Magali Druscovich (Reuters), in Público on-line
A “peste branca”, ligada à pobreza, que estava em declínio desde os anos 1980, vem aumentando desde 2013. No ano passado registaram-se mais de dez mil casos.
Num subúrbio pobre de Buenos Aires, os jeans e o casaco de Cristina Molina escondem a sua figura doente, legado de anos de fraca dieta que a deixou susceptível à tuberculose que contraiu no princípio deste ano, uma doença ligada à pobreza que voltou a assolar a Argentina.
Molina, de 26 anos, vive com os pais, seis irmãos e quatro sobrinhos em Lujan, nos subúrbios de Buenos Aires. Os médicos acham que um dos irmãos contraiu a doença na prisão e depois espalhou-a pela família ao voltar para casa.
Mascarados contra o estigma, os engraxadores bolivianos impõem respeito
Os casos de “peste branca”, ligada à má nutrição e fraca qualidade das casas, têm vindo a aumentar à medida que a terceira maior economia da América Latina se vê afectada por crises económicas.
A recessão actual e a constante subida dos preços está a empurrar cada vez mais gente para baixo do limiar da pobreza, que se mantém acima de 35% desde o princípio do ano. “A tuberculose é o dano colateral da pobreza”, afirma Laura Lagrutta, especialista argentina em doenças respiratórias que trata crianças com a doença.
Segundo os últimos números da Organização Mundial de Saúde, na Argentina registaram-se 10.320 casos de tuberculose, entre novos e recidivas, em 2018.
Marcela Natiello, coordenadora nacional do programa de controlo de tuberculose e lepra, afirma que a tendência de declínio desde os anos 1980 reverteu-se em 2013, devido a “causas múltiplas e complexas”.
“A tuberculose afecta principalmente as populações mais vulneráveis, com baixos recursos económicos, residentes em ambientes pobres, mal ventilados e cheios de gente”, explicou Marcela Natiello, salientando que mais de metade dos casos na Argentina foram diagnosticados nas zonas populosas dos subúrbios de Buenos Aires.
Dizem os médicos que o crescimento do número de infectados com tuberculose está a provocar problemas nas alas dos hospitais usadas para o tratamento de pacientes com a doença,
Patricia Figueroa, assistente social no Hospital Muñiz, destinado ao tratamento de doenças infecto-contagiosas, afirma que a unidade está a passar por dificuldades para atender todos os pacientes com tuberculose, um número que classifica como “um recorde na história recente”.
“Devido à sobrelotação, o hospital está a dar alta a pacientes com baixo risco de contágio por forma a receber os de maior risco, o que é muito perigoso”, diz, acrescentando que o hospital estuda actualmente a forma de instalar mais camas noutras enfermarias para receber mais pessoas.
Na Villa 31, Luli, de 19 anos, esteve a ser tratada durante um ano depois de contrair a doença quando estava grávida, por sorte, a sua bebé não foi infectada. Ela, o companheiro e a criança vivem numa casa de uma assoalhada sem casa de banho. “Estamos sempre a mudar de casa por causa das rendas muito altas”, explica.
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Brigida Simaniz vive em Bajo Flores e acabou o seu tratamento da tuberculose em Maio. Ela e os dois filhos dormem na mesma cama e o medo de infectar as crianças levou-a a muitas vezes “abrir as janelas do quarto para fazer circular o ar”, mesmo no Inverno, quando fazia muito frio. “Segui à risca o tratamento dos médicos com medo de infectar os meus filhos”, disse.
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5.11.19
11.2.16
Há cerca de 80 mil crianças por tomar a vacina contra a tuberculose
Arlinda Brandão, in "Antena 1"
A vacina contra a tuberculose esteve esgotada, volta a ser distribuída, mas não é para todos. Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS) apenas quinze mil crianças vão receber a vacina contra a BCG, devido a estarem já referenciadas como potencial grupo de risco.
Os centros de saúde e médicos vão identificar e selecionar, nos próximos dias, as crianças de risco a serem vacinadas contra a tuberculose.
Crianças que estão mais expostas como por exemplo, filhos de imigrantes, infetados com VIH ou casos de alcoolismo.
Casos de risco extremo mas a comissão técnica da DGS prepara-se mesmo para propor ao ministro da saúde que a vacina da BCG passe apenas a ser administrada a crianças de risco.
Dentro do grupo que não vai receber a vacina estão cerca de 65 mil crianças que a DGS diz que “a probabilidade de contraírem tuberculose é mínimo.”
A vacina contra a tuberculose esteve esgotada, volta a ser distribuída, mas não é para todos. Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS) apenas quinze mil crianças vão receber a vacina contra a BCG, devido a estarem já referenciadas como potencial grupo de risco.
Os centros de saúde e médicos vão identificar e selecionar, nos próximos dias, as crianças de risco a serem vacinadas contra a tuberculose.
Crianças que estão mais expostas como por exemplo, filhos de imigrantes, infetados com VIH ou casos de alcoolismo.
Casos de risco extremo mas a comissão técnica da DGS prepara-se mesmo para propor ao ministro da saúde que a vacina da BCG passe apenas a ser administrada a crianças de risco.
Dentro do grupo que não vai receber a vacina estão cerca de 65 mil crianças que a DGS diz que “a probabilidade de contraírem tuberculose é mínimo.”
Vacina contra a tuberculose está esgotada em Portugal há quase um ano
In "Antena 1"
Vacina esgotou em maio do ano passado e não há registo de quando vão ser repostos os estoques. No centro de Saúde de Arca d’agua no Porto há dezenas de crianças à espera e os país começam a ficar preocupados.
A vacina contra a tuberculose está esgotada, em Portugal, há quase um ano e a reposição deste medicamento está a ser feito faseadamente mas não dá para dar vazão á inúmera lista de espera.
As ordens são para dar a vacina da BCG prioritariamente às crianças em risco deixando as outras em lista de espera.
Vacina esgotou em maio do ano passado e não há registo de quando vão ser repostos os estoques. No centro de Saúde de Arca d’agua no Porto há dezenas de crianças à espera e os país começam a ficar preocupados.
A vacina contra a tuberculose está esgotada, em Portugal, há quase um ano e a reposição deste medicamento está a ser feito faseadamente mas não dá para dar vazão á inúmera lista de espera.
As ordens são para dar a vacina da BCG prioritariamente às crianças em risco deixando as outras em lista de espera.
9.11.15
Mais álcool e tuberculose no Norte, VIH e suicídios a Sul
Diana Melo, in Diário de Notícias
Mais de 50 agrupamentos de centros de saúde definiram grandes metas para os próximos anos
Um país desigual na saúde precisa de metas que reduzam as desigualdades. As doenças cardiovasculares e os cancros são as mais fatais para os portugueses e também as que mais mortes causam antes do esperado (70 anos). Localmente, há desafios distintos às populações: as doenças relacionadas com o álcool, como cirroses e hepatites, causam muitas mortes prematuras no Norte e no Centro. Os suicídios distribuem-se mais pelo Sul do país e doenças como a tuberculose mantêm-se em força nos maiores centros urbanos. A nível local, mais de 50 regiões já definiram as suas prioridades e estratégias para aproximar a sua saúde das melhores metas do país.
O Plano Nacional de Saúde, editado pela Direção-Geral da Saúde, foi estendido até 2020 e é o documento-base das estratégias nesta área. Pela primeira vez, vê cumprido um dos seus desígnios, "influenciar as estratégias locais de saúde", diz ao DN o coordenador do PNS, Rui Portugal.
O trabalho "no bairro" vem plasmado na "Resenha dos planos de saúde: nacional, regionais, locais", em que são definidas as prioridades de saúde para dois a três anos. "Cada região tem diferenças demográficas, de mortalidade, morbilidade ou no acesso à saúde. A ideia agora é dar recursos e responsabilizar os gestores pelas decisões de planeamento, contratualização, gestão de recursos e boas práticas. Queremos que intervenham onde há mais necessidade", explica.
O Norte define como prioridades os tumores do pulmão e do estômago, mas também a doença pulmonar obstrutiva crónica e as doenças do fígado e cirrose, por serem as maiores causas de morte prematura, acima da média do país.
O tabaco, o álcool e a hipertensão são os principais fatores de risco numa zona do país onde a tuberculose tem ainda muitos casos novos por ano, apesar de a taxa ser progressivamente mais baixa.
Pelo menos metade dos planos (25 na região) definem-na como prioritária. O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Porto VI tinha uma taxa de 48 casos por cem mil, o dobro da meta da Organização Mundial da Saúde. O objetivo é baixar para 30 em 2016.
E os ACES definem medidas como rastreios rápidos - mesmo a contactos dos doentes -, o cumprimento dos tratamentos, a visita a doentes faltosos ou a toma de medicação assistida.
Álcool e acidentes
Os problemas associados ao álcool, como as hepatites, as cirroses e cancros são prioritários nas regiões Norte e Centro. Estas patologias são, aliás, a terceira causa de morte na região antes dos 70 anos, depois do cancro da mama e dos acidentes de viação, estes muitas vezes relacionados com os consumos abusivos. E para eles são definidas consultas de desintoxicação, como as do tabaco, mas também programas de reinserção dos doentes.
No Algarve, a tuberculose ou as doenças ligadas ao álcool têm menos peso, mas não os acidentes de transporte. No ACES Algarve III a taxa é muito superior à média, com 14,5 mortos por cem mil habitantes. No Algarve há muitos casos novos de VIH/sida e falhas graves no acesso a rastreios na área do cancro, que podem afetar as metas.
Em Lisboa, os planos locais já entregues também destacam a tuberculose e a infeção VIH/sida, o cancro, as doenças mentais e ligadas aos idosos, além das mais frequentes em Portugal. Na Amadora, por exemplo, as mortes prematuras chegam a ser quatro vezes superiores à média no VIH e no cancro.
Se os suicídios começam a aumentar em regiões menos habituais, nos planos locais de saúde eles têm mais visibilidade na região do Algarve e do Alentejo. As Unidades Locais de Saúde alentejanas trabalham estas matérias, a depressão e doenças mentais com maiores apoios na comunidade: preparação para o luto, envelhecimento ativo, educação no uso de medicação, acompanhamento em consulta e por outros profissionais.
Mais de 50 agrupamentos de centros de saúde definiram grandes metas para os próximos anos
Um país desigual na saúde precisa de metas que reduzam as desigualdades. As doenças cardiovasculares e os cancros são as mais fatais para os portugueses e também as que mais mortes causam antes do esperado (70 anos). Localmente, há desafios distintos às populações: as doenças relacionadas com o álcool, como cirroses e hepatites, causam muitas mortes prematuras no Norte e no Centro. Os suicídios distribuem-se mais pelo Sul do país e doenças como a tuberculose mantêm-se em força nos maiores centros urbanos. A nível local, mais de 50 regiões já definiram as suas prioridades e estratégias para aproximar a sua saúde das melhores metas do país.
O Plano Nacional de Saúde, editado pela Direção-Geral da Saúde, foi estendido até 2020 e é o documento-base das estratégias nesta área. Pela primeira vez, vê cumprido um dos seus desígnios, "influenciar as estratégias locais de saúde", diz ao DN o coordenador do PNS, Rui Portugal.
O trabalho "no bairro" vem plasmado na "Resenha dos planos de saúde: nacional, regionais, locais", em que são definidas as prioridades de saúde para dois a três anos. "Cada região tem diferenças demográficas, de mortalidade, morbilidade ou no acesso à saúde. A ideia agora é dar recursos e responsabilizar os gestores pelas decisões de planeamento, contratualização, gestão de recursos e boas práticas. Queremos que intervenham onde há mais necessidade", explica.
O Norte define como prioridades os tumores do pulmão e do estômago, mas também a doença pulmonar obstrutiva crónica e as doenças do fígado e cirrose, por serem as maiores causas de morte prematura, acima da média do país.
O tabaco, o álcool e a hipertensão são os principais fatores de risco numa zona do país onde a tuberculose tem ainda muitos casos novos por ano, apesar de a taxa ser progressivamente mais baixa.
Pelo menos metade dos planos (25 na região) definem-na como prioritária. O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Porto VI tinha uma taxa de 48 casos por cem mil, o dobro da meta da Organização Mundial da Saúde. O objetivo é baixar para 30 em 2016.
E os ACES definem medidas como rastreios rápidos - mesmo a contactos dos doentes -, o cumprimento dos tratamentos, a visita a doentes faltosos ou a toma de medicação assistida.
Álcool e acidentes
Os problemas associados ao álcool, como as hepatites, as cirroses e cancros são prioritários nas regiões Norte e Centro. Estas patologias são, aliás, a terceira causa de morte na região antes dos 70 anos, depois do cancro da mama e dos acidentes de viação, estes muitas vezes relacionados com os consumos abusivos. E para eles são definidas consultas de desintoxicação, como as do tabaco, mas também programas de reinserção dos doentes.
No Algarve, a tuberculose ou as doenças ligadas ao álcool têm menos peso, mas não os acidentes de transporte. No ACES Algarve III a taxa é muito superior à média, com 14,5 mortos por cem mil habitantes. No Algarve há muitos casos novos de VIH/sida e falhas graves no acesso a rastreios na área do cancro, que podem afetar as metas.
Em Lisboa, os planos locais já entregues também destacam a tuberculose e a infeção VIH/sida, o cancro, as doenças mentais e ligadas aos idosos, além das mais frequentes em Portugal. Na Amadora, por exemplo, as mortes prematuras chegam a ser quatro vezes superiores à média no VIH e no cancro.
Se os suicídios começam a aumentar em regiões menos habituais, nos planos locais de saúde eles têm mais visibilidade na região do Algarve e do Alentejo. As Unidades Locais de Saúde alentejanas trabalham estas matérias, a depressão e doenças mentais com maiores apoios na comunidade: preparação para o luto, envelhecimento ativo, educação no uso de medicação, acompanhamento em consulta e por outros profissionais.
8.1.14
Tuberculose aumenta pela primeira vez desde 2002 no Norte
Alexandra Campos, in Público on-line
Ainda é cedo para retirar conclusões, mas responsáveis avisam que no futuro poderá ser mais difícil controlar a doença na comunidade.
Pela primeira vez numa década, o número de novos casos de tuberculose aumentou em 2012 no Norte, a região do país mais afectada pela doença. Apesar de o aumento ser ligeiro (1,5% face a 2011), a inversão da tendência de decréscimo que se verificava desde 2002 é destacada no relatório “A Tuberculose na Região de Saúde do Norte” que foi divulgado nesta terça-feira no portal da saúde.
“Não sabemos em que medida esta tendência registada em 2012 [mais 16 casos] reflecte uma melhoria da qualidade do sistema de vigilância, um aumento na detecção de casos ou um aumento do risco de contrair a doença”, ponderam os autores do documento. Mas deixam, desde logo, um aviso: “Se considerarmos a situação de crise socioeconómica que o país atravessa e o consequente agravamento dos determinantes sociais da tuberculose, é de prever que no futuro haja uma maior dificuldade de controlo da doença na comunidade”. Uma apreciação global dos principais indicadores da evolução da tuberculose na região “permite indiciar um eventual agravamento da situação epidemiológica da doença nos próximos anos”, acrescentam.
No total, na região Norte em 2012 foram diagnosticados 1080 casos, 83 dos quais foram retratamentos. O aumento face a 2011 aconteceu justamente “à custa dos casos com localização pulmonar e dos retratamentos”, acentuam os autores do relatório. O risco de contrair tuberculose está concentrado nas áreas urbanas, mas “em algumas regiões do interior a incidência de tuberculose tem-se mantido estável ou tem, até, aumentado”.
Apesar de se mostrar “preocupada” com a situação, Ana Maria Correia, que é coordenadora do Programa de Luta contra a Tuberculose na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, alerta que é preciso olhar para estes números com cautela. “Podem significar apenas que diagnosticamos mais casos e não que o risco de contrair a doença tenha aumentado”, explica, lembrando que a tuberculose é muitas vezes de diagnóstico tardio.
Mas não poderá este constituir já um sinal dos efeitos da crise? “A crise até pode ter o efeito contrário. Por terem menos possibilidades, as pessoas recorrem mais tardiamente aos serviços de saúde, o que se reflecte numa falsa diminuição de incidência. Vamos ver o que aconteceu em 2013”, afirma, prudente. Ana Maria Correia recorda ainda que desde 2010 se observava já uma “lentificação” do decréscimo do número de novos casos de tuberculose – antes disso, a diminuição da incidência da doença estava a acontecer ao ritmo de quase 5% ao ano. “Estamos com uma atenção redobrada”, garante.
Mesmo pedindo cautela na interpretação dos números, Ana Maria Correia não deixa de frisar que em tempos de crise é necessário “reforçar a resposta” e criar condições para que as pessoas continuem a ter acesso fácil aos serviços de saúde.
Uma necessidade que também aparece sublinhada no relatório agora divulgado. No actual contexto, sustentam os autores do documento, “é da maior importância manter ou até reforçar a resposta dos serviços de saúde ao problema da tuberculose, procurando colmatar os constrangimentos nos recursos humanos disponíveis”, nomeadamente “garantindo condições para que os doentes cumpram o tratamento até ao fim”.
Os últimos dados a nível nacional disponibilizados no final do ano passado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) indicavam que, em todo o país, a variação no número de casos de tuberculose tinha estabilizado em 2012 (2599, menos 0,5% do que em 2011). Apesar disso e do decréscimo constante verificado ao longo dos últimos anos, Portugal continua a ser um país de incidência intermédia, com uma taxa acima dos 20 por 100 mil habitantes. O relatório divulgado pela DGS recomendava aliás igualmente que se mantivesse a estabilidade e assegurasse uma estratégia de desenvolvimento dos recursos humanos afectos ao Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose. Chamava ainda a atenção para outro fenómeno, também destacado no documento da ARS do Norte: a tendência para a diminuição dos testes VIH nestes doentes.
Ainda é cedo para retirar conclusões, mas responsáveis avisam que no futuro poderá ser mais difícil controlar a doença na comunidade.
Pela primeira vez numa década, o número de novos casos de tuberculose aumentou em 2012 no Norte, a região do país mais afectada pela doença. Apesar de o aumento ser ligeiro (1,5% face a 2011), a inversão da tendência de decréscimo que se verificava desde 2002 é destacada no relatório “A Tuberculose na Região de Saúde do Norte” que foi divulgado nesta terça-feira no portal da saúde.
“Não sabemos em que medida esta tendência registada em 2012 [mais 16 casos] reflecte uma melhoria da qualidade do sistema de vigilância, um aumento na detecção de casos ou um aumento do risco de contrair a doença”, ponderam os autores do documento. Mas deixam, desde logo, um aviso: “Se considerarmos a situação de crise socioeconómica que o país atravessa e o consequente agravamento dos determinantes sociais da tuberculose, é de prever que no futuro haja uma maior dificuldade de controlo da doença na comunidade”. Uma apreciação global dos principais indicadores da evolução da tuberculose na região “permite indiciar um eventual agravamento da situação epidemiológica da doença nos próximos anos”, acrescentam.
No total, na região Norte em 2012 foram diagnosticados 1080 casos, 83 dos quais foram retratamentos. O aumento face a 2011 aconteceu justamente “à custa dos casos com localização pulmonar e dos retratamentos”, acentuam os autores do relatório. O risco de contrair tuberculose está concentrado nas áreas urbanas, mas “em algumas regiões do interior a incidência de tuberculose tem-se mantido estável ou tem, até, aumentado”.
Apesar de se mostrar “preocupada” com a situação, Ana Maria Correia, que é coordenadora do Programa de Luta contra a Tuberculose na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, alerta que é preciso olhar para estes números com cautela. “Podem significar apenas que diagnosticamos mais casos e não que o risco de contrair a doença tenha aumentado”, explica, lembrando que a tuberculose é muitas vezes de diagnóstico tardio.
Mas não poderá este constituir já um sinal dos efeitos da crise? “A crise até pode ter o efeito contrário. Por terem menos possibilidades, as pessoas recorrem mais tardiamente aos serviços de saúde, o que se reflecte numa falsa diminuição de incidência. Vamos ver o que aconteceu em 2013”, afirma, prudente. Ana Maria Correia recorda ainda que desde 2010 se observava já uma “lentificação” do decréscimo do número de novos casos de tuberculose – antes disso, a diminuição da incidência da doença estava a acontecer ao ritmo de quase 5% ao ano. “Estamos com uma atenção redobrada”, garante.
Mesmo pedindo cautela na interpretação dos números, Ana Maria Correia não deixa de frisar que em tempos de crise é necessário “reforçar a resposta” e criar condições para que as pessoas continuem a ter acesso fácil aos serviços de saúde.
Uma necessidade que também aparece sublinhada no relatório agora divulgado. No actual contexto, sustentam os autores do documento, “é da maior importância manter ou até reforçar a resposta dos serviços de saúde ao problema da tuberculose, procurando colmatar os constrangimentos nos recursos humanos disponíveis”, nomeadamente “garantindo condições para que os doentes cumpram o tratamento até ao fim”.
Os últimos dados a nível nacional disponibilizados no final do ano passado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) indicavam que, em todo o país, a variação no número de casos de tuberculose tinha estabilizado em 2012 (2599, menos 0,5% do que em 2011). Apesar disso e do decréscimo constante verificado ao longo dos últimos anos, Portugal continua a ser um país de incidência intermédia, com uma taxa acima dos 20 por 100 mil habitantes. O relatório divulgado pela DGS recomendava aliás igualmente que se mantivesse a estabilidade e assegurasse uma estratégia de desenvolvimento dos recursos humanos afectos ao Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose. Chamava ainda a atenção para outro fenómeno, também destacado no documento da ARS do Norte: a tendência para a diminuição dos testes VIH nestes doentes.
15.7.13
Crise aumenta casos de suicídio e de tuberculose
in Notícias ao Minuto
A crise económica está a acentuar a existência de depressões e de tendências suicidas em Lisboa, principalmente entre a população masculina, revela um relatório apresentado hoje, que vai servir de base a um plano de saúde para o concelho.
O relatório “Retrato de Saúde de Lisboa”, com dados de 2012, destaca ainda como preocupante o aumento de casos de tuberculose e de incidência de tumores e o envelhecimento da população e foi apresentado por António Tavares, delegado regional de saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
António Tavares destacou que a pobreza e a crise económica estão a levar ao aumento da depressão e do suicídio, predominantemente entre os novos pobres, relacionados com a crise socioeconómica. “Ser pobre não é um modo de vida, por vezes é um modo de morte”, considerou.
Em 2012 registaram-se 37 casos de suicídios no concelho, sobretudo na população masculina entre os 45 e os 64 anos.
“Com o desemprego, a pessoa sente-se diminuída, há a perda de laços afetivos com os colegas de trabalho, sente-se diminuído em casa, entra em depressão, pode chegar ao alcoolismo e, se esta tendência não for travada, pode levar ao suicídio”, afirmou.
Em Lisboa, a prevalência de doentes mentais situa-se nas 28 pessoas por cada 100.000 habitantes, quando no país a prevalência é de seis por cada 100.000 habitantes.
O doente padrão de doença mental, de acordo com este estudo, é homem, tem entre 30 a 60 anos e apresenta agressividade, psicose e/ou esquizofrenia.
“Há também um ligeiro aumento de tuberculose, depois de ter havido uma queda, o que nos está a preocupar. É das situações com as quais estou mais preocupado”, disse, destacando que “a pobreza é uma situação que pode conduzir a esta situação”, devido às condições ambientais e de habitat, onde os mais pobres “vivem mais expostos a situações de risco”.
No ano passado, houve 217 casos declarados de tuberculose, mais frequente em homens dos 35 aos 44 anos, quando em 2010 foram 183 os casos e em 2011 se registaram 194.
Este aumento poderá estar relacionado com “a crise socioeconómica e o aumento da resistência do organismo bacteriológico, mas também haverá alguma ineficiência dos serviços de saúde, porque há casos não detetados a tempo”, acrescentou.
Também a prevalência de casos de tumores é “muito importante” no concelho de Lisboa, sobretudo “os tumores que podem ser detetados precocemente”, como os da mama, do cólon e do reto.
Para o plano de saúde do concelho, António Tavares sugere a criação de observatórios de saúde, de uma ‘task force’ para selecionar indicadores e fazer recomendações e o desenvolvimento de redes de entreajuda, com o envolvimento da comunidade, para ultrapassar problemas de solidão, minimizar assimetrias e promover a solidariedade intergeracional.
Estas redes serão muito importantes, porque o relatório também realça que a população do concelho diminuiu entre 2001 e 2011 e está envelhecida.
As pessoas com mais de 64 anos representam 24% da população e há um índice de 37,8% de idosos que são dependentes.
Cerca de “65% de mulheres e de 35% de homens vivem em famílias unipessoais. Este é um dado importante. As pessoas que vivem sozinhas estão mais vulneráveis”, salientou.
O relatório cita ainda um estudo realizado na região de Lisboa (NUT II), em 2012, que revela que em cada mil pessoas 46 referem ter muita dificuldade ou não conseguir tomar banho ou vestir-se sozinhas e 97 referem ter muita dificuldade ou não conseguir andar ou subir.
Nos próximos meses a autarquia deverá elaborar um plano de saúde para Lisboa com base no documento hoje apresentado, para ser aprovado no início do próximo mandato, e que decorre da participação de Lisboa na Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis, uma associação de municípios que pretende “promover a saúde e a qualidade de vida dos seus munícipes”.
A crise económica está a acentuar a existência de depressões e de tendências suicidas em Lisboa, principalmente entre a população masculina, revela um relatório apresentado hoje, que vai servir de base a um plano de saúde para o concelho.
O relatório “Retrato de Saúde de Lisboa”, com dados de 2012, destaca ainda como preocupante o aumento de casos de tuberculose e de incidência de tumores e o envelhecimento da população e foi apresentado por António Tavares, delegado regional de saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
António Tavares destacou que a pobreza e a crise económica estão a levar ao aumento da depressão e do suicídio, predominantemente entre os novos pobres, relacionados com a crise socioeconómica. “Ser pobre não é um modo de vida, por vezes é um modo de morte”, considerou.
Em 2012 registaram-se 37 casos de suicídios no concelho, sobretudo na população masculina entre os 45 e os 64 anos.
“Com o desemprego, a pessoa sente-se diminuída, há a perda de laços afetivos com os colegas de trabalho, sente-se diminuído em casa, entra em depressão, pode chegar ao alcoolismo e, se esta tendência não for travada, pode levar ao suicídio”, afirmou.
Em Lisboa, a prevalência de doentes mentais situa-se nas 28 pessoas por cada 100.000 habitantes, quando no país a prevalência é de seis por cada 100.000 habitantes.
O doente padrão de doença mental, de acordo com este estudo, é homem, tem entre 30 a 60 anos e apresenta agressividade, psicose e/ou esquizofrenia.
“Há também um ligeiro aumento de tuberculose, depois de ter havido uma queda, o que nos está a preocupar. É das situações com as quais estou mais preocupado”, disse, destacando que “a pobreza é uma situação que pode conduzir a esta situação”, devido às condições ambientais e de habitat, onde os mais pobres “vivem mais expostos a situações de risco”.
No ano passado, houve 217 casos declarados de tuberculose, mais frequente em homens dos 35 aos 44 anos, quando em 2010 foram 183 os casos e em 2011 se registaram 194.
Este aumento poderá estar relacionado com “a crise socioeconómica e o aumento da resistência do organismo bacteriológico, mas também haverá alguma ineficiência dos serviços de saúde, porque há casos não detetados a tempo”, acrescentou.
Também a prevalência de casos de tumores é “muito importante” no concelho de Lisboa, sobretudo “os tumores que podem ser detetados precocemente”, como os da mama, do cólon e do reto.
Para o plano de saúde do concelho, António Tavares sugere a criação de observatórios de saúde, de uma ‘task force’ para selecionar indicadores e fazer recomendações e o desenvolvimento de redes de entreajuda, com o envolvimento da comunidade, para ultrapassar problemas de solidão, minimizar assimetrias e promover a solidariedade intergeracional.
Estas redes serão muito importantes, porque o relatório também realça que a população do concelho diminuiu entre 2001 e 2011 e está envelhecida.
As pessoas com mais de 64 anos representam 24% da população e há um índice de 37,8% de idosos que são dependentes.
Cerca de “65% de mulheres e de 35% de homens vivem em famílias unipessoais. Este é um dado importante. As pessoas que vivem sozinhas estão mais vulneráveis”, salientou.
O relatório cita ainda um estudo realizado na região de Lisboa (NUT II), em 2012, que revela que em cada mil pessoas 46 referem ter muita dificuldade ou não conseguir tomar banho ou vestir-se sozinhas e 97 referem ter muita dificuldade ou não conseguir andar ou subir.
Nos próximos meses a autarquia deverá elaborar um plano de saúde para Lisboa com base no documento hoje apresentado, para ser aprovado no início do próximo mandato, e que decorre da participação de Lisboa na Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis, uma associação de municípios que pretende “promover a saúde e a qualidade de vida dos seus munícipes”.
23.3.12
Serviços de saúde devem estar atentos a sinais de precariedade - especialista
in RTP
O coordenador do Programa Nacional de Luta Contra a Tuberculose em Portugal alertou hoje para a necessidade dos serviços de saúde estarem atentos aos sinais de precariedade que podem levar ao aumento desta doença.
A propósito do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinala sábado, António Fonseca Antunes reconheceu que o aumento de casos de fome preocupa as autoridades, embora existam outros "fatores sociais" que podem levar ao aumento da doença.
"A tuberculose está associada à fome, mas não só", disse.
Por esta razão, António Fonseca Antunes defende que os serviços de saúde devem estar "especialmente atentos ao fenómeno".
"Os serviços de saúde têm de estar atentos ao fenómeno, porque a grande maioria dos casos de tuberculose é detetada quando as pessoas se sentem doentes e vão à procura de ajuda clínica", disse.
Em relação aos níveis da doença em Portugal, António Fonseca Antunes confirmou a tendência dos últimos dez anos de descida, a um ritmo de 6,4 por cento ao ano.
Em 2011, foram notificados 2.231 novos casos, mais 157 retratamentos.
Portugal continua um país de incidência intermédia na Europa, prevendo António Fonseca Antunes que passe para uma incidência baixa dentro de dois anos.
Este ano, em que se assinala o 130.º ano da descoberta do bacilo da tuberculose por Robert Koch, o lema do Dia Mundial da Tuberculose é "Melhor é Possível, Stop à TB".
A iniciativa é promovida pela Parceria Stop à TB (Stop TB Partnership), uma rede de organizações e países de combate à tuberculose.
Em 2010, em todo o mundo, o número de pessoas que a contraíram diminuiu para 8,8 milhões, incluindo 1,1 milhões de pessoas infetadas com o VIH.
O número de novos casos tem vindo a diminuir desde 2005, mas de forma muito lenta e acompanhada da ameaça da Tuberculose Multirresistente (TBMR).
O coordenador do Programa Nacional de Luta Contra a Tuberculose em Portugal alertou hoje para a necessidade dos serviços de saúde estarem atentos aos sinais de precariedade que podem levar ao aumento desta doença.
A propósito do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinala sábado, António Fonseca Antunes reconheceu que o aumento de casos de fome preocupa as autoridades, embora existam outros "fatores sociais" que podem levar ao aumento da doença.
"A tuberculose está associada à fome, mas não só", disse.
Por esta razão, António Fonseca Antunes defende que os serviços de saúde devem estar "especialmente atentos ao fenómeno".
"Os serviços de saúde têm de estar atentos ao fenómeno, porque a grande maioria dos casos de tuberculose é detetada quando as pessoas se sentem doentes e vão à procura de ajuda clínica", disse.
Em relação aos níveis da doença em Portugal, António Fonseca Antunes confirmou a tendência dos últimos dez anos de descida, a um ritmo de 6,4 por cento ao ano.
Em 2011, foram notificados 2.231 novos casos, mais 157 retratamentos.
Portugal continua um país de incidência intermédia na Europa, prevendo António Fonseca Antunes que passe para uma incidência baixa dentro de dois anos.
Este ano, em que se assinala o 130.º ano da descoberta do bacilo da tuberculose por Robert Koch, o lema do Dia Mundial da Tuberculose é "Melhor é Possível, Stop à TB".
A iniciativa é promovida pela Parceria Stop à TB (Stop TB Partnership), uma rede de organizações e países de combate à tuberculose.
Em 2010, em todo o mundo, o número de pessoas que a contraíram diminuiu para 8,8 milhões, incluindo 1,1 milhões de pessoas infetadas com o VIH.
O número de novos casos tem vindo a diminuir desde 2005, mas de forma muito lenta e acompanhada da ameaça da Tuberculose Multirresistente (TBMR).
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