18.1.10

Testes de sida alargados aos centros de saúde

por Diana Mendes, in Diário de Notícias

Coordenador quer que mais unidades passem a fazer diagnóstico e aconselhamento.

Os testes rápidos ao VIH/sida deverão ser alargados em breve a os vulgares centros de saúde. Depois de ter sido realizado um teste-piloto numa unidade, a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida quer agora generalizar a experiência. "É uma possibilidade real e já está no terreno, já houve treino de pessoas", diz o coordenador Henrique Barros.

O objectivo é aumentar e facilitar o diagnóstico da doença no País, que neste momento é feito nos centros de aconselhamento e detecção precoce e nos hospitais. A ideia é realizar contratos com os centros, incentivando-os a fazer o rastreio e a promover a educação para a saúde.

À partida, as Unidades de Saúde Familiares serão abrangidas, bem como os agrupamentos de centros de saúde. "Este modelo tem de ser feito mediante contratualização, uma vez que não estamos apenas a falar da realização de testes. É preciso acompanhar os doentes antes e depois, quando se sabe o resultado, refere o epidemiologista. O que implica "que haja pessoas dedicadas apenas a esta tarefa e que seja determinado o número de pessoas a ser testadas".

Os testes serão sempre realizados de forma voluntária, a pedido dos utentes ou através de sugestão dos médicos ou enfermeiros, o que exclui os exames feitos para pessoas que tenham queixas e no âmbito de um diagnóstico. Henrique Barros recorda que há muitas pessoas a repetir testes todos os anos, mas muitas vezes não as que correm mais riscos. "Temos de ter a preocupação de evitar que pessoas preocupadas façam testes sobre testes. Precisamos de ter uma noção da verdadeira dimensão do risco. Uma grande proporção dos infectadas não vão aos centros de saúde", refere.

Por isso, o coordenador quer ao mesmo tempo reforçar a oferta de testes em carrinhas móveis. "A estratégia que colhe mais resultados é ir à procura das pessoas que não vão aos serviços. Neste momento só temos três carrinhas: a de Lisboa está parada. Mantêm-se a do Porto e Faro". Além disso, as condições destas estruturas não favorecem a aproximação às populações difíceis, reconhece. Não é fácil com o modelo actual encontrar as pessoas em maior risco, como as pessoas "sem casa, que se prostituem, que se injectam ou os emigrantes, que tendem a auto-excluir-se do sistema de saúde".

De acordo com Henrique Barros, o diagnóstico da doença está longe de ser feito de forma precoce. "Só no Hospital de Santa Maria e São João, 62% dos doentes diagnosticados nos últimos três anos chegaram numa fase tardia, porque já tinham indicação para serem tratados", alerta. O que tem depois efeito no tratamento.

Outra preocupação do responsável pelo combate à sida em Portugal é o facto de "70% das pessoas que nunca tinham feito testes antes do exame positivo alegarem que nunca o fizeram porque não se consideravam em risco".

O coordenador lembra as oportunidades perdidas nas instituições de saúde, quando há sinais num doente que chamam a atenção para a possibilidade de infecção. Os clínicos devem estar mais alerta e aproveitarem para sugerir o teste aos doentes, conclui.