Catarina Silva, in JN
Voluntários mantêm contacto com pessoas que vivem em aldeias recônditas de Vale de Cambra. A Câmara assume preocupação com idosos e exige informação para delinear intervenção.
Vale de Cambra sentiu, na semana passada, uma subida de casos de Covid-19 no concelho, depois de o número de infetados ter duplicado, na sequência dos testes feitos no lar da Fundação Luiz Bernardo de Almeida, onde foram confirmados 51 idosos com o novo coronavírus. Nas contas da Câmara, há já mais de 100 casos no concelho. A Direção-Geral da Saúde só dá conta de 66.
"O lar desencadeou um crescimento exponencial. É a situação mais premente no concelho. Preparámos uma série de respostas de retaguarda a pensar nas instituições", refere o autarca José Pinheiro. Há já quatro espaços preparados, entre os quais uma unidade hoteleira, com 63 camas ao todo. Sete estão ocupadas por profissionais de instituições de solidariedade social.
O primeiro caso de infeção no concelho, um jovem de 20 anos que tinha estado em Espanha, diagnosticado a 16 de março, é também o primeiro recuperado, anunciou o edil.
José Pinheiro foi um dos autarcas que se indignaram contra a recente decisão do Ministério da Saúde de proibir a divulgação dos números de confirmados pelas entidades regionais. "Agora andamos a mendigar dados. Dados esses que nos permitem delinear estratégias, antecipar intervenções. Temos o direito à informação", defende
Solidariedade
Pelas ruas de Vale de Cambra há sensibilização diária e até outdoors sobre a Covid-19. E a solidariedade está presente num município muito industrializado. "As nossas empresas já produziram viseiras de proteção e há uma a começar a produzir máscaras", sublinha Pinheiro. O concelho afetou as verbas destinadas a eventos cancelados para apoio social e criou uma linha de emergência para pessoas isoladas.
Em Vale de Cambra, há muitos idosos a viver em aldeias recônditas. Duas vezes por semana, há voluntárias a telefonar-lhes. "Pergunto se estão bem, conto-lhes as notícias da terra, às vezes vezes ralho com eles". Há dois anos que Cecília Casal costuma visitar, com a irmã, o casal Germano e Judite, que vive na freguesia de Junqueira. Fazia isso no âmbito do projeto de voluntariado "Apadrinhamento de Idosos", uma parceria entre Câmara e ADRIMAG - Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras do Montemuro, Arada e Gralheira. As restrições da Covid-19 empurraram esta população para um maior isolamento, mas as 18 voluntárias colmatam essa situação pelo telefone.
Aquela alegria deles também me faz bem a mim
"Eles ficaram muito tristes quando dissemos que não podíamos lá ir", conta Cecília, que resolveu o assunto com a ajuda do telefone. "A senhora está numa cadeira de rodas e ele vê muito mal. Eles não saem de casa e há poucas pessoas ali no lugar. Ficam tão contentes por lhes ligar, basta ouvir-nos para ficarem felizes. E aquela alegria deles também me faz bem a mim", sublinha.
Fátima Almeida também costumava visitar Maria Rosa da Vinha, 83 anos, com outra voluntária. Agora, liga-lhe três vezes por semana. "A senhora esteve hospitalizada e ligo para saber se está melhor. Ela afeiçoou-se muito a nós, já é como família". Fátima tem 68 anos, é voluntária há dois. "A pandemia agrava muito o isolamento. E Vale de Cambra, embora seja uma cidade, tem muito espírito de aldeia", refere.
Medidas
Desconto na água
A Câmara anunciou a isenção do pagamento para consumidores domésticos do primeiro escalão de água, até 5 metros cúbicos durante o mês de março.
Proteção
Os Bombeiros de Vale de Cambra revelaram estar com falta de equipamento de proteção e fizeram um apelo à comunidade para a doação de material. A Câmara tem tentado suprir as faltas das instituições locais e encomendou fatos reutilizáveis para os bombeiros.
Linha de apoio
A Câmara criou uma linha de emergência social para apoiar a população vulnerável na compra de medicamentos e alimentos e oferece um cabaz alimentar de emergência para cinco dias. Lançou também uma linha gratuita para esclarecer questões ligadas aos animais de estimação.
Desinfeção
A Câmara está a fazer a desinfeção de espaços públicos: bermas, jardins, largos, zonas pedonais e praças, bem como contentores de resíduos na cidade. O mesmo processo é assegurado pelas juntas nas freguesias.
Eventos cancelados
Além do encerramento de todos os equipamentos públicos, o Município cancelou vários eventos, como as Festas de Santo António, a RunCambra, a Feira da Saúde e o Encontro de Teatro Amador.
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13.7.17
CGD instala pinos à porta para afastar sem-abrigo
in Jornal de Notícias
A coordenação distrital de Aveiro do BE acusou hoje a Caixa Geral de Depósitos (CGD) de instalar no exterior da sua agência de Vale de Cambra "picos anti-sem abrigo", numa medida que diz ser reveladora de discriminação social.
"Aquele local sempre foi usado para algumas pessoas se sentarem e só depois de um sem-abrigo começar a sentar-se lá é que colocaram os pinos", refere o partido, em comunicado.
Em causa estão faixas de metal, das quais se elevam vários cilindros com cerca de 10 centímetros de altura, todos espaçados entre si e rematados por extremidades pontiagudas.
A colocação destes picos "é reveladora de um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas da nossa sociedade", defende a distrital do BE, que exige a "rápida retirada desse instrumento de tortura social" das instalações da CGD.
O partido afirma que a agência de Vale de Cambra está a "copiar o que os especuladores imobiliários andaram a fazer em Londres" e reflete assim uma postura de "discriminação social que é impensável numa sociedade que se diz moderna e democrática".
Para o BE, "a colocação destes picos anti-sem abrigo é reveladora de um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas" da sociedade portuguesa - vítimas, aliás, "de um modelo social falhado e de uma crise provocada em grande medida pela própria banca".
O comunicado acrescenta que "esta atitude anti-solidária e violenta" é agravada pelo facto de ser protagonizada por uma instituição cujo setor de atividade "tem beneficiado de resgates sucessivos por parte dos portugueses, incluindo dos mais pobres".
Contactada pela Lusa, a gerência da CGD de Vale de Cambra remeteu para a sede do banco em Lisboa os esclarecimentos sobre o assunto, admitindo que a instalação dos contestados pinos metálicos resultou de "uma decisão que não é da agência, mas central".
Apesar de várias chamadas para o Departamento de Comunicação e Marca da CGD, o contacto direto não passou além das telefonistas e as mensagens no voice-mail da instituição solicitando declarações em tempo útil também não obtiveram resposta.
A coordenação distrital de Aveiro do BE acusou hoje a Caixa Geral de Depósitos (CGD) de instalar no exterior da sua agência de Vale de Cambra "picos anti-sem abrigo", numa medida que diz ser reveladora de discriminação social.
"Aquele local sempre foi usado para algumas pessoas se sentarem e só depois de um sem-abrigo começar a sentar-se lá é que colocaram os pinos", refere o partido, em comunicado.
Em causa estão faixas de metal, das quais se elevam vários cilindros com cerca de 10 centímetros de altura, todos espaçados entre si e rematados por extremidades pontiagudas.
A colocação destes picos "é reveladora de um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas da nossa sociedade", defende a distrital do BE, que exige a "rápida retirada desse instrumento de tortura social" das instalações da CGD.
O partido afirma que a agência de Vale de Cambra está a "copiar o que os especuladores imobiliários andaram a fazer em Londres" e reflete assim uma postura de "discriminação social que é impensável numa sociedade que se diz moderna e democrática".
Para o BE, "a colocação destes picos anti-sem abrigo é reveladora de um total desprezo e falta de solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas" da sociedade portuguesa - vítimas, aliás, "de um modelo social falhado e de uma crise provocada em grande medida pela própria banca".
O comunicado acrescenta que "esta atitude anti-solidária e violenta" é agravada pelo facto de ser protagonizada por uma instituição cujo setor de atividade "tem beneficiado de resgates sucessivos por parte dos portugueses, incluindo dos mais pobres".
Contactada pela Lusa, a gerência da CGD de Vale de Cambra remeteu para a sede do banco em Lisboa os esclarecimentos sobre o assunto, admitindo que a instalação dos contestados pinos metálicos resultou de "uma decisão que não é da agência, mas central".
Apesar de várias chamadas para o Departamento de Comunicação e Marca da CGD, o contacto direto não passou além das telefonistas e as mensagens no voice-mail da instituição solicitando declarações em tempo útil também não obtiveram resposta.
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