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24.5.16

CAIS Recicla há cinco anos a reinventar materiais e vidas

ANDRÉ VIEIRA, in "Público"

O projecto de eco-design da CAIS Porto tornou-se um negócio sustentável e já criou oportunidades de emprego. A “Semana Aberta” que terminou na passada sexta-feira permitiu mostrar à comunidade que há formas de dar a a volta à vida.

À entrada da oficina da associação Ciclo de Apoio à Integração dos Sem-abrigo (CAIS) do Porto encostada a uma parede, amontoam-se dezenas de caixas de cartão. As caixas ajustam-se umas nas outras, numa pilha que vai crescendo e se vai moldando à medida que se vão encaixando outras, tornando essa pilha cada vez mais forte e estável. Nesta instalação há um paralelo e uma ideia comum ao projecto CAIS Recicla, criado há cinco anos para dar resposta aos recursos humanos e materiais que a associação tinha em abundância. A reorganização desse capital humano existente, em prol de um objectivo comum, tornou este projecto num negócio sustentável e em crescimento.

Para a coordenadora da CAIS Porto, Cláudia Fernandes, este projecto, que tem como base a criação de peças de design a partir de excedentes industriais, assenta num ponto fundamental: “trazer de volta à vida”. Este regresso à vida está naturalmente associado à reciclagem dos materiais excedentários, mas fundamentalmente à reabilitação de pessoas que chegam à associação “sem nada”. Por “sem nada”, Cláudia Fernandes, quer dizer “sem um tecto, sem objectivos, sem sonhos, ou sem amigos”.

Se por um lado foi esse o ponto de partida, cedo se percebeu que a ideia poderia chegar mais longe e tornar-se num negócio. O interesse demonstrado por várias marcas que se foram associando ao projecto (hoje são 15), cedendo materiais e posteriormente tornando-se também clientes, acabaram por resolver outro problema. A CAIS Porto “nunca teve acesso a financiamento público”. A associação funciona com a ajuda de um conjunto de empresas mecenas que de dois em dois anos renova o seu compromisso com donativos em géneros, serviços, dinheiro e produtos. Com o crescimento da marca CAIS Recicla, que acabou por se tornar num “negócio sustentável”, consegui-se uma nova forma de financiamento que é reinvestido noutras actividades da associação.

Se o negócio se tornou viável, também algumas oportunidades se foram abrindo no mercado de trabalho para “alguns” dos cerca de uma dezena de utentes envolvidos. No entanto, não necessariamente na mesma área profissional, como é o caso de Maria do Carmo Sousa, que, depois do seu envolvimento no projecto, frequentou um curso de vendas de curta duração na associação e tem agora um contracto de trabalho a termo certo. Já Humberto Oliveira, artesão do CAIS Recicla, assinou um contrato de um ano com o projecto. Ainda assim, Cláudia Fernandes, sublinha que “a ideia não é criar postos de trabalho dentro da associação”, mas sim “dar ferramentas para que se possam lançar”. Reforça ainda que o “sucesso da iniciativa não pode ser medido apenas por contratos de trabalho que são assinados”, até porque, de acordo com a coordenadora há muitos utentes que trabalham, mas de forma “esporádica ou sem contrato”. Há também casos de pessoas que “simplesmente não conseguem trabalhar” e aí o sucesso depende, sobretudo, da forma como se conseguem reintegrar em sociedade.

A primeira Semana Aberta do CAIS Recicla, que decorreu na semana passada, pretendeu assinalar os cinco anos da iniciativa, envolvendo a comunidade local e convidando-a a participar nas actividades. Um passo que, para Cláudia Fernandes, tem como objectivo “desconstruir o estigma do sem abrigo e diluir as diferenças entre os cidadãos”. Este ano já foi feito um protocolo com algumas escolas de design no sentido de no próximo ano serem apresentadas propostas para novas linhas, que serão posteriormente manufacturadas pelos utentes e postas à venda.

Dos gabinetes de arquitectura até ao CAIS Recicla
Humberto Oliveira representa o paradigma de que nada na vida pode ser assumido como seguro ou vitalício. Nascido no Porto há quase 57 anos, tornou-se designer técnico na sua entrada para a idade adulta. Foi sócio de várias empresas e dono do seu destino profissional durante uma série de anos, até há dois atrás quando foi bater à porta da CAIS, onde hoje é artesão no projecto CAIS Recicla.

Esteve envolvido em “obras de grande envergadura”, nos “melhores gabinetes de arquitectura do Porto”, conta Humberto ao PÚBLICO. O negócio “estava a correr bem” e por isso aventurou-se no interior do país, onde abriu um gabinete com outro sócio. Por falta de liquidez foi obrigado a abrir insolvência e viajou para o Brasil à procura de uma nova oportunidade. Tudo corria bem até há dois anos atrás, “com a queda da economia brasileira”. Voltou para o Porto, onde chegou “apenas com a roupa que tinha no corpo” e sem sítio para onde ir.

Esteve a viver numa loja durante algum tempo e por “intermédio de um amigo” foi “parar” à CAIS. Foi convidado a ser um dos vendedores da revista na zona da Boavista. Com o dinheiro da venda da conseguiu arrendar um quarto numa pensão.

Fruto das suas capacidades profissionais foi convidado a assinar um contrato de um ano como artesão do CAIS Recicla, que assinou “sem hesitar”. O contrato acaba em Setembro, por isso neste momento sabe que tem que “estudar outras opções”. Neste momento já consegue pagar o arrendamento de um apartamento, o que lhe trouxe de volta “alguma auto-estima”.

Humberto ainda não sabe qual será o seu futuro, mas sabe que esta experiência o tornou numa pessoa “mais tolerante, menos arrogante e mais próximo da realidade”.

29.2.16

CAIS emprega 23 pessoas em risco de exclusão social

in Público on-line (P3)

Projecto Capacitar Hoje tem dois anos e procura uma reintegração no mercado de trabalho de pessoas em risco de exclusão social

A Associação CAIS, que trabalha com pessoas sem-abrigo ou em risco de exclusão, conseguiu empregar 23 pessoas, em dois anos, através do projecto Capacitar Hoje (CAHO), cujos resultados, relativos a 2014/2015, foram apresentados esta segunda-feira. De acordo com os dados da CAIS, a associação conseguiu integrar no mercado de trabalho 23 pessoas em risco de exclusão social, em áreas como o atendimento ao público, limpezas, construção civil, refeitório e cantinas, cantoneiros, artesãos e administrativos.

"Em dois anos parece um número pequeno, mas a verdade é que estamos a falar de um universo de pessoas que tem muito baixas qualificações, muitos deles são desempregados de longa duração", apontou a directora-executiva da CAIS. Conceição Cordeiro frisou que em causa estão pessoas que, para além do trabalho ao nível da capacitação profissional, tiveram de fazer um "esforço muito grande" ao nível da sua capacitação pessoal e social. "Estamos a falar de reencontrar alegria na conversa, saber estar, sentir-se bem consigo próprio e, no fundo, acreditar que é possível reganhar uma cidadania activa e um papel activo na comunidade", apontou a responsável.

Exemplo disso é Fátima (nome fictício), com cerca de 20 anos, sem pais, com dois filhos a cargo e com uma história de desestruturação familiar e corte nas relações com os vários irmãos a partir da morte da mãe. Com apenas o 9.º ano de escolaridade concluído, e depois do nascimento do segundo filho, começa "uma fase difícil", em que não consegue encontrar emprego, o que a leva, no final do ano passado, a inscrever-se na formação do CAHO. "Acabou por arranjar um estágio num posto de abastecimento de combustíveis, aceitou o estágio logo e passados dois meses foi contratada e portanto este é um caso de uma pessoa que o CAHO ajudou", contou Conceição Cordeiro.

As 23 pessoas que a CAIS conseguiu empregar saíram de um grupo inicial de 94 que se inscreveram no projecto, tendo 86 delas concluído a formação. Neste projecto — que o P3 foi conhecer em Outubro do ano passado — estiveram também envolvidos 55 voluntários, várias entidades públicas e privadas e nove empresas. De acordo com os dados da CAIS, o perfil do beneficiário mostra que são sobretudo homens (68), desempregados, com idades entre os 18 e os 59 anos, com uma escolaridade média ao nível do 8.º ano e com experiência de trabalho em áreas como logística, restauração, atendimento ao público, limpezas e construção civil.

O programa passou por três etapas, desde, numa primeira fase, a formação de 48 voluntários e técnicos e de 94 beneficiários, para estes últimos com 12 acções de formação, num total de 90 horas, 60 horas em sala e 30 horas em contexto laboral. Numa segunda fase, a formação "on-job", num total de mais de 2.800 horas, em que os formandos foram distribuídos pelas várias empresas parceiras da CAIS. Na terceira, e última, 29 mentores acompanharam as 86 pessoas que completaram os ciclos de formação, num total de 923 horas, e de onde saíram 23 empregados.

Para Conceição Cordeiro, estes resultados comprovam que esta é uma metodologia inovadora de capacitação, que envolve toda a sociedade, desde os voluntários e mentores, até às empresas que oferecem os estágios e até postos de trabalho, passando pelas instituições da rede social. "Este envolvimento de toda a comunidade, que de uma forma organizada e sustentável contribuiu para o sucesso dos resultados desta metodologia, foi para nós o grande ganho do projecto."

1.2.16

Cais já está a fazer concertos solidários para ajudar sem-abrigos

Sérgio Almeida, in "Jornal de Notícias"

Plano B, no Porto, recebeu Frankie Chavez no arranque do novo festival solidário Cais já está a fazer concertos solidários para ajudar sem-abrigo PORTO E LISBOA "Mais música, mais ajuda" é o título da primeira incursão da Associação Cais no meio artístico e propõe-se apresentar, até junho, dez concertos noutros tantos espaços de Lisboa e Porto, com a presença de dezenas de músicos portugueses. A abertura aconteceu na noite de sexta-feira. No Plano B, no Porto, atuaram Frankie Chavez e For Pete Sake. No Estúdio Time Out, em Lisboa, The Black Mamba e O Martim repartiram protagonismo.

De fevereiro a maio, estão previstas mais quatro datas em cada uma das cidades. O final está marcado para junho, num concerto no Estádio do Restelo, em Lisboa, embora ainda se desconheçam os nomes dos artistas que vão atuar.

"Queremos utilizar a música para envolver a sociedade. Ainda há um estigma muito grande em relação aos sem abrigo", reforçou Cláudia Fernandes, coordenadora da Cais no Porto, na apresentação do projeto.

O primeiro festival inteiramente solidário pretende, por isso, não apenas a angariação de verbas que reforcem os meios da associação criada há 22 anos.

"Sensibilizar as pessoas" é outro dos propósito da iniciativa. "Geralmente, associam-nos à revista que publicamos, mas o nosso trabalho vai muito além disso", acrescenta a coordenadora da associação, para quem o "objetivo não é só tirar gente da rua mas integrá-la na sociedade e no mercado de trabalho".

Só no ano passado, a Cais acompanhou meio milhar de pessoas em risco, em Lisboa e no Porto, contribuindo para o regresso ao mundo do trabalho de pelo menos 25 E os pedidos continuam a crescer "Só este ano já recebemos mais 200 pedidos", adiantou Cláudia Fernandes, convencida de que "a situação tende a agravar-se"

25.1.16

18 mil refeições...

In "Jornal de Notícias"

18 mil refeições foram servidas, em 2015, na cantina social da associação Cais, que acompanhou cerca de 500 pessoas, promovendo o regresso ao trabalho de 25.

3.12.15

Inclusão Social pelo Desporto

João Martins, in "Cais"

Cooperação entre clubes, federações e instituições de apoio social é uma via a seguir Inclusão Social Pelo Desporto É um caminho que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos na área social. O Desporto, como ferramenta para a inclusão social, tem a capacidade de fomentar a prática da actividade física e combater os vários tipos de discriminação, sobretudo entre os mais jovens. Mas para isso, é não só necessário um investimento na formação de técnicos desta área, como também uma maior cooperação entre os clubes e o apoio social. Com a crescente preocupação da população em criar hábitos de vida saudáveis, a actividade física tem vindo a assumir um papel importante. E o desporto, como fenómeno social, tem o poder aglutinador de promover as relações sociais e o espírito de equipa. "A interacção que se desenvolve no desporto, em cada modalidade, é uma ferramenta rica em termos de aprendizagem ao nível das relações sociais", defende Salomé Marivoet, professora de Sociologia e especialista em Inclusão Social Pelo Desporto. Com um maior nível de incidéncia entre os jovens, o desporto consegue potenciar a aproximação entre os mesmos.

"Pode criar 'palcos de proximidade , explica a docente universitária, "porque o facto de estarem todos a praticar desporto, com o mesmo vestuário e a participar com os mesmos objectivos (sobretudo em desporto colectivos) vai permitir que haja uma aproximação". É um mecanismo importante para evitar o preconc discriminação que levam à exclusão social dos indiv mais carenciados ou que fogem à norma, em relação suas escolhas sociais ou características físicas. "O Desport tem a capacidade de dinamizar vínculos afectivos e o estreitamento de relações", sublinha Salomé Marivoet. Sentido de pertença Portadora de deficiência mental, Inês Fernandes, 27 anos, descobriu no desporto adaptado a oportunidade de aumentar o seu sentido de pertença na sociedade, mas também de poder praticar uma modalidade pela qual é apaixonada desde pequena: o Atletismo. "Vem de outras gerações", conta a atleta, natural de Valença do Minho, Viana do Castelo, e especialista no lançamento do peso. Escolha de Muno Gomes

"Acredito que os valores no desporto devem ser de igualdade, aceitação, compreensão, independentemente das escolhas das pessoas, das suas características ou das suas próprias limitações." Abel Xavier (Ex-Futebolista)

"Tenho treinado e lutado muito. E por isso vou estar nos próximos Jogos Paralímpicos" Inês Fernandes (Atleta de desporto adaptado - Atletismo/Lançamento do Peso) "Seguimos o princípio da universalidade, que não exclui, antes pelo contrário: inclui todas as pessoas." Augusto Baganha (Presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude) Na família, já a tia e as irmãs praticavam Atletismo. Mas para Inês esta modalidade é mais do que um hobbie: actualmente prepara-se para os próximos Jogos Olimpicos, em 2016,a acontecerem no Rio de Janeiro.

"Tenho treinado e lutado muito. E por isso vou estar nos próximos Jogos Paralímpicos", revela a atleta. Esta é a segunda vez que o seu esforço e dedicação são reconhecidos, depois de ter participado nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. "O desporto é, sem dúvida, uma dimensão social que permite a afirmação pessoal de qualquer indivíduo, mas principalmente nos indivíduos com deficiência", destaca Humberto Santos, Presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP). Criado em 2008, o CPP veio reforçar o trabalho integrado entre as associações nacionais de desporto de pessoas com deficiência e as federações das várias modalidades disponíveis. "Hoje, pessoas com deficiência praticam um conjunto de modalidades a que outrora não tinham acesso e nos espaços das respectivas federações", explica o Presidente. Mas Humberto Santos defende que ainda é preciso fomentar esta maneira de pensar na sociedade. E para que isso aconteça, é preciso que comece com "a actividade física na escola".

E importante que professores e alunos "sejam elementos de motivação para que a prática de modalidades adaptadas permaneça e seja desenvolvida nas escolas", salienta. Das ruas para os grandes estádios Abel Xavier, 42 anos, ex-jogador da selecção portuguesa de futebol, descobriu no desporto a sua forma de vida. "Era um jovem que jogava futebol de bairro, que era praticado sem regras, com total liberdade mas obviamente que ansiava por entrar num clube ", recorda. Xavier nasceu em Moçambique mas chegou ao nosso país em criança, quando começara a dar os primeiros toques na bola. Apesar da sua cor de pele, não se lembra de ter sido discriminado. "Não acredito que, de uma forma vincada, Portugal seja um país intolerante", refere, "porque o futebol também evoluiu com a multiculturalidade, nomeadamente através da presença de jogadores vindos dos PALOP". Desempenhando agora a profissão de treinador, Abel Xavier acredita na inclusão social pelo desporto, e por isso partilha bons valores em cada sessão de treino. "Acredito que os valores no desporto devem ser de igualdade, aceitação, compreensão, independentemente das escolhas das pessoas, das suas características ou das suas próprias limitações", defende o treinador.

©Joseba Zarate Randez "A interacção que se desenvolve no desporto, em cada modalidade, é uma ferramenta rica em termos de aprendizagem ao nível das relações sociais." Salomé Marivoet (Professora de Sociologia e especialista em Inclusão Social pelo Desporto) "O desporto é, sem dúvida, uma dimensão social que permite a afirmação pessoal de qualquer indivíduo, mas principalmente nos indivíduos com deficiência." Humberto Santos (Presidente do Comité Paralímpico de Portugal)

O projecto Futebol De Rua Como instrumento de capacitação, no desenvolvimento de competências pessoais e sociais, nasceu em 2004 um dos mais importantes projectos sociais na área do desporto: o Futebol de Rua. Ao longo dos últimos anos tem crescido e reunido importantes apoios, como é o caso do programa "Football for Hope". Criado pela Associação CAIS, em parceria com inúmeras entidades públicas e privadas, o Futebol de rua promove a prática desportiva e a sua utilização como estratégia de intervenção, pela inclusão social. Há 4 anos que O Companheiro é uma das 110 IPSS que integram o projecto Futebol de Rua no seu plano de actividades de acção social. "Tem sido algo muito produtivo e proveitoso, não só para a prática da actividade física mas acima de tudo para a organização das pessoas com quem trabalhamos [reclusos e ex-reclusosj", destaca José Brites, Presidente d'O Companheiro. O coordenador do projecto Futebol de Rua, Gonçalo Santos, refere que "o grande objectivo é que o Futebol de Rua seja mais uma ferramenta, útil, para o desenvolvimento da motivação, auto-estima, assertividade, resiliência, respeito, trabalho de equipa de todos os participantes". São estes valores que Faduley Baía, 23 anos, aprendeu ao longo dos 3 anos de participação no Futebol de Rua.

"A parte social do Futebol de Rua é muito importante porque conhecemos pessoas, convivemos, ouvimos histórias", explica o jovem oriundo de São Tomé e Principe. O projecto tem vindo a aumentar o número de participantes (no ano passado foi alcançado um total de mais de 900 participantes) e isso reflecte-se na importância que tem para cada um dos jogadores, ao permitir-lhes "ganhar alguma confiança para enfrentarem o dia-a-dia", defende Francisco Seita, treinador da selecção nacional de Futebol de Rua. "E dentro de campo somos todos iguais, independentemente das nossas diferenças", conclui. A importância das políticas A noção e importância da inclusão social pelo desporto tem vindo a crescer, tanto a nivel de políticas europeias, como nas práticas adoptadas em cada país. Em 2008, Salomé Marivoet integrou uma equipa de investigadores do projecto FRA (Agência Europeia para os Direitos Fundamentais) para encontrar iniciativas de prevenção contra o racismo e a discriminação étnica no e pelo desporto e, em 2011, contribuiu para a criação de um guia de boas práticas de inclusão dos migrantes pelo desporto, através do projecto European Sport lnclusion Network. Foi graças à assinatura do Tratado de Lisboa (2007) que o desporto passou a ser matéria de interesse comum.

Em Portugal, o programa Desporto Para Todos, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), de âmbito nacional, apoia e financia iniciativas de clubes e associações que promovam a actividade física e desportiva, dirigidas a todos. "Seguimos o princípio da universalidade, que não exclui, antes pelo contrário: inclui todas as pessoas",destaca Augusto Baganha, Presidente do IPDJ. Mas por todo o país, o desporto inclusivo vai ganhando o seu lugar na área social. "Existem projectos que surgem de instituições privadas de solidariedade social (IPSS), que trabalham a nível de bairro e aí há uma grande sinergia com outras actividades de serviço social", explica a professora. "Nos clubes, surgem projectos ligados à própria vertente política do clube, de responsabilidade social", acrescenta. Salomé Marivoet defende o envolvimento entre os clubes e as IPSS, num trabalho conjunto. "É o ideal, mas a 'cultura de rede' em Portugal ainda oferece algumas resistências". "Não se trata de substituir o papel de cada um, mas sim de criar parcerias e haver um esforço de cooperação", conclui esta especialista em Inclusão Social pelo Desporto. 23

Fundação Benfica

In "Cais"

A Fundação Benfica é uma IPSS com estatuto de Utilidade Pública que foi constituída em Janeiro de 2009 pelo Sport Lisboa e Benfica e desde essa data que desenvolve projectos de inovação social utilizando o Desporto como ferramenta para o Desenvolvimento. De entre os seus projectos destaca-se o "Para ti Se não faltares!".

Trata-se de um projecto de capacitação e combate ao absentismo, abandono e insucesso escolar. Tem como enfoque o Saber Ser e o Saber Estar e actua ao nível motivacional recorrendo à fixação de objectivos individuais e a um sistema único de incentivos e premiação baseado no esforço e no mérito. A prática desportiva regular é o principal atractivo de um projecto que desde 2010 envolveu 2.186 jovens em contratos de 3 anos lectivos com actividade diária em 7 municípios de todo o país. O absentismo baixou 68,5% e o insucesso diminuiu de níveis muito elevados para a média nacional.

Estes resultados e a metodologia inovadora colocam o projecto como boa prática europeia, tendo recebido o prémio "Role Model Award" da Football is More destinado ao trabalho social dos grandes clubes europeus, sendo ainda frequentemente apresentado nos encontros internacionais do movimento fundacional desportivo e da Comissão Europeia. Educação para Valores Além do projecto de intervenção referido, a Fundação Benfica actua também ao nível da prevenção através do projecto "KidFun - Educação para Valores" que procura motivar as crianças do 1° Ciclo para a descoberta e aprofundamento dos valores fundamentais de conduta e vida em sociedade. O projecto contempla uma caderneta de cromos virtual com jogos pedagógicos, uma equipa de animadores com um Estádio insuflável,vídeos com símbolos do Sport Lisboa e Benfica e dinâmicas desportivas de diferentes modalidades. Respeito, Responsabilidade, Tolerància, Excelência e Superação são alguns dos valores trabalhados por este projecto que envolveu no corrente ano mais de 7.500 crianças de 56 escolas em 40 localidades de todo o país. O Desporto Adaptado é outra área importante e a acção da Fundação Benfica traduz-se em iniciativas demonstrativas de modalidades como o Goalball e o Boccia, bem como na participação em Torneios de Futebol Adaptado.

Neste contexto, a Fundação Benfica tem vindo a contribuir para que se efective cada vez mais a expressão "Desporto para Todos". De destacar, ainda e naturalmente, o trabalho em parceria que a Fundação Benfica tem vindo a realizar com a Associação CAIS ao nível da Comitiva Nacional de Futebol de Rua desde 2009 e reforçada nos dois últimos anos com o apoio no Estágio de preparação para o Mundial que passou a ser organizado no Estádio da Luz. Neste projecto para além de criar as melhores condições logísticas para a realização do Estágio, a Fundação Benfica proporciona ainda aos jovens participantes um vasto conjunto de experiências, algumas das quais inesquecíveis, designadas "Dez dias à Benfica".

A Fundação Benfica deixa ainda uma palavra de agradecimento e de parabéns à Associação CAIS e aos seus jovens atletas pelo brilhante 3° lugar alcançado no Mundial de Futebol de Rua.

Brincar e Sorrir

Nuno Gomes, in " Cais"

Raras vezes é dada a cada um de nós a possibilidade de falar aos outros, beneficiar da sua atenção e partilhar ideias para que nos inspiremos mutuamente. A CAIS é uma dessas raras oportunidades em que um objecto de grande consumo, uma revista, extravasa a lógica do mercado e invade a esfera privada de cada um de nós, no melhor que temos para dar. Sei que os leitores da CAIS, como eu, compram a revista pela nobreza da causa, pelo contacto com o vendedor que para ela trabalha e dela beneficia. É de reconhecer o mérito e o alcance da iniciativa. Isso é justo e fácil de fazer... Difícil é aproveitar da melhor maneira esta oportunidade de comunicar com tanta gente, desconhecida e no entanto unida nesta comunidade silenciosa de leitores da CAIS. Nos meus tempos de jogador, a comunicação era imediata, dezenas de milhares viam e sentiam o que eu fazia no jogo e transmitiam, ao momento, com estrondo, a sua partilha e incentivo. E eu jogava para eles, dava o máximo porque queria dar-lhes o máximo!

Somos assim, seres para quem o reconhecimento social, mais que protecção mútua e sobrevivência é uma necessidade emocional profunda, muitas vezes expressa pela negativa quando em momentos de desespero pessoas verbalizam "não valho nada...". Claro que não é verdade: Cada um de nós vale tudo, mas o mundo encarrega-se de produzir injustiças! A responsabilidade de todos nós é descobri-las, contrariá-las, corrigi-las... Mas como fazè-lo?

Nada podemos sozinhos. Somos profunda e estruturalmente sociais. A resposta é óbvia: devemos fazer o que podemos individualmente, melhorando o que se passa à nossa volta e devemos associar-nos para ganhar escala e dimensão. Assim podemos mudar o mundo em conjunto e melhorar sozinhos o bocadito que pisamos. Simples e eficaz! Sou dos que não pensam que o mundo está perdido, pelo contrário, sinto que cada vez somos mais a tentar mudá-lo e vejo coisas fantásticas e inspiradoras. Deixo-vos dois exemplos que me emocionam e fazem agir: o primeiro é internacional e chama-se Right to Play, o que, em inglês tem o duplo sentido de Direito a Brincar e Direito a Jogar. Esta ONG promove esse direito das crianças à escala global.

Trata-se de Futebol, claro, mas tem muito mais lá dentro... Brincar é aprender, interagir com o outro, socializar, dar e receber reconhecimento, motivar e ser motivado para os sonhos que comandam as vidas. Por isso, brincar não é uma brincadeira e sim um assunto muito sério na construção da humanidade. Se pensarmos bem, jogar e brincar são uma e a mesma coisa. O desporto ocupa um lugar central na nobre ocupação infantil que é brincar.

E aí, em lugar cimeiro,aparece o Futebol. O Grande Jogo das multidões. Aquele que elimina as diferenças entre os homens nos relvados. Há quem diga que é uma recreação da guerra, mas é muito mais que isso: a guerra destrói e o futebol une, sara e constrói. É por isso que brincar, "jogar à bola", faz tanta falta! O segundo exemplo é em Portugal e chama-se APLAS. A sigla nada diz, mas o nome por trás diz tudo: "Associação Princesa Leonor Aceita e Sorri". Como bem se lê, o resultado está no sorriso mas a chave, a coragem e a sabedoria destas crianças está na aceitação.

Não disse resignação, nem desistência. Disse aceitação, lucidez e esperança desmedida de gente pequena que luta de frente contra o pior dos medos dos adultos: o cancro. O mais importante dos direitos é o direito à felicidade, em qualquer idade, em qualquer parte ou condição. É uma avaliação individual entre o que somos o que queremos ser, entre o que temos e o que queremos ter, nos planos material e imaterial. Como tudo o que é importante é simples: a felicidade comunica-se pelo sorriso. Se alguma coisa de inspirador podemos comunicar uns aos outros, que interesse a todos, talvez seja Brincar e Sorrir

3.9.15

Oito jovens excluídos e um campeonato de futebol de rua para dignificar

In Correio da Manhã

Oito jovens institucionalizados de várias cidades do país vão representar Portugal no campeonato do mundo de Futebol de Rua, na Holanda, uma iniciativa que, através do futebol, pretende "dignificar a pessoa". "O futebol é um meio, não um fim", sendo que o fim é promover a dignidade, salientou hoje, na apresentação da iniciativa, a presidente da Associação CAIS, que a promove há uma dúzia de anos. Anabela Pedroso disse à Lusa que os oito jovens já são uns vencedores mas, mesmo assim, na conferência de imprensa para os apresentar, pediu-lhes que vencessem o campeonato, no qual participam mais de sessenta países.

23.5.14

Associação Cais tem mais pedidos de ajuda de jovens

por Texto da Lusa, publicado por Lina Santos, in Diário de Notícias

A crise económica em Portugal alterou o perfil das pessoas que recorrem à Cais, uma associação que se assume como o último porto dos que perdem casa e trabalho, e tornou-o mais jovem e habilitado.

Em entrevista à Lusa a propósito dos 20 anos da associação Cais, a presidente da instituição admitiu que, hoje, a associação já não recebe o mesmo tipo de pedidos de ajuda.

"Há 20 anos, estávamos a falar da exclusão dos sem-abrigo, típica da pessoa que está na rua, que já não tem padrões, que já perdeu a noção até do que é a higiene pessoal e perdeu os seus contornos de dignidade", lembrou Anabela Pedroso.

Atualmente, as pessoas que pedem ajuda à Cais "vêm de bairros camarários, não estão na rua, e têm habilitações ligeiramente acima daquelas que [tinham as pessoas que] recebíamos há 20 anos", explicou.

"Eu diria que temos três tipos de pessoas" a pedir ajuda, adiantou a responsável.

Além dos imigrantes da Europa central, que constituíram durante muito tempo o maior grupo de apoiados pela Cais, a associação recebe hoje pedidos de muita gente que está em vias de perder a casa e jovens pais sem habilitações académicas.

"[Recebemos pedidos de ajuda de] casais na ordem dos 45/55 anos que estão em vias de ficar a viver na rua", a quem a Cais quer "criar novamente condições porque ainda não estão, a nível psicológico e emocional, totalmente destruídas", afirmou a presidente, acrescentando ter surgido um outro grupo de excluídos.

"O terceiro grupo, que agora tem aparecido, é de jovens. Na ordem dos 25/30 anos, que já são pais e que não encontram trabalho, até porque não têm habilitações", explicou.

"Depois temos uma parte residual de pessoas que, pela vida, por tudo o que lhes aconteceu, não têm grandes condições para voltarem a ter trabalho a não ser pela revista ou pelo apoio social que damos na própria Cais", concluiu.

Criada em 1994 para ajudar a população marginalizada a voltar ao mercado de trabalho, a associação Cais tornou-se conhecida sobretudo por publicar a revista com o mesmo nome: Cais.

"Já nessa altura [em 1994, tínhamos] o objetivo de encontrar um meio de retirar as pessoas da rua -- naquele tempo estávamos muito focados nas pessoas mesmo excluídas socialmente -- e dar-lhes alguma hipótese de terem o seu dinheiro e é assim que surge a revista", contou Anabela Pedroso.

Vinte anos depois, "mantemos a revista no mesmo foco, mas ampliámos a diversidade de projetos, não só para as pessoas que já estão excluídas mas também para abranger quem está em vias de exclusão", adiantou.

Quem recorre à Cais já passou por todas ou quase todas as instituições de apoio social e de apoio ao emprego. Já deixaram de receber o subsídio de desemprego, já tiveram ajuda da Cáritas e da Vida e Paz. Então chegam ao "último porto", descreve a presidente da associação.

"Às vezes, são as próprias instituições [de solidariedade social] ou o Instituto de Emprego e Formação Profissional que nos manda quatro ou cinco pessoas para capacitarmos para poderem voltar ao mercado de trabalho", explicou Anabela Pedroso.

Por isso, a associação criou e está a desenvolver vários programas de ajuda ao regresso ao trabalho.

Entre os projetos destacados por Anabela Pedroso, conta-se o Cais Buy@Work.

"Tem sido um dos mais interessantes destes dois últimos anos", disse, explicando consistir numa ajuda para quem está a trabalhar e tem de fazer compras.

O projeto funciona num grupo de sete empresas, às quais está associado um dos colaboradores apoiados pela Cais e que vai à farmácia, à lavandaria ou fazer compras ao supermercado em nome de quem está 'preso' do escritório e não consegue sair para ir realizar essas tarefas.

"Temos já, neste momento, a autossustentabilidade deste nosso colaborador, que vai passar a ter o seu próprio emprego, e vamos criar um novo [projeto], desta vez mais na zona de Lisboa, onde estamos a juntar empresas para criar um outro polo chamado Cais Buy@Work 2.

"Estamos muito esperançados em conseguir a adesão das empresas para poder começar o projeto até ao final deste ano", disse.

Outro dos planos da Cais começou agora e conta com a ajuda de uma petrolífera, que se comprometeu a absorver, nos próximos 10 anos, 300 das pessoas apoiadas pela associação.

16.1.14

Barroso doa 45 mil euros à associação CAIS e ao Liceu Camões

in RR

Presidente da Comissão Europeia foi distinguido pelo papel que desempenhou durante a crise financeira europeia, nomeadamente por "apostar sempre na UE para enfrentar os desafios" da actualidade.

O presidente da Comissão Europeia decidiu destinar ao Liceu Camões e à associação Cais 45 mil euros do Prémio Europeu Carlos V, que vai receber na quinta-feira em Espanha.

O valor total do prémio ascende a 90 mil euros, mas, deste montante, os galardoados destinam metade a bolsas de estudo promovidas pela Academia Europeia de Yuste, podendo escolher as áreas, tendo José Manuel Durão Barroso decidido contemplar trabalhos no domínio das relações entre a Europa e a América do Norte e a América Latina.

Quanto aos restantes 45 mil euros, Durão Barroso decidiu destiná-los às áreas da educação e do apoio social, visando, com os donativos, apoiar as obras de requalificação do Liceu Camões, em Lisboa, que o presidente do executivo comunitário frequentou na sua juventude, e o trabalho da Cais no auxílio aos sem-abrigo, indicou à Lusa gabinete de Durão Barroso.

O Liceu Camões, actualmente Escola Secundária de Camões, fundado em 1092, é uma das prestigiadas escolas secundárias de Lisboa e do país, e está classificado desde 2012 como monumento de interesse público, mas encontra-se actualmente num avançado estado de degradação, necessitando de obras de restauro.

A associação Cais, fundada em 1994, é uma associação de solidariedade social sem fins lucrativos, e tem como missão contribuir para o melhoramento global das condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis, em situação de privação, exclusão e risco.

Durão Barroso vai receber o Prémio Carlos V na quinta-feira, numa cerimónia em Cuacos de Yuste, Espanha, na qual participarão o príncipe das Astúrias, os chefes do Governo de Portugal e Espanha e o chefe do Governo da Estremadura espanhola.

Outorgado na cidade espanhola de Mérida, o prémio, atribuído anteriormente a individualidades como Mikhail Gorbachov, Jacques Delors, Felipe González e Javier Solana, sublinha o papel de Durão Barroso durante a crise financeira europeia, por "apostar sempre na UE para enfrentar os desafios" da actualidade.