David Graeber: “O mercado financeiro é o principal criador de trabalhos de merda”
in El País
Mordaz e implacável com o papel dos economistas antes e durante a Grande Recessão, Graeber escreveu uma obra provocadora que desmantela a idealização que as sociedades ocidentais fazem do emprego
Ele é um dos líderes intelectuais do pensamento radical contemporâneo. Anarquista indie, filho de um membro das Brigadas Internacionais, fez parte do movimento Occupy Wall Street e hoje dá aulas de antropologia na London School of Economics. Mordaz e implacável com o papel dos economistas antes e durante a Grande Recessão, escreveu uma obra provocadora que desmantela a idealização que as sociedades ocidentais fazem do emprego
Queda do valor de moedas emergentes desperta temor de nova crise mundial
David Graeber, nova-iorquino de 57 anos, é um anarquista que dá aulas na London School of Economics. Um antropólogo outsider que compartilha conhecimentos no templo de estudos do capitalismo global. Um professor exilado à força em Londres, desde que mais de 20 universidades de seu país rejeitaram seu currículo após uma partida abrupta de Yale, depois de sair em defesa de um aluno que tentava organizar um sindicato de estudantes. Um acadêmico provocador que tem escrito em seus momentos livres obras tão peculiares como Dívida - Os Primeiros 5.000 Anos e The Utopia of Rules (“a utopia das normas”). Um homem, em suma, que define a si mesmo como um workaholic e agora tem um dos livros mais estimulantes da temporada, Bullshit Jobs: A Theory (“trabalhos de merda: uma teoria”), lançado em espanhol pela editora Ariel com o título de Trabajos de Mierda.
A gênese do novo livro de Graeber parte de um artigo que ele publicou em uma revista alternativa em 2013. O artigo viralizou rapidamente nas redes sociais, foi traduzido para 13 línguas em duas semanas e catapultou sua popularidade entre as elites do pensamento radical. Aquela aproximação ao fenômeno dos trabalhos de merda − que povoam, segundo sua versão, distintas latitudes do planeta − acabou se transformando em um divertido livro de mais de 400 páginas onde seu autor afirma, entre outras provocações, que cerca de metade dos empregos atuais poderiam ser eliminados sem que ninguém notasse. O motivo? São absolutamente desnecessários por sua tendência à burocratização e managerização das organizações: “Depois de perguntar a pessoas de diversas áreas o que fazem realmente em sua jornada de trabalho, você percebe a grande quantidade de tempo que perdem em tarefas que não servem para nada. Keynes tinha razão: a jornada de 15 horas semanais é e já deveria ser viável − e, é claro, sustentável. Todos teríamos uma vida melhor”.
Filiado a correntes anticapitalistas de militância como Occupy Wall Street, da qual foi um dos líderes intelectuais, não é de estranhar que Graeber tenha vindo recentemente a Liverpool, no norte de Reino Unido, para participar dos debates em torno do futuro da esquerda organizados pelo Momentum, um movimento decisivo no impulso do líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn. Esses encontros, nos quais Graeber deixou sua marca anarquista com estética de roqueiro indie, coincidiram no espaço e no tempo com o congresso anual do Partido Trabalhista, onde foi notícia a insistência de Corbyn em relação à possibilidade de realização de um segundo referendo sobre o Brexit e seu pedido de eleições antecipadas se o plano da primeira-ministra britânica, Theresa May, fracassar nas tensas negociações com a União Europeia (UE).
Indo além da especulação em torno de se o Brexit se materializará finalmente em sua forma dura ou branda, David Graeber manifesta dúvidas sobre se, de fato, a saída britânica da UE chegará a ocorrer: “Eleições poderiam pôr Jeremy Corbyn à mesa de conversações com a Europa. E ele poderia dizer: eu represento o contrário do que vocês não gostavam dos trabalhistas nesta negociação. Comecemos de novo”. Interpretando à perfeição o papel de professor distraído que acabou de se levantar no meio da amanhã e ainda não tomou café, elegantemente despenteado, usando blazer escuro, colete verde, camisa branca com vários botões desabotoados, calça marrom e sapatos combinando, tudo de segunda mão e com um acentuado toque britânico − “moro de aluguel muito perto de Portobello Road e compro toda minha roupa lá” −, Graeber se senta no movimentado lobby do hotel de Liverpool onde passou a noite antes de participar das conversas sobre o futuro da esquerda.
"37% dos trabalhadores afirmam que seu trabalho não contribui para absolutamente nada e apenas 15% ou 20% dizem ser felizes”
Pergunta. Quer dizer que 50% dos trabalhos que temos são uma merda?
Resposta. Não sei de maneira exata, mas o que sugiro com essa cifra é a quantidade de empregados que pensam que o que fazem não serve para nada. Para escrever sobre esse assunto, falei com diversos tipos de trabalhadores. Apenas 15% ou 20% diziam ser felizes com seu trabalho. E 37% afirmavam que o que faziam não contribui para absolutamente a nada. É algo que acontece em muitas organizações do mundo. Se uma enfermeira passa a maior parte de seu tempo preenchendo formulários em vez de atender os pacientes, sua essência está se desnaturalizando. E quando essa pessoa tem consciência da situação é que eu aplico a definição de trabalho de merda.
P. Você classifica os empregos como “não muito”, “altamente” e “totalmente” de merda. Ninguém está a salvo.
R. Exato. Eu também sofro disso. Há dezenas de obrigações e papelada que tenho de fazer e que há cinco anos ninguém precisava. Quanto mais pessoal administrativo há em uma universidade e mais postos de supervisão são criados em diferentes níveis, maior é a quantidade de burocracia exigida entre departamentos e menor é o tempo para pesquisar, dar aulas e ensinar.
P. Quanta merda você tem de aguentar em seu cargo?
R. É difícil medir. No meu caso, acho que meu trabalho não é ruim. Mas sou um workaholic. Trabalho o tempo todo. E em meus momentos livres escrevo livros.
“A melhor analogia do Brexit é com a Primeira Guerra Mundial. As consequências serão catastróficas: novas leis, tratados que ninguém entende...”
P. Tem família?
R. Não. Meus pais e meu irmão, minha família nos Estados Unidos, morreram. Eu gostaria de formar uma algum dia.
P. E o que faz um anarquista na London School of Economics?
R. É preciso trabalhar. Depois que não renovaram meu contrato em Yale, enviei meu currículo a mais de 20 universidades dos Estados Unidos. Mas não me quiseram. Por isso, vim para o Reino Unido. A London School of Economics é uma instituição peculiar. Há departamentos que não têm nada a ver entre si.
P. Havia alguém relacionado ao pensamento anarquista em sua família?
R. Meu pai foi membro das Brigadas Internacionais. Lutou na Espanha durante a Guerra Civil e viveu em Barcelona. Aos 16 anos, deu-me de presente um exemplar de Homenagem à Catalunha, de Orwell. A maioria das pessoas não considera o anarquismo uma má ideia, e sim uma loucura. Mas uma das coisas que aprendi com ele foi que estas ideias não são um disparate, e que as pessoas podem conduzir a si mesmas.
P. Agora que vive no Reino Unido, quantos trabalhos de merda acredita que o Brexit vai deixar?
R. Não sei, mas para os advogados será a melhor coisa que já aconteceu. Será necessário reescrever tudo, conceber novas leis aqui e na União Europeia para um novo cenário. Embora eu não saiba se o Brexit chegará a se materializar. Não acredito que os trabalhistas tivessem uma ideia clara do que estavam fazendo quando o propuseram, embora tenham levado isso adiante. Há muitos precedentes deste tipo de catástrofe na história. Vejamos de novo a Primeira Guerra Mundial: nenhum dos atores tinha intenção de fazer o que anunciava, mas eles seguiram em frente e aconteceu o que aconteceu.
P. O Brexit lhe parece comparável à Primeira Guerra Mundial?
R. É a melhor analogia possível. Um cenário que também está cheio de tratados que ninguém entende, no qual ninguém esperava que acontecesse o que está acontecendo. Não acredito que as pessoas cheguem a lutar como na Primeira Guerra, mas os resultados serão catastróficos. Surgirão novas obrigações, legislações complexas... Por isso, se houver um coletivo que sairá ganhando com o Brexit, serão os advogados.
P. Como avalia o papel que instituições importantes como a London School of Economics desempenharam antes do referendo do Brexit?
R. É um problema: é chato que apontem para nós quando a maioria dos estudantes desta universidade é de fora do Reino Unido. É uma instituição internacional. E uma das coisas que me assustaram com o anúncio do Brexit é que há uma parte de financiamento europeu. Talvez pudesse haver alguma complacência antes do referendo, mas ninguém acreditava que Donald Trump ganharia as eleições nos Estados Unidos. A partir de um movimento como o Occupy Wall Street, contra a corrupção do sistema político, tentamos alertar que as pessoas já não aguentavam mais.
P. Talvez movimentos como o Occupy Wall Street tenham ajudado a impulsionar a raiva necessária para acabar elegendo Trump?
R. Não acredito que tenhamos esse poder. A ira daqueles eleitores já estava lá. Nós dizíamos o que nenhum meio de comunicação nem membros da classe política diriam, embora todos pensassem assim. Todo mundo está de acordo quanto ao fato de que os sistemas políticos são corruptos. Se não foram apresentadas soluções construtivas, as pessoas apostarão em medidas destrutivas. Daí o avanço de Governos populistas eleitos democraticamente. E o aumento de suicídios, assassinatos e mortes por overdose em países como os Estados Unidos.
“Passamos tanto tempo trabalhando duro, ou fingindo, que não sabemos o que aconteceria deixássemos de fazer isso”
P. Até que ponto os economistas poderiam ter ajudado a entender o que estava ocorrendo antes da quebra do Lehman Brothers, há 10 anos, e da eclosão da Grande Recessão?
R. Às vezes as pessoas gostam de falar mal dos economistas com base na estupidez. Não acredito que o problema seja a estupidez, e sim a corrupção. Praticamente todos os economistas que não faziam parte da estrutura institucional sabiam o que iria acontecer. Era óbvio. Mas o papel dos economistas era negar, porque para isso eles eram pagos.
P. E o mercado financeiro é, para você, o paradigma de criação de trabalhos de merda.
R. Sim, é aí que tudo começa. Se você se dedica a extrair riqueza e a redistribuí-la, não há nenhuma motivação para ser eficiente; quanto mais ineficiente você é, mais você pode reter.
P. Por que você acha que parece impossível cumprir a profecia de Keynes sobre a jornada de 15 horas semanais?
R. Há várias razões. Por exemplo, politicamente sempre se disse que ter mais empregos é algo bom. Ninguém diz que temos muitos em nossa sociedade. Sempre se elogia o valor das famílias que trabalham duro. E o que acontece com as famílias que fazem isso com intensidade moderada? Não merecem nada? Sempre existiu uma pressão política para a criação de empregos. Isso é prosperidade? Depende do que cada um entende o que significa esse conceito, principalmente se valoriza o tempo livre.
P. Mas você precisamente se declara viciado em trabalho.
R. Dedico meu tempo livre a ler e escrever livros, mas aí não estou trabalhando para ninguém a não ser eu. Também gosto do meu ofício. Há algo perverso nisso, na verdade. Embora eu também acredite que meu trabalho crie um valor social. Recebi muitos telefonemas de estudantes anos depois de terem sido meus alunos para me agradecer pelo que aprenderam comigo. Não sei se com os banqueiros isso ocorre muito.
P. Entre os componentes de um trabalho de merda você identifica as reuniões desnecessárias, as interrupções absurdas, o tempo dedicado ao correio eletrônico...
R. Talvez o foco devesse ser colocado então na nefasta organização interna nas empresas. Sim. Muitas companhias são especialistas em criar merda interna. Qualquer organização faz isso. E diante da pressão de criar mais empregos, todas tendem a aumentar sua equipe com postos que não são tão necessários e criam mais níveis intermediários.
P. Você concentra o fogo nos advogados comerciais, mas muitos deles não acham que exercem um trabalho de merda. E, é claro, adoram o que ganham.
R. Principalmente os que estão no topo do ranking.
P. Você acredita que a ganância é a única motivação dos trabalhos de merda?
R. No caso dos advogados comerciais, sim. E depois está a máfia, que emprega diretamente o diabo. Mas temos de ser justos. Também não podemos criticar quem diz que não poderia desempenhar uma função que gere benefícios sociais e ao mesmo tempo pagar o aluguel.
P. Fomos enganados na escola quando nos disseram que seríamos melhores se trabalhássemos duro?
R. Com certeza. Predomina essa ideia de que você não é uma boa pessoa a menos que trabalhe mais do que realmente quer. Há estudos sociológicos que concentram a maioria dos valores ocidentais no emprego, mas ao mesmo tempo a maioria das pessoas odeia o que faz.
P. Lacaios. Capangas. Capatazes. Essas são algumas das categorias que você usa para afirmar que nos países ocidentais, mais que no capitalismo, predomina uma espécie de feudalismo medieval com incontáveis hierarquias entre proprietários e servidores. Mas talvez estejamos em uma situação um pouco melhor do que na Idade Média.
R. Há vantagens e desvantagens. Entre estas últimas se destacam os altos níveis de vigilância e supervisão: elogiam-se aqueles cargos que tomam decisões por outros. Sempre se pensou que só as pessoas que fabricam copos deveriam orientar quem fabrica copos: isso gerava certa autonomia. Mas hoje se tende a acreditar no contrário: só os formados nas escolas de negócios podem dirigir qualquer um. Quanto às vantagens do nosso tempo, há alguns elementos de democracia, avanços científicos...
P. Para você, uma receita para mudar o que não funciona seria a renda básica universal, garantida vitaliciamente a todo mundo, de modo que quem quisesse poderia se dedicar à poesia ou a ser cantor de rock. Independentemente da viabilidade da proposta e de que todo mundo tivesse talento para ser poeta, talvez nem assim muita gente chegasse a ser feliz.
R. O que está claro é que uma alta porcentagem dos empregados consideram que o que fazem diariamente não serve para nada. Outra coisa são os trabalhos perigosos ou desagradáveis, mas necessários, que deveriam ser mais bem pagos. Na grande maioria, aqueles que consideram seu trabalho desnecessário são infelizes. Não só no Ocidente. Recebi testemunhos parecidos de muitos lugares do planeta. Talvez devêssemos ajudar a repensar o significado do dinheiro.
P. E há aqueles que adoram o que fazem, mesmo que considerem seu trabalho uma porcaria.
R. Apenas 6%, segundo os estudos que tenho, estão satisfeitos com seu posto, apesar de não encontrarem nenhum propósito naquilo que fazem.
P. Acredita que são manipulados pelo mercado? Ou pelo 1% que monopoliza a maior parte da riqueza?
R. Não, provavelmente odeiam suas famílias. Ou algo parecido. Falando sério: o capitalismo descarrilará mais cedo do que tarde. Acontecerá em 30, 40 ou 50 anos. E isso não quer dizer que virá algo melhor. Pode ser algo até mesmo pior.
P. Você acha que a vida é uma merda?
R. A vida é o contrário. Por isso é tão absurdo vivê-la fingindo estar ocupado. O funcionário de uma loja que fica a maior parte do tempo reorganizando prateleiras até que entre um cliente, simplesmente para que seu chefe acredite que ele está ocupado, está transformando seu trabalho em uma merda. É um exemplo que vale para qualquer outro âmbito. Estamos presos em um círculo vicioso. Passamos tanto tempo trabalhando duro, ou fingindo que batalhamos duro, que não sabemos o que aconteceria se parássemos de fazer isso. Do ponto de vista liberal, sempre se disse que isso geraria mais crime e mais drogados, que as pessoas não saberiam administrar tanto tempo livre. Muito bem, coloquemos as pessoas na prisão durante oito horas por dia. Afinal, é o mesmo efeito causado pelos empregos desnecessários. Esse é um dos motivos do aumento dos casos de depressão: é contra nossa natureza conviver com a moral que exige que passemos oito horas trabalhando continuamente, independentemente de haver ou não algo a fazer.
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5.5.16
Beneficiários da AMI abaixo dos 30 anos
In "Destak"
Quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência. Médica Internacional (AMI) ajudou em 2015 tinham menos de 30 anos, revelamos dados da organização, que apontam para uma descida de 6% no número de casos apoiados diretamente: Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vezos apoios sociais da AMI, no ano passado, 3.775 pessoas (28% da população total apOiada). A organização contabiliza 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais mulheres, que mais do que duplicaram.
Quase metade das 28.069 pessoas que a Assistência. Médica Internacional (AMI) ajudou em 2015 tinham menos de 30 anos, revelamos dados da organização, que apontam para uma descida de 6% no número de casos apoiados diretamente: Apesar da diminuição verificada face ao ano anterior, procuraram pela primeira vezos apoios sociais da AMI, no ano passado, 3.775 pessoas (28% da população total apOiada). A organização contabiliza 502 novos casos de sem-abrigo, menos 13 face a 2014, 27% dos quais mulheres, que mais do que duplicaram.
14.5.14
Portugal é o terceiro país da OCDE com mais desemprego entre os jovens
Ana Rute Silva, in Público on-line
Espanha e Itália têm a taxa de desemprego mais elevada entre os 34 países membros da organização.
Portugal é terceiro país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com a taxa de desemprego jovem mais elevada, depois de Espanha e de Itália. Em Março, 34,5% da população activa entre os 15 e os 24 anos não tinha emprego, um aumento em relação aos meses de Fevereiro e Janeiro.
Em Espanha, 53,9% dos jovens estão nesta situação (a mesma percentagem que em Fevereiro). Já em Itália, o problema afecta 42,7% dos jovens. A taxa de desemprego jovem em Março situa-se nos 15,5% (15,4% no primeiro trimestre), enquanto a da União Europeia chega perto dos 23%.
Na OCDE, há 45,9 milhões de pessoas desempregadas, mas a taxa (de 7,5%) mantém-se desde o início do ano. Em Portugal, a organização indica que 15,2% da população activa está no desemprego, o mesmo valor de Janeiro e Fevereiro e um recuo face aos 16,5% registados no ano de 2013. A maior parte dos países manteve os mesmo níveis em Março e Espanha é o elemento da organização com mais pessoas sem trabalho (25,3% nesse mês).
Há mais mulheres no desemprego que homens (a taxa cresceu 0,1 pontos percentuais em Março), ainda que entre os desempregados do sexo masculino se tenha registado um ligeiro recuo, de 15% em Fevereiro, para 14,9% em Março. A média da OCDE é de 7,7% de desemprego entre as mulheres e de 7,4% entre os homens.
Espanha e Itália têm a taxa de desemprego mais elevada entre os 34 países membros da organização.
Portugal é terceiro país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com a taxa de desemprego jovem mais elevada, depois de Espanha e de Itália. Em Março, 34,5% da população activa entre os 15 e os 24 anos não tinha emprego, um aumento em relação aos meses de Fevereiro e Janeiro.
Em Espanha, 53,9% dos jovens estão nesta situação (a mesma percentagem que em Fevereiro). Já em Itália, o problema afecta 42,7% dos jovens. A taxa de desemprego jovem em Março situa-se nos 15,5% (15,4% no primeiro trimestre), enquanto a da União Europeia chega perto dos 23%.
Na OCDE, há 45,9 milhões de pessoas desempregadas, mas a taxa (de 7,5%) mantém-se desde o início do ano. Em Portugal, a organização indica que 15,2% da população activa está no desemprego, o mesmo valor de Janeiro e Fevereiro e um recuo face aos 16,5% registados no ano de 2013. A maior parte dos países manteve os mesmo níveis em Março e Espanha é o elemento da organização com mais pessoas sem trabalho (25,3% nesse mês).
Há mais mulheres no desemprego que homens (a taxa cresceu 0,1 pontos percentuais em Março), ainda que entre os desempregados do sexo masculino se tenha registado um ligeiro recuo, de 15% em Fevereiro, para 14,9% em Março. A média da OCDE é de 7,7% de desemprego entre as mulheres e de 7,4% entre os homens.
5.5.14
Desemprego em Portugal mantém-se estável em março, mas continua a aumentar entre os jovens
in SicNotícias
A taxa de desemprego em Portugal manteve-se nos 15,2% em março, o mesmo valor desde janeiro de 2014, tendo no entanto aumentado entre os jovens para os 35,4% relativamente a fevereiro, revela o Eurostat.
No boletim hoje divulgado, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia revê em ligeira baixa a taxa de desemprego para Portugal nos primeiros três meses deste ano, de 5,3% para 5,2%.
Em termos homólogos, Portugal observou a terceira maior descida da taxa de desemprego entre os 28 Estados-membros (de 17,4% para 15,2%), atrás da Hungria (de 11,2% para 7,9% em fevereiro) e da Letónia (de 13,9% para 11,6% entre o quarto trimestre de 2012 e 2013).
Já o desemprego jovem voltou a aumentar em março, para 35,4%, face aos 35% registados no mês anterior, tendo contudo baixado quase cinco pontos percentuais em termos homólogos (40,1% em março de 2013).
Na União Europeia, a taxa de desemprego jovem na zona euro foi de 22,8% e de 23,7% ao nível da zona euro, contra os 23,5% e 24% registados respetivamente em março de 2013.
Ao nível da zona euro, a taxa de desemprego manteve-se estável tanto na zona euro (11.8%) como na União Europeia (10,5%) relativamente a fevereiro.
Em termos homólogos, isto é, em relação a março de 2013, a taxa de desemprego baixou duas décimas, de 12% para 11,8% entre os países da moeda única, e quatro décimas entre os 28, de 10,9% para 10,5%.
Em março, os Estados-membros com taxas de desemprego mais baixas foram a Áustria (4,9%), a Alemanha (5,1%) e o Luxemburgo (6,1%), tendo a Grécia (26,7% em janeiro) e a Espanha (25,3%) observado as taxas mais elevadas.
Em relação a março de 2013, o desemprego aumentou em dez Estados-membros, manteve-se estável em três e baixou em quinze países, com Chipre (de 14,8% para 17,4%), os Países Baixos (de 6,4% para 7,2%), a Itália (de 12% para 12,7%) e a Croácia (de 16,6% para 17,3%) a liderarem a lista de países com maiores subidas.
De acordo com o Eurostat, em março de 2014 havia 25.699 milhões de pessoas no desemprego na União Europeia e 18.913 milhões na zona euro, o que representa um recuo de 66 mil e 22 mil pessoas, respetivamente, em relação ao mês de fevereiro.
Na comparação anual, o Eurostat indica ter havido uma redução de 929 mil desempregados na União Europeia e 316 mil desemprego entre os países do euro.
A taxa de desemprego em Portugal manteve-se nos 15,2% em março, o mesmo valor desde janeiro de 2014, tendo no entanto aumentado entre os jovens para os 35,4% relativamente a fevereiro, revela o Eurostat.
No boletim hoje divulgado, o gabinete oficial de estatísticas da União Europeia revê em ligeira baixa a taxa de desemprego para Portugal nos primeiros três meses deste ano, de 5,3% para 5,2%.
Em termos homólogos, Portugal observou a terceira maior descida da taxa de desemprego entre os 28 Estados-membros (de 17,4% para 15,2%), atrás da Hungria (de 11,2% para 7,9% em fevereiro) e da Letónia (de 13,9% para 11,6% entre o quarto trimestre de 2012 e 2013).
Já o desemprego jovem voltou a aumentar em março, para 35,4%, face aos 35% registados no mês anterior, tendo contudo baixado quase cinco pontos percentuais em termos homólogos (40,1% em março de 2013).
Na União Europeia, a taxa de desemprego jovem na zona euro foi de 22,8% e de 23,7% ao nível da zona euro, contra os 23,5% e 24% registados respetivamente em março de 2013.
Ao nível da zona euro, a taxa de desemprego manteve-se estável tanto na zona euro (11.8%) como na União Europeia (10,5%) relativamente a fevereiro.
Em termos homólogos, isto é, em relação a março de 2013, a taxa de desemprego baixou duas décimas, de 12% para 11,8% entre os países da moeda única, e quatro décimas entre os 28, de 10,9% para 10,5%.
Em março, os Estados-membros com taxas de desemprego mais baixas foram a Áustria (4,9%), a Alemanha (5,1%) e o Luxemburgo (6,1%), tendo a Grécia (26,7% em janeiro) e a Espanha (25,3%) observado as taxas mais elevadas.
Em relação a março de 2013, o desemprego aumentou em dez Estados-membros, manteve-se estável em três e baixou em quinze países, com Chipre (de 14,8% para 17,4%), os Países Baixos (de 6,4% para 7,2%), a Itália (de 12% para 12,7%) e a Croácia (de 16,6% para 17,3%) a liderarem a lista de países com maiores subidas.
De acordo com o Eurostat, em março de 2014 havia 25.699 milhões de pessoas no desemprego na União Europeia e 18.913 milhões na zona euro, o que representa um recuo de 66 mil e 22 mil pessoas, respetivamente, em relação ao mês de fevereiro.
Na comparação anual, o Eurostat indica ter havido uma redução de 929 mil desempregados na União Europeia e 316 mil desemprego entre os países do euro.
26.2.14
Ministro do Emprego anuncia criação de medidas para jovens no valor de 1,3 milhões
in iOnline
No final do discurso de Mota Soares, o deputado do PCP Jorge Machado afirmou que o ministro fala de “um mundo cor-de-rosa que não tem qualquer tipo de correspondência com a realidade concreta”.
O ministro da Solidariedade, do Emprego e da Segurança Social anunciou hoje a criação, em 2014 e 2015, de 378 mil respostas de educação, formação, inserção e emprego para os jovens, num investimento de 1,3 milhões de euros.
Estas medidas fazem parte do Garantia Jovem, um programa europeu que “será um forte contributo para inverter o cenário atual em que se encontram muitos” jovens, disse Pedro Mota Soares na Comissão da Segurança Social e Trabalho, onde foi ouvido durante mais de quatro horas, a pedido do PCP.
“Neste momento estamos a preparar o terreno para a implementação dessa medida que visa garantir que todos os jovens com menos de 30 anos beneficiam de uma oferta de emprego, formação permanente, aprendizagem ou estágio, no prazo de quatro meses após terem ficado desempregados ou terem terminado o ensino formal”, adiantou.
Segundo o ministro, há atualmente mais 140 mil portugueses abrangidos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional do que em 2011, num total de 596 mil pessoas.
Salientou ainda que, em 2013, houve um aumento de 49% das ofertas de trabalho, “traduzindo um cenário de procura mais favorável para todos e um aumento de cerca de 44% das colocações dando nota de que a procura se tem conseguido ajustar mais à oferta”.
Também houve “uma semelhante evolução” na formação profissional, cujo número de abrangidos cresceu 28% para cerca de 437 mil pessoas ou na reabilitação profissional, que cresceu 44% (18 mil abrangidos).
Sobre o desemprego, o ministro assinalou a diminuição da taxa em 2,2 pontos percentuais face a fevereiro de 2013, passando de 17,6% para 15,4%, “o que representa a maior descida do desemprego desde janeiro de 1984”.
No final do discurso de Mota Soares, o deputado do PCP Jorge Machado afirmou que o ministro fala de “um mundo cor-de-rosa que não tem qualquer tipo de correspondência com a realidade concreta”.
“Insiste com um discurso que não bate certo com a realidade e no que diz respeito ao desemprego é ofensivo para quem está em casa sem trabalho”, frisou o deputado.
Sempre que é ouvido na comissão, o ministro “anuncia medidas, é milhões atrás de milhões e projetos atrás de projetos anunciados e nunca concretizados. Se somássemos todas as verbas que aqui anuncia para enganar o pagode teríamos dois ou três PIB de investimento relativamente à área da Segurança Social”, comentou.
Também o deputado socialista Nuno Sá teceu duras críticas à política do Governo, afirmando que, num ano, a população ativa em Portugal reduziu-se em 66.800 pessoas, tendo a maior parte deles emigrado porque “não tinha futuro em Portugal”.
“Assim ao milagre dos menos 96.500 portugueses desempregados temos de subtrair 66.800 que emigraram”, comentou.
Nuno Sá adiantou que num ano foram gerados 44.900 empregos no setor público entre o quarto trimestre de 2012 e o período homólogo de 2013.
“Mas se a população empregada só aumentou 29.700 indivíduos então não acompanhou o ritmo de criação de emprego no setor público, o que significa que apesar do setor público ter criado 44.900 empregos, mesmo assim foram destruídos 15.200 empregos”, sublinhou, acrescentando que a economia privada continua a destruir emprego.
Respondendo a Nuno Sá, o ministro afirmou que o “mérito efetivo desta geração de postos de trabalho não é do Governo, é da economia, é dos empresários é dos trabalhadores”.
"Acho um erro que sempre que se quer atacar o Governo, dizer-se que é o Governo que está a criar postos de trabalho, isso não é verdade face aos dados do INE”, contrapôs Mota Soares.
Para a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca, a política do Governo é para “dar todo o poder às empresas” para despedirem quem ganha mais e substituir essas pessoas por trabalhadores precários.
No final do discurso de Mota Soares, o deputado do PCP Jorge Machado afirmou que o ministro fala de “um mundo cor-de-rosa que não tem qualquer tipo de correspondência com a realidade concreta”.
O ministro da Solidariedade, do Emprego e da Segurança Social anunciou hoje a criação, em 2014 e 2015, de 378 mil respostas de educação, formação, inserção e emprego para os jovens, num investimento de 1,3 milhões de euros.
Estas medidas fazem parte do Garantia Jovem, um programa europeu que “será um forte contributo para inverter o cenário atual em que se encontram muitos” jovens, disse Pedro Mota Soares na Comissão da Segurança Social e Trabalho, onde foi ouvido durante mais de quatro horas, a pedido do PCP.
“Neste momento estamos a preparar o terreno para a implementação dessa medida que visa garantir que todos os jovens com menos de 30 anos beneficiam de uma oferta de emprego, formação permanente, aprendizagem ou estágio, no prazo de quatro meses após terem ficado desempregados ou terem terminado o ensino formal”, adiantou.
Segundo o ministro, há atualmente mais 140 mil portugueses abrangidos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional do que em 2011, num total de 596 mil pessoas.
Salientou ainda que, em 2013, houve um aumento de 49% das ofertas de trabalho, “traduzindo um cenário de procura mais favorável para todos e um aumento de cerca de 44% das colocações dando nota de que a procura se tem conseguido ajustar mais à oferta”.
Também houve “uma semelhante evolução” na formação profissional, cujo número de abrangidos cresceu 28% para cerca de 437 mil pessoas ou na reabilitação profissional, que cresceu 44% (18 mil abrangidos).
Sobre o desemprego, o ministro assinalou a diminuição da taxa em 2,2 pontos percentuais face a fevereiro de 2013, passando de 17,6% para 15,4%, “o que representa a maior descida do desemprego desde janeiro de 1984”.
No final do discurso de Mota Soares, o deputado do PCP Jorge Machado afirmou que o ministro fala de “um mundo cor-de-rosa que não tem qualquer tipo de correspondência com a realidade concreta”.
“Insiste com um discurso que não bate certo com a realidade e no que diz respeito ao desemprego é ofensivo para quem está em casa sem trabalho”, frisou o deputado.
Sempre que é ouvido na comissão, o ministro “anuncia medidas, é milhões atrás de milhões e projetos atrás de projetos anunciados e nunca concretizados. Se somássemos todas as verbas que aqui anuncia para enganar o pagode teríamos dois ou três PIB de investimento relativamente à área da Segurança Social”, comentou.
Também o deputado socialista Nuno Sá teceu duras críticas à política do Governo, afirmando que, num ano, a população ativa em Portugal reduziu-se em 66.800 pessoas, tendo a maior parte deles emigrado porque “não tinha futuro em Portugal”.
“Assim ao milagre dos menos 96.500 portugueses desempregados temos de subtrair 66.800 que emigraram”, comentou.
Nuno Sá adiantou que num ano foram gerados 44.900 empregos no setor público entre o quarto trimestre de 2012 e o período homólogo de 2013.
“Mas se a população empregada só aumentou 29.700 indivíduos então não acompanhou o ritmo de criação de emprego no setor público, o que significa que apesar do setor público ter criado 44.900 empregos, mesmo assim foram destruídos 15.200 empregos”, sublinhou, acrescentando que a economia privada continua a destruir emprego.
Respondendo a Nuno Sá, o ministro afirmou que o “mérito efetivo desta geração de postos de trabalho não é do Governo, é da economia, é dos empresários é dos trabalhadores”.
"Acho um erro que sempre que se quer atacar o Governo, dizer-se que é o Governo que está a criar postos de trabalho, isso não é verdade face aos dados do INE”, contrapôs Mota Soares.
Para a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Aiveca, a política do Governo é para “dar todo o poder às empresas” para despedirem quem ganha mais e substituir essas pessoas por trabalhadores precários.
13.2.13
Mais de um terço dos jovens desempregados em 2012 reside no Norte
in Jornal de Notícias
Mais de um terço do número de jovens desempregados contabilizados no conjunto de 2012 reside no Norte do país, segundo dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com o INE, em 2012, havia 56,7 mil desempregados na região Norte entre os 15 e os 24 anos, contra os 50,5 mil existentes em 2011, cerca de 35% do total de 161 mil contabilizados para o conjunto do ano.
Em 2011, em Portugal, havia 133,5 mil jovens desempregados, menos 27,5 mil do que os contabilizados em 2012.
Lisboa foi a segunda região mais afetada pelo desemprego jovem, atingindo no ano passado 43,8 mil pessoas (35,8 mil em 2011), seguida do Centro, com 32,4 mil pessoas (23,6 mil em 2011).
Os Açores e a Madeira, de acordo com os dados do INE, eram as regiões com menos registo de jovens desempregados, ambas com 5,3 mil.
Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a subir e chegou no quarto trimestre aos 40%, afetando 165 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.
No terceiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 39%, mas o número de jovens desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística era superior, alcançando os 175,1 mil.
No trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens era de 35,4%, atingindo 156,3 mil pessoas.
Mais de um terço do número de jovens desempregados contabilizados no conjunto de 2012 reside no Norte do país, segundo dados divulgados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.
De acordo com o INE, em 2012, havia 56,7 mil desempregados na região Norte entre os 15 e os 24 anos, contra os 50,5 mil existentes em 2011, cerca de 35% do total de 161 mil contabilizados para o conjunto do ano.
Em 2011, em Portugal, havia 133,5 mil jovens desempregados, menos 27,5 mil do que os contabilizados em 2012.
Lisboa foi a segunda região mais afetada pelo desemprego jovem, atingindo no ano passado 43,8 mil pessoas (35,8 mil em 2011), seguida do Centro, com 32,4 mil pessoas (23,6 mil em 2011).
Os Açores e a Madeira, de acordo com os dados do INE, eram as regiões com menos registo de jovens desempregados, ambas com 5,3 mil.
Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens em Portugal continua a subir e chegou no quarto trimestre aos 40%, afetando 165 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.
No terceiro trimestre de 2012, a taxa de desemprego nesta faixa etária era de 39%, mas o número de jovens desempregados contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística era superior, alcançando os 175,1 mil.
No trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens era de 35,4%, atingindo 156,3 mil pessoas.
20.9.12
«Desemprego entre jovens é 30%: há falta de jovens?»
Rita Leça, in TVI24
Ter filhos é, antes de mais, uma decisão económica. Que sociedade queremos ou podemos construir?
«Quando dizem que há falta de jovens eu questiono-me: Temos 30% de desemprego entre os jovens. Isso quer dizer que também não há assim tanta falta de jovens». A opinião, irónica, é de Pedro Telhado Pereira, economista da Universidade Católica, quando falava na Conferência sobre trabalho e fecundidade no encontro «Presente no Futuro», que decorre até amanhã no CCB.
Na sua intervenção, Pedro Telhado Pereira defendeu que a atual situação económica - «crise, desemprego, desigualdades» - conduz Portugal «por um mau caminho».
Para o economista, «o ideal seria cada mulher ter 3 filhos para equilibrar» a sociedade, mas, estatísticas à parte, «toda a gente sabe que os contratos a prazo prejudicam a fecundidade. Uma mulher sabe que o seu contrato não será renovado se estiver grávida».
De facto, comprovou, por sua vez, Alexandre Quintanilha, físico e catedrático, a população mundial «está a crescer menos» - «com uma taxa média de 2,3% há quatro anos para os atuais 1,2%» - e, talvez por isso, haja ainda o que o especialista classifica como um «sentimento de culpa insultuoso e cruel» para com «todas as mulheres que adiam a sua maternidade ou não querem ter filhos».
«As pessoas só se querem realizar. As que querem ter filhos devem poder tê-los. Mas, hoje em dia, há muitas outras formas de mulheres e homens se sentirem realizados».
Mais do que as questões demográficas, o que preocupa Alexandre Quintanilha são as questões da sustentabilidade do planeta e dos custos da alimentação no futuro. Por isso, o físico apelou: «Mas importante do que se focar na quantidade das pessoas, é preciso apostar na qualidade de vida das pessoas que vivem neste planeta finito».
E se antes «eram as classes trabalhadoras que tinham mais filhos, porque não o conseguiam evitar. Agora ter filhos é uma questão financeira e é a classe alta que tem mais filhos do que a média da sociedade», disse, por sua vez, Pedro Telhado Pereira.
Já Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome, assumiu a felicidade com os seus cinco filhos e deixou a hipótese: «Talvez as mulheres tivessem deixado de ter tantos filhos para provar que são iguais aos homens. Mas as mulheres são diferentes dos homens».
Mais do que questionar o porquê das coisas, Isabel Jonet defende que uma discussão conjunta: «Temos de definir que tipo de sociedade queremos. Serão necessários muito mais filhos?».
A responsável pelo Banco Alimentar contra a Fome defendeu, antes de mais, que «as pessoas têm de dar a si próprias tempo», perceber que «o tempo é um bem escasso» e perceber o que querem fazer da vida e qual a melhor forma para viver e educar, porque, entende Jonet, «estamos cada vez mais sozinhos».
Ter filhos é, antes de mais, uma decisão económica. Que sociedade queremos ou podemos construir?
«Quando dizem que há falta de jovens eu questiono-me: Temos 30% de desemprego entre os jovens. Isso quer dizer que também não há assim tanta falta de jovens». A opinião, irónica, é de Pedro Telhado Pereira, economista da Universidade Católica, quando falava na Conferência sobre trabalho e fecundidade no encontro «Presente no Futuro», que decorre até amanhã no CCB.
Na sua intervenção, Pedro Telhado Pereira defendeu que a atual situação económica - «crise, desemprego, desigualdades» - conduz Portugal «por um mau caminho».
Para o economista, «o ideal seria cada mulher ter 3 filhos para equilibrar» a sociedade, mas, estatísticas à parte, «toda a gente sabe que os contratos a prazo prejudicam a fecundidade. Uma mulher sabe que o seu contrato não será renovado se estiver grávida».
De facto, comprovou, por sua vez, Alexandre Quintanilha, físico e catedrático, a população mundial «está a crescer menos» - «com uma taxa média de 2,3% há quatro anos para os atuais 1,2%» - e, talvez por isso, haja ainda o que o especialista classifica como um «sentimento de culpa insultuoso e cruel» para com «todas as mulheres que adiam a sua maternidade ou não querem ter filhos».
«As pessoas só se querem realizar. As que querem ter filhos devem poder tê-los. Mas, hoje em dia, há muitas outras formas de mulheres e homens se sentirem realizados».
Mais do que as questões demográficas, o que preocupa Alexandre Quintanilha são as questões da sustentabilidade do planeta e dos custos da alimentação no futuro. Por isso, o físico apelou: «Mas importante do que se focar na quantidade das pessoas, é preciso apostar na qualidade de vida das pessoas que vivem neste planeta finito».
E se antes «eram as classes trabalhadoras que tinham mais filhos, porque não o conseguiam evitar. Agora ter filhos é uma questão financeira e é a classe alta que tem mais filhos do que a média da sociedade», disse, por sua vez, Pedro Telhado Pereira.
Já Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome, assumiu a felicidade com os seus cinco filhos e deixou a hipótese: «Talvez as mulheres tivessem deixado de ter tantos filhos para provar que são iguais aos homens. Mas as mulheres são diferentes dos homens».
Mais do que questionar o porquê das coisas, Isabel Jonet defende que uma discussão conjunta: «Temos de definir que tipo de sociedade queremos. Serão necessários muito mais filhos?».
A responsável pelo Banco Alimentar contra a Fome defendeu, antes de mais, que «as pessoas têm de dar a si próprias tempo», perceber que «o tempo é um bem escasso» e perceber o que querem fazer da vida e qual a melhor forma para viver e educar, porque, entende Jonet, «estamos cada vez mais sozinhos».
18.7.12
35,4% e o Desemprego jovem
por Heliana Vilela, in Setúbal na Rede
O secretário-geral da Organização para a Cooperação e desenvolvimento Economico (OCDE) disse que as principais preocupações da instituição são o desemprego jovem e o de longa duração. "Os números não são animadores. Há 47 milhões de desempregados entre os países da OCDE. E a situação é ainda mais desencorajadora na zona euro. A frágil recuperação económica não criou suficientes oportunidades de emprego. E recentemente tivemos sinais claros de que a economia global vai deteriorar-se. Estes números não vão melhorar", acrescentou. De acordo com o relatório, no cômputo dos países da OCDE, a taxa média de desemprego deverá fixar-se nos 8 por cento este ano e nos 7,9 por cento em 2013. Sendo que a estimativa para o conjunto dos países europeus que integram a OCDE, alude a uma estimativa da taxa de desemprego para os 10 % em 2012 e os 10,2 % em 2013.
O cenário do emprego para os jovens tem piorado no contexto de crise e embora seja uma questão que afeta a população em geral, tem particular incidência nos jovens. Os recentes dados do Instituto Nacional de Estatística mostram-nos que o desemprego jovem (15 a 24 anos) atingiu uma taxa de 35,4% no quarto trimestre de 2011, sendo mais do dobro da média nacional (14%). Constata-se que houve um aumento consistente desde o segundo trimestre do ano, quando a taxa de desemprego jovem atingiu os 27%, passando no trimestre seguinte para os 30%. Ao todo, são mais de 156 mil os jovens que não conseguem entrar no mercado de trabalho. O problema torna-se mais expressivo se a estes somarmos os desempregados na faixa etária dos 25 aos 34 anos que totalizam 217,4 mil.
Igualmente preocupante, é a situação problemática dos muitos jovens que, não estando desempregados, encontram-se em situações de emprego com vínculos precários. Sendo que o conceito de precaridade nas suas dimensões inclui: a instabilidade que pode levar à dependência em relação à família; incerteza em relação ao futuro; falta de segurança; salários desiguais entre homens e mulheres; dificuldade em conciliar a vida familiar e profissional, não valorização curricular, entre outras, o que contribui para a infelicidade que por sua vez se repercute nas competências, na eficácia e eficiência e nos direitos e deveres dos trabalhadores.
A emigração adensa-se assim como as desigualdades sociais. Mas se por um lado a mobilidade dos jovens melhora as suas perspetivas de emprego, devendo por isso ser apoiada, por outro lado o país deve, quando do seu regresso, oferecer condições de trabalho de acordo com esta experiência de valorização. “A preservação do capital humano qualificado é determinante para o crescimento económico, social, cultural e até político de qualquer sociedade e imprescindível para a sua evolução.”
Sendo que o termo “político” deriva do grego antigo “politeía”, que indica todos os procedimentos da “pólis” ou cidade-Estado, que a decisão a nível europeu e nacional influencia decisivamente os nossos quotidianos, e, que "o problema está a crescer mais depressa do que a solução. O aumento do desemprego continua a ultrapassar o aumento da despesa com políticas ativas para o emprego", afirmação de Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, devemos lutar por uma EU mais justa, mais coesa e mais participada.
Em 2008 a EU assinalou 20 anos de início de politicas e de programas europeus dedicados à juventude. Mas só em 2001 iniciou o desenvolvimento de uma cooperação politica em matéria de juventude e , por isso, inúmeros passos devem ser dados até à adoção de um novo quadro de cooperação para 2010-2018. Passos de gigante como a “urgência do investimento que tem de ser feito na juventude, sob pena de se perder uma geração com grandes potencialidades, qualificações, competências e dinamismo, essenciais ao crescimento e desenvolvimento de um país.”, Concelho Nacional da Juventude.
O secretário-geral da Organização para a Cooperação e desenvolvimento Economico (OCDE) disse que as principais preocupações da instituição são o desemprego jovem e o de longa duração. "Os números não são animadores. Há 47 milhões de desempregados entre os países da OCDE. E a situação é ainda mais desencorajadora na zona euro. A frágil recuperação económica não criou suficientes oportunidades de emprego. E recentemente tivemos sinais claros de que a economia global vai deteriorar-se. Estes números não vão melhorar", acrescentou. De acordo com o relatório, no cômputo dos países da OCDE, a taxa média de desemprego deverá fixar-se nos 8 por cento este ano e nos 7,9 por cento em 2013. Sendo que a estimativa para o conjunto dos países europeus que integram a OCDE, alude a uma estimativa da taxa de desemprego para os 10 % em 2012 e os 10,2 % em 2013.
O cenário do emprego para os jovens tem piorado no contexto de crise e embora seja uma questão que afeta a população em geral, tem particular incidência nos jovens. Os recentes dados do Instituto Nacional de Estatística mostram-nos que o desemprego jovem (15 a 24 anos) atingiu uma taxa de 35,4% no quarto trimestre de 2011, sendo mais do dobro da média nacional (14%). Constata-se que houve um aumento consistente desde o segundo trimestre do ano, quando a taxa de desemprego jovem atingiu os 27%, passando no trimestre seguinte para os 30%. Ao todo, são mais de 156 mil os jovens que não conseguem entrar no mercado de trabalho. O problema torna-se mais expressivo se a estes somarmos os desempregados na faixa etária dos 25 aos 34 anos que totalizam 217,4 mil.
Igualmente preocupante, é a situação problemática dos muitos jovens que, não estando desempregados, encontram-se em situações de emprego com vínculos precários. Sendo que o conceito de precaridade nas suas dimensões inclui: a instabilidade que pode levar à dependência em relação à família; incerteza em relação ao futuro; falta de segurança; salários desiguais entre homens e mulheres; dificuldade em conciliar a vida familiar e profissional, não valorização curricular, entre outras, o que contribui para a infelicidade que por sua vez se repercute nas competências, na eficácia e eficiência e nos direitos e deveres dos trabalhadores.
A emigração adensa-se assim como as desigualdades sociais. Mas se por um lado a mobilidade dos jovens melhora as suas perspetivas de emprego, devendo por isso ser apoiada, por outro lado o país deve, quando do seu regresso, oferecer condições de trabalho de acordo com esta experiência de valorização. “A preservação do capital humano qualificado é determinante para o crescimento económico, social, cultural e até político de qualquer sociedade e imprescindível para a sua evolução.”
Sendo que o termo “político” deriva do grego antigo “politeía”, que indica todos os procedimentos da “pólis” ou cidade-Estado, que a decisão a nível europeu e nacional influencia decisivamente os nossos quotidianos, e, que "o problema está a crescer mais depressa do que a solução. O aumento do desemprego continua a ultrapassar o aumento da despesa com políticas ativas para o emprego", afirmação de Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, devemos lutar por uma EU mais justa, mais coesa e mais participada.
Em 2008 a EU assinalou 20 anos de início de politicas e de programas europeus dedicados à juventude. Mas só em 2001 iniciou o desenvolvimento de uma cooperação politica em matéria de juventude e , por isso, inúmeros passos devem ser dados até à adoção de um novo quadro de cooperação para 2010-2018. Passos de gigante como a “urgência do investimento que tem de ser feito na juventude, sob pena de se perder uma geração com grandes potencialidades, qualificações, competências e dinamismo, essenciais ao crescimento e desenvolvimento de um país.”, Concelho Nacional da Juventude.
21.6.12
"Desemprego jovem não é uma fatalidade"
Alexandra Machado, Ana Laranjeiro, in Negócios on-line
Há que envolver mais os jovens e ouvi-los, diz Pierre-Antoine Ullmo, da p.a.u. educacion, uma empresa privada envolvida em projectos comunitários sobre mobilidadee jovem.
Metade da população mundial tem menos de 24 anos. 85% vivem em países emergentes ou em vias de desenvolvimento. Mas existem 400 milhões de desempregados jovens. Só na Europa são 5,5 milhões.
Mas para Pierre-Antoine Ullmo, da p.a.u. education, uma empresa privada que projectou e implementou alguns projectos da União Europeia sobre a mobilidade jovem para a educação e emprego, "o desemprego jovem não é uma fatalidade". Há muito que pode ser feito, nomeadamente há que estar abertos ao diálogo com os jovens. Estes têm uma palavra a dizer.
Por outro lado, este responsável acredita que a solução passa, ainda, por fazer com que o poder político seja acessível aos jovens e há que haver democracidade entre jovens e adultos e recuperar relações locais ao nível das comjunidade. Também há que fomentar a educação para a vida e a mobilidade educativa, assim como assegurar condições de vida básicas para todos. Estas são chaves para o desemprego jovem, diz este responsável.
Os dois grandes desafios são a edcucação e a participação, concluiu. E lembrou: 35% dos empregos futuros são baseados em novas competências. Por isso, "não podemos ignorar necessidades educacionais. Educação para todos é um projecto de vida".
Há que envolver mais os jovens e ouvi-los, diz Pierre-Antoine Ullmo, da p.a.u. educacion, uma empresa privada envolvida em projectos comunitários sobre mobilidadee jovem.
Metade da população mundial tem menos de 24 anos. 85% vivem em países emergentes ou em vias de desenvolvimento. Mas existem 400 milhões de desempregados jovens. Só na Europa são 5,5 milhões.
Mas para Pierre-Antoine Ullmo, da p.a.u. education, uma empresa privada que projectou e implementou alguns projectos da União Europeia sobre a mobilidade jovem para a educação e emprego, "o desemprego jovem não é uma fatalidade". Há muito que pode ser feito, nomeadamente há que estar abertos ao diálogo com os jovens. Estes têm uma palavra a dizer.
Por outro lado, este responsável acredita que a solução passa, ainda, por fazer com que o poder político seja acessível aos jovens e há que haver democracidade entre jovens e adultos e recuperar relações locais ao nível das comjunidade. Também há que fomentar a educação para a vida e a mobilidade educativa, assim como assegurar condições de vida básicas para todos. Estas são chaves para o desemprego jovem, diz este responsável.
Os dois grandes desafios são a edcucação e a participação, concluiu. E lembrou: 35% dos empregos futuros são baseados em novas competências. Por isso, "não podemos ignorar necessidades educacionais. Educação para todos é um projecto de vida".
1.6.12
Desemprego continuou a subir em Abril, sobretudo entre os jovens
Por Paulo Miguel Madeira, in Público on-line
A taxa oficial de desemprego em Portugal deverá ter subido para 15,2% em Abril, anunciou esta sexta-feira o Eurostat, que reviu em baixa os valores mensais que já tinha divulgado para o primeiro trimestre.
O desemprego jovem também continua a subir, e mais intensamente, tendo passado de 35,9% em Março (valor também revisto) para 36,6% em Abril, segundo a autoridade estatística europeia.
A taxa oficial de desemprego em Portugal deverá ter subido para 15,2% em Abril, anunciou esta sexta-feira o Eurostat, que reviu em baixa os valores mensais que já tinha divulgado para o primeiro trimestre.
O desemprego jovem também continua a subir, e mais intensamente, tendo passado de 35,9% em Março (valor também revisto) para 36,6% em Abril, segundo a autoridade estatística europeia.
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