por Diana Mendes, in Diário de Notícias
Há 60 mil novos casos da doença por ano, segundo dados de dois estudos nacionais.
Os custos do tratamento da diabetes ultrapassaram os mil milhões de euros em 2008, segundo dados do primeiro relatório anual do Observatório Nacional da Diabetes, que é hoje apresentado. De acordo com José Manuel Boavida, coordenador do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes, "só os custos com o internamento, técnicas e exames rondam os 389 milhões. E isto excluindo as diárias", refere ao DN.
Tendo por base o modelo europeu de análise dos dados, a doença "representou 7% das despesas em saúde durante este ano", acrescenta o médico. Estes dados correspondem até 60% dos gastos, razão pela qual se estima que em Portugal a despesa total rondou os mil milhões. No entanto, ainda não há gastos com outros fármacos ou com tratamentos em ambulatório (como cirurgias, recursos)
Os medicamentos para a doença, como os antidiabéticos orais ou a insulina, representaram um gasto de 109 milhões de euros, de acordo com a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), uma subida de 67% em relação a 2000, em parte explicada com os novos medicamentos.
Todos os anos, calcula-se que surjam "cerca de 60 mil novos casos de diabetes em Portugal, segundo dois estudos nacionais, como o dos médicos-sentinela do Instituto Nacional de Saúde dr. Ricardo Jorge", frisa o médico. O cenário pessimista da doença caracteriza-a cada vez mais como "epidemia do século XXI".
"Esta sim, é uma verdadeira pandemia", alerta Luís Gardete Correia, presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal e do observatório. Por isso, os dados não o surpreendem. "Temos sentido um aumento da prevalência da diabetes, o que significa que temos de a prevenir. A doença está directamente ligada à obesidade e os portugueses estão a engordar. Já temos muitos casos de diabetes tipo 2 em adolescentes, o que antes não acontecia".
O relatório do observatório, que é apresentado hoje pela primeira vez, compila toda a informação científica que se tem reunido nos últimos anos em Portugal.
Os enfartes e os AVC afectam dezenas de milhares de portugueses todos os anos. Mas desconhecia- -se que estivessem tão associadas à diabetes. "Um quarto dos AVC é em diabéticos. De 2000 para 2008, passámos de 4463 internamentos por AVC para 7199", por isso houve uma subida de 61%. Nos enfartes, a subida foi de 1977 para 3700 (29% dos internamentos da diabetes). Os problemas dos rins são semelhantes: 25% dos casos de insuficiência renal são em diabéticos.
José Manuel Boavida refere que há dois problemas: Um é saber que 40% dos diabéticos não estão diagnosticados. Outro é saber que 25% dos portugueses correm risco de ter a doença.
Por isso, defende o estabelecimento de políticas próprias que unam "o sector da saúde, câmaras e escolas, por exemplo, para prevenir a obesidade". Por outro lado, é preciso rigor no tratamento dos 500 mil casos diagnosticados. Temos de repensar a estrutura de observação com consultas multidisciplinares nos centros de saúde e hospitais e agilizar o trabalho das administrações Regionais de Saúde.


