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16.11.20

Mudar regras do RSI obrigaria a acordo de âmbito nacional

Sónia Sapage, in Público on-line

AD-Açores e Chega comprometem-se a criar condições de desenvolvimento económico para reduzir o “número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, mas nada acordaram sobre mudar as regras da sua atribuição.

O acordo de incidência parlamentar que a AD-Açores e o Chega assinaram para viabilizar um governo de direita na região propõe a redução do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, mas não faz referência à alteração das regras da sua atribuição. Tal mudança teria de passar pela Assembleia da República, em Lisboa, onde PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal, com os seus 85 deputados, estão muito longe da maioria necessária para alterar a lei.

“As regras do Rendimento Social de Inserção — a condição de recurso, assim como dos direitos e as obrigações — são nacionais”, explica ao PÚBLICO Pedro Mota Soares, ex-ministro da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. “O que é referido no acordo diz apenas respeito à fiscalização que é uma componente que pode, de facto, ser gerida a nível regional”, acrescenta.

“Os partidos comprometem-se a criar condições de desenvolvimento económico de modo a permitir a redução, até ao final da legislatura, do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção. Não dizem que vão mudar as regras, mas que vão reduzir o número através, nomeadamente, da fiscalização. Isto pode ser feito a nível regional”, conclui Pedro Mota Soares.

Bagão Félix, que também foi ministro da tutela num Governo de coligação PSD/CDS, concorda. "O Rendimento Social de Inserção pode ser ajustado, não tanto nos valores, mas nos procedimentos”, defende, confirmando que há margem para ajustes ao nível da fiscalização, por exemplo.

O acordo de sete páginas assinado por José Manuel Bolieiro (PSD-Açores), Artur Lima (CDS-Açores), Paulo Estevão (PPM-Açores) e Carlos Furtado (Chega-Açores) não tem metas concretas para a redução dos beneficiários, apesar de André Ventura ter sugerido um objectivo, durante a conferência de imprensa em que anunciou a existência de um acordo: a redução para metade do valor do Rendimento Social de Inserção no horizonte da legislatura (quatro anos) acompanhada da criação de um programa de trabalho para os beneficiários desta prestação social.

Sem envolver metas específicas e deixando de fora do acordo qualquer compromisso para alterar as regras vigentes a nível nacional, o que os partidos assinaram foi uma espécie de declaração de princípio. “Os partidos signatários comprometem-se, durante a actual legislatura, a criar condições de desenvolvimento económico, promoção da inclusão social, laboral, de competências pessoais, sociais e profissionais, quebrando o ciclo de pobreza, permitindo desta forma a reduzir até ao final da legislatura, através da inserção social e laboral, o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção”, lê-se no acordo.

O documento acrescenta ainda que esta redução visará apenas beneficiários “em idade activa, com capacidade trabalho e aumentando a sua colaboração com a comunidade onde estão inseridos e fiscalizando de modo eficiente a sua atribuição, considerando-se para o efeito actual situação económica da região”.

Ao que o PÚBLICO apurou, o que esteve na mente dos vários partidos foi sempre a “redução da subsidiodependência” através do aumento da fiscalização ao nível da atribuição da prestação social. Mudanças mais profundas obrigariam a um entendimento nacional que tem sido rejeitado de parte a parte e que não garantiria a aprovação no Parlamento de Lisboa.

O mesmo se passa em relação a uma eventual revisão constitucional: mesmo que PSD, CDS, Chega e IL se entendessem em alguns pontos (André Ventura sinalizou “a redução do número de deputados e a vontade [do PSD] de fazer uma profunda reforma no sistema de Justiça”), isso não bastaria para que as propostas fossem aprovadas — seriam sempre necessários dois terços dos votos dos deputados.

29.5.20

PSD quer reativar cantinas sociais e dar subsídios às famílias

Paula Sá, in DN

O líder do PSD apresentou esta quinta-feira um programa de emergência social, para responder à crise provocada pela pandemia de covid-19. Entre outras medidas, prevê-se a redução dos prazos para acesso ao subsídio de desemprego e subsídios eventuais às famílias para suprir perda de rendimentos.

Rui Rio avança com um programa de emergência social covid-19, com um conjunto de medidas que espera que o governo considere no seu plano de recuperação económica e social do país. O pagamento das dívidas ao setor social e solidário pela prestação de cuidados de saúde foi das primeiras defendidas neste "pacote". "É vital que o governo pague o que deve, senão a resposta será pior", disse o líder do PSD, realçando o papel das IPSS no apoio aos mais carenciados.

Ainda neste setor defendeu que o Estado deve promover a atualização extraordinária da comparticipação financeira da Segurança social relativa ao funcionamento dos equipamentos e serviços sociais para garantir a remuneração mínima mensal dos funcionários.

Rio defende também a reativação da rede solidária das cantinas sociais para "acudir à fome das famílias mais carenciadas" e com cobertura em todo o território nacional. O objetivo seria o de garantir o acesso a refeições diárias gratuitas em regime de take away para quem as conseguir cozinhar em casa e em espaços físicos para quem não tem essa possibilidade.

"É vital que o governo pague o que deve, senão a resposta será pior"

O programa prevê igualmente que possa vir a ser comparticipados os custos relacionados com a organização e desenvolvimento de projetos promovidos por grupos informais de cidadãos em regime de voluntariado, ao mesmo tempo que sejam incentivados o desenvolvimento desses projetos que sejam inovadores. A par da celebração de contratos locais de desenvolvimento social, instrumento considerado essencial para o combate à pobreza, em especial a infantil, e o envelhecimento.

Rui Rio quis também integrar neste programa uma preocupação especial com os sem abrigo e lembrou que essa é partilhada pelo Presidente da República. " À velocidade que a sociedade tem mudado impunha-se que este problema estivesse mais resolvido", defendeu. Pelo defende, entre outras coisas, "políticas articuladas de habitação" a esta população. Defendeu ainda o reforço do fundo de socorro social, que poderá prestar auxílio, entre outros, a famílias que se encontrem em situação de emergência social.

Apoio às famílias
No campo dos apoios às famílias, o PSD defende assim a redução dos prazos de garantia para aceder aos subsídios de desemprego e por cessação de atividade, tanto para trabalhadores a termo certo como incerto; o prolongamento do regime de lay-off até ao final do ano de 2020 "para as entidades empregadoras cujos setores de atividade tenham de permanecer encerrados por determinação legislativa ou administrativa, e ainda, para as entidades empregadoras que estejam com a sua atividade altamente reduzida em consequência da pandemia covid-19".

Está previsto um subsídio de caráter eventual às famílias, consubstanciado em prestações pecuniárias de natureza excional e transitória, destinados a colmatar situações de carência económica ou perda de rendimentos, nos seguintes domínios: Despesas com rendas; aquisição de bens e serviços de primeira necessidade nas áreas de alimentação, vestuário, habitação, saúde e transportes; aquisição de instrumentos de trabalho; aquisição de ajudas técnicas/produtos de apoio;

aquisição de computador ou tablet, para fins educativos; aquisição de outros bens e serviços ou realização de despesas consideradas necessárias após avaliação pelos serviços competentes da Segurança Social.

O PSD quer alargar igualmente a tarifa social de fornecimento de energia elétrica, em particular a famílias monoparentais, cujos rendimentos sejam iguais ou inferiores à remuneração mínima mensal garantida, ou seja, ao salário mínimo nacional. Defende também maior celeridade no pagamento dos subsídios sociais e familiares e das pensões. "Milhares de cidadãos esperam e desesperam pelo processamento e pagamento de subsídios e pensões. O Estado atrasa, adia, e não resolve!

É imperioso dar resposta rápida e eficaz, garantindo o pagamento pontual dos subsídios sociais e familiares, bem como, das pensões. Diminuir os tempos médios de processamento e pagamento deve ser prioridade da Segurança Social e do Centro Nacional de Pensões", refere o programa.

Reforçar o setor social
O PSD apostou ainda num conjunto de medidas estruturais de reforço da modernização do setor social e solidário, entre as quais a capacidade de no apoio ao domicílio serem integrados cuidados de saúde e de enfermagem; um aprofundamento da rede de cuidados continuados; a promoção dos projetos-piloto dos cuidadores informais; a alteração à Lei do Voluntariado, com valorização do tempo de apoio para efeitos de benefícios laborais e sociais.
O programa de emergência defende também uma revisão dos escalões do abono de família, alargando a base dos beneficiários; a ampliação da rede de creches e jardins de infância e a defesa do teletrabalho, com eventuais alterações ao Código do Trabalho.