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19.5.22

Bruxelas prevê novo boom no turismo mas com menos criação de emprego

Luís Reis Ribeiro, in DN

O FMI também destacou na avaliação anual a Portugal (Artigo IV) o papel decisivo do setor na retoma e espera que o turismo recupere totalmente da pandemia em 2023.

Portugal deverá experimentar uma nova vaga de crescimento muito rápido no turismo este ano e também no próximo, mas a criação de emprego associada deverá ser mais fraca do que no passado, refere a Comissão Europeia (CE) nas previsões económicas da primavera, ontem divulgadas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também destacou ontem, na avaliação anual ao País (Artigo IV), o papel deste setor na retoma e espera que o turismo recupere totalmente da pandemia em 2023.

Segundo a CE, "os Estados-membros com uma exposição significativa ao turismo registaram uma tendência ascendente na balança de serviços [o turismo estrangeiro é considerado uma exportação] em 2021 que se prevê que continue em 2022 e em 2023".

Pelas contas de Bruxelas, "os maiores aumentos projetados do excedente de serviços entre 2021 e 2023" devem acontecer na Grécia (mais 4,1 pontos percentuais ou p.p.), em Espanha (mais 3,2 p.p.) e Portugal (mais 2,9 pontos).

A Estónia também vai ser um impulso forte no excedente de serviços, mas não é tanto devido ao turismo, antes por causa das exportações de alta tecnologia.

"Esta tendência deverá amortecer o declínio na balança comercial de mercadorias em 2022 e reforçar o seu aumento em 2023 na maioria dos países do sul da Europa, onde o turismo internacional desempenha um papel importante na economia", observa a CE.

Nas novas previsões, Portugal aparece bem posicionado face aos seus pares europeus. Deverá registar um crescimento (revisto em alta) na ordem dos 5,8% este ano, o que significa que a economia portuguesa até consegue acelerar face a 2021 (cresceu 4,9% no ano passado) e registará assim o maior ritmo de recuperação da Europa (UE a 27 países).

Para a Comissão, "após o forte início do ano, o PIB [produto interno bruto] de Portugal deverá aumentar 5,8% em 2022, uma vez que o setor dos serviços, particularmente o turismo estrangeiro, deverá recuperar fortemente a partir de uma base baixa".

Recorde-se que em 2020 e parcialmente em 2021, o turismo foi quase interrompido pela pandemia e as pesadas restrições aos negócios e às viagens.

No entanto, apesar da exuberância esperada para o setor, a CE diz que não haverá um reflexo dessa magnitude no emprego e o desemprego continua a baixar, mas cada vez mais devagar.

Em todo o caso, a CE diz que o desemprego pode sair mais favorável do que prevê o governo. Bruxelas aponta para uma taxa de desemprego equivalente a 5,7% da população ativa, abaixo dos 6% do cenário das Finanças para 2022. Em 2023, a incidência do desemprego deve cai ligeiramente para 5,5%, diz o estudo da primavera.

A criação de emprego pode ser mais branda, diz a CE. A previsão para este ano é que o emprego nacional avance 1%. As contas do Terreiro do Paço dizem 1,3%.

Uma das explicações avançadas por Bruxelas é que, por exemplo, apesar de a economia dar um salto de quase 6% este ano, "a retoma do turismo estrangeiro deve gerar mais horas de trabalho do que novos empregos".

"Julgo que a reabertura do turismo português para um país que é mais baseado em turismo externo do que interno também teve um papel importante" no apuramento das novas previsões de crescimento, enfatizou Paolo Gentiloni, o comissário europeu da Economia, na conferência de imprensa que decorreu ontem em Bruxelas.

Mais inflação, mas a mais leve da Europa

A inflação portuguesa prevista para este ano sofreu uma forte revisão em alta face a fevereiro (era 2,3%, agora já vai em 4,4%), mas está visivelmente abaixo da média da zona euro. Em todo o caso, o fenómeno pode perturbar e enfraquecer a retoma se persistir, puxando pelo aumento das taxas de juro e corroendo ainda o poder de compra, por exemplo.

Na zona euro, os preços devem aumentar, em média, 6,1%, uma marca que está três vezes acima da meta desejada pelo Banco Central Europeu (2%). Significa, pois, que a pressão para subir taxas de juro é grande e cada vez maior.

Ainda relativamente a Portugal, a CE reafirma que a inflação alta deve ser temporária, "devendo atingir um pico no segundo trimestre deste ano e depois tornar-se gradualmente mais moderada a partir daí [de junho]". Em 2023, a inflação prevista ronda os 1,9%.

3.5.21

1.º Maio: Governo da Madeira prevê redução da taxa de desemprego a partir deste mês

in Sapo24

O Governo Regional da Madeira prevê que a taxa desemprego no arquipélago - 10,7% - comece a baixar a partir do final de maio, com a reabertura do setor do turismo, disse hoje a secretária regional de Inclusão Social.

"Pensamos que, neste momento, com as medidas que estão a ser implementadas e com a recuperação do setor turístico, que pensamos que vai acontecer já no final deste mês de maio, vai haver aqui uma inversão e vamos conseguir diminuir a taxa de desemprego", declarou Augusta Aguiar.

A governante, que falava na cerimónia de deposição de flores no Monumento ao Trabalhador Madeirense (peça escultórica da autoria de Ângelo Teixeira), na Avenida Sá Carneiro, no Funchal, no âmbito das comemorações do 1.º de Maio, afirmou que “mais do que os números, o que interessa é que são pessoas", indicando que o número de desempregados na região era de 20.182 no final de 2020, segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do EUROSTAT - Gabinete de Estatísticas da União Europeia.

"O que nos preocupa é criar as condições para que este número seja diminuído rapidamente e que a Região Autónoma da Madeira volte a ser como era antes da pandemia, a região com a taxa mais baixa de desemprego - 5,6% -, abaixo da taxa nacional e da taxa da União Europeia", reforçou.

Augusta Aguiar indicou que, em 2020, foram investidos 23,6 milhões de euros de apoio direto aos trabalhadores e 68 milhões através das empresas, nas áreas tuteladas pela Secretaria Regional de Inclusão Social e Cidadania, o que travou a taxa de desemprego nos 10,7%, quando as previsões iniciais apontavam para valores entre 13% e 18,5%.

"Contudo, como é lógico, não é uma taxa de desemprego que nos satisfaça", disse, reforçando: "Queremos baixar esta taxa de desemprego, queremos fomentar o emprego, queremos dar proteção social aos trabalhadores".

11.5.12

Desemprego aumenta e défice derrapa

Daniel do Rosário, in Expresso on-line

Comissrio europeu reitera que Portugal "está no caminho certo". Mas os números do desemprego estão acima das previsões.

O desemprego em Portugal vai atingir os 15,5% este ano, devendo cair ligeiramente para 15,1% em 2013, acima das previsões do governo, que já admitiam uma deterioração da situação.

Estes dados constam das previsões económicas de Primavera da Comissão Europeia divulgadas esta manhã em Bruxelas. Tanto em relação a este ano, como ao próximo, estas previsões são superiores às do governo em um ponto percentual.

Também em relação à redução do défice orçamental a Comissão é mais pessimista, antecipando o incumprimento das metas traçadas para este ano. Em vez dos 4,5% esperados no Outono, Bruxelas aponta agora para um valor de 4,7%. A Comissão não refere a necessidade de o governo implementar novas medidas de austeridade para garantir o cumprimento do valor original, mas alerta para a necessidade de uma "execução orçamental mais rigorosa" até ao final do ano.

Questionado sobre se Portugal terá que reforçar a austeridade este para cumprir a meta prevista, na conferência de imprensa em que apresentou estes dados, Olli Rehn, o comissário europeu responsável pelos assuntos económicos e monetários, não respondeu à questão. E deixou igualmente sem explicação a evolução da taxa de desemprego no país, reiterando que a implementação do programa de ajustamento negociado com a UE e o FMI "está no caminho certo".

Nestas previsões a Comissão revê igualmente em baixa o crescimento da economia portuguesa, antecipando uma contracção mais importante do que o esperado. Os novos dados apontam para um encolhimento de 3,3% este ano, em vez de 3% e para um crescimento de apenas 0,3% em 2013, metade do antecipado pelo governo.

Esta deterioração é explicada por Bruxelas pela evolução negativa da situação externa, nomeadamente dos principais parceiros comerciais de Portugal, com Espanha à cabeça, o que vai prejudicar as exportações portuguesas, que têm continuado a ser o principal motor da economia.

A Comissão antecipa ainda a derrapagem do défice orçamental de Espanha (6,4% em 2012, 6,3% em 2013), França (4,5% e 4,2%) e Holanda (4,4% e 4,6%). Desta forma, todos estes países falham a meta de reduzir os respectivos défices para valores inferiores a 3% em 2013, o que relança a discussão em torno da flexibilização destas metas.

Para já a Comissão limita-se a reafirmar que "confia" na determinação dos governos em causa em cumprirem os objectivos traçados e remete uma avaliação definitiva para o final deste mês.