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3.5.23

Mulheres jornalistas presas no Irão distinguidas com prémio de liberdade de imprensa da UNESCO

Por Lusa, in SIC



Niloofar Hamedi, Elaheh Mohammadi e Narges Mohammadi foram distinguidas pelo “trabalho corajoso” que conduziu a “uma revolução histórica liderada por mulheres”, afirma a presidente do júri, Zainab Salbi.


A UNESCO atribuiu este ano o Prémio Guillermo Cano para a Liberdade de Imprensa a três mulheres jornalistas presas no Irão: Niloofar Hamedi, Elaheh Mohammadi e Narges Mohammadi.


"Agora, mais do que nunca, é importante prestar homenagem a todas as mulheres jornalistas que são impedidas de fazer o seu trabalho e que enfrentam ameaças e ataques à sua segurança pessoal", declarou a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, em comunicado divulgado esta quarta-feira.

A presidente do júri, Zainab Salbi, afirmou que "o trabalho corajoso das mulheres jornalistas iranianas" conduziu a "uma revolução histórica liderada por mulheres", pela qual pagaram "um preço elevado".

Salbi reiterou o compromisso de "honrá-las e garantir que as suas vozes continuem a ressoar em todo o mundo até que estejam seguras e livres".

Noloofar Hamedi trabalhava para o principal diário reformista iraniano, Shargh. Foi ela quem deu a notícia da morte da jovem Masha Amini, enquanto estava sob custódia policial, depois de ter sido detida a 16 de setembro de 2022 por não respeitar o uso do véu islâmico.

Hamedi está detida em regime de isolamento na prisão de Evin, em Teerão, desde setembro de 2022.

Elaheh Mohammadi, que escreve para o jornal reformista Ham-Mihan, fez a reportagem do funeral de Masha Amini e está também detida na mesma prisão.

As duas foram galardoadas com o Prémio Internacional de Liberdade de Imprensa 2023 dos Jornalistas Canadianos para a Liberdade de Expressão e com o Prémio Louis M. Lyons para a Consciência e Integridade no Jornalismo da Universidade de Harvard.

A revista Time incluiu-as na sua lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2023.

Narges Mohammadi, que trabalhou durante anos para várias publicações, é também diretora-adjunta da organização não-governamental Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerão.

Está a cumprir uma pena de 16 anos de prisão em Evin, de onde tem continuado o trabalho como jornalista, incluindo o livro de entrevistas com outras prisioneiras intitulado "White Torture".

Em 2022, Mohammadi recebeu o Prémio Coragem dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Em 1997, a UNESCO criou o prémio para a liberdade de imprensa em homenagem ao jornalista colombiano Guillermo Cano, assassinado em dezembro de 1986 à frente da redação do seu jornal, El Espectador.

A organização recordou que as mulheres jornalistas e outros trabalhadores dos meios de comunicação social em todo o mundo enfrentam cada vez mais ataques e ameaças "desproporcionadas e direcionadas".

17.2.23

Redes sociais são principal fonte de notícias para os portugueses e jornalistas já difundiram informação falsa baseados nelas

Por Lusa, in Expresso

O Observatório Ibérico de Media Digitais revela que maioria dos portugueses tem acesso a notícias através das redes sociais. Quase 90% dos media em Portugal estão presentes no Facebook e quase metade no Instagram

Oitenta e três por cento dos meios de comunicação em Portugal já difundiram notícias falsas baseadas nas redes sociais, mantendo-se nas redações os métodos de verificação tradicionais, apesar do reforço feito a este nível, revelam os dados, apresentados esta quarta-feira, do Observatório Ibérico de Media Digitais (Iberifier).

De um conjunto de entrevistas realizadas por este organismo, em setembro e outubro de 2022, a 17 diretores e editores de empresas de comunicação social em Portugal, resultou que mais de metade (58%) dos órgãos de comunicação não possuem protocolo de verificação da informação e em cerca de 80% não houve formação acrescida sobre verificação de factos.

De acordo com os resultados, a maioria dos entrevistados considera que "os portugueses reconhecem o trabalho desenvolvido pelos vários meios tradicionais", sendo mencionada "a existência de um canal público visto como 'âncora', a associação de jornalismo ao telejornal e a ausência de grandes escândalos relacionados com a atuação dos media".

Contudo, um terço dos entrevistados considera que o sentimento de confiança nos media em Portugal "pode estar relacionado com a iliteracia dos portugueses", o "fraco sentido crítico" e a "deferência em relação ao poder instituído", havendo quem assinale ainda a "excessiva tolerância dos portugueses".

JORNALISTAS PEDEM MELHORES CONDIÇÕES E MAIS TEMPO DE DESCANSO

Ao nível das questões laborais, os jornalistas reclamam mais respeito pelas escalas de trabalho e pelo tempo de descanso, o direito à vida familiar e ao 'desligar', melhores salários e contratos e mais formação.

Consensual entre os diretores e editores inquiridos é a necessidade de diferenciar os conteúdos jornalísticos dos restantes (recorrendo, por exemplo, a 'etiquetas de diferenciação que possam orientar os leitores'), defendendo-se também uma maior aposta na literacia dos cidadãos e uma regulação e fiscalização mais apertadas.

PUBLICIDADE É O PRINCIPAL MEIO DE FINANCIAMENTO DOS MEDIA

A sustentabilidade dos media e o desafio de encontrar um modelo de negócio viável é o problema mais apontado, com alguns diretores — "sobretudo de meios de comunicação mais recentes" — a defenderem que o jornalismo não deve ser visto como um negócio e a afirmarem preferir que o jornalismo abdique da publicidade.

A publicidade é o principal mecanismo de financiamento dos media em Portugal, tendo sido identificado em 69% dos meios, seguido das subscrições, com 28%. Os dados revelam que o 'branded content' (criação de conteúdo diretamente relacionado com uma marca) integra a estratégia de financiamento de 19% dos media, seguido dos subsídios (15%), do 'e-commerce' (9%), da consultoria (6%) e dos donativos (5%).

No que se refere às plataformas sociais mais utilizadas pelos meios de comunicação, destaca-se o Facebook, com 88%, e o Instagram, com 49%. Já o 'podcast' está presente em 14% dos meios, enquanto o recurso ao Tik Tok é mais discreto, com apenas 1%.

MAIORIA DOS PORTUGUESES CONSOMEM NOTÍCIAS ATRAVÉS DE REDES SOCIAIS

As redes sociais são a principal fonte de informação (87%) dos inquiridos. Os participantes no estudo (37%) referem que se deparam com desinformação várias vezes por dia, tendo 97% detetado desinformação no último mês.

Tendo por base 530 questionários válidos no âmbito de um estudo sobre o impacto da desinformação em Portugal, verifica-se que 77,6% da amostra aponta a 'fraca qualidade do jornalismo', nomeadamente os 'erros factuais' e a 'cobertura simplista', como o tipo de desinformação que mais identificaram no último mês.

Já 72,1% sublinham o problema dos 'factos parcialmente manipulados', 48,5% destacam as 'manchetes que parecem notícias mas são publicidade', 29,7% refere o 'recurso ao termo 'fake news' (por políticos, por exemplo) para desacreditar média que não lhes agradam', 20,9% mencionam as 'notícias completamente falsas com objetivos políticos ou comerciais' e 12,9% apontam os 'artigos de teor humorístico que se assemelham a notícias (sátiras)'.

Entre os inquiridos pelo Iberifier, 71,3% apontam a 'política' como sendo a área mais visada na desinformação, enquanto 59,2% destacam a 'guerra e os conflitos armados' como o assunto mais frequentemente alvo de 'fake news' e 50,8% referem os 'temas económicos' como os mais afetados.

Quando questionados sobre as áreas em que a desinformação mais os preocupa, 84,0% elegem a que tem origem no Governo, políticos e partidos e 79,0% referem a que é disseminada pelos comentadores nas redes sociais, enquanto 75,0% mencionam a que parte dos jornalistas ou dos media e 72,0% a proveniente de governos ou políticos internacionais.

No que se refere às plataformas de disseminação da falsa informação, 83,8% manifestam apreensão com a difusão feita através das redes sociais (como o Facebook, Twitter, Instagram ou YouTube), 68,6% apontam a divulgada nos 'sites' ou 'apps' (aplicações) dos 'social media', 59,9% estão preocupados com a desinformação veiculada em motores de busca (como o Google ou Bing) e 53,0% mencionam as aplicações de mensagens instantâneas, como o Whatsapp ou o Telegram.

Do inquérito resulta ainda que 72,0% dos inquiridos deixaram de confiar num meio de comunicação após terem detetado que este veiculou desinformação ou notícias falsas, 23,8% dizem que, na maior parte das vezes, não se pode confiar nas notícias e 77,2% declaram que não pode confiar na maior parte da informação das redes sociais.

Já 26,9% dos inquiridos consideram que, na maior parte das vezes, os media não são confiáveis, 26,8% afirmam o mesmo relativamente aos jornalistas e 55,9% dizem que as notícias constantes dos motores de busca não são, na sua grande parte, fidedignas.

PORTUGUESES CONFIAM MAIS EM ESPECIALISTAS E JORNALISTAS PARA OBTER INFORMAÇÃO

Relativamente às fontes em que mais confiam para obter informação ou saber mais sobre um tema, 78,7% escolhem os cientistas e 56,2% os jornalistas, seguidos dos médicos (39,6%), dos ativistas (14,7%) e dos comentadores (11,9%).

Quanto aos meios de comunicação aos quais mais recorrem para obter informação, 67,6% dos inquiridos referem a SIC Notícias, 61,6% o jornal Público, 61,3% a RTP1 e 53,1% o jornal Expresso. Segue-se a CNN Portugal (45,8%), a RTP 3 (41,4%), a SIC (40,8%), o Observador (39,1%) e a rádio TSF (34,0%).

Estes e outros resultados do mapeamento dos media em Portugal podem ser consultado a partir de hoje numa plataforma criada para esse efeito pelo Iberifier, que identificou e caracterizou os meios de comunicação existentes no país. Promovido pela Comissão Europeia e associado ao Observatório Europeu de Media Digitais (EDMO), o Iberifier é um observatório de media digitais em Portugal e Espanha que visa combater a desinformação.

O projeto é coordenado pela Universidade de Navarra, Espanha, mas tem como principal parceiro o ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. No total, integra 12 universidades, cinco organizações de verificação e agências de notícias (entre as quais a agência Lusa) . O levantamento efetuado em 2022 pelo Iberifier conta com a participação de investigadores portugueses do Observatório da Comunicação (OberCom) e do Centro de Investigação em Estudos de Sociologia (CIES--ISCTE).

9.2.23

Lusa vai formar jovens jornalistas para aprenderem a contar a Europa

Por Lusa, in RTP

A agência Lusa abriu hoje as candidaturas para uma ação de formação que vai ensinar jovens jornalistas portugueses a contar a União Europeia.

A ação é desenvolvida em parceria com o Parlamento Europeu e vai decorrer em Lisboa, na sede da Lusa, entre 3 e 5 de abril.

"A Europa é um referencial para Portugal, mas é também um `objeto político` difícil de entender, com o seu conjunto de instituições, normas e políticas. É difícil para o grande público e para nós, jornalistas, que temos de a noticiar e explicar. Para o ano, haverá novamente eleições europeias", explicou a Diretora de Informação da Lusa, Luísa Meireles.

"Atendendo a tudo isto, e com a ajuda de especialistas, a Lusa organizou um curso de formação, financiado pelo Parlamento Europeu, destinado a jovens jornalistas. A ideia é ajudar a perceber a Europa. E aprender a contá-la", acrescentou.

A primeira edição deste programa realiza-se entre 03 e 05 de abril e para ela vão ser selecionados dez jovens jornalistas. No final, os cinco melhores terão a oportunidade de completar a formação na sede do Parlamento Europeu.

A formação tem direção científica de Miguel Poiares Maduro, Diretor da Católica Global School of Law e Presidente do Conselho Executivo do Observatório Europeu dos Media Digitais, e conta com professores universitários, eurodeputados, especialistas e outros profissionais com reconhecida experiência europeia.

As candidaturas podem ser enviadas para o email escolalusa@lusa.pt ou através da página https://formacao-jornalistas-europa.lusa.pt/jovens-jornalistas/.

3.5.22

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Marcelo Rebelo de Sousa recorda precariedade no jornalismo

in Revista sol

O Presidente da República compara "uma imprensa forte e livre" a uma "democracia forte e livre" e considera que "este desígnio foi, é, e sempre será um princípio que, mais que inscrito e salvaguardado pela constituição, corresponde a uma efetiva realidade pela qual devemos todos os dias lutar".Marcelo Rebelo de Sousa alertou esta terça-feira através de uma mensagem publicada na página oficial da Presidência da República para as dificuldades económico-financeiras da comunicação social, situações de precariedade no jornalismo e para o consumo de "informação desvirtuada, sem contraditório ou mesmo falsa" nas redes sociais. A mensagem é escrita no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituido pelas Nações Unidas em 1993.

O Presidente da República compara "uma imprensa forte e livre" a uma "democracia forte e livre" e considera que "este desígnio foi, é, e sempre será um princípio que, mais que inscrito e salvaguardado pela constituição, corresponde a uma efetiva realidade pela qual devemos todos os dias lutar".

O chefe de Estado recordou as dificuldades por que passam os órgãos de comunicação, tanto no âmbito financeiro cmo no âmbito literário, dizendo que "um dos problemas a que temos vindo a assistir é a substituição da leitura de notícias pelo consumo de conteúdos nas redes sociais".

"Estes são conteúdos, rápidos, simplistas e condicionados, muitas vezes com informação desvirtuada, sem contraditório ou mesmo falsa", escreve.

Marcelo Rebelo de Sousa termina a sua mensagem deixando um palavra "de determinação, de incentivo e de admiração a toda a imprensa portuguesa" e lembrando que tanto na situação pandémica, como com a "nova crise associada à guerra" foi "a imprensa a responsável por fazer chegar a informação a todas e a todos os portugueses" e o "meio fundamental e determinante para a transmissão da verdade dos factos".

5.11.21

Levar o jornal para a sala de aula é meio caminho andado para uma “cidadania activa”

Isabel Moura, in Público on-line

O jornalismo como ferramenta para o exercício da cidadania e como recurso pedagógico foi tema da acção de formação dirigida a professores.

Decorreu esta quinta-feira, 4 de Novembro, a partir da biblioteca da Escola Secundária Camões, em Lisboa, uma acção de formação destinada a professores promovida pelo Plano Nacional das Artes (PNA) em parceria com o jornal PÚBLICO. Cerca de 420 professores acompanharam, em directo, a sessão com o tema “O jornal como recurso pedagógico”, através do canal Youtube da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

O evento contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa e do Secretário de Estado do Cinema Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva. João Costa referiu-se ao jornal como “um mundo que se abre enquanto recurso pedagógico, na promoção de novas literacias mais aprofundadas, mas também, e sobretudo, na capacidade de trazer a cidadania para dentro das escolas”. Defendeu ainda que “o jornal e a imprensa livre são dos principais sintomas de uma democracia plena”. Trazer o jornal para a escola é, segundo o Secretário de Estado, “trazer o espaço do pluralismo, o espaço do debate, o espaço do diálogo, o espaço do confronto de ideias, mas também o território do conhecimento e não das pseudo-informações que vivem à nossa volta neste momento”. Nuno Artur Silva reforçou a importância dada ao jornalismo acrescentando que “quando o jornalismo está sob ameaça, também a democracia está”. E considerou que “a defesa da democracia faz-se na aula, na escola, com a ajuda do jornalismo”.

Também para o Comissário do PNA, Paulo Pires do Vale, “o papel dos media é fundamental para, nomeadamente, promover uma verdadeira cidadania cultural”. “Queremos muito transformar os media em território educativo. O jornal é território educativo e a escola é também uma produtora mediática”, sustentou.

Conduzida por vários elementos do jornal PÚBLICO, a formação pretendeu demonstrar a importância que o jornalismo pode ter na educação dos mais jovens. O jornal pode ser, como o título da acção sugere, um verdadeiro “recurso pedagógico”

O projecto PÚBLICO na Escola, criado em parceria com o PNA, tem demonstrado isso mesmo. Luísa Gonçalves, coordenadora do projecto sublinhou que “há mundo para além do manual escolar”. A leitura “não deve ser limitada aos textos escolares e trabalhar com conteúdos jornalísticos deve ser uma prática sistemática e regular”. Segundo a jornalista “essa ferramenta permite desenvolver as competências e promover as literacias de informação e dos media, bem como contribui para a cidadania activa, o espírito crítico e a capacidade de argumentação”. Além do mais o jornal é “actual, real, diversificado, multidisciplinar, interdisciplinar e plural”, acrescenta.

Para Manuel Carvalho, director do PÚBLICO, o projecto PÚBLICO na Escola - que promove, incentiva e ajuda na criação de jornais escolares - tem um carácter de responsabilidade social. O director considera que o jornalismo escolar deve ser encarado como “uma ferramenta, um instrumento divertido para que alunos tenham mais consciência ou responsabilidade pelo que se passa na sua escola ou comunidade”, promovendo, assim “uma sociedade mais justa e coesa”. Defende ainda que “uma sociedade com informação de qualidade, baseada na verdade e no interesse colectivo, com a população mais informada, é um espaço mais rico e democrático”, pelo que reconhece o jornalismo como um verdadeiro recurso para a cidadania.

Nesta formação, os professores aprenderam não só como criar um jornal escolar como utilizar os conteúdos jornalísticos em contexto de sala de aulas. Verbos como envolver, perguntar, situar e escolher fazem parte do jargão jornalístico que os professores ficaram a conhecer através da jornalista Bárbara Simões, coordenadora do PÚBLICO na Escola. Teresa Abecassis, jornalista multimédia, indicou ferramentas para construir um jornal escolar, merecendo elogios na caixa dos comentários. Uma das participantes comentou estar “a aprender mais em meia hora do que em horas a fio de capacitação digital”.

Durante o evento foi anunciado o lançamento do concurso “Vamos fazer um plano” que pretende promover o debate sobre cultura, artes e património, fomentar os jornais como recursos pedagógicos para o conhecimento, fomentar a literacia mediática e combater a desinformação. O regulamento será publicado até final do mês. Os cinco vencedores do concurso terão a oportunidade de receber uma mentoria profissional e ver o seu trabalho publicado em duas páginas do jornal PÚBLICO. O objectivo é dar voz aos alunos e às questões culturais.

Texto editado por Rita Ferreira


7.8.19

Imprensa: EAPN Portugal distingue jornalismo que analisa a «pobreza» de «forma digna, livre de preconceito»

in Ecclesia

Porto, 07 ago 2019 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal escolheu as reportagens “Esta escola já não é só para ciganos” e “Esta é uma vitória nossa”, dos jornais ‘Público’ e ‘O Setubalense’, como vencedores do prémio ‘Analisar a Pobreza na Imprensa’.

“O jornalismo sempre teve um papel fundamental no desenvolvimento da vida democrática, denunciando os abusos dos direitos humanos; as notícias sobre pobreza e exclusão social podem, por vezes, ter por base simplificações excessivas e imagens estereotipadas de culpabilização”, afirma a EAPN Portugal em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA.

Na primeira edição, o prémio de jornalismo ‘Analisar a pobreza na Imprensa’ atribuiu o primeiro prémio, na categoria imprensa nacional, ao trabalho “Esta escola já não é só para ciganos”, da jornalista Ana Cristina Pereira e do fotojornalista Adriano Miranda, publicado no jornal ‘Público’ a 28 de outubro de 2018; na imprensa regional, “Esta é uma vitória nossa”, do jornal ‘O Setubalense’ (de 21 de dezembro), de Ana Martins Ventura e Alex Gaspar.

A EAPN Portugal destaca que o prémio distingue trabalhos que abordem a pobreza e a exclusão social “de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas”.
No segundo prémio foram distinguidas as reportagens “Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?” (2 de dezembro), da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues do ‘Diário de Notícias; e “Inclusão – Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar” do Jornal Região de Leiria (22 de novembro), do jornalista Carlos S. Almeida e do fotojornalista Joaquim Dâmaso.

O jornal ‘Público’ venceu também o 3º prémio na categoria imprensa nacional com “Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?”, de Ana Cristina Pereira e Paulo Pimenta, publicado a 8 de novembro, enquanto na imprensa regional foi escolhido o trabalho “Sementes da Globalização”, da jornalista Daniela Franco Sousa e do fotojornalista Ricardo Graça do Jornal de Leiria, com data de 20 de dezembro.
A EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza informa ainda que o 1.º lugar das duas categorias vai receber um prémio, uma peça do artista plástico João Carqueijeiro.
A cerimónia de entrega dos prémios vai realizar-se às 18h00, do dia 16 de outubro, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, inserida no Fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social, que vai ter como tema ‘A pobreza é notícia? O papel dos media no combate à pobreza’.

Ao todo foram recebidos 58 trabalhos jornalísticos – 28 nacionais e 30 regionais.

O prémio de jornalismo foi criado em 2010 pela EAPN Áustria; a EAPN Portugal quer “dar-lhe continuidade e alargar o seu âmbito a outras categorias”.

A EAPN – European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti Pobreza) foi fundada em 1990, em Bruxelas, e está em 31 países, nomeadamente em Portugal desde 17 de dezembro do ano seguinte, com sede no Porto.
CB/OC

Jornalistas do DN Ana Mafalda Inácio e Reinaldo Rodrigues ganham prémio

in DN

A jornalista Ana Mafalda Inácio e o fotojornalista Reinaldo Rodrigues ganharam o 2º prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza, com a reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?"

Na Semear, um grupo de jovens portadores de uma defiência faz formação para procurar um lugar no mercado de trabalho. Hoje, é diferente de ontem e têm esperança, querem ter.© Reinaldo Rodrigues

Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?
A sociedade portuguesa é inclusiva? A pergunta serviu de ponto de partida para o trabalho da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues que fizeram um retrato da população com deficiência. Histórias na primeira pessoa de quem lida diariamente com esta realidade foram dadas a conhecer na reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?", publicada a 2 de dezembro de 2018, e que acaba de ser distinguida com o 2º lugar (na Categoria Imprensa Nacional) na primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza.

"Acho que é um trabalho importante a partir do qual tentamos chamar a atenção para uma realidade da sociedade portuguesa que tem estado escondida", diz a jornalista Ana Mafalda Inácio, "grata pelo reconhecimento do trabalho que o DN fez".

"'O medo está na base de todas as formas de exclusão, tal como a confiança está na génese de todas as formas de inclusão'. A frase é de Jean Vanier, o homem que fundou a Arca, L'Arche, a comunidade no norte de França que acolhe homens e mulheres portadores de deficiência mental. E que ao longo do trabalho que o DN agora inicia, com um ciclo de reportagens, histórias na primeira pessoa, de crianças, jovens, pais, que lidam com esta realidade, nos remeteu para uma única questão: do que temos medo? "Ou melhor, do que tem medo a sociedade portuguesa quando se olha para o mercado de trabalho e a taxa de desemprego com pessoas com deficiência aumentou nos últimos anos, quando a taxa da população geral diminuiu? Do que tem medo a sociedade quando as queixas por discriminação a pessoas com deficiência aumentaram em 2017, do que se tem medo quando ainda nas escolas, nas empresas, nos transportes, nos cafés, na rua, não somos ainda capazes de olhar para os outros não pela sua incapacidade mas pela pessoa que são?", escreveu Ana Mafalda Inácio no artigo que foi agora premiado.
"Tentamos alertar a sociedade portuguesa para uma realidade que afeta mais de um milhão de pessoas e que há muito está escondida", refere a jornalista.

Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?
Na Categoria de Imprensa Nacional, o 1º lugar foi atribuído à reportagem "Esta escola já não é só para ciganos", dos jornalistas Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, do jornal Público, e 3º lugar foi para "Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?", também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com o fotojornalista Paulo Pimenta.

"Este é um prémio importante que destaca trabalhos que mostram uma realidade escondida da sociedade portuguesa", realça Ana Mafalda Inácio, referindo-se às reportagens que também foram premiadas nesta primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa".

A iniciativa tem como objetivo distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social "de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias". Em 2018, foram selecionados e analisados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos 28 notícias de âmbito nacional e 30 notícias de âmbito regional.
Na Categoria de Imprensa Regional, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) foram distinguidos com o 1º lugar com a peça "Esta é uma vitória nossa". Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com o trabalho "Inclusão - Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar", e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com "Sementes da Globalização" foram premiados com o 2º e 3º lugar, respetivamente.

Nas duas categorias, nacional e regional, o primeiro lugar vai receber como prémio uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico.
A atribuição dos prémios está prevista para o dia 16 de outubro, a partir das 18:00, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto.

Jornalista madeirense conquista prémio da Rede Europeia Antipobreza

in DnMadeira

Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda venceram o prémio na categoria de imprensa nacional

A peça “Esta escola já não é só para ciganos” produzida pelos jornalistas do Público, a madeirense Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, mereceu a distinção na primeira edição do prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa” atribuído pela Rede Europeia Antipobreza (EAPN). Os jornalistas lusos conquistaram o título na Categoria da Imprensa Nacional.

De referir que esta série já tinha sido distinguida com o prémio Direitos da Criança em Notícia, atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens​ (CNPDPCJ) e da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), segundo avançou há pouco o site oficial do jornal Público.

Nestes prémios da EAPN a madeirense veio ainda a conquistar a ‘medalha de bronze, juntamente com Paulo Pimenta, com a peça “Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?”, avançou o Público.

Reportagem do PÚBLICO ganha prémio de jornalismo da Rede Europeia Antipobreza

Maria João Mesquita, in Público on-line

Reportagem Esta escola já não é só para ciganos, sobre a inclusão das crianças ciganas na escolaridade obrigatória, mereceu o primeiro lugar no prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa”, instituído pela Rede Europeia Antipobreza (EAPN).

Os jornalistas do PÚBLICO Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda foram distinguidos na primeira edição do prémio de jornalismo “Analisar a pobreza na Imprensa” da EAPN-Portugal/Rede Europeia Antipobreza. O primeiro lugar na Categoria da Imprensa Nacional foi atribuído à peça Esta escola já não é só para ciganos.

Acorda, vem ver a Lua: a mensagem de esperança de um fotógrafo para um menino cigano
A série de Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda sobre crianças ciganas e escolaridade obrigatória, de que esta reportagem faz parte, já tinha sido distinguida com o prémio Direitos da Criança em Notícia, atribuídos pelo Fórum sobre os Direitos das Crianças e dos Jovens, com o apoio da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens​ e da Sociedade Portuguesa de Autores.

Também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com Paulo Pimenta, foi distinguida a peça Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?. A esta foi atribuído o terceiro lugar.

Segundo um comunicado emitido esta tarde pela organização, o objectivo é “distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias”. O processo começou com a selecção de trabalhos jornalísticos publicados na imprensa nacional e na imprensa regional em 2018. Os trabalhos foram seleccionados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos (CLC) em situação de pobreza – um por distrito –, num total de 58 (28 nacionais e 30 regionais).

Seis desses trabalhos foram distinguidos pelo júri, constituído por quatro membros dos núcleos, Cidália Barriga (CLC de Évora), Francisco Rico (CLC de Aveiro), Jaime Filipe (CLC de Setúbal), Jaime Janeiro (CLC de Portalegre), e três académicos, Rita Simões (Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Paulo Alves (Universidade do Algarve) e Fernando Zamith (Departamento de Ciências da Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).

Dos distinguidos na Categoria da Imprensa Nacional fizeram ainda parte Ana Mafalda Inácio e Reinaldo Rodrigues (Diário de Notícias) com o trabalho Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?. Já na Categoria Imprensa Regional destacaram-se, no primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) com Esta é uma vitória nossa, Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com Inclusão – Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar, e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com Sementes da Globalização.
Em ambas as categorias – nacional e regional – só o primeiro lugar receberá um prémio, uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico. A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, no dia 16 de Outubro, pelas 18h00, no decurso do Fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza e Exclusão Social, que este ano será dedicado ao tema A pobreza é notícia? O papel dos media no combate à pobreza.

Quase 700 mil fazem voluntariado, mas Portugal está muito abaixo da média da União Europeia
Este prémio foi criado em 2010 pela EAPN- Áustria. Outros países europeus foram seguindo o exemplo. Esta é a primeira vez que a EAPN-Portugal o atribui. Pretende dar continuidade à iniciativa e abranger outras categorias.

Texto editado por Pedro Sales Dias

29.4.16

Jornalistas do NM premiados por artigo sobre inclusão social

In "Diário de Notícias"

Cláudia Pinto e o fotojornalista Nuno Pinto Fernandes receberam um Prémio Dignitas pela reportagem Semear a Mudança

Os Prémios Dignitas, que distinguem os melhores trabalhos jornalísticos publicados nos órgãos de comunicação social portugueses, premeiam nesta sua oitava edição, na categoria de imprensa, dois profissionais do Diário de Notícias. Tratam-se da repórter Cláudia Pinto e do fotojornalista Nuno Pinto Fernandes, autores da reportagem Semear a Mudança, que foi publicada em dezembro de 2015 na revista Notícias Magazine.

Palavras e imagens, no seu conjunto, encarregaram-se de retratar o dia a dia de jovens portadores de deficiência intelectual, com o objetivo de promover a inclusão no mercado de trabalho, dando-lhes autonomia e qualidade de vida. A reportagem acompanhou alguns dos 42 jovens envolvidos no projeto Semear da instituição BIPP - Soluções para a Deficiência, que recebem aulas práticas e teóricas no Instituto Superior de Agronomia.

Este ano, o prémio máximo - Prémio Dignitas - é atribuído à jornalista da SIC Miriam Alves, autora da reportagem Impossível é só um exagero, que durante sete dias acompanhou crianças cegas numa colónia de férias, levando-as a falar sobre os seus medos, descobertas, desafios e superações. Na categoria de rádio, é distinguido Pedro Mesquita, da Rádio Renascença, com O extraordinário mundo de Irina; em jornalismo digital, Vera Moutinho, do jornal Público, com O que é isso da Vida Independente; e em jornalismo universitário, Tomás Albino Gomes, da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), com A Genética do Amor. A Menção Honrosa de Televisão será atribuída a Mafalda Gameiro, pela reportagem da RTP Corpo Sentido.

O júri desta oitava edição, que analisou um total de 29 peças jornalísticas, é composto por Humberto Santos, da Associação Portuguesa de Deficientes, Anabela Lopes, da ESCS, António Belo, da Amnistia Internacional, entre outros. A entrega de prémios decorre na próxima terça-feira, 3 de maio, no Grande Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República. Estará presente a Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes. em representação do Governo.