Pedro Mesquita, in Reconquista
Três homens, três histórias. Em comum a droga, a rua mas, acima de tudo, a força de vontade de mudar.
Numa altura em que Portugal se comprometeu em acabar com o flagelo dos "sem-abrigo" até 2023, a Renascença apresenta-lhe a história de três pessoas que, durante vários anos, fizeram da rua a sua morada.
Jorge Cardinali é um artista de circo, mágico e recordista mundial a girar pratos; Christian é romeno, e faz vigilância nos albergues noturnos do Porto e Laudelino Jesus era empresário da restauração. Caíram os três para a rua, por culpa do vício da droga.
Entre um e outro relato, há frases que se cruzam.
"Quando dei por ela estava no fundo do poço”
“Vivi junto a multibancos e em jardins. Onde me podia aninhar, ali ficava”
“A minha vida era o consumo de droga e o álcool. Falta-me tudo, sobretudo não ter ninguém com quem falar”
“Uma conversa amiga caia melhor do que uma sopa”
Viver na rua é estar à vista de todos e enfrentar a indiferença.
“Não me sentia uma pessoa. Nós perdemos a identidade”
“Às vezes as pessoas nem olham, mas quando não queres dar dinheiro podes convidar a pessoa a comer”
“Quando estamos sem fazer higiene há muito tempo, não cheiramos bem, não somos seres visualmente agradáveis”
Mas nestas três histórias paralelas houve, também um momento decisivo, a força necessária, com a ajuda de alguém, para reconquistar a identidade.
“Foi um clique que me deu. Estava farto da droga, de estar na rua, e fui pedir ajuda ao meu filho. Ele respondeu-me: Eu ajudo-te, cota, mas quem impõe as regras sou eu. Fiz um tratamento, deixei a droga e tornei-me voluntário da rede europeia anti-pobreza. Também regressei aos espetáculos de circo”
“No meu caso foi uma conversa com um antigo sem-abrigo. Conversámos e ele aconselhou-me duas coisas: Sair da rua e deixar as drogas”
“Comigo o que aconteceu foi que me lembrei do meu filho e não quis que a minha história terminasse assim. Houve, depois, uma equipa de rua que me ajudou”
Esta é uma história de identidades reconquistadas.
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10.1.20
3.2.16
Subiu número de mortes por droga
In "Correio da Manhã"
Subiu número de mortes por droga Relatório referente a 2014.
Em 2014 aumentou o número de pessoas que morreram com droga no organismo, bem como o número de casos por overdose, sendo de destacar a cocaína, segundo o relatório anual do SICAD, esta quarta-feira apresentado.
De acordo com o documento do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) - 'A situação do país em matéria de Drogas e Toxicodependência 2014' -, nesse ano morreram 220 pessoas com a presença de pelo menos uma substancia ilícita (mais 36 do que no ano anterior), 33 das quais (15%) com overdoses, configurando um aumento de 50% neste tipo de óbito face a 2013.
Entre as substâncias detetadas nestas overdoses, o relatório destaca a presença de cocaína (64%), os opiáceos (45%) e a metadona (42%). Verifica-se um aumento significativo da presença de cocaína (36% em 2013) e da metadona (27% em 2013), mantendo-se os opiáceos nos mesmos níveis (46% em 2013). "É de notar, enquanto tendência emergente, embora ainda com valores residuais, a ocorrência de casos de overdose com a presença de drogas sintéticas", sublinha o relatório. Associação com álcool Na maioria das overdoses (85%) foram detetadas mais do que uma substância, sendo de destacar em associação com as drogas ilícitas, as overdoses com a presença de álcool (21%) e benzodiazepinas (46%).
Relativamente às outras 187 causas de mortes com a presença de pelo menos uma substância ilícita (ou seu metabolito) no organismo, estas foram sobretudo atribuídas a acidentes (40%), seguindo-se-lhes a morte natural (35%), suicídio (17%) e homicídio (4%).
Citando um estudo europeu que pela primeira vez incluiu Portugal e que estudou a prevalência de drogas e álcool na população condutora, o relatório refere que nos condutores mortos em acidentes de viação as drogas ilícitas mais prevalentes em Portugal foram a cannabis (4,2%) e a cocaína (1,4%). No que se refere à mortalidade relacionada com o VIH/Sida, de acordo com as notificações de óbitos recebidas no Instituto Nacional de Saúde (INSA), foram notificadas 87 mortes em 2014 associadas à toxicodependência, 57 dos quais já em fase de sida.
Haxixe: a droga mais apreendida O haxixe foi a droga com maior número de apreensões em 2014, pela primeira vez as apreensões de cannabis herbácea superaram as de heroína e a cannabis resina atingiu o grau de pureza mais elevados desde 2005. Estes dados, que refletem o mercado de oferta de drogas em 2014, constam do relatório anual do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).
Segundo o documento, a cannabis continua a ser a droga ilícita percecionada como de maior acessibilidade, refletindo as prevalências de consumo na população portuguesa. Em 2014, foi mais uma vez "consolidado o predomínio crescente da cannabis", a cocaína manteve-se como segunda droga com maior visibilidade no mercado nacional e a heroína continuou a perder visibilidade. O haxixe foi a substância com o maior número de apreensões (3.472), seguindo-se a cocaína (com 1.042 apreensões). O relatório destaca que "pela primeira vez o número de apreensões de cannabis herbácea (771) foi superior ao de heroína (690), o que se deve mais à diminuição de apreensões desta última droga, do que ao aumento de apreensões de cannabis. Sobem apreensões de ecstasy Além do haxixe, registou-se também um aumento nas apreensões de ecstasy (de 80 para 138), face a 2013.
Quanto aos mercados de tráfico e de tráfico-consumo, a principal diferença relativamente a 2013 foi a subida do preço médio da heroína, invertendo a descida verificada naquele ano, mas ainda assim mantendo um valor inferior aos registados entre 2002 e 2011. Relativamente ao grau de pureza das drogas apreendidas, o relatório salienta que a potência média da cannabis, e em particular da cannabis resina, tem vindo a aumentar nos últimos anos, atingindo em 2014 os valores médios mais elevados desde 2005. No contexto das populações escolares, um estudo que incidiu nos alunos do 8.º e 10.º anos de escolaridade revelou que a cannabis continua a ser a mais consumida (8,8% já experimentaram).
O relatório destaca indicadores de tendências emergentes, como a experimentação de produtos usados como doping (2,3%) e de smartdrugs (2,1%).
Subiu número de mortes por droga Relatório referente a 2014.
Em 2014 aumentou o número de pessoas que morreram com droga no organismo, bem como o número de casos por overdose, sendo de destacar a cocaína, segundo o relatório anual do SICAD, esta quarta-feira apresentado.
De acordo com o documento do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) - 'A situação do país em matéria de Drogas e Toxicodependência 2014' -, nesse ano morreram 220 pessoas com a presença de pelo menos uma substancia ilícita (mais 36 do que no ano anterior), 33 das quais (15%) com overdoses, configurando um aumento de 50% neste tipo de óbito face a 2013.
Entre as substâncias detetadas nestas overdoses, o relatório destaca a presença de cocaína (64%), os opiáceos (45%) e a metadona (42%). Verifica-se um aumento significativo da presença de cocaína (36% em 2013) e da metadona (27% em 2013), mantendo-se os opiáceos nos mesmos níveis (46% em 2013). "É de notar, enquanto tendência emergente, embora ainda com valores residuais, a ocorrência de casos de overdose com a presença de drogas sintéticas", sublinha o relatório. Associação com álcool Na maioria das overdoses (85%) foram detetadas mais do que uma substância, sendo de destacar em associação com as drogas ilícitas, as overdoses com a presença de álcool (21%) e benzodiazepinas (46%).
Relativamente às outras 187 causas de mortes com a presença de pelo menos uma substância ilícita (ou seu metabolito) no organismo, estas foram sobretudo atribuídas a acidentes (40%), seguindo-se-lhes a morte natural (35%), suicídio (17%) e homicídio (4%).
Citando um estudo europeu que pela primeira vez incluiu Portugal e que estudou a prevalência de drogas e álcool na população condutora, o relatório refere que nos condutores mortos em acidentes de viação as drogas ilícitas mais prevalentes em Portugal foram a cannabis (4,2%) e a cocaína (1,4%). No que se refere à mortalidade relacionada com o VIH/Sida, de acordo com as notificações de óbitos recebidas no Instituto Nacional de Saúde (INSA), foram notificadas 87 mortes em 2014 associadas à toxicodependência, 57 dos quais já em fase de sida.
Haxixe: a droga mais apreendida O haxixe foi a droga com maior número de apreensões em 2014, pela primeira vez as apreensões de cannabis herbácea superaram as de heroína e a cannabis resina atingiu o grau de pureza mais elevados desde 2005. Estes dados, que refletem o mercado de oferta de drogas em 2014, constam do relatório anual do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).
Segundo o documento, a cannabis continua a ser a droga ilícita percecionada como de maior acessibilidade, refletindo as prevalências de consumo na população portuguesa. Em 2014, foi mais uma vez "consolidado o predomínio crescente da cannabis", a cocaína manteve-se como segunda droga com maior visibilidade no mercado nacional e a heroína continuou a perder visibilidade. O haxixe foi a substância com o maior número de apreensões (3.472), seguindo-se a cocaína (com 1.042 apreensões). O relatório destaca que "pela primeira vez o número de apreensões de cannabis herbácea (771) foi superior ao de heroína (690), o que se deve mais à diminuição de apreensões desta última droga, do que ao aumento de apreensões de cannabis. Sobem apreensões de ecstasy Além do haxixe, registou-se também um aumento nas apreensões de ecstasy (de 80 para 138), face a 2013.
Quanto aos mercados de tráfico e de tráfico-consumo, a principal diferença relativamente a 2013 foi a subida do preço médio da heroína, invertendo a descida verificada naquele ano, mas ainda assim mantendo um valor inferior aos registados entre 2002 e 2011. Relativamente ao grau de pureza das drogas apreendidas, o relatório salienta que a potência média da cannabis, e em particular da cannabis resina, tem vindo a aumentar nos últimos anos, atingindo em 2014 os valores médios mais elevados desde 2005. No contexto das populações escolares, um estudo que incidiu nos alunos do 8.º e 10.º anos de escolaridade revelou que a cannabis continua a ser a mais consumida (8,8% já experimentaram).
O relatório destaca indicadores de tendências emergentes, como a experimentação de produtos usados como doping (2,3%) e de smartdrugs (2,1%).
13.5.15
Nas escolas há agressões. E droga, armas e roubos
in o Observador
Crimes na escolas aumentaram no último ano letivo. Grande parte refere-se a agressões entre alunos, a uma média de 185 casos por mês. Mas também há furtos, tráfico de droga e armas.
GNR e PSP têm feito várias ações de sensibilização nas escolas
Há furtos, ameaças, injúrias, roubos, tráfico de droga e, até, armas nas escolas portuguesas. Ainda assim, a grande fatia dos crimes registados pela PSP no ano letivo 2013/2014 em ambiente escolar refere-se a agressões. Houve uma média de 185 casos por mês, num total de 1665, significa 34% do total de crimes ocorridos dentro e fora das escolas.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna referente a 2014, 72,5 % das ocorrências (6 693) em contexto escolar foram de natureza criminal. Números que indicam um aumento de 5,4% de casos participados à polícia e de 8,1% de crimes propriamente ditos. A maior parte dos crimes acontece dentro das escolas e são depois comunicados à polícia.
Apesar das campanhas de sensibilização da GNR e da PSP, que passam pela distribuição de panfletos a dar conta do que é o bullying ou os abusos sexuais, por exemplo, os números de crimes em contexto escolar não param de aumentar. Além das agressões, a polícia registou 1 220 furtos, 287 roubos e 256 casos de vandalismo. Foram ainda detetados, a nível nacional, 72 casos de alunos com armas e 119 com droga para tráfico. As autoridades registaram, também, 142 casos de ofensas sexuais.
É no distrito de Lisboa que mais ocorrências se têm registado. Segue-se Porto e Setúbal, obedecendo às restantes estatísticas da criminalidade a nível nacional.
Proponha uma correção, sugira uma pista:
Crimes na escolas aumentaram no último ano letivo. Grande parte refere-se a agressões entre alunos, a uma média de 185 casos por mês. Mas também há furtos, tráfico de droga e armas.
GNR e PSP têm feito várias ações de sensibilização nas escolas
Há furtos, ameaças, injúrias, roubos, tráfico de droga e, até, armas nas escolas portuguesas. Ainda assim, a grande fatia dos crimes registados pela PSP no ano letivo 2013/2014 em ambiente escolar refere-se a agressões. Houve uma média de 185 casos por mês, num total de 1665, significa 34% do total de crimes ocorridos dentro e fora das escolas.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna referente a 2014, 72,5 % das ocorrências (6 693) em contexto escolar foram de natureza criminal. Números que indicam um aumento de 5,4% de casos participados à polícia e de 8,1% de crimes propriamente ditos. A maior parte dos crimes acontece dentro das escolas e são depois comunicados à polícia.
Apesar das campanhas de sensibilização da GNR e da PSP, que passam pela distribuição de panfletos a dar conta do que é o bullying ou os abusos sexuais, por exemplo, os números de crimes em contexto escolar não param de aumentar. Além das agressões, a polícia registou 1 220 furtos, 287 roubos e 256 casos de vandalismo. Foram ainda detetados, a nível nacional, 72 casos de alunos com armas e 119 com droga para tráfico. As autoridades registaram, também, 142 casos de ofensas sexuais.
É no distrito de Lisboa que mais ocorrências se têm registado. Segue-se Porto e Setúbal, obedecendo às restantes estatísticas da criminalidade a nível nacional.
Proponha uma correção, sugira uma pista:
10.2.14
Contexto de "profunda exclusão" foi terreno fértil para "hipermercado de droga"
por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral, in Diário de Notícias
A "profunda exclusão" em que vivia o Casal Ventoso criou um terreno fértil para que, a partir do final dos anos 1980, o bairro lisboeta se transformasse no "hipermercado de droga" da capital, segundo o sociólogo Miguel Chaves.
O investigador do CESNOVA -- Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) explicou à agência Lusa que o cenário que começou a ser destruído há mais de 15 anos, com a reconversão social e urbanística do bairro, teve origem em "processos profundos de exclusão social", que começaram no início do século XX.
O autor do estudo "Casal Ventoso: da Gandaia ao Narcotráfico. Marginalidade Económica e Dominação Simbólica em Lisboa" (produto da sua tese de mestrado) afirmou que o Casal Ventoso foi, "desde os seus primórdios, um bairro que sofria processos profundos de exclusão social". Essa exclusão, resumiu, podia ser entendida a quatro níveis: residencial, exclusão do sistema produtivo, exclusão escolar, e estigma social.
Este era "um bairro de indivíduos que viviam na periferia, nos limites mínimos das condições de habitação". É "um dos primeiros exemplos de habitação clandestina em Lisboa".
Para além disso, acrescentou, quem ali vivia sofria uma "grande exclusão em relação ao sistema produtivo". A população era "'subproletariada'", a mão-de-obra masculina era "particularmente desqualificada", e, por isso, "a primeira a ser expulsa das fábricas" em momentos de crise.
Uma grande parte da população feminina e das crianças andava à gandaia, "aproveitando as lixeiras existentes no bairro".
A isto acrescia o facto de, no Casal Ventoso, os níveis de instrução atingirem patamares muito baixos: "Eram raros os indivíduos que concluíam o primeiro ciclo do ensino básico e essa situação de baixíssima escolarização prolongou-se até muito tarde".
Quem vivia no bairro tinha ainda de confrontar-se, "desde muito cedo na sua vida, com um estigma social profundo". Ser do Casal Ventoso implicava "carregar um estigma que era projetado sobre um território" e isso "tornava-lhes a vida muito complicada: para arranjar trabalho, na própria escola, na relação com professores, etc., mas também na relação quotidiana que estabeleciam com pessoas que não eram habitantes do bairro".
Cria-se, assim, acrescentou Miguel Chaves, "um caldo de profunda exclusão social, muito propício ao desenvolvimento de atividades ilegais", e que, a partir da década de 1980, viu surgir "uma estrutura de oportunidades ilegais extensa, organizada, sobre a qual se veio a desenvolver o narcotráfico".
A partir desse momento -- "criada uma estrutura de oportunidades ilegais, dada a procura muito intensa de drogas, sobretudo de heroína, que se verificava em Lisboa nessa altura, e atendendo às baixíssimas condições materiais de existência dos residentes" -- um número crescente de indivíduos engrossou as fileiras do narcotráfico. Daqui ao "hipermercado de droga" foi menos de nada.
Portugal assinalava, há 15 anos, o princípio do fim do Casal Ventoso. Concluía-se a primeira fase de um amplo e ambicioso processo de realojamento de mais de mil famílias, integrado num pioneiro plano de reconversão sócio urbanística.
Em fevereiro de 1999, a Câmara de Lisboa, então presidida pelo socialista João Soares, dava por concluído o processo de realojamento de 248 famílias no bairro da Quinta do Cabrinha.
A "profunda exclusão" em que vivia o Casal Ventoso criou um terreno fértil para que, a partir do final dos anos 1980, o bairro lisboeta se transformasse no "hipermercado de droga" da capital, segundo o sociólogo Miguel Chaves.
O investigador do CESNOVA -- Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) explicou à agência Lusa que o cenário que começou a ser destruído há mais de 15 anos, com a reconversão social e urbanística do bairro, teve origem em "processos profundos de exclusão social", que começaram no início do século XX.
O autor do estudo "Casal Ventoso: da Gandaia ao Narcotráfico. Marginalidade Económica e Dominação Simbólica em Lisboa" (produto da sua tese de mestrado) afirmou que o Casal Ventoso foi, "desde os seus primórdios, um bairro que sofria processos profundos de exclusão social". Essa exclusão, resumiu, podia ser entendida a quatro níveis: residencial, exclusão do sistema produtivo, exclusão escolar, e estigma social.
Este era "um bairro de indivíduos que viviam na periferia, nos limites mínimos das condições de habitação". É "um dos primeiros exemplos de habitação clandestina em Lisboa".
Para além disso, acrescentou, quem ali vivia sofria uma "grande exclusão em relação ao sistema produtivo". A população era "'subproletariada'", a mão-de-obra masculina era "particularmente desqualificada", e, por isso, "a primeira a ser expulsa das fábricas" em momentos de crise.
Uma grande parte da população feminina e das crianças andava à gandaia, "aproveitando as lixeiras existentes no bairro".
A isto acrescia o facto de, no Casal Ventoso, os níveis de instrução atingirem patamares muito baixos: "Eram raros os indivíduos que concluíam o primeiro ciclo do ensino básico e essa situação de baixíssima escolarização prolongou-se até muito tarde".
Quem vivia no bairro tinha ainda de confrontar-se, "desde muito cedo na sua vida, com um estigma social profundo". Ser do Casal Ventoso implicava "carregar um estigma que era projetado sobre um território" e isso "tornava-lhes a vida muito complicada: para arranjar trabalho, na própria escola, na relação com professores, etc., mas também na relação quotidiana que estabeleciam com pessoas que não eram habitantes do bairro".
Cria-se, assim, acrescentou Miguel Chaves, "um caldo de profunda exclusão social, muito propício ao desenvolvimento de atividades ilegais", e que, a partir da década de 1980, viu surgir "uma estrutura de oportunidades ilegais extensa, organizada, sobre a qual se veio a desenvolver o narcotráfico".
A partir desse momento -- "criada uma estrutura de oportunidades ilegais, dada a procura muito intensa de drogas, sobretudo de heroína, que se verificava em Lisboa nessa altura, e atendendo às baixíssimas condições materiais de existência dos residentes" -- um número crescente de indivíduos engrossou as fileiras do narcotráfico. Daqui ao "hipermercado de droga" foi menos de nada.
Portugal assinalava, há 15 anos, o princípio do fim do Casal Ventoso. Concluía-se a primeira fase de um amplo e ambicioso processo de realojamento de mais de mil famílias, integrado num pioneiro plano de reconversão sócio urbanística.
Em fevereiro de 1999, a Câmara de Lisboa, então presidida pelo socialista João Soares, dava por concluído o processo de realojamento de 248 famílias no bairro da Quinta do Cabrinha.
29.2.12
AMI admite alargar intervenção à toxicodependência e luta contra pobreza
in Público on-line
A Assistência Médica Internacional (AMI) pode vir a alargar a sua intervenção em Ponta Delgada, nos Açores, à área da toxicodependência e à luta contra a pobreza, admitiu hoje Fernando Nobre, presidente desta instituição de apoio social.
“É bem provável que possamos alargar o âmbito de intervenção da nossa Residência Social em Ponta Delgada”, afirmou Fernando Nobre, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o presidente do Governo dos Açores, acrescentando que a instituição “vai estar atenta às solicitações que possam surgir e dará resposta adequada ao nível das suas possibilidades”.
Fernando Nobre revelou que o responsável pela Residência Social da AMI em Ponta Delgada lhe falou na possibilidade de estender a intervenção a outros domínios, mas acrescentou que essa expansão só será feita quando o projecto da residência chegar a um ponto de “equilíbrio e sustentabilidade”.
A AMI tem a funcionar nos Açores dois centros sociais, que incluem uma residência social em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, e a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
A Residência Social de Ponta Delgada, inaugurada em Dezembro, já prestou apoio a 33 pessoas oriundas de outras ilhas do arquipélago que precisaram de se deslocar a S. Miguel para tratamento hospitalar.
Fernando Nobre salientou que a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, tem registado um aumento de pedidos de apoio, frisando que é uma tendência que se tem registado não só nos Açores, mas também a nível nacional.
“No país, as solicitações cresceram no ano passado cerca de 30 por cento em relação a 2010 e é expectável que a tendência este ano se mantenha”, afirmou o presidente da AMI.
Por seu lado, o presidente do Governo dos Açores, Carlos César, manifestou “satisfação” pela presença da AMI na Região, acrescentando ver “com agrado” o aumento das suas actividades nos Açores.
A Assistência Médica Internacional (AMI) pode vir a alargar a sua intervenção em Ponta Delgada, nos Açores, à área da toxicodependência e à luta contra a pobreza, admitiu hoje Fernando Nobre, presidente desta instituição de apoio social.
“É bem provável que possamos alargar o âmbito de intervenção da nossa Residência Social em Ponta Delgada”, afirmou Fernando Nobre, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o presidente do Governo dos Açores, acrescentando que a instituição “vai estar atenta às solicitações que possam surgir e dará resposta adequada ao nível das suas possibilidades”.
Fernando Nobre revelou que o responsável pela Residência Social da AMI em Ponta Delgada lhe falou na possibilidade de estender a intervenção a outros domínios, mas acrescentou que essa expansão só será feita quando o projecto da residência chegar a um ponto de “equilíbrio e sustentabilidade”.
A AMI tem a funcionar nos Açores dois centros sociais, que incluem uma residência social em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, e a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
A Residência Social de Ponta Delgada, inaugurada em Dezembro, já prestou apoio a 33 pessoas oriundas de outras ilhas do arquipélago que precisaram de se deslocar a S. Miguel para tratamento hospitalar.
Fernando Nobre salientou que a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, tem registado um aumento de pedidos de apoio, frisando que é uma tendência que se tem registado não só nos Açores, mas também a nível nacional.
“No país, as solicitações cresceram no ano passado cerca de 30 por cento em relação a 2010 e é expectável que a tendência este ano se mantenha”, afirmou o presidente da AMI.
Por seu lado, o presidente do Governo dos Açores, Carlos César, manifestou “satisfação” pela presença da AMI na Região, acrescentando ver “com agrado” o aumento das suas actividades nos Açores.
AMI admite entrar na luta contra pobreza e droga AMI admite entrar na luta contra pobreza e droga
in Sol
A Assistência Médica Internacional (AMI) pode vir a alargar a sua intervenção em Ponta Delgada, nos Açores, à área da toxicodependência e à luta contra a pobreza, admitiu hoje Fernando Nobre, presidente desta instituição de apoio social.
«É bem provável que possamos alargar o âmbito de intervenção da nossa Residência Social em Ponta Delgada», afirmou Fernando Nobre, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o presidente do Governo dos Açores, acrescentando que a instituição «vai estar atenta às solicitações que possam surgir e dará resposta adequada ao nível das suas possibilidades».
Fernando Nobre revelou que o responsável pela Residência Social da AMI em Ponta Delgada lhe falou na possibilidade de estender a intervenção a outros domínios, mas acrescentou que essa expansão só será feita quando o projecto da residência chegar a um ponto de «equilíbrio e sustentabilidade».
A AMI tem a funcionar nos Açores dois centros sociais, que incluem uma residência social em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, e a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
A Residência Social de Ponta Delgada, inaugurada em Dezembro, já prestou apoio a 33 pessoas oriundas de outras ilhas do arquipélago que precisaram de se deslocar a S. Miguel para tratamento hospitalar.
Fernando Nobre salientou que a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, tem registado um aumento de pedidos de apoio, frisando que é uma tendência que se tem registado não só nos Açores, mas também a nível nacional.
«No país, as solicitações cresceram no ano passado cerca de 30 por cento em relação a 2010 e é expectável que a tendência este ano se mantenha», afirmou o presidente da AMI.
Por seu lado, o presidente do Governo dos Açores, Carlos César, manifestou «satisfação» pela presença da AMI na Região, acrescentando ver «com agrado» o aumento das suas actividades nos Açores.
Lusa/SOL
A Assistência Médica Internacional (AMI) pode vir a alargar a sua intervenção em Ponta Delgada, nos Açores, à área da toxicodependência e à luta contra a pobreza, admitiu hoje Fernando Nobre, presidente desta instituição de apoio social.
«É bem provável que possamos alargar o âmbito de intervenção da nossa Residência Social em Ponta Delgada», afirmou Fernando Nobre, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o presidente do Governo dos Açores, acrescentando que a instituição «vai estar atenta às solicitações que possam surgir e dará resposta adequada ao nível das suas possibilidades».
Fernando Nobre revelou que o responsável pela Residência Social da AMI em Ponta Delgada lhe falou na possibilidade de estender a intervenção a outros domínios, mas acrescentou que essa expansão só será feita quando o projecto da residência chegar a um ponto de «equilíbrio e sustentabilidade».
A AMI tem a funcionar nos Açores dois centros sociais, que incluem uma residência social em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, e a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
A Residência Social de Ponta Delgada, inaugurada em Dezembro, já prestou apoio a 33 pessoas oriundas de outras ilhas do arquipélago que precisaram de se deslocar a S. Miguel para tratamento hospitalar.
Fernando Nobre salientou que a Porta Amiga, em Angra do Heroísmo, tem registado um aumento de pedidos de apoio, frisando que é uma tendência que se tem registado não só nos Açores, mas também a nível nacional.
«No país, as solicitações cresceram no ano passado cerca de 30 por cento em relação a 2010 e é expectável que a tendência este ano se mantenha», afirmou o presidente da AMI.
Por seu lado, o presidente do Governo dos Açores, Carlos César, manifestou «satisfação» pela presença da AMI na Região, acrescentando ver «com agrado» o aumento das suas actividades nos Açores.
Lusa/SOL
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