Observatório para a Liberdade Religiosa e Acessível Êxito.
A equipa percorre o País numa carrinha, devidamente equipada com recursos lúdico-pedagógicos, para apoiar a dinamização de atividades propostas por redes locais.
Largo da República O Roteiro Cidadania em Portugal vai estar, entre os dias 11 e 15 de julho, na Área Metropolitana do Porto, Região de Aveiro, Região de Leiria e Viseu Dão Lafões, com um programa de atividades sobre questões como Igualdade de Género, Combate às Desigualdades, Cidadania Ativa, entre outras.
O objetivo desta iniciativa - uma parceria do Governo e da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (ANIMAR) - é colocar as redes e comunidades locais a discutir os temas da cidadania, da participação cívica, o combate às desigualdades ou as discriminações. Em Leiria, a acção decorre esta terça-feira, dia 11 de Julho, no Largo da República (10h-12h30) com uma acção de rua com o tema "combate às Desigualdades" e Quinta do Alçada, sede do Projeto Redes na Quint@, das 14 h30 às 16h30, com uma acção de sensibilização com o tema "Cidadania Ativa, Ambiente e Bem-estar."
O Roteiro teve início no dia 24 de outubro - Dia Municipal para a Igualdade - e vai percorrer todo o país até ao dia 30 de julho de 2017.
No percurso do Roteiro estão já mais de 160 municípios de Portugal continental e regiões autónomas. A rede de parcerias envolve ainda autarquias, organismos da administração pública, organizações da Economia Social e Solidária e outras entidades, tais como a ACAPO, Federação Portuguesa de Surdos, RUTIS, entre outros. O projeto conta ainda com a associação de microprojectos como a Fundação Maria Rosa/ComParte, rede ex aequo, Observatório para a Liberdade Religiosa e Acessível Êxito.
A equipa percorre o País numa carrinha, devidamente equipada com recursos lúdico-pedagógicos, para apoiar a dinamização de atividades propostas por redes locais.
26.6.17
A Cidadania é um exercício de participação
in o Observador
Voluntariado, defesa do ambiente, pedagogia em saúde e liberdade de expressão foram os temas em debate desta conversa sobre Cidadania, da série Observamos Mais.
O reconhecimento do papel ativo da sociedade civil na defesa de direitos e no cumprimento de deveres foi o ponto de partida para esta conversa dedicada ao tema Mais Cidadania.
A terceira conversa da série Observamos Mais decorreu com a presença de Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Ana Rita Ramalho, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, Francisco Ferreira, presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável e especialista em alterações climáticas, e o advogado Francisco Teixeira da Mota, conhecido defensor dos direitos humanos e da liberdade de expressão.
No Espaço Conversas Soltas Popular o debate teve a moderação de Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, que conduziu a reflexão e a partilha de experiências dos convidados, nas suas diferentes áreas.
Voluntariado e cidadania
“Cidadania é participar, não é ajudar”, começou por dizer Isabel Jonet, depois da introdução de Miguel Pinheiro e do breve discurso de boas vindas de Carla Gouveia, diretora Central de Negócio, Marketing e Comunicação do Banco Popular. O Banco Alimentar nasceu há 27 anos, contando atualmente com 42 mil voluntários que são uma prova de como o voluntariado pode ser eficaz quando se organizam os esforços individuais na mesma direção. No mundo atual onde os fenómenos de exclusão tendem a aumentar em quantidade e severidade, o espírito de entrega e serviços aos outros deve ser constante e regular. Neste sentido a cidadania tem que fazer parte de uma cultura de civismo. Isabel Jonet constata que, por vezes, pode ser difícil organizar o excesso de voluntarismo das pessoas e que é necessário aumentar a nossa capacidade organização. “Às vezes há falta de eficiência por dificuldade de organização, noutros casos por dificuldades em aceitar ajudas de outros”. E depois há a questão dos pequenos poderes e dos “protagonismos” que tantas vezes levam à ineficácia das ações.
A Presidente do Banco Alimentar chamou a atenção para a importância de contabilizar também todo o voluntariado informal que acontece no país, desde as instituições do terceiro setor aos clubes desportivos. Existe bastante trabalho voluntário que não é considerado como participação cívica.
Isabel Jonet recordou a época em que a ação política era feita com entusiasmo e dedicação a causas, logo após o 25 de Abril, para lembrar que atualmente “os partidos pagam para colar cartazes.” O mesmo acontece com o envolvimento da população nos atos eleitorais. O secretariado das mesas de voto era assegurado por voluntários, que o faziam de forma apaixonada. Mas atualmente, desde o início do século XXI, passou a ser uma atividade remunerada através de um subsídio atribuído a cada membro da assembleia de voto.
Os atuais modelos de comunicação nas “redes sociais levam muitas vezes as pessoas a viver ilusões e fantasias, ignorando a realidade que está ali ao lado”
Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa de Bancos Alimentares contra a Fome
O voluntariado organizado permite conhecer novas realidades e também desinstala as pessoas da sua rotina diária, contribuindo para um enriquecimento individual. Há aspetos no voluntariado que por vezes não são percebidos no imediato. Por exemplo, em instituições que lidam diariamente com falta de pessoal, onde é preciso manter um conjunto de tarefas administrativas e de contabilidade, por exemplo. Se um técnico de contas se oferecer como voluntário para fazer esse trabalho, isso vai fazer com que os cuidadores possam dedicar-se àquilo que é realmente a sua missão, sem perder tempo com a burocracia.
Os atuais modelos de comunicação nas “redes sociais levam muitas vezes as pessoas a viver ilusões e fantasias, ignorando a realidade que está ali ao lado”, referiu ainda Isabel Jonet, a propósito do cenário de desumanização da sociedade.
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Cidadãos ecológicos
Em matéria de cidadania ambiental, Francisco Ferreira reconhece que somos um povo de grande sensibilidade para as questões da ecologia, do ponto de vista da perceção dos problemas, mas “ao nível da intervenção estamos bem longe do que seria desejável” apesar de se registar alguma evolução nos indicadores. Há aspetos práticos como a reutilização, ou as decisões de consumo, que continuam a não ser as mais inteligentes em termos de responsabilidade ambiental. O ambientalista abordou a questão do uso do “transporte público como um ato de cidadania”, quer pelo respeito ecológico dessa decisão, quer pela poupança direta em recursos a vários níveis.
Os exemplos que o Estado tem dado neste âmbito não são os melhores. Quando foi criada a linha SOS ambiente, a participação das pessoas a denunciar situações atingiu valores de tal maneira altos que depois não havia capacidade de resposta por parte dos organismos que tinham de desencadear respostas ativas no terreno. A operação “Limpar Portugal” alcançou um êxito excecional, que Francisco Ferreira lembrou para concluir com a ideia de que “é fácil mobilizar a população para uma ação organizada pontualmente. Mas já é mais difícil conseguir a participação das pessoas de uma forma continuada,” devidamente integrada nas práticas sociais dos cidadãos.
“É preciso mudar o ensino enciclopédico e investir na nossa capacidade de agir, filtrar e pensar estas questões”
Francisco Ferreira, presidente da ZERO
A cidadania sairá sempre reforçada através do investimento na educação e num maior grau de literacia ambiental. A educação e o conhecimento são essenciais para melhorar a nossa capacidade de escolha. O desenvolvimento sustentável depende da capacidade de nos questionarmos acerca do assunto, e em que medida é que ele diz respeito a cada um de nós. Esta consciencialização de que o problema diz respeito a todos é que vai permitir tomar decisões acertadas no quadro da responsabilidade perante as futuras gerações.
As universidades têm um papel chave nesta matéria já que no entender de Francisco Ferreira “é preciso mudar o ensino enciclopédico e investir na nossa capacidade de agir, filtrar e pensar estas questões”.
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Exemplos de proximidade
A mais jovem participante do painel, Ana Rita Ramalho, recebeu em março o Prémio Cidadania Ativa, na área da pedagogia, atribuído pela Universidade do Porto. O campo das relações entre médicos e pacientes é essencial nas reformas que têm ocorrido ao nível da formação de profissionais de saúde em Portugal, destacou a Presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina. As escolas têm vindo a introduzir “melhorias no currículo dos cursos, de modo a poder acomodar tempo de formação nas áreas sociais e humanas”, referiu a dirigente. Mudar é mais fácil do que muitas vezes se pensa, sobretudo quando nos organizamos. Afinal, é verdade que “sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe”.
O trabalho de um médico “é solidário por natureza e os profissionais de saúde têm a noção de que os doentes são sempre pessoas vulneráveis” que precisam de ajuda, referiu Ana Rita Ramalho a propósito do humanismo essencial à prática clínica. Do ponto de vista dos projetos em que está envolvida, é fundamental “ver os efeitos diretos das nossas ações, porque a motivação aumenta e assim conseguimos gerar ainda mais participação”, concluiu, na perspetiva de uma cidadania ativa.
“Há coisas que não vêm nos livros. A partilha de situações problema é também exemplo de outra metodologia a privilegiar”
Ana Rita Ramalho, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina
O medicamento certo, o sorriso e a informação são expectativas que devemos ter sempre que procuramos um médico. Neste sentido, Miguel Pinheiro levanta a questão da preparação dos futuros médicos, ainda em formação, para lidar com a diferença e fazer um atendimento mais próximo das pessoas. Para Ana Rita Ramalho, essa é uma grande responsabilidade que é assumida pelas escolas portuguesas. O exemplo é porventura a melhor forma de aprender as melhores práticas. Muitas vezes os médicos são voluntários na medida em que asseguram pro bono a transmissão de saberes aos jovens médicos. Porque “há coisas que não vêm nos livros, a partilha de situações problema é também exemplo de outra metodologia a privilegiar”, concluiu a Presidente da ANEM.
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Liberdades de expressão
Os juízes estão sensibilizados para os direitos de cidadania das pessoas e dos jornalistas? Com mais de 30 anos de carreira, Francisco Teixeira da Mota admitiu, sem generalizar, que “há uma evolução, embora sejam normalmente muito normativos e não tenham flexibilidade para se adaptar a circunstâncias específicas”, realçando que a maior parte dos juízes já têm a noção de estar a fazer serviço público.
Outro tipo de relações é o que encontramos nos corredores do poder quando observamos a cidadania do ponto de vista do conhecimento. A realidade não é igual para todas as pessoas e isso depende, em grande medida, “do grau de informação dos cidadãos sobre qualquer assunto e sobre os direitos em particular”, afirmou Francisco Teixeira da Mota. A liberdade de expressão “é um valor inestimável, mas daí também deve resultar uma sociedade mais responsável e esclarecida”. O saber e o poder relacionam-se de diversas formas, sendo que o poder tende a ocultar informação. Nessa circunstância, só com mais informação e conhecimento é que a sociedade civil pode lutar pelos seus direitos em pé de igualdade.
“Não podemos confiar acriticamente nas instituições. É preciso apostar numa sociedade mais livre e consciente, sem respeitar cegamente as verdades estabelecidas”
Francisco Teixeira da Mota, advogado
O advogado lembrou o tempo em que se usava o “Hygiaphone” nos locais de atendimento ao público. O dispositivo que funcionava como intercomunicador era uma espécie de barreira física que impedia o acesso aos documentos, à informação, reforçando a ideia de controlo e de poder do lado do funcionário. A cidadania fica sempre em perigo quando deixamos de questionar. No passado existiam os dogmas, as grandes instituições que atuavam como reguladores do comportamento social, mas hoje já não é assim, “não podemos confiar acriticamente nas instituições, é preciso apostar numa sociedade mais livre e consciente, sem respeitar cegamente as verdades estabelecidas”, concluiu Francisco Teixeira da Mota.
Se não teve oportunidade de assistir em direto a esta Conversa sobre Mais Cidadania, veja aqui na íntegra.
Esta foi terceira conversa da série Observamos Mais, uma parceria entre o Observador e o Banco Popular. Em Julho vamos observar e partilhar outras experiências, agora de Mais Perto.
Voluntariado, defesa do ambiente, pedagogia em saúde e liberdade de expressão foram os temas em debate desta conversa sobre Cidadania, da série Observamos Mais.
O reconhecimento do papel ativo da sociedade civil na defesa de direitos e no cumprimento de deveres foi o ponto de partida para esta conversa dedicada ao tema Mais Cidadania.
A terceira conversa da série Observamos Mais decorreu com a presença de Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome, Ana Rita Ramalho, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, Francisco Ferreira, presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável e especialista em alterações climáticas, e o advogado Francisco Teixeira da Mota, conhecido defensor dos direitos humanos e da liberdade de expressão.
No Espaço Conversas Soltas Popular o debate teve a moderação de Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador, que conduziu a reflexão e a partilha de experiências dos convidados, nas suas diferentes áreas.
Voluntariado e cidadania
“Cidadania é participar, não é ajudar”, começou por dizer Isabel Jonet, depois da introdução de Miguel Pinheiro e do breve discurso de boas vindas de Carla Gouveia, diretora Central de Negócio, Marketing e Comunicação do Banco Popular. O Banco Alimentar nasceu há 27 anos, contando atualmente com 42 mil voluntários que são uma prova de como o voluntariado pode ser eficaz quando se organizam os esforços individuais na mesma direção. No mundo atual onde os fenómenos de exclusão tendem a aumentar em quantidade e severidade, o espírito de entrega e serviços aos outros deve ser constante e regular. Neste sentido a cidadania tem que fazer parte de uma cultura de civismo. Isabel Jonet constata que, por vezes, pode ser difícil organizar o excesso de voluntarismo das pessoas e que é necessário aumentar a nossa capacidade organização. “Às vezes há falta de eficiência por dificuldade de organização, noutros casos por dificuldades em aceitar ajudas de outros”. E depois há a questão dos pequenos poderes e dos “protagonismos” que tantas vezes levam à ineficácia das ações.
A Presidente do Banco Alimentar chamou a atenção para a importância de contabilizar também todo o voluntariado informal que acontece no país, desde as instituições do terceiro setor aos clubes desportivos. Existe bastante trabalho voluntário que não é considerado como participação cívica.
Isabel Jonet recordou a época em que a ação política era feita com entusiasmo e dedicação a causas, logo após o 25 de Abril, para lembrar que atualmente “os partidos pagam para colar cartazes.” O mesmo acontece com o envolvimento da população nos atos eleitorais. O secretariado das mesas de voto era assegurado por voluntários, que o faziam de forma apaixonada. Mas atualmente, desde o início do século XXI, passou a ser uma atividade remunerada através de um subsídio atribuído a cada membro da assembleia de voto.
Os atuais modelos de comunicação nas “redes sociais levam muitas vezes as pessoas a viver ilusões e fantasias, ignorando a realidade que está ali ao lado”
Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa de Bancos Alimentares contra a Fome
O voluntariado organizado permite conhecer novas realidades e também desinstala as pessoas da sua rotina diária, contribuindo para um enriquecimento individual. Há aspetos no voluntariado que por vezes não são percebidos no imediato. Por exemplo, em instituições que lidam diariamente com falta de pessoal, onde é preciso manter um conjunto de tarefas administrativas e de contabilidade, por exemplo. Se um técnico de contas se oferecer como voluntário para fazer esse trabalho, isso vai fazer com que os cuidadores possam dedicar-se àquilo que é realmente a sua missão, sem perder tempo com a burocracia.
Os atuais modelos de comunicação nas “redes sociais levam muitas vezes as pessoas a viver ilusões e fantasias, ignorando a realidade que está ali ao lado”, referiu ainda Isabel Jonet, a propósito do cenário de desumanização da sociedade.
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Cidadãos ecológicos
Em matéria de cidadania ambiental, Francisco Ferreira reconhece que somos um povo de grande sensibilidade para as questões da ecologia, do ponto de vista da perceção dos problemas, mas “ao nível da intervenção estamos bem longe do que seria desejável” apesar de se registar alguma evolução nos indicadores. Há aspetos práticos como a reutilização, ou as decisões de consumo, que continuam a não ser as mais inteligentes em termos de responsabilidade ambiental. O ambientalista abordou a questão do uso do “transporte público como um ato de cidadania”, quer pelo respeito ecológico dessa decisão, quer pela poupança direta em recursos a vários níveis.
Os exemplos que o Estado tem dado neste âmbito não são os melhores. Quando foi criada a linha SOS ambiente, a participação das pessoas a denunciar situações atingiu valores de tal maneira altos que depois não havia capacidade de resposta por parte dos organismos que tinham de desencadear respostas ativas no terreno. A operação “Limpar Portugal” alcançou um êxito excecional, que Francisco Ferreira lembrou para concluir com a ideia de que “é fácil mobilizar a população para uma ação organizada pontualmente. Mas já é mais difícil conseguir a participação das pessoas de uma forma continuada,” devidamente integrada nas práticas sociais dos cidadãos.
“É preciso mudar o ensino enciclopédico e investir na nossa capacidade de agir, filtrar e pensar estas questões”
Francisco Ferreira, presidente da ZERO
A cidadania sairá sempre reforçada através do investimento na educação e num maior grau de literacia ambiental. A educação e o conhecimento são essenciais para melhorar a nossa capacidade de escolha. O desenvolvimento sustentável depende da capacidade de nos questionarmos acerca do assunto, e em que medida é que ele diz respeito a cada um de nós. Esta consciencialização de que o problema diz respeito a todos é que vai permitir tomar decisões acertadas no quadro da responsabilidade perante as futuras gerações.
As universidades têm um papel chave nesta matéria já que no entender de Francisco Ferreira “é preciso mudar o ensino enciclopédico e investir na nossa capacidade de agir, filtrar e pensar estas questões”.
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Exemplos de proximidade
A mais jovem participante do painel, Ana Rita Ramalho, recebeu em março o Prémio Cidadania Ativa, na área da pedagogia, atribuído pela Universidade do Porto. O campo das relações entre médicos e pacientes é essencial nas reformas que têm ocorrido ao nível da formação de profissionais de saúde em Portugal, destacou a Presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina. As escolas têm vindo a introduzir “melhorias no currículo dos cursos, de modo a poder acomodar tempo de formação nas áreas sociais e humanas”, referiu a dirigente. Mudar é mais fácil do que muitas vezes se pensa, sobretudo quando nos organizamos. Afinal, é verdade que “sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe”.
O trabalho de um médico “é solidário por natureza e os profissionais de saúde têm a noção de que os doentes são sempre pessoas vulneráveis” que precisam de ajuda, referiu Ana Rita Ramalho a propósito do humanismo essencial à prática clínica. Do ponto de vista dos projetos em que está envolvida, é fundamental “ver os efeitos diretos das nossas ações, porque a motivação aumenta e assim conseguimos gerar ainda mais participação”, concluiu, na perspetiva de uma cidadania ativa.
“Há coisas que não vêm nos livros. A partilha de situações problema é também exemplo de outra metodologia a privilegiar”
Ana Rita Ramalho, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina
O medicamento certo, o sorriso e a informação são expectativas que devemos ter sempre que procuramos um médico. Neste sentido, Miguel Pinheiro levanta a questão da preparação dos futuros médicos, ainda em formação, para lidar com a diferença e fazer um atendimento mais próximo das pessoas. Para Ana Rita Ramalho, essa é uma grande responsabilidade que é assumida pelas escolas portuguesas. O exemplo é porventura a melhor forma de aprender as melhores práticas. Muitas vezes os médicos são voluntários na medida em que asseguram pro bono a transmissão de saberes aos jovens médicos. Porque “há coisas que não vêm nos livros, a partilha de situações problema é também exemplo de outra metodologia a privilegiar”, concluiu a Presidente da ANEM.
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Liberdades de expressão
Os juízes estão sensibilizados para os direitos de cidadania das pessoas e dos jornalistas? Com mais de 30 anos de carreira, Francisco Teixeira da Mota admitiu, sem generalizar, que “há uma evolução, embora sejam normalmente muito normativos e não tenham flexibilidade para se adaptar a circunstâncias específicas”, realçando que a maior parte dos juízes já têm a noção de estar a fazer serviço público.
Outro tipo de relações é o que encontramos nos corredores do poder quando observamos a cidadania do ponto de vista do conhecimento. A realidade não é igual para todas as pessoas e isso depende, em grande medida, “do grau de informação dos cidadãos sobre qualquer assunto e sobre os direitos em particular”, afirmou Francisco Teixeira da Mota. A liberdade de expressão “é um valor inestimável, mas daí também deve resultar uma sociedade mais responsável e esclarecida”. O saber e o poder relacionam-se de diversas formas, sendo que o poder tende a ocultar informação. Nessa circunstância, só com mais informação e conhecimento é que a sociedade civil pode lutar pelos seus direitos em pé de igualdade.
“Não podemos confiar acriticamente nas instituições. É preciso apostar numa sociedade mais livre e consciente, sem respeitar cegamente as verdades estabelecidas”
Francisco Teixeira da Mota, advogado
O advogado lembrou o tempo em que se usava o “Hygiaphone” nos locais de atendimento ao público. O dispositivo que funcionava como intercomunicador era uma espécie de barreira física que impedia o acesso aos documentos, à informação, reforçando a ideia de controlo e de poder do lado do funcionário. A cidadania fica sempre em perigo quando deixamos de questionar. No passado existiam os dogmas, as grandes instituições que atuavam como reguladores do comportamento social, mas hoje já não é assim, “não podemos confiar acriticamente nas instituições, é preciso apostar numa sociedade mais livre e consciente, sem respeitar cegamente as verdades estabelecidas”, concluiu Francisco Teixeira da Mota.
Se não teve oportunidade de assistir em direto a esta Conversa sobre Mais Cidadania, veja aqui na íntegra.
Esta foi terceira conversa da série Observamos Mais, uma parceria entre o Observador e o Banco Popular. Em Julho vamos observar e partilhar outras experiências, agora de Mais Perto.
1.3.17
Projeto pioneiro está a pôr os portugueses a parar, pensar e agir
in Sol
A cidadania não se decreta, pratica-se. Para dar uma ajuda ao ditado, a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade impulsionou um projeto que pôs quase cinco mil pessoas a pensar sobre estas questões. O i foi passar um dia com a equipa que anda a percorrer o país
Quanto tempo é que você dura?"A pergunta inusitada pôs um sorriso na sala.O destinatário da questão era Afonso Lourenço Costa, presidente da junta de freguesia de Alverca e do Sobralinho.
O autarca demorou meio segundo a perceber que a pergunta de uma criança da escola do concelho não era um prenúncio de uma vida encurtada. "Os mandatos são de quatro anos", responde, aproveitando para acrescentar "que as eleições autárquicas são este ano". "E se não quiser ser mais presidente como faz para sair?", pergunta outro aluno. "Ninguém é obrigado a ficar, está previsto na lei que as pessoas que foram eleitas também podem renunciar", diz Afonso Costa.
"E isto não é uma profissão, é um cargo", aproveita para explicar Sandra Silvestre, coordenadora da associação Animar. "É assim uma espécie de missão. O presidente também tinha uma profissão antes de ser eleito, não tinha, senhor presidente?". O autarca - antigo editor discográfico - confirma e aproveita para falar um pouco melhor das funções de presidente.
Os alunos acabaram por ser eles, de certa forma, a dar a resposta: "Um presidente da junta gere a terra".
Sandra continua a interpelar os cerca de 15 alunos da Sol School, um centro de de estudos em Alverca criado pelo Centro Social Para o Desenvolvimento do Sobralinho e que, há uma semana, recebeu a equipa do Roteiro da Cidadania.
Cidadania sobre rodas O Roteiro da Cidadania - uma ideia da Animar (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local) e apoiada desde o início pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino - é um projeto pioneiro que, nos últimos 120 dias, já falou sobre as questões de cidadania com quase cinco mil pessoas nos quatro cantos do país.
A equipa tem andado pela estrada com uma carrinha equipada a rigor. E o rigor de que falamos nada tem a ver com brindes. Os melhores presentes desta carrinha são mesmo os técnicos que, de norte a sul, têm posto as diferentes comunidades a pensar - e a pensar em como agir - sobre a igualdade de género, violência doméstica, o ativismo na sociedade e o que é isto de ser cidadão. "A ideia é replicar, todos os dias, o Dia Municipal para a Igualdade, que existe desde 2010. Pensámos numa lógica de parceria que reativasse as redes sociais (as da vida real) entre as autarquias e as associações que estão no terreno", diz Célia Lavado, da Animar.
E como funciona o processo? Basicamente, é preciso uma organização local - como uma escola, ou uma associação - predispor-se a receber a equipa. Em troca, recebem uma resposta particular, já que os temas abordados em cada sessão dependem do trabalho ou dos interesses e problemas das comunidades. O único critério é que os temas escolhidos estejam inscritos nas temáticas do desenvolvimento sustentável. "O que preocupa as pessoas de Lisboa poderá não ser o mesmo das pessoas de Barrancos", disse Catarina Marcelino ao i. "Este projeto é nacional, vamos estar presentes dos Açores a Trás-os-Montes, mas tem uma base muito específica, porque tem em conta aquilo que são os objetivos de desenvolvimento local porque tem a ver com a realidade de cada sítio", resume.
Para a secretária de Estado, o grande desafio nesta matéria é a educação para a cidadania nas escolas. "O objetivo é mesmo criar pensamento e depois ação. Há aquela frase que diz que a cidadania não se decreta, pratica-se. Julgo que a educação para a cidadania é a chave para a consolidação não só da sociedade mas na vida de cada um de nós", disse ao i. Em paralelo, estão a ser organizados seis seminários sobre as mais diferentes temáticas, desde a economia social à educação para a saúde.
No final do projeto, marcado para julho, Catarina Marcelino quer usar a informação recolhida para medir o pulso do país e traçar novas metas. "Só assim podemos melhorar como sociedade", acredita.
Não é preciso esperar pelo fim para aceder às opiniões e sugestões dos cidadãos que já se cruzaram com o Roteiro: pode ser tudo consultado na página cidadaniaemportugal.pt.
Uma (mini)democracia participativa No dia em que o i acompanhou o Roteiro da Cidadania, a manhã começou na escola básica do Sobralinho.
Ao longo de duas sessões, as técnicas de serviço naquele dia - Sandra Silvestre, que já referimos, Vanda Godinho, Célia Lavado a quem compete também a coordenação do projeto e Raquel Gonçalves - convidaram os alunos de terceiro e de quarto ano da escola a pensar no que estava mal na sua freguesia - e que, portanto, deveria parar.
Divididos em grupos, os alunos identificaram alguns problemas. como os dejetos dos animais nas ruas, a falta de um lar de idosos, a poluição das fábricas e a falta de espaços verdes . As crianças também referiram que era importante ter a biblioteca aberta nas férias e disseram que faltava emprego e transportes públicos na freguesia.
"Temos aqui grandes ideias de governo!", brincou Sandra. "Agora pensem como podem agir para mudar", pediu. "Se calhar há coisas que vocês podem fazer. Muitos falaram do problema com os dejetos dos animais, porque não escrevem uma petição sobre este problema, reúnem as assinaturas e entregam ao presidente da junta?"
Já sobre a falta de lar de idosos, foi proposto aos alunos que, enquanto não há verbas, dessem o seu tempo como voluntários para acompanhar os mais idosos.
Não só o que é mau interessa, por isso os estudantes também identificaram as mais-valias do Sobralinho. O facto de toda a gente se cumprimentar, a escola nova, o pavilhão, a Torre de Relógio e a proximidade do rio Tejo foram mencionados por quase todos os grupos.
"Sabem o que significa ser cidadão?", perguntou outra das técnicas do Roteiro. "É ser parte de uma terra", respondeu um dos alunos. A lista de direitos e deveres tomou o resto da conversa. Pelo caminho, ainda houve tempo para explicar em linguagem simples a hierarquia dos órgãos de soberania e o que é a ONU e as instituições europeias.
Quando se saltaram fronteiras, os problemas identificados pelos alunos com idades, sensivelmente, entre os 8 e os 10 anos foram imediatos: a guerra na Síria e o muro proposto por Trump.
"Isto é muito interessante", comentava Felizarda Correia. Mesmo que não o saiba, Felizarda é um dos rostos da democracia participativa desta freguesia - esta senhora é um dos membros da direção da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Sobralinho que promove atividades para todas as idades. "Venham cá no 25 de Abril, vamos declamar poemas do Ary dos Santos", convida, enquanto prossegue a discussão com os conterrâneos de palmo e meio.
Luís Coelho, presidente do Centro Social para o Desenvolvimento do Sobralinho, também entrou na troca de ideias com um dos grupos. O organismo a que preside - que presta um apoio transversal à população - foi identificado pelos alunos como uma das valências positivas da freguesia. "É algo que me deixou muito emocionado", confessou mais tarde ao i.
No final da sessão, a descer as escadas, os habituais empurrões. "Não estás a ser um bom cidadão!", dispara um aluno. Nem que seja a curto prazo, a mensagem colou.
93 localidades Esta segunda-feira, o Roteiro da Cidadania já tinha passado por 93 locais e realizado 118 atividades. Um caminho que tem sido feito de descobertas. "O conservadorismo vem de onde menos se espera", contava Sandra Silvestre. "Já conversámos com um jovem de 19 anos que discordava por completo do facto de as mulheres fazerem relatos de futebol", exemplifica.
Sandra também já trocou ideias que a deixaram a pensar. "Em Guimarães, falei com três jovens sobre a violência contra as mulheres e o rapaz colocou-me um dilema, que é a questão do filho denunciar o próprio pai que é agressor ou vai deixar a mãe ser vítima. E o próprio rapaz disse que nunca tinha pensado nisto. Este trabalho é importante por isso, é deixar as pessoas a questionarem-se."
Também já houve momentos mais tensos de partilha. "Em Ponte de Lima, uma senhora contou pela primeira vez em público que tinha sido alvo de violência doméstica. E deixou um recado aos filhos, disse que, caso algum deles tivessem esse comportamento, ela acolheria as noras."
Sandra, formada em Relações Internacionais e ligada a várias organizações culturais, sociais e políticas -, parece ter sido talhada para o "Roteiro da Cidadania". É um daqueles casos felizes em que o percurso profissional e o projeto se cruzam. A técnica acredita - e espalha a mensagem de que "os territórios têm que ter a participação de todas as pessoas de todas as idades". Às vezes basta parar. Pensar. E agir.
A cidadania não se decreta, pratica-se. Para dar uma ajuda ao ditado, a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade impulsionou um projeto que pôs quase cinco mil pessoas a pensar sobre estas questões. O i foi passar um dia com a equipa que anda a percorrer o país
Quanto tempo é que você dura?"A pergunta inusitada pôs um sorriso na sala.O destinatário da questão era Afonso Lourenço Costa, presidente da junta de freguesia de Alverca e do Sobralinho.
O autarca demorou meio segundo a perceber que a pergunta de uma criança da escola do concelho não era um prenúncio de uma vida encurtada. "Os mandatos são de quatro anos", responde, aproveitando para acrescentar "que as eleições autárquicas são este ano". "E se não quiser ser mais presidente como faz para sair?", pergunta outro aluno. "Ninguém é obrigado a ficar, está previsto na lei que as pessoas que foram eleitas também podem renunciar", diz Afonso Costa.
"E isto não é uma profissão, é um cargo", aproveita para explicar Sandra Silvestre, coordenadora da associação Animar. "É assim uma espécie de missão. O presidente também tinha uma profissão antes de ser eleito, não tinha, senhor presidente?". O autarca - antigo editor discográfico - confirma e aproveita para falar um pouco melhor das funções de presidente.
Os alunos acabaram por ser eles, de certa forma, a dar a resposta: "Um presidente da junta gere a terra".
Sandra continua a interpelar os cerca de 15 alunos da Sol School, um centro de de estudos em Alverca criado pelo Centro Social Para o Desenvolvimento do Sobralinho e que, há uma semana, recebeu a equipa do Roteiro da Cidadania.
Cidadania sobre rodas O Roteiro da Cidadania - uma ideia da Animar (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local) e apoiada desde o início pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino - é um projeto pioneiro que, nos últimos 120 dias, já falou sobre as questões de cidadania com quase cinco mil pessoas nos quatro cantos do país.
A equipa tem andado pela estrada com uma carrinha equipada a rigor. E o rigor de que falamos nada tem a ver com brindes. Os melhores presentes desta carrinha são mesmo os técnicos que, de norte a sul, têm posto as diferentes comunidades a pensar - e a pensar em como agir - sobre a igualdade de género, violência doméstica, o ativismo na sociedade e o que é isto de ser cidadão. "A ideia é replicar, todos os dias, o Dia Municipal para a Igualdade, que existe desde 2010. Pensámos numa lógica de parceria que reativasse as redes sociais (as da vida real) entre as autarquias e as associações que estão no terreno", diz Célia Lavado, da Animar.
E como funciona o processo? Basicamente, é preciso uma organização local - como uma escola, ou uma associação - predispor-se a receber a equipa. Em troca, recebem uma resposta particular, já que os temas abordados em cada sessão dependem do trabalho ou dos interesses e problemas das comunidades. O único critério é que os temas escolhidos estejam inscritos nas temáticas do desenvolvimento sustentável. "O que preocupa as pessoas de Lisboa poderá não ser o mesmo das pessoas de Barrancos", disse Catarina Marcelino ao i. "Este projeto é nacional, vamos estar presentes dos Açores a Trás-os-Montes, mas tem uma base muito específica, porque tem em conta aquilo que são os objetivos de desenvolvimento local porque tem a ver com a realidade de cada sítio", resume.
Para a secretária de Estado, o grande desafio nesta matéria é a educação para a cidadania nas escolas. "O objetivo é mesmo criar pensamento e depois ação. Há aquela frase que diz que a cidadania não se decreta, pratica-se. Julgo que a educação para a cidadania é a chave para a consolidação não só da sociedade mas na vida de cada um de nós", disse ao i. Em paralelo, estão a ser organizados seis seminários sobre as mais diferentes temáticas, desde a economia social à educação para a saúde.
No final do projeto, marcado para julho, Catarina Marcelino quer usar a informação recolhida para medir o pulso do país e traçar novas metas. "Só assim podemos melhorar como sociedade", acredita.
Não é preciso esperar pelo fim para aceder às opiniões e sugestões dos cidadãos que já se cruzaram com o Roteiro: pode ser tudo consultado na página cidadaniaemportugal.pt.
Uma (mini)democracia participativa No dia em que o i acompanhou o Roteiro da Cidadania, a manhã começou na escola básica do Sobralinho.
Ao longo de duas sessões, as técnicas de serviço naquele dia - Sandra Silvestre, que já referimos, Vanda Godinho, Célia Lavado a quem compete também a coordenação do projeto e Raquel Gonçalves - convidaram os alunos de terceiro e de quarto ano da escola a pensar no que estava mal na sua freguesia - e que, portanto, deveria parar.
Divididos em grupos, os alunos identificaram alguns problemas. como os dejetos dos animais nas ruas, a falta de um lar de idosos, a poluição das fábricas e a falta de espaços verdes . As crianças também referiram que era importante ter a biblioteca aberta nas férias e disseram que faltava emprego e transportes públicos na freguesia.
"Temos aqui grandes ideias de governo!", brincou Sandra. "Agora pensem como podem agir para mudar", pediu. "Se calhar há coisas que vocês podem fazer. Muitos falaram do problema com os dejetos dos animais, porque não escrevem uma petição sobre este problema, reúnem as assinaturas e entregam ao presidente da junta?"
Já sobre a falta de lar de idosos, foi proposto aos alunos que, enquanto não há verbas, dessem o seu tempo como voluntários para acompanhar os mais idosos.
Não só o que é mau interessa, por isso os estudantes também identificaram as mais-valias do Sobralinho. O facto de toda a gente se cumprimentar, a escola nova, o pavilhão, a Torre de Relógio e a proximidade do rio Tejo foram mencionados por quase todos os grupos.
"Sabem o que significa ser cidadão?", perguntou outra das técnicas do Roteiro. "É ser parte de uma terra", respondeu um dos alunos. A lista de direitos e deveres tomou o resto da conversa. Pelo caminho, ainda houve tempo para explicar em linguagem simples a hierarquia dos órgãos de soberania e o que é a ONU e as instituições europeias.
Quando se saltaram fronteiras, os problemas identificados pelos alunos com idades, sensivelmente, entre os 8 e os 10 anos foram imediatos: a guerra na Síria e o muro proposto por Trump.
"Isto é muito interessante", comentava Felizarda Correia. Mesmo que não o saiba, Felizarda é um dos rostos da democracia participativa desta freguesia - esta senhora é um dos membros da direção da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Sobralinho que promove atividades para todas as idades. "Venham cá no 25 de Abril, vamos declamar poemas do Ary dos Santos", convida, enquanto prossegue a discussão com os conterrâneos de palmo e meio.
Luís Coelho, presidente do Centro Social para o Desenvolvimento do Sobralinho, também entrou na troca de ideias com um dos grupos. O organismo a que preside - que presta um apoio transversal à população - foi identificado pelos alunos como uma das valências positivas da freguesia. "É algo que me deixou muito emocionado", confessou mais tarde ao i.
No final da sessão, a descer as escadas, os habituais empurrões. "Não estás a ser um bom cidadão!", dispara um aluno. Nem que seja a curto prazo, a mensagem colou.
93 localidades Esta segunda-feira, o Roteiro da Cidadania já tinha passado por 93 locais e realizado 118 atividades. Um caminho que tem sido feito de descobertas. "O conservadorismo vem de onde menos se espera", contava Sandra Silvestre. "Já conversámos com um jovem de 19 anos que discordava por completo do facto de as mulheres fazerem relatos de futebol", exemplifica.
Sandra também já trocou ideias que a deixaram a pensar. "Em Guimarães, falei com três jovens sobre a violência contra as mulheres e o rapaz colocou-me um dilema, que é a questão do filho denunciar o próprio pai que é agressor ou vai deixar a mãe ser vítima. E o próprio rapaz disse que nunca tinha pensado nisto. Este trabalho é importante por isso, é deixar as pessoas a questionarem-se."
Também já houve momentos mais tensos de partilha. "Em Ponte de Lima, uma senhora contou pela primeira vez em público que tinha sido alvo de violência doméstica. E deixou um recado aos filhos, disse que, caso algum deles tivessem esse comportamento, ela acolheria as noras."
Sandra, formada em Relações Internacionais e ligada a várias organizações culturais, sociais e políticas -, parece ter sido talhada para o "Roteiro da Cidadania". É um daqueles casos felizes em que o percurso profissional e o projeto se cruzam. A técnica acredita - e espalha a mensagem de que "os territórios têm que ter a participação de todas as pessoas de todas as idades". Às vezes basta parar. Pensar. E agir.
27.2.17
“Não gosto da ideia de que temos de ser supermulheres”
Raquel Monteiro, Ana Baião, in Expresso
ENTREVISTA. A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, num jardim do Montijo. Era domingo e a família esperava-a para uma escapadinha até à Serra da Estrela
ana baião
Catarina Marcelino, secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, quer que a paridade de género, que tem progredido no meio laboral, entre nas casas de família, onde as tarefas domésticas continuam a ser coisa de mulher. A solução, diz, está na escola, onde a educação para a cidadania vai começar a derrubar estereótipos desde o pré-escolar. “Temos uma base cultural que precisa de uma intervenção grande”, assegura. Em casa dela está tudo em pratos limpos
Raquel Moleiro
o XXI, ano de 2017. Nos lares portugueses, 72% dos homens consideram que a mulher é a pessoa mais competente para lavar e cuidar da roupa e só 2% chama a si o melhor desempenho na tarefa. Em 57% das casas acreditam que deve ser ela a cozinhar (ele 5%); em 41% a ajudar os filhos nos trabalhos de casa (ele 8%); em 44% a levar as crianças ao médico (ele 5%); em 42% a ficar com a custódia dos menores em caso de divórcio (ele 4%). Nas divisões domésticas salvam-se os pequenos arranjos e a bricolage: isso é coisa de homem, de 80% dos homens (delas 6%).
Os números saem do inquérito realizado pela GFK e pelo Social Data Lab, que entrevistou 1004 pessoas, homens e mulheres entre os 18 e os 64 anos, para traçar o perfil ao “Portugal que temos e o que imaginamos”, e que ontem, segunda-feira, foi tema da Reportagem Especial da SIC. Em matéria de igualdade de género o país é desigual.
“Estes números não são propriamente uma surpresa, mas não deixam de chocar-me, e muito. É assustador pensar que no geral as opiniões do estudo não são muito diferentes das que teríamos na primeira metade do século XX. E são estas mentalidades que são perpetuadas e que moldam a sociedade. Temos uma base cultural que precisa de uma intervenção grande, uma sociedade machista que é preciso mudar”, defende a secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.
Em casa dela, não há margem para estereótipos. Gere-se pela lógica da partilha. “Eu trato mais da roupa, o meu companheiro mais da loiça e de despejar o lixo, mas a maioria das tarefas são divididas. Cozinhamos os dois, tratamos os dois do nosso filho”, garante. “Mas isso é quando tenho uma agenda mais compatível com a vida familiar. Neste momento em que estou secretária de Estado — eu não sou, estou — quase não há partilha, ele faz praticamente tudo. Agora sou eu que preciso de estar mais disponível para o trabalho, noutro momento pode ser ele, e nós conjugamo-nos nesta harmonia. Não é fácil, claro, mas felizmente tenho um companheiro com quem vivo há muitos anos que aceita que é assim e que enquadra bem a questão”, conta a secretária de Estado.
No estudo da GFK e do Social Data Lab, o lar de Catarina Marcelino seria a exceção à regra. “Nós reproduzimos modelos sociais desde criança e a minha família não era muito tradicional. Costumo dizer que sou feminista desde a barriga da minha mãe”. A mãe, licenciada em pintura e professora, envolveu-se nas lutas estudantis de 1969. A política, de esquerda, sentava-se à mesa lá de casa. A defesa dos direitos humanos e a justiça social eram o menu.
O exemplo familiar inspirou-lhe a solução. Como não pode entrar na casa de cada português para mudar mentalidades e derrubar estereótipos de género, a secretária de Estado arranjou uma chave alternativa: a introdução da Educação para a cidadania nos currículos do ensino público desde o pré-escolar. “Lembram-se da defesa da reciclagem e do ambiente? Começou na educação dos mais pequenos, que depois levaram esses valores para casa. E resultou. Quero que a igualdade de género faça o mesmo caminho. A escola pública forma pessoas, e formar pessoas não é só ensinar matemática”.
Eles princesas, elas Bob, o Construtor
EDUCAÇÃO A partir do próximo ano letivo, começam a quebrar-se estereótipos de género desde o pré-escolar
EDUCAÇÃO A partir do próximo ano letivo, começam a quebrar-se estereótipos de género desde o pré-escolar
O plano, realizado em coordenação com o Ministério da Educação, arranca no próximo ano letivo, com a reintrodução nos currículos dos temas da cidadania. A área de Formação Cívica foi introduzida em 2001, mas desapareceu na última revisão, em 2012, era então ministro Nuno Crato. “Há vinte anos que se fala da educação para a cidadania, mas o facto é que nunca foi estruturante. Porque se tivesse sido estruturante não se tinha destruído tão rapidamente. Não era perfeito mas existia. Agora não existe nada”, critica a secretária de Estado. “Costumo dizer que as meninas não precisam todas de ser princesas nem os meninos o Bob, o Construtor. Tem de se explicar às crianças que os rapazes podem brincar com bonecas e as raparigas com carrinhos, que os homens podem lavar a loiça e as mulheres fazer arranjos em casa, e que isso não tem nada a ver com identidades de género de outra natureza da sexualidade.”
Catarina Marcelino vê esta alteração curricular como o motor de ignição de uma catadupa de mudanças estruturais na sociedade portuguesa a longo prazo. “A igualdade de género, os papéis do homem e da mulher na família tem muito a ver com a conciliação futura da vida privada com a vida profissional, e também vai influenciar o combate à violência doméstica porque deixam de existir desigualdades nas relações de poder. Daqui a dez anos já haverá efeitos sociais positivos”, acredita a secretária de Estado.
Vida privada. Vida profissional. No seu cargo atual — e antes, quando presidiu a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), ou quando foi conselheira municipal para a igualdade na câmara do Montijo, ou mesmo enquanto presidente das Mulheres Socialistas — Catarina Marcelino acumula histórias de mulheres de sucesso em que a criatividade de gestão entre os dois polos é o elo comum. “Aquela ideia das super-mulheres é uma coisa de que não gosto. Acho que não temos de ser super-mulheres, temos de ser pessoas normais que devem poder ser aquilo que querem ser. Claro que não é fácil gerir o dia-a-dia, mas as mulheres também se autocondicionam um bocadinho. Tenho encontrado mulheres nos conselhos de administração que fizeram as vidas delas com filhos e estão ali, chegaram ali, porque nunca se autolimitaram, nunca admitiram escolher um ou outro lado, a carreira ou os filhos”, aponta a secretária de Estado.
Até às 9h, Catarina é só do João
REGRA É a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade que todos os dias acorda o filho, de 5 anos, o veste e o leva à escola no seu carro. Só depois vai para o Ministério
REGRA É a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade que todos os dias acorda o filho, de 5 anos, o veste e o leva à escola no seu carro. Só depois vai para o Ministério
Catarina Marcelino, 46 anos, inclui-se nesse rol de mulheres. Sem limites autoimpostos. Quando o ministro adjunto Eduardo Cabrita a convidou para o cargo aceitou imediatamente, mas com um pedido. Não ter marcações antes das dez da manhã. “Fazer a rotina da manhã com o João, que tem cinco anos, é importante para mim. E é perfeitamente conciliável. Sou eu que o acordo, que lhe dou o pequeno-almoço, que o visto, que o levo à escola no meu carro. As crianças precisam de rotinas e nós precisamos de organizar as nossas vidas em função de tudo o que temos de gerir”, explica.
Ao fim do dia — “impus-me essa regra” — esforça-se para chegar a casa antes das 21h, com João ainda acordado. Nem sempre consegue. Na passada sexta-feira, dia 17, conseguiu. Foi às 14h ao Porto encerrar o V Congresso de Saúde Pública. Quando no regresso esperava pelo avião para Lisboa, às 19h30, ligou para a churrasqueira ao pé de casa a encomendar o jantar. Aterrou às 20h30 e às 21h estava em casa e com frango para o jantar.
“Não podemos criar dificuldades mentais ao que é a normalidade num dado momento”, explica sentada num banco de jardim junto a casa, pouco depois das nove da manhã do passado domingo, no Montijo. Catarina Marcelino é de lá. O dia e a hora da entrevista foram negociados com a família. A data estava reservada para uma viagem até à Serra da Estrela. Deram-lhe uma hora, e ela cumpriu. Quando se despediu já a esperavam dentro do carro.
ENTREVISTA. A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, num jardim do Montijo. Era domingo e a família esperava-a para uma escapadinha até à Serra da Estrela
ana baião
Catarina Marcelino, secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, quer que a paridade de género, que tem progredido no meio laboral, entre nas casas de família, onde as tarefas domésticas continuam a ser coisa de mulher. A solução, diz, está na escola, onde a educação para a cidadania vai começar a derrubar estereótipos desde o pré-escolar. “Temos uma base cultural que precisa de uma intervenção grande”, assegura. Em casa dela está tudo em pratos limpos
Raquel Moleiro
o XXI, ano de 2017. Nos lares portugueses, 72% dos homens consideram que a mulher é a pessoa mais competente para lavar e cuidar da roupa e só 2% chama a si o melhor desempenho na tarefa. Em 57% das casas acreditam que deve ser ela a cozinhar (ele 5%); em 41% a ajudar os filhos nos trabalhos de casa (ele 8%); em 44% a levar as crianças ao médico (ele 5%); em 42% a ficar com a custódia dos menores em caso de divórcio (ele 4%). Nas divisões domésticas salvam-se os pequenos arranjos e a bricolage: isso é coisa de homem, de 80% dos homens (delas 6%).
Os números saem do inquérito realizado pela GFK e pelo Social Data Lab, que entrevistou 1004 pessoas, homens e mulheres entre os 18 e os 64 anos, para traçar o perfil ao “Portugal que temos e o que imaginamos”, e que ontem, segunda-feira, foi tema da Reportagem Especial da SIC. Em matéria de igualdade de género o país é desigual.
“Estes números não são propriamente uma surpresa, mas não deixam de chocar-me, e muito. É assustador pensar que no geral as opiniões do estudo não são muito diferentes das que teríamos na primeira metade do século XX. E são estas mentalidades que são perpetuadas e que moldam a sociedade. Temos uma base cultural que precisa de uma intervenção grande, uma sociedade machista que é preciso mudar”, defende a secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.
Em casa dela, não há margem para estereótipos. Gere-se pela lógica da partilha. “Eu trato mais da roupa, o meu companheiro mais da loiça e de despejar o lixo, mas a maioria das tarefas são divididas. Cozinhamos os dois, tratamos os dois do nosso filho”, garante. “Mas isso é quando tenho uma agenda mais compatível com a vida familiar. Neste momento em que estou secretária de Estado — eu não sou, estou — quase não há partilha, ele faz praticamente tudo. Agora sou eu que preciso de estar mais disponível para o trabalho, noutro momento pode ser ele, e nós conjugamo-nos nesta harmonia. Não é fácil, claro, mas felizmente tenho um companheiro com quem vivo há muitos anos que aceita que é assim e que enquadra bem a questão”, conta a secretária de Estado.
No estudo da GFK e do Social Data Lab, o lar de Catarina Marcelino seria a exceção à regra. “Nós reproduzimos modelos sociais desde criança e a minha família não era muito tradicional. Costumo dizer que sou feminista desde a barriga da minha mãe”. A mãe, licenciada em pintura e professora, envolveu-se nas lutas estudantis de 1969. A política, de esquerda, sentava-se à mesa lá de casa. A defesa dos direitos humanos e a justiça social eram o menu.
O exemplo familiar inspirou-lhe a solução. Como não pode entrar na casa de cada português para mudar mentalidades e derrubar estereótipos de género, a secretária de Estado arranjou uma chave alternativa: a introdução da Educação para a cidadania nos currículos do ensino público desde o pré-escolar. “Lembram-se da defesa da reciclagem e do ambiente? Começou na educação dos mais pequenos, que depois levaram esses valores para casa. E resultou. Quero que a igualdade de género faça o mesmo caminho. A escola pública forma pessoas, e formar pessoas não é só ensinar matemática”.
Eles princesas, elas Bob, o Construtor
EDUCAÇÃO A partir do próximo ano letivo, começam a quebrar-se estereótipos de género desde o pré-escolar
EDUCAÇÃO A partir do próximo ano letivo, começam a quebrar-se estereótipos de género desde o pré-escolar
O plano, realizado em coordenação com o Ministério da Educação, arranca no próximo ano letivo, com a reintrodução nos currículos dos temas da cidadania. A área de Formação Cívica foi introduzida em 2001, mas desapareceu na última revisão, em 2012, era então ministro Nuno Crato. “Há vinte anos que se fala da educação para a cidadania, mas o facto é que nunca foi estruturante. Porque se tivesse sido estruturante não se tinha destruído tão rapidamente. Não era perfeito mas existia. Agora não existe nada”, critica a secretária de Estado. “Costumo dizer que as meninas não precisam todas de ser princesas nem os meninos o Bob, o Construtor. Tem de se explicar às crianças que os rapazes podem brincar com bonecas e as raparigas com carrinhos, que os homens podem lavar a loiça e as mulheres fazer arranjos em casa, e que isso não tem nada a ver com identidades de género de outra natureza da sexualidade.”
Catarina Marcelino vê esta alteração curricular como o motor de ignição de uma catadupa de mudanças estruturais na sociedade portuguesa a longo prazo. “A igualdade de género, os papéis do homem e da mulher na família tem muito a ver com a conciliação futura da vida privada com a vida profissional, e também vai influenciar o combate à violência doméstica porque deixam de existir desigualdades nas relações de poder. Daqui a dez anos já haverá efeitos sociais positivos”, acredita a secretária de Estado.
Vida privada. Vida profissional. No seu cargo atual — e antes, quando presidiu a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), ou quando foi conselheira municipal para a igualdade na câmara do Montijo, ou mesmo enquanto presidente das Mulheres Socialistas — Catarina Marcelino acumula histórias de mulheres de sucesso em que a criatividade de gestão entre os dois polos é o elo comum. “Aquela ideia das super-mulheres é uma coisa de que não gosto. Acho que não temos de ser super-mulheres, temos de ser pessoas normais que devem poder ser aquilo que querem ser. Claro que não é fácil gerir o dia-a-dia, mas as mulheres também se autocondicionam um bocadinho. Tenho encontrado mulheres nos conselhos de administração que fizeram as vidas delas com filhos e estão ali, chegaram ali, porque nunca se autolimitaram, nunca admitiram escolher um ou outro lado, a carreira ou os filhos”, aponta a secretária de Estado.
Até às 9h, Catarina é só do João
REGRA É a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade que todos os dias acorda o filho, de 5 anos, o veste e o leva à escola no seu carro. Só depois vai para o Ministério
REGRA É a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade que todos os dias acorda o filho, de 5 anos, o veste e o leva à escola no seu carro. Só depois vai para o Ministério
Catarina Marcelino, 46 anos, inclui-se nesse rol de mulheres. Sem limites autoimpostos. Quando o ministro adjunto Eduardo Cabrita a convidou para o cargo aceitou imediatamente, mas com um pedido. Não ter marcações antes das dez da manhã. “Fazer a rotina da manhã com o João, que tem cinco anos, é importante para mim. E é perfeitamente conciliável. Sou eu que o acordo, que lhe dou o pequeno-almoço, que o visto, que o levo à escola no meu carro. As crianças precisam de rotinas e nós precisamos de organizar as nossas vidas em função de tudo o que temos de gerir”, explica.
Ao fim do dia — “impus-me essa regra” — esforça-se para chegar a casa antes das 21h, com João ainda acordado. Nem sempre consegue. Na passada sexta-feira, dia 17, conseguiu. Foi às 14h ao Porto encerrar o V Congresso de Saúde Pública. Quando no regresso esperava pelo avião para Lisboa, às 19h30, ligou para a churrasqueira ao pé de casa a encomendar o jantar. Aterrou às 20h30 e às 21h estava em casa e com frango para o jantar.
“Não podemos criar dificuldades mentais ao que é a normalidade num dado momento”, explica sentada num banco de jardim junto a casa, pouco depois das nove da manhã do passado domingo, no Montijo. Catarina Marcelino é de lá. O dia e a hora da entrevista foram negociados com a família. A data estava reservada para uma viagem até à Serra da Estrela. Deram-lhe uma hora, e ela cumpriu. Quando se despediu já a esperavam dentro do carro.
1.2.17
"Cidadania em Portugal", projeto que acolhe Mesão frio no seu roteiro
in Viva Douro
Mesão Frio ! Peso da Régua "Cidadania em Portugal", projeto que acolhe Mesão Frio no seu roteiro Decorreu no passado dia 6 de janeiro, em Mesão Frio, a ação de sensibilização "Cidadania em Portugal", iniciativa que é promovida pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento local - ANIMAR.
O município de Mesão Frio faz parte deste roteiro cujo objetivo passa por desafiar as redes sociais e as populações locais de todo o país, numa travessia pela descoberta, reflexão e ação sobre a cidadania e a participação cívica.
Aquando da celebração dos 40 anos de democracia em Portugal, o salão nobre da Câmara Municipal de Mesão Frio recebeu, da parte da manhã, unta sessão que contou com a participação do presidente do município, Alberto Pereira.
Do outro lado, encheram a plateia os alunos do ensino secundário do Agrupamento de Escolas Professor António da Natividade que tiveram a oportunidade de questionar o autarca sobre o exercicio das suas funções, sobre a democracia e o poder local.
Num tom de proximidade, o presidente convidou os jovens a participar nas Assembleias Municipais e nas reuniões do executivo com o "intuito de ficaram a entender como funcionam os órgãos autáquicos".
À tarde coube ao novo lar da Santa Casa da Misericórdia do concelho acolher as restantes atividades. Os utentes desta IPSS que participaram, tiveram a oportunidade de opinar sobre diversas temáticas, tais como a sexualidade, a participação ativa na comunidade, os maus-tratos, o processo de institucionalização e os sonhos, num debate cujo titulo foi "Dar voz à terceira idade".
O objetivo primordial da atividade passou por "incentivar a reflexão sobre o combate às desigualdades ou discriminações". Com uma viatura equipada com recursos lúdico-pedagógicos o projeto vai continuar a somar localidades do pais até 17 de junho.
Mesão Frio ! Peso da Régua "Cidadania em Portugal", projeto que acolhe Mesão Frio no seu roteiro Decorreu no passado dia 6 de janeiro, em Mesão Frio, a ação de sensibilização "Cidadania em Portugal", iniciativa que é promovida pela Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade e pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento local - ANIMAR.
O município de Mesão Frio faz parte deste roteiro cujo objetivo passa por desafiar as redes sociais e as populações locais de todo o país, numa travessia pela descoberta, reflexão e ação sobre a cidadania e a participação cívica.
Aquando da celebração dos 40 anos de democracia em Portugal, o salão nobre da Câmara Municipal de Mesão Frio recebeu, da parte da manhã, unta sessão que contou com a participação do presidente do município, Alberto Pereira.
Do outro lado, encheram a plateia os alunos do ensino secundário do Agrupamento de Escolas Professor António da Natividade que tiveram a oportunidade de questionar o autarca sobre o exercicio das suas funções, sobre a democracia e o poder local.
Num tom de proximidade, o presidente convidou os jovens a participar nas Assembleias Municipais e nas reuniões do executivo com o "intuito de ficaram a entender como funcionam os órgãos autáquicos".
À tarde coube ao novo lar da Santa Casa da Misericórdia do concelho acolher as restantes atividades. Os utentes desta IPSS que participaram, tiveram a oportunidade de opinar sobre diversas temáticas, tais como a sexualidade, a participação ativa na comunidade, os maus-tratos, o processo de institucionalização e os sonhos, num debate cujo titulo foi "Dar voz à terceira idade".
O objetivo primordial da atividade passou por "incentivar a reflexão sobre o combate às desigualdades ou discriminações". Com uma viatura equipada com recursos lúdico-pedagógicos o projeto vai continuar a somar localidades do pais até 17 de junho.
4.12.15
Sampaio defende "agenda europeia para migração, integração e cidadania"
In "TVI 24"
Combate ao terrorismo reúne dezenas de políticos em Lisboa
O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu, esta quinta-feira, em Lisboa, a necessidade de uma nova agenda europeia relacionada com migração, integração e cidadania contra o terrorismo e a radicalização e apontou a importância dos líderes religiosos muçulmanos neste combate.
"Apesar de ser parte integrante da Europa, a diversidade cultural tornou-se um assunto que divide as nossas sociedades" e o crescimento dos partidos de extrema-direita e anti-imigração é um "sintoma claro do crescente mal-estar" e que mostra "como os medos e os preconceitos podem transformar-se numa bomba-relógio social em toda a Europa, se não tiver a resposta correta", disse o ex-Presidente, na abertura do Fórum Lisboa 2015, uma iniciativa do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa que vai discutir a radicalização e o terrorismo durante dois dias.
Para Jorge Sampaio, a crise "económica, financeira, social, cultural e moral" que se vive atualmente na Europa "tem de ser enfrentada a todos os níveis, em particular ao nível europeu", até porque, sublinhou, não é circunstancial, mas "uma verdadeira mudança de paradigma".
Se a radicalização é "um processo com muitas camadas", a desradicalização "requer também uma intervenção a vários níveis que leva o seu tempo para atingir os objetivos".
"Precisamos de uma nova agenda europeia para a migração, integração e cidadania", considerou, defendendo também a necessidade de uma "visão política ousada e uma estratégia de longo prazo que combine políticas públicas apropriadas - na educação, alojamento, emprego e políticas para a juventude - e ações da sociedade civil para reconstruir sociedades coesas e inclusivas, não só a nível europeu, mas também nacional e local".
Jorge Sampaio, que também já presidiu ao Fórum Lisboa, advogou que está a decorrer uma transformação religiosa no Islão, em que a religião é cada vez mais vista como a expressão de um direito humano individual e menos como um direito coletivo de uma comunidade.
Esta transformação, sustentou, "tem de ser fortemente apoiada e promovida desde o interior" e, por isso, os líderes religiosos nos países muçulmanos e nas comunidades "devem impedir que visões extremistas e o fundamentalismo transformem o Islão num instrumento de violência e terror".
Também na sessão de abertura, André Azoulay, conselheiro do rei de Marrocos, levantou a questão sobre a capacidade das organizações internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas (ONU), para responder aos desafios atuais.
Evocando os atentados do mês passado em Paris e o ataque que causou pelo menos 14 mortos na Califórnia, na quarta-feira, considerou que é inevitável avaliar "se não é tempo de as instituições internacionais que regulam a sociedade serem revistas e talvez reformadas".
Há que refletir se "o Conselho de Segurança ou diferentes instituições da ONU são capazes de tomar as decisões necessárias e de encontrar as palavras, as atitudes e as ações que possam responder a este desafio, a que o mundo hoje não consegue responder", considerou.
Azoulay, que venceu no ano passado o Prémio Norte-Sul, entregue pelo Centro Norte-Sul, defendeu que os terroristas devem saber que "no pasarán" ("não passarão", lema utilizado internacionalmente para demonstrar determinação contra o inimigo).
"Não devemos dar-lhes a satisfação de instalarem o medo nos nossos corações", disse, exemplificando que o seu país, Marrocos, reconhece na Constituição as raízes berbere, judaica, árabe, muçulmana e africana.
"Hoje é esse ponto que devemos enfatizar para que todos percebam que no mundo árabe há sociedades que reconhecem a diversidade e a multiplicidade das nossas identidades", disse, considerando que "é nesta complexidade que se vai conseguir combater esta cultura de morte".
Para a diretora-geral de Democracia do Conselho da Europa, Snežana Samardžić-Marković, "a confiança nas instituições democráticas e a construção de sociedades realmente inclusivas são um antídoto contra o medo e uma pré-condição para a segurança democrática".
A responsável recordou que o Conselho da Europa desenvolveu um plano de ação para combater o extremismo violento e o extremismo conducente ao terrorismo, que "tem dois objetivos principais: reforçar o quadro legal contra o terrorismo e extremismo violento e prevenir a radicalização violenta através de medidas concretas no setor público, em particular nas escolas, nas prisões e na internet".
O Fórum Lisboa 2015, com o tema “Como combater a radicalização e o terrorismo: mecanismos de prevenção e conhecimento partilhado no espaço mediterrânico europeu”, conta com mais de 50 oradores, num total de 250 participantes oriundos de 40 países.
Combate ao terrorismo reúne dezenas de políticos em Lisboa
O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu, esta quinta-feira, em Lisboa, a necessidade de uma nova agenda europeia relacionada com migração, integração e cidadania contra o terrorismo e a radicalização e apontou a importância dos líderes religiosos muçulmanos neste combate.
"Apesar de ser parte integrante da Europa, a diversidade cultural tornou-se um assunto que divide as nossas sociedades" e o crescimento dos partidos de extrema-direita e anti-imigração é um "sintoma claro do crescente mal-estar" e que mostra "como os medos e os preconceitos podem transformar-se numa bomba-relógio social em toda a Europa, se não tiver a resposta correta", disse o ex-Presidente, na abertura do Fórum Lisboa 2015, uma iniciativa do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa que vai discutir a radicalização e o terrorismo durante dois dias.
Para Jorge Sampaio, a crise "económica, financeira, social, cultural e moral" que se vive atualmente na Europa "tem de ser enfrentada a todos os níveis, em particular ao nível europeu", até porque, sublinhou, não é circunstancial, mas "uma verdadeira mudança de paradigma".
Se a radicalização é "um processo com muitas camadas", a desradicalização "requer também uma intervenção a vários níveis que leva o seu tempo para atingir os objetivos".
"Precisamos de uma nova agenda europeia para a migração, integração e cidadania", considerou, defendendo também a necessidade de uma "visão política ousada e uma estratégia de longo prazo que combine políticas públicas apropriadas - na educação, alojamento, emprego e políticas para a juventude - e ações da sociedade civil para reconstruir sociedades coesas e inclusivas, não só a nível europeu, mas também nacional e local".
Jorge Sampaio, que também já presidiu ao Fórum Lisboa, advogou que está a decorrer uma transformação religiosa no Islão, em que a religião é cada vez mais vista como a expressão de um direito humano individual e menos como um direito coletivo de uma comunidade.
Esta transformação, sustentou, "tem de ser fortemente apoiada e promovida desde o interior" e, por isso, os líderes religiosos nos países muçulmanos e nas comunidades "devem impedir que visões extremistas e o fundamentalismo transformem o Islão num instrumento de violência e terror".
Também na sessão de abertura, André Azoulay, conselheiro do rei de Marrocos, levantou a questão sobre a capacidade das organizações internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas (ONU), para responder aos desafios atuais.
Evocando os atentados do mês passado em Paris e o ataque que causou pelo menos 14 mortos na Califórnia, na quarta-feira, considerou que é inevitável avaliar "se não é tempo de as instituições internacionais que regulam a sociedade serem revistas e talvez reformadas".
Há que refletir se "o Conselho de Segurança ou diferentes instituições da ONU são capazes de tomar as decisões necessárias e de encontrar as palavras, as atitudes e as ações que possam responder a este desafio, a que o mundo hoje não consegue responder", considerou.
Azoulay, que venceu no ano passado o Prémio Norte-Sul, entregue pelo Centro Norte-Sul, defendeu que os terroristas devem saber que "no pasarán" ("não passarão", lema utilizado internacionalmente para demonstrar determinação contra o inimigo).
"Não devemos dar-lhes a satisfação de instalarem o medo nos nossos corações", disse, exemplificando que o seu país, Marrocos, reconhece na Constituição as raízes berbere, judaica, árabe, muçulmana e africana.
"Hoje é esse ponto que devemos enfatizar para que todos percebam que no mundo árabe há sociedades que reconhecem a diversidade e a multiplicidade das nossas identidades", disse, considerando que "é nesta complexidade que se vai conseguir combater esta cultura de morte".
Para a diretora-geral de Democracia do Conselho da Europa, Snežana Samardžić-Marković, "a confiança nas instituições democráticas e a construção de sociedades realmente inclusivas são um antídoto contra o medo e uma pré-condição para a segurança democrática".
A responsável recordou que o Conselho da Europa desenvolveu um plano de ação para combater o extremismo violento e o extremismo conducente ao terrorismo, que "tem dois objetivos principais: reforçar o quadro legal contra o terrorismo e extremismo violento e prevenir a radicalização violenta através de medidas concretas no setor público, em particular nas escolas, nas prisões e na internet".
O Fórum Lisboa 2015, com o tema “Como combater a radicalização e o terrorismo: mecanismos de prevenção e conhecimento partilhado no espaço mediterrânico europeu”, conta com mais de 50 oradores, num total de 250 participantes oriundos de 40 países.
3.12.15
Barquinha: seminário sobre associativismo
In "Jornal Torrejano"
Barquinha: seminário sobre associativismo O município de Vila Nova da Barquinha e os bombeiros locais promovem seminário sobre associativismo no sábado, dia 21 de Novembro (10 horas), acção que se insere nas comemorações do 90.º aniversário daquela associação. O seminário vai decorrer na sede dos Soldados da Paz e o tema é “Associativismo e Voluntariado... Um Exercício de Cidadania”. A entrada é livre.
Barquinha: seminário sobre associativismo O município de Vila Nova da Barquinha e os bombeiros locais promovem seminário sobre associativismo no sábado, dia 21 de Novembro (10 horas), acção que se insere nas comemorações do 90.º aniversário daquela associação. O seminário vai decorrer na sede dos Soldados da Paz e o tema é “Associativismo e Voluntariado... Um Exercício de Cidadania”. A entrada é livre.
13.11.15
“Ativar a Inclusão” vence Prémio Corações Capazes de Construir em Publicidade
In Marketeer
Criada pela Show Off e pela Film Brokers para o blog “A Mãe da Maria”, a campanha “Ativar a Inclusão” venceu o prémio Corações Capazes de Construir, na categoria Publicidade. Foi ainda atribuída uma menção honrosa para a campanha “Porta” da APAV, com criatividade da Havas Worldwide e produção da Krypton Films.
O prémio distinguiu ainda dois trabalhos na categoria Jornalismo. “A Fronteira da Hipocrisia” (TVI), de Susana Bento Ramos, e “O Amor não mata” (SIC), de Ana Sofia Fonseca, ficaram em primeiro lugar. As menções honrosas em jornalismo foram entregues a “A Sul da Sorte” (Rádio Renascença), de Catarina Santos, e a “As nossas Malalas” (Expresso e Diário do Alentejo), de Paula Martins Rocha.
Organizado pela Corações com Coroa em parceria com o Ano Europeu para o Desenvolvimento, o Prémio Corações Capazes de Construir contou, este ano, com o dobro dos participantes. O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e o Continente apoiaram o evento.
Criada pela Show Off e pela Film Brokers para o blog “A Mãe da Maria”, a campanha “Ativar a Inclusão” venceu o prémio Corações Capazes de Construir, na categoria Publicidade. Foi ainda atribuída uma menção honrosa para a campanha “Porta” da APAV, com criatividade da Havas Worldwide e produção da Krypton Films.
O prémio distinguiu ainda dois trabalhos na categoria Jornalismo. “A Fronteira da Hipocrisia” (TVI), de Susana Bento Ramos, e “O Amor não mata” (SIC), de Ana Sofia Fonseca, ficaram em primeiro lugar. As menções honrosas em jornalismo foram entregues a “A Sul da Sorte” (Rádio Renascença), de Catarina Santos, e a “As nossas Malalas” (Expresso e Diário do Alentejo), de Paula Martins Rocha.
Organizado pela Corações com Coroa em parceria com o Ano Europeu para o Desenvolvimento, o Prémio Corações Capazes de Construir contou, este ano, com o dobro dos participantes. O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e o Continente apoiaram o evento.
GACCUM lança debate sobre o papel dos media para a igualdade e cidadania
In Correio do Minho
Estão abertas as inscrições para o workshop “Media, Diversidade e Cidadania”, promovido pelo Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (GACCUM) e que decorrerá a 28 de Novembro.
Esta nova iniciativa do GACCUM resulta da parceria com o projecto (In)Formar para a Igualdade e para a Cidadania e tem como principal objectivo principal sensibilizar os estudantes para a forma como os media abordam as comunidades ciganas nas suas diferentes plataformas e de que forma podem ser mais inclusivos nos seus discursos.
Ana Cristina Pereira (jornalista do Público), Nuno Silva (jurista SOS Racismo) e Sílvia Gomes (investigadora do CICS.NOVA UM) são os oradores deste dia de trabalhos.
A entrada no workshop é gratuita, podendo os estudantes inscrever através do preenchimento de um formulário disponibilizado no site do GACCUM (www.gaccum.weebly.com) a enviar para o email fape-003@ismai.pt.
Estão abertas as inscrições para o workshop “Media, Diversidade e Cidadania”, promovido pelo Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (GACCUM) e que decorrerá a 28 de Novembro.
Esta nova iniciativa do GACCUM resulta da parceria com o projecto (In)Formar para a Igualdade e para a Cidadania e tem como principal objectivo principal sensibilizar os estudantes para a forma como os media abordam as comunidades ciganas nas suas diferentes plataformas e de que forma podem ser mais inclusivos nos seus discursos.
Ana Cristina Pereira (jornalista do Público), Nuno Silva (jurista SOS Racismo) e Sílvia Gomes (investigadora do CICS.NOVA UM) são os oradores deste dia de trabalhos.
A entrada no workshop é gratuita, podendo os estudantes inscrever através do preenchimento de um formulário disponibilizado no site do GACCUM (www.gaccum.weebly.com) a enviar para o email fape-003@ismai.pt.
16.1.15
Migrações e cidadania
Por Gonçalo Saraiva Matias, in iOnline
As migrações deixaram de ser, predominantemente no sentido Sul – Norte ou motivadas por razões laborais
Poucos temas apaixonam tanto as opiniões públicas como o das migrações.
Os fluxos migratórios têm estado no centro de controvérsias políticas e eleitorais um pouco por toda a parte, assumindo um papel central em campanhas nos Estados Unidos e na União Europeia.
Veja-se a discussão em torno da revisão da lei da imigração nos Estados Unidos, a ascensão do peso político da Frente Nacional em França ou o impacto do UKIP nas declarações do Governo do Reino Unido.
Os trágicos acontecimentos de Paris e os riscos de crescimento de pulsões xenófobas e racistas e de tendências anti-imigração mostram, de resto, o carácter incontornável deste debate. E com ele a necessidade absoluta da pedagogia das políticas de integração, da liberdade de expressão e imprensa e da dignidade da pessoa humana. O desafio civilizacional destes eventos é tremendo e coloca em risco muito do adquirido ao longo de séculos.
Por outro lado, a Europa tem sentido o drama humanitário da pressão migratória no mediterrâneo, sendo todos nós confrontados com a situação de verdadeira emergência nos casos dos navios que, em condições muito precárias, chegam às costas da ilha de Lampedusa. Ou os relatos dramáticos da procura de acolhimento de movimentos de migrantes em Ceuta e Melilha. Os Estados Unidos há muito se vinham confrontando com esta realidade na sua fronteira Sul, com o México.
Também Portugal viveu uma alteração substancial do seu perfil migratório em poucos anos. Passou de um país de emigração, nos anos 60 e 70, a um país de imigrantes nos anos 90, muito apoiado pelo vasto programa de obras públicas. Já na primeira década deste século, os efeitos da crise económica fizeram-se sentir quer no saldo migratório quer no saldo demográfico, ambos negativos.
Isto significa que Portugal voltou a ser menos atractivo para os imigrantes, bem como a assistir a movimentos de emigração da sua população nacional.
É, pois, claro que o problema demográfico é sério em Portugal e que ele não pode ser resolvido sem o apoio de políticas públicas migratórias activas.
Esta afirmação obriga-nos, contudo, a enquadrar o tema. A globalização – e, portanto, o problema não será português – trouxe alterações profundas ao modo como se gerem e movem os fluxos migratórios mundiais.
As migrações deixaram de ser, predominantemente no sentido Sul – Norte ou motivadas por razões laborais. Hoje fala-se de circulação migratória e de migrações económicas justamente para ilustrar um novo fenómeno de fluxos migratórios tendencialmente temporários, associados a projectos e oportunidades.
Esta circulação migratória obriga, por outro lado, a considerar duas realidades antes afastadas das políticas públicas migratórias: i) a chamada “corrida pelo talento”, no sentido em que as políticas públicas passaram a orientar-se para a captação dos migrantes mais qualificados; ii) a gestão integrada do binómio “emigração/imigração”, procurando fomentar o retorno da nova diáspora criada por consequência da circularidade migratória.
Neste contexto, não pode ser esquecida a importância da integração. Este tema tem também gerado a maior controvérsia no plano internacional com declarações várias no sentido do insucesso das políticas de integração. Felizmente, o caso português é de amplo sucesso, internacionalmente reconhecido.
Todavia, a nova realidade e a emergência de novos perfis migratórios, incluindo o retorno da diáspora, coloca desafios desconhecidos às políticas de integração. Também aqui Portugal possui uma rica e diversificada experiência sendo notável o exemplo de integração demonstrado no final dos anos 70 no caso dos chamados “retornados”. A situação actual é, claro, muito diferente. Mas o país já soube dar provas, na sua história recente, de grande capacidade de integração, seja dos seus nacionais nos anos 70, seja dos imigrantes nos anos 90. Isso permite-nos olhar o futuro com confiança.
Ainda no plano da integração, não pode ser esquecida e importante relação entre imigração e cidadania. O imigrante deve ser visto como em transição para a cidadania. É certo que muitos migrantes não virão a obter a cidadania portuguesa: seja porque o não desejam, seja porque aqui não permanecem o tempo suficiente.
Em qualquer caso, é fundamental atender ao impacto que a aquisição da cidadania produz nos direitos dos imigrantes, o seu potencial inclusivo bem como no enriquecimento inegável do tecido social português. A cidadania – para além de um poderoso instrumento de inclusão – é também uma ferramenta essencial a que os Estados não devem deixar de recorrer, na chamada “corrida pelo talento”.
Doutorado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, professor naquela instituição e investigador nas áreas do direito constitucional e do direito internacional público
As migrações deixaram de ser, predominantemente no sentido Sul – Norte ou motivadas por razões laborais
Poucos temas apaixonam tanto as opiniões públicas como o das migrações.
Os fluxos migratórios têm estado no centro de controvérsias políticas e eleitorais um pouco por toda a parte, assumindo um papel central em campanhas nos Estados Unidos e na União Europeia.
Veja-se a discussão em torno da revisão da lei da imigração nos Estados Unidos, a ascensão do peso político da Frente Nacional em França ou o impacto do UKIP nas declarações do Governo do Reino Unido.
Os trágicos acontecimentos de Paris e os riscos de crescimento de pulsões xenófobas e racistas e de tendências anti-imigração mostram, de resto, o carácter incontornável deste debate. E com ele a necessidade absoluta da pedagogia das políticas de integração, da liberdade de expressão e imprensa e da dignidade da pessoa humana. O desafio civilizacional destes eventos é tremendo e coloca em risco muito do adquirido ao longo de séculos.
Por outro lado, a Europa tem sentido o drama humanitário da pressão migratória no mediterrâneo, sendo todos nós confrontados com a situação de verdadeira emergência nos casos dos navios que, em condições muito precárias, chegam às costas da ilha de Lampedusa. Ou os relatos dramáticos da procura de acolhimento de movimentos de migrantes em Ceuta e Melilha. Os Estados Unidos há muito se vinham confrontando com esta realidade na sua fronteira Sul, com o México.
Também Portugal viveu uma alteração substancial do seu perfil migratório em poucos anos. Passou de um país de emigração, nos anos 60 e 70, a um país de imigrantes nos anos 90, muito apoiado pelo vasto programa de obras públicas. Já na primeira década deste século, os efeitos da crise económica fizeram-se sentir quer no saldo migratório quer no saldo demográfico, ambos negativos.
Isto significa que Portugal voltou a ser menos atractivo para os imigrantes, bem como a assistir a movimentos de emigração da sua população nacional.
É, pois, claro que o problema demográfico é sério em Portugal e que ele não pode ser resolvido sem o apoio de políticas públicas migratórias activas.
Esta afirmação obriga-nos, contudo, a enquadrar o tema. A globalização – e, portanto, o problema não será português – trouxe alterações profundas ao modo como se gerem e movem os fluxos migratórios mundiais.
As migrações deixaram de ser, predominantemente no sentido Sul – Norte ou motivadas por razões laborais. Hoje fala-se de circulação migratória e de migrações económicas justamente para ilustrar um novo fenómeno de fluxos migratórios tendencialmente temporários, associados a projectos e oportunidades.
Esta circulação migratória obriga, por outro lado, a considerar duas realidades antes afastadas das políticas públicas migratórias: i) a chamada “corrida pelo talento”, no sentido em que as políticas públicas passaram a orientar-se para a captação dos migrantes mais qualificados; ii) a gestão integrada do binómio “emigração/imigração”, procurando fomentar o retorno da nova diáspora criada por consequência da circularidade migratória.
Neste contexto, não pode ser esquecida a importância da integração. Este tema tem também gerado a maior controvérsia no plano internacional com declarações várias no sentido do insucesso das políticas de integração. Felizmente, o caso português é de amplo sucesso, internacionalmente reconhecido.
Todavia, a nova realidade e a emergência de novos perfis migratórios, incluindo o retorno da diáspora, coloca desafios desconhecidos às políticas de integração. Também aqui Portugal possui uma rica e diversificada experiência sendo notável o exemplo de integração demonstrado no final dos anos 70 no caso dos chamados “retornados”. A situação actual é, claro, muito diferente. Mas o país já soube dar provas, na sua história recente, de grande capacidade de integração, seja dos seus nacionais nos anos 70, seja dos imigrantes nos anos 90. Isso permite-nos olhar o futuro com confiança.
Ainda no plano da integração, não pode ser esquecida e importante relação entre imigração e cidadania. O imigrante deve ser visto como em transição para a cidadania. É certo que muitos migrantes não virão a obter a cidadania portuguesa: seja porque o não desejam, seja porque aqui não permanecem o tempo suficiente.
Em qualquer caso, é fundamental atender ao impacto que a aquisição da cidadania produz nos direitos dos imigrantes, o seu potencial inclusivo bem como no enriquecimento inegável do tecido social português. A cidadania – para além de um poderoso instrumento de inclusão – é também uma ferramenta essencial a que os Estados não devem deixar de recorrer, na chamada “corrida pelo talento”.
Doutorado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, professor naquela instituição e investigador nas áreas do direito constitucional e do direito internacional público
3.10.14
Apesar da crise, Portugal foi o “cão que não ladrou” na Europa
Maria Lopes, in Público on-line
Na abertura da conferência “À procura da liberdade”, no CCB, o antigo líder da oposição canadiana disse que as convulsões económicas podem ser graves para a liberdade.
O Estrela de Prata era um cavalo campeão que desapareceu durante a noite, apesar de bem guardado por um cão, em vésperas de uma importante prova hípica. Chamado a investigar o caso, o detective Sherlock Holmes acabou por perceber que não houve qualquer barulho durante o roubo. Nem o cão ladrou. E não o fez porque o ladrão do cavalo era o dono de ambos os animais.
Foi citando a literatura policial que Michael Ignatieff, escritor canadiano, antigo líder do Partido Liberal do Canadá e da oposição na Câmara dos Comuns entre 2008 e 2011, e actual professor na Universidade de Harvard, apontou o dedo à audiência do grande auditório do CCB para dizer que durante a grave crise que a Europa atravessa desde 2008, “o cão que não ladrava é Portugal”. Ignatieff foi o orador da sessão de abertura da conferência À procura da liberdade, do terceiro encontro Presente no Futuro que a Fundação Francisco Manuel dos Santos organiza esta sexta-feira e sábado em Lisboa.
E Portugal não ladrou porquê? “Porque está integrado na União Europeia” – de onde veio parte do problema mas de onde veio também a solução. “Há um grande ressentimento por toda a Europa, incluindo na Alemanha, sobre a pouca natureza democrática das instituições europeias”, assinalou, mas os países não lutam contra isso.
“A crise pode ser grave para a liberdade”, disse Ignatieff, lembrando que Portugal, Espanha e Grécia passaram, na sua história recente, por regimes ditatoriais, mas que, apesar das grandes dificuldades em que mergulharam nos últimos anos, não voltaram a ter regimes autoritários. Porque, felizmente, “a democracia liberal é resiliente e forte na Europa Central e do Sul”.
Sobre a Espanha, mergulhada nas últimas semanas na discussão sobre a vontade de autodeterminação – uma “forma de liberdade” - da Catalunha, Michael Ignatieff defende que Madrid e Barcelona devem chegar a acordo sobre um referendo constitucional para perguntar “querem sair? Sim ou não?”. “Seria ideal que os tribunais encontrassem na legislação espanhola uma forma de questionar as pessoas. Não se pode mantê-las assim.” Depois da consulta popular, “concede-se a liberdade por consentimento”, acrescentou.
A escolha “é difícil”, e admite que haja quem se sinta catalão e espanhol tal como na Escócia havia quem se sentisse simultaneamente escocês e britânico. Canadiano, Ignatieff lembrou o caso do Quebeque e realçou que no seu país também se pode sentir alguma fricção de separatismo. “Eu gosto que os países se mantenham unidos.”
O assunto – seja em Espanha ou noutro país -, tem que ser gerido com cuidado, porque a “autodeterminação de uma minoria pode ameaçar a liberdade de uma maioria” e pode levar a uma secessão unilateral “que é receita para a guerra civil”, avisou o canadiano.
Na abertura da conferência “À procura da liberdade”, no CCB, o antigo líder da oposição canadiana disse que as convulsões económicas podem ser graves para a liberdade.
O Estrela de Prata era um cavalo campeão que desapareceu durante a noite, apesar de bem guardado por um cão, em vésperas de uma importante prova hípica. Chamado a investigar o caso, o detective Sherlock Holmes acabou por perceber que não houve qualquer barulho durante o roubo. Nem o cão ladrou. E não o fez porque o ladrão do cavalo era o dono de ambos os animais.
Foi citando a literatura policial que Michael Ignatieff, escritor canadiano, antigo líder do Partido Liberal do Canadá e da oposição na Câmara dos Comuns entre 2008 e 2011, e actual professor na Universidade de Harvard, apontou o dedo à audiência do grande auditório do CCB para dizer que durante a grave crise que a Europa atravessa desde 2008, “o cão que não ladrava é Portugal”. Ignatieff foi o orador da sessão de abertura da conferência À procura da liberdade, do terceiro encontro Presente no Futuro que a Fundação Francisco Manuel dos Santos organiza esta sexta-feira e sábado em Lisboa.
E Portugal não ladrou porquê? “Porque está integrado na União Europeia” – de onde veio parte do problema mas de onde veio também a solução. “Há um grande ressentimento por toda a Europa, incluindo na Alemanha, sobre a pouca natureza democrática das instituições europeias”, assinalou, mas os países não lutam contra isso.
“A crise pode ser grave para a liberdade”, disse Ignatieff, lembrando que Portugal, Espanha e Grécia passaram, na sua história recente, por regimes ditatoriais, mas que, apesar das grandes dificuldades em que mergulharam nos últimos anos, não voltaram a ter regimes autoritários. Porque, felizmente, “a democracia liberal é resiliente e forte na Europa Central e do Sul”.
Sobre a Espanha, mergulhada nas últimas semanas na discussão sobre a vontade de autodeterminação – uma “forma de liberdade” - da Catalunha, Michael Ignatieff defende que Madrid e Barcelona devem chegar a acordo sobre um referendo constitucional para perguntar “querem sair? Sim ou não?”. “Seria ideal que os tribunais encontrassem na legislação espanhola uma forma de questionar as pessoas. Não se pode mantê-las assim.” Depois da consulta popular, “concede-se a liberdade por consentimento”, acrescentou.
A escolha “é difícil”, e admite que haja quem se sinta catalão e espanhol tal como na Escócia havia quem se sentisse simultaneamente escocês e britânico. Canadiano, Ignatieff lembrou o caso do Quebeque e realçou que no seu país também se pode sentir alguma fricção de separatismo. “Eu gosto que os países se mantenham unidos.”
O assunto – seja em Espanha ou noutro país -, tem que ser gerido com cuidado, porque a “autodeterminação de uma minoria pode ameaçar a liberdade de uma maioria” e pode levar a uma secessão unilateral “que é receita para a guerra civil”, avisou o canadiano.
28.4.14
Austeridade também provocou recessão nos movimentos sociais
Samuel Silva, in Público on-line
Maiores dificuldades económicas levam menos pessoas a participar em protestos e iniciativas cívicas, defendem elementos de movimentos nacionais.
À medida que os efeitos da austeridade foram crescendo, a participação dos portugueses nas acções de protesto e em iniciativas cívicas foi sendo menor. A ideia foi defendida por vários representantes de movimentos cívicos que têm estado activos nos últimos anos em Portugal, num debate organizado em Braga a propósito dos 40 anos do 25 de Abril.
“Não acredito na ideia de quanto pior, melhor”, resume Cristina Andrade dos Precários inflexíveis. Para a activista, quanto pior são as condições de vida das pessoas, mais difíceis são de mobilizar. “É mais fácil resistir quando se tem comida na mesa e sabemos onde vamos dormir à noite”, defende, dando o exemplo de outro movimento em que esteve envolvido, o Ferve – Fartos destes Recibos Verdes onde participava gente com contrato efectivo de trabalho ou que pertencia aos quados da administração pública, mas que tinham mais condições para serem solidários.
Para a psicóloga, que esteve também ligada à fundação dou à organização da manifestação da Geração à Rasca no Porto, “o caminho a que temos vindo a assistir nos últimos anos é o da resignação”, apesar de a perda de direitos nos três anos de intervenção externa no país ser “incomparavelmente maior” do que as que tinham acontecido na década anterior, mas isso não representou uma maior abertura da população para reivindicar os seus direitos.
Esta espécie de proporcionalidade inversa entre a austeridade e a participação cívica foi a ideia transversal ao penúltimo debate de um ciclo sobre os 40 anos do 25 de Abril que está a ser organizado pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, dedicado ao tema dos movimentos sociais no contexto da crise, realizado esta segunda-feira, em Braga. Na sessão, Cristina Andrade também defendeu que a participação cívica “não se pode fazer só com um clique no Facebook”. Os movimentos sociais só andam para a frente com a participação das pessoas “nas coisas chatas e menos efusivas”, considera.
Inês Barbosa, que foi cabeça de lista da candidatura Cidadania em Movimento à Câmara de Braga nas últimas autárquicas, usou essa experiência como exemplo. O grupo nascido para “convocar a cidade e os cidadãos para discutir a cidade e reabilitar a sua confiança na democracia”, mas não passou dos 5,3% no escrutínio, o que não chegou para eleger um vereador. Hoje, “o movimento tem vindo a desparecer formalmente” e o seu destino “é ainda uma incógnita”, reconheceu.
João Labrincha, que esteve na origem do protesto de Março de 2011 e do movimento 12M que se lhe seguiu, argumenta que apesar de a manifestação ter tido bons resultados – “colocamos a questão da precariedade na boca do povo”, defende – o grupo não conseguiu “fazer passar a segunda parte da mensagem”, que dizia respeito à participação cívica. “As pessoas continuavam a dizer-nos que tínhamos que organizar mais protestos, quando o quer pretendíamos era que fossem elas a perceber que podiam organizá-los”.
Maiores dificuldades económicas levam menos pessoas a participar em protestos e iniciativas cívicas, defendem elementos de movimentos nacionais.
À medida que os efeitos da austeridade foram crescendo, a participação dos portugueses nas acções de protesto e em iniciativas cívicas foi sendo menor. A ideia foi defendida por vários representantes de movimentos cívicos que têm estado activos nos últimos anos em Portugal, num debate organizado em Braga a propósito dos 40 anos do 25 de Abril.
“Não acredito na ideia de quanto pior, melhor”, resume Cristina Andrade dos Precários inflexíveis. Para a activista, quanto pior são as condições de vida das pessoas, mais difíceis são de mobilizar. “É mais fácil resistir quando se tem comida na mesa e sabemos onde vamos dormir à noite”, defende, dando o exemplo de outro movimento em que esteve envolvido, o Ferve – Fartos destes Recibos Verdes onde participava gente com contrato efectivo de trabalho ou que pertencia aos quados da administração pública, mas que tinham mais condições para serem solidários.
Para a psicóloga, que esteve também ligada à fundação dou à organização da manifestação da Geração à Rasca no Porto, “o caminho a que temos vindo a assistir nos últimos anos é o da resignação”, apesar de a perda de direitos nos três anos de intervenção externa no país ser “incomparavelmente maior” do que as que tinham acontecido na década anterior, mas isso não representou uma maior abertura da população para reivindicar os seus direitos.
Esta espécie de proporcionalidade inversa entre a austeridade e a participação cívica foi a ideia transversal ao penúltimo debate de um ciclo sobre os 40 anos do 25 de Abril que está a ser organizado pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, dedicado ao tema dos movimentos sociais no contexto da crise, realizado esta segunda-feira, em Braga. Na sessão, Cristina Andrade também defendeu que a participação cívica “não se pode fazer só com um clique no Facebook”. Os movimentos sociais só andam para a frente com a participação das pessoas “nas coisas chatas e menos efusivas”, considera.
Inês Barbosa, que foi cabeça de lista da candidatura Cidadania em Movimento à Câmara de Braga nas últimas autárquicas, usou essa experiência como exemplo. O grupo nascido para “convocar a cidade e os cidadãos para discutir a cidade e reabilitar a sua confiança na democracia”, mas não passou dos 5,3% no escrutínio, o que não chegou para eleger um vereador. Hoje, “o movimento tem vindo a desparecer formalmente” e o seu destino “é ainda uma incógnita”, reconheceu.
João Labrincha, que esteve na origem do protesto de Março de 2011 e do movimento 12M que se lhe seguiu, argumenta que apesar de a manifestação ter tido bons resultados – “colocamos a questão da precariedade na boca do povo”, defende – o grupo não conseguiu “fazer passar a segunda parte da mensagem”, que dizia respeito à participação cívica. “As pessoas continuavam a dizer-nos que tínhamos que organizar mais protestos, quando o quer pretendíamos era que fossem elas a perceber que podiam organizá-los”.
3.2.14
Jovens fazem rádio para pensar a cidadania
Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Projecto europeu está a ser desenvolvido em três programas Escolhas, dois no Porto e outro em Coimbra
Prepararam um hip-hop de propósito para o programa da RadioActive 101 que vai hoje para o ar. Os adultos estiveram a orientar as crianças e jovens ali mesmo, na cave que há tanto acolhe o Metas, um projecto que serve Lordelo do Ouro, na zona ocidental do Porto. Agora, os miúdos fazem coro: “Se tens educação põe a mão no ar/com esta canção só te queremos educar”.
Há três projectos Escolhas, um programa governamental para a inclusão dos jovens, a fazer as esporádicas emissões na RadioActive - destinada a criar uma plataforma para uma rádio pan-europeia na Net, incorporando a ferramenta de Web 2.0. Além do Metas há o Catapulta, do centro histórico do Porto, o Trampolim, de Coimbra. Está tudo na página: http://pt.radioactive101.eu/
A ideia veio de fora. O consórcio é liderado pela University of East London, no Reino Unido, e conta com parceiros em Portugal, Alemanha, Malta e Roménia. É, explica Maria José Brites, coordenadora da RadioActive em Portugal, uma tentativa de pôr jovens de contextos socio-económicos desfavorecidos a abordar assuntos de inclusão e cidadania ao mesmo tempo que melhoram a expressão oral, aprendem técnicas radiofónicas, usam as redes sociais para divulgar trabalhos.
Respira-se cultura hip hop no seio do grupo que está a preparar o novo programa – o oitavo que Portugal põe no ar. Há qualquer coisa de comum entre aquela freguesia que a industrialização encheu de operários e a desindustrialização privou de emprego e os subúrbios negros e latinos de Nova Iorque dos anos 1970. Sobra pobreza, falta perspectiva. Patrícia Costa, a coordenadora do Metas, da Agência de Desenvolvimento Integrado de Lordelo do Ouro, diz que falta até imaginação. “Não estão habituados a pensar.” Por isso tudo isto lhe parece tão importante.
É suposto a rádio incitar a reflectir, mas também a vencer a impaciência, a estabelecer metas de médio ou longo prazo. O dinamizador comunitário Jonas Oliveira, o monitor Renato Florim e o presidente da associação juvenil Ágil é que puxam pelos miúdos. Trabalham com eles dois meses em cada emissão. E notam como, no fim, eles gostam de se ouvir, de reconhecer as suas vozes.
Já dedicaram um programa às artes, outro à comunidade. Este é sobre educação. Anunciam o tema aos miúdos e tentam perceber o que eles gostariam de perguntar, de descobrir. Desta vez, quiseram saber o que são os jovens e o que gostariam de mudar na escola – frequentam, quase todos, a EB 2/3 Leonardo Coimbra - Filho.
Saberão, ao ouvir o programa que vai hoje para o ar, que há quem gostasse de ver os horários modificados, de modo a ter mais tempo livre, quem queira cacifos, para evitar que os alunos tenham de andar para trás e para a frente com livros e cadernos, quem defenda um novo método de ensino, de modo a tornar a aprendizagem mais divertida, quem deseje trocar de professores e técnicos operacionais, e até quem queira mudar tudo, tudo.
Hoje, o nervosismo regressa pela terceira vez à cabine para controlo técnico da emissão de rádio, com as paredes forradas com embalagens de ovos, pintadas a negro. Um rapaz entrevistará outro em directo – a estrela é Rodrigo Florim, o menino de 13 anos que tem cinco em todas as disciplinas.
Projecto europeu está a ser desenvolvido em três programas Escolhas, dois no Porto e outro em Coimbra
Prepararam um hip-hop de propósito para o programa da RadioActive 101 que vai hoje para o ar. Os adultos estiveram a orientar as crianças e jovens ali mesmo, na cave que há tanto acolhe o Metas, um projecto que serve Lordelo do Ouro, na zona ocidental do Porto. Agora, os miúdos fazem coro: “Se tens educação põe a mão no ar/com esta canção só te queremos educar”.
Há três projectos Escolhas, um programa governamental para a inclusão dos jovens, a fazer as esporádicas emissões na RadioActive - destinada a criar uma plataforma para uma rádio pan-europeia na Net, incorporando a ferramenta de Web 2.0. Além do Metas há o Catapulta, do centro histórico do Porto, o Trampolim, de Coimbra. Está tudo na página: http://pt.radioactive101.eu/
A ideia veio de fora. O consórcio é liderado pela University of East London, no Reino Unido, e conta com parceiros em Portugal, Alemanha, Malta e Roménia. É, explica Maria José Brites, coordenadora da RadioActive em Portugal, uma tentativa de pôr jovens de contextos socio-económicos desfavorecidos a abordar assuntos de inclusão e cidadania ao mesmo tempo que melhoram a expressão oral, aprendem técnicas radiofónicas, usam as redes sociais para divulgar trabalhos.
Respira-se cultura hip hop no seio do grupo que está a preparar o novo programa – o oitavo que Portugal põe no ar. Há qualquer coisa de comum entre aquela freguesia que a industrialização encheu de operários e a desindustrialização privou de emprego e os subúrbios negros e latinos de Nova Iorque dos anos 1970. Sobra pobreza, falta perspectiva. Patrícia Costa, a coordenadora do Metas, da Agência de Desenvolvimento Integrado de Lordelo do Ouro, diz que falta até imaginação. “Não estão habituados a pensar.” Por isso tudo isto lhe parece tão importante.
É suposto a rádio incitar a reflectir, mas também a vencer a impaciência, a estabelecer metas de médio ou longo prazo. O dinamizador comunitário Jonas Oliveira, o monitor Renato Florim e o presidente da associação juvenil Ágil é que puxam pelos miúdos. Trabalham com eles dois meses em cada emissão. E notam como, no fim, eles gostam de se ouvir, de reconhecer as suas vozes.
Já dedicaram um programa às artes, outro à comunidade. Este é sobre educação. Anunciam o tema aos miúdos e tentam perceber o que eles gostariam de perguntar, de descobrir. Desta vez, quiseram saber o que são os jovens e o que gostariam de mudar na escola – frequentam, quase todos, a EB 2/3 Leonardo Coimbra - Filho.
Saberão, ao ouvir o programa que vai hoje para o ar, que há quem gostasse de ver os horários modificados, de modo a ter mais tempo livre, quem queira cacifos, para evitar que os alunos tenham de andar para trás e para a frente com livros e cadernos, quem defenda um novo método de ensino, de modo a tornar a aprendizagem mais divertida, quem deseje trocar de professores e técnicos operacionais, e até quem queira mudar tudo, tudo.
Hoje, o nervosismo regressa pela terceira vez à cabine para controlo técnico da emissão de rádio, com as paredes forradas com embalagens de ovos, pintadas a negro. Um rapaz entrevistará outro em directo – a estrela é Rodrigo Florim, o menino de 13 anos que tem cinco em todas as disciplinas.
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