Por Lusa, in SIC
Miguel Fontes, secretário de Estado do Trabalho, e João Paulo Correia (Desporto), sublinharam que a fixação de talento é uma prioridade do Governo e que Portugal "é hoje um país competitivo".
Os secretários de Estado do Trabalho e do Desporto afirmaram que Portugal tem as "portas escancaradas" para receber os jovens emigrantes e lusodescendentes que queiram "fazer vida" no país.
Falando na abertura da 10.ª edição do Encontro Europeu de Jovens Lusodescendentes, Miguel Fontes, secretário de Estado do Trabalho, e João Paulo Correia (Desporto), sublinharam que a fixação de talento é uma prioridade do Governo e que Portugal "é hoje um país competitivo", capaz de atrair jovens qualificados.
"As portas estão escancaradas para todos quantos queiram fazer vida em Portugal", disse o secretário de Estado do Trabalho.
Miguel Fontes destacou, desde logo, o programa "Regressar", ao abrigo do qual já cerca de 19.500 portugueses que estavam no estrangeiro voltaram para o seu país de origem.
O governante lembrou que aquele programa implica "um regime fiscal altamente favorável" nos primeiros cinco anos após o regresso.
"Portugal é suficientemente grande e precisa de todos", enfatizou.
Aludiu ainda à aposta no trabalho digno e no combate à precariedade, bem como em melhores salários e numa melhor repartição da riqueza, como condições essenciais para atrair talento jovem.
Na mesma linha, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, pôs a tónica no crescimento económico de Portugal, "com mais emprego e com os salários a crescer", a par de "um país seguro e com futuro, com bases sólidas naquilo que é a construção da sua economia".
"Portugal é olhado do ponto de vista internacional como uma economia que cresce, daquelas que mais cresce na Europa, onde o salário médio também cresce. Aliás, no mês de maio, o salário médio cresceu acima da inflação, o que significa que houve um ganho real no poder de compra. Esta é também a visão que o mundo e a Europa e as economias internacionais têm acerca do nosso país", referiu.
João Paulo Correia destacou ainda a aposta de Portugal nos chamados "nómadas digitais".
A 10.ª edição do Encontro Europeu de Jovens Lusodescendentes decorre até 13 de agosto, reunindo 54 jovens e animadores de juventude da Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo, Portugal e Suécia.
Trata-se de um evento de destaque que promove a empregabilidade, a inclusão e a cultura lusófona entre os jovens.
O encontro tem como tema a "Empregabilidade na Europa: O Digital ao Serviço da Ecologia e Inclusão dos Jovens".
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10.2.21
Mecanismo de recuperação deve apoiar desporto e juventude
O Parlamento Europeu (PE) apelou hoje ao financiamento pelo Mecanismo de Recuperação do setor do desporto para combater possíveis efeitos negativos duradouros da pandemia da covid-19, nomeadamente entre os jovens.
Numa resolução adotada com 592 votos a favor, 42 contra e 57 abstenções, os eurodeputados apelam à Comissão Europeia e aos Estados-membros para que aumentem os esforços para evitar possíveis efeitos negativos duradouros da pandemia na juventude e no setor do desporto.
Os eurodeputados defenderam que os Estados-membros devem apoiar o desporto com fundos nacionais e incluí-lo nos seus planos de recuperação.
Além disso, o setor deve ter total acesso ao Mecanismo de Recuperação e Resiliência e a programas setoriais, como o Fundo de Desenvolvimento Regional, o Fundo de Coesão e o programa UE pela Saúde.
O setor do deporto contribui para 2,12% do PIB europeu e 2,72% do total de empregos da UE, o que representa cerca de 5,67 milhões de empregos, devendo a sua recuperação, segundo o PE, ser ainda apoiada através do Plano de Trabalho da UE para o Desporto.
No que respeita à juventude, os eurodeputados reforçaram que o seu mercado de trabalho é particularmente sensível a crises económicas e as oportunidades de emprego dos jovens e o seu rendimento são particularmente atingidos pela pandemia.
Os eurodeputados receiam que a educação, o voluntariado e as oportunidades de formação estejam a desaparecer.
A resolução destaca que os planos nacionais de recuperação têm de focar-se nos jovens e os programas europeus (como o Erasmus+, o Corpo Europeu de Solidariedade, a Garantia para a Juventude e a Estratégia Digital) têm de ser explorados de forma a evitar o surgimento de "jovens e futuras gerações amargamente desapontados".
O Parlamento Europeu aprovou o regulamento que cria o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o principal pilar do pacote de recuperação da União Europeia (UE) para fazer face à crise socioeconómica provocada pela pandemia de covid-19.
Numa votação realizada na terça-feira à noite, e cujo resultado foi anunciado pelo presidente da assembleia, David Sassoli, no início da sessão de hoje, em Bruxelas, o Mecanismo recebeu o voto favorável de 582 eurodeputados, 40 votos contra e 69 abstenções.
Com esta aprovação pelo Parlamento Europeu, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência entrará em vigor ainda na segunda quinzena do corrente mês.
Numa resolução adotada com 592 votos a favor, 42 contra e 57 abstenções, os eurodeputados apelam à Comissão Europeia e aos Estados-membros para que aumentem os esforços para evitar possíveis efeitos negativos duradouros da pandemia na juventude e no setor do desporto.
Os eurodeputados defenderam que os Estados-membros devem apoiar o desporto com fundos nacionais e incluí-lo nos seus planos de recuperação.
Além disso, o setor deve ter total acesso ao Mecanismo de Recuperação e Resiliência e a programas setoriais, como o Fundo de Desenvolvimento Regional, o Fundo de Coesão e o programa UE pela Saúde.
O setor do deporto contribui para 2,12% do PIB europeu e 2,72% do total de empregos da UE, o que representa cerca de 5,67 milhões de empregos, devendo a sua recuperação, segundo o PE, ser ainda apoiada através do Plano de Trabalho da UE para o Desporto.
No que respeita à juventude, os eurodeputados reforçaram que o seu mercado de trabalho é particularmente sensível a crises económicas e as oportunidades de emprego dos jovens e o seu rendimento são particularmente atingidos pela pandemia.
Os eurodeputados receiam que a educação, o voluntariado e as oportunidades de formação estejam a desaparecer.
A resolução destaca que os planos nacionais de recuperação têm de focar-se nos jovens e os programas europeus (como o Erasmus+, o Corpo Europeu de Solidariedade, a Garantia para a Juventude e a Estratégia Digital) têm de ser explorados de forma a evitar o surgimento de "jovens e futuras gerações amargamente desapontados".
O Parlamento Europeu aprovou o regulamento que cria o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o principal pilar do pacote de recuperação da União Europeia (UE) para fazer face à crise socioeconómica provocada pela pandemia de covid-19.
Numa votação realizada na terça-feira à noite, e cujo resultado foi anunciado pelo presidente da assembleia, David Sassoli, no início da sessão de hoje, em Bruxelas, o Mecanismo recebeu o voto favorável de 582 eurodeputados, 40 votos contra e 69 abstenções.
Com esta aprovação pelo Parlamento Europeu, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência entrará em vigor ainda na segunda quinzena do corrente mês.
4.9.20
Projeto português contra o racismo no futebol recebe apoio internacional
in SicNoticias
Visa expor "histórias positivas de inclusão", além de gerar um estudo e um espaço para denúncias.
A Rede FARE, um projeto internacional contra o racismo no futebol, premiou um projeto da Associação Plano I que tem como objetivo expor "histórias positivas de inclusão", além de gerar um estudo e um espaço para denúncias.
Segundo explicou Paula Allen, responsável pela iniciativa, à Lusa, o plano aprovado "prevê a criação de um 'website' com informação fidedigna sobre esta matéria, que garanta que serão valorizadas as histórias positivas e construtivas, de inclusão e não discriminação".
"Pretendemos um 'site' pela positiva, no âmbito do 'Black Lives Matter', e, por isso, importa realçar quem, em território nacional, esteve ou está ligado ao futebol e tem histórias positivas para nos contar", destacou.
O 'site' será lançado no dia 21 de março de 2021, começando agora a ser construído e preenchido com conteúdos, "por ser o dia internacional para a eliminação da discriminação racial", numa data para a qual está previsto "um evento desportivo que marque o lançamento", em parceria com a Câmara de Matosinhos, no distrito do Porto.
A Rede FARE, fundada como Football Against Racism in Europe (Futebol Contra Racismo na Europa, em tradução livre) em 1999, começou na Áustria e agora está instalada em Londres, tendo apoiado esta semana, com até mil euros, um total de 41 organizações de quatro continentes diferentes.
Entre esses está este projeto português, que, segundo a nota, se enquadra no objetivo de "combater a injustiça racial, um problema histórico no futebol e na sociedade".
"A resposta a este programa foi soberba. Nos próximos meses, veremos grupos em 22 países e quatro continentes marcar a agenda e contribuir para mudanças duradouras na Europa, em África, nos Estados Unidos e na América do Sul", explicou, citada em comunicado, a fundadora e diretora executiva da FARE, Piara Powar.
O projeto ganhou pernas em junho quando a rede internacional decidiu pela "responsabilidade de todos em agir e construir um futuro de igualdade", após os protestos que se seguiram à morte do afro-americano George Floyd "e muitos outros".
As medidas apoiadas vão de exposições a recursos educativos, programas de formação e iniciativas jurídicas, que além do financiamento recebem ainda exposição mediática junto dos canais da rede FARE.
A intenção da Associação Plano I, sediada no Porto, começou a ganhar forma depois de se confrontarem com o "panorama nacional e internacional associado ao que se tem vindo a passar com pessoas racializadas", e com "um caso muito presente na memória, de Moussa Marega".
Paula Allen refere-se ao incidente, em fevereiro, com o avançado do FC Porto, que aguentou insultos racistas desde o aquecimento de uma visita ao Vitória de Guimarães, até abandonar o relvado em protesto.
"Achámos que, embora, felizmente, Portugal não seja um país com muitas evidências, vai tendo muitas mais do que gostaríamos que existissem. Tem vindo a perceber-se esta discriminação em função da raça", contou.
O projeto tem como parceiros a SOS Racismo e a Câmara de Matosinhos, mas a intenção da responsável é a de agregar mais instituições com vontade de combater o racismo no futebol.
Vários conteúdos, de 'podcasts' a vídeos com "figuras do mundo do desporto nacional" a uma exposição "de fotografias desportivas e recortes de jornais", sobre "pessoas racializadas que trabalham no futebol nacional", vão conviver na página com "um separador de registo de denúncias e pedidos de ajuda".
Outro objetivo é o da dinamização de "um estudo sobre a discriminação de pessoas racializadas no desporto em Portugal", através de um questionário que estará presente e que a associação espera que possa ser divulgado por Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e clubes.
Estas entidades, de resto, são chamadas pela Plano I a colaborarem e a tornarem-se parceiras, afirmou Paula Allen, além do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e "qualquer órgão de comunicação social que queira juntar-se", apoiando na divulgação e na recolha de informação.
"Pretende-se criar uma coisa com visibilidade e impacto, que faça outros juntarem-se a nós. Muito me agradaria que nos jogos anteriores a 21 de março, ou posteriores, a Liga ou a FPF quisessem algum evento, fossem nossos parceiros. Seria fantástico", comentou.
A Rede FARE, um projeto internacional contra o racismo no futebol, premiou um projeto da Associação Plano I que tem como objetivo expor "histórias positivas de inclusão", além de gerar um estudo e um espaço para denúncias.
Segundo explicou Paula Allen, responsável pela iniciativa, à Lusa, o plano aprovado "prevê a criação de um 'website' com informação fidedigna sobre esta matéria, que garanta que serão valorizadas as histórias positivas e construtivas, de inclusão e não discriminação".
"Pretendemos um 'site' pela positiva, no âmbito do 'Black Lives Matter', e, por isso, importa realçar quem, em território nacional, esteve ou está ligado ao futebol e tem histórias positivas para nos contar", destacou.
O 'site' será lançado no dia 21 de março de 2021, começando agora a ser construído e preenchido com conteúdos, "por ser o dia internacional para a eliminação da discriminação racial", numa data para a qual está previsto "um evento desportivo que marque o lançamento", em parceria com a Câmara de Matosinhos, no distrito do Porto.
A Rede FARE, fundada como Football Against Racism in Europe (Futebol Contra Racismo na Europa, em tradução livre) em 1999, começou na Áustria e agora está instalada em Londres, tendo apoiado esta semana, com até mil euros, um total de 41 organizações de quatro continentes diferentes.
Entre esses está este projeto português, que, segundo a nota, se enquadra no objetivo de "combater a injustiça racial, um problema histórico no futebol e na sociedade".
"A resposta a este programa foi soberba. Nos próximos meses, veremos grupos em 22 países e quatro continentes marcar a agenda e contribuir para mudanças duradouras na Europa, em África, nos Estados Unidos e na América do Sul", explicou, citada em comunicado, a fundadora e diretora executiva da FARE, Piara Powar.
O projeto ganhou pernas em junho quando a rede internacional decidiu pela "responsabilidade de todos em agir e construir um futuro de igualdade", após os protestos que se seguiram à morte do afro-americano George Floyd "e muitos outros".
As medidas apoiadas vão de exposições a recursos educativos, programas de formação e iniciativas jurídicas, que além do financiamento recebem ainda exposição mediática junto dos canais da rede FARE.
A intenção da Associação Plano I, sediada no Porto, começou a ganhar forma depois de se confrontarem com o "panorama nacional e internacional associado ao que se tem vindo a passar com pessoas racializadas", e com "um caso muito presente na memória, de Moussa Marega".
Paula Allen refere-se ao incidente, em fevereiro, com o avançado do FC Porto, que aguentou insultos racistas desde o aquecimento de uma visita ao Vitória de Guimarães, até abandonar o relvado em protesto.
"Achámos que, embora, felizmente, Portugal não seja um país com muitas evidências, vai tendo muitas mais do que gostaríamos que existissem. Tem vindo a perceber-se esta discriminação em função da raça", contou.
O projeto tem como parceiros a SOS Racismo e a Câmara de Matosinhos, mas a intenção da responsável é a de agregar mais instituições com vontade de combater o racismo no futebol.
Vários conteúdos, de 'podcasts' a vídeos com "figuras do mundo do desporto nacional" a uma exposição "de fotografias desportivas e recortes de jornais", sobre "pessoas racializadas que trabalham no futebol nacional", vão conviver na página com "um separador de registo de denúncias e pedidos de ajuda".
Outro objetivo é o da dinamização de "um estudo sobre a discriminação de pessoas racializadas no desporto em Portugal", através de um questionário que estará presente e que a associação espera que possa ser divulgado por Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e clubes.
Estas entidades, de resto, são chamadas pela Plano I a colaborarem e a tornarem-se parceiras, afirmou Paula Allen, além do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e "qualquer órgão de comunicação social que queira juntar-se", apoiando na divulgação e na recolha de informação.
"Pretende-se criar uma coisa com visibilidade e impacto, que faça outros juntarem-se a nós. Muito me agradaria que nos jogos anteriores a 21 de março, ou posteriores, a Liga ou a FPF quisessem algum evento, fossem nossos parceiros. Seria fantástico", comentou.
11.12.17
Combater a miséria ao murro e a pontapé
Vasco Samouco, Jornal de Notícias
Francis Ngannou deixou os Camarões para fugir à pobreza, viveu na rua e agora vai lutar pelo título mundial de artes marciais.
Francis Ngannou podia perfeitamente ser só mais um entre as largas centenas de refugiados que, a um ritmo desolador, se despedem da vida entre os gritos desesperados de quem prefere a morte a uma existência destinada à miséria, material e moral. Mas teve sorte. O seu plano de fuga dos Camarões não ficou, para sempre, esquecido nas profundezas marítimas: cinco anos depois, está no topo do Mundo e vive desafogadamente.
Se pensarmos que Francis Ngannou só começou a praticar MMA (Artes Marciais Mistas) em 2013 e que hoje é achado como o favorito a conquistar o título mundial da modalidade, dissipam-se as dúvidas de que estamos perante um prodígio para a luta. O que não pode espantar muito, tendo em conta que este franco-camaronês, de 31 anos, dedicou praticamente toda a vida a isso. Primeiro contra a indigência absoluta, depois para erguer a carreira que já está nos píncaros à custa de feitos, uns atrás dos outros, nos ringues.
Logo que nasceu, em Batié, Francis tinha prometida uma existência remetida à pobreza. Afinal, tinha vindo ao Mundo num país onde o cidadão médio (sobre)vive com mil euros por ano e onde a educação até aos 12 anos era privilégio da elite. Começou a trabalhar quando devia estar a completar o ensino primário, fez tudo e mais alguma coisa, resistiu aos apelos do crime e aos 22 anos iniciou-se no boxe, o sonho que o movia.
E foi na procura dessa luz ao fundo do túnel que Ngannou gastou os últimos cartuchos contra o destino. Fez-se ao mar, amansou-lhe a fúria, tornou-se refugiado na Europa, até que chegou a Paris. Com ele, só a roupa que o agasalhava e uns trocos quase insignificantes. O céu foi, demasiadas vezes, o teto que o abrigava e só quando encontrou um ginásio para se revoltar com a vida e alimentar o sonho é que passou a ter algo a que chamar casa. Mas a bondade de Fernand Lopez também lhe disse que, se queria ganhar dinheiro, Francis devia apostar em MMA em vez do boxe...
O resto está resumido nas estatísticas. Em 12 combates, ganhou 11, sete por KO, o último deles no primeiro assalto. É dele também o murro mais poderoso do circuito UFC e tudo aponta para que se torne campeão mundial em 2018. Há lutas que valem a pena
Francis Ngannou deixou os Camarões para fugir à pobreza, viveu na rua e agora vai lutar pelo título mundial de artes marciais.
Francis Ngannou podia perfeitamente ser só mais um entre as largas centenas de refugiados que, a um ritmo desolador, se despedem da vida entre os gritos desesperados de quem prefere a morte a uma existência destinada à miséria, material e moral. Mas teve sorte. O seu plano de fuga dos Camarões não ficou, para sempre, esquecido nas profundezas marítimas: cinco anos depois, está no topo do Mundo e vive desafogadamente.
Se pensarmos que Francis Ngannou só começou a praticar MMA (Artes Marciais Mistas) em 2013 e que hoje é achado como o favorito a conquistar o título mundial da modalidade, dissipam-se as dúvidas de que estamos perante um prodígio para a luta. O que não pode espantar muito, tendo em conta que este franco-camaronês, de 31 anos, dedicou praticamente toda a vida a isso. Primeiro contra a indigência absoluta, depois para erguer a carreira que já está nos píncaros à custa de feitos, uns atrás dos outros, nos ringues.
Logo que nasceu, em Batié, Francis tinha prometida uma existência remetida à pobreza. Afinal, tinha vindo ao Mundo num país onde o cidadão médio (sobre)vive com mil euros por ano e onde a educação até aos 12 anos era privilégio da elite. Começou a trabalhar quando devia estar a completar o ensino primário, fez tudo e mais alguma coisa, resistiu aos apelos do crime e aos 22 anos iniciou-se no boxe, o sonho que o movia.
E foi na procura dessa luz ao fundo do túnel que Ngannou gastou os últimos cartuchos contra o destino. Fez-se ao mar, amansou-lhe a fúria, tornou-se refugiado na Europa, até que chegou a Paris. Com ele, só a roupa que o agasalhava e uns trocos quase insignificantes. O céu foi, demasiadas vezes, o teto que o abrigava e só quando encontrou um ginásio para se revoltar com a vida e alimentar o sonho é que passou a ter algo a que chamar casa. Mas a bondade de Fernand Lopez também lhe disse que, se queria ganhar dinheiro, Francis devia apostar em MMA em vez do boxe...
O resto está resumido nas estatísticas. Em 12 combates, ganhou 11, sete por KO, o último deles no primeiro assalto. É dele também o murro mais poderoso do circuito UFC e tudo aponta para que se torne campeão mundial em 2018. Há lutas que valem a pena
27.1.17
Homem detido em investigação de abusos sexuais no desporto inglês
in Jornal de Notícias
Um homem de 70 anos foi preso no âmbito de uma investigação em curso sobre abuso sexual de menores no contexto dos escalões de formação, que tem abalado o desporto britânico.
O processo, de acordo com os dados revelados pelas autoridades, envolve já 248 clubes, dos mais variados escalões, que, de alguma forma, estão a ser inquiridos sobre os alegados abusos sexuais de menores perpetrados durante décadas.
O indivíduo em questão, ainda de acordo com a polícia inglesa, foi preso na sequência da investigação em curso por "suspeita de indecência com crianças" e "agressão indecente".
O número de alegadas vítimas envolvidos neste escândalo sexual no desporto britânico, dado que não é apenas no futebol que se verificam estes casos, ascende já a 526, na sua maior parte do sexo masculino, e 184 potenciais molestadores já estão identificados.
O processo foi desencadeado por declarações do ex-futebolista Andy Woodward, que admitiu ter sido molestado sexualmente em criança, quando jogava no modesto Crewe Alexandra.
O desabafo de Andy Woodward foi secundado por outros ex-futebolistas ingleses, que apontaram ainda o nome do 'olheiro' Eddie Heath, já falecido, que integrou a equipa técnica do Chelsea na década de 70, como um dos abusadores.
Um homem de 70 anos foi preso no âmbito de uma investigação em curso sobre abuso sexual de menores no contexto dos escalões de formação, que tem abalado o desporto britânico.
O processo, de acordo com os dados revelados pelas autoridades, envolve já 248 clubes, dos mais variados escalões, que, de alguma forma, estão a ser inquiridos sobre os alegados abusos sexuais de menores perpetrados durante décadas.
O indivíduo em questão, ainda de acordo com a polícia inglesa, foi preso na sequência da investigação em curso por "suspeita de indecência com crianças" e "agressão indecente".
O número de alegadas vítimas envolvidos neste escândalo sexual no desporto britânico, dado que não é apenas no futebol que se verificam estes casos, ascende já a 526, na sua maior parte do sexo masculino, e 184 potenciais molestadores já estão identificados.
O processo foi desencadeado por declarações do ex-futebolista Andy Woodward, que admitiu ter sido molestado sexualmente em criança, quando jogava no modesto Crewe Alexandra.
O desabafo de Andy Woodward foi secundado por outros ex-futebolistas ingleses, que apontaram ainda o nome do 'olheiro' Eddie Heath, já falecido, que integrou a equipa técnica do Chelsea na década de 70, como um dos abusadores.
1.2.16
Famalicão: Rede europeia de desporto inclusivo quer mobilizar 1300 participantes
In "Correio do Minho"
A Plataforma de Acção Socio-educativa e Cultural (PASEC), com sede em Vila Nova de Famalicão, lançou ontem o ‘PASEC Geo’ que envolve cinco países e estabelece como meta até ao final de 2016 ter mais de 1.300 praticantes de desporto de base inclusiva.
A ideia parte do conceito de ‘Desporto para Todos’ e do princípio integrador ‘Ninguém a Menos’ e desenvolve-se em três dimensões que à partida não seriam acessíveis a pessoas em maior risco de exclusão: o desporto aventura, o desporto adaptado e os desportos comunitários ou de bairro.
‘A ideia passa por ir buscar uma resposta fora da caixa para incluir a comunidade com um todo’, explicou o secretário-geral da organização, Abraão Costa, acrescentando que este é o primeiro projecto português apoiado pelo Programa Erasmus + Desporto da União Europeia, daí que esta seja a primeira rede europeia de soluções inovadoras de desporto inclusivo.
São consideradas pessoas em maior risco de exclusão pessoas com deficiência, desempregados, ‘jovens NEET’ (sem emprego e que não estão em formação nem na escola), situações de pobreza extrema, bem como minorias ou etnias.
A nível nacional, a plataforma estima que terá como participantes directos 250 pessoas, enquanto a nível internacional a meta se estabelece em pelo menos 1.300.
O projecto tem em Portugal e Itália o grande foco em termos de números, seguindo-se a Espanha e a Lituânia e uma experiência-piloto na Turquia.
‘As comunidades com que a plataforma trabalha são normalmente vítimas de situações de pobreza e de fenómenos de exclusão não só de âmbito escolar mas também de âmbito comunitário’, contou Abraão Costa, que através do desporto quer alcançar outros objectivos.
‘Um grupo NEET por exemplo, ao mesmo tempo em que está a praticar desporto é proporcionado todo um processo de reaproximação à escola’, descreveu, vincando que em causa está sempre desporto de base comunitária, ou seja integrado, porque desporto puro e duro pode ser praticado simplesmente em casa. ‘Nada pode ser desgarrado do que existe no terreno’, completou.
Estão a ser feitas parcerias com os municípios e com as associações de referência locais e o projecto desenhado para três anos tem duas dimensões.
A local com a criação dos chamados ‘clubes de desporto comunitários’ que acolherão os grupos e cada um terá um animador, uma espécie de ‘gestor de caso’.
A dimensão online consiste na criação de uma base de dados que vai reunir as respostas que existem e aquelas que vão surgir no âmbito do projecto e qualquer pessoa, independentemente de estar associada, pode procurar a solução de desporto comunitário que lhe interessar, daí que não se consiga quantificar o número de participantes indirectos.
Também está na forja a criação de um guia pedagógico que reunirá as melhores experiências para que o projecto possa ser replicado em outros países ou localidades.
‘Qualquer pessoa independentemente da condição social, do peso, das condições físicas, etc., pode praticar um desporto e usar o desporto como factor de inclusão social, factor de emancipação, de capacitação’, resumiu o secretário-geral.
A bolsa de animadores da PASEC é superior a 80 - em Portugal estão 27 no terreno - e inclui educadores, técnicos e professores de educação física, entre outros.
Os organizadores também se propõem a realizar eventos de grande escala que possam divulgar o desporto adaptado, nomeadamente o boccia, e os desportos de natureza, nomeadamente pedestrianismo, arvorismo e geocaching.
A Plataforma de Acção Socio-educativa e Cultural (PASEC), com sede em Vila Nova de Famalicão, lançou ontem o ‘PASEC Geo’ que envolve cinco países e estabelece como meta até ao final de 2016 ter mais de 1.300 praticantes de desporto de base inclusiva.
A ideia parte do conceito de ‘Desporto para Todos’ e do princípio integrador ‘Ninguém a Menos’ e desenvolve-se em três dimensões que à partida não seriam acessíveis a pessoas em maior risco de exclusão: o desporto aventura, o desporto adaptado e os desportos comunitários ou de bairro.
‘A ideia passa por ir buscar uma resposta fora da caixa para incluir a comunidade com um todo’, explicou o secretário-geral da organização, Abraão Costa, acrescentando que este é o primeiro projecto português apoiado pelo Programa Erasmus + Desporto da União Europeia, daí que esta seja a primeira rede europeia de soluções inovadoras de desporto inclusivo.
São consideradas pessoas em maior risco de exclusão pessoas com deficiência, desempregados, ‘jovens NEET’ (sem emprego e que não estão em formação nem na escola), situações de pobreza extrema, bem como minorias ou etnias.
A nível nacional, a plataforma estima que terá como participantes directos 250 pessoas, enquanto a nível internacional a meta se estabelece em pelo menos 1.300.
O projecto tem em Portugal e Itália o grande foco em termos de números, seguindo-se a Espanha e a Lituânia e uma experiência-piloto na Turquia.
‘As comunidades com que a plataforma trabalha são normalmente vítimas de situações de pobreza e de fenómenos de exclusão não só de âmbito escolar mas também de âmbito comunitário’, contou Abraão Costa, que através do desporto quer alcançar outros objectivos.
‘Um grupo NEET por exemplo, ao mesmo tempo em que está a praticar desporto é proporcionado todo um processo de reaproximação à escola’, descreveu, vincando que em causa está sempre desporto de base comunitária, ou seja integrado, porque desporto puro e duro pode ser praticado simplesmente em casa. ‘Nada pode ser desgarrado do que existe no terreno’, completou.
Estão a ser feitas parcerias com os municípios e com as associações de referência locais e o projecto desenhado para três anos tem duas dimensões.
A local com a criação dos chamados ‘clubes de desporto comunitários’ que acolherão os grupos e cada um terá um animador, uma espécie de ‘gestor de caso’.
A dimensão online consiste na criação de uma base de dados que vai reunir as respostas que existem e aquelas que vão surgir no âmbito do projecto e qualquer pessoa, independentemente de estar associada, pode procurar a solução de desporto comunitário que lhe interessar, daí que não se consiga quantificar o número de participantes indirectos.
Também está na forja a criação de um guia pedagógico que reunirá as melhores experiências para que o projecto possa ser replicado em outros países ou localidades.
‘Qualquer pessoa independentemente da condição social, do peso, das condições físicas, etc., pode praticar um desporto e usar o desporto como factor de inclusão social, factor de emancipação, de capacitação’, resumiu o secretário-geral.
A bolsa de animadores da PASEC é superior a 80 - em Portugal estão 27 no terreno - e inclui educadores, técnicos e professores de educação física, entre outros.
Os organizadores também se propõem a realizar eventos de grande escala que possam divulgar o desporto adaptado, nomeadamente o boccia, e os desportos de natureza, nomeadamente pedestrianismo, arvorismo e geocaching.
4.12.15
Solidariedade com craques do distrito
In "Diário de Leiria"
O Pavilhão de Condeixa foi o palco da 10.ª edição do torneio de solidariedade Acreditar no Futsal, prova que juntou quatro equipas e visou a divulgação e o apoio à Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. As equipas de benjamins do SCP-Núcleo de Condeixa e do Sporting CP animaram o início da tarde no reduto condeixense, tendo a formação lisboeta vencido por 2-12, num belo espectáculo. O ‘prato forte’ do dia foi servido depois com a partida entre a Selecção Acreditar e o Sporting em seniores femininos. A Selecção Acreditar é constituída por jogadoras dos Nacionais de Futsal, tendo as equipas do distrito de Leiria ‘contribuído’ com seis, nomeadamente Daniela Encarnação, Diana Silva, Ana Carolina Santos (todas da Associação do Louriçal) e Jessica Meira Pedreiras, Tita Rino e Raquel Amarante (Golpilheira).
O Pavilhão de Condeixa foi o palco da 10.ª edição do torneio de solidariedade Acreditar no Futsal, prova que juntou quatro equipas e visou a divulgação e o apoio à Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. As equipas de benjamins do SCP-Núcleo de Condeixa e do Sporting CP animaram o início da tarde no reduto condeixense, tendo a formação lisboeta vencido por 2-12, num belo espectáculo. O ‘prato forte’ do dia foi servido depois com a partida entre a Selecção Acreditar e o Sporting em seniores femininos. A Selecção Acreditar é constituída por jogadoras dos Nacionais de Futsal, tendo as equipas do distrito de Leiria ‘contribuído’ com seis, nomeadamente Daniela Encarnação, Diana Silva, Ana Carolina Santos (todas da Associação do Louriçal) e Jessica Meira Pedreiras, Tita Rino e Raquel Amarante (Golpilheira).
3.12.15
Inclusão Social pelo Desporto
João Martins, in "Cais"
Cooperação entre clubes, federações e instituições de apoio social é uma via a seguir Inclusão Social Pelo Desporto É um caminho que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos na área social. O Desporto, como ferramenta para a inclusão social, tem a capacidade de fomentar a prática da actividade física e combater os vários tipos de discriminação, sobretudo entre os mais jovens. Mas para isso, é não só necessário um investimento na formação de técnicos desta área, como também uma maior cooperação entre os clubes e o apoio social. Com a crescente preocupação da população em criar hábitos de vida saudáveis, a actividade física tem vindo a assumir um papel importante. E o desporto, como fenómeno social, tem o poder aglutinador de promover as relações sociais e o espírito de equipa. "A interacção que se desenvolve no desporto, em cada modalidade, é uma ferramenta rica em termos de aprendizagem ao nível das relações sociais", defende Salomé Marivoet, professora de Sociologia e especialista em Inclusão Social Pelo Desporto. Com um maior nível de incidéncia entre os jovens, o desporto consegue potenciar a aproximação entre os mesmos.
"Pode criar 'palcos de proximidade , explica a docente universitária, "porque o facto de estarem todos a praticar desporto, com o mesmo vestuário e a participar com os mesmos objectivos (sobretudo em desporto colectivos) vai permitir que haja uma aproximação". É um mecanismo importante para evitar o preconc discriminação que levam à exclusão social dos indiv mais carenciados ou que fogem à norma, em relação suas escolhas sociais ou características físicas. "O Desport tem a capacidade de dinamizar vínculos afectivos e o estreitamento de relações", sublinha Salomé Marivoet. Sentido de pertença Portadora de deficiência mental, Inês Fernandes, 27 anos, descobriu no desporto adaptado a oportunidade de aumentar o seu sentido de pertença na sociedade, mas também de poder praticar uma modalidade pela qual é apaixonada desde pequena: o Atletismo. "Vem de outras gerações", conta a atleta, natural de Valença do Minho, Viana do Castelo, e especialista no lançamento do peso. Escolha de Muno Gomes
"Acredito que os valores no desporto devem ser de igualdade, aceitação, compreensão, independentemente das escolhas das pessoas, das suas características ou das suas próprias limitações." Abel Xavier (Ex-Futebolista)
"Tenho treinado e lutado muito. E por isso vou estar nos próximos Jogos Paralímpicos" Inês Fernandes (Atleta de desporto adaptado - Atletismo/Lançamento do Peso) "Seguimos o princípio da universalidade, que não exclui, antes pelo contrário: inclui todas as pessoas." Augusto Baganha (Presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude) Na família, já a tia e as irmãs praticavam Atletismo. Mas para Inês esta modalidade é mais do que um hobbie: actualmente prepara-se para os próximos Jogos Olimpicos, em 2016,a acontecerem no Rio de Janeiro.
"Tenho treinado e lutado muito. E por isso vou estar nos próximos Jogos Paralímpicos", revela a atleta. Esta é a segunda vez que o seu esforço e dedicação são reconhecidos, depois de ter participado nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. "O desporto é, sem dúvida, uma dimensão social que permite a afirmação pessoal de qualquer indivíduo, mas principalmente nos indivíduos com deficiência", destaca Humberto Santos, Presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP). Criado em 2008, o CPP veio reforçar o trabalho integrado entre as associações nacionais de desporto de pessoas com deficiência e as federações das várias modalidades disponíveis. "Hoje, pessoas com deficiência praticam um conjunto de modalidades a que outrora não tinham acesso e nos espaços das respectivas federações", explica o Presidente. Mas Humberto Santos defende que ainda é preciso fomentar esta maneira de pensar na sociedade. E para que isso aconteça, é preciso que comece com "a actividade física na escola".
E importante que professores e alunos "sejam elementos de motivação para que a prática de modalidades adaptadas permaneça e seja desenvolvida nas escolas", salienta. Das ruas para os grandes estádios Abel Xavier, 42 anos, ex-jogador da selecção portuguesa de futebol, descobriu no desporto a sua forma de vida. "Era um jovem que jogava futebol de bairro, que era praticado sem regras, com total liberdade mas obviamente que ansiava por entrar num clube ", recorda. Xavier nasceu em Moçambique mas chegou ao nosso país em criança, quando começara a dar os primeiros toques na bola. Apesar da sua cor de pele, não se lembra de ter sido discriminado. "Não acredito que, de uma forma vincada, Portugal seja um país intolerante", refere, "porque o futebol também evoluiu com a multiculturalidade, nomeadamente através da presença de jogadores vindos dos PALOP". Desempenhando agora a profissão de treinador, Abel Xavier acredita na inclusão social pelo desporto, e por isso partilha bons valores em cada sessão de treino. "Acredito que os valores no desporto devem ser de igualdade, aceitação, compreensão, independentemente das escolhas das pessoas, das suas características ou das suas próprias limitações", defende o treinador.
©Joseba Zarate Randez "A interacção que se desenvolve no desporto, em cada modalidade, é uma ferramenta rica em termos de aprendizagem ao nível das relações sociais." Salomé Marivoet (Professora de Sociologia e especialista em Inclusão Social pelo Desporto) "O desporto é, sem dúvida, uma dimensão social que permite a afirmação pessoal de qualquer indivíduo, mas principalmente nos indivíduos com deficiência." Humberto Santos (Presidente do Comité Paralímpico de Portugal)
O projecto Futebol De Rua Como instrumento de capacitação, no desenvolvimento de competências pessoais e sociais, nasceu em 2004 um dos mais importantes projectos sociais na área do desporto: o Futebol de Rua. Ao longo dos últimos anos tem crescido e reunido importantes apoios, como é o caso do programa "Football for Hope". Criado pela Associação CAIS, em parceria com inúmeras entidades públicas e privadas, o Futebol de rua promove a prática desportiva e a sua utilização como estratégia de intervenção, pela inclusão social. Há 4 anos que O Companheiro é uma das 110 IPSS que integram o projecto Futebol de Rua no seu plano de actividades de acção social. "Tem sido algo muito produtivo e proveitoso, não só para a prática da actividade física mas acima de tudo para a organização das pessoas com quem trabalhamos [reclusos e ex-reclusosj", destaca José Brites, Presidente d'O Companheiro. O coordenador do projecto Futebol de Rua, Gonçalo Santos, refere que "o grande objectivo é que o Futebol de Rua seja mais uma ferramenta, útil, para o desenvolvimento da motivação, auto-estima, assertividade, resiliência, respeito, trabalho de equipa de todos os participantes". São estes valores que Faduley Baía, 23 anos, aprendeu ao longo dos 3 anos de participação no Futebol de Rua.
"A parte social do Futebol de Rua é muito importante porque conhecemos pessoas, convivemos, ouvimos histórias", explica o jovem oriundo de São Tomé e Principe. O projecto tem vindo a aumentar o número de participantes (no ano passado foi alcançado um total de mais de 900 participantes) e isso reflecte-se na importância que tem para cada um dos jogadores, ao permitir-lhes "ganhar alguma confiança para enfrentarem o dia-a-dia", defende Francisco Seita, treinador da selecção nacional de Futebol de Rua. "E dentro de campo somos todos iguais, independentemente das nossas diferenças", conclui. A importância das políticas A noção e importância da inclusão social pelo desporto tem vindo a crescer, tanto a nivel de políticas europeias, como nas práticas adoptadas em cada país. Em 2008, Salomé Marivoet integrou uma equipa de investigadores do projecto FRA (Agência Europeia para os Direitos Fundamentais) para encontrar iniciativas de prevenção contra o racismo e a discriminação étnica no e pelo desporto e, em 2011, contribuiu para a criação de um guia de boas práticas de inclusão dos migrantes pelo desporto, através do projecto European Sport lnclusion Network. Foi graças à assinatura do Tratado de Lisboa (2007) que o desporto passou a ser matéria de interesse comum.
Em Portugal, o programa Desporto Para Todos, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), de âmbito nacional, apoia e financia iniciativas de clubes e associações que promovam a actividade física e desportiva, dirigidas a todos. "Seguimos o princípio da universalidade, que não exclui, antes pelo contrário: inclui todas as pessoas",destaca Augusto Baganha, Presidente do IPDJ. Mas por todo o país, o desporto inclusivo vai ganhando o seu lugar na área social. "Existem projectos que surgem de instituições privadas de solidariedade social (IPSS), que trabalham a nível de bairro e aí há uma grande sinergia com outras actividades de serviço social", explica a professora. "Nos clubes, surgem projectos ligados à própria vertente política do clube, de responsabilidade social", acrescenta. Salomé Marivoet defende o envolvimento entre os clubes e as IPSS, num trabalho conjunto. "É o ideal, mas a 'cultura de rede' em Portugal ainda oferece algumas resistências". "Não se trata de substituir o papel de cada um, mas sim de criar parcerias e haver um esforço de cooperação", conclui esta especialista em Inclusão Social pelo Desporto. 23
Cooperação entre clubes, federações e instituições de apoio social é uma via a seguir Inclusão Social Pelo Desporto É um caminho que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos na área social. O Desporto, como ferramenta para a inclusão social, tem a capacidade de fomentar a prática da actividade física e combater os vários tipos de discriminação, sobretudo entre os mais jovens. Mas para isso, é não só necessário um investimento na formação de técnicos desta área, como também uma maior cooperação entre os clubes e o apoio social. Com a crescente preocupação da população em criar hábitos de vida saudáveis, a actividade física tem vindo a assumir um papel importante. E o desporto, como fenómeno social, tem o poder aglutinador de promover as relações sociais e o espírito de equipa. "A interacção que se desenvolve no desporto, em cada modalidade, é uma ferramenta rica em termos de aprendizagem ao nível das relações sociais", defende Salomé Marivoet, professora de Sociologia e especialista em Inclusão Social Pelo Desporto. Com um maior nível de incidéncia entre os jovens, o desporto consegue potenciar a aproximação entre os mesmos.
"Pode criar 'palcos de proximidade , explica a docente universitária, "porque o facto de estarem todos a praticar desporto, com o mesmo vestuário e a participar com os mesmos objectivos (sobretudo em desporto colectivos) vai permitir que haja uma aproximação". É um mecanismo importante para evitar o preconc discriminação que levam à exclusão social dos indiv mais carenciados ou que fogem à norma, em relação suas escolhas sociais ou características físicas. "O Desport tem a capacidade de dinamizar vínculos afectivos e o estreitamento de relações", sublinha Salomé Marivoet. Sentido de pertença Portadora de deficiência mental, Inês Fernandes, 27 anos, descobriu no desporto adaptado a oportunidade de aumentar o seu sentido de pertença na sociedade, mas também de poder praticar uma modalidade pela qual é apaixonada desde pequena: o Atletismo. "Vem de outras gerações", conta a atleta, natural de Valença do Minho, Viana do Castelo, e especialista no lançamento do peso. Escolha de Muno Gomes
"Acredito que os valores no desporto devem ser de igualdade, aceitação, compreensão, independentemente das escolhas das pessoas, das suas características ou das suas próprias limitações." Abel Xavier (Ex-Futebolista)
"Tenho treinado e lutado muito. E por isso vou estar nos próximos Jogos Paralímpicos" Inês Fernandes (Atleta de desporto adaptado - Atletismo/Lançamento do Peso) "Seguimos o princípio da universalidade, que não exclui, antes pelo contrário: inclui todas as pessoas." Augusto Baganha (Presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude) Na família, já a tia e as irmãs praticavam Atletismo. Mas para Inês esta modalidade é mais do que um hobbie: actualmente prepara-se para os próximos Jogos Olimpicos, em 2016,a acontecerem no Rio de Janeiro.
"Tenho treinado e lutado muito. E por isso vou estar nos próximos Jogos Paralímpicos", revela a atleta. Esta é a segunda vez que o seu esforço e dedicação são reconhecidos, depois de ter participado nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. "O desporto é, sem dúvida, uma dimensão social que permite a afirmação pessoal de qualquer indivíduo, mas principalmente nos indivíduos com deficiência", destaca Humberto Santos, Presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP). Criado em 2008, o CPP veio reforçar o trabalho integrado entre as associações nacionais de desporto de pessoas com deficiência e as federações das várias modalidades disponíveis. "Hoje, pessoas com deficiência praticam um conjunto de modalidades a que outrora não tinham acesso e nos espaços das respectivas federações", explica o Presidente. Mas Humberto Santos defende que ainda é preciso fomentar esta maneira de pensar na sociedade. E para que isso aconteça, é preciso que comece com "a actividade física na escola".
E importante que professores e alunos "sejam elementos de motivação para que a prática de modalidades adaptadas permaneça e seja desenvolvida nas escolas", salienta. Das ruas para os grandes estádios Abel Xavier, 42 anos, ex-jogador da selecção portuguesa de futebol, descobriu no desporto a sua forma de vida. "Era um jovem que jogava futebol de bairro, que era praticado sem regras, com total liberdade mas obviamente que ansiava por entrar num clube ", recorda. Xavier nasceu em Moçambique mas chegou ao nosso país em criança, quando começara a dar os primeiros toques na bola. Apesar da sua cor de pele, não se lembra de ter sido discriminado. "Não acredito que, de uma forma vincada, Portugal seja um país intolerante", refere, "porque o futebol também evoluiu com a multiculturalidade, nomeadamente através da presença de jogadores vindos dos PALOP". Desempenhando agora a profissão de treinador, Abel Xavier acredita na inclusão social pelo desporto, e por isso partilha bons valores em cada sessão de treino. "Acredito que os valores no desporto devem ser de igualdade, aceitação, compreensão, independentemente das escolhas das pessoas, das suas características ou das suas próprias limitações", defende o treinador.
©Joseba Zarate Randez "A interacção que se desenvolve no desporto, em cada modalidade, é uma ferramenta rica em termos de aprendizagem ao nível das relações sociais." Salomé Marivoet (Professora de Sociologia e especialista em Inclusão Social pelo Desporto) "O desporto é, sem dúvida, uma dimensão social que permite a afirmação pessoal de qualquer indivíduo, mas principalmente nos indivíduos com deficiência." Humberto Santos (Presidente do Comité Paralímpico de Portugal)
O projecto Futebol De Rua Como instrumento de capacitação, no desenvolvimento de competências pessoais e sociais, nasceu em 2004 um dos mais importantes projectos sociais na área do desporto: o Futebol de Rua. Ao longo dos últimos anos tem crescido e reunido importantes apoios, como é o caso do programa "Football for Hope". Criado pela Associação CAIS, em parceria com inúmeras entidades públicas e privadas, o Futebol de rua promove a prática desportiva e a sua utilização como estratégia de intervenção, pela inclusão social. Há 4 anos que O Companheiro é uma das 110 IPSS que integram o projecto Futebol de Rua no seu plano de actividades de acção social. "Tem sido algo muito produtivo e proveitoso, não só para a prática da actividade física mas acima de tudo para a organização das pessoas com quem trabalhamos [reclusos e ex-reclusosj", destaca José Brites, Presidente d'O Companheiro. O coordenador do projecto Futebol de Rua, Gonçalo Santos, refere que "o grande objectivo é que o Futebol de Rua seja mais uma ferramenta, útil, para o desenvolvimento da motivação, auto-estima, assertividade, resiliência, respeito, trabalho de equipa de todos os participantes". São estes valores que Faduley Baía, 23 anos, aprendeu ao longo dos 3 anos de participação no Futebol de Rua.
"A parte social do Futebol de Rua é muito importante porque conhecemos pessoas, convivemos, ouvimos histórias", explica o jovem oriundo de São Tomé e Principe. O projecto tem vindo a aumentar o número de participantes (no ano passado foi alcançado um total de mais de 900 participantes) e isso reflecte-se na importância que tem para cada um dos jogadores, ao permitir-lhes "ganhar alguma confiança para enfrentarem o dia-a-dia", defende Francisco Seita, treinador da selecção nacional de Futebol de Rua. "E dentro de campo somos todos iguais, independentemente das nossas diferenças", conclui. A importância das políticas A noção e importância da inclusão social pelo desporto tem vindo a crescer, tanto a nivel de políticas europeias, como nas práticas adoptadas em cada país. Em 2008, Salomé Marivoet integrou uma equipa de investigadores do projecto FRA (Agência Europeia para os Direitos Fundamentais) para encontrar iniciativas de prevenção contra o racismo e a discriminação étnica no e pelo desporto e, em 2011, contribuiu para a criação de um guia de boas práticas de inclusão dos migrantes pelo desporto, através do projecto European Sport lnclusion Network. Foi graças à assinatura do Tratado de Lisboa (2007) que o desporto passou a ser matéria de interesse comum.
Em Portugal, o programa Desporto Para Todos, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), de âmbito nacional, apoia e financia iniciativas de clubes e associações que promovam a actividade física e desportiva, dirigidas a todos. "Seguimos o princípio da universalidade, que não exclui, antes pelo contrário: inclui todas as pessoas",destaca Augusto Baganha, Presidente do IPDJ. Mas por todo o país, o desporto inclusivo vai ganhando o seu lugar na área social. "Existem projectos que surgem de instituições privadas de solidariedade social (IPSS), que trabalham a nível de bairro e aí há uma grande sinergia com outras actividades de serviço social", explica a professora. "Nos clubes, surgem projectos ligados à própria vertente política do clube, de responsabilidade social", acrescenta. Salomé Marivoet defende o envolvimento entre os clubes e as IPSS, num trabalho conjunto. "É o ideal, mas a 'cultura de rede' em Portugal ainda oferece algumas resistências". "Não se trata de substituir o papel de cada um, mas sim de criar parcerias e haver um esforço de cooperação", conclui esta especialista em Inclusão Social pelo Desporto. 23
26.11.15
Modalidades em Braga unidas por uma causa
Décio Vigia, in "Modalidades"
A 25 de novembro assinalou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. São várias as iniciativas que se realizam neste âmbito e, este ano, o recém criado núcleo de Braga da Amnistia Internacional (AI) – uma organização mundial que luta pelos Direitos Humanos em todo o mundo – decidiu juntar-se com uma campanha a que alguns agentes de modalidades se juntaram.
A AI juntou os dois clubes de futsal da cidade que militam na Liga Sport Zone, o ABC/UMinho do Andebol1 e ainda o Hóquei Clube de Braga num vídeo com uma mensagem clara: a violência contra a mulher tem que terminar! André Machado, André Gomes e Vitor Hugo do SC Braga/AAUM, Ricardo Fernandes do Gualtar, Rodrigo Sousa do hóquei, Humberto Gomes, Ricardo Pesqueira, Nuno Grilo, Carlos Martins, Diogo Branquinho e ainda o treinador Carlos Resende, do ABC/UMinho são os desportistas que se associaram à causa e que dizem NÃO à violência contra a mulher.
A 25 de novembro assinalou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. São várias as iniciativas que se realizam neste âmbito e, este ano, o recém criado núcleo de Braga da Amnistia Internacional (AI) – uma organização mundial que luta pelos Direitos Humanos em todo o mundo – decidiu juntar-se com uma campanha a que alguns agentes de modalidades se juntaram.
A AI juntou os dois clubes de futsal da cidade que militam na Liga Sport Zone, o ABC/UMinho do Andebol1 e ainda o Hóquei Clube de Braga num vídeo com uma mensagem clara: a violência contra a mulher tem que terminar! André Machado, André Gomes e Vitor Hugo do SC Braga/AAUM, Ricardo Fernandes do Gualtar, Rodrigo Sousa do hóquei, Humberto Gomes, Ricardo Pesqueira, Nuno Grilo, Carlos Martins, Diogo Branquinho e ainda o treinador Carlos Resende, do ABC/UMinho são os desportistas que se associaram à causa e que dizem NÃO à violência contra a mulher.
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